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terça-feira, 22 de outubro de 2013

TAROLOG: Workshop de Tarô Online.


Olá pessoal. O atendimento online é uma das categorias mais avant garde e em franco crescimento no Brasil. Existem ainda controvérsias sobre sua eficácia, mas, de minha parte, garanto seus efeitos. Tenho convivido com profissionais que trabalham diretamente nessa modalidade e eu mesmo também tenho exercitado esse trabalho. 
A adaptabilidade do cartomante à modalidade e sua integração às novas interfaces de comunicação garantem que o potencial adivinhatório e terapêutico dos oráculos logrem êxito pleno. Recomendo, muito, àqueles que não experimentaram, que experimentem.
Para os profissionais, contudo, faltava um know-how, uma metodologia, uma reflexão profunda sobre a forma de começar. Não adianta, reitero como sempre, conhecer as cartas, simplesmente. Durante uma consulta presencial, o cartomante possui a possibilidade de estender ou encurtar o tempo em função da intensidade da consulta, algo que, online, é ditado pela forma como o consultente quer ser atendido. 
E para isso é necessário savoir-faire.
Se faltava uma perspectiva de aprofundamento, não falta mais. Teremos, entre os dias 09 e 10 de novembro, o Tarolog - um workshop de tarologia online. 


Esse evento, desenvolvido por sites gabaritados da área - entre eles o Caminhos do Tarô, site do qual faço parte - traz luz à essa prática e conhecimento tanto àqueles que querem se inteirar da metodologia como também àqueles que já estão na estrada há um certo tempo.
Vamos?

Caso interesse em participar, cite o Conversas Cartomânticas na sua inscrição.
Espero vocês por lá!

terça-feira, 12 de março de 2013

Conhecimento versus (?) intuição.

Olá pessoal. Essa postagem é o resultado de conversas no grupo de estudo da Odele Lopes. Esse ás da nossa cartomancia tem nos proporcionado estudos fascinantes, e tem nos levado à profundidade em diversos aspectos, dialogando com os mais diversos baralhos numa linguagem acessível e carinhosa. Meu carinho e gratidão a ela, por tudo o que fez e faz pela cartomancia neste mundo (e nos outros).


Existe um certo preconceito em relação aos profissionais que se utilizam da intuição (somente, ou em grande parte) para efetuar suas leituras. O primeiro problema decorre do fato de ser praticamente impossível avaliar uma leitura que provém de um profissional desses, já que os seus valores e interpretações estão em um nível subjetivo e profundo. Da mesma forma, eu mesmo tenho uma certa reserva com quem lê um livro ou faz um curso e acha que está capacitado para atender ou mesmo dar cursos de cartomancia. É necessário, é fundamental viver o oráculo por um tempo, para entender seus limites e possibilidades, e esses são valores que professor nenhum pode ensinar. Algumas pessoas tem facilidade em ver questões amorosas; outras, tem facilidade em ver o futuro; outras, em dissecar o passado; outras, em ver desgraças e por aí vai. São especificidades subjetivas que estão ligadas à singularidade do cartomante, e não à habilidade do professor ou a natureza do oráculo. Não é porque dizem que não é aconselhável ver morte nas cartas, que efetivamente não se vê morte nas cartas.
O segundo problema decorre da capacidade de persuasão de alguns profissionais ser maior que sua capacidade de ser um oráculo (leia-se: trambiqueiros...) Já falamos aqui no blog sobre esse tipo de profissional, que é o alvo de programas de televisão que visam denegrir nossa prática profissional. Não me estenderei nesse ponto, por ora; creio que você, que está lendo, está alinhado sinceramente com a vontade de ser oráculo. Com todo o peso que essa profissão carrega. Pesemos então, intuição e conhecimento.


A intuição é fundamental para a leitura do oráculo. Simples: em meio a inúmeros significados, como "escolher" o correto? E como que a linha de raciocínio permanece coesa? E, sendo as mesmas cartas, como os resultados são diferentes? E como sentimos aquela sensação de certeza no que vemos?
Ainda assim, não gosto da palavra "intuição" justamente porque ela soa como justificativa quando a pessoa não sabe o motivo do que vê, ou, pior, quando fala sem saber direito o caminho que a visão seguiu. Aí vem o conhecimento. O que não inviabiliza o seu uso, só o seu uso como justificativa.
Da mesma forma, o conhecimento do oráculo é fundamental para a leitura do mesmo. Você tem que conhecer os LIMITES de cada carta, para que elas sejam específicas. Quer ver? Tentem pensar em qual carta, entre os 22 Maiores do Tarô, representa mudança. Depois que vocês pensarem um pouquinho, verão que pelo menos cinco cartas correspondem a esse possível significado, mas cada uma é específica na sua colocação. Para você explicar o que está vendo, seu vocabulário (leia-se, conhecimento) deve corresponder à sua habilidade em ler. E essa foi uma lição que aprendi para nunca mais esquecer com a Kelma Mazziero: seu vocabulário tem que ser muito bom, e o dicionário tem que estar entre os seus livros principais de tarô. As palavras tem poder

De quê adianta uma tabela como essa,
se você não sabe usar ou, pior,
se você não vê utilidade?

Logo, se torna aqui viável a colocação do Nei Naiff, quanto às diferenças de prática entre taromantes/tarotistas e tarólogos. Todos nós que lidamos com cartas somos cartomantes, sempre bato nessa tecla. Ok que a palavra se tornou pejorativa, mas isso se deve ao uso até então. Eu reforço seu sentido positivo com a esperança que, daqui a alguns anos, o nosso reconhecimento como cartomantes alivie o seu peso e seja diametralmente diferenciada de charlatanismo. Ainda assim, todos sendo cartomantes, temos entre nós alguns tem habilidade para pesquisar os significados e conversar sobre eles, outros são mais focados na adivinhação (e, antes que alguém me apedreje, a "terapia" que as cartas oferecem nada mais é que uma adivinhação, sim?). É importante sabermos que existem dois campos dialogantes que não se desmerecem. Mas, num grupo de estudos, claro que o conhecimento se fará marcadamente presente. Contudo, reitero, na prática, a mão que manipula as cartas é sempre soberana, sempre mesmo. Não importa se o que você vê está ou não no livretinho, se o teu cliente - o único juiz que importa - estiver satisfeito e reconhecer a verdade nas suas palavras, não há o que desmerecer. 
Embora, seja intuição, seja conhecimento, seja ambos, sem treino, não há fruto.
Ninguém nasce pronto para a cartomancia. Nascemos suscetíveis, mas nunca prontos. É o treino e a prática que nos balizará para a avaliação de nossos clientes.
Abraços a todos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Você tem vinte e quatro horas. Ou: da interpretação dos significados oraculares de forma reflexiva.

A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
- Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...
 Machado de Assis. A Cartomante.

Olá pessoal. Eu fico pensando na questão tripartida que nos norteia sempre. O diagnóstico. A previsão. O aconselhamento. Três faces da adivinhação. É um pouco assustador, no começo, justamente porque precisamos da confirmação de que estamos agindo corretamente, e isso só vem com o tempo. E com o tempo, também vem vocabulário, para podermos esclarecer aquilo que vemos em uma ou duas cartas com bem mais de duas ou três palavras-chave. E quando a previsão não é das melhores, o que fazer?


E quando a previsão vem codificada? Existem dois momentos que me dão desespero: quando a mensagem vem codificada (e isso ocorre geralmente quando jogo para mim mesmo); uma frase, uma única frase, em meio a diversas cartas. E não adianta torcer que mais caldo não irá sair.
A segunda situação é quando, dadas as circunstâncias do jogo, eu sou obrigado a dizer coisas que, pessoalmente não diria de jeito nenhum. Você joga para uma pessoa conhecida. Ela está apaixonada. Você vê, com sua experiência, que aquilo não tem a menor chance de dar certo. A língua coça. E você é desmentido pelas cartas. As cartas dizem que vai dar certo. Respiro fundo, várias vezes, mas passo o recado. O oráculo é sempre soberano ao oraculista.
Mas hoje, atenhamo-nos ao primeiro caso. Quando a mensagem vem codificada.


Perceba o que ocorre na tirinha. Eu fico pensando se o consulente parou para pensar se a cartomante acertou ou errou. Em que nível estava o acerto, em que nível (poderia estar) o erro.
Bem, independente da natureza do prognóstico, confie no que vê. A confiança é fundamental para o bom resultado. A confiança é fundamental para a clareza da resposta. E só se obtém confiança praticando. Então pratique. Reconheça as cartas. Reconheça o que você vê. 
E, consulente, confie no seu cartomante. Não estou dizendo para acreditar em cartomancia, crença absolutamente desnecessária para o funcionamento do oráculo. Mas você precisa ouvir. Precisa entender. E precisa perguntar - quanto mais específica a pergunta, mais específica a resposta.
Sigamos traduzindo e transmitindo mensagens.
Abraços a todos.

sábado, 4 de agosto de 2012

Biografia ou: da relação inversamente proporcional entre glamour e competência.

Olá pessoal. Vi, esses dias, no oceano de postagens do Facebook, uma pequena troça com alguns cartomantes com biografia semelhante à minha: Jogo Tarot desde os 13... e não tive professor de Tarot. Aprendi por aí com o mundo (Tum Dum Tss). O tom jocoso de uma frase como essa merece uma reflexão maior sobre o status do ensino-aprendizagem do Tarô no Brasil. Ainda temos alguns preconceitos e até mesmo um certo glamour no autodidatismo ou na hereditariedade que não são, no limite, interessantes para o crescimento e desenvolvimento da profissão.

Roda da Fortuna
Tarô das Bruxas (Ellen Cannon Reed)

A hereditariedade é, ainda hoje, um status desejado. Todos nós desejamos deixar nossa marca no mundo - alguns, destruindo, outros, construindo. Essa marca normalmente é deixada pela tarefa que desempenhamos, na maior parte das vezes profissionalmente. Em outras épocas, o ofício era tão importante que virava sobrenome: Taylor, Schumacher... Ainda que Elisabeth fosse uma atriz e Michael um piloto de Fórmula 1. Tradições se mantém ainda que não tenham mais o sentido original. 
E é aí que está. Nem sempre o que queremos passar encontra eco na alma daqueles que vem depois de nós, e não adianta dizer que filho de peixe, peixinho é porque nem sempre o mote funciona. A sociedade contemporânea ocidental carece de valores sólidos, por um lado, porque lutou pela sua liberdade de escolha e expressão, por outro. Toda ação gera uma reação.
E o oposto também é verdadeiro. Nem sempre o que queremos manter honra os nossos antepassados, ainda que tenha sido vivido por eles. Ninguém quer que seus sucessores tenham uma vida tão ou mais difícil que a que viveu. Buscam-se outras escolhas para os que vierem depois. 
E aí correlacionamos tudo isso com Cartomancia. Entre aqueles que pertencem e simpatizam com o meio, ser Cartomante hereditário soa como algo pomposo, glamouroso. Acreditem no que digo: não é. Você aprender com um parente é maravilhoso, sinceramente. Mas não acrescenta nem diminui nada na carga de estudos que temos que manter, ou no desenvolvimento das faculdades de leitura, notadamente a intuição. Essas coisas não vem por herança pura e simplesmente - habilidades tem que ser desenvolvidas, senão atrofiam. E isso é um esforço diário do estudante, não do mestre.
Eu aprendi Cartomancia com a minha avó. Mas engana-se quem acha que ela era uma Feiticeira-reencarnada-depois-de-anos-sendo-queimada-vida-após-vida-pela-Inquisição. Minha avó era uma mulher comum, com casa para arrumar, animais para cuidar, rosas (suas flores favoritas) e outras plantas para regar, ou seja, tinha bem mais o que fazer do que ficar explicando por horas a fio as possíveis combinações entre as cartas. Ela me ensinou o básico e disse: TREINE. 
Estou treinando até hoje. 


E, aproveitando o link, tem outro título por demais glamouroso, para além do que merece. Autodidata. Acho fantástico quem aprende um instrumento musical sozinho. Violão, quer coisa mais linda? Aprender sozinho é excelente em alguns aspectos. Você dá sentido a cada passo a partir da sua própria experiência. Por outro lado, o risco de desistir é muito grande, no meio do caminho, por não saber qual é o próximo passo. Existe também o risco de se contentar com pouco. Com aquilo que conseguiu sozinho, ainda que frente à necessidade sua conquista seja algo incipiente.
Eu sou tarólogo autodidata. Aprendi a lidar com os setenta e oito arcanos sozinho. Sozinho não; com os feedbacks de diversos clientes nesses onze anos de prática. Olha a palavrinha aí de novo: prática. Acrescente a ela muito estudo. Mas muito mesmo.
Não sou autodidata por opção. Não tem nada de glamouroso nisso. Eu sou autodidata porque não tinha dinheiro para comprar um baralho, que dirá para pagar um professor! Eu tinha quinze anos e não trabalhava, como aprender? Se eu não me virasse, jamais aprenderia qualquer coisa.
Comprei um baralho de segunda mão. Era um Jean Payen com os Arcanos Menores de outra edição marselhesa. Vinha com uma revista, que é boa, por incrível que pareça. Os textos são de fato muito bons. E dá-lhe estudar. E jogar. Na Biblioteca Pública encontrei mais alguns livros, mas eram sobre o Waite-Smith. Perae, mas o Sol não tem dois menininhos? Daonde apareceu esse cavalo? Cadê o outro menininho? Será que isso muda o significado? Será que esse livro serve para eu estudar? Será que funciona?
E assim eu estudei Tarot por uns bons três anos, entre atendimentos e literatura escassa. Hoje temos a Priscilla Lhacer para trazer com grande facilidade baralhos importados e raros para nós. Mas antes, devíamos nos contentar com as poucas edições que encontrávamos por aqui. Notadamente, do Tarô de Marselha e outros ligados à Escola Francesa.
E, claro, o Tarô Mitológico. Um baralho que fez escola no Brasil. Muitos de nós que começamos na década de noventa do século passado devemos a esta obra o estudo dos Arcanos Menores. Ainda bem.
Eu agradeço, enormemente, àqueles que confiaram em mim e inclusive me presentearam com baralhos e livros que eu não poderia ter obtido nessa época. Sem esse carinho, seria impossível que eu estudasse. Não por falta de vontade; era falta de obras, mesmo. 
Por outro lado, isso levou esse que vos fala a praticar muito. Olhar o Marseille Grimaud com olhos de primeira vez, sempre. Cada cor, cada forma, eram dissecadas ponto a ponto para que aquilo que o livro dizia fizesse sentido. Organizações das cartas estudadas à exaustão. Não haviam hierofanias ou desciam anjos para me contar segredos das cartas. Era só um olhar, e olhar era tudo.
Hoje, dado o esforço, dado o empenho, eu conheço minhas cartas o suficiente para saber que uma vida é pouco para conhecê-las. Eu não me ative ao posto de autodidata como um título, mas sim como um desafio. Creio que é assim que esse título deveria ser visto; não como um fim, mas como um meio, um caminho. Mais complicado de se trilhar, claro, mas ainda assim muito proveitoso.



Abençoado seja o momento em que vivemos. Em que temos um catálogo de obras muito legal e acessível a todos - se não a obra nova, temos a Estante Virtual para adquirir livros que já estão fora de catálogo. Temos acesso a uma miríade de baralhos, nacionais e importados. Se hoje eu tenho um Ancient Italian, meu baralho do coração, é porque a Nath trouxe para mim. Agora, é possível pedir para a Priscilla com pronta-entrega e competência. Hoje temos eventos que unem as pessoas em torno do ensino-aprendizagem: acabei de vir da Confraria Brasileira de Tarot e a Pietra e o Edu já organizaram outro seminário, desta vez de Tarô para Tarólogos. Quem estiver em São Paulo não pode perder.
As possibilidades se ampliam. Cursos se multiplicam, tanto presenciais quanto virtuais, com professores renomados. Que, inclusive, possivelmente passaram pelas mesmas dificuldades/desafios que aponto aqui.
Aproveitem as oportunidades que se delineiam na profissão. E esqueçam pequenos arroubos egoicos que permeiam a arte. Já são por demais démodé para merecerem atenção.
Abraços a todos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Poker e Cartomancia: uma análise possível?


Olá pessoal. Estive pensando em uma coisa... E resolvi experimentar. Já falamos aqui, antes, sobre a interpretação dos acúmulos de números e naipes em um jogo. Mas, vendo alguns vídeos (eu já falei que eu sou viciado em baralhos? ^^), percebi uma possibilidade de ampliação das possibilidades significativas dos jogos. No Poker.


O Poker é um jogo de cartas, com apostas, para dois ou mais jogadores, onde vence quem possuir a melhor combinação de cartas. Segundo a Wikipédia, o pôquer desenvolveu-se nos Estados Unidos e desde logo tornou-se o jogo de cartas favorito dos norte-americanos, especialmente dos pioneiros do Oeste. A origem do pôquer é muito antiga e está ligada a vários outros jogos que também se baseiam em combinações de cartas do mesmo valor e que apresentam um sistema de apostas muito semelhante ao do pôquer atual.  


Não sou jogador, ainda. Mas vamos combinar que, para quem gosta de um carteado, é um jogo que tem glamour e agressividade na medida certa. 


Sobre esse jogo houveram diversas manifestações artísticas. Filmes (esse aqui eu não vi ainda, esse aqui comentamos no blog), desenhos (foi minha grata surpresa conhecer o Gambling King, no Ranma 1/2) e games (particularmente, eu adoro Devil May Cry... Especialmente o Capítulo 09, Death Poker: Assista: Parte 1Parte 2, Parte 3), vídeos, músicas (Leonardo Chioda comenta aqui, Eric Clapton surpreende aqui), livros. O clima tenso que existe numa mesa de jogo é de tal natureza que equivale a um filme de suspense. Por uma perspectiva romântica, vidas se definem numa mesa de jogo. Para melhor ou para pior.


Não é do nosso interesse imediato as regras do jogo em si, mas as combinações de cartas. Pensando na antiguidade das possibilidades combinatórias, e utilizando da Lei da Analogia, tais combinações poderiam ser, a partir do naipe e da numeração, ter novas atribuições dentro de uma mesa de consulta. Pois, no fim das contas, a Cartomancia ainda é um jogo.


Como já disse mais de uma vez, para a Cartomancia sou contra tabelas específicas, mas acho bem interessante utilizarmos generalizações significatórias para a interpretação pessoal. Por exemplo: no Petit Lenormand, 13+17 representaria gravidez; mas SÓ gravidez? Por outro lado, três rainhas (vejamos: 07, 09 e 17, para exemplificarmos) indicam "decepção por conta de uma mulher ou por mulheres", informação que ganha em sentido a partir das interpretações das lâminas correspondentes.


Por isso, vou testar e vamos conversando a respeito, as perspectivas simbólicas das mãos de Poker na Cartomancia.
Conforme o site da COPAG, os valores são os seguintes, em ordem decrescente:


1) Straight Flush: cinco cartas do mesmo naipe, em seqüência. O Straight Flush mais alto, chamado Royal Straight Flush, é formado por Ás, Rei, Dama, Valete e Dez. O menor, dependendo da menor carta utilizada (6 ou 7), é 10, 9, 8, 7 e Ás ou 9, 8, 7, 6 e Ás. Entre dois ou mais flusches, ganha o que for encabeçado pela carta mais alta. 
2) Quadra: quatro cartas do mesmo valor - 4 Ases, 4 Reis etc. Entre duas ou mais quadras, ganhará a que for formada pelas cartas mais altas. (Essa possibilidade já vimos antes)
3) Full hand, full house ou full: um terno (três cartas do mesmo valor) e um par. Exemplo: Dama, Dama, Dama, 9 e 9. Entre dois fulls ganhará aquele que tiver o terno maior. 
4) Flush: cinco cartas do mesmo naipe, que não formam seqüência. Se houver dois ou mais flushes, ganhará o que for encabeçado pela carta mais alta; se estas forem iguais, considerar-se-á a segunda maior, a terceira, se houver necessidade, e assim por diante. Só haverá empate se as cinco cartas de dois jogadores tiverem os mesmos valores (cinco cartas do mesmo naipe já vimos antes). 
5) Seguida, seqüência ou straight: cinco cartas em seqüência, independentemente dos naipes. Entre duas seguidas, ganhará a que for encabeçada pela carta de maior valor. Exemplo: Ás, Rei, Dama, Valete, 10 e 10, 9, 8, 7, Ás (valendo como seis) - vence a primeira. 
6) Terno ou trinca: três cartas do mesmo valor. Ganha a trinca mais alta (também já vimos antes). 
7) Dois pares: duas cartas do mesmo valor, outras duas do mesmo valor e uma quinta carta qualquer. Exemplo: 10, 10, 7, 7 e Ás. Se dois jogadores tiverem dois pares, ganhará aquele que tiver o par maior. Se este empatar, considerar-se-á o segundo par. Se este também empatar, ganhará quem tiver a quinta carta maior (A Cartomancia Francesa considera os pares - vide o Tarô Adivinhatório (Ed Pensamento; não consideraria no Tarot, mas é uma possibilidade para o baralho comum. O problema são as atribuições dadas por Papus... Teriam que ser melhor estudadas, e em alguns casos, novas atribuições oferecidas). 
8) Um par: duas cartas do mesmo valor e outras três cartas de valores diferentes entre si. Exemplo: Rei, Rei, 9, 7, 6. Quando dois jogadores tiverem um par, ganhará quem tiver o par de maior valor. Se ambos tiverem o mesmo par, serão consideradas as cartas restantes. Exemplo: 8-8-Ás, 10, 9 ganha de 8-8-Ás-10, 7. Se todas as cartas de duas mãos forem exatamente iguais, as fichas apostadas serão divididas. 


Como será que isso fica quando atribuímos significados aos que ainda não possuem? E, por outro lado, como será que um Cartomante antigo veria essa possibilidade?
Abraços a todos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Organizando o baralho de Tarot

Olá pessoal.
Cada baralho, para mim, possui uma especificidade de vocabulário. Contudo, todos falarão sobre os temas que o consulente precisa entender. A minha escolha decorre do vocabulário que considero mais adequado à compreensão do consulente.
Mas, pensando no uso do Tarot e dialogando com o post anterior, gostaria de falar um pouco sobre as diferentes formas de se utilizar o grupo de cartas que forma este baralho, especificamente. Afinal de contas, da forma de utilização deriva a denominação...



22 cartas: É o costumeiro para iniciantes, ou para aqueles que tem alguma dificuldade com os Arcanos Menores. Das informações oriundas do nome, do número e da imagem dos 22 Arcanos são hauridas as principais leituras. Utilizo essa estrutura em jogos de emergência, quando quero uma resposta rápida. Existem cartomantes que se especializam no uso desse grupo e conseguem respostas precisas, que eu conseguiria com o uso do grupo todo – Arcanos Maiores e Menores.
Por vezes, deixo os Arcanos Menores de lado apenas para treinar a Visão do cotidiano aplicada aos Arcanos Maiores.



42 cartas: Não é muito usual, mas considero uma alternativa de transição para o baralho completo. São utilizados, além dos 22 Arcanos Maiores, a Corte – Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete – somados ao Ás de cada naipe. Dessa forma, os personagens da Corte representam pessoas ou situações, e os Ases a plenitude da informação oriunda do naipe. No Brasil, tenho conhecimento de dois baralhos editados dessa forma: O Tarô Místico, da Celina Fioravanti, e o Tarô dos Anjos, da Monica Buonfiglio. Nenhuma das duas autoras remetem esse jogo a uma tradição ou a uma edição anterior em sua bibliografia, embora afirmem que seus respectivos baralhos são cabalísticos; não sei a procedência dessa forma de organizar as cartas, do que conheço das relações entre Tarot e Cabala. Não acredito, por falta de referências, que esta organização seja legitimamente brasileira. Utilizo o método apenas quando trabalho com os referidos baralhos.
Nota em 27 de março de 2011. Tendo ganho o Tarot Visconti-Sforza, tive o primeiro contato com essa forma de organizar o maço de cartas, de origem internacional. Stuart Kaplan sugere o uso das 42 cartas para a Cruz Celta, ou jogo de 10 cartas. 



56 cartas: Quando são utilizados apenas os Arcanos Menores. Nunca usei; quem aponta para este uso é a Patricia Fernandes. Quando é para usar as cartas ligadas ao cotidiano, prefiro usar o Baralho Inglês (nossas cartas comuns de jogar), de 52 cartas (quando usamos os significados das cartas de Tarot para as cartas de jogar, os significados do Cavaleiro se diluem entre o Rei e o Valete), ou o Baralho Francês, de 32 cartas (que possui significados levemente diferentes). Como já disse antes, não sei utilizar o Baralho Espanhol... ainda. E não possuo (ainda) o Grand Jeu de Mlle. Lenormand.



78 cartas: a forma mais completa de usar o Tarot, com seus 22 Arcanos Maiores e 56 Menores. A forma que eu utilizo correntemente, quando a edição do baralho permite. Dividindo os naipes em temas, e tomando os Arcanos Maiores como as lições a aprender, temos um panorama completo da vida do consulente com extrema precisão e máxima facilidade. É um pouco difícil guardar os principais significados de cada carta, sobretudo das cartas numeradas do Tarot de Marselha; devido a esse fato, temos hoje em dia baralhos com ilustrações que auxiliam a interpretação das mesmas (todos herdeiros do Rider Waite) ou com nomes próprios nas cartas (como o Thoth de Aleister Crowley). Só a prática, contudo, nos garante a precisão, nessa ou em outras organizações, mesmo que somente de 22 lâminas.
Até a próxima.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Níveis de leitura das cartas


Olá pessoal. Muita gente acha que para ser cartomante é necessário ter um "Dom", ou coisa que o valha. Não concordo muito com isso. Acho que o dito "Dom", na verdade, corresponde a níveis de sensibilidade às imagens que compõem o oráculo. Por analogia, peguemos o xadrez: qualquer um pode aprender os movimentos, a disposição das peças, mas só alguém com vocação para enxadrista vai ter boa vontade e paciência para ficar horas bolando estratégias e revendo movimentos. Ou andar de bicicleta, quem sabe?, qualquer um aprende, mas quantos têm vocação para serem ciclistas? São muitos exemplos que mostram que o "Dom", na verdade, é disposição de seguir em frente com o aprendizado, depois de já ter entendido o processo. Qualquer pessoa pode aprender a ler os 22 Maiores, ou escrever os significados nas cartas do baralho comum, ou ler os poemas do Petit Lenormand. Acho super válido, inclusive - sempre incentivei meus alunos a escreverem em suas cartas do baralho comum. Mas, assim como é didático, é limitante, per se. Pense nos Arcanos Menores do Rider Waite: ao mesmo tempo em que nos inspiram informações sobre a essência da lâmina, nos limitam por sua própria representação. E o que dizer da nomenclatura dada por Crowley para os Arcanos Menores? Sete de Ouros é sempre... Fracasso? E só isso? Seis de Paus é sempre Vitória... e só isso?
Nesse sentido, é que acredito na vocação. É o desejo de ir além do oferecido (graciosa e belamente) pelos ocultistas e autores anteriores a nós. É o desejo de vivenciar a experiência do Arcano. Para o conhecimento do Arcano, os processos intelectuais bastam. Para a sabedoria do Arcano, dependemos da vivência.
Nesse sentido, apresento a visão de Silvia Theberge e Carlos Godo, sobre os níveis de leitura das cartas. Sincronicamente, encontrei esse texto em um backup que fiz entre 2006 e 2007. Engraçado, não?

Nível Físico

Ao nível físico corresponde uma interpretação literal das cartas, ou seja, pelo seu conteúdo gráfico, sem grandes preocupações intuitivas, pouco dependendo do grau de conhecimento ou de sensibilidade do intérprete. Trata-se de uma forma de leitura mais superficial, mais epidérmica, por isso mesmo mais conforme aos problemas do nosso dia-a-dia (…). Enfim, está em relação direta com nosso lado material, biológico, racional. Constitui a forma de leitura mais corriqueira, aquela comumente empregada pelos cartomantes e curiosos em geral.

Nível Mental
No nível mental em que começamos a nos aprofundar em nossas fronteiras abstratas, a interpretação já se faz vislumbrando a ação das forças e leis que regem a natureza, o cosmo. Aqui, a intuição começa a se mostrar, e o consulente começa a perceber suas relações com o mundo ao redor (e não mais apenas com o intérprete), as grandes tendências de seu futuro, porém já em termos de auto-avaliação. As experiências estético-sensoriais vão ocupando espaços antes preenchidos por sensações unicamente orgânicas. Em suma, o nível mental é o elo de ligação entre os dois extremos – o material e o espiritual.

Nível Espiritual
O terceiro e mais profundo nível, o espiritual, só faz sentido para aqueles que já se voltaram para o caráter eterno do ser, aqueles para quem o mundo material, com todas as suas atrações, já não exerce influência, ou, pelo menos, não mais ocupa lugar de destaque na escala de valores. Essas pessoas, tendo já transcendido suas limitações materiais, preocupam-se com sua parte imortal, passando a ter (e ser) um canal aberto aos planos superiores. Em tal situação, o estudioso do Tarô tem sua intuição extremamente aguçada, estando em condições de estabelecer suas próprias normas de conduta e de decidir sobre quais aspectos de sua vida deve interferir para obter maior crescimento espiritual e energético. Rompeu o ego, libertou o eu…


E você? Em que nível está?