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sábado, 8 de agosto de 2015

SensAces.

NADA NO CONVERSAS CARTOMÂNTICAS É INOCENTE. Nem o silêncio, nem a fala. Talvez você se pergunte por que abrir um post com essa frase.
Se você já assistiu Sense8, você entendeu.


Depois de Game of Thrones, eu estava meio azedo para seriados. Filmes, também. Restava pouca vontade de parar em frente a uma TV ou ao notebook e assistir algo com continuidade. Até que uma amiga me disse ASSISTA. E eu costumo acreditar nos meus amigos.
Eles me conhecem.
E eu conheci Sense8.



Talvez uma crítica antes dos elogios, para que ela sirva de aviso: O seriado demora um pouquinho para pegar no tranco. Uns três episódios, eu diria. Mas depois disso... Vale cada segundo. Inclusive do tempo gasto com os episódios de background. É como um filme - tudo passa a fazer sentido na trama, se a trama for bem escrita.
Do lado de cá, falaremos sobre a trama, com o cuidado para deixar você ansioso sem revelar muito. Ou falando sem que você saiba.
Re-velar. Velar duas vezes.



PRÓLOGO. ASES



Nós começamos em um ponto falando sobre como a evolução envolve a criação de círculos cada vez maiores de empatia: Você pertence a sua família, então você pertence a sua tribo, em seguida, duas tribos ligar e agora você tem empatia para seus povos deste lado do rio e você está contra as pessoas do outro lado do rio... e continuar através de vilas, cidades, estados e nações... e daí se uma forma mais literal de empatia poderia ser desencadeada em oito indivíduos ao redor do planeta... que de repente tornou-se mentalmente consciente de si, capaz de se comunicar diretamente como como se eles estivessem na mesma sala. Como eles reagiriam? O que eles fariam?... O que isso significa? E o que o mundo pensa sobre as pessoas com essa capacidade ? Será que eles abraçá-lo, ou caçá-los...? Isso nos daria uma plataforma perfeita para fazer um show que foi carregado com a ação, grandes ideias, algumas acrobacias incríveis que ninguém fez antes, e jogar para um público planetário.
J. Michael Straczynski | co-criador.



Oito pessoas. 
Completamente diferentes. 
Geograficamente. Etnicamente. Culturalmente. Profissionalmente. Sexualmente.
Um detalhe, apenas, em comum.
E bem sabemos que Deus ou o Diabo moram nos detalhes. Dependendo de quem observa.



Will Gorski.
Policial. De Chicago.



Capheus Van Damme.
Motorista de van. De Nairóbi. 


Sun Bak.
Executiva sob a luz, lutadora de kickboxing quando as luzes se apagam. De Seul.




Nomi Marks.
Hacker. De São Francisco.



Kala Dandekar.
Farmacêutica. De Mumbai.



Riley Blue. 
DJ. Raízes na Islândia, pés em Londres.



Wolfgang Bogdanow.
Serralheiro durante o dia, arrombador de cofres quando as luzes se vão - e levam as pessoas certas consigo. De Berlim.



Lito Rodriguez.
Ator. Durante o dia beija por profissão, à noite beija por prazer. Da Cidade do México.

ENREDO. QUATROS. 


E o que dizer da experiência de sentir o outro? Ver pelos seus olhos, ouvir pelos seus ouvidos, partilhar dos seus pensamentos e sentimentos... Viver o outro?
É difícil explicar sem viver - junto, como voyeur ou como o nono sensate que dá sentido aos oito que o (te) rodeiam.



Dessa forma, o monitor passa a ser uma janela indiscreta não para vidas alheias à sua... Mas para vidas das quais você passa a participar ativamente. Como em Lego House, você se torna parte até o ponto em que fica difícil diferenciar o que é você do que não é.




EPÍLOGO. OITOS.


Quanto mais você reconhece quem - ou o que - você é, mais fácil é reconhecer os seus limites. E, reconhecendo os seus limites, reconhece o que está para além deles. 
E o que está para além deles são possibilidades. 
Algumas, aterradoras. Como sussurros.


Não sei o que esperar da segunda temporada. Essa foi um shot - em alguns episódios de Tequila a estalar os lábios, em outros por acaso em uma roleta russa. 


Recomendo esse seriado pelo tanto que ele mexe com os nossos sentidos.
Inclusive, sobre os nossos sentidos de normalidade.
Na natureza, normal é a diversidade.

Abraços a todos. E feliz aniversário, Sensates.
O aniversário é de vocês, o presente é nosso: acabam de confirmar a segunda temporada.
Aguardando. :)



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

RPG e Tarot... Confluências num 4 de Paus

Esses dias atrás, estava eu refletindo sobre cartas que me agradam (porque sobre as encardidas eu já disse aqui). Evidentemente, o Três de Copas é uma delas. Quem não gosta da celebração, da felicidade, do contentamento que provêm da abundância da subida de Perséfone dos Infernos onde reina, para encontrar-se com Dheamater?

Três de Copas
Celebração
Osho Zen Tarot
Na minha opinião, uma das melhores releituras
do Três de Copas do Waite-Smith.

Mas, apesar disso, e da beleza disso, eu tenho uma carta que enche meu coração de maior alegria. O quatro de Paus. Que, tratando-se do Waite-Smith, é quase, "apenas", uma diferença de perspectiva em relação ao três de Copas. Aonde o três de Copas é festa, o quatro de Paus é estruturação da celebração. Porque, convenhamos, para haver celebração, mesmo que seja uma festa surpresa, alguém tem que ter se predisposto a organizar algo, antes.


Quatro de Paus
Radiant Rider Waite

Parece estranho não evocar um nove ou dez de Ouros, ou um seis de Espadas, ou um nove de Copas. Mas não, eu realmente gosto do quatro de Paus. Suas atribuições são muito interessantes, e por vezes até contraditórias, se pensarmos que o naipe de Paus, por ser Fogo, não aceita acompanhantes que não tolerem seu calor, sendo, portanto, atraente à distância, apenas. Da mesma forma, um quatro, por ser estruturação, não carece de companhia e acompanhamento, sendo, em todos os naipes, um ponto de reflexão pessoal, não de encontro. 
Mas dessa combinação sui generis de dois valores individualistas, temos justamente a carta de Paus mais agregadora. O quatro de Paus é o fogo da lareira em meio a um incêndio de possibilidades. Vênus em Áries, diria Crowley. 


Louis Jean Francois Lagrenee - Marte e Venus, alegoria da paz.


Vênus e Ares. Um encontro fortuito, que atrai outro, e outro, e um ao outro, dos quais Harmonia é o resultado.


Quatro de Paus
Thoth Crowley-Harris

Completude. Conclusão. Como se, antes do meio, antevíssemos um fim. Vai dar tudo certo, ouço sussurrar ao meu ouvido. Mas não, não vai, não tão facilmente – olha o cinco ali, sucedendo, como dragão que espreita, como serpente pronta para dar o bote. De prontidão, mas não predisposta.
Vai de como se encara o quatro. 
Uma das versões mais belas do quatro de Paus que conheço é a do Tarô Mitológico. Engraçado como vejo, recentemente, críticas à esse baralho sendo que, no Brasil, foi o oráculo mais precioso para o conhecimento dos Arcanos Menores, tão desvalorizados em locais onde o padrão Marseille fez escola. Ok, eu não gostei da reedição, com retoques nos desenhos originais da Tricia Nevell, mas essa é uma opinião pessoal.


Quatro de Paus
Tarô Mitológico

Pois bem. No quatro de Paus do Tarô Mitológico, Jasão está ao meio, tendo ao seu redor Teseu (representando o naipe de Paus e representado no Rei desse mesmo naipe), Castor e Pólux (representando o naipe de Espadas e representados no Cavaleiro desse mesmo naipe), Héracles (representando o poder de realização e representado no Arcano Maior A Força) e Orfeu (representando o naipe de Copas e representado no Rei deste mesmo naipe). Cadê Ouros? Não, não é esse o ponto por aqui. Procura-se a realização, não a concretização. Espera-se obter o Velocino, mas não se sabe o que fazer com ele após obtê-lo – como veremos lá no dez.
Vendo esses quatro personagens (inter)ligados por um objetivo comum, é praticamente impossível para mim não recordar dos jogos de RPG (Role Playing Game – jogo de representação de papéis), em especial o Dungeons & Dragons.







Para quem não conhece RPG, tenho certeza que entenderão o que quero dizer se lembrarem-se do desenho Caverna do Dragão – que, à propósito, chama-se Dungeons & Dragons no original.


Ladino, Guerreiro, Clérigo, Maga... E monstros.


Bem, num jogo de RPG tradicional, ao estilo do Dungeons & Dragons, temos mais ou menos quatro personagens (de acordo com o número de jogadores) - um guerreiro, um mago, um clérigo e um ladrão - dotados de habilidades diferentes entre si, e totalmente complementares. Assim como Vênus e Ar(i)es, a complementaridade de todas as habilidades permitem a sobrevivência do grupo, aventura após aventura. O guerreiro possui a força, mas não é capaz de lidar bem com mágicas; o mago possui a mágica, mas é fraco e não consegue curar; o clérigo cura e tem o potencial para ataques diretos do guerreiro, ainda que em menor potência; e o ladino é capaz de abrir fechaduras e atacar pelos flancos com maior eficácia. Sozinhos, sobretudo no 1º Nível, não são capazes de sobreviver às aventuras propostas pelo Mestre; mas, em conjunto... Pelo menos existe a possibilidade de subirem de nível.


Quatro de Paus
Participação
Osho Zen Tarot
Vejam como os quatro membros se fortalecem no laço desenvolvido
com os demais presentes. Há bênção quando há união.


E é assim que eu gosto do quatro de Paus... De ver o quão interligados estamos. Quando ele surge em um jogo, teremos todo o auxílio necessário para a obtenção do nosso desejo, por merecimento, não sorte; Deus, não Fortuna (como diria o nickname de Dion Fortune). Mas, evidentemente, esse não é o fim da tarefa proposta pelo naipe, que tem que ser levada a cabo por cada indivíduo como mestre de sua vida.
Abraços a todos.