domingo, 26 de setembro de 2010

Apêndice A - O Comportamento do Tarô: seu uso na Arte da Adivinhação

Excerto retirado do site Hadnu.com. O texto dispensa comentários imediatos.



O Comportamento do Tarô
Tendo sido estabelecido à conclusão deste ensaio que as cartas do Tarô são indivíduos vivos, convém considerar as relações que são obtidas entre elas e o estudante.

Façamos uma analogia com uma debutante no seu baile de apresentação à sociedade. Ela é apresentada a setenta e oito pessoas adultas. Supondo-se que se trate de uma garota particularmente inteligente, de educação social bastante elevada, ela poderá saber tudo a respeito da posição e características gerais dessas pessoas. Isto, entretanto, não implicará em  conhecimento real de qualquer uma delas; ela não disporá de meios de afirmar como uma ou outra pessoa  reagirá em relação a ela. No máximo, será capaz de conhecer apenas uns poucos fatos  dos quais deduções podem ser feitas. É improvável, por exemplo, que  V. C. vá se esconder num porão se alguém acha que há um gatuno na casa. É improvável que o bispo vá se abandonar aos tipos mais espalhafatosos de blasfêmia.

A posição do estudante do Tarô é bastante semelhante. Neste ensaio e nestes desenhos é feita uma análise do caráter geral de cada carta; mas o estudante não poderá alcançar qualquer apreciação verdadeira das cartas sem observar o comportamento delas durante um longo período. Só poderá atingir uma compreensão do Tarô mediante a experiência. Não lhe será suficiente intensificar o estudo das cartas como coisas objetivas  -  terá que empregá-las; terá que viver com elas, e elas, também, têm que viver com ele. Uma carta não está isolada de suas companheiras. As reações das cartas, sua interação mútua, precisam ser embutidas na própria vida do estudante.

Então como deve ele usá-las ? Como deve ele misturar a vida delas à sua ? A maneira ideal é a contemplação, mas esta envolve iniciação de um grau tão elevado que é impossível descrever o método aqui, não sendo este, tampouco, nem atraente nem adequado à maioria das pessoas. A maneira prática e ordinária é a adivinhação.

O método técnico tradicional de adivinhação pelo Tarô se segue, tendo sido extraído de O Equinócio, vol. I, n. 8, e sua publicação é autorizada por Frater O. M.  Adeptus Exemptus.



A  Significadora

1. Escolha uma carta para representar o consulente, fazendo uso do teu conhecimento ou tua avaliação mais de seu caráter do que se apoiando em suas características  físicas.

2. Tome as cartas em tua mão esquerda. Na mão direita empunhe o bastão sobre elas e diga: Invoco a ti,  I A O para que envies  H R U, o grande Anjo que preside às operações desta  Sabedoria Secreta para que ele pouse sua mão invisivelmente sobre estas consagradas cartas da arte, que por meio disso possamos obter conhecimento verdadeiro de coisas ocultas, para a glória de teu  Nome inefável. Amém.

3. Entregue as cartas ao consulente e convide-o a  pensar na indagação atentamente e fazer o corte.

4. Pegue as cartas tal como cortadas e as retenha para o procedimento subseqüente.

Primeira operação

Esta mostra a situação do consulente na ocasião na qual ele o está consultando.

1. As cartas estando à tua frente, faça um corte colocando a metade do alto à esquerda.

2. Faça dois novos cortes, um para cada pilha de cartas, da direita para esquerda.

3. Estas quatro pilhas de cartas representam  I H V H, da direita para a esquerda.

4. Encontre a carta significadora. Se ela estiver no maço da Yod, a indagação se refere a trabalho, negócios, etc.; se estiver no maço da Hé, refere-se a amor, casamento ou prazer; se estiver no maço da Vau, a indagação se refere a problemas, perda, escândalo, brigas, etc; se estiver no maço da Hé final, a indagação se refere a dinheiro, bens e assuntos puramente materiais.

5. Pergunte ao consulente o objeto de sua indagação: se errado, abandone a adivinhação.

6. Se certo, espalhe o maço que contém a significadora, com a face para cima. 
Compute as cartas a partir do consulente na direção em que ele as observa. 
O cômputo deve incluir a carta a partir da qual você o iniciou. 
No caso de Cavaleiros, Rainhas e Príncipes, conte 4. 
No caso de Princesas, conte 7. 
No caso de Ases, conte 11.
No caso de cartas menores, compute de acordo com o número. 
No caso de trunfos, conte 3 quando se tratar de trunfos dos elementos; 9 quando se tratar de trunfos planetários;   
12 quando se tratar de trunfos zodiacais.
Componha uma “história” destas cartas. Esta história é aquela do início da questão.

7. Emparelhe as cartas de cada lado da significadora, em seguida as externas e assim por diante. Componha uma outra “história”, que deve suprir os detalhes omitidos na primeira.

8. Se tal história não for absolutamente precisa, não desanime. Talvez o próprio consulente não saiba de tudo. Mas as linhas principais devem ser formuladas com firmeza, com retidão, ou a adivinhação deve ser abandonada.

Segunda operação - Desenvolvimento da Questão

1. Embaralhe as cartas, faça a invocação adequadamente, e deixe que o consulente faça o corte como antes.

2. Distribua as cartas em doze pilhas, para as doze casas astrológicas do céu.

3. Decida-se quanto à pilha em que deverá ser encontrada a significadora, por exemplo, na sétima casa se a questão disser respeito a casamento, e assim por diante.

4.  Examine a pilha escolhida. Se a significadora não estiver aí, tente uma casa cognata. Em caso de não encontrar novamente a significadora, abandone a adinhação.

5. Faça a leitura da pilha, computando e emparelhando as cartas como antes.

Terceira Operação - Mais um Desenvolvimento da Questão

1. Embaralhe, etc., como antes.

2. Distribua as cartas em doze pilhas para os doze signos do zodíaco.

3. Faça a adivinhação das pilhas apropriadas e proceda como antes.

Quarta operação - Penúltimos Aspectos da Questão

1. Embaralhe, etc., como antes.

2. Encontre a significadora. Coloque-a sobre a mesa. Faça com que as trinta e seis cartas seguintes formem um círculo em torno dela.

3. Compute e emparelhe as cartas como antes.

(Note que a  natureza de cada decanato é mostrada pela carta menor atribuída a ele e pelos símbolos dados em  Liber DCCLXXVII, cols. 149-151). 

Quinta Operação - Resultado Final

1. Embaralhe, etc., como antes.

2. Distribua as cartas em dez pilhas na forma da Árvore da Vida.

3. Decida-se quanto à  pilha em que deva estar a significadora, tal como antes, mas o insucesso neste caso não implica necessariamente na perda da adivinhação.

4. Compute e emparelhe as cartas como antes.

(Note que não se é capaz de dizer em que parte da adivinhação ocorre o tempo presente. Geralmente Op. I parece indicar a história passada da questão, mas nem sempre. A experiência ensinará. Às vezes uma nova corrente de grande ajuda pode mostrar o momento da consulta.

Devo acrescentar que em assuntos materiais este método se revela extremamente valioso. Tenho sido capaz de resolver os problemas mais complexos nos mínimos detalhes.  O. M.)

É absolutamente impossível obter resultados satisfatórios deste ou de qualquer outro sistema de adivinhação sem a  necessária e perfeita presença da  Arte. Trata-se do mais sensível, difícil e perigoso ramo da magia. As condições necessárias, acompanhadas de um amplo exame comparativo de todos os importantes métodos em uso, são descritas e discutidas em detalhe em  Magick, capítulo XVII.

O abuso da adivinhação tem sido responsável, mais do que qualquer outra causa, pelo descrédito de que toda a matéria da magia se tornou alvo, quando Mestre Therion empreendeu a tarefa de sua reabilitação. Aqueles que não dão importância a suas advertências e profanam o Santuário da Alta Magia não terão senão a si mesmos para se culpar pelos desastres formidáveis e irremediáveis que os destruirão infalivelmente. Próspero é a resposta de Shakespeare ao Dr. Fausto.



Características dos Trunfos Quando são Usados

0
CONHECE O NADA ! 
TODOS OS CAMINHOS SÃO LÍCITOS À INOCÊNCIA.
A LOUCURA PURA É A CHAVE DA INICIAÇÃO.
O SILÊNCIO ROMPE O ARREBATAMENTO.
NÃO SÊ HOMEM OU MULHER, MAS AMBOS EM UM.
SÊ SILENTE, BEBÊ NO OVO AZUL, QUE TU 
POSSAS CRESCER PARA PORTAR A LANÇA E O GRAAL !
PERAMBULA SÓ, E CANTA ! NO PALÁCIO DO REI 
SUA FILHA ESPERA POR TI.

Em assuntos espirituais, O Louco significa idéia, pensamento, espiritualidade, aquilo que se empenha para transcender a terra. Nos assuntos materiais ele pode, se mal dignificado, significar loucura, excentricidade ou mesmo mania.

Mas esta carta essencialmente representa um impulso ou impacto original, sutil, súbito que provém de uma região completamente estranha.

Todos esses impulsos são corretos, se corretamente recebidos e a boa ou má interpretação da carta depende inteiramente da atitude correta do consulente.

I
O Verdadeiro Eu é o significado da Vontade Verdadeira: 
conhece a Ti mesmo mediante Teu Caminho.
Calcula bem a Fórmula de Teu Caminho.
Cria livremente; absorve jubilosamente; divide intencionalmente;
consolida completamente. 
Trabalha, Onipotente, Oniciente, Onipresente,
na e para a Eternidade.

Perícia, sabedoria, habilidade, elasticidade, artifício, astúcia, engano, furto. Por vezes sabedoria ou poder ocultos, por vezes um rápido impulso, “uma onda cerebral”. Pode implicar em mensagens, transações de negócios, a interferência do saber ou a inteligência no assunto à mão.

II
Pureza é viver somente para o Supremo; e o 
Supremo é Tudo; sê tu como Ártemis para Pã.  
Lê no Livro da Lei, e atravessa o 
véu da Virgem.

Pura, exaltada e graciosa influência penetra a matéria. Por conseqüência, mudança, alternância, aumento e diminuição, flutuação. Há, entretanto, uma suscetibilidade de ser levado pelo entusiasmo; pode-se ficar “lunático” a não ser que se mantenha cuidadoso equilíbrio.

III
Esta é a Harmonia do Universo, que o Amor
una a Vontade para criar com a Compreensão
daquela Criação: compreende tua própria 
Vontade. 
Ama e deixa amar. Regozija em toda forma do amor,
e obtém teu êxtase e teu alimento dela.

Amor, beleza, felicidade, prazer, sucesso, realização, boa fortuna, cortesia, elegância, volúpia, ociosidade, dissipação, deboche, amizade, gentileza, deleite.

IV
Verte água sobre ti mesmo: assim serás 
uma Fonte para o Universo.
Descobre tu mesmo em toda Estrela.
Conquista toda possibilidade.

Guerra, conquista, vitória, conflito, ambição, originalidade, confiança jactanciosa e megalomania, inclinação à disputa, energia, vigor, teimosia, impraticabilidade, precipitação, mal-humor.

V
Oferece a ti mesmo Virgem ao Conhecimento e Conversação 
de teu Santo Anjo Guardião. Tudo o mais é uma cilada.
Sê atleta com os oito membros da Yoga: pois sem estes 
não estás disciplinado para nenhuma luta.

Força obstinada, labuta, resistência, placidez, manifestação, explicação, ensino, bondade, ajuda dos superiores, paciência, organização, paz.

VI
O Oráculo dos Deuses é a Voz de Criança do Amor
em Tua própria Alma; ouve-o.
Não dá atenção à Voz-Sereia do Sentido, ou à Voz-
Fantasma da Razão: repousa na Simplicidade e escuta
o Silêncio.

Abertura à inspiração, intuição, inteligência, segunda visão, infantilidade, frivolidade, pensamento divorciado das considerações práticas, indecisão, auto-contradição, união em grau superficial com os outros, instabilidade, contradição, trivialidade, o “sabichão”.

VII
A Questão do Abutre, Dois-em-Um, comunicada;
esta é a Carruagem do Poder.
TRINC: o último oráculo.

Triunfo, vitória, esperança, memória, digestão, violência na manutenção de idéias tradicionais, o “duro de matar”, desumanidade, desejo de destruição, obediência, fidelidade, autoridade sob autoridade.

VIII
Equilibra em relação a cada pensamento seu exato oposto.
Pois o Casamento destes é o Aniquilamento da Ilusão.

Justiça, ou melhor  justesse, o ato do Ajustamento, suspensão de toda ação aguardando decisão; em assuntos materiais pode se referir a ações judiciais ou  processos. Socialmente, casamento ou  contratos de casamento; politicamente, tratados.

IX
Perambula só; portando a Luz e teu Cajado.
E seja a Luz tão resplandecente que nenhum homem te veja.
Não se comove com o que quer que seja externa ou internamente:
mantém o Silêncio em todos os caminhos.

Iluminação proveniente do interior, impulso secreto do interior; planos práticos derivados em conformidade com isso. Afastamento da participação nos acontecimentos correntes.

X
Segue tua Fortuna, despreocupado para onde ela te leva.
O eixo não se move: atinge isso.

Mudança de fortuna (o que geralmente significa boa fortuna porque o fato da consulta implica em ansiedade ou descontentamento).

XI
Abranda a Energia com Amor; mas deixa o Amor devorar 
todas as coisas. 
Venera o nome ______,  quadrado, místico,
maravilhoso, e o nome de Sua Casa 418.

Coragem, força, energia e ação,  une grande passion; refúgio da magia, o uso de poder mágico.

XII
Não permite que as águas em que viajas te banhem.
E, tendo chegado à praia, planta a
Vinha e regozija sem pudor.

Sacrifício imposto, castigo, perda fatal ou voluntária, sofrimento, derrota, fracasso, morte.

XIII
O  Universo é Mudança; toda Mudança é o 
efeito de um Ato de Amor; todos os Atos de Amor contêm 
Alegria Pura. Morre diariamente. 
A  morte é o ápice de uma curva da Vida-serpente:
contempla todos os opostos como complementos necessários,
e regozija.

Transformação, mudança, voluntária ou involuntária, num caso ou  outro desenvolvimento lógico das condições existentes, ainda que talvez súbito e inesperado. Morte ou destruição aparente, embora esta interpretação seja ilusão.

XIV
Verte o teu todo livremente do Vaso em tua mão
direita e não perde gota alguma. Não tem a tua mão esquerda
um vaso ? 
Transmuta tudo integralmente na Imagem de tua Vontade,
trazendo cada um ao seu verdadeiro símbolo de Perfeição.
Dissolve a Pérola na taça de vinho; bebe e
torna manifesta a Virtude dessa Pérola.

Combinação de forças, realização, ação baseada em cálculo preciso; o caminho da fuga, sucesso depois de manobras elaboradas.

XV
Com teu Olho direito cria tudo para ti mesmo, e com 
o esquerdo aceita tudo que seja criado de outra maneira.

Impulso cego, irresistivelmente forte e inescrupuloso, ambição, tentação, obsessão, plano secreto prestes a ser executado; trabalho duro, obstinação, rigidez, descontentamento doloroso, resistência.

XVI
Derruba a fortaleza de teu Eu Individual
de modo que tua Verdade possa brotar livre 
das ruínas.

Disputa, combate, perigo, ruína, destruição de planos, morte súbita, fuga da prisão.

XVII
Usa toda tua energia para governar teu pensamento: queima 
teu pensamento como a Fênix.

Esperança, ajuda inesperada, clareza de visão, realização de possibilidades, discernimento espiritual com maus aspectos, erro de julgamento, devaneio, desapontamento.

XVIII
Deixa a Ilusão do Mundo passar por ti, despercebida,
à medida que caminhas da Meia-noite para 
a Manhã.

Ilusão, engano, confusão, histeria, mesmo insanidade, devaneio, falsidade, erro, crise, “a hora mais negra antes da aurora”, a iminência de mudança importante.

XIX
Emite tua luz a todos sem dúvida;
as nuvens e sombras não importam para ti.
Faz do Discurso e do Silêncio, da Energia e da Quietude
formas gêmeas do teu  jogo.

Glória, ganho, riquezas, triunfo, prazer, franqueza, verdade, despudor, arrogância, vaidade, manifestação, recuperação da doença, mas por vezes morte súbita.

XX
Seja todo Ato um Ato de Amor e de Veneração.
Seja todo Ato o Fiat de um Deus.
Seja todo Ato uma Fonte de irradiante Glória.

Decisão final com respeito ao passado, corrente nova com respeito ao futuro; representa sempre a tomada de um passo definido.

XXI
Trata o tempo e todas as condições do Evento como Servos
de tua Vontade, designados para apresentar o Universo a
ti  sob  a  forma  de  teu  Plano.
E : bênção e adoração ao profeta da
graciosa Estrela.

O assunto da própria questão, síntese, o desfecho da matéria; pode significar demora, oposição, obstinação, inércia, paciência, perseverança, teimosia persistente na dificuldade. A cristalização de toda a matéria envolvida.



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Uma biblioteca para os Cartomantes

Olá pessoal. Seguem, abaixo, diversos livros (e-books), alguns completos, outros apenas para degustação, com conteúdos relevantes à nossa prática. Não efetuarei, por ora, resenhas como de costume; contudo, ficam os links para próximas Conversas.
Ah, um adendo: caso alguém já tenha lido um desses livros, ou tenha alguma referência a oferecer, será bem vindo nesse momento... Será bem vindo, na verdade, a qualquer momento. ^^

Abraços a todos.





Old Gipsy's Dream Book and Fortune Teller and Napoleon's Book of Fate




Let me tell your Fortune




The Complete Book of Tarot Reversals





Complete Book of the Occult and Fortune Telling




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Livro: O Tarô Sagrado dos Orixás, de Zolrak

Interessante perspectiva, que terei de analisar junto com vocês; o único baralho dos Orixás que eu conheci, fora as atribuições dadas à algumas cartas do Baralho Cigano/ Petit Lenormand, é o da Editora Pallas, da autoria de Eneida Duarte Gaspar. Mergulhemos juntos!
Segue o link.


Livro: Tarô: A Magia dos Ciganos, de Naldo de Oliveira

Um dos autores do início da década de 1990, Naldo de Oliveira propõe um sistema de jogo singular, que acredito ser válido para a análise e leitura; contudo, não corresponde aos sistemas vindos posteriormente, o que pode causar certa apreensão no leitor. É, ao meu ver, um excelente livro, que nos mostra que existem perspectivas para além das atualmente sedimentadas como "oficiais".
Recomendado para reflexão.
Segue o link.

Livro: Cartas Ciganas: a Estrada da Vida





Olá pessoal. Encontrei esse livro, de Margarita Fasanella Martinez, em uma pesquisa para um artigo que estou escrevendo e, considerando o assunto pertinente, compartilho meu achado com vocês. À medida em que for achando novas obras, vou adicionando seus respectivos links ao blog para ampliarmos nossas referências. Afinal de contas, ainda que única, a Cartomancia bebe de diversas fontes e sobrevive de seus diversos intérpretes.
Abraços a todos.
Segue o link.

domingo, 12 de setembro de 2010

Oficina: Livro artesanal



Olá pessoal. A Lunna Guedes, grande amiga aqui do Conversas, está oferecendo a presente oficina, de desenvolvimento de um projeto pessoal de encadernação. A partir de um método clássico, serão produzidos livros e cadernos personalizados. Gostaria de produzir um para a Cartomancia... Encontrei um material muito bacana para um Caderno de Jogos, e assim que tiver tempo, o produzirei e posto as fotos.
De mais a mais, meu Grimoire está precisando de um novo volume, pois o atual só tem dez folhas...
Mas fica aqui meu convite para quem puder participar de tão magnífico trabalho.
Abraços a todos.




Utilizando papel sulfite, agulha, linha, fita, cola e lixa de unha, a escritora e poeta Lunna Guedes vai ensinar os participantes e fazerem um livro artesanal. A oficina terá 03 (três) dias de duração, onde cada participante terá a oportunidade de construir de maneira particular seu próprio livro envolvendo técnicas de encadernação clássica.


Partindo da estrutura básica até o acabamento, a oficina irá apresentar as técnicas necessárias para iniciar-se nas “artes do livro”.




O conteúdo de cada livro ficará a cargo de cada um dos participantes que podem levar manuscritos que queiram encadernar ou apenas imaginar que as folhas em branco contêm informações. Se o participante pretende fazer um livro de receitas, de poesias, músicas, basta levar o material selecionado.

sábado, 11 de setembro de 2010

Um sumiço. Algodão. E a Cartomancia.

Olá pessoal. estava já com saudades.
Escrevi diversos posts nesse tempo em que estive longe aos poucos, vou colocando-os online para nossas conversas continuarem. Mas hoje, em especial, quero falar de uma sincronicidade em especial.

Estou dando aulas em uma escola durante a manhã, e trabalhando no setor de fiscalização da prefeitura de Cambuquira, à tarde. Em Cambuquira, são muito comuns os jardins, e são belos jardins. Sentia muita falta de jardins, já que a proposta arquitetônica de Ouro Preto e de Mariana não permitia jardins externos nos centros históricos. Creio que o restante da população se adequava e também não produzia seus próprios jardins.
Já em Cambuquira, não vi casa sem jardim. E, claro, o Parque das Águas, ainda que em reformas, é um capítulo à parte.


Nas minhas andanças para o trabalho de fiscalização, vi diversos jardins externos com pés de algodão (Gossypium religiosum). É muito bonito; por fotos, temos idéia, mas a planta ali, à nossa frente, é outra coisa. E mais: vivendo como vivemos, que frango vem em pacote, e vaca só se for de caixinha, juro que, ao tocar o algodão, foi estranho perceber que sua textura é semelhante ao... tecido de algodão!
Há pouco, aproveitando a energia da Lua Nova às vésperas do Equinócio, fiz um ritual a Gaea com as sementes de algodão que colhi. Foi muito forte o sentir do pulsar da Terra enquanto absorvia a Água, o Ar e o Fogo do Sol. É um ritual muito simples, mas muito forte, que eu retirei do Livro dos Rituais para o meu Grimoire: 
Com algum fruto ou semente (a proposta inicial é uma maçã, por todo o conteúdo simbólico que ela possui; contudo, acredito que qualquer vegetal é sagrado, e qualquer um servirá ao propósito, desde que o operador se conecte com sua energia específica), abra uma vala na terra, com todo o carinho; sinta a terra cedendo ao esforço de produzir, e veja como isso é semlhante ao nosso próprio esforço em concretizar nossa prosperidade e segurança; umedeça a Terra, caso ela esteja muito seca, para facilitar o processo (estamos numa fase de estiagem aqui no Sul de Minas... a Tarra anda bem seca). Olhe para o fruto ou para as semente: ali se guarda um ser completo, aguardando sua chance de seguir em frente e ofertar sua sabedoria ao mudo. Coloque o fruto ou as sementes na Terra, com gratidão ao Planeta, tape o buraco, e oferte um pouco da sua energia psíquica ao processo de germinação. Casodeseje, pode fazer uma libação de vinho.
É simples, eu sei; mas é muito forte...
Depois do ritual, vim procurar informações sobre o Algodão. Acredito (e, caso algum terapeuta floral possa confirmar), que esse floral sirva à nossa prática também, limpando e filtrando nossos canais psíquicos.


Nos Florais de Saint Germain, "o floral Algodão trabalha a visão e a audição no nível da alma. Faz a limpeza, remove obstáculos (bloqueios) em nossa audição suprafísica. Refaz a conexão de nossa personalidade com nosso Eu Superior. Essência floral benéfica para pessoas que ocupam cargos em posição de comando: governantes, líderes revolucionários, líderes políticos, dirigentes sindicais, etc. Atua também em nossos corpos físico e sutis, costurando rombos em nossa aura causados por traumas físicos e psíquicos, ou produzidos pela mediunidade forçada e não natural no indivíduo. Na fitoterapia o Algodão é usado nas afecções do ouvido, combate algumas doenças de pele: espinhas, cravos, herpes, bouba (doença infecciosa causada pelo Treponema pertenue), cura feridas (também uso tópico), alivia dores de queimaduras. Combate enfermidades próprias da mulher: ausência de menstruação, menstruação dolorosa, hemorragia do pós-parto, inflamação do útero e do ovário. Provoca contrações uterinas nas retenções de placenta, devolvendo às paredes do útero suas funções naturais. É eficiente na expectoração com sangue, combate as hemorragias, favorece a digestão, é auxiliar nas afecções e no funcionamento das vias urinárias. Tem propriedades diuréticas, atua contra os catarros, desinteria, diarréia e enterite."

terça-feira, 3 de agosto de 2010

My Blueberry Nights

SINOPSE: Aplaudido de pé pelos críticos e pelo público que se emociona e torce pela vitória do amor, Um Beijo Roubado é um dos filmes mais bonitos do ano. Dirigido com sensibilidade e muita criatividade por WONG KAR WAI, o badalado cineasta de "Amor à Flor da Pele" e "2046 - Segredos do Amor". A vida de Jeremy (Jude Law, de O Talentoso Ripley), dono de um charmoso café, muda radicalmente quando ele recebe a visita de Elizabeth (a cantora Norah Jones), uma jovem de coração partido com quem conversa noites adentro. Em busca de um novo rumo, Elizabeth (a cantora Norah Jones), uma jovem de coração partido com quem conversa noites adentro. Em busca de um novo rumo, Elizabeth parte em viagem através dos EUA, onde faz amizades com um policial (David Strathairn, indicado ao Oscar de Melhor Ator por Boa Noite Boa Sorte) que não consegue esquecer a ex-mulher (Rachel Weisz, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por O Jardineiro Fiel) e uma sexy jogadora de cartas (Natalie Portman, a rainha Amidala de Star Wars), Jeremy, muito apaixonado, acompanha a jornada desesperadamente através de telefonemas e cartas. Com fantástica trilha sonora de Cat Power (que faz uma participação no filme), Norah Jones, Ry Cooder, Otis Redding, Cassandra Wilson, Gustavo Santaolla, entre outros.


Olá pessoal. Promessa é dívida e, depois de muito tempo e desejo, a @railamoccelin, lembrando-se de mim, conseguiu para mim o filme da Norah Jones... My Blueberry Nights.
Confesso que a ansiedade atrapalhou um pouco. Por isso, no meio do filme, parei, fui fazer outras coisas, pensar um pouco na vida... Qualquer coisa. Depois, mais calmo e menos crítico, pude sentir o prazer de assistir sem julgar, pelo usufruto do momento.



Embora eu achasse que a Norah Jones roubaria a cena o tempo todo (pelo menos para mim...), não foi isso que aconteceu. Seus (des)encontros são cômicos e apontam para uma pureza (eu ouvi Dawson's Creek?) que o "The Fall" fez com que caísse por terra (já vimos isso antes com a Britney Spears e com a Sandy...)

Sometimes we depend on other people as a mirror to define us and tell us who we are. And each reflection makes me like myself a little more.




O Jude Law, como Jeremy, me fez sorrir o tempo todo. Ter um café onde eu pudesse cozinhar e ouvir vidas...? Que bacana!
Mas não sei se me entregaria à espera por alguém de forma tão passiva...



Mas... Para mim, não há quem supere, nesse filme, a interpretação de Natalie Portman, que, de forma incisiva e cortante como um estilete,  me remeteu a um dos meus maiores medos na minha arte: a charlatanice.


Ela lê as pessoas mais que as cartas. Tá certo que estamos falando de Poker e não de Cartomancia; mas quem poderia me dizer que em Cartomancia isso não seria possível?



Trust everyone but always cut the cards.





De qualquer forma, seu olhar incisivo como um punhal me remete à minha própria postura diante das cartas: eu raramente olho meus consulentes. Não é por vergonha ou qualquer coisa do gênero; eu fico tão absorto com as cartas que não olho muito pro comportamento do consulente, a menos que o sinta desconfortável com a consulta. Talvez uma forma de me resguardar de qualquer interpretação dúbia, talvez porque a mandala à minha frente é mais importante do que qualquer outra coisa, naquele momento.

Alguns diálogos são muito sugestivos. (Fique tranquil@; não chegam a ser spoilers.)



- Where are the keys? You don't keep them anymore?
- (I) Been trying to give them back to their owners.
- Do you want yours?
- No. I don't need them anymore. What about your keys?
- I got rid of them. 




It wasn't so hard to cross that street after all. It all depends on who's waiting for you on the other side.

Bom saber que o Jude Law e Natalie Portman se recuperam em Closer... E me resta torcer que a Norah Jones se aventure novamente.


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Novo livro de Tarot: Cartas na Mesa, de Kelma Mazziero




Olá pessoal. Esse é o resultado do trabalho de 78 semanas da Kelma Mazziero. Taróloga, responsável pelo site Tarô Virtual e pelo blog Cartas na Mesa Creio que o trabalho dela seja do conhecimento de muitos de vocês; caso não o conheça, essa é a melhor chance! 
Muito bacana, acompanhei as semanas de trabalho e agora, ver o resultado em e-book, é tão prazeroso para mim como deve ter sido para ela!
Parabéns Kelma! Aproveitem, amigos!
Até o próximo post.

sábado, 31 de julho de 2010

Considerações e comemorações: Um ano de Conversas Cartomânticas.



Olá pessoal. Quase passa em brancas nuvens o fato de já estarmos há um ano juntos!
Dia 17 deste mês, completamos um ano de Conversas Cartomânticas. Ano este em que eu cresci muito, pensando no que dizer, em como dizer, e refletindo na minha experiência o desejo de partilhar o que sei em relação às cartas. Como não canso de dizer, valeu, Alex, por me pedir para voltar a escrever! São 196 postagens, 20307 visitantes, 67 seguidores. Impensável quando comecei a escrever. Fato consumado, hoje. E a intenção é continuar crescendo. Vamos alcançar os 100 seguidores até o fim desse ano! ^^



Dia 20 comemoramos o Dia do Amigo. E como sou feliz por ter feito tantos novos amigos (embora eu seja péssimo no #followfriday, sei que as pessoas tem sido muito generosas comigo nesse sentido). Novos jogos, novas perspectivas, novos clientes... Todos buscando a mesma coisa: equilíbrio e fé no porvir.
Amigos, velhos como um bom vinho ou novos como a aurora de hoje cedo: obrigado por sua presença em minha vida.



Dia 26 comemoramos o dia da Avó, foi a comemoração de Nossa Senhora Sant'Ana (por vezes de São Joaquim, também), e, nos círculos afro-brasileiros, a comemoração de Nanã Burukê, a regente da carta 09 do baralho dito Cigano. Fui muito feliz nesse dia com minha avó, ainda que não tenhamos aberto um baralho...
E hoje comemoramos o dia do Orgasmo.



Segundo Carmita Albdo, para a IstoÉ Gente, "O Dia Mundial do Orgasmo foi criado há quatro anos, na Inglaterra, por redes de sex shops. Pesquisas feitas por essas lojas revelaram que 80% das mulheres inglesas não atingem o clímax em suas relações. Em termos de insatisfação sexual, os brasileiros não ficam longe. A presença ostensiva de sexo na tevê sugere um povo versado e realizado sobre o assunto, fantasia esta, porém, que não condiz com a realidade. Estudo conduzido pelo Projeto de Sexualidade da USP (ProSex) detectou que 50% das brasileiras têm problemas com a ausência de desejo, falta de orgasmo, dificuldade de excitação ou dor durante a penetração – algumas delas têm mais de uma queixa. Um paradoxo num país com sexo tão presente no cotidiano. Os homens brasileiros também têm problemas. Cerca de 12 milhões deles sofrem de alguma disfunção sexual e é certo que a insatisfação nesta área sinaliza algum problema de saúde e contribui para conflitos do casal."
E a autora continua: 
"A proposta do Dia do Orgasmo não tem como finalidade decretar mais um feriado, mas debater o assunto nas diversas esferas sociais. Isso inclui a instituição de educação sexual de qualidade nas escolas, mais consciência quanto ao uso de preservativos e mais esclarecimento sobre as causas da falta de desejo sexual e da disfunção erétil. Não há justificativa para a perpetuação de problemas que podem e devem ser resolvidos. E o principal remédio ainda é a discussão franca e isenta de preconceitos."
Seguem aqui algumas dicas do Portal Terra.



Enfim, diversas comemorações passaram, mas ao fim e ao cabo, minha felicidade é saber que posso partilhar com vocês conversas importantes em tão sem importância quanto um fim de tarde de pernas pro ar.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

As Cartas Fênix



Olá pessoal. Travei contato, recentemente, com um oráculo bem interessante: as Cartas Fênix, que propõem o (re)encontro com sua(s) vida(s) passada(s). São 28 lâminas, que perpassam a história da humanidade e aproximam o operador de alguma de suas passagens pelo planeta - talvez a mais importante para a compreensão do momento atual de sua vida.
Achei o texto um pouco tendencioso. Logicamente, se você procura um caminho espiritual, é porque tem questões a responder, independente da vida em que estiver! Mas acho válido o oráculo, por possuir uma simbologia rica relacionada com diversas culturas; nos prepara, inclusive, para certos insights relacionados com o Tarot.
As cartas são:

I. Desenho Zen-budista.
II. Roda Mágica das Prairie Plains.
III. Feiticeiro pré-histórico.
IV. Sacerdote Jaguar Maia.
V. Deusa Egípcia Buto.
VI. Efígie da Mão dos Construtores de Túmulos (sul de Ohio)
VII. Amuleto Cigano.
VIII. Bracelete Persa.
IX. Amuleto Romano de Mão
X. Máscara Jukun de Akuma (não, não é aquele do Street Fighter) (África)
XI. Deusa Iugoslava da Terra.
XII. Pedra Viking das Runas.
XIII. Urso Chinês.
XIV. Dançarina Elisabetana.
XV. Espelho Celta.
XVI. Anjo Renascentista.
XVII. Pintura Aborígene em Couro.
XVIII. Shiva Hindu.
XIX. Pintura Grega.
XX. Iluminura Medieval
XXI. Catedral Russa Bizantina.
XXII. Crescente e Estrela do Islamismo.
XXIII. Pintura em Antiga Catacumba Cristã.
XXIV. Sumo Sacerdote Hebreu.
XXV. A Deusa Havaiana Pele.
XXVI. O Tamborete Sagrado Achanti (África)
XXVII. Máscara Kachina dos Hopis (Sudoeste americano)
XXVIII. Símbolo ocidental contemporâneo.

Relacionadas a períodos, locais e personalidades diferentes, as Cartas Fênix servem como panorama de um problema bem mais complexo, que é a influência das vidas passadas no presente do indivíduo. 

Particularmente, sinto-me mais à vontade de lidar com esse aspecto no Petit Lenormand, quando as cartas 09 e 08 estão combinadas; algo do passado do consulente emergirá, e pode, dependendo da conjuntura das cartas, ser algo de longa, longa data.
Caso alguém tenha experiência com essas cartas, seria muito generosa em partilhar conosco.
Abraços a todos.

SHEPPARD, Susan. As Cartas Fênix: Um novo método para você descobrir os aspectos positivos de suas vidas passadas. Tradução de Heloysa de Lima Dantas, ilustrações de Tony Taylor. São Paulo: Pensamento, 1993. Acompanhado de 28 cartas coloridas.




O livro e o baralho Wicca e meu jogo semestral


Olá pessoal. Adquiri, recentemente - e novamente (o primeiro eu dei de presente), o Livro e o Baralho Wicca, da Sally Morningstar (Ed. Pensamento). O livro, acompanhado de 42 cartas, esteve comigo no meu período de Neófito na Bruxaria (isso lá pra 2003, realmente não me lembro).
É um belíssimo baralho. Belíssimo mesmo. Suas cartas representam Deuses, apetrechos e atos do cotidiano da Wicca. É muito didático para quem está começando, ainda que não represente uma síntese dos estudos, mas o começo dos mesmos. (Aqui temos uma apresentação das cartas, por Cacilda Guerra)
Outra coisa importante: Sally não denomina (abençoada seja) seu baralho como um Tarot!
Senti muita falta desse baralho. Mas, sobretudo, do jogo que ele possui, de sete cartas. Adaptei-o para o Marselha e o faço há alguns anos, semestralmente; assusta o grau de acerto que ele possui.
O jogo chama-se Sequência da Estrela e compõe-se por sete cartas, formando um hexagrama com uma carta ao centro. Os planetas estão organizados conforme o hexagrama presente no centro da Árvore da Vida cabalística, então não é muito difícil conseguir um diagrama semelhante. As cartas significam:


1 - SATURNO. As restrições que você ou o ambiente lhe propõem no período do jogo.
2 - LUA. Os fatores inconscientes e as influências da programação infantil, do atual mundo interior.
3 - MERCÚRIO. As lições que serão aprendidas no período concernente ao jogo; revela o seu potencial.
4 - JÚPITER. Representa as forças que o ampararão e aonde buscar ajuda. Representa também o que pode estar bloqueando seu caminho.
5 - VÊNUS. O caminho da beleza. O compartilhar, o dar e receber. o seu Dom.
6 - MARTE. A ação efetiva necessária no período do jogo.
7 - SOL. Síntese do jogo e questão central que norteia o desenvolvimento das questões periféricas.
Nessas sete posições eu coloco os Arcanos Maiores. Depois dessas, embaralho os Arcanos Menores, selecionando seis - um para cada mês do porvir.
Faço esse jogo, naturalmente, duas vezes por ano: uma no dia 31 de dezembro e outra no dia 30 de junho.
Além de ser muito claro, ainda me auxilia nos estudos dos Arcanos Menores - tenho um mês para experimentar cada um deles, um por vez.
Para todos os Wiccanos, Bruxos ou interessados no Caminho Pagão, recomendo o livro. Para todos os Cartomantes, recomendo o jogo.
Abraços a todos.

Ficha catalográfica: MORNINGSTAR, Sally. O livro e o baralho wicca: dê um toque de magia à sua vida. 5 ed. Tradução de Denise de C. Rocha Delela, ilustrações de Danuta Mayer. São Paulo: Pensamento, 2008. 128 p. Acompanhado de 42 cartas coloridas.  

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Organizando o baralho de Tarot

Olá pessoal.
Cada baralho, para mim, possui uma especificidade de vocabulário. Contudo, todos falarão sobre os temas que o consulente precisa entender. A minha escolha decorre do vocabulário que considero mais adequado à compreensão do consulente.
Mas, pensando no uso do Tarot e dialogando com o post anterior, gostaria de falar um pouco sobre as diferentes formas de se utilizar o grupo de cartas que forma este baralho, especificamente. Afinal de contas, da forma de utilização deriva a denominação...



22 cartas: É o costumeiro para iniciantes, ou para aqueles que tem alguma dificuldade com os Arcanos Menores. Das informações oriundas do nome, do número e da imagem dos 22 Arcanos são hauridas as principais leituras. Utilizo essa estrutura em jogos de emergência, quando quero uma resposta rápida. Existem cartomantes que se especializam no uso desse grupo e conseguem respostas precisas, que eu conseguiria com o uso do grupo todo – Arcanos Maiores e Menores.
Por vezes, deixo os Arcanos Menores de lado apenas para treinar a Visão do cotidiano aplicada aos Arcanos Maiores.



42 cartas: Não é muito usual, mas considero uma alternativa de transição para o baralho completo. São utilizados, além dos 22 Arcanos Maiores, a Corte – Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete – somados ao Ás de cada naipe. Dessa forma, os personagens da Corte representam pessoas ou situações, e os Ases a plenitude da informação oriunda do naipe. No Brasil, tenho conhecimento de dois baralhos editados dessa forma: O Tarô Místico, da Celina Fioravanti, e o Tarô dos Anjos, da Monica Buonfiglio. Nenhuma das duas autoras remetem esse jogo a uma tradição ou a uma edição anterior em sua bibliografia, embora afirmem que seus respectivos baralhos são cabalísticos; não sei a procedência dessa forma de organizar as cartas, do que conheço das relações entre Tarot e Cabala. Não acredito, por falta de referências, que esta organização seja legitimamente brasileira. Utilizo o método apenas quando trabalho com os referidos baralhos.
Nota em 27 de março de 2011. Tendo ganho o Tarot Visconti-Sforza, tive o primeiro contato com essa forma de organizar o maço de cartas, de origem internacional. Stuart Kaplan sugere o uso das 42 cartas para a Cruz Celta, ou jogo de 10 cartas. 



56 cartas: Quando são utilizados apenas os Arcanos Menores. Nunca usei; quem aponta para este uso é a Patricia Fernandes. Quando é para usar as cartas ligadas ao cotidiano, prefiro usar o Baralho Inglês (nossas cartas comuns de jogar), de 52 cartas (quando usamos os significados das cartas de Tarot para as cartas de jogar, os significados do Cavaleiro se diluem entre o Rei e o Valete), ou o Baralho Francês, de 32 cartas (que possui significados levemente diferentes). Como já disse antes, não sei utilizar o Baralho Espanhol... ainda. E não possuo (ainda) o Grand Jeu de Mlle. Lenormand.



78 cartas: a forma mais completa de usar o Tarot, com seus 22 Arcanos Maiores e 56 Menores. A forma que eu utilizo correntemente, quando a edição do baralho permite. Dividindo os naipes em temas, e tomando os Arcanos Maiores como as lições a aprender, temos um panorama completo da vida do consulente com extrema precisão e máxima facilidade. É um pouco difícil guardar os principais significados de cada carta, sobretudo das cartas numeradas do Tarot de Marselha; devido a esse fato, temos hoje em dia baralhos com ilustrações que auxiliam a interpretação das mesmas (todos herdeiros do Rider Waite) ou com nomes próprios nas cartas (como o Thoth de Aleister Crowley). Só a prática, contudo, nos garante a precisão, nessa ou em outras organizações, mesmo que somente de 22 lâminas.
Até a próxima.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dando nomes aos bois...

Olá pessoal. Continuando nossa conversa sobre os gêneros e a manipulação das cartas, gostaria de falar um pouco sobre o termo que designa a nossa profissão (ok, pode trocar "profissão" por "hobby", ou por "passatempo" ou por "missão de vida"... Não importa; gosto de "profissão" porque, ao se tornar verbo, mostra que eu "professo" a Cartomancia)
Qual é o termo para definir o que somos? Cartomantes? Tarólogos? Consultores de Tarot? Adivinhos? "@ moç@ que põe cartas?"
Entre todos os termos que vejo, o mais abrangente, para mim, é Cartomante mesmo, e é com ele que eu me defino. Cartomante é aquele que manipula as cartas - independente de qual seja a natureza do baralho. Como eu jogo vários tipos, prefiro essa denominação. Além disso, é uma homenagem aos meus antepassados que faziam disso um meio de vida, e que, a despeito de todo o preconceito que os cercava, mantiveram a tradição, as imagens e os significados para que hoje eu pudesse ser o que sou.
Todos os tarólogos são cartomantes, mas nem todo cartomante é tarólogo. Sendo assim, acho o termo restrito aqueles que se dedicam ao estudo intensivo das lâminas do Tarot como meio de autoconhecimento, previsão do futuro e/ou estudos iconográficos e simbólicos das imagens que o compõe.
Sinceramente, racho de rir com "@ moç@ que põe cartas". É uma forma pueril de se dirigir ao Oráculo, mas com prerrogativas um tanto quanto perigosas. São as pessoas que, por não saberem como se dirigir, se apegam aos estereótipos. Com essas pessoas, é necessário nao só um trabalho de orientação, mas também de direcionamento, para que essa pessoa, ao invés de manter um padrão vicioso de reconhecimento das cartas como "Ver a Sorte" ou coisa que o valha, passe a ser uma propagadora dos reais efeitos de um bom jogo, que são o autoconhecimento e o reconhecimento do potencial criador.
Abraços a todos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sobre o gênero daquele que manipula as cartas

Olá pessoal. Como tá ficando difícil atualizar o blog, devido aos meus atuais compromissos – me formo no curso técnico em Conservação e Restauração de Bens Culturais da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP) dia 10 de julho – estou aproveitando o parco tempo que tenho para escrever. Estou dentro de um ônibus. Pois bem, fora os solavancos, acho que esse post sai – na verdade, se você estiver lendo, eu obtive êxito na empreitada...
 

Estive pensando em algo que li no Caminhos do Tarô. As cartas comuns eram reservadas somente às mulheres e aos efeminados, enquanto os Arcanos Maiores eram reservados aos homens. Fiquei impressionado com tal afirmação, porque ela é lógica, do ponto de vista histórico. Eu fiquei pensando em como abordar algo que para mim soa lógico sem cair na homofobia nem na misoginia. Vocês dirão se eu consegui.
 

Questão de autocrítica: tenham em mente que, quando cito os gêneros, estou na verdade afirmando coisas acerca dos homens e mulheres dos séculos XVIII e XIX. A atualidade já tem os gêneros diluídos o suficiente para que tais análises estejam obsoletas, ou, se muito, a caminho disso.
A questão é: os homens são mais atraídos pelo poder, pela magia cerimonial (e por cerimônias de todos os tipos...) enquanto as mulheres estão mais interessadas no dito “futuro”. E que futuro é esse? Um bom casamento, filhos, segurança... estruturação.
Lembrem-se que os sistemas que hoje usamos são derivados daqueles desenvolvidos por homens e mulheres do século XIX, quando ninguém havia queimado sutiens ainda! (Ou espartilhos, que são mais cruéis e mais adequados ao período).
Lembremo-nos do conto A Cartomante, do Machado de Assis. A figura da mulher solteira que sobrevive do que consegue angariar fica evidente. E o que diríamos das afirmações de Antoine Court de Gebelin, que disse ter descoberto num maço de cartas, usado por moças para prever o futuro ou ver a sorte, os mistérios do Antigo Egito?
 

A subestimação do intelecto feminino fica evidente, quiçá ferina, numa afirmação como esta; ainda que, convenhamos, tenham havido nos dois últimos séculos intervenções de ambos os gêneros tanto na magia cerimonial com o Tarot quanto na divinação.
Na divinação, temos Etteilla, responsável pelo tronco comum seguido por toda a Cartomancia francesa. Outrora Alliette, fez fortuna com sortilégios e previsões, como boa Bruxa que seria... se fosse mulher!
 

Por outro lado, já no século XX, temos Pamela Colman Smith (cujo baralho desenvolvido em parceria com Arthur Edward Waite completou 100 anos), Lady Frieda Harris (parceira de Aleister Crowley na produção do Thoth’s Tarot) e Dion Fortune, talvez a maior cabalista cerimonial do século XX (se não for, certamente é a mais citada...)
 

Levando em consideração a contribuição dessas pessoas às áreas “reservadas” ao sexo oposto, voltamos à questão inicial: por que às mulheres e aos efeminados (que, em grande parte, partilham da intuição feminina somada à perspicácia investigativa masculina, ou seja, resultam em grandes cartomantes) eram reservadas as cartas comuns? Navalha de Ockhan: porque elas são diretas e precisas. Porque elas falam de um tempo curto – de dias a meses (há exceções: nas mãos de um bom cartomante, as previsões podem ser, realmente, de anos à frente). Porque elas falam do cotidiano. Porque elas se ligam ao lado mais prático e corriqueiro da vida. E mais: elas são acessíveis a qualquer um.
 

E por que seriam reservados aos homens os Arcanos Maiores? Porque são amplos e afeitos a metáforas e alegorias (sendo, eles mesmos, alegorias); porque não se assentam em nenhum culto, sendo passíveis de associação com vários deles; porque são filosóficos, na medida em que levam ao questionamento, mais que revelam acontecimentos; porque estão ligados à atemporalidade da ação – enquanto não se aprende uma lição, não se consegue partir para a seguinte...

E, parafraseando Starhawk, podemos encontrar facilmente em nossa memória cinco mulheres que se adequam às questões ditas "masculinas", e cinco homens que se adequam às questões ditas "femininas". Diante de um baralho, os gêneros se diluem.
Nessa medida, e tendo em mente a composição do baralho de Tarot, que é formado pelos dois grupos, trabalhar com ambos é uma chance inenarrável de trabalhar com os aspectos masculinos e femininos do ser, buscando a praticidade feminina relacionada com a visão de longo prazo masculina.
E vice versa.
Abraços a todos.
 
P.S.: Enquanto editava esse texto, encontrei esse artigo, do Marcelo Del Debbio. É, eu não estou sozinho nessa...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Reconhecimento e agradecimento à COPAG do Brasil


Olá pessoal. Depois da medida de desespero tomada posts atrás, fui agraciado com o reconhecimento pelo trabalho que desenvolvemos - eu escrevendo, vocês lendo - neste blog. A Mariana Navarro, conforme vocês podem ver no comentário do referido post, veio em nome da COPAG oferecer o Baralho para Ver a Sorte, que era tão caro a mim!


Bem, eu preciso ser claro na minha explanação para que vocês entendam que a importância deste baralho transcende o emocional. Este baralho conta com a qualidade COPAG - para qualquer um que goste de baralhos, essa informação chega a ser supérflua. Além disso, aqui no Brasil, poucos baralhos ditos Ciganos mantiveram as cartas comuns representadas em sua iconografia. Normalmente, o que se vê ou são as cartas redesenhadas com inspiração afro-brasileira ou representações do Petit Lenormand. Esse baralho constitui o diferencial; pois, ao mesmo tempo em que mantém as cartas comuns, sua iconografia respeita os significados desenvolvidos pela Escola Brasileira, como meu amigo Alex gosta de chamar a tradição desenvolvida aqui no Brasil.


O melhor exemplo está na carta 02. Enquanto na Europa ela significa sorte, no Brasil foi traduzida como obstáculos; na representação dessa carta, no Baralho para Ver a Sorte, temos exatamente essa representação, com os paus que oferecem resistência à passagem. Você poderia dizer: "Hei, mas é a representação do Tarô Cigano, da Katja e do César Bastos!". Sim, é; mas lá está o Seis de Ouros representado, detalhe suprimido no baralho do casal Bastos, e nos subsequentes.

(Imagem: Orkut Lenormand, por Gian. Confira a explanação da carta aqui)

O que é melhor; ao contrário dos baralhos herdeiros do Tarô Cigano, esse baralho não se relaciona com as divindades afro-brasileiras, sendo portanto facultativo seu contato com tais arquétipos.


Não só por esses detalhes, mas pela vivência com esse baralho, considero-o insubstituível. Recomendo-o, sem dúvida; mas, infelizmente, ele encontra-se esgotado atualmente. Caso o encontre, num golpe de sorte, ou caso a COPAG resolva o reeditar, não deixe de adquiri-lo; a relação custo-benefício é clara e evidente, e você se coloca mais próximo daquilo que é nosso, enquanto estudantes da Arte produzida no Brasil, sem mascará-la em imagens da Escola Européia ou reinterpretadas por uma perspectiva religiosa. 


Abraços a todos.