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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um recadinho sobre 2012, dado pela Astrologia para 2010

Olá pessoal. Tenho visto TANTAS conjecturas sobre 2012, que fico meio cansado. Entediado. Como se nosso mundo já não estivesse dando sinais suficientes do que precisamos fazer para mudarmos o atual paradigma, vemos uma data dando um caráter inexorável para os fatos. É muito fácil abstrair-se da responsabilidade, neste caso.
Todavia, dadas as previsões para este ano, estou surpreso com tamanha atividade da Mãe Terra. É sério. Isso sim, é preocupante.
Uma grande amiga minha, Silvia Theberge, me encaminhou o seguinte texto que, dadas as referências, me pareceu muito pertinente. Não sou perito em Astrologia, mas dadas as visões que tive com as minhas cartas, achei muito sincrônico.

"Como você já deve ter percebido, 2010 começou forte. Parece que a Natureza “ligou o turbo”. No consultório, voltei de um mês de férias e encontrei a maioria das pessoas vivendo uma aceleração radical em seus processos existenciais. Em português simples e claro: “o bicho tá pegando”.
E a Astrologia, esta velha senhora, o que tem a nos dizer nesse momento? Ela pode nos auxiliar de alguma forma a compreendermos e nos posicionarmos melhor em relação ao que está acontecendo, e ao que há de vir?
Do alto de seus 5.000 anos de idade, dona Astrô não se abala muito com pouca coisa. Já viu impérios outrora indestrutíveis virarem ruínas...
Já viu civilizações que antes ditavam as regras, virarem pontos turísticos... Viu demônios virarem santos, santos virarem demônios, metalúrgicos virarem presidentes, astros do rock virarem astrólogos, políticos outrora muito populares virarem Judas... Enfim... Ela já viu de tudo... E sabe que “a vida vem em ondas como o mar”... Vem e vai... Vai e vem...
Dona Astrô pode nos auxiliar muito num momento desses, em que a corda está esticando. Pode nos lembrar de que isto é um ciclo, e que os ciclos têm a sua natureza, necessidade e duração.
E que ciclo é esse?
Teremos em 2010, mais precisamente no final de Julho de 2010, um alinhamento que (felizmente) não acontece todo momento.
Urano, planeta regente do signo de Aquário, um dos três “deuses da mudança”, geralmente associado a processos de quebras e rupturas radicais em modelos vigentes, completa uma volta e chega ao primeiro grau de Áries, que é também o primeiro grau de todo o Zodíaco. Só isto, já é um acontecimento astrológico significativo, que marca um momento de renovação.
Junto a Urano, vem Júpiter, considerado pelos antigos, como o grande “benéfico” do Zodíaco, também está associado a avanços em paradigmas ideológicos.
No início de 1762, os dois astros estavam alinhados no primeiro decanato do signo de Áries. Este ano é marcado pelo início da guerra entre Espanha, maior potência naval da época, e a Inglaterra, que passaria a ser a nova potência maior. O grande império ibérico caminhava para o fim, e o nascente império anglo-saxão começava a despontar.
Em 1845, Urano e Júpiter encontraram- se mais uma vez nos primeiros graus de Áries. Naquele ano, o parlamento britânico promulgou a “Lei Aberdeen”, que foi um passo decisivo para a futura libertação dos escravos, evento que também, sem dúvida nenhuma, foi paradigmático para os padrões da época, e iniciou um novo ciclo para a humanidade, visto que teve um impacto profundo nas relações sociais e econômicas dali para frente.
Em Julho de 1927, novamente Urano e Júpiter chegavam aos primeiros graus de Áries. Aquele foi um ano marcado pela primeira travessia sem escalas do Atlântico, realizada por Charles Lindbergh em seu “Spirit of Saint Louis”. Evento que sem dúvida deixou o mundo muito “menor” do que era até então. Aquele ano também foi marcado por acontecimentos políticos radicais que tiveram importância capital nos desdobramentos futuros. Em Agosto, uma revolta do exército chinês dá origem ao que viria ser o “Exército Vermelho”, que teve papel fundamental na revolução que transformou a face e a história daquele antigo país, e está na base do peso que ele tem hoje no planeta. Naquele mesmo ano, Benito Mussolini promulga a “carta do trabalho”, que transforma a Itália em estado corporativo, e abre as portas para o Fascismo, e Josef Stálin, após expulsar León Trotsky, torna-se líder absoluto do PC e da URSS. Novamente, um mundo estava terminando, e outro estava começando.
Como podemos ver, este alinhamento marca o início de uma mudança radical. As pessoas estão fazendo barulho a respeito de 2012, mas na verdade, o mundo acaba mesmo, é em 2010. Pelo menos o mundo tal qual o conhecemos até aqui.
O céu de 2012 não apresenta nenhum aspecto astrológico radical. Nenhum que chegue próximo ao que teremos esse ano.
Se não bastasse o encontro de Júpiter e Urano em Áries, que como vimos, marca novos momentos político-ideológicos, temos ainda a posição de Saturno, senhor do tempo e das colheitas nos primeiros graus de Libra, fazendo uma “oposição” exata á conjunção Júpiter-Urano. E Saturno não está só. Com ele vem Marte, como todos sabem, o senhor da guerra.
Se isso tudo não bastasse, Plutão, outro “deus da mudança”, implacável e compulsivo, faz uma “quadratura” a esse povo todo, nos primeiros graus de Capricórnio, outros signo “Cardinal”. O céu está pesado. De todas as conjunções anteriores que eu citei, essa é, sem dúvida, a mais tensa e a mais radical. O velho e o novo estão cara-a-cara para um confronto que já se anuncia há uns três anos.  E agora não tem mais como “empurrar com a barriga”, “não tem mais pra onde correr”.
O que está vindo pela frente?
Quem tiver olhos, verá... Um velho mundo morrendo, e um outro, novo, nascendo... Todos já estamos sentindo a onda gigante de renovação que está chegando...
As mudanças acontecem em todos os níveis: no planeta, em nosso país, aqui no DF e também, como não poderia deixar de ser, em nossos lares, consciências e em nossas vidas. Todos gostam de mudanças planetárias, mas quase ninguém gosta quando elas começam a acontecer em nossas vidas, de verdade. Quase todos nós, conscientes disto ou não, admitamos isto ou não, somos apegados aos modelos e estilos de nossas vidas, por mais deficientes e causadores de sofrimento que eles sejam. Faz parte de nossa natureza. Somos todos, mais ou menos conservadores. Basta ver quando algo realmente novo chega a Terra, a reação contrária que causa, e a pouca adesão que conquista, num primeiro momento. O Cristianismo hoje é uma potência política e econômica, influindo em governos, movimentando bilhões e capitaneando guerras.
Mas no começo, se limitava a doze pessoas, e durante quinhentos anos, ser simpático a esta idéia era motivo bastante para mandar alguém ser almoço dos leões. Só que tem momentos, que é mudar ou mudar. E esse é um desses momentos.
Todo esse transtorno e esse “rebuliço” em nossas vidas são as mudanças chegando e batendo na porta dos nossos velhos estilos de vida, que se defendem como podem. Com unhas e dentes, como Saturno e Marte sinalizam.
Será que estamos dispostos a mudar? Será que sabemos o que precisamos mudar?
O Tsunami da transformação planetária está batendo na praia. Ou pegamos essa onda e vamos com força para frente, ou ela nos pega e quebra a espinha dorsal de nossas resistências. A hora de mudar é agora. Se a sua vida já está de pernas para o ar e você não está dando conta sozinho, procure ajuda. Um médico, padre, psicólogo, terapeuta, astrólogo, um amigo de verdade... Enfim, alguém que possa te ajudar a se enxergar, que nós não viemos equipados de fábrica com espelho retrovisor. Somos todos muito hábeis para enxergar cisco no olho do irmão, e cegos para ver a trave em nosso próprio olho... "

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Julgamento, 2009 e "Desejo" de Victor Hugo



Olá pessoal. Dezembro para mim foi, sobremaneira, tempo de pensar nos "fins". Fins, plural, seria sinônimo de metas a se alcançar, ou seria uma quantidade considerável de finalizações? Acho que para mim foi um pouco disso tudo... 

Dentro da estrutura dos Arcanos Maiores, vemos as finalizações em algumas cartas de maneira objetiva, e em outras como a única saída viável: a primeira delas, claro, é A Morte, tão temida que em alguns baralhos de Marselha não possui sequer nome; a Torre, tão temida quanto (pelo menos por quem conhece seus fatídicos significados), denominada por vezes A Casa de Deus (La maison Dieu) - quem sabe uma forma de suavizar sua influência...; o Universo, que por sua própria natureza de última carta do baralho (embora não em todas as estruturações do mesmo) simboliza todos os "finais felizes" (mesmo que não seja exatamente sempre assim...).
Existem duas cartas que, por serem ligadas a ciclos temporais, podem também ser relacionadas com os fins. São elas a Roda da Fortuna e o Julgamento. A Roda da Fortuna diz respeito aos ciclos, em geral, e a inconstância da Existência, em particular. Após experienciarmos o Ajustamento,  e interiorizarmo-nos em busca de nosso próprio Tempo como o Eremita, entendemos que, mesmo diante da inexorável ordem vista anteriormente e da capacidade que possuímos de identificar padrões e portarmo-nos frente a eles de maneira adequada, há o lado caótico e inconstante do Universo, que só vemos como caótico porque não o podemos compreender perfeitamente (como analogia, vemos hoje o estudo da genética quebrando diversos paradigmas anteriormente sustentados pela ciência, como por exemplo a existência de raças entre os seres humanos.)
Por sua vez, o Julgamento, cuja iconografia em diversos baralhos remete ao Juízo Final, foi sabiamente renomeado por Crowley como o Aeon. Aeons são grandes períodos cíclicos e espiralados de tempo, beirando a eternidade. Quando surge no jogo, o Aeon representa o momento de refletirmos sobre os últimos tempos, não num sentido apocalíptico raso e epidérmico que temos visto recentemente pelos acontecimentos que porventura ocorrerão em 2012, e desde sempre com a interpretação dos últimos dias pelas religiões de massa; os últimos tempos, nesse caso, dizem respeito aos mais recentes momentos, eventos e acontecimentos vividos.
Essa não deixa de ser a perspectiva de muitos de nós em dezembro, independentemente do ano. Momento de fazermos as contas, refazermos a contabilidade, verificarmos nossa saúde, mental, emocional e física, e prepararmos uma nova página em branco (aperte ctrl+t) para um novo momento. Mesmo que, bem sabemos, esse novo momento seja uma continuação dos demais momentos vividos. Ainda assim, ele é novo.
Mas, para que seja novo, devemos encerrar todas as situações engessadas do passado. Essa é a função do Aeon. Sua letra é Shin, sua regência é o Fogo (para alguns, Plutão, quando este ainda era planeta). O 31º Caminho Cabalístico une Hod e Malkuth, a Glória do Reino ou o Reino da Glória. Um dos arquétipos relacionados é o Hermes Psicopompe, o "Acompanhante das Almas", mas eu acredito que há muito de Hephaesthos aqui também.
Hoje de manhã, ao abrir meu e-mail, me deparei com o texto clássico do Victor Hugo, enviado pela Léa Bastos. Obrigado por me fazer refletir, Léa. 

Desejo

Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Sim, eu amei, eu desesperei, eu errei e acertei; mas principalmente, eu confiei.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

Posso dizer que tenho amigos. Isso já me faz feliz. Mas não só os tenho, como sei que eles têm a mim. E eu tenho a sorte de possuir a míriade de possibilidades entre o bom e o mau, entre o ignorante e o sábio, entre as antíteses que forem passíveis de ser compreendidas.


E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Já acreditei que meu maior inimigo era eu mesmo. Ledo engano, embebido em soberba. Há momentos em que pessoas conseguem, sim, machucar você. Por prazer. 
Mas não por muto tempo.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Os meus passos me trouxeram até aqui, e eles me levarão aonde eu desejar... Mesmo que eu não faça a menor idéia de para onde eu esteja indo.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

...Mas havemos de convir que, por vezes, é necessário ser intolerante, pois nem sempre tolerar significa educar, ensinar, ser bom. Por vezes, ser intolerante nos libera de mágoas há muito acalentadas. Mas que sejamos verdadeiros até nesse momento, para que não haja quem pense: "Nossa! Ele (a) não é assim!". Nossa intolerância deve ser, até certo ponto, previsível.


Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

CARPE DIEM. Aproveite seu dia. E aproveite seus dias. E, só para lembrar, esse é o primeiro dia do resto da sua vida.


Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Chame a Tristeza para dançar. Mas não se esqueça que, quando ela lhe dá a mão, ela não pretende soltar. E ria, ria muito e ria de tudo, ria de si mesmo e dos outros, sabendo que o riso desafoga a alma, mas também pode hiperventilá-la.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

E, espero, que você descubra que não é você que, diretamente, é responsável pela opressão, pela injustiça e pela infelicidade de outrem, mas que você pode, diretamente, ser responsável por um ato de bondade que, se não for capaz de sessar com o sofrimento, é capaz ao menos de atenuá-lo.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Aproveite as dádivas da Mãe. Elas são gratuitas e efêmeras, portanto, não as desperdice.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

E aproveite sua sombra, seus frutos, a ciclicidade de suas folhas, a funcionalidade de seus galhos; e, alegoricamente, perceba o quanto você é parecido com essa árvore!

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

É preciso ser prático. É preciso ter os pés no chão, para que a cabeça toque as estrelas... e nós saibamos o caminho de volta. É preciso ter consciência que somos mais que o dinheiro pode obter. Ainda que ele seja muito bem vindo!

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Se todo o possível for feito e todos os momentos forem bem vividos, até a Morte é bem vinda. Com saudades, com dor, mas sem sofrimento, respeitando o ciclo da vida.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem

... E que sendo homem, se o quiser, encontre um bom homem, e que sendo mulher, se o quiser, encontre uma boa mulher...

E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.