Olá pessoal. Passeando pela blogosfera, deparei-me com um texto do Senhor da Vida sobre a carta de Copas que me gera maior apreensão: o Oito. Desilusão, tristeza, depressão e outros sentimentos de mesma natureza coexistem harmonicamente nessa lâmina (lembremo-nos que os semelhantes se atraem e percorrem a mesma via juntos, de mãos dadas).
Mas uma coisa me chamou a atenção: o baralho que ele utilizou, o Tarô Zen, de Osho.
Oito de Água
Deixando ir
Tarô Zen, de Osho
Nesse baralho, o título da lâmina é "deixando ir". Uma gota d'água escorre de uma folha. Uma gota anterior derramara-se, provocando ondas no espelho d'água abaixo. Esse é o momento em que não há nada a fazer, a não ser corresponder à expectativa. Como somos seres treinados para desenvolver lutas, conflitos, defendermos nossos pontos de vista e os pontos de vista daqueles com quem nos importamos, é bem complicado aprender a desistir.
Desistir não significa perda. Desistir é ganho. Soa contraditório? Mas quem nunca ouviu a frase nadar, nadar e morrer na praia ou dar murros em ponta de faca? Existem situações e pessoas que não valem a pena, o esforço, o empenho e a atenção, sendo total desperdício de tempo e energia tentar encontrar algo de bom ou tentar não perder o contato ou a oportunidade.
Aí vem o apego. Mas por quê? Por que as coisas não podem ser do meu jeito, por que fulano fez isso, por que eu perdi? Sai-se da esfera do agora - a mais adequada a se manter no comando - e segue-se para a esfera do passado, que é perfeito, justamente por ser irretocável. Eu assumo que adoraria refazer um ou dois dias da minha vida. Mas confesso que isso é impossível, e não me gera nenhum arrependimento. Porque naquele momento, era o que o Emanuel daquele momento achava que era o certo a se fazer. Ao invés de colocar o meu agora no passado, aprendo com o passado para construir um agora mais preciso, mais adequado, mais perfeito.
Aprendemos a deixar ir, e com isso sofremos menos.
Percebamos uma coisa, que não está representada explicitamente na imagem. A gota cai, e não existe nada a se fazer, porque uma força maior a impele a isso. A gravidade. Todos estamos sujeitos a ela, e nem sempre nos lembramos disso. Mesmo porque, não precisamos nos lembrar sempre daquilo que nos afeta a todo instante! Não precisamos nos lembrar de respirar, de pulsar o coração, de digerir os alimentos. São funções autônomas, sensíveis, porém autônomas. Como a gravidade que, a despeito de estarmos felizes ou tristes, confiantes ou desesperados, irá nos afetar da mesma forma, sem piedade ou consideração por nossas emoções.
Oito de Água. A despeito do que você sente, é hora de dar tchau.
Mas, na iconografia desse baralho, temos outra carta afetada por essa mesma força invisível, o Nove de Arco-Íris.
Nove de Arco-Íris
Maturidade
Tarô Zen, de Osho
Curioso que, mesmo sendo a mesma força invisível a propulsora do movimento, o resultado é completamente diferente. Aqui, o fruto maduro cai, não porque é seu desejo; existe ausência de desejo. Aqui, ele cai porque esse é seu momento. Ele está pronto. Não seria o mesmo caso da gota d'água da carta anterior?
Mesma força, resultados diferentes, porque a disponibilidade de ceder é diferente. Na primeira existe resistência, aqui temos total entrega. Em ambas, a impossibilidade de uma escolha diversa daquela proposta pela Força Maior.
Às vezes, perder é ganhar.
Abraços a todos, em especial ao Senhor da Vida que motivou essa reflexão.
P.S.: Não esqueçam de participar do questionário do Conversas Cartomânticas. Sabendo o que vocês desejam, o blog será mais agradável a quem realmente importa: vocês.


