segunda-feira, 11 de abril de 2011

Bond... James Bond ... e a Cartomancia: o Tarot 007



Olá pessoal. Num daqueles acasos que fogem à explicação, ou talvez não careçam dela, li o a tradução do Alexsander do texto de James W. Revak no Clube do Tarô e acabei visitando o site em busca de maiores informações. Em um teste muito bacana, de nomear os baralhos, acabei descobrindo que James Bond já recebeu uma consulta de Tarot!


No oitavo baralho da lista, James W. Revak escreve
Tarot of the Witches (James Bond 007 Tarot), by Fergus Hall, first published 1973.
Tarot of the Witches gained instant notoriety when it appeared prominently as a prop in the James Bond film Live and Let Die.  In fact, it was marketed at that time as the James Bond 007 Tarot.



Curioso que esse é o oitavo filme do James Bond...
Em tradução livre, seria: "Tarot das Bruxas (Tarot James Bond 007), produzido por Fergus Hall, publicado pela primeira vez em 1973. 
O Tarô das Bruxas ganhou notoriedade instantânea quando apareceu destacado como adereço no filme da série James Bond Viva e deixe morrer. De fato, foi comercializado na época como o Tarot James Bond."



Conforme a WikipédiaLive and Let Die é um filme britânico de ação e espionagem de 1973, o oitavo da série James Bond e o primeiro com Roger Moore no papel do agente 007. Conhecido em Portugal por 007 - Vive e Deixa Morrer e no Brasil por Com 007 Viva e Deixe Morrer, o filme foi realizado por Guy Hamilton e produzido por Albert Broccoli e Harry Saltzman e é baseado no romance homónimo de Ian Fleming.


É impressionante a quantidade de vezes que a Sacerdotisa aparece nesse filme, assim como sua oitava menor, a Rainha de Copas. 
Ao entrar na loja Voodoo, na porta temos a Rainha de Copas e na prateleira o Mago do Rider Waite.



Quando a taróloga joga para Bond, ela mesma se representa pela Sacerdotisa - confirmando quando Bond pergunta a respeito. Bond é representado pelo Louco (e aqui temos um jogo de palavras com os leigos da Arte que viram o filme, já que o Louco/Bobo (Fool) não é visto como seu aspecto divinatório, mas apenas o potencial semântico da palavra é revelado - e não é muito bacana ser chamado de tolo...), e por último, Bond tira os Enamorados, que deixa a vidente perplexa, pensando na relação futura entre os dois.



No cartaz onde figura a Sacerdotisa de Waite ao centro, temos, à esquerda, de cima para baixo (simmmm, eu pausei o filme para poder contar isso pra vocês): A corte de Espadas - Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei, sendo que o Ás ladeia o Cavaleiro; à direita, por sua vez, a Corte de Paus, da mesma forma.



Uma das cenas mais interessantes para mim ocorre quando Bond recebe um bilhete com a Rainha de Copas invertida... Deuses! Quem desfaria um deck inteiro para mandar um bilhete! Divertido é perceber depois todo o potencial desse bilhete, quando ele compreende a traição de uma mulher perversa, ludibriosa e mentirosa.
É interessante vermos como a taróloga do filme parece ter um GPS. Ela diz em tempo real o paradeiro de Bond e a ação que ele produzirá. No momento em que perguntam-lhe sobre o futuro e a mesa nos é apresentada, vemos novamente a Sacerdotisa coroando o jogo, e ela vira... Os Enamorados. Novamente, me pergunto: estamos sob o efeito da lâmina como um todo ou apenas diante de uma exploração semântica?



Apesar de toda a manipulação das imagens, uma fala da Cartomante merece destaque, por ser aplicável na nossa prática, efetivamente: Se não fizer perguntas específicas, não me responsabilizo pela má interpretação das respostas.


Em seu atrevimento costumeiro, Bond toma das cartas e joga sobre a mesa A Carruagem, O Louco e a Sacerdotisa. Numa inversão de papéis, que beira a insolência no tratamento com um baralho consagrado, Bond abre com um golpe de mão magnífico as cartas para que a Cartomante - Solitaire, novamente uma exploração do potencial semântico da palavra, algo entre o jogo de cartas e o estado no qual ela se encontra (ou talvez tenha se perdido...) - tire uma. Adivinhe qual carta ela tira? Adivinhe?
Bond havia preparado um deck com todas as cartas iguais. Hmpf ¬¬".
Num diálogo direto com O Escorpião Rei (2002), a Cartomante perde seus poderes ao se aproximar do amor terreno, já que seria esposa de um Príncipe que já se foi desse mundo". E tal como nesse filme, o temor da Sibila se mostra sem fundamento.
Um homem de negro queima a Sacerdotisa do Rider Waite. Este mesmo homem vira a carta Morte, do mesmo baralho, indicando que a situação chegou a seu limite...


Sinceramente, eu sempre achei esse Tarot das Bruxas horroroso. Mudei meu conceito sobre ele, mas continuo achando ele feiosinho. Mas fica cá a dica de um filme para nossas Conversas Cartomânticas...
Abraços a todos. 





Excerto do site Webcine:

Título Original: Live and Let Die
Gênero: Aventura
Origem/Ano: UK/1973
Duração: 121 min
Direção: Guy Hamilton

Elenco:
Roger Moore: James Bond 
Yaphet Kotto: Kananga/Mr. Big 
Jane Seymour: Solitaire 
Clifton James: Sheriff Pepper 
Julius Harris: Tee Hee 
Geoffrey Holder: Baron Samedi 
David Hedison: Felix Leiter 
Gloria Hendry: Rosie Carver 
Bernard Lee: M 
Lois Maxwell: Miss Moneypenny
Tommy Lane: Adam
Earl Jolly Brown: Whisper
Roy Stewart: Quarrel
Lon Satton: Strutter
Arnold Williams: Cab Driver
Madeline Smith: Miss Caruso

Sinopse: Com charme, inteligência e uma segurança implacável, Roger Moore aparece como o educado, sofisticado - e letal - agente 007 em um duelo "emocionante e de alta tensão" com um vil chefão do tráfico que está determinado a eliminar Bond e conquistar o mundo!
Ao investigar os rumores deste derrame de drogas, três agentes britânicos morrem no mesmo dia e o chefe do Serviço Secreto inglês põe em campo seu melhor homem: James Bond, o Agente 007. A missão destes agentes era investigar o primeiro ministro da ilha caribenha de San Monique, Dr. Kananga, que é suspeito de fazer negócios ilegais com o chefe do narcotráfico de Harlem em Nova York, Mr Big.
Na investigação, James Bond descobre que a quadrilha de traficantes é comandada pelo poderoso Kananga, vilão que usa braço mecânico como arma. Protegido pela magia negra e crocodilos assassinos, Kananga coordena um esquema gigantesco de tráfico de heroína... e o agente 007 está em seu caminho.
Nesta missão Bond conta com a ajuda de Felix Leiter, agente da cia, e mais tarde da ajuda da mística Solitaire (Jane Seymour), cartomante e sacerdotisa particular de Kananga, uma mulher misteriosa e sensual, cujos poderes mágicos servem ao mestre do crime, que ao ler as cartas prevê o fracasso de sua missão... mas não resiste ao charme de James Bond. Mas ele não consegue invadir o reduto do criminoso e aterrissa em San Monique. No hotel encontra uma jovem negra, Rosie Carver (Gloria Hendry), seu contato da CIA, que é uma agente dupla. O tempo para impedir o golpe diminui dramaticamente e 007 encontra outros obstáculos: como Tee Hee, dono de uma garra de aço no lugar de uma das mãos, o gigantesco Barão Samedi (Geoffrey Holder), sumo sacerdote do culto voodoo, também chamado "O Homem Que Não Pode Morrer". Antes que possa explodir a mansão de Kananga junto com sua plantação camuflada de papoulas, James Bond ainda irá enfrentar lagos infestados de crocodilos, milhares de serpentes venenosas... e mulheres perigosas e sedutoras. Mas James Bond está preparado para tudo.
O arsenal de truques do agente britânico é enriquecido por uma potente lancha voadora. Este inesquecível filme da série traz ainda a música-tema interpretada por Paul McCartney e o conjunto Wings.

Prêmios: Oscar 1974 - Indicado ao prêmio de Melhor Música
Distribuição em Vídeo e DVD: Warner / Fox


sábado, 9 de abril de 2011

Cisne Negro: caleidoscópio cartomântico [Parte 2: Self-destruction]



Olá pessoal. Continuando nossas possibilidades de análise do filme Cisne Negro, analisemos agora o background no qual ele se desenrola. Em minha opinião, o self destruction de Nina.
Atenção! Esse texto contém spoilers. Se não viu o filme ainda, assista-o primeiro.


Trailer legendado aqui.

Partindo da perspectiva analisada anteriormente da relação entre Nina e a Princesa de Copas, o background no qual o filme se desenrola é diametralmente oposto ao necessário para a nutrição de uma jovem tão frágil. Como quem desperta de um sonho - a forma como se inicia o filme, por sinal - a perfeição originalmente vista se parte e se estilhaça. E, tal estilhaçar, ao meu ver, se apresenta alegorizado nos espelhos que permeiam todo o enredo.


Os espelhos são naturalmente relacionados com a Sacerdotisa. Como Arcano II, é o reflexo do I, seu duplo e seu oposto; seu complemento perfeito, em essência, que estabiliza sua tendência projetiva inicial. É a relação entre aceleração e atrito.


Explorados à exaustão e sendo os causadores de grande parte dos sustos e surpresas dadas pelo filme, por sua referência direta fui remetido ao filme Psicose. Ao contrário de grande parte dos expectadores, a minha cena favorita é a da mulher ao espelho. Juro que procurei melhores referências, mas os comentadores só citam a cena do chuveiro...


O espelho reflete a possibilidade que temos de vermos a nós mesmos. Não é real, em essência, o que se vê, já que é reflexo e refração de luz de uma forma captável por nossos sentidos; mas é o máximo que nos aproximamos disso nos mais recentes séculos. 
Mas existe uma forma alegórica de espelho, sub-reptícia, metáfora da rede de relacionamentos a que pertencemos, que dá sentido à frase somos fruto do meio em que vivemos. A herança familiar e a convivência alteram a forma como vemos o mundo.


Nina é filha de uma bailarina que, aos 28 anos, se viu forçada a abandonar o ballet devido à gravidez. As projeções desta, portanto, são que Nina siga seus passos, mas não mais que isso. É notável a cena em que, ao trazer um bolo em rosé et blanc para celebrar a obtenção do papel, num ímpeto de fúria decide jogá-lo no lixo. 


O papel que Nina obtém deve-se à aposentadoria (forçada) de Beth MacIntyre, bailarina anterior. Explosiva, impactante, destrutiva; esta é a imagem que a personagem, interpretada por Winona Rider, passa em sua curta aparição. Ídolo de Nina, que furta seus objetos pessoais. Uma forma de se aproximar dela. Uma forma de integrar sua personalidade ao estilo que possui.





Tudo isso motivado pelo implacável e mordaz diretor do espetáculo. Acostumado a relacionar sua sexualidade ao seu trabalho, motiva Nina, já naturalmente competitiva e perfeccionista, a encontrar seu lado mais selvagem, primitivo, volátil, explosivo, intenso e ígneo para interpretar o Cisne Negro. 




Diante da perspectiva de perder seu posto obtido a custa de sangue, suor, lágrimas, ossos deslocados e unhas quebradas, Nina mergulha de cabeça no que seria a maior aventura de sua vida. Talvez, a única.
Talvez.


A experiência atemporal desse mergulho não nos permite antever, no decorrer do filme, se Nina havia tido vislumbres do seu lado sombrio. Vê-se a dificuldade encontrada para o toque em seu corpo. Talvez, ou justamente por isso, sua coceira destruidora. Sua pele lacerada é o matiz rubro da necessidade de contato. Onde há dor, há, paradoxalmente, prazer, em dicotômica relação de busca do Outro, no caso, idealizado e distante, assim como necessidade de destruir esse mesmo Outro que, próximo demais, a desvia do seu foco e libera, mesmo que por instantes, um instinto aprisionado e urrante. 




Desde a mordida inicial, até o corte das unhas - uma das cenas mais impactantes, culminando no assassínio da imagem, que, facelada, libera finalmente  o alimento necessário à manifestação plena da Sombra.




Quanto mais destruída, destroçada, facelada, esfolada, arranhada e ferida, quanto mais exposta é sua dor pela ausência da plena perfeição, mais próxima ela se vê dessa mesma perfeição, elevada ao limite da existência. 
Já havíamos visto isso antes, por aqui, quando eu citei o Fight Club. No extremo, no limite representado pelos Dez yang - Paus e Espadas - somos obrigados ao Salto. Naipes projetivos nos impelem para a frente... mesmo quando o "para frente" é uma parede de tijolos.
Abraços a todos, até o próximo post.




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Promoção COPAG / Conversas Cartomânticas



Olá pessoal. Em mais uma parceria com a COPAG do Brasil, estamos com uma nova perspectiva promocional. Sortearemos, na ordem: 
Um livro Tarô: a história e a magia...

Um estojo com dois baralhos Persian Garden...

Um estojo com dois baralhos Monet.

Para participar, deixe um comentário aqui nessa postagem, dizendo:

Eu quero ganhar um baralho da COPAG no Conversas Cartomânticas porque...

Postando em seu blog sobre a promoção, coloque o link nos comentários e ganhe mais um cupom para o sorteio. Só valem duas (ou mais, dependendo do número de blogs do usuário) participações nesse caso. 
Os dois sets serão sorteados pelo random.org, e a melhor resposta receberá o livro. Os prêmios não são cumulativos.
Aguardo vocês no dia 23 de abril, dia de São Jorge!
Abraços a todos!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Blogagem coletiva: (Meio) Ambiente e a Cartomancia - Ás de Ouros no Thoth Tarot

Olá pessoal. A convite da Rute, cá estou para enfrentar o desafio de relacionar a Cartomancia ao meio ambiente. Creio que seria interessante, dentro do espírito da postagem, falar sobre os baralhos que dissertam sobre aspectos ambientais, tendo em suas lâminas elementos dos reinos mineral, vegetal e animal.
Hoje, gostaria de falar sobre uma carta em especial, do Tarot Thoth: o Ás de Ouros. A Raiz dos Poderes da Terra.


Já passamos rapidamente por essa carta quando falamos sobre o Quarteto Fantástico. Mas, à luz dessa nova perspectiva, vale a pena ver de novo.
O naipe de Ouros, como um todo, lida com a perspectiva material. E quando falamos material, não significa somente saúde/dinheiro/recursos. O ambiente no qual vivemos também faz parte do âmbito desse naipe. Sobretudo do Ás, que sintetiza as possibilidades oriundas do naipe (sobretudo nos jogos de 42 cartas). 


Reparem na iconografia da carta proposta por Crowley e lady Harris. Ao centro, uma estrutura cristalina, lapidada de forma singular, serve de mote circular para o símbolo do naipe de Discos. Estanque enquanto forma, mas pleno de força.

Acima, abaixo e ladeando o cristal, anéis de madeira formam uma cruz. Novamente um símbolo relacionado à matéria - a cruz - com o movimento dos circulos de crescimento de uma árvore. O desenvolvimento é inexorável, mas leva certo tempo
As asas aludem ao leve movimento que causa erosão nas pedras ou mesmo promove a erupção de uma nascente de rio. Aqui, o Reino Animal é um efeito, não uma causa; uma consequência do desenvolvimento dos dois Reinos anteriores - por isso as asas ladeiam a cruz de anéis de madeira. Conforme Veet Pramad aponta, todos os Reinos Terrestres se fazem presentes aqui. O Ás representa, sinteticamente, a biosfera.


Um detalhe que percebi no desenvolvimento dessa postagem foi a moldura da carta. Raios verdes, tais como os que ladeiam o Ás de Paus; contudo, o que na Raiz dos Poderes do Fogo é reto como um relâmpago, aqui é curvo e fluido como a via láctea. A bioesfera rodeada pela energia viva do universo, como moldura, manto e possibilidade. O ponto fixo do centro da carta, em espiral se dilui nas bordas cósmicas, assim como, em contrapartida, o Cósmico se concentra em um ponto gerando matéria sólida. E nesse movimento de inspiração e expiração, de sístole e diástole, o Universo se renova e se refaz.
Acho que o mais significativo nessa carta é a total ausência de referencial humano enquanto diferente de sua natureza animalesca primeva. Na amplitude de possibilidade dessa carta, não há espaço para diferenciação da nossa experiência enquanto encarnados da mesma experiência vivida por outros animais. No fundo, mas nem tanto, todos somos TO MEGA THERION. Grandes bestas. Grandes feras.
Não que eu tenha uma visão pessimista do ser humano e considere nossa existência desnecessária ao planeta (insignificantes não somos mesmo - olha a tragédia do Japão: insignificantes seríamos, enquanto humanos, se nossa presença num determinado ambiente não tornasse uma catástrofe ambiental num desastre ecológico). Pelo contrário, acho que não seriamos criados ou evoluíriamos biologicamente se isso fosse desnecessário - no Universo cabe a Lei do Mínimo Esforço para Máximo Efeito. Estamos no movimento de diástole, de expiração, de repouso depois de toda uma Criação. E temos que nos adaptar a isso.


Em tempo, a COPAG, parceira do Conversas Cartomânticas, possui a sua linha ecológica também! A empresa se preocupa com a preservação dos recursos naturais do planeta, é certificada peloa ISO 14.000 e uma das ações que realiza é a produção de baralhos com cartão reciclado, o ECOPAG: cartão 230 g/m², onde 60% do baralho e 100% da caixinha são produzidos em cartão reciclado. Você adquire um produto personalizado e contribui para a preservação do meio ambiente.

REGRAS para quem desejar aderir:
Postar a todo o dia 7 de cada mês;
Tema, sempre livre - desde que aborde o ambiente como pano de fundo.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Da ética profissional. Reportagem da EPTV.


Olá pessoal. Depois da nossa conversa sobre as mentiras e a Cartomancia, cá estamos com uma reportagem feita pela EPTV (assista aqui). 
Como diria o Arieron, no comentário da postagem supracitada, "achologia e chutemancia (mentir com as cartas) ainda fazem parte do currículo de meia dúzia de 3 ou 4...".
É absurdo pensar que existem pessoas capazes de fazer isso. Mas não existem médicos picaretas? Não existem políticos honestos? Não existem enfermeiros incapazes? Até o Exército se deparou com um coronel fictício... 
Logo, não devemos colocar todos os profissionais de determinado ofício sob o mesmo guarda-chuva. É ofensivo, para mim, ter meu trabalho de interpretação das lâminas relacionado com trabalhos de magia que usam velas de R$120,00. A função do ritual, pós Cartomancia, é harmonizar o consulente com seus desejos, já que o ritual é a manifestação material de um desejo; a concretização do mesmo, contudo, cabe ao executor. Por isso, rituais são ensinados, não pagos para serem feitos. 
Enfim. Escolham bem os profissionais com os quais se relacionam, e não permitam abusos. Polícia existe e estelionato é crime.
Da mesma forma, que não haja entre nós quem ache que cartomancia resolve problemas, pois isso é pueril; a cartomancia apresenta a situação como está, direcionando o consulente para o que for mais adequado, de acordo com sua vontade.
Em contraponto a essa reportagem, leiam o texto do Nei Naiff sobre a regulamentação da profissão de cartomante e tarólogo, no Clube do Tarô.
Abraços a todos.


Em tempo: Participe da enquete que está no canto superior direito, e me conte o que você quer ler no Conversas Cartomânticas!

domingo, 3 de abril de 2011

Curso de Baralho Cigano Petit Lenormand. Turma de abril.



Olá pessoal. Nova turma aberta, inscrições nos telefones relacionados (DDD 35). 

Tópicos abordados:

Quais as diferenças entre o Petit Lenormand e o Baralho Cigano? 
Controvérsias sobre sua origem.
Mlle. Lenormand.
Os Ciganos e a Cartomancia.
Os Orixás e o Petit Lenormand.
A relação entre o Petit Lenormand e a Cartomancia.
Como escolher um bom baralho?
Significado das cartas: nome, iconografia, naipe e referência cartomântica.
A Carta Diagnóstico e sua função na consulta.
Métodos de consulta: Três Cartas, cinco cartas, Mesa Real.
Fechando o jogo.
A consagração do baralho.
O chá cigano.


Não poderá comparecer, mas deseja fazer o curso? Entre em contato e providenciarei o curso online para você, ou, se possível, montaremos uma turma na sua cidade!
Abraços a todos.

Três iluminações, por Luciana Onofre


Olá pessoal. Recebi a homenagem da Luciana Onofre, a qual me deixou muito feliz, com o desafio de passá-la adiante. A ideia aqui é apresentar três coisas que ao sentir/ver/experimentar tornam o dia "iluminado", indicando em seguida três blogs que realizam esse mesmo efeito ao visitá-los. Como a Lu já indicou o Arte Voadeira, meu sonho de consumo - não é Adriana? - não o indicarei novamente, ainda que seja minha primeira opção de iluminação. Sempre que vejo as aquarelas da Adriana me inspiro novamente para escrever sobre alguma coisa...

Iluminações:
1. O sol da manhã. As orações da manhã sempre ganham em contexto quando posso sentir o sol cálido de outono. A luz é a mesma, mas o calor é suportável, agradável e bem vindo.
2. Jogar Tarot. Sempre, de todas as formas, com todas as possibilidades possíveis de interpretação.
3. Dormir com cansaço físico e mente (quase) vazia. É uma delicia esvaziar a cabeça e sentir o dia se esvaindo pouco a pouco, pois não há pensamentos enevoando a mente e, se houverem, são secundários frente a experiência do sono. Ninguém merece dormir pensando no dia seguinte com apreensão!

Blogs que indico:
1. Palavras de Osho. Mensagens diárias de um místico politicamente incorreto, expostas em um design agradável e pertinente à leveza proposta a um novo dia.
2. Panelaterapia. A Tatiana tem a manha de encher a boca d'água sem dó. E mais: ensina, tintin por tintin, todos os macetes para que as nossas receitas fiquem iguaizinhas as dela. Ok, parecidas...
3. blog de Luis Pellegrini. Luis Pellegrini dispensa qualquer apresentação, e seus textos me acompanham desde meu início na Arte. Recomendadíssimo.


Abraços a todos... E obrigado, Lu!

sábado, 2 de abril de 2011

Cisne Negro: caleidoscópio cartomântico [Parte 1: Nina]



Olá pessoal. Tendo assistido (e ficado visualmente impactado) o filme Cisne Negro, proponho aqui, em postagens distintas, mas complementares, explorarmos o universo criado no filme.




Ficha técnica:
Cisne Negro (Black Swan)

Gênero: Drama e Fantasia
Duração: 107 min.
Origem: Estados Unidos
Estréia 04 de Fevereiro de 2011
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman e Andres Heinz
Distribuidora: Fox Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2010

Assista o trailer aqui.

Cisne Negro é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpreta por Mila Kunis. Dirigido por Darren Aronofsky, Cisne Negro faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.

Vale, na contextualização do filme, ver o que a atriz e o diretor têm a dizer.




A primeira coisa que aponta, como um iceberg no oceano, nos primeiros momentos do filme, é o aspecto perfeccionista e infantilizado no qual Nina (Natalie Portman) vive. Entre a Corte, inicialmente cotei a Rainha de Copas como sua máscara, mas não; é mais jovem, é Princesa. Princesa de Copas. A Princesa de Copas proposta por Crowley no seu Thoth Tarot é verde, pois sua carência de Fogo ainda não lhe permite o rubor da pele. Ela dança um nível abaixo das ondas, nem tão profunda, nem tão rasa, caminha rumo ao fundo lentamente. Um cisne coroa sua cabeça, curiosamente fazendo referência às possibilidades iconográficas propostas aqui. Junto ao golfinho (aparenta bem mais ser um marlim) e o quelônio em seus braços, apresenta seres de águas medianas, não tão profundas, apontando para sua disposição para o mundo dos sentimentos - não tão profundos. Uma ave, um réptil, um peixe - não há aqui anfíbios, ela não está propensa à versatilidade destes, plenamente adaptados à terra e à água.



E assim, Nina, a Princesa de Copas, é perfeccionista em sua arte, levando ao extremo as possibilidades do seu corpo - nem sempre o corpo acompanha o desejo do espírito, sendo um limite que apresenta todas as possibilidades plausíveis. E dentro dessas possibilidades, Nina se supera indo ao extremo de suas forças, apresentando o Cisne Branco em sua mais diáfana e perfeita possibilidade. Ela não o interpreta; ela é.
Ver Natalie Portman se portando de forma tão suave foi extremamente chocante para mim, acostumado que estava com sua personalidade marcante nos personagens que interpretou anteriormente. Ela exala força e magnetismo, naturalmente; vê-la suavizada ampliou todas as minhas possibilidades de vê-la como atriz. Contudo, a forma como ela apresenta a firmeza de propósito de Nina corresponde fielmente ao que eu espero de um título que carregue seu nome.
Num ambiente confortavelmente opressor, onde seus hormônios não poderiam se manifestar - por vezes, pensamos que sequer tinha consciência de sua existência - Nina vive no blanc et rosé de um quarto de menina, de uma vida de menina, de um sonho de menina, tão acalentado por sua mãe, que, ao tê-la, desfez-se dos seus próprios. 
O seu despertar se dá no momento em que a idealização não condiz com a realidade do gesto. Um beijo, uma mordida, um convite para a intimidade, a total inexperiência, a mentira que a confirma. Cisne Branco, quem é você frente sua atual necessidade? Até onde poderá ir em sua busca insana pelo perfeito? Como aponta Hannah Arendt em A Condição Humana, a ação perfeita esgota o agente...
Abraços a todos, até o próximo post.
Parte 2: 09 de abril.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mentiras e a Cartomancia





Olá pessoal. Primeiro de abril, dia de mentir, dia de divertir-se com a confiança dos outros... Será mesmo?




As mentiras são formas evasivas de se convencer alguém de algo que se deseja, frequentemente para prejuízo daquele que as ouve ou outrem, relacionado ao tema, ou ainda benemérito de quem as conta. Contudo, a sabedoria popular nos mostra que suas possibilidades são limitadas, ou, conforme o próprio dito, "suas pernas são curtas".


Conforme a Wikipédia, "Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos [de Abril]" (...)


(...)na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, literalmente "peixe de abril".
No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente."

Para a Cartomancia, as mentiras não são novidade. Desde, ou até mesmo, Machado de Assis deu a entender que Cartomancia e embuste seriam sinônimos. É aí que reside o nosso maior problema. Mentir já não é boa coisa. Mentir com as cartas no meio, é confusão, no mínimo, na certa.
Não há explicações ainda, precisas, do porquê da Cartomancia funcionar. Teorias temos aos montes, questionáveis como deveria ser. Contudo, e ainda bem, a cartomancia não precisa de justificativas para funcionar. Ela funciona.
Mas, se a postura adequada é manter a mente serena e livre de preconceitos, julgamentos e prerrogativas, o que acontece quando tentamos manipular as cartas? Normalmente, duas possibilidades se apresentam: 1. O baralho trunca e as respostas não vêm. 2. O baralho responde exatamente do jeito que você quer ler.
Na primeira possibilidade, é apenas um aviso de que é melhor parar. Normalmente se aplica aos casos em que a ansiedade, prima-irmã da mentira, aguarda uma resposta precisa para algo que naturalmente se encaminharia para o outro lado. A segunda possibilidade se aplica aos casos em que a primeira não consegue frear o cartomante e/ou o consulente.
Por favor, pare na primeira, se você for o cartomante.
Agora, caso seja o consulente, atente-se para alguns sinais de que a consulta é furada: 1. O Cartomante conversa muito com você antes da consulta, não para esclarecer o método do jogo, mas para colher informações sobre o seu problema; 2. o Cartomante utiliza formas evasivas de abordagem do tema, sem apresentar o panorama que as cartas oferecem para tal prognóstico; 3. O cartomante apela para o medo, para espíritos de outro mundo, seres estranhos e outras possibilidades, que pedem um trabalho ou coisa parecida. Cartomancia é diagnóstico, não é feitiçaria. 
Abraços a todos, e feliz dia de hoje! Em verdade no trabalho, mentindo (um pouquinho só) pra se divertir!