sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ameaça nas trilhas do Tarô

Será possível prever o futuro pela leitura das cartas do Tarô?
Carolina resolveu experimentar e…
Muitas ameaças se anunciaram para ela e seus amigos, Fátima, que não conseguia amar de verdade, e Fabrício, que não decidia com quem iria morar após a separação dos pais.
Carolina será capaz de compreender a mensagem dos misteriosos arcanos para poder evitar o perigo, ajudando seus companheiros e a si mesma?
Para saber, só mesmo mergulhando nos segredos desse universo místico, juntamente com um grupo de jovens estudantes que descobriu um baralho muito antigo e mágico.




Olá pessoal. Duvido que algum de nós que gosta de ler tenha passado incólume pela Série Vagalume. E, revendo a lista de livros para ver qual eu ainda não tinha lido, reencontrei esse título que, além de me transportar anos atrás, me motivou a ler um livro com um novo olhar. Quando eu o li, era só um moleque interessado em esoterismo que lia revistinhas de banca achando que poderia interpretar os mistérios do mundo. Hoje, sabendo que já tá bom demais eu conseguir interpretar um baralho de Tarô e olhar pro meu futuro com olhos bem mais condescendentes (porque mistérios do mundo é coisa demais para uma vida só), quis reler a obra Ameaça nas trilhas do Tarô, de Sérsi Bardari.



Na época em que eu li, eu não tinha o acesso fácil à tecnologia que tenho hoje. Hoje, quando nos interessamos por uma obra, lançamos seu nome num site de pesquisa e vemos o que temos de resumos, resenhas, opiniões. Nesse caso, específico, eu preferi o caminho antigo. Comprei o livro (tá ok, foi pela internet, nem foi o caminho antigo ipsis litteris) e o reli. Com olhos de primeira vez, mas atento aos detalhes que não seria capaz de captar outrora - eu amadureci e outros horizontes se delinearam. Talvez por isso eu goste tanto de reler livros - eles revelam até onde eu consegui ir desde que os manipulei pela primeira vez.
A história fala de Carolina, uma menina tímida, por volta dos seus quinze anos - está na oitava série - que adquire um baralho de Tarô (um Tarô de Marselha - não tínhamos na época a variabilidade de baralhos acessíveis no mercado brasileiro atual) e começa sua jornada (uma história bem familiar a muitos de nós, não?)


Carolina abre as cartas para sua amiga Fátima.
Ilustração de Bilau & Salatiel para o livro. 
Ameaça nas Trilhas do Tarô, p.32


Esse livro, como todos os demais pertencentes a essa série, é facílimo de ser encontrado em qualquer biblioteca pública ou biblioteca escolar. E valem muito a pena, por sua leitura fácil e agradável, fluida e descompromissada, escondendo grandes lições cotidianas. Para se ter por perto a qualquer momento, passagem de metrô, viagem de ônibus, espera por um táxi... intermeio de caminhos até o veículo certo poder levar você ao seu destino.
E você? Quais livros da Série Vagalume você leu? Que tal relembrar aqui?
Tive a gratíssima surpresa de encontrar o autor, Sérsi Bardari (site), para um bate-papo online. O resultado de nossa conversa você lê em seguida.



1. Você joga Tarô? Se joga, há quanto tempo?


Eu aprendi a jogar o Tarô Egípcio com uma moça que chama Nelise, que, hoje em dia, se eu não me engano, está em Brasilia. Isso foi na década de 1980. Naquela época, comecei lendo as cartas para conhecidos e depois acabei lendo por um curto período de tempo profissionalmente. Mas logo percebi que não queria continuar, pois tinha de ser algo doado, e só para pessoas que soubessem compreender o modo simbólico e voltado para o autoconhecimento.


2. Como surgiu a ideia do livro Ameaça nas trilhas do Tarô?


Eu sempre entendi as cartas como um grande auxílio de acesso a conteúdos inconscientes, para um processo analítico. Como estudioso da obra de Carl Gustav Jung, percebi no Tarô um modo de driblar a mente mente racional, como forma de acessar o lado emocional e, assim, tentar um equilíbrio em ambos (racional e emocional) de modo a atingir o self.
Daí, por conta das minhas leituras de Jung, do Tarô e das minhas concepções sobre esse jogo milenar, pensei em repartir esse conhecimento com os jovens.


3. As imagens do livro remetem diretamente ao Tarô de Marselha editado pela Editora Pensamento (falo isso por causa da imagem do verso das lâminas na página 99), mas os significados que você aplica não estão no livro do Carlos Godo, que muito pouco disserta sobre as cartas numeradas, as cartas que mais aparecem nas leituras de Carolina. Quais foram suas fontes de pesquisa sobre Tarô para compor os significados que aparecem no livro?


Sim, eu usei o Tarô me Marselha, por ser o mais conhecido. Mas, para descrever os significados dos arcanos menores, eu fiz uma interpretação a partir da carta equivalente no Tarô Egípcio. Esse Tarô é enumerado de 1 a 78 e não se utiliza dos naipes. As descrições dos arcanos menores nos manuais do Tarô Egípcio são bem mais completas. Além disso, as imagens são simbólicas e estão associadas ao alfabeto hebraico que à astrologia. Por isso, permite uma interpretação mais aprofundada.




4. O método empregado por Carolina no livro é um Arcano Maior + três Arcanos Menores. Caso você realmente jogue Tarô, é esse o método que você emprega?


Conheço alguns métodos. Um de 9 Arcanos Maiores e 16 Arcanos Menores; um de cinco arcanos Maiores; um de Três Maiores e Sete Menores. Esse de Um mais Três é um método rápido, quando se está em busca de alguma resposta mais pontual.


5. Você conseguiu criar uma personagem que, ao mesmo tempo que reflete interiormente sobre a função do oráculo em sua vida, leva os demais a refletirem sobre suas próprias crenças, usando o Tarô numa escrita suficientemente leve, dada a própria natureza de literatura infanto-juvenil. Em sua opinião, qual o papel do romance na propagação e divulgação do Tarô?


Sinceramente, eu imaginei que o livro fosse ter uma repercussão maior do que teve, especialmente por conta, além do Tarô, do suspense inserido na narrativa. Ocorre que o livro é indicado por professores nas escolas e, creio, que tenha causado algum tipo de receio por parte dos educadores. Imagino que os professores tenham indicado pouco por terem dificuldade (por conta de desconhecimento) de abordar esse assunto com os jovens. No entanto, já recebi muitas cartas e e-mails de jovens que leram o livro por conta própria e passaram a se interessar por esse importante instrumento de autoconhecimento.


Bem pessoal, é isso. Gratíssimo à contribuição do Sérsi Bardari ao Conversas Cartomânticas e, como não poderia deixar de ser, recomendo a leitura desse livro delicioso.
Abraços a todos.

5 comentários:

  1. olha q li mts livros da série e esse n conhecia! vou comprá-lo com certeza! obrigada msm pela postagem! vou compartilhar no meu facebook! bjssss

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    1. Oi Roberta! Que bom que gostou! O livro vale muito a pena, mesmo, vale a pena adquiri-lo. Abração!!!

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  4. Olá, Emanuel.
    Adorei este post.
    Não conhecia este livro, acabei sabendo da existência dele através de uma reportagem no jornal aqui de BH sobre troca de livros usados e vi esta capa em meio a outras mais.
    Bom, a "Série Vaga-lume" é um luxo.
    Respondendo à sua pergunta, aí vão os que li:
    A Ilha Perdida (1º e inesquecível)
    O caso da borboleta Atíria (amo)
    Spharion
    A serra dos dois meninos
    Aventuras de Xisto
    Cabra das Rocas (muito triste)
    Cem noite tapuias
    Coração de onça
    O escaravelho do diabo (fabuloso)
    O feijão e o sonho
    O mistério do Cinco Estrelas

    E os da série Para gostar de ler.

    Abraços.

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Quando um monólogo se torna diálogo...