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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Desafio 2016: Tarot Tzigane, de Tchalaï.


Olá pessoal. Esse é o primeiro desafio do ano de 2016, que na verdade eu tenho estudado desde o ano passado. 
Dona Yedda Paranhos, taróloga e espiritualista do Rio de Janeiro, autora de vários livros ligados ao autoconhecimento, presenteou-me com um fac-símile do seu baralho de uso pessoal - o que, por si só, já é uma dádiva - e desafiou-me a continuar seus estudos sobre esse baralho. Impossível não atender a esse pedido. 
Em 1985, em uma de suas viagens pela Europa, Dona Yedda encontrou esse que seria um dos seus baralhos do coração. Era um baralho recente - fora publicado no ano anterior. 
Haviam duas cópias. Ela trouxe uma.
E o baralho saiu de edição.

Nesse ínterim, Dona Yedda vem trabalhando com o baralho, que carinhosamente ela chama de Tchalaï, em homenagem ao autor. Em 2015, em uma de minhas visitas a ela, fui presenteado com um fac-símile. E ele é um dos meus desafios desse ano.

Embora seja chamado Tarô (mesmo na caixinha estando escrito ser esse um baralho etnológico e adivinhatório), O Tzigane não corresponde à organização tradicional contemporânea; numa releitura da estrutura em função da experiência do autor com o povo cigano, temos novos títulos e novos significados para uma estrutura semelhante ao que conhecemos por Arcanos Maiores, aqui chamados Portas dos Mistérios.




01. Ashok Chakra
02. O Khukan
03. E Phuri Dai
04. E Drabarni
05. O Vatashi Romengoro
06. Fralipé Romani
07. Thagar Lumeaki
08. O Grast
09. E Puskaria
10. Maripé Taraim
11. Aggartti
12. Samballa
13. O Niglo
14. O Bero
15. O Sap
16. O Kher
17. O Vurdon
18. Lotcholikos
19. O Kham
20. O Shon
21. O Geape Vimanaki
22. Tataghi

A graciosidade desse baralho, entretanto, é encontrada nos dezesseis Arcanos Menores. Cada naipe - aqui chamados Kumpanias -  representa uma etnia dentro do povo Cigano, associável a um dos naipes do baralho convencional:

Os Kalderach, rom da Europa Central, são associados a facas, espadas e punhais e ao elemento Ar, e suas cartas são vermelhas.
Os Mamush do norte da Itália são associados às moedas e ao elemento Terra, e suas cartas são amarelas.
Os Gypsies irlandeses são associados a panelas, tampas, portes, cestas, caixas e ao elemento Água, e sua cor é verde. 
Os Gitanos andaluzes são associados aos bastões de madeira e instrumentos musicais, assim como ao elemento Fogo e à cor azul.



Cada uma das Kumpanias é composto por quatro cartas. À guisa de Ás, temos a  Ferramenta, representação dos seus símbolos e a mantenedora da tradição; o Pai, aquele que, por manter a tradição, traz o passado consigo; a Mãe, que transmite e educa no presente; e a criança, que é o futuro de toda a Kumpania. Essas cartas, mais que significados específicos ou personalidades, trazem consigo a possibilidade de temporalizarmos as previsões - e encontrarmo-nos em diferentes idades, em função do que precisamos saber.


Tá difícil achar esse livro...


Essas 38 cartas, muito evocativas, são meu desafio para 2016. Entendê-lo e encontrá-lo dentro de mim, para que essa linguagem sirva ao seu propósito: servir ao próximo no encontro de respostas.

E você? Já encontrou o seu desafio para 2016?

Abraços a todos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Conversando com as Fadas.

Foto do site da autora

Olá pessoal. Conheço o trabalho de Paulina Cassidy muito mais pelo uso constante de seu Joye de Vivre por queridos do que pela minha própria experiência. O Paulina Tarot segue a mesma linha diáfana do primeiro, e eu acredito que jogar com um desses baralhos deve ser inspirador de insights poderosos ligados ao mundo onírico.

Foto do site da autora

Particularmente, entre as técnicas artísticas que conheço, a que me inspira mais profundidade emocional é a aquarela. Não precisa, necessariamente, ser um Turner; até mesmo um esboço de moda, com um lampejo de Talens, me emociona. Imagine um baralho desenhado por alguém com tal domínio da aquarela!
Conversando com as Fadas (Faerie Guidance Oracle no original) reúne essas duas características: ser emocionante e ser onírico. Somos brindados, pela Editora Pensamento, com mais essa joia trazida para o Brasil. Uma joia que está nos meus desejos, evidentemente.
Quer conhecer mais? Clique abaixo e confira:




Abraços a todos. E um bater de asas.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Oráculo da Cabala, de Richard Seidman.



As 22 letras do alfabeto hebraico, o Aleph Beit, não são apenas elementos constitutivos de uma linguagem, mas algo muito mais profundo. Cada letra é uma chave antiga que pode nos ajudar a desvendar os grandes segredos do mundo espiritual, formando um conjunto de poderosos símbolos que nos dá a compreensão dos mistérios da nossa própria alma. Os ensinamentos do Aleph Beit fazem parte da Cabala, a tradição do misticismo judaico que, durante séculos, foi um segredo guardado a sete chaves. 

De acordo com a obra mais antiga sobre o misticismo judaico, o Sefer Yetzirah (O Livro da Criação), todo o universo se formou por meio da combinação dessas 22 letras, e os místicos da Antiguidade, intrigados com o poder divino que essas letras incorporam, meditavam acerca de suas formas, usando-as como portais pelos quais poderiam descobrir segredos do passado, do futuro e da alma humana. 

Inspirado por esses ensinamentos antigos, Richard Seidman criou O Oráculo da Cabala. Para dar vazão ao poder das letras, o leitor escolhe uma carta do baralho ao acaso e, então, usando o livro como guia, medita sobre o símbolo que ela reproduz. Cada uma das cartas nos inicia nos níveis mais profundos da intuição e da compreensão espiritual, ao mesmo tempo que nos ajuda a descobrir o potencial místico encerrado em cada um de nós.

Olá pessoal. Eu sou muito atento às repetições na minha vida. Existem sinais escondidos nelas. Como se tivéssemos que vivenciar algo, mas só através do reconhecimento da possibilidade. E, nesse caso, o reconhecimento começou há alguns meses atrás.
Estou me questionando - e muito - a respeito das atribuições propostas para as cartas. Aquilo que transcende o significado básico, que vai além do funcionamento, por assim dizer, óbvio. Entre essas coisas, quando se trata de Tarô, temos as letras hebraicas.
Essa atribuição é recente e controversa. A priori, tentou-se atribuir tacitamente as letras na ordem em que elas foram organizadas no alfabeto hebraico, ou seja, Aleph para o Mago, Beth para a Sacerdotisa, e por aí vai. No século XIX, porém, uma leitura mais atenta do Sepher Yetzirah por alguns estudiosos deu origem à consideração proposta pela Aurora Dourada, onde o Louco é Aleph e o Mago é Beth - uma atribuição que, curiosamente, muita gente usa sem saber de onde veio e porque veio. E daí para frente temos hibridismos e releituras várias, que mais confundem que explanam.
Curioso também que a maior parte dos baralhos que se propõe a adicionar o conteúdo cabalístico pertinente às letras sequer as explanam, como se fossem mistérios insolúveis (ou óbvios demais). Por essas e outras, o estudo das letras foi deixado de lado.
Não acho certo. Não acho justo. Não para mim.
Na Confraria  Brasileira de Tarot eu expus que não se deveria ignorar tacitamente a representação pictórica de uma carta em função do conceito universal (você pode baixar o texto que deu origem à palestra aqui). Aplicado ao contexto desse texto, se o baralho possui letras hebraicas, no mínimo dever-se-ia entender o porque disso. Mas, como disse antes, os livros publicados por aqui não se esmeram em oferecer esse conteúdo. No máximo, vemos referências de referências e, depois de um tempo, ao ler um texto, a gente consegue diferenciar bem a vivência da pesquisa. Eu vejo muita pesquisa, mas pouca vivência. Aí, evidentemente, dou razão para deixar-se de lado tais conceitos. 

Aí, o Marcelo Bueno nos oferece uma leitura fascinante da letra Beth à luz da iconografia do Petit Lenormand (e vice-versa) na nossa Blogagem Coletiva.  E novamente fiquei com a pulga atrás da orelha. Não é que as letras hebraicas não auxiliem na leitura do Tarô. Elas são pouco ou mal estudadas. Na pior das hipóteses, ambas as coisas.

Logo, eu precisava ler algo a respeito.
Há algum tempo, recebi de uma amiga muito querida, muito amada o Oráculo da Cabala (Pensamento) de presente. Não cheguei a lê-lo; ele estava esperando esse momento. Hoje, por acaso, ou sincronicidade, eu o tomei e abri, embaralhei suas cartas e tive uma ideia. Ao invés de lê-lo, tacitamente, eu vou vivê-lo.
Já fiz essa experiência antes, com os exercícios propostos pela Vivianne Crowley em Cabala: Um enfoque feminino (Pensamento). É impressionante como saímos mudados de uma experiência como essa.
Então, eu vou propor, para você leitor que possui essa obra, que aceite o mesmo desafio que me proponho para setembro:


Entre em espírito de oração, dentro das suas crenças. Seja fazendo uma oração, mesmo, ou acendendo uma vela e incenso, ou mesmo apenas fechando os olhos por alguns instantes. Conecte-se com aquilo que há de mais belo, puro, virtuoso e amoroso no seu universo.
Embaralhe as cartas. 
Corte, se desejar.
Coloque o maço sobre o altar e tire uma carta por dia. Execute, nesse dia, o exercício proposto pela carta.

Eu tirarei minha carta pela manhã, e postarei um comentário à noite na página do Conversas Cartomânticas. Acompanhe minha jornada, estejamos juntos nessa. Caso não possua essa obra, vale a pena adquirir.

Abração a todos. E vivenciemos essa jornada.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Oráculo dos Deuses, Heróis e Titãs


Olá pessoal. A Editora Pensamento-Cultrix acabou de lançar o Oráculo dos Deuses, Heróis e Titãs, versão brasileira do Mythic Oracle. O baralho é formado por quarenta e cinco cartas ilustradas por Michelle-lee Phelan (que foi responsável pelo igualmente lindo Oracle of Dragonfae), divididas em quatro grupos: Heróis, Seres Mágicos, Olimpianos e Titãs.  


TITÃS

1. Cronos (Ciclos)
2. Réia (Proteção)
3. Prometeu (Sacrifício)
4. Mnemósina (Inspiração)
5. Atlas (Responsabilidade)
6. Têmis (Ordem natural)
7. Selene (Intuição)
8. Hélio (Iluminação)
9. Éos (Novos começos)

OLIMPIANOS

10. Zeus (O Pai)
11. Zeus (Expansão Divina)
12. Deméter (A Mãe)
13. Deméter (A Colheita)
14. Hera (Dever)
15. Hades (Morte)
16. Hades (O Mundo Inferior)
17. Poseidon (O Desconhecido)
18. Poseidon (O Agitador da Terra)
19. Ártemis (Pureza)
20. Apolo (Clareza)
21. Pã (Sexualidade)
22. Hefesto (Trabalho)
23. Marte* (Batalha)
24. Héstia (Lar)
25. Atena (Sabedoria)
26. Hermes (Mensagens)
27. Hermes (Viagem)
28. Afrodite (Amor)
29. Afrodite (Beleza)
30. Eros (Desejo)
31. Eros (União Sagrada)
32. Perséfone (Despertar)
33. Perséfone (Renascimento)
34. Dionísio (Liberdade)
35. Hebe (Brincadeira)
36. Íris (Harmonia)

SERES MÁGICOS

37. Quíron (Cura)
38. Pandora (Esperança)
39. As Moiras (Destino)
40. Hécate (Encruzilhada)

HERÓIS

41. Aquiles (Glória)
42. Orfeu (Fé)
43. Ulisses (A Jornada)
44. Hércules (Força)
45. Perseu (Coragem)

Poseidon, o Treme-Terra


Os mitos gregos são as histórias da humanidade. Eles são o reflexo da natureza e dos ciclos humanos e é através dessas histórias que podemos vir a entender melhor a nós mesmos.
O Oráculo dos Deuses, Heróis e Titãs traz estas histórias e símbolos atemporais para o mundo moderno, proporcionando-lhe uma ferramenta que pode ser usada no cotidiano para delicadamente guiá-lo através dos ciclos de vida em matéria de amor, carreira, criatividade, família, espiritualidade e consciência pessoal, permitindo que você possa ultrapassar os desafios da vida com maior clareza, consciência e vontade, obtendo assim uma vida clara, focada e gratificante.


Athena, a Sabedoria

O Oráculo dos Deuses, Heróis e Titãs vai lhe dar uma visão mais detalhada sobre o que está acontecendo em sua vida, o que é necessário e o que vem a seguir. O guia incluso apresenta uma descrição dos mitos, suas interpretações divinatórias e uma gama de jogadas que lhe permitirá ler com precisão para si mesmo e para os outros. Para quem já está no caminho há um tempo, esse baralho irá dialogar com as práticas desenvolvidas com o Tarô Mitológico e com outros baralhos de inspiração semelhante.


Zeus, o Grande Pai

A autora, Carisa Mellado, é uma talentosa escritora australiana que dedicou mais de uma década da sua vida estudando muitos aspectos do campo da Mente, do Corpo e do Espírito, e também trabalhou durante muitos anos como uma bem-sucedida taróloga profissional. Ela tem um grande interesse pela psicologia e pelas tradições espirituais do mundo todo, e é especialista em Mitologia. Carisa também é musicista e compositora. Além de ter seus próprios projetos musicais, foi convidada a participar da composição de muitas trilhas musicais e CDs de meditação. 

Artemis, a Pureza.

A galeria com todas as cartas pode ser vista aqui. E caso queira degustar o primeiro capítulo, é aqui.


*Transcrito ipsis litteris da degustação. A carta corresponde a Ares, o Deus da Guerra grego. Marte é seu equivalente romano.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Oráculo da Cigana: um curioso baralho de Cartomancia


Conheci esse baralho ano passado, nas postagens do Alex Tarólogo. Primeira referência que conheci a respeito desse oráculo, mas não pensava um dia conhecer o baralho em minhas próprias mãos. E confesso que, tendo o conhecido em outubro, não achei que fosse tão bom. Não foi um baralho que acelerou meu coração imediatamente, mas, talvez justamente por isso, tenho o carinho por ele que o mantém entre meus favoritos. Existem paixões que demandam tempo e vivência. O estranhamento inicial não foi um obstáculo; antes, foi um caminho.
O meu, eu ganhei de presente da Priscilla Lhacer. Um mimo, um carinho que, makhtub! tinha uma razão de ser. Quando um oráculo chega às nossas mãos por vias misteriosas como um presente ou surpresa, é bom que estejamos atentos aos seus efeitos. E, nesse caso, os efeitos foram preciosos ao ponto de eu indicá-lo, veementemente, para quem se interessa por Cartomancia, sobretudo a italiana, no qual ele se baseia.
O baralho é formado por 52 cartas - o mesmo número de cartas de um baralho comum  - o que o predispõe a ser a ilustração de significados anteriores propostos para cada uma das cartas do baralho comum. Se hoje não possuímos acesso às referências que nortearam a elaboração das imagens, pelo menos podemos pressupor que a metologia do jogo será semelhante àquela que norteia sessões de Cartomancia. Muitas cartas, frases curtas, porém precisas. 

Uma possibilidade de desenvolvimento desse oráculo é ser uma contração do Vera Sibilla Italiana, hipótese altamente plausível, proposta pela Socorro, da De Keizerin Boutique (recomendo). Eu tenho encontrado alguns outros baralhos que também corresponderiam a esses desenvolvimento imagético de conceitos cartomânticos de matriz comum. Mas é cedo ainda para que eu possa afirmar qualquer coisa. 
Minha experiência com esse oráculo tem apontado que ele é precioso para revelar intenções e fazer previsões de curta duração. Nada muito extenso, nada muito amplo: aquilo que é passível de se resolver com uma frase, mais elaborada que um simples sim/não, mas menos elaboradas que um panorama.
Como exemplo, posto uma das minhas cartas favoritas, o Mercador. Eu pensei nela justamente por ela dialogar com as minhas leituras no momento - Malba Tahan, Rumi (indicação preciosa do Claudiney Prieto), Omar Kayyam e As Mil e Uma Noites (livro e baralho).  E daí, temos um primeiro passo para analisar as demais 51 cartas.


 O Mercador
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo

Seguindo a orientação do livreto que acompanha as cartas, vamos trabalhar com a formação do conceito da lâmina a partir do cruzamento entre o título e a imagem. 
Mercador é o título dado àqueles que mercadeiam. Que comerciam. Que levam e trazem. Em todos os sentidos.
Conforme o Dicionário Aurélio:

s.m. Indivíduo que compra por atacado para vender a varejo. / Negociante de panos. // Fazer ouvido de mercador, v. OUVIDO.
Estar em contato com várias culturas, com vários povos, fazem do mercador um personagem ambivalente. Por um lado, nunca saberão exatamente o que ele pensa, já que ele conheceu um mundo diferente demais para se prender unicamente aos limites do seu povo ou região; por outro lado, as questões a que se apega tem para ele um valor maior do que para aqueles que se mantém devido ao costume, ao hábito, num mesmo comportamento. Ele escolhe manter um comportamento, porque sua natureza o leva a voltar sempre ao local de origem, com o desejo de partir novamente.
Por outro lado, ele sempre saberá mais dos outros que os outros pensam que ele sabe. O contato com pessoas tão diferentes o deixa atento aos hábitos, tiques, vícios. Só assim ele sabe diferenciar pesos e medidas - pelo que não se diz, mas se deixa dizer... pelo que não foi dito.

Dentro dessa perspectiva, e poderíamos estendê-la muito mais, verificando filologicamente as demais possibilidades oferecidas - Mercante, Marchand, Mercader, Kaufmann - o Mercador é um personagem cujo olhar anseia pelo horizonte, a quem ninguém é ilimitado o bastante para uma análise comportamental. Os termos parecem ser a mesma coisa, mas não são. Significados se depreendem de termos aparentemente sinônimos e, pouco a pouco, percebemos que o poder do termo está em ser único, mas passível de ser substituído por algo que, mesmo parecido, não é igual. Como exemplo, pensemos no termo francês Marchand. Além de Mercador, esse termo define aqueles que entendem de Arte o suficiente para indicar a compra de algo; seria o representante de um artista. O intermediário. Apesar dos significados se tocarem, há que se notar expansões. Os termos se cruzam, se reproduzem, e significados se apresentam ante nossos olhos.


Atente, nessa imagem, para os olhos do Mercador. Através de seus olhos,
ele não só expõe sua mercadoria, como todas as possibilidades que encontrou
de belo em seus tecidos. Comprar-se-ia tecidos dele por seus olhos. 


Diante disso, da ideia de intermediação, tão concernente ao termo, vamos para a imagem. 
Apesar de estar ligado à ideia de viagem, de busca de mercadorias em locais distantes, nessa carta vemos essa ideia como secundária. Temos uma carta ativa nesse sentido - a Viagem, cuja iconografia do personagem remete à do Mercador. Aqui, vemos o navio ao fundo partindo, não sabemos se o navio deixou o mercador ou se irá buscar mercadorias para ele. Só sabemos que ele já não participa do processo - o que chega, ou o que parte, apesar de passar pelo Mercador, não lhe compete mais. O navio também aparece nas cartas Suspiros, Esposa e Consolação, mostrando aquilo que vem de longe... ou remete para longe.


À esquerda: Suspiros. À direita: Consolação.
Observe o navio, dialogando com o personagem principal.
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo


Se falamos do navio, falemos do mar. Como diria a Ana Carolina: "por que me mostra o mar, se eu quero ver o navio?" 


À esquerda: A Esposa. À direita: Desgosto. 
Em uma o navio. 
Na outra, a imensidão do mar.
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo


Diante da imensidão, os detalhes se diluem. Para o melhor ou para o pior. Além disso, o mar une o aqui ao lá. Com um horizonte de possibilidades no meio. O mar transcende o espaço visível, mostrando que o que se busca ainda não está ao alcance. Mas já é possível desejar. Além das já citadas Consolação e Suspiros, o mar aparece em Desgosto. Mas aqui o navio já não se vê. E a frase de Ana Carolina faz todo o sentido. Coloca os Suspiros ladeando Desgosto e dá uma olhada.
Dos diálogos entre as iconografias, partimos para o personagem principal. Um árabe, irmão dos árabes. Suas vestes apontam para isso. Moro, mouro. E aí precisaríamos entender como um italiano veria um mouro para sabermos como essa carta seria vista pelo italiano que a delineou. Novos sentidos se depreenderão disso. Se você der uma olhadinha nesse link aqui, ficará sabendo que os italianos já dominaram a Líbia, durante o declínio do Império Otomano, na chamada Guerra Ítalo-Turca, em 1911. Apesar de italianos terem ocupado o território, eles não foram capazes de colonizar o espaço, perdendo terreno durante a I Guerra Mundial. As culturas coexistiram como água sob azeite. O conflito mistura, o tempo assenta cada coisa em seu lugar - conforme seus atores veem a questão de "lugar".
Alguns barris, caixas, e um acolchoado no qual esse mouro se apoia, correspondem às suas mercadorias. Ele está a postos, pois se dali se afastar, perde o que tem - é sua presença que atesta que o que o rodeia é dele. Mas sua posição é relaxada - logo, carregadores irão levar o material para o local correto.


Espera
Oráculo da Cigana
Lo Scarabeo


Seu olhar se perde à frente, como em SuspiroEspera. Se o olhar se perde, é porque os pensamentos importam mais. E não são pensamentos coesos, direcionados; são sonhos, devaneios, alimentados pela espera, que permite uma certa esperança.


Sinbad conta sua história ao carregador.
Seis de Ouros
Tarô das Mil e Uma Noites
Lo Scarabeo


Se nos remetermos à literatura, sobretudo Às Mil e Uma Noites, veremos que a figura do jovem afoito por aventuras, que vende tudo o que tem em busca de negócios no estrangeiro é recorrente. O personagem mais emblemático dessa perspectiva é Sinbad, que, por sete vezes, vende o que tem e sai em busca de aventuras. E da história de Sinbad apreendemos outros detalhes: quando vivemos algo maravilhoso, precisamos compartilhar com alguém. 
A história de Sinbad ocorre nos tempos do Califa Harun Al-Rashid, personagem que também se carrega de significados. Conforme consta, ele se disfarçava de mercador para visitar seu reino, de forma a assegurar-se pessoalmente de que tudo corria bem. Diversas histórias d'As Mil e Uma Noites o referenciam, seja como marco temporal ("No tempo do Califa Harun Al-Rashid..."), seja como personagem. Como personagem, talvez, seja o mais interessante. Ele é curioso, imiscuindo-se em qualquer assunto que considere interessante; contudo, não revela sua identidade até o momento oportuno, saindo-se muito bem como mercador para alguém que foi treinado para ser Califa. Conforme vimos antes, ao Mercador pertencem todos os pensamentos que o rodeiam, enquanto seus pensamentos não pertencem a ninguém. Ele precisa contar sua história, ele deseja contar sua história. Mas você jamais conseguirá ler seus pensamentos.
Daí, poderíamos sintetizar os significados observados em algumas palavras-chave, para além das óbvias comércio e troca: Intermediação consciente e proveitosa. Saber ouvir. Captar intenções com facilidade. Estar longe do que é familiar, ou ansiar por esse distanciamento. Notícias que vêm de longe. Um presente aguardado. Espera ansiosa, resultado breve. Uma história. Lucro, dividendos. Contato com culturas diferentes. Afirmação da identidade. Disfarce temporário. Teus pensamentos são terra de ninguém. Conhecimento de causa. Ansiedade pelo novo. Aguardo de novidades. Estar em território estranho. Diplomacia. O que se vê é mais precioso do que o que se ouve.


É muito divertido fazer isso, observar um oráculo novo com olhos de primeira vez, caçando respostas às indagações que surgem. Desses mergulhos, obtemos respostas preciosas às possibilidades de interpretação do oráculo. Eu não fazia a menor ideia de que chegaríamos aonde chegamos com esse texto - eu só escolhi a minha carta favorita, e saio mais rico na minha leitura dela. Dá um pouquinho de trabalho, mas vale a pena - quem falou que Cartomancia é fácil?
Abraços a todos.

Post Scriptum: Há um livro sobre esse baralho, com visualização acessível aqui. O irmão Euclydes Cardoso Jr., do TarotCabala, publicou o seu primeiro olhar sobre as cartas, aqui. Vale a leitura, vale o mergulhar nas imagens. O Ricardo Pereira, autor do Substractum Tarot, postou sua vivência com esse baralho aqui, vivência essa que dispensa comentários e atesta a rapidez das previsões.  E, caso queira adquirir o seu, clique aqui.

Atualização em 07 de novembro de 2012: Alguns links interessantes para o entendimento da profundidade dessa lâmina: aqui, aqui e aqui

sábado, 8 de janeiro de 2011

... E a bola de cristal?

Olá pessoal. Meu padrinho e sua família estão aqui conosco, em Três Corações. Conversando com ele ontem, sobre (adivinhem!) Cartomancia e Tarot, fui interrogado sobre minha experiência com a bola de cristal, que ele havia me dado em 2000. Conforme vocês já sabem, não foi lá muito... frutífera. Mas a pergunta dele me ofereceu um tema para conversarmos. Dá uma olhadinha na minha bola de cristal, em seu lenço:



Segundo o dicionário Priberam, cristalomancia seria a "Suposta forma de adivinhar por meio de gelo, cristal ou espelho" (grifos meus). Espelho eu já conhecia, não pelo nome de cristalomancia; mas... gelo?
Novo para mim. Procurarei saber se existe mesmo uma criomancia... Procurarei saber.
Mas voltando ao nosso tema, cabe aqui um excerto do livro Despertar das Bruxas, da Julia Maya (Ed Madras). Cabe dizer que encontrei o mesmo texto sem referência bibliográfica em vários sites. Sim, eu comparei linha a linha do livro com a página da Internet. Mais que apontar a má-fé em relação ao trabalho dos outros, queria ressaltar a ausência de estudos sobre o assunto. Será que não existem mais pessoas que utilizem esse oráculo e desejem escrever a respeito? E, como a Júlia Maya não aponta sua bibliografia, não temos como ir mais longe. Existe um livro do Arthur Edward Waite, As Ciências Ocultas (Ediouro) que não tenho aqui à mão, mas que assim que estiver por perto utilizarei para atualizar essa postagem, pois, salvo engano, há algo nele sobre esse assunto





"A Bola de Cristal é um instrumento das artes adivinhatórias, muito popular entre os videntes. A cristalomancia é também muito praticada pelas bruxas em magias, mas com um propósito ainda maior. É por onde se comunica com a Grande Mãe, recebe-se mensagens da Deusa que fortalece e orienta bruxos e bruxas. A Bola de Cristal reflete mensagens ajudando a descobrir mais sobre o nosso mundo interior, que é o mundo da Deusa na bola de cristal.
Veja a seguir, alguns exemplos básicos da interpretação de figuras da cristalomancia:


Nuvens violetas: harmonia e tranqüilidade.
Nuvens azuis: conquista e felicidade.
Nuvens verdes: lucro e prosperidade.
Nuvens amarelas: dúvidas esclarecidas em breve.
Nuvens laranjas: decisões difíceis e definitivas.
Nuvens vermelhas: obstáculos e agitação.
Manchas claras: pequenos problemas.
Manchas escuras: grandes problemas.
Estrela: sonhos impossíveis.
Coração: vivência de um grande amor.
Serpente: cuidado com a saúde.
Pássaro: surpresas.
Olho: siga mais a sua intuição.
Espada: desarmonia.
Balança: recompensa justa.
Imagem anterior à bola: presente ou futuro imediato.
Imagem posterior à bola: passado agindo no presente.
Imagem à direita da bola: boas influências.
Imagem à esquerda da bola: más influências. "




No seu Caminho das Pedras (Ed Nova Era) Antonio Duncan diz, a respeito das bolas de cristal: "As Esferas são lapidações especiais e distribuem a energia de uma forma homogênea. São ótimos instrumentos para meditação e clarividência". Eu percebo, na leitura dos textos do Antonio Duncan (aluno, por sinal, de Katrina Raphaell), que mesmo uma ponta de cristal pode ser um veículo de clarividência, já que existem cristais específicos para comunicação: canalisadores, receptores, Dow, Elos do Tempo, Bibliotecas...
Para quem sentir vocação... Divirta-se. Fico com meus baralhos... Ainda que não perca a curiosidade e o desejo pela experiência desse oráculo, que depende tão mais do transe que o Tarot.
Abraços a todos.