quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Da consulta.

Pessoal, vi essa tirinha no blog Mulher de 30, da Cibele Santos (recomendadíssimo, não só para mulheres de 30, como também aqueles homens que querem entender suas mulheres de 30...), e não resisti a refletir a respeito. Vamos comigo e com a Cibele:


Para os cartomantes de plantão: quantas vezes nos deparamos com uma cena dessas, em que a mesa (ou método, ou tiragem...) aponta para um sentido diferente daquele procurado pelo consulente, sem, no entanto, apontar para uma negativa?
Tenho visto isso com uma certa frequência e, devido às reflexões propostas pela Giane Portal sobre jogos truncados, fiquei pensando nas motivações para uma consulta.
Eu não gosto de saber o motivo pelo qual o consulente vem à minha mesa. Parece-me limitador ir nesse ponto, diretamente; jogos como a Mesa Real e a Cruz Celta podem ir além de responder questões, e a Mandala Astrológica pode oferecer panoramas mais restritos, dependendo do jogo. Cartomancia é o contato com o maravilhoso mundo do inconsciente e do possível, e nem sempre é possível ir além do visível.
Mas o mergulhar nas cartas, para mim, tem que ser livre de amarras. E isso nem sempre satisfaz o consulente num primeiro momento. Repare na tirinha: por mais que os prognósticos sejam aqueles aspirados por quase todo mundo - representam a aparência de uma vida feliz e próspera - não correspondem àquilo que a consulente foi buscar, e, pelo jeito, ela não está dando a menor atenção ao que a vidente diz.
Existem cartomantes, no entanto, que preferem trabalhar com questionamentos prévios. Esses questionamentos limitam o universo de possibilidades das cartas. Tão funcional quanto não saber nada, justamente porque deixa o operador à vontade para fazer seu trabalho. Mas, nesse caso, a tirinha não existiria: ver-se-ia o possível marido, e dispensar-se-iam as demais questões. Tudo para conforto da consulente.
Para os consulentes de plantão: é ultra importante que você vá à consulta com algumas prerrogativas, a menos que você queira perder dinheiro (e não estou falando da competência do cartomante que lhe atenderá, que é outra história, conforme veremos à frente): saiba que o oráculo tem a precisão na resposta equivalente à sua certeza da questão. Então, formule sua questão com propriedade. Nomes, locais, datas de início e duração auxiliam muito nessa hora. Se não se sentir à vontade para isso, sem problemas: concentre-se em obter um panorama do seu momento. Avise isso ao seu Cartomante, ele saberá desenvolver o melhor jogo para você. Anote. Grave, se quiser. Aproveite a consulta ao máximo, preste atenção, faça perguntas. Converse com o seu Cartomante sobre o que ele está vendo, não sobre o motivo que te levou até ele. E vá dando feedbacks, se for necessário, para que ele possa guiar-se até o ponto em que você deseja. A consulta é sua, a visão é dele. O resultado, o aconselhamento, o encaminhamento, é construído pelos dois, para usufruto seu.
E aí vem a parte do Cartomante. Escolha, conscientemente, o profissional que te atenderá. É importante que você sinta empatia por ele. Alguns serão mais doces nas palavras, outros se aterão aos fatos vistos nas cartas, haverão aqueles que mesclarão abordagens terapêuticas, astrológicas, numerológicas, holísticas. Enfim, o que importará, nesse caso, é o quão à vontade você estará para ouvir, apreender e aplicar a consulta em sua vida. Sentiu que o Cartomante não está sendo preciso? Não hesite em avisá-lo. Ele terá respaldo para dizer o porquê de estar conduzindo a consulta por aquele viés. E, se não tiver, você sempre poderá procurar a opinião de outro profissional.
Cartomancia é magia, ninguém se iluda quanto a isso. Mas não é um grilhão, é uma escolha... que pode ser refeita.
Aos Cartomantes, clientes conscientes ou dispostos a conscientizar-se. Aos clientes, consulentes, curiosos, um Cartomante competente... ou mais de um.
E aí teremos consultas ricas e belas, sempre, crescendo juntos.
Abraços a todos. 


Dos Enamorados. Hassan e Amir




Há algum tempo, eu assisti no cinema O Caçador de Pipas. E li o livro em seguida. E comprei o DVD. E chorei todas as vezes. Descobri recentemente que até mesmo uma HQ foi feita. Quero ler também. 




Enquanto isso, vou vendo o filme, again and again.







A história fala de fidelidade. De comprometimento. Mas também de perdão a si mesmo e perdão ao passado. De agir direito depois da experiência de ter agido errado. Tudo isso permeado por política, geografia, aproximação e estranhamento do universo muçulmano.


"Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que não ter aquilo desde o começo"


 Khaled Hosseini foi primoroso na elaboração de sua obra – aquele que consegue as lágrimas e os sorrisos de seus leitores, conseguiu alcançar o intento oculto de todo escritor – o encontro das mãos daquele que escreve com as mãos daquele que lê, tendo como intermediário as páginas do livro (ou as telas de computador).
E, como estou mergulhado dois palmos acima da cabeça no universo da cultura árabe, devido ao estudo d’As Mil e Uma Noites, resolvi assistir de novo ao filme. 
Tendo refletido sobre os Enamorados na mais recente postagem, foi inevitável relacionar o filme, que decidi assistir novamente, ao Arcano, que decidi visitar mais uma vez, hoje.



Os Sultões de Cabul são complementares, por isso mesmo diametralmente opostos em caráter e comportamento. Hassan demonstra um caráter inquebrantável. Sua pureza de coração, embora louvável, não é a maior de suas virtudes: sua coragem é admirável. Seu senso de honra é belíssimo e sua fidelidade a Amir é algo que beira o legendário. Falta-me adjetivos para orná-lo nessa apresentação. Valete de Copas.



Em contraposição, Amir é covarde. Seu pacifismo oculta sua insegurança e dubialidade. Falta-lhe comprometimento, consigo mesmo e com os outros. Falta-lhe compaixão, no sentido mais amplo da palavra.  Valete de Espadas.


Valete de Copas (espelhado), Valete de Espadas
Waite Smith


Mas, antes de julgá-lo, ou, talvez por isso mesmo, por julgá-lo, pensemos em suas motivações. Ele queria impressionar o pai, ser algo para o pai, mas culpava-se por ter sido o responsável pela morte da mãe, que faleceu ao dar-lhe a luz. E sua sensibilidade para a escrita não atraía do pai a menor atenção, que não via nisso a menor utilidade.



A etnia de Hassan, hazari, colocava-o em situação inferior à de Amir. E Asef, leitor ávido das ideias de Hitler, atormentava-o por isso. Destruía-o. Se, por volta de 1980, quando isso ocorre, houvesse o conceito de bullying (que hoje justifica o mimo e a timidez de crianças cujos pais omissos impedem seu crescimento como pessoas e interpretam suas atitudes como decorrência da omissão da escola, enfraquecendo seu caráter, ao invés de protegê-las adequadamente, estando presentes em suas vidas), eu diria que Amir sofria o bullying de Asef e seus asseclas. Mas não; nem o conceito existia, nem Amir sofria – Hassan o protegia, com seu estilingue.
Mas isso não era suficiente. Se a proteção do corpo lhe era garantida, sua alma fatigada sofria com a sua própria inapetência. Com o ataque de Asef a Hassan, Amir não pode tolerar a presença dele consigo, pois sua fidelidade expressava sua própria covardia. E, nesse espelho reverso e convexo de intencionalidades, Amir consegue afastar definitivamente Hassan de sua vida.
Ao atentar-me aos aspectos emocionais do Arcano VI, não dei o devido ênfase à questão da escolha. Escolher algo nem sempre significa preterir algo. É quase possível delinear uma iconografia que privilegie os aspectos aqui elencados: Amir, Valete de Espadas; Hassan, de Copas... ladeando um Rei de Paus, que, por ser Rei, é Fogo e, por ter ideias intensas, é Fogo também. E um pouco de cada se reflete em cada um dos seus filhos, de maneira diversa e complementar.

A luz do Fogo reflete-se na lâmina da Espada e na Água da Taça.
Marseille Grimauld

As crianças crescem... E as histórias mudam – de tema, ou de rumo. E Amir descobre que sua história é outra, mas o tema é o mesmo: fidelidade.



E o Anjo, que na infância de Amir apontava a seta, porta uma trombeta... E o chama ao Julgamento. Quem é você, Amir, depois de todos esses anos?
Encontrar Sorab não é só encontrar uma criança. É reencontrar a si mesmo refletido em outros olhos, já que os primeiros lhe foram impossíveis de mirar. É redescobrir o sentido da frase: por você, faço mil vezes.
Enamorados. Opções não; escolhas. Escolhas. Escolha de que lado você está. Da consciência, ou não. Catorze Arcanos depois, virá a conscientização... E espero que ela o encontre ciente do seu dever e dormindo tranquilo.
Pois o Anjo não deixou de lhe velar uma única noite.



Abraços a todos. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Conversas Cartomânticas: Aline Gois e o Rei de Espadas


Olá pessoal. Vamos agora para o naipe mais controverso e passível de discussão de todo o baralho. Favorito de uns, temido por outros, execrado pela maioria, Espadas mete medo. Mas tudo o que mete medo, é porque não é devidamente conhecido... Vamos juntos, respirar o Ar desse naipe, aproximando-nos de sua essência, para além da esperança e do medo. Quem nos guia hoje é Aline Gois, pela figura do Rei de Espadas.
Aline Gois por ela mesma:

Estudo Tarô, Runas e tenho uma curiosidade enorme por Astrologia e a tudo que se refere a Simbologia e a Psiquê Humana. A prática com o oráculo se estende por 20 anos, comecei a oferecer consultas aos 15. Moro em Brasília, trabalho como Consultora Comercial e paralelo a tudo que faço, dou consultas tanto de Tarô como de Runas, compartilhando o conhecimento adquirido como Professora de Tarô e Runas também.
Então... Vamos com ela.

Análise sobre o Rei de Espadas

Rei de Espadas
Waite-Smith

Quando recebi o convite para dialogar sobre o Rei de Espadas, pensei que seria uma tarefa fácil. Ledo engano. Como descrever com veemência um personagem tão vasto de contornos e nuances? Antes de qualquer coisa é preciso que se diga que há parâmetros muito amplos para analisá-lo com respeito e fidelidade as características mais marcantes nessa carta. Tive a oportunidade de observá-lo em vários ângulos. Tanto numa vivência pessoal contextualizada, como a análise cuidadosa de pessoas que exercem na prática as características presentes no Rei de Espadas. É sobre essas experiências, vividas e absorvidas através da prática do Tarô que busquei embasar minha leitura sobre o Rei de Espadas. Como ele surge do movimento trazido pelo ar, o percebo rarefeito, com contornos bem particulares e que se alteram com o movimento leve ou ate mesmo brusco que esse elemento pode atribuir.

Rei de Espadas
Anna K.

Identificar situações geradas por esse Arcano é um passeio prático e analítico sobre os fatos. O reino mental pertence a ele, e este o domina por completo. Partisse do principio da razão, um verdadeiro estrategista. Jogar contra a um Rei de Espadas, é cair no abismo. Pois ele percebe todas as possibilidades, prevendo sabiamente onde isso o levará. Se aliar a ele, é causa ganha! Em alguns momentos se torna realmente necessário uma aplicação prática desse arcano. Pois como ele tem o dom de antever por meio da razão e objetividade, é possível traçar todo um perfil de planejamento e organização. Bem como medir seus riscos. Profissionalmente, coloca tudo em ordem, e não adianta fazer muita manha, é preciso ser firme e aceitar os desafios que a vida impõe para que as tarefas sejam concluídas com êxito. Não basta fazer, tem que ser feito do jeito certo. Para um Rei de Espadas a medida de certo e errado é muito firme. Não existe mais ou menos certo, e ele torna a vida um verdadeiro inferno se isso não é tomado ao pé da letra.

Rei de Espadas
Secret

Por outro lado, observando os tipos psicológicos que “sofrem” a influência do Rei de Espadas é possível observar essas considerações feitas e ir além delas. Se envolver emocionalmente com um tipo como esse, requer no mínimo, ter o espírito forte. São relacionamentos baseados em um contexto mental, é pela mente que ele se seduz e conquista tudo e a todos a sua volta. Observando bem de perto, são manipuladores e envolventes. Há um quê de ardiloso nisso. Embora essa seja uma característica mais comum em tipos de personalidades mal integradas e que se encontram, por alguma razão, contidas em seus sentimentos. Esses dilemas emocionais são muito comuns para um Rei de Espadas, pois é um reino que ele não tem acesso. O sentimento para ele é algo analisado e medido, quase como uma fórmula. E como isso não costuma funcionar muito bem pra ninguém nessa vida, ele se fragiliza. E procura envolvimentos emocionais onde  tenha total controle e domínio. Quando isso foge da regra, surgem os tipos arrogantes, ciumentos e manipuladores. Tornando suas relações passionais e de extremo risco, especialmente para a parceira.

Rei de Espadas
Visconti-Sforza
US Games

Um Rei de Espadas escolhe seus amantes por outros atributos. É preciso que haja algo realmente compensador para que ele se mantenha fiel ou ate mesmo firme num relacionamento. Ele pensa primeiro nele, depois nele e por último nele também. E todo resto deve obedecer essa regra. Como isso também não costuma funcionar muito bem, ele termina ficando sozinho e se concentrando no trabalho, em questões práticas, em flertes. Em  relações onde possa ter mais controle dos sentimentos e da quantidade mínima que terá que doar para ter o que precisa, deixando-o satisfeito.

"O homem que dá a sentença empunha a Espada."
Ned Stark, um Rei de Espadas.
Game of Thrones, primeira temporada, episódio 1.

Bom, com tantos atributos complicados, da vontade de mudar de rua para não ter que cruzar com um tipo como esse. Outro grande engano. O Rei de Espadas é uma figura iluminada, impossível não percebê-lo num local, dar mesmo vontade de se aproximar, são muito magnéticos. Especialmente, se você for alvo do interesse dele. São intelectualmente incríveis, excelentes professores, educadores incansáveis para tornar tudo mais perfeito e completo. Uma noitada ao lado de um Rei de Espadas nunca será uma perda de tempo, muito menos monótono. Ele transforma todas as conversas em algo rico e preciso de detalhes, repleto de informações técnicas, acadêmicas, culturais, sobre tudo, tudo mesmo que se possa imaginar. 
São pessoas de alma firme, realistas e muito práticos, e que encantam por possuir um charme elegante, humor refinado e cuidados essências com a aparência. Como disse anteriormente, são excelentes estrategistas e costumam conseguir sempre tudo que desejam, e com a habilidade única de extrair das pessoas aquilo que elas tem de melhor.

Rei de Espadas
Ancient Italian

Essa energia contida na carta do Rei de Espadas o confere todo o poder de transformação inconsciente para um estado de consciência plena. Transferindo para a realidade o que somos capazes de realizar, e nos revelando o tamanho da nossa inteligência em trabalharmos em prol de algo melhor e mais concreto. Observar o Arcano em suas potencialidades, e desenvolvê-lo em qualidades é tarefa complexa e praticamente se leva uma vida inteira nessa missão. Mas vale a pena! Porque nos permite explorar melhor nossos recursos e talentos, tornando a vida algo que requer muito mais discernimento do que somente boa vontade. 

Cavaleiro de Espadas
Hermetic

Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Hermetic, os Reis são substituídos pelos Cavaleiros. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto aos Reis quanto aos Cavaleiros os mesmos significados propostos.
Atenção: essa interpretação só é possível quando houver a carta do Príncipe substituindo o Cavaleiro original.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

RPG e Tarot... Confluências num 4 de Paus

Esses dias atrás, estava eu refletindo sobre cartas que me agradam (porque sobre as encardidas eu já disse aqui). Evidentemente, o Três de Copas é uma delas. Quem não gosta da celebração, da felicidade, do contentamento que provêm da abundância da subida de Perséfone dos Infernos onde reina, para encontrar-se com Dheamater?

Três de Copas
Celebração
Osho Zen Tarot
Na minha opinião, uma das melhores releituras
do Três de Copas do Waite-Smith.

Mas, apesar disso, e da beleza disso, eu tenho uma carta que enche meu coração de maior alegria. O quatro de Paus. Que, tratando-se do Waite-Smith, é quase, "apenas", uma diferença de perspectiva em relação ao três de Copas. Aonde o três de Copas é festa, o quatro de Paus é estruturação da celebração. Porque, convenhamos, para haver celebração, mesmo que seja uma festa surpresa, alguém tem que ter se predisposto a organizar algo, antes.


Quatro de Paus
Radiant Rider Waite

Parece estranho não evocar um nove ou dez de Ouros, ou um seis de Espadas, ou um nove de Copas. Mas não, eu realmente gosto do quatro de Paus. Suas atribuições são muito interessantes, e por vezes até contraditórias, se pensarmos que o naipe de Paus, por ser Fogo, não aceita acompanhantes que não tolerem seu calor, sendo, portanto, atraente à distância, apenas. Da mesma forma, um quatro, por ser estruturação, não carece de companhia e acompanhamento, sendo, em todos os naipes, um ponto de reflexão pessoal, não de encontro. 
Mas dessa combinação sui generis de dois valores individualistas, temos justamente a carta de Paus mais agregadora. O quatro de Paus é o fogo da lareira em meio a um incêndio de possibilidades. Vênus em Áries, diria Crowley. 


Louis Jean Francois Lagrenee - Marte e Venus, alegoria da paz.


Vênus e Ares. Um encontro fortuito, que atrai outro, e outro, e um ao outro, dos quais Harmonia é o resultado.


Quatro de Paus
Thoth Crowley-Harris

Completude. Conclusão. Como se, antes do meio, antevíssemos um fim. Vai dar tudo certo, ouço sussurrar ao meu ouvido. Mas não, não vai, não tão facilmente – olha o cinco ali, sucedendo, como dragão que espreita, como serpente pronta para dar o bote. De prontidão, mas não predisposta.
Vai de como se encara o quatro. 
Uma das versões mais belas do quatro de Paus que conheço é a do Tarô Mitológico. Engraçado como vejo, recentemente, críticas à esse baralho sendo que, no Brasil, foi o oráculo mais precioso para o conhecimento dos Arcanos Menores, tão desvalorizados em locais onde o padrão Marseille fez escola. Ok, eu não gostei da reedição, com retoques nos desenhos originais da Tricia Nevell, mas essa é uma opinião pessoal.


Quatro de Paus
Tarô Mitológico

Pois bem. No quatro de Paus do Tarô Mitológico, Jasão está ao meio, tendo ao seu redor Teseu (representando o naipe de Paus e representado no Rei desse mesmo naipe), Castor e Pólux (representando o naipe de Espadas e representados no Cavaleiro desse mesmo naipe), Héracles (representando o poder de realização e representado no Arcano Maior A Força) e Orfeu (representando o naipe de Copas e representado no Rei deste mesmo naipe). Cadê Ouros? Não, não é esse o ponto por aqui. Procura-se a realização, não a concretização. Espera-se obter o Velocino, mas não se sabe o que fazer com ele após obtê-lo – como veremos lá no dez.
Vendo esses quatro personagens (inter)ligados por um objetivo comum, é praticamente impossível para mim não recordar dos jogos de RPG (Role Playing Game – jogo de representação de papéis), em especial o Dungeons & Dragons.







Para quem não conhece RPG, tenho certeza que entenderão o que quero dizer se lembrarem-se do desenho Caverna do Dragão – que, à propósito, chama-se Dungeons & Dragons no original.


Ladino, Guerreiro, Clérigo, Maga... E monstros.


Bem, num jogo de RPG tradicional, ao estilo do Dungeons & Dragons, temos mais ou menos quatro personagens (de acordo com o número de jogadores) - um guerreiro, um mago, um clérigo e um ladrão - dotados de habilidades diferentes entre si, e totalmente complementares. Assim como Vênus e Ar(i)es, a complementaridade de todas as habilidades permitem a sobrevivência do grupo, aventura após aventura. O guerreiro possui a força, mas não é capaz de lidar bem com mágicas; o mago possui a mágica, mas é fraco e não consegue curar; o clérigo cura e tem o potencial para ataques diretos do guerreiro, ainda que em menor potência; e o ladino é capaz de abrir fechaduras e atacar pelos flancos com maior eficácia. Sozinhos, sobretudo no 1º Nível, não são capazes de sobreviver às aventuras propostas pelo Mestre; mas, em conjunto... Pelo menos existe a possibilidade de subirem de nível.


Quatro de Paus
Participação
Osho Zen Tarot
Vejam como os quatro membros se fortalecem no laço desenvolvido
com os demais presentes. Há bênção quando há união.


E é assim que eu gosto do quatro de Paus... De ver o quão interligados estamos. Quando ele surge em um jogo, teremos todo o auxílio necessário para a obtenção do nosso desejo, por merecimento, não sorte; Deus, não Fortuna (como diria o nickname de Dion Fortune). Mas, evidentemente, esse não é o fim da tarefa proposta pelo naipe, que tem que ser levada a cabo por cada indivíduo como mestre de sua vida.
Abraços a todos.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Conversas Cartomânticas: em Technicolor com Sarah Helena e o Pajem de Copas

Eu creio que serei repetitivo em dizer o quanto a Confraria foi importante para mim em termos de conhecimento - de temas e pessoas, não necessariamente nessa ordem. A Sarah foi uma das mais amáveis surpresas que obtive no evento. Com sua oficina de construção de Arcanos, mergulhei de cabeça na Força. Na Mystic Fair, fui de Torre. E quando dei por mim, havia saído uma Princesa de Copas (e olha que prefiro baralhos tradicionais, com Valetes!)
Artista e tarófila, como ela mesmo se define, amante de RPG, HQ e Pop Art, conversamos horas. E essas horas ainda são pouco para as horas que gostaria de conversar mais. É muito assunto! Hoje ela vem aqui mostrar seu companheiro de jornada, tão artista quanto ela, o Pajem de Copas. Vamos com eles.
Contato com a autora: Mercado de Arcádia

Lendo o Tarot Teachings encontrei essa passagem no Pajem de Copas, que me faz rir por uns quinze minutos. Afinal, é uma frase que eu costumo ver como a minha definição máxima. 
“Eu vejo o mundo em Technicolor.”


Então, nós temos a cena. A moça, em seus all star vermelho cereja (que hoje em dia as pessoas falam converse, mas na época ainda eram all star, custavam mais barato que todos os outros tênis e significavam alguém que por opção fugia da moda), está andando pela exposição. Ela treme um pouco, segurando a respiração a cada peça que surge sob a luz, e então, algo que boa parte das pessoas não parece dar tanta atenção capta seu olhar. De repente, o museu, as pessoas, as placas, tudo ficou invisível, diante da caixinha de madeira manchada que está na sua frente. Um estojo simples de onde saem pincéis com os pelos gastos. A madeira tem pintinhas ocre e cinza escuro, assim como as cavidades na ponta do estojo, que ainda guardam um restinho de tinta. Cinzéis se espalham ao lado. Ela começa a soluçar. Aquele é sem dúvida alguma o lugar mais importante da exposição para ela. Ela chora ao ponto dos joelhos tremerem. Três mil anos antes, escribas e escultores egípcios usaram aquelas simples ferramentas para produzir a beleza de obras como aquelas de que o museu estava naquele momento repleto. 

Pajem de Copas
Egipcio (Lo Scarabeo)


Sentir correr as águas de copas debaixo da pele é ter acesso àquilo que é mais invisível, por ser o que fica exposto diante de todos. É essa súbita percepção que molda uma personalidade e que passa a ser o cristal da lente com que todo seu contato com o mundo se dá. 

(...)Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
(...)Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela.
(...)O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
(...)E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.

O operário em construção
 Vinícius de Moraes

Quem é o artista? Quem é aquele que é capaz de tirar a poesia daquilo que está a sua volta como um agricultor que prensa as olivas para extrair o azeite? Ezra Pound diria que os artistas são as antenas da raça. A experiência é a arma do Valete: ele é o estagiário do baralho, o aprendiz, e isso dá a perspectiva de um observador que tenta captar tudo e, bem sucedido ou não, experimenta fazer tudo o que observa. Ao pajem, o novo olhar.  
Mais do que tudo, é esse posto de observador atento, que permite ao artista ser aquele que aceita ser tocado pela beleza – e moldado por ela. Mais do que o domínio da técnica, o aprendiz ganha a percepção de como o mestre move as mãos ou os lugares por onde costuma andar. Mais do que a forma como o cavaleiro segura a espada, o pajem aprende porque o cavaleiro empunha uma espada. E sendo este o pajem de copas, enquanto outros rezam ou dormem ele vai usar os movimentos daquela espada para dar verossimilhança à epopeia que está escrevendo e reescrevendo até considerar que pode vir a tona. 

Pajem de Copas
Harmonious

Ao artista, a permissão para a alucinação, o preço pago por sentir e ver aquilo que ele permite aos outros desviarem o olhar. As pessoas na praça vão e vem, e o poeta grita – “agradeçam, agradeçam por sermos loucos por todos vocês. É a nossa loucura que impede que toda a cidade caia nas mãos da insanidade.” Aquele que abraça o caos paga um preço. Apanha para conseguir dar conta de tudo o que viu, e segue adiante com uma ferida que os outros não percebem, e que sangra a cada aniversário do combate – mas que permite ao Livro Vermelho do Marco Ocidental seguir adiante e ver a história ser contada. Ser o herói é só um pedaço do percurso – é preciso contar a história. E perde os prazos, e confunde as datas, e ainda se surpreende quando alguém faz algo por uma intenção mesquinha ao ponto de se ver incapaz de confiar.

Valete de Copas
Universal Fantasy

Sentada na areia, a moça tenta ler um livro. Consegue ouvir a corrida constante do menino que segue correndo para dentro do mar e volta correndo para a areia, inquieto, até que ela larga o livro, senta na linha onde o mar toca a areia, e ele senta sobre suas pernas. Os cachos compridos do menino escondem por alguns segundos olhos atentos ao movimento sutil que surge na poça formada pelas ondas sobre o buraco que cavaram juntos. Um peixe miúdo, prateado e pontilhado de preto, navega no círculo circunscrito pela areia. Ele quase cai para frente observando o peixe, como se uma muda conversação se desse entre os dois. Por longos minutos, tenta fazer o peixe subir na concha de plástico que usou para cavar a poça. Quando consegue, ergue a concha, em triunfo. De pé, ele ri. O peixinho salta para o mar, mas o menino não se preocupa em persegui-lo. Está mais preocupado em imitar seu movimento enquanto corre pela areia, ele mesmo sendo agora o peixe que observava.

Princesa de Copas
Via Tarot

Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Via, os Pajens são substituídos pelas Princesas. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto às Princesas quanto aos Pajens os mesmos significados propostos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Oráculo da Cigana: um curioso baralho de Cartomancia


Conheci esse baralho ano passado, nas postagens do Alex Tarólogo. Primeira referência que conheci a respeito desse oráculo, mas não pensava um dia conhecer o baralho em minhas próprias mãos. E confesso que, tendo o conhecido em outubro, não achei que fosse tão bom. Não foi um baralho que acelerou meu coração imediatamente, mas, talvez justamente por isso, tenho o carinho por ele que o mantém entre meus favoritos. Existem paixões que demandam tempo e vivência. O estranhamento inicial não foi um obstáculo; antes, foi um caminho.
O meu, eu ganhei de presente da Priscilla Lhacer. Um mimo, um carinho que, makhtub! tinha uma razão de ser. Quando um oráculo chega às nossas mãos por vias misteriosas como um presente ou surpresa, é bom que estejamos atentos aos seus efeitos. E, nesse caso, os efeitos foram preciosos ao ponto de eu indicá-lo, veementemente, para quem se interessa por Cartomancia, sobretudo a italiana, no qual ele se baseia.
O baralho é formado por 52 cartas - o mesmo número de cartas de um baralho comum  - o que o predispõe a ser a ilustração de significados anteriores propostos para cada uma das cartas do baralho comum. Se hoje não possuímos acesso às referências que nortearam a elaboração das imagens, pelo menos podemos pressupor que a metologia do jogo será semelhante àquela que norteia sessões de Cartomancia. Muitas cartas, frases curtas, porém precisas. 

Uma possibilidade de desenvolvimento desse oráculo é ser uma contração do Vera Sibilla Italiana, hipótese altamente plausível, proposta pela Socorro, da De Keizerin Boutique (recomendo). Eu tenho encontrado alguns outros baralhos que também corresponderiam a esses desenvolvimento imagético de conceitos cartomânticos de matriz comum. Mas é cedo ainda para que eu possa afirmar qualquer coisa. 
Minha experiência com esse oráculo tem apontado que ele é precioso para revelar intenções e fazer previsões de curta duração. Nada muito extenso, nada muito amplo: aquilo que é passível de se resolver com uma frase, mais elaborada que um simples sim/não, mas menos elaboradas que um panorama.
Como exemplo, posto uma das minhas cartas favoritas, o Mercador. Eu pensei nela justamente por ela dialogar com as minhas leituras no momento - Malba Tahan, Rumi (indicação preciosa do Claudiney Prieto), Omar Kayyam e As Mil e Uma Noites (livro e baralho).  E daí, temos um primeiro passo para analisar as demais 51 cartas.


 O Mercador
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo

Seguindo a orientação do livreto que acompanha as cartas, vamos trabalhar com a formação do conceito da lâmina a partir do cruzamento entre o título e a imagem. 
Mercador é o título dado àqueles que mercadeiam. Que comerciam. Que levam e trazem. Em todos os sentidos.
Conforme o Dicionário Aurélio:

s.m. Indivíduo que compra por atacado para vender a varejo. / Negociante de panos. // Fazer ouvido de mercador, v. OUVIDO.
Estar em contato com várias culturas, com vários povos, fazem do mercador um personagem ambivalente. Por um lado, nunca saberão exatamente o que ele pensa, já que ele conheceu um mundo diferente demais para se prender unicamente aos limites do seu povo ou região; por outro lado, as questões a que se apega tem para ele um valor maior do que para aqueles que se mantém devido ao costume, ao hábito, num mesmo comportamento. Ele escolhe manter um comportamento, porque sua natureza o leva a voltar sempre ao local de origem, com o desejo de partir novamente.
Por outro lado, ele sempre saberá mais dos outros que os outros pensam que ele sabe. O contato com pessoas tão diferentes o deixa atento aos hábitos, tiques, vícios. Só assim ele sabe diferenciar pesos e medidas - pelo que não se diz, mas se deixa dizer... pelo que não foi dito.

Dentro dessa perspectiva, e poderíamos estendê-la muito mais, verificando filologicamente as demais possibilidades oferecidas - Mercante, Marchand, Mercader, Kaufmann - o Mercador é um personagem cujo olhar anseia pelo horizonte, a quem ninguém é ilimitado o bastante para uma análise comportamental. Os termos parecem ser a mesma coisa, mas não são. Significados se depreendem de termos aparentemente sinônimos e, pouco a pouco, percebemos que o poder do termo está em ser único, mas passível de ser substituído por algo que, mesmo parecido, não é igual. Como exemplo, pensemos no termo francês Marchand. Além de Mercador, esse termo define aqueles que entendem de Arte o suficiente para indicar a compra de algo; seria o representante de um artista. O intermediário. Apesar dos significados se tocarem, há que se notar expansões. Os termos se cruzam, se reproduzem, e significados se apresentam ante nossos olhos.


Atente, nessa imagem, para os olhos do Mercador. Através de seus olhos,
ele não só expõe sua mercadoria, como todas as possibilidades que encontrou
de belo em seus tecidos. Comprar-se-ia tecidos dele por seus olhos. 


Diante disso, da ideia de intermediação, tão concernente ao termo, vamos para a imagem. 
Apesar de estar ligado à ideia de viagem, de busca de mercadorias em locais distantes, nessa carta vemos essa ideia como secundária. Temos uma carta ativa nesse sentido - a Viagem, cuja iconografia do personagem remete à do Mercador. Aqui, vemos o navio ao fundo partindo, não sabemos se o navio deixou o mercador ou se irá buscar mercadorias para ele. Só sabemos que ele já não participa do processo - o que chega, ou o que parte, apesar de passar pelo Mercador, não lhe compete mais. O navio também aparece nas cartas Suspiros, Esposa e Consolação, mostrando aquilo que vem de longe... ou remete para longe.


À esquerda: Suspiros. À direita: Consolação.
Observe o navio, dialogando com o personagem principal.
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo


Se falamos do navio, falemos do mar. Como diria a Ana Carolina: "por que me mostra o mar, se eu quero ver o navio?" 


À esquerda: A Esposa. À direita: Desgosto. 
Em uma o navio. 
Na outra, a imensidão do mar.
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo


Diante da imensidão, os detalhes se diluem. Para o melhor ou para o pior. Além disso, o mar une o aqui ao lá. Com um horizonte de possibilidades no meio. O mar transcende o espaço visível, mostrando que o que se busca ainda não está ao alcance. Mas já é possível desejar. Além das já citadas Consolação e Suspiros, o mar aparece em Desgosto. Mas aqui o navio já não se vê. E a frase de Ana Carolina faz todo o sentido. Coloca os Suspiros ladeando Desgosto e dá uma olhada.
Dos diálogos entre as iconografias, partimos para o personagem principal. Um árabe, irmão dos árabes. Suas vestes apontam para isso. Moro, mouro. E aí precisaríamos entender como um italiano veria um mouro para sabermos como essa carta seria vista pelo italiano que a delineou. Novos sentidos se depreenderão disso. Se você der uma olhadinha nesse link aqui, ficará sabendo que os italianos já dominaram a Líbia, durante o declínio do Império Otomano, na chamada Guerra Ítalo-Turca, em 1911. Apesar de italianos terem ocupado o território, eles não foram capazes de colonizar o espaço, perdendo terreno durante a I Guerra Mundial. As culturas coexistiram como água sob azeite. O conflito mistura, o tempo assenta cada coisa em seu lugar - conforme seus atores veem a questão de "lugar".
Alguns barris, caixas, e um acolchoado no qual esse mouro se apoia, correspondem às suas mercadorias. Ele está a postos, pois se dali se afastar, perde o que tem - é sua presença que atesta que o que o rodeia é dele. Mas sua posição é relaxada - logo, carregadores irão levar o material para o local correto.


Espera
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo


Seu olhar se perde à frente, como em SuspiroEspera. Se o olhar se perde, é porque os pensamentos importam mais. E não são pensamentos coesos, direcionados; são sonhos, devaneios, alimentados pela espera, que permite uma certa esperança.


Sinbad conta sua história ao carregador.
Seis de Ouros
Tarô das Mil e Uma Noites
Lo Scarabeo


Se nos remetermos à literatura, sobretudo Às Mil e Uma Noites, veremos que a figura do jovem afoito por aventuras, que vende tudo o que tem em busca de negócios no estrangeiro é recorrente. O personagem mais emblemático dessa perspectiva é Sinbad, que, por sete vezes, vende o que tem e sai em busca de aventuras. E da história de Sinbad apreendemos outros detalhes: quando vivemos algo maravilhoso, precisamos compartilhar com alguém. 
A história de Sinbad ocorre nos tempos do Califa Harun Al-Rashid, personagem que também se carrega de significados. Conforme consta, ele se disfarçava de mercador para visitar seu reino, de forma a assegurar-se pessoalmente de que tudo corria bem. Diversas histórias d'As Mil e Uma Noites o referenciam, seja como marco temporal ("No tempo do Califa Harun Al-Rashid..."), seja como personagem. Como personagem, talvez, seja o mais interessante. Ele é curioso, imiscuindo-se em qualquer assunto que considere interessante; contudo, não revela sua identidade até o momento oportuno, saindo-se muito bem como mercador para alguém que foi treinado para ser Califa. Conforme vimos antes, ao Mercador pertencem todos os pensamentos que o rodeiam, enquanto seus pensamentos não pertencem a ninguém. Ele precisa contar sua história, ele deseja contar sua história. Mas você jamais conseguirá ler seus pensamentos.
Daí, poderíamos sintetizar os significados observados em algumas palavras-chave, para além das óbvias comércio e troca: Intermediação consciente e proveitosa. Saber ouvir. Captar intenções com facilidade. Estar longe do que é familiar, ou ansiar por esse distanciamento. Notícias que vêm de longe. Um presente aguardado. Espera ansiosa, resultado breve. Uma história. Lucro, dividendos. Contato com culturas diferentes. Afirmação da identidade. Disfarce temporário. Teus pensamentos são terra de ninguém. Conhecimento de causa. Ansiedade pelo novo. Aguardo de novidades. Estar em território estranho. Diplomacia. O que se vê é mais precioso do que o que se ouve.


É muito divertido fazer isso, observar um oráculo novo com olhos de primeira vez, caçando respostas às indagações que surgem. Desses mergulhos, obtemos respostas preciosas às possibilidades de interpretação do oráculo. Eu não fazia a menor ideia de que chegaríamos aonde chegamos com esse texto - eu só escolhi a minha carta favorita, e saio mais rico na minha leitura dela. Dá um pouquinho de trabalho, mas vale a pena - quem falou que Cartomancia é fácil?
Abraços a todos.

Post Scriptum: Há um livro sobre esse baralho, com visualização acessível aqui. O irmão Euclydes Cardoso Jr., do TarotCabala, publicou o seu primeiro olhar sobre as cartas, aqui. Vale a leitura, vale o mergulhar nas imagens. O Ricardo Pereira, autor do Substractum Tarot, postou sua vivência com esse baralho aqui, vivência essa que dispensa comentários e atesta a rapidez das previsões.  E, caso queira adquirir o seu, clique aqui.

Atualização em 07 de novembro de 2012: Alguns links interessantes para o entendimento da profundidade dessa lâmina: aqui, aqui e aqui