sábado, 18 de junho de 2011

Conversas Cartomânticas: Giancarlo Kind Schmid e o Mago



Olá pessoal. Dando seguimento a nossa blogagem coletiva, segue abaixo o texto do Giancarlo Kind Schmid sobre o Mago. O Gian tem uma abordagem profunda e delicada de cada Arcano, sempre trazendo suas realidades para o cotidiano de uma forma prática e precisa, não deixando de nos apresentar a perspectiva histórica que permeia a construção do conceito do mesmo.

Próxima postagem: A Sacerdotisa, por Nelise Carbonari, em 21 de junho. 

Giancarlo por ele mesmo:
Giancarlo Kind Schmid, 41, é capixaba de Vitória (ES), de família petropolitana, morando em Petrópolis (RJ) desde tenra idade. Desde cedo inclinou-se às pesquisas, interessando-se por história, esoterismo e psicologia. Tem formação em Florais de Bach, Reiki Usui (nível 3A), Teoria Junguiana e é licenciado em Literaturas e Língua Portuguesa pela UNESA. Iniciou-se em algumas fraternidades esotéricas como a Ordem Rosacruz (AMORC), Colégio Druídico do Brasil e a Tradicional Ordem Martinista (TOM). Desenvolve desde os anos 90 a prática da "taroterapia" cuja proposta é o uso do tarô para o autoconhecimento e superação pessoal (a partir da integração do tarô com os florais, psicologia junguiana, meditação, análise dos sonhos, etc). Congressista e palestrante, participou de importantes encontros de tarólogos no país, levando suas práticas e experiências a conhecimento do público. Atuou em SP, RJ, MG, PB e ES profissionalmente. Escreve regularmente artigos e diversos textos para sites, blogs, jornais e revistas. Dirigiu o programa "Razões da Alma" (esoterismo, cultura e filosofia) pela TV Cidade Imperial. Mantém o portal Taroterapia (www.taroterapia.com.br), o Guia de Tarô (www.sobresites.com/taro) e o blog "Alpha Symbolon"
(http://alphasymbolon.blogspot.com/). É um ativo propagador do tarô no Brasil e países lusófonos. Atende regularmente (presencial e on line) e ministra cursos e workshops.

Escolhi “O Mago” a partir da interessante proposta sugerida pelo amigo Emanuel (de 22 autores escreverem sobre um arcano de sua escolha), companheiro de comunidades virtuais. Explanar sobre esse arcano é ao mesmo tempo fascinante e desafiador, pois é uma lâmina instigante, rica em sua alegoria e simbologia.

I O MAGO

Fiat lux (faça-se a luz)! 
Gênesis 1:3.
Um imberbe rapaz vestido despojadamente, portando um grande chapéu, tem à sua frente uma mesa na qual estão distribuídas moedas, copos, às vezes uma chaleira, adagas, cartas. O jovem mantém numa das mãos uma moeda e na outra uma varinha, imagem essa relacionada ao ato “mágicko” concebido entre famosas ordem esotéricas que se popularizaram no final do século XIX. Eteilla (Jean-Baptiste Alliette (1738–1791) foi o primeiro a adotar o título ao se assumir como o próprio, ilustrando o primeiro arcano do seu baralho sob o título “Eteilla Consultando”. O mago, segundo as concepções esotéricas, é um manipulador das forças espirituais, um mediador entre o mundo terrestre e o mundo astral, um operador que usa o poder das palavras e dos símbolos para realizar alguns feitos especiais.

O Mago
Visconti-Sforza (século XVI)


O arcano número um já teve muitos nomes: “pelotiqueiro, escamoteador, malabarista, prestidigitador, ilusionista, artesão, saltimbanco, mágico”. Hoje, o conhecemos como “O Mago” - seu título é um atributo a partir da herança ocultista do século XVIII: a magia estava em alta na Europa. Inspirador de muitos ocultistas, o arcano deixou de representar o logro em plena praça pública através da prestidigitação (brincadeira dos copos, das moedas, dos palitos, etc), ato esse difundido largamente durante a Idade Média e Renascença, perdurando entre algumas culturas urbanas até hoje. Ao se assumir “mago”, o arcano 01 ganhou o status de intermediador entre os vários universos, de unificador simbólico, um agente capaz de encantar e seduzir através das palavras e atos, encarnando o próprio poder criativo e a vontade imperativa.
Dois elementos chamam a atenção nesse arcano: o chapéu que se metamorfoseia na lemniscata, ou se preferir, no símbolo algébrico do infinito, e as mãos posicionadas em direção opostas (para cima e para baixo), tomando em cada uma delas um objeto (uma moeda e um bastão ou varinha). Essa última representação veio a estimular o imaginário de muitos ocultistas, relacionando a posição dos braços com a primeira letra do alfabeto hebraico (Aleph - א); se tratava apenas do ato de iludir – enquanto o prestidigitador prendia a atenção do público com uma das mãos, manipulava com a outra. Já a lemniscata vem a se repetir no arcano “A Força”, também inspirada no chapéu da figura. Em sua significância, ver evocar o “eterno vir a ser”.

Mago/Branchus
Tarot Nostradamus (Jean Payen) (1713-1760)

De sua pequena mesa abarrotada de objetos, promete desde “curas para as mais esquisitas doenças até mesmo a fonte da juventude”.  Diverte o público, encanta com suas histórias, trapaceia sordidamente, propõe atividades lúdicas para arrancar dinheiro dos incautos. Essa é a imagem clássica do caixeiro viajante, do vendedor milagreiro ou simplesmente do ilusionista falastrão.

Mago
Tarot de Oswald Wirth (Século XIX)


O Mago “brinca” de Deus. Orbita no mundo das ideias, abre portas e cria situações. Mas, bem como os espetáculos que produz, suas ações são impermanentes e fugazes: a continuidade não é seu forte, apenas a oportunidade, o lance é o que importa. O arcano nos propõe o jogo do “pegar ou largar”, devemos ser rápidos em nossas decisões e hábeis na consecução. É o momento, o agora, aproveitando as condições tal como a frase latina “carpe diem” (aproveite o dia). Qualquer distração é fatal. Objetivos ou metas são necessários para a sedimentação do plano, caso contrário, a chance se esvai. O arcano 01 é dotado de grande destreza e inteligência e espera de nós enorme articulação e presença de espírito ao agirmos. Ação, aliás, é seu nome. 
Dotado de uma natureza pueril/adolescente, “O Mago” nos prega peças quando não sabemos o que queremos. É necessário sabermos para onde queremos ir, onde pretendemos chegar. É, também, o ponto de partida para o encontro com a própria individualidade e a realização do ego.
Personifica o orador, o mágico das plateias, o palestrante, o vendedor ambulante, o marqueteiro, o artista circense. É o conquistador pelas palavras, mágicas e acrobacias. Deste modo, sugere a ação do LOGOS¹, a atuação do pensamento sobre todas as coisas. O próprio médium em seu papel de canalizar as esferas divinas.
Bom de papo, leva todos na conversa. Se você precisar convencer alguém, conseguir atingir rápido seu objetivo, contornar espertamente uma situação ou dar o primeiro passo em algo, esse é o arcano certo! Mas, lembre-se: você não conseguirá manter muito tempo as aparências e nem sustentar prolongadamente suas ações – toda magia tem um tempo muito curto.

NOTAS


¹ Para Heráclito de Éfeso (V a.C.), conjunto harmônico de leis que comandam o universo, formando uma inteligência cósmica onipresente que se plenifica no pensamento humano; no misticismo filosófico de Fílon da Alexandria (I d.C.), no neoplatonismo e no gnosticismo, inteligência ativa, transformadora e ordenadora de Deus em sua ação sobre a realidade.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Conversas Cartomânticas: Luciana Onofre e O Louco




Olá pessoal. Iniciando nossos trabalhos da blogagem coletiva proposta no Facebook e anunciada aqui, cá temos o trabalho da Luciana Onofre, do blog Taroteando
Ela, por ela mesma:
Uma taurina com ascendente em Leão. Nascida na Colômbia e habitante da Terra Brasilis atualmente. Pesquisadora do Sagrado Feminino, dos  seus mitos e mitologias. Theateísta. 
Taróloga por paixão, escolha e fascinação, focando em especial aos Oráculos do Feminino. 
Escreve em vários espaços ligados a esses temas desde o ano 2000, entre eles os extintos sites Magia da Deusa, PanDea,Santíssimas.org, Magical, Tribos de Gaia. Já colaborou nos sites: Rede Matríztica, Universo EcoFeminino, Crianças Pagãs. Atualmente sua escrita pode ser acessada no Divinare, no blog Taroteando. Ambos espaços dedicados aos Oráculos e ao Tarot. Assim como no Mamães Matrízticas, dedicado ao mundo de casa, filhos e "fazeres mágicos" no Vassouras & Bruxas. Coordena junto a outra mulheres, o grupo matriztico circular, Ciranda das Mulheres Sábias, com nichos e encontros em São Luis/MA, São Paulo, e Santa Catarina/ Brasil. 
Tradutora Pública e Interprete Comercial do Estado do Maranhão/Brasil, e professora de Espanhol.
A Luciana tem uma visão visceral, telúrica, familiar e vivencial dos Arcanos, algo muito bonito de sentir! Espero que gostem, como eu gostei!


Próxima postagem: O Mago, por Giancarlo Schmid, em 18 de junho.

Abraços a todos.

Meu lindo amigo, o sapiente Emanuel, do Conversas Cartomânticas [o admiro muito e é algo sincero] convocou os amigos tarologistas a participar desta blogagem coletiva, que terá com certeza mil e uma nuances, mil e uma apreensões, e uma riqueza ímpar de valores e conteúdos sobre o Tarot.
Meu Arcano escolhido foi O Louco, por um amor que lhe tenho, por uma relação intrínseca, visceral que há entre minha vida, meu percurso e ele.


Tarot of the Trance / U.S. Games

O Louco, andarilho sem idades pode ser entendido como parte da Roda do Destino, como parte dum Dependurado, como parte de qualquer Arcano, pois ele surge sem número exatamente para isso: para ser o que for necessário representar ao longo de toda nossa jornada... Ou jornadas.  Não apenas ser apreendido como esses dois arcanos, parte deles, ou passagem deles, mas se formos analisar com delicadeza, ele pode ser parte coadjuvante ou principal de qualquer um.
Ele é um eterno viajante, com eternos caminhos, de idas e voltas, nunca sabemos quando nos deparamos com ele [seja na vida real e concreta, ou como uma leitura de cartas] se ele tudo nos dirá, se ele permitirá que saibamos por quais paragens já andou, quais coisas viu, de qual ponto da estrada ele vem ou a qual vai... O entendo como uma profunda incógnita.
Ao longo dos meus 41 anos eu o vi muitíssimas vezes, encarnando O Louco Demente, O Louco Andarilho, O Louco Sonhador, O Louco Vagabundo, O Louco Ensandecido, O Louco Inocente, O Louco Eremita, O Louco Destino... Há tantos Loucos em fim, e sem eles acordar seria monótono e previsível.
Se ele surge ao lado dum Carro afoito, pode ser que o Destino o colocou ali para que usemos o freio e demos um tempo, ou não e atropelemos a vida de algum incauto que teimou em passar na nossa frente ou atravessar a estrada... Ela nada tem com isso, com o que faremos, pois ele é apenas um Louco, a decisão é nossa, o Carro é nosso, mas O Louco é o destino avisando.
Se ele teima em ficar com um Dependurado, o vejo como um acontecido feliz: este Louco fala, diz com sua fala mansa que sair da estrada para apenas encarnar o Louco Despreocupado, O Louco Deleitador,  é a melhor ação para evadir uma emboscada que quiçá nossa presa, nosso medo colocou no caminho e dela somos reféns... Dar uma de Louco quando Dependurados é quiçá o melhor sistema para aproveitar esse breque da vida, apenas descobrindo com olhos desprovidos de tudo, o mundo que sempre esteve aqui, ao nosso lado.
Dime con quién andas y te diré quién eres, e isto jamais foi tão assertivo como quando aplicado ao arcano O Louco
Quem lhe fizer companhia dele poderá obter um aliado, um novo olhar, um insight terrível ou um final fatal, pois ele é aquele que tudo pode vir-a-ser, aquele que tudo já foi, ou aquele que nada tem a ser, e são as cartas que o circundam, ou que o avizinham aquelas que sofrerão sua influência...
Não é atoa que nos naipes de jogo ele aparece como o Curinga, aquela carta que muita coisa pode ser.
É na sua infinita liberdade "assistida" [sempre há aquele animalzinho mágico de poder, xamânico a rondá-lo] que jaz a facilidade inerente ao Louco de se mimetizar ao entorno e passar desapercebido em sua caminhada secular. Mas desapercebido não quer dizer invisível, ou inerte, ele sem dúvida alguma sempre indica um desapego iminente, seja para com a vida em si [e aqui mora a Morte], seja para com um modo de vida [O Julgamento?], seja para com alguém [os Enamorados], ou a ruptura de laços e empatias para com um sistema [o Imperador, o Hierofante]... Mas em suma,  O Louco não é aquele bobo da corte inofensivo, um bufão simpático inativo, ele é operante!

O perigo é deixar que este Louco ande sem o nosso eixo pessoal, ou pior ainda, dilua nosso eixo pessoal, que dum estágio lúdico, recreativo, de prazer e deleite para com a vida, para com apenas deixar-se ir, o Louco se torne uma muleta emotiva, sensorial, mental e espiritual que usamos como meio de justificativas quando não sabemos lidar com essas esferas da vida: não sabemos amar, fazer parte, fixar ideias, evoluir pensamentos, concretizar sonhos, vivenciar um credo... 

Quando assim, O Louco encarna a pior das suas manifestações, mas também é ingrato culpá-lo pelas nossas solidões, pela fuga dos amigos ao avistar nossa presença, pelas falas coletivas sobre o que somos e fizemos, pois é escolha nossa manifestar esse aspecto dúbio e obscuro do Louco...

Podemos desejar um Louco quando tentamos outros caminhos, para assim encarar o quem vem pela frente sem presas ou preocupações, apenas aproveitando a nova chance, sendo o neófito que devemos ser quando o propósito é aprender.

Mas a maioria das vezes O Louco apenas quer assinalar um estágio em nossas vidas onde "In mundo privato" temos que encarar nossos demônios a sós, tecer nossos diálogos internos e reflexões, ver com nossos próprios olhos o Mundo e aprender com quedas e estradas sem fim a trilha da Vida. Onde devemos ter aprendido com toda a bagagem que ganhamos nesse caminho, o momento de partir, de voltar, de seguir em frente.


Magical Forest, Tarot of the Master, Bruegel Tarot/Lo Scarabeo; Tarot of White Cats/Llewellyn; Tarot Lukumi/Dal Negro; Paulina Tarot/U.S. Games


Meu amor pelo Louco mora na capacidade excepcional que ele tem de ser ele mesmo, sem vergonhas, sem medos aos parâmetros impostos pelo status quo, a seu singularidade exótica retrata como vejo a mim, aos meus e a vida... 
Eu gosto de ser este Arcano, e aceito os desafios e os perigos que ele traz consigo... Sem ele, penso que tudo teria sido bem mais fácil em meus dias, mas sem ele eu não teria aprendido tanto a criar meus eixos pessoais, a ceder quanto ao meu ímpeto de largar tudo e seguir sem eira nem beira pela vida... E ainda assim, após ter permitido a civilização do meu Louco, ainda sou ele, e isso me faz feliz, por todos os demais aspectos que ainda são latentes, que ainda são palpáveis, nele e em mim.

Eis o meu Louco.

Sempre grata,

Luciana Onofre


Imagens: Luciana Onofre/ Acervo pessoal.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A cura e o curador. Ou: aprendendo por acaso (?) a redescobrir símbolos. Ou ainda: aprendendo tarô no Facebook.


Olá, pessoal. A experiência de conversar com os Tarologistas tem sido fantástica. Primeiro, porque me aproximo de pessoas realmente encantadoras e partilho conversas muito instrutivas, até mesmo para postar por aqui. Segundo, porque é praticamente em tempo real. Muito divertido. 
Recentemente, a Luna Solis publicou um texto no Clube do Tarô divertidíssimo, com link lá no Tarologistas, sobre a simplicidade dos símbolos. Em resposta tivemos a indicação de um texto da Zoe de Camaris (NIKITA, ou A Arte de Encontrar Gatinhos Perdidos). Ambos os textos me deixaram pensando se estaria, eu, deixando os símbolos se diluírem em academicismos tolos. Aonde estavam os atributos que me deixavam tão excitado no começo dos meus estudos? Bora procurá-los.
Fiz uma tiragem do Arcano do Dia pelo Personare. Saiu o Ás de Copas


Eu escrevi em meu perfil:
JURO que, pela atual conjuntura das coisas no campo afetivo, tiraria um oito. Ou talvez um nove... de Espadas. Mas não; quem diria que seria presenteado com um Ás! O que me espera, ainda, nesse dia? #fiqueipensando.

Levando em consideração que o Ás de Copas, na maior parte da literatura, representa abertura emocional - interna ou externa - propondo um novo desabrochar na vida, um desaguar de sentimentos despertando novos movimentos, um novo amor, novo desejo, satisfação e prazer, eu pensei comigo: NO WAY. Esqueci-me, ou, melhor, deixei de olhar o símbolo pelo que ele representava e passei a olhar o símbolo pelo que eu já havia lido.
Fiz exatamente o mesmo que aquelas pessoas que entram em um museu ou pinacoteca e, ao invés de inebriar-se na aura local, vivenciando o olhar e interiorizando a arte de forma crítica, ficam lendo os catálogos e chamando uma obra de "arte" só porque fora feita por um dito "artista".
Um grande amigo meu, Giancarlo Schmid (que é o responsável pelo texto d'O Mago da nossa blogagem coletiva) me questiona sobre alguns aspectos astrológicos de meu mapa, não sem antes deixar um mote precioso e preciso: não há mal que sempre dure, não há bem que perdure. 
Nossa conversa desanuviou meu coração. E eu lembrei que a Taça do naipe de Copas não porta somente sentimentos por outrem; é também a Taça de cura de nós mesmos, fisica, psiquica ou emocionalmente falando. 
Cura.
Um sentido que, se vi alguma vez em algum livro, coloquei a referência bibliográfica em alguma estante poeirenta da minha memória. Mas que, de agora em diante, devidamente espanada e lustrada, voltará ao lugar de destaque que merece. 


Hoje, mais atento aos sinais e menos pressuposto a acreditar nos meus livros mais que nas minhas cartas, recebi do Personare o Hierofante como guia para o dia. Lá vou eu postar meu desafio - a mim mesmo, dessa vez; queria reler no fim do dia e encontrar o link para o insight da vez:
Vestibular da alma? Algo assim. Hoje pretendo encontrar alguém sábio que conhece o Outro Lado melhor do que eu, para me orientar na ida para lá. Com direito a volta, claro.

E o desafio surtiu efeito. Fui modelo de uma aula de massagem, recebi Reiki e tive a sensação, sim, de ter ido ao Outro Lado... e voltado. Guiado por uma mulher que conhece o caminho. E mais: recebi uma aula de Reiki, na prática, sem palavras, mas com total entendimento da causa, da técnica e do efeito.
Volto hoje mais humilde para meu baralho. Sabendo que ele me recebe com o mesmo carinho que sempre nutriu por mim - mas sabedor que o objeto de seu amor já não é mais o mesmo...



Um adendo: Não entendam, com isso, que sou favorável à prática sem teoria, pura e simplesmente fruto da intuição. Acredito, sim, que precisamos da teoria para dominarmos o conteúdo e nortearmos as possibilidades interpretativas quando isso se faz necessário - nem sempre existe uma "vozinha" soprando respostas em nossos ouvidos. Mas acho fundamental, imprescindível, não perdermos a sensação de primeiro amor - aquela sensação que nos guiou à posse de um baralho pela primeira vez e, fatalmente, nos mantém amando a cada dia o objeto desse primeiro amor.
Abraços a todos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Blogagem Coletiva: Conversas Cartomânticas



Frente à excelente iniciativa do Arierom, que nos reuniu no Facebook no grupo Tarologistas - apesar de conversar, anteriormente, com a maioria dos convidados para essa blogagem coletiva, está sendo incrível conhecer outros olhares e ter a possibilidade de ver essas possibilidades sendo postas frente a frente, praticamente em tempo real. E, vendo o quão diferentes são os olhares, mas o quão complementares também o são, tive a ideia de apresentar o trabalho de 22 autores, seus respectivos blogs e contatos, para os leitores do Conversas Cartomânticas, ao mesmo tempo em que, ao fim das apresentações, teremos um estudo com 22 olhares diferentes sobre o mesmo tema. Não é a ideia contrapor olhares, senão teriamos todo mundo olhando o mesmo Arcano. A ideia é a complementaridade dos estudos, focados sobre o mesmo objeto. De uma forma lúdica, claro!

Colaboradores:

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Novo sorteio: Promoção relâmpago

Pessoal, conforme nosso combinado, estou realizando um novo sorteio, já que a Priscilla não entrou em contato. Fica aqui meu pedido de desculpas, mas, não achei justo entrar em contato sendo que o combinado era o oposto. Vamos lá; e o ganhador da vez é...


Sophia Austeros! Parabéns!
Peço a gentileza de entrar em contato comigo o mais rápido possível.
Abraços a todos.

O Tarot e a Monalisa: uma perspectiva da história da arte sobre o Tarot

Tenho percebido uma certa dificuldade em delimitar a abrangência do Tarot em suas diversas acepções e possibilidades. Isso se aplica, principalmente, quando as questões de gosto são suplantadas por interpretações esotérico-herméticas das imagens. E, como no fim das contas, o Tarot funciona a despeito da forma como é abordado - desde que com respeito e sinceridade - a dúvida persiste. Devemos - ou não - utilizar a Cabala no Tarot? E a Mitologia? E a Astrologia? E a Numerologia? E a Culinária? E a Astrofísica? E as Artes Cênicas? E a Alta Costura?

Como qualquer obra de arte, o Tarot é passível de qualquer interpretação que seu observador deseje. Se eu quiser ver a Papisa como mãe/maternidade, eu a verei, e o rearranjo simbólico particular não afetará a mensagem dada pelo todo - certamente, quando eu precisar abordar o tema mãe/maternidade, a Papisa estará lá. Há quem veja a Papisa como a Sacerdotisa, e essa troca semântica lhe dá o epíteto de "esposa perfeita"; sendo assim, quando esse for o tema, lá estará ela, confiante com seu livro, seu véu e suas vestes pesando sobre uma provável nudez (difícil falar sobre o trás-do-véu, que dirá o por-baixo-da-saia!).
Eu, particularmente, a associo com a fase da mulher que transcende a necessidade do sangue mensal. Por isso, para mim ela é a avó - mãe/maternidade vejo com o auxílio da Imperatriz. Por conseguinte, ela não aparecerá na mesma conjuntura em que uma pessoa, das duas primeiras acepções, veria. 
Contudo, possivel e provavelmente, nós três daríamos ao consulente um mesmo prognóstico geral, esmiuçando, de acordo com nossa capacidade, peculiaridades que considerássemos importantes.
Até aí, esse tema é indiscutível. Não dá para discutir sobre o arcabouço simbólico de uma pessoa sem causar-lhe a confusão da centopéia. E isso é totalmente desnecessário. Se uma pessoa de boa índole, sem a intenção de explorar um cliente, diz que um/uma Cigano/Cigana lhe acompanha em um jogo de Tarot, auxiliando-lhe a Visão, não possuo elementos que possam desmenti-la. Em nenhum momento o acompanhamento mediúnico é necessário para o bom funcionamento do Tarot. Mas todos havemos de concordar que pelos frutos conhecemos a árvore. Se o resultado é pontual, e positivo, não deveríamos nos preocupar.
Preocupante é quando temos proselitismo nessa área. "É necessário conhecer Cabala." "Não! Não é necessário conhecer Cabala!" "Mitologia é fundamental!" "Não, mitologia é absolutamente dispensável!"
Aonde essa discussão nos leva? Lugar nenhum. Ambas as possibilidades geram efeitos positivos. 
O que me incomoda é quando aparece uma suposta "obrigação" de conhecermos determinados autores ou temas para entendermos o Tarot como um todo. Recentemente, fui questionado quanto à minha capacidade nesse oráculo porque não possuía em minha coleção um Rider Waite, ainda que houvessem diversos baralhos diretamente inspirados nessa obra (e, apesar de não ter o referido baralho na época, escrevi esse texto aqui. Obrigado Taroteca que me deixou contemplar esse deck). Claro, como colecionador que sou, era muito frustrante; mas como sempre joguei o Marselha e, mais recentemente, o Thoth, não via por que ser questionado em minhas interpretações. Meu oráculo funciona, meus alunos aprendem, tudo lindo como bem gosta o Caetano.
Claro que, quando finalmente adquiri meu Rider-Waite, percebi que ainda havia muito o que aprender, perceber e vivenciar, a despeito do que eu reconhecia deste baralho pela internet e pelos baralhos nele inspirados. A empiria, no Tarot, é a forma mais divertida de aprender.
O que considero importante, não, fundamental, ao estudioso de Tarot, é a aquisição de obras e a crítica textual das mesmas, seja em estudos pessoais, seja em cursos. Temos excelentes profissionais executando estudos comparativos que, por sua própria natureza, nos levam a questionar sistemas rígidos de interpretação. O sistema proposto por Crowley, que foi tão fundamental no início dos meus estudos, hoje se mostra incompleto, não porque deixou de ser bom - quem teria a falácia de dizer isso? - mas porque, frente às experiências cartomânticas que vivenciei, novos significados se anexaram aos anteriores, colorindo meu baralho com minha própria paleta.
E, ao colorir meu baralho com significados intrínsecos à minha experiência, acabo selecionando também o conjunto simbólico de cartas que desejo. O vocabulário adquirido se torna mais claro, mais nítido, menos passível a confusões interpretativas (no meu caso, quando a coisa fica feia, eu gaguejo. Já imaginou a cena?)
E porque eu chamei a história da Arte para a conversa?




Não sei se vocês conhecem esse quadro, afinal de contas, retratos falam mais aos envolvidos que aos estranhos. A menos que os ditos estranhos estejam dispostos a buscar ir além do propriamente revelado na tela por seu autor.
Ok. Ironia, não é? Quem não conhece esse quadro?
Agora... Alguém poderia, por gentileza, me garantir as motivações do pintor responsável ao elaborar essa obra? Alguém poderia, por gentileza, entrevistar a modelo e me contar o que ela pensa dessa representação?




A obra em nada perde pelas lacunas nas fontes. Ao contrário: sua aura se acentua. Por outro lado, a Pop Art se apropriou de sua imagem gerando inúmeras representações, variações sobre o mesmo tema (Podemos conhecer algumas aqui, mas a minha favorita é a do Botero, mesmo). O que você acha da releitura proposta por Botero, aqui apresentada? Falta de respeito, genialidade? Cópia barata para aparecer?


Da Vinci Tarot, A Sacerdotisa


E... se misturarmos o Tarot com isso? Lembra do arcano II, que ilustra o início dessa postagem? Aqui está ele, relido através de uma obra de Arte. E nesse momento, o Arcano perdeu seu conteúdo ao ser relido? A obra de arte perdeu seu sentido ao ser relida? Ambas perderam o sentido ao serem relidas? Ou, como penso, temos uma cambiância de significados que permite novos voos interpretativos?
O constantino, do Clube do Tarô, tem uma perspectiva assaz interessante sobre isso (Fonte, grifo nosso).

Os ensinamentos esotéricos, que nos vêm de mestres do passado, são quase sempre difíceis de serem compreendidos a fundo e requerem muito estudo e dedicação. E tal dificuldade vale igualmente para o Tarô. Quais são os antigos desenhos que melhor representam as idéias fundamentais? Qual é o verdadeiro significado de cada carta? 
Estudiosos modernos dão suas interpretações, nem sempre coerentes entre si, pois seguem diferentes teorias e pontos de vista. Aumentam, assim, o desafio do iniciante para descobrir as fontes autênticas. Para complicar mais ainda o panorama, há milhares de reinvenções artísticas e subjetivas que, apesar de muitas delas serem bem bonitas, deformam a simbologia original e afastam o iniciante da fonte.


Bem, eu sou a favor de todo tipo de deck que respeite a ideia do Arcano, mesmo que não, necessariamente, a iconografia clássica. É o exemplo da Morte do Tarô das Bruxas e Magos: ela não se assemelha em nada à Morte de outros baralhos, e, contudo, ali estão os principais significados do Arcano: transformação, metamorfose, fim de uma fase e início de outra - ideias  propostas pela borboleta.
Contudo, para a aprendizagem do oráculo, sempre recomendo um baralho clássico - e tomo por clássicos os baralhos cuja bibliografia a respeito é ampla e passível de reflexão: Marselha (especialmente para nós residentes em países latinos), Rider, Thoth.
Depois desse primeiro contato, qualquer voo é possível. Antes, porém, pode tornar confusa a absorção de novas interpretação e a errônea visão de que Tarot é tudo igual.
Tarot é uma obra de arte e, como tal, deve ser fruído com consciência de sua produção, causas e efeitos de sua iconografia e, claro, interpretações críticas de suas imagens a partir de fontes fidedignas.
Abraços a todos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Como é difícil ser Cartomante! ou: da natureza da nossa profissão.


Olá pessoal. O Carlos Ruas acabou provocando uma cartarse em mim com essa tirinha. A gente se apaixona pelo que faz, porque a paixão não paga contas?
Eu não gostaria de "pagar contas" com Tarot. Eu amo essa Arte para pagar minhas contas com ela. Mas, por outro lado, esse pensamento é romântico e pueril, já que Tarologia é um trabalho sério, e como tal deve ser remunerado.
O que você pensa sobre a remuneração do trabalho cartomântico? 
Eu fico pensando quando é que teremos estudos sérios o suficiente para não nos remetermos mais ao Antigo Egito nem a seres de outros planos para legitimar um trabalho tão eficaz.
Como é difícil ser um cartomante....!
Abraços a todos

domingo, 29 de maio de 2011

Resultado da Promoção Relâmpago!


Olá pessoal. Fiquei feliz com as participações, temos cada vez mais pessoas celebrando Conversas Cartomânticas! Sem delongas, vamos aos participantes:

1. Lilith
2. Lília
3. Luciana Onofre
4. Priscilla
5. Consultas tarot e oráculos
6. Vera Chrystina
7. Euclydes Cardoso Jr.
8. Arierom
9. Drika Lopes
10. Aline
11. Raquel
12. Gabriel Careta
13. Marina.
14. Bruno 
15. Sophia Austeros
16. Ir

Antes de realizar o sorteio, dois avisos: para sermos justos com todos, não irei contactar os participantes. Aguardarei contato até quarta feira, dia 01 de junho, por email com o endereço para envio. Caso não receba esse contato de algum dos ganhadores, teremos um novo sorteio nessa data.
Aviso dado, aviso entendido? Então tá bom!
Bora lá pro sorteio. E o primeiro minideck vai para...

Priscilla! Parabéns!

E o segundo minideck vai para....


Euclydes Cardoso Jr.! O número sete te deu sorte, rapaz!

E o nosso terceiro minideck vai para...


Lilith! Virou freguesa por aqui! ^^
Aguardo, portanto, o contato dos vencedores por email, para envio dos respectivos prêmios. 
Abraços a todos e até a próxima!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Meu World Tarot Day: Ancient Italian Tarot


Bem, pessoal, eu também mereço comemorar meu Dia Mundial do Tarô ganhando presente! 
Me dei, com o auxílio do Armazém Divinare (Obrigado, meninas, gratidão especial à Nath Prado) o Ancient Italian Tarot!


Aguardem novidades por aqui! E não deixem de conferir as novidades do Armazém Divinare também no Facebook!
Abraços a todos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Promoção relâmpago Conversas Cartomânticas: World Tarot Day


Pessoal, sorteio relâmpago - mais veloz que o relâmpago d'A Torre! -  aqui no Conversas Cartomânticas! Comemorando, ao mesmo tempo, o dia de Santa Sara Kali (24 de maio, ontem) e o World Tarot Day (25 de maio, hoje), sortearemos aqui três baralhos de Minicartas Ciganas (23,53 x 40,0 mm), coisinha linda de se ler e ter!

Para concorrer, basta escrever a seguinte frase como comentário nessa postagem:

Eu celebro o World Tarot Day e o dia de Santa Sara Kali com Conversas Cartomânticas!

O resultado sai domingo, 28 de maio, através do random.org.

Abraços a todos!!! E feliz World Tarot Day !