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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Oráculo da Cabala, de Richard Seidman.



As 22 letras do alfabeto hebraico, o Aleph Beit, não são apenas elementos constitutivos de uma linguagem, mas algo muito mais profundo. Cada letra é uma chave antiga que pode nos ajudar a desvendar os grandes segredos do mundo espiritual, formando um conjunto de poderosos símbolos que nos dá a compreensão dos mistérios da nossa própria alma. Os ensinamentos do Aleph Beit fazem parte da Cabala, a tradição do misticismo judaico que, durante séculos, foi um segredo guardado a sete chaves. 

De acordo com a obra mais antiga sobre o misticismo judaico, o Sefer Yetzirah (O Livro da Criação), todo o universo se formou por meio da combinação dessas 22 letras, e os místicos da Antiguidade, intrigados com o poder divino que essas letras incorporam, meditavam acerca de suas formas, usando-as como portais pelos quais poderiam descobrir segredos do passado, do futuro e da alma humana. 

Inspirado por esses ensinamentos antigos, Richard Seidman criou O Oráculo da Cabala. Para dar vazão ao poder das letras, o leitor escolhe uma carta do baralho ao acaso e, então, usando o livro como guia, medita sobre o símbolo que ela reproduz. Cada uma das cartas nos inicia nos níveis mais profundos da intuição e da compreensão espiritual, ao mesmo tempo que nos ajuda a descobrir o potencial místico encerrado em cada um de nós.

Olá pessoal. Eu sou muito atento às repetições na minha vida. Existem sinais escondidos nelas. Como se tivéssemos que vivenciar algo, mas só através do reconhecimento da possibilidade. E, nesse caso, o reconhecimento começou há alguns meses atrás.
Estou me questionando - e muito - a respeito das atribuições propostas para as cartas. Aquilo que transcende o significado básico, que vai além do funcionamento, por assim dizer, óbvio. Entre essas coisas, quando se trata de Tarô, temos as letras hebraicas.
Essa atribuição é recente e controversa. A priori, tentou-se atribuir tacitamente as letras na ordem em que elas foram organizadas no alfabeto hebraico, ou seja, Aleph para o Mago, Beth para a Sacerdotisa, e por aí vai. No século XIX, porém, uma leitura mais atenta do Sepher Yetzirah por alguns estudiosos deu origem à consideração proposta pela Aurora Dourada, onde o Louco é Aleph e o Mago é Beth - uma atribuição que, curiosamente, muita gente usa sem saber de onde veio e porque veio. E daí para frente temos hibridismos e releituras várias, que mais confundem que explanam.
Curioso também que a maior parte dos baralhos que se propõe a adicionar o conteúdo cabalístico pertinente às letras sequer as explanam, como se fossem mistérios insolúveis (ou óbvios demais). Por essas e outras, o estudo das letras foi deixado de lado.
Não acho certo. Não acho justo. Não para mim.
Na Confraria  Brasileira de Tarot eu expus que não se deveria ignorar tacitamente a representação pictórica de uma carta em função do conceito universal (você pode baixar o texto que deu origem à palestra aqui). Aplicado ao contexto desse texto, se o baralho possui letras hebraicas, no mínimo dever-se-ia entender o porque disso. Mas, como disse antes, os livros publicados por aqui não se esmeram em oferecer esse conteúdo. No máximo, vemos referências de referências e, depois de um tempo, ao ler um texto, a gente consegue diferenciar bem a vivência da pesquisa. Eu vejo muita pesquisa, mas pouca vivência. Aí, evidentemente, dou razão para deixar-se de lado tais conceitos. 

Aí, o Marcelo Bueno nos oferece uma leitura fascinante da letra Beth à luz da iconografia do Petit Lenormand (e vice-versa) na nossa Blogagem Coletiva.  E novamente fiquei com a pulga atrás da orelha. Não é que as letras hebraicas não auxiliem na leitura do Tarô. Elas são pouco ou mal estudadas. Na pior das hipóteses, ambas as coisas.

Logo, eu precisava ler algo a respeito.
Há algum tempo, recebi de uma amiga muito querida, muito amada o Oráculo da Cabala (Pensamento) de presente. Não cheguei a lê-lo; ele estava esperando esse momento. Hoje, por acaso, ou sincronicidade, eu o tomei e abri, embaralhei suas cartas e tive uma ideia. Ao invés de lê-lo, tacitamente, eu vou vivê-lo.
Já fiz essa experiência antes, com os exercícios propostos pela Vivianne Crowley em Cabala: Um enfoque feminino (Pensamento). É impressionante como saímos mudados de uma experiência como essa.
Então, eu vou propor, para você leitor que possui essa obra, que aceite o mesmo desafio que me proponho para setembro:


Entre em espírito de oração, dentro das suas crenças. Seja fazendo uma oração, mesmo, ou acendendo uma vela e incenso, ou mesmo apenas fechando os olhos por alguns instantes. Conecte-se com aquilo que há de mais belo, puro, virtuoso e amoroso no seu universo.
Embaralhe as cartas. 
Corte, se desejar.
Coloque o maço sobre o altar e tire uma carta por dia. Execute, nesse dia, o exercício proposto pela carta.

Eu tirarei minha carta pela manhã, e postarei um comentário à noite na página do Conversas Cartomânticas. Acompanhe minha jornada, estejamos juntos nessa. Caso não possua essa obra, vale a pena adquirir.

Abração a todos. E vivenciemos essa jornada.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ameaça nas trilhas do Tarô

Será possível prever o futuro pela leitura das cartas do Tarô?
Carolina resolveu experimentar e…
Muitas ameaças se anunciaram para ela e seus amigos, Fátima, que não conseguia amar de verdade, e Fabrício, que não decidia com quem iria morar após a separação dos pais.
Carolina será capaz de compreender a mensagem dos misteriosos arcanos para poder evitar o perigo, ajudando seus companheiros e a si mesma?
Para saber, só mesmo mergulhando nos segredos desse universo místico, juntamente com um grupo de jovens estudantes que descobriu um baralho muito antigo e mágico.




Olá pessoal. Duvido que algum de nós que gosta de ler tenha passado incólume pela Série Vagalume. E, revendo a lista de livros para ver qual eu ainda não tinha lido, reencontrei esse título que, além de me transportar anos atrás, me motivou a ler um livro com um novo olhar. Quando eu o li, era só um moleque interessado em esoterismo que lia revistinhas de banca achando que poderia interpretar os mistérios do mundo. Hoje, sabendo que já tá bom demais eu conseguir interpretar um baralho de Tarô e olhar pro meu futuro com olhos bem mais condescendentes (porque mistérios do mundo é coisa demais para uma vida só), quis reler a obra Ameaça nas trilhas do Tarô, de Sérsi Bardari.



Na época em que eu li, eu não tinha o acesso fácil à tecnologia que tenho hoje. Hoje, quando nos interessamos por uma obra, lançamos seu nome num site de pesquisa e vemos o que temos de resumos, resenhas, opiniões. Nesse caso, específico, eu preferi o caminho antigo. Comprei o livro (tá ok, foi pela internet, nem foi o caminho antigo ipsis litteris) e o reli. Com olhos de primeira vez, mas atento aos detalhes que não seria capaz de captar outrora - eu amadureci e outros horizontes se delinearam. Talvez por isso eu goste tanto de reler livros - eles revelam até onde eu consegui ir desde que os manipulei pela primeira vez.
A história fala de Carolina, uma menina tímida, por volta dos seus quinze anos - está na oitava série - que adquire um baralho de Tarô (um Tarô de Marselha - não tínhamos na época a variabilidade de baralhos acessíveis no mercado brasileiro atual) e começa sua jornada (uma história bem familiar a muitos de nós, não?)


Carolina abre as cartas para sua amiga Fátima.
Ilustração de Bilau & Salatiel para o livro. 
Ameaça nas Trilhas do Tarô, p.32


Esse livro, como todos os demais pertencentes a essa série, é facílimo de ser encontrado em qualquer biblioteca pública ou biblioteca escolar. E valem muito a pena, por sua leitura fácil e agradável, fluida e descompromissada, escondendo grandes lições cotidianas. Para se ter por perto a qualquer momento, passagem de metrô, viagem de ônibus, espera por um táxi... intermeio de caminhos até o veículo certo poder levar você ao seu destino.
E você? Quais livros da Série Vagalume você leu? Que tal relembrar aqui?
Tive a gratíssima surpresa de encontrar o autor, Sérsi Bardari (site), para um bate-papo online. O resultado de nossa conversa você lê em seguida.



1. Você joga Tarô? Se joga, há quanto tempo?


Eu aprendi a jogar o Tarô Egípcio com uma moça que chama Nelise, que, hoje em dia, se eu não me engano, está em Brasilia. Isso foi na década de 1980. Naquela época, comecei lendo as cartas para conhecidos e depois acabei lendo por um curto período de tempo profissionalmente. Mas logo percebi que não queria continuar, pois tinha de ser algo doado, e só para pessoas que soubessem compreender o modo simbólico e voltado para o autoconhecimento.


2. Como surgiu a ideia do livro Ameaça nas trilhas do Tarô?


Eu sempre entendi as cartas como um grande auxílio de acesso a conteúdos inconscientes, para um processo analítico. Como estudioso da obra de Carl Gustav Jung, percebi no Tarô um modo de driblar a mente mente racional, como forma de acessar o lado emocional e, assim, tentar um equilíbrio em ambos (racional e emocional) de modo a atingir o self.
Daí, por conta das minhas leituras de Jung, do Tarô e das minhas concepções sobre esse jogo milenar, pensei em repartir esse conhecimento com os jovens.


3. As imagens do livro remetem diretamente ao Tarô de Marselha editado pela Editora Pensamento (falo isso por causa da imagem do verso das lâminas na página 99), mas os significados que você aplica não estão no livro do Carlos Godo, que muito pouco disserta sobre as cartas numeradas, as cartas que mais aparecem nas leituras de Carolina. Quais foram suas fontes de pesquisa sobre Tarô para compor os significados que aparecem no livro?


Sim, eu usei o Tarô me Marselha, por ser o mais conhecido. Mas, para descrever os significados dos arcanos menores, eu fiz uma interpretação a partir da carta equivalente no Tarô Egípcio. Esse Tarô é enumerado de 1 a 78 e não se utiliza dos naipes. As descrições dos arcanos menores nos manuais do Tarô Egípcio são bem mais completas. Além disso, as imagens são simbólicas e estão associadas ao alfabeto hebraico que à astrologia. Por isso, permite uma interpretação mais aprofundada.




4. O método empregado por Carolina no livro é um Arcano Maior + três Arcanos Menores. Caso você realmente jogue Tarô, é esse o método que você emprega?


Conheço alguns métodos. Um de 9 Arcanos Maiores e 16 Arcanos Menores; um de cinco arcanos Maiores; um de Três Maiores e Sete Menores. Esse de Um mais Três é um método rápido, quando se está em busca de alguma resposta mais pontual.


5. Você conseguiu criar uma personagem que, ao mesmo tempo que reflete interiormente sobre a função do oráculo em sua vida, leva os demais a refletirem sobre suas próprias crenças, usando o Tarô numa escrita suficientemente leve, dada a própria natureza de literatura infanto-juvenil. Em sua opinião, qual o papel do romance na propagação e divulgação do Tarô?


Sinceramente, eu imaginei que o livro fosse ter uma repercussão maior do que teve, especialmente por conta, além do Tarô, do suspense inserido na narrativa. Ocorre que o livro é indicado por professores nas escolas e, creio, que tenha causado algum tipo de receio por parte dos educadores. Imagino que os professores tenham indicado pouco por terem dificuldade (por conta de desconhecimento) de abordar esse assunto com os jovens. No entanto, já recebi muitas cartas e e-mails de jovens que leram o livro por conta própria e passaram a se interessar por esse importante instrumento de autoconhecimento.


Bem pessoal, é isso. Gratíssimo à contribuição do Sérsi Bardari ao Conversas Cartomânticas e, como não poderia deixar de ser, recomendo a leitura desse livro delicioso.
Abraços a todos.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Fim de ano. Fim de ciclos. Finalizações. "Fins"(?)


Fim de ano. Cada vez mais difícil postar assuntos devidamente refletidos, devidamente pensados. Vamos por impulsos... Vamos por sensações. Deixo o Mago de lado um pouquinho e mergulho na experiência do Louco. Dizem que Freud fazia isso, deixava as palavras brotarem do seu inconsciente para proferir suas palestras; portanto, ele não se preparava, porque já se sentia preparado. Esse não é meu caso, mas vamos lá.
Nos Arcanos Maiores do Tarot, vemos os “fins” (plural esquisito, que rima sub-repticiamente com Maquiavel, quando não lemos sua obra com o devido respeito...) ou melhor, a finalização por meio das suas diversas possibilidades: O Imperador apresenta o encerramento de uma fase de curta duração (“vencer uma batalha não significa vencer uma guerra”); a Morte, o encerramento de um ciclo (“morra antes que você morra”); a Torre, a quebra de paradigmas – e de algumas costelas, por vezes (“algumas bênçãos de Deus chegam estraçalhando todas as vidraças”); o Æon, que apresenta uma nova Era, um novo ciclo (“hoje o tempo voa amor/ escorre pelas mãos/ mesmo sem se sentir/ e não há tempo que volte amor/ vamos viver tudo o que há para viver”) e o Universo, que indica uma finalização de proporções cósmicas – micro ou macro, mas ainda assim cósmicas (Om mani padme hum).
Pedi um aconselhamento.
Tirei o Universo.

Om mani padme hum.

sábado, 22 de agosto de 2009

É mágoa.

É mágoa

Já vou dizendo de antemão

Se eu encontrar com você

Tô com três pedras na mão...



Ana Carolina.



Título: Disappointment (desapontamento, mágoa)
Astrologia: Marte em Escorpião
Na Árvore da Vida: Geburah em Briah
Descrição (Thoth Tarot): Os Lótus têm suas pétalas rasgadas pelo vento impetuoso, o mar é árido e estagnado, um mar morto. A água não flui para as taças... Estas taças são organizadas sob a forma de um pentagrama invertido.
Interpretação: "... perturbação, justamente quando o esperado é um momento de tranquilidade... o prazer antecipado é frustrado... O triunfo da matéria sobre o espírito. De LXXVIII: "... a decepção, tristeza e perda naquelas coisas de que se espera o prazer. Tristeza, traição, engano, má vontade, difamação, caridade e bondade mal retribuídas; todos os tipos de ansiedades e problemas a partir de fontes insuspeitas e inesperadas... uma desilusão amorosa, casamento desfeito, indelicadeza de um amigo, perda de amizade".
Segundo a Wikipédia, mágoa “tem origem no latim macula, representa um sentimento de desgosto, pesar, sensação de amargura, tristeza, ressentimento. É um descontentamento que, embora frequentemente brando, pode deixar resquícios que podem durar um bom tempo. Por vezes é possível percebê-lo no semblante, nas palavras e nos gestos de uma pessoa.”


Esta semana me deparei com esse sentimento extremamente desagradável. Decepcionar-se com uma pessoa, coisa, situação ou acontecimento faz parte do arcabouço de experiências que teremos durante toda a nossa vida, bem sei que é verdade; quantas pessoas buscam um conforto, um alento nas cartas, após uma decepção? Contudo, por vezes as razões não bastam para que compreendamos a ação de outrem em detrimento de nossa pessoa. Por vezes, e melhor dizendo, na maioria das vezes, essa situação advém de alguém que muito consideramos.
É nesse ponto que surge a mágoa.
Vejo a mágoa, recorrendo ao dicionário, realmente como mácula. Sujeirinha incômoda que salta aos olhos quando nos deparamos com o vetor desse sentimento. Pior ainda quando somos obrigados a conviver com ele! O Grupo Espírita Renascer propõe três questões para reconhecermos a mágoa:
Faça a si mesmo três perguntas:
a. Você assume que ocorreu afronta em termos muito pessoais?
b. Você culpa o autor da afronta por como você se sente?
c. Você criou ou tem uma história sobre a afronta?

Respondeu sim às três? Reconheça-se magoado - assim como eu me reconheci, a despeito da minha vontade.
Não estou disposto hoje a propor soluções para a mágoa. Ela tem seu próprio tempo de se revelar ridícula. Mas, como sentimento, hoje está fazendo todo o sentido para mim.
Até o próximo post, quando esse sentimento tiver perdido sua pseudoimportância.