Mostrando postagens com marcador reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexões. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de novembro de 2014

Conexões.


Olá pessoal. Eu não sei quanto a vocês, mas eu dou muita atenção aos meus sonhos. Normalmente, eles acontecem, então aprendi na prática que não é bom deixar de lado seus augúrios. Na verdade, são anos estudando o padrão que assumem e, como se trata de um ato de mim para mim, anos de padronização das sinapses do meu sonhar. Dependendo das atitudes que todo e dos cenários em que estou, é certo o augúrio, eu só preciso esperar.
Nessa noite, em especial, eu sonhei com uma conversa. Estava em um jantar, com um tarólogo influente em minha formação. Conversávamos sobre a aplicabilidade e efetividade de feitiços. Em determinado momento, diz ele: "eu não tenho problemas em jogar Tarô quando não estou com vontade. Faço o que tenho de fazer, e pronto."
Eu lhe respondi: "Quando você liga um ventilador na tomada, você não o liga pela metade. Se funciona para a eletricidade, deve funcionar para a magia também."

Conexões. Fundamentais para todos os nossos processos neurais. Sinapses. Elos. Correlações. Somos seres associativos, e reagimos às influências ambientais de acordo com o vocabulário associativo que possuímos internamente. Não poderia ser diferente com a divinação. Todos os "brancos" e "engasgos" que temos durante uma leitura decorrem de ausência de referencial sobre aquele assunto - ou sobre aquela carta. Por vezes, os equívocos associativos decorrem inclusive daquilo que temos por referencial para nossa própria vida. Todos limites, quando as possibilidades de interpretação de um baralho são infinitas em sua própria finitude - é só um maço de cartas, afinal. Mas nele reside todo o potencial do mundo. 
Abraços a todos.

sábado, 1 de novembro de 2014

Magia, Tarô/Cartomancia, eletricidade e método científico.

Dizer que algo não é possível com o Tarô – ou com qualquer outro instrumento psíquico – é uma falácia usual. Circunscrita [com ressalvas] sua área de atuação em divinações e perspectivas terapêuticas, vejo soar improvável a perspectiva de utilização da ferramenta na magia ritual ou mesmo em práticas não usuais, como contato com outros planos. Não é porque algo não funciona para você que esse algo não funcione, oras. É como afirmar que lentes de contato não funcionam só porque você não tem um problema de vista que se corrija com lentes.
O problema não está nas lentes. O problema não está nos seus olhos. A relação entre um e outro é que é problemática.
Em termos de magia – que nada mais é que uma grande metáfora da criação aplicada num plano menor – o Tarô é um instrumento como outro qualquer. Vai funcionar para uns, não irá para os demais passar de um instrumento de adivinhação, e ainda terão aqueles que verão ali só um baralho diferente. Todos estão certos, nem todos experimentarão a melhor parte da brincadeira, mas... quem disse que tem que ter a melhor parte para ficar satisfeito?
Uma dos programas mais bacanas da minha infância era o Mundo de Beakman. Nesse programa, eram feitas, entre outras coisas, uma série de experiências passíveis de serem reproduzidas em casa. Um desses episódios falou sobre o método científico, tendo por referência a eletricidade. 

sdds, Mundo de Beakman.
Resumindo, o acender da lâmpada, a corrente que segue, não é devido à água. Não é o sal. Não é a bateria. Não é a lâmpada. Nem os fios.
O efeito é resultado da combinação de todas essas causas. Bingo. E a água salgada, em especial, é a condutora pela combinação de seus elementos. Bingo, de novo.
Embora o fenômeno elétrico possa ser compreendido à luz das explicações que temos hoje, ela não passou a funcionar porque teve uma explicação, e nem passou a ser interessante por ter uma explicação. Ela foi testada sem entendimento, utilizada e nos testes a explicação se mostrou. Consequência, não causa.
É assim também com a magia. Não faço ideia dos motivos pelos quais a magia funciona. Sei que funciona. Utilizo porque funciona. E testo meus padrões de análise dos efeitos, mensurando os resultados obtidos, mantendo registro do que me foi útil, retificando o restante.

Mas... E quando ela não funciona? 
E para quem ela não funciona?
Significa que ela não existe?

Revejamos nossos conceitos sobre a prática, sobretudo sobre a prática dos outros. Não é porque algo é teu limite que será limite do outro. Mas você só saberá quais são os seus limites... Se você for até o limite. 
Como eu não acredito em coincidências, enquanto buscava a referência para esse texto encontrei essa imagem. Ela resume tudo.



Abraços a todos. E testem seus limites. E atenham-se unicamente a eles. 
São seus limites que dizem quem vocês são.

P.S.: Relendo o texto, percebo que ficou faltando uma ressalva. Eu digo para você testar, você praticar, você ir ao seu limite. Você.

Procurar uma pessoa para efetuar tais viagens em seu nome é outra história. 
Na magia, é sempre melhor seguir os próprios conselhos.

E também não estou dizendo que só porque não posso fazer algo, que esse algo será possível de ser feito. Em magia, quanto mais andamos, mais próximos dos nossos limites estamos. Isso inclui o limite do provável. Na dúvida, aceito o desafio de estar errado - se é provado que estava errado, meus limites se ampliam. 
Ninguém perde por ter limites flexíveis. A perda está em cravar dogmas na pedra. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Vanitas Vanitatum.

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!


Com esse mote, retirado do Eclesiastes, toda uma categoria de obras de arte - as Vanitas - fizeram-se presentes, sobretudo no Barroco. E esse é um dos vícios capitais (nova nomenclatura para os antigos pecados capitais) mais curiosos de se estudar e mais recorrentes como chamados para a aventura, dentro da perspectiva do monomito, que estamos estudando na Jornada do Louco em sua Autodescoberta).
Estava eu procurando uma imagem para ilustrar a carta Soberba, dos Sibillas - como o  Sibilla Della Zingara - e acabei me dando conta que esse tema perpassa todos os oráculos cartomânticos sobre os quais já conversamos. Não estou, necessariamente, falando do conceito de soberba/orgulho/vaidade, mas sim da representatividade pictórica do mesmo. Acho que essa conversa dá pano para manga, para mais de um artigo; gostaria de falar hoje sobre um insight em especial, que fez toda a diferença. 
Reparem nas obras a seguir (que foram retiradas deste blog e reorganizadas para nossa argumentação). 

Abraham Mignon (1640-1679)-'a Natureza como um símbolo de Vanitas'- óleo sobre tela. (1665-1679)    Darmstadt-Hessisches Landesmuseum

A primeira obra que temos aqui diz muito pelo título, e é uma das mais curiosas. Assim como as naturezas mortas, aqui temos a evanescência da vida retratada em sua magnitude e aparente perenidade. Tudo é passageiro, tudo nos toca. O imutável é a mutação, e o mutável nos muda, nos revolve. Repare, portanto, na natureza como referência em sua vida e impermanência ao conceito de Vanitas
Cace no[s] seu[s] baralho[s] referências a essa frase. 

Pieter Claeszoon (1597-1660); anteriormente atribuído a Clara Peeters (fl 1607-1621)-'vanitas ainda vive'- óleo sobre painel -1630 The Hague-Maurithuis

Essa imagem é uma das mais icônicas da ideia de Vanitas. A caveira, símbolo da finitude humana e do nosso resto e pó diante da Eternidade. Da personalidade nada sobra; de lembrança, um osso. Apenas. Aparece em muitas imagens de santos, como sua disponibilidade em desapegar-se definitivamente de sua vida pregressa. Encontramos aqui novas referências. Cacemos em nossos baralhos. 

Adam Bernaert (trabalhou no período entre 1660-1669)-'vanitas'- oleo sobre painel- cerca de 1665. Mount Vernon-Walters Art Museum

Essa obra, por sua vez, já nos traz um cenário mais intimista, cuja natureza nos leva ao Vanitas mas suplanta o primeiro significado de efemeridade. Aqui temos as obras humanas que suplantam sua própria existência. Tudo muito belo, mas que só tem sentido e significado com o reconhecimento do indivíduo - e isso me lembra as lágrimas de Alexandre. Sim, cacemos nos nossos baralhos.

Antonio de Pereda (1611-1678)-'Alegoria da Vaidade'-(1632-1636). Wien-Kunsthistorisches Museum Gemäldegalerie

Essa imagem me atraiu muito - sobretudo pela presença de um baralho espanhol aqui no canto inferior direito. É divertido perceber o uso desse baralho que, a despeito de seu pouco conhecimento cá no Brasil, tem sua referência, representatividade e uso. Buscamos apresentar um pouco dele em um artigo para o Clube do Tarô, mas existe muito, mas muito mais, por fazer. Mas temos as cartas não em seu sentido adivinhatório, mas como alegoria do jogo - as moedas que lhe ladeiam atestam o fato. Já apontei algumas prerrogativas diretas, encontremos outras em nossos baralhos.

Pieter Boel (1622-1674)-'Vanitas- alegoria das vaidades do mundo'- óleo sobre tela -1663 Lille-Palais des Beaux-Arts

Por fim, a imagem que me incentivou a escrever esse artigo. Aqui, tudo é metáfora, compondo uma alegoria complexa e passível de diversos níveis. Tudo é deliberado, nada inocente, para uma leitura que demandasse horas de educação visual.  Mas aos meus olhos evidenciou-se a ideia de um arcano específico do Tarot.


Vanitas Vanitatum. Tudo é vaidade aos olhos de Il Tredici. Olhe o que ela ceifa. Não cabeças de um rei e de um plebeu. Ceifa metáforas. Ceifa qualquer um que vista a carapuça.

Conte para mim nos comentários quais mais referências ( e a quais baralhos) você encontrou. Acredito que temos muito mais a ver, ainda. 
Abraços a todos.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mudança (ou na gangorra com a Marisa Monte)


Eu tenho - apesar da tentativa de disciplinar-me continuamente - tenho, friso, dificuldades em adaptar-me. Talvez pela carência de mutáveis, talvez pela carência de Fogo no mapa. Talvez porque eu ainda não aceitei o conselho da Nivia Peggion e, depois de ler e reler e explorar e divagar eu ainda não tenha tido coragem de o rasgar.
Em mil pedaços caleidoscópicos, poeira de estrelas com linhas vermelhas e azuis.


Mas, de vez em quando, ser barreira e ser barragem cansa tanto que a gente cede. Cede lugar ao cansaço que ficou esmurrando as paredes quando as portas e janelas foram fechadas em busca de sossego. E, como disse dia desses a um amigo, é mais fácil reter do que, depois de soltar, voltar a reter. Segurar o que se acumula é mais fácil que enfrentar o que se movimenta. O atrito é menor, mas o peso é o mesmo.

Existe, porém, um efeito gangorra oculto no ceder, que é algo que sempre me esqueço. Esqueço de lembrar, porque é gostoso esquecer só para lembrar quando é necessário, de novo.
Quem cai não passa do chão, pior que está não fica e, logo...
Por que não escolher algo diferente? Tipo... o melhor?

Hoje eu coloquei meus dilemas na gangorra do Dois de Ouros e (re)descobri que eles não são bons companheiros de parquinho. Aí eu coloquei a Marisa Monte para me acompanhar.
E gostei.


Gostei muito. Como diz a música: para saber a resposta vide-o-verso. Vide o verso das cartas viradas sobre a mesa numa cruz celta em tarotée.


Para calar a boca: rícino
Pra lavar a roupa: omo
Para viagem longa: jato
Para difíceis contas: calculadora


Para o pneu na lona: jacaré
Para a pantalona: nesga
Para pular a onda: litoral
Para lápis ter ponta: apontador

Para o Pará e o Amazonas: látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria


Para o presente da noiva: marzipã
Para Adidas: o Conga nacional
Para o outono, a folha: exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol

Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois


Para fazer uma touca: bobs
Para beber uma coca: drops
Para ferver uma sopa: graus
Para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts

Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã


Para a cor roxa: ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser mother: melancia
Para abrir a rosa: temporada

Para aumentar a vitrola: sábado
Para a cama de mola: hóspede
Para trancar bem a porta: cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen


Para quem não acorda: balde
Para a letra torta: pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: amnésia

Para estourar pipoca: barulho
Para quem se afoga: isopor
Para levar na escola: condução
Para os dias de folga: namorado


Para o automóvel que capota: guincho
Para fechar uma aposta: paraninfo
Para quem se comporta: brinde
Para a mulher que aborta: repouso

Para saber a resposta: vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagin
Para a comida das orcas: krill


Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você, o que você gosta:

Diariamente.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Perda é ganho. Ou: Reflexões sobre a gravidade.

Olá pessoal. Passeando pela blogosfera, deparei-me com um texto do Senhor da Vida sobre a carta de Copas que me gera maior apreensão: o Oito. Desilusão, tristeza, depressão e outros sentimentos de mesma natureza coexistem harmonicamente nessa lâmina (lembremo-nos que os semelhantes se atraem e percorrem a mesma via juntos, de mãos dadas).
Mas uma coisa me chamou a atenção: o baralho que ele utilizou, o Tarô Zen, de Osho.

Oito de Água
Deixando ir
Tarô Zen, de Osho

Nesse baralho, o título da lâmina é "deixando ir".  Uma gota d'água escorre de uma folha. Uma gota anterior derramara-se, provocando ondas no espelho d'água abaixo. Esse é o momento em que não há nada a fazer, a não ser corresponder à expectativa. Como somos seres treinados para desenvolver lutas, conflitos, defendermos nossos pontos de vista e os pontos de vista daqueles com quem nos importamos, é bem complicado aprender a desistir. 
Desistir não significa perda. Desistir é ganho. Soa contraditório? Mas quem nunca ouviu a frase nadar, nadar e morrer na praia ou dar murros em ponta de faca? Existem situações e pessoas que não valem a pena, o esforço, o empenho e a atenção, sendo total desperdício de tempo e energia tentar encontrar algo de bom ou tentar não perder o contato ou a oportunidade. 




Aí vem o apego. Mas por quê? Por que as coisas não podem ser do meu jeito, por que fulano fez isso, por que eu perdi? Sai-se da esfera do agora - a mais adequada a se manter no comando - e segue-se para a esfera do passado, que é perfeito, justamente por ser irretocável. Eu assumo que adoraria refazer um ou dois dias da minha vida. Mas confesso que isso é impossível, e não me gera nenhum arrependimento. Porque naquele momento, era o que o Emanuel daquele momento achava que era o certo a se fazer. Ao invés de colocar o meu agora no passado, aprendo com o passado para construir um agora mais preciso, mais adequado, mais perfeito.
Aprendemos a deixar ir, e com isso sofremos menos. 
Percebamos uma coisa, que não está representada explicitamente na imagem. A gota cai, e não existe nada a se fazer, porque uma força maior a impele a isso. A gravidade. Todos estamos sujeitos a ela, e nem sempre nos lembramos disso. Mesmo porque, não precisamos nos lembrar sempre daquilo que nos afeta a todo instante! Não precisamos nos lembrar de respirar, de pulsar o coração, de digerir os alimentos. São funções autônomas, sensíveis, porém autônomas. Como a gravidade que, a despeito de estarmos felizes ou tristes, confiantes ou desesperados, irá nos afetar da mesma forma, sem piedade ou consideração por nossas emoções.
Oito de Água. A despeito do que você sente, é hora de dar tchau.
Mas, na iconografia desse baralho, temos outra carta afetada por essa mesma força invisível, o Nove de Arco-Íris.

Nove de Arco-Íris
Maturidade
Tarô Zen, de Osho

Curioso que, mesmo sendo a mesma força invisível a propulsora do movimento, o resultado é completamente diferente. Aqui, o fruto maduro cai, não porque é seu desejo; existe ausência de desejo. Aqui, ele cai porque esse é seu momento. Ele está pronto. Não seria o mesmo caso da gota d'água da carta anterior? 
Mesma força, resultados diferentes, porque a disponibilidade de ceder é diferente. Na primeira existe resistência, aqui temos total entrega. Em ambas, a impossibilidade de uma escolha diversa daquela proposta pela Força Maior.
Às vezes, perder é ganhar. 

Abraços a todos, em especial ao Senhor da Vida que motivou essa reflexão.

P.S.: Não esqueçam de participar do questionário do Conversas Cartomânticas. Sabendo o que vocês desejam, o blog será mais agradável a quem realmente importa: vocês. 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Reflexões com o Feminino Essencial na Cartomancia.



Olá pessoal. Vamos entrar em contato com o feminino na Cartomancia?
Tomando por referência um baralho clássico de tarô, separe os arcanos II, III, VI, VIII, XI, XIV, XVII, XVIII, XXI e as Rainhas. Se estiver lidando com um baralho que possua Princesas ao invés de Valetes, as inclua. Se o seu baralho for voltado para o feminino essencial, utilize todas as cartas que desejar - vale estudar grupos por vez.
Se, ao invés do Tarô, quiser estudar o Petit Lenormand, separe as cartas 07, 09, 17, 22 e 29.
Caso queira estudar a Cartomancia convencional francesa, separe as Rainhas e os Oitos.
Se quiser, por outro lado, estudar a Cartomancia lusa, separe apenas as Rainhas. 
Agora assista esse vídeo aqui.







Olhe suas cartas. O que elas te inspiram, agora? Que nuances se constroem da inter-relação entre elas, separadas do maço completo? Por que essa ordem? Por que esse naipe? Por que esse rosto, e não outro? Por que sente afinidade e, caso haja, por que não se afina com determinada face?
Assista o vídeo de novo.
Nuances reverberarão da sua proposta de entrar em contato com o Feminino Essencial, que está para lá de Marrakesh de sexismos vários.
Abraços a todos. 


Post Scriptum: Nesse link, temos os quadros utilizados no vídeo. Aproveite e reconheça as imagens que mais lhe chamaram a atenção. 
Baseado em uma matéria do Yahoo!.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Conexão Reporter. Ou: da natureza da profissão, só que ao contrário.


Olá pessoal. Ontem foi ao ar uma edição do Conexão Repórter que visava apresentar o charlatanismo ligado àqueles cartazes que vemos com certa regularidade colado em postes, ou àqueles anúncios de "trago seu amor em três dias" (experimenta jogar essa frase no Google, rs) etc.
Não gostei da abordagem da matéria, ainda que o Cigano (sim, com "C") tenha mostrado claramente como é o procedimento para a Quiromancia e, ao fim, tenham colocado o depoimento de uma taróloga. Não conheço o trabalho dos profissionais entrevistados, mas gostei do que disseram. Contudo, ambos tiveram um tempo mínimo no meio e ao final da reportagem, frente às abordagens de vários charlatães que se utilizam de cartas, búzios e quiromancia para atender.
Eu, sinceramente, acho um mega desserviço chamar esses profissionais de cartomantes e videntes (para piorar, eles mesmo se autointitulam assim). Devido a isso pululam definições do que somos, ligadas a um imaginário que transcende a realidade dos fatos. Cartomante é aquele que manipula as cartas com fins divinatórios, assim diz o dicionário. Independente da natureza delas, seja um Tarô, um Petit Lenormand, um baralho comum, um baralho espanhol ou um oráculo específico, não importa, completo eu. Não deveríamos precisar de títulos como tarólogo - que tem sido banalizado por pessoas que se acham donas de toda a verdade e sabedoria do oráculo que veio do Egito (#brinks). Dá um pouquinho de vergonha ser chamado de tarólogo conhecendo gente desse naipe, que como pessoa e como profissional nada acrescentam à comunidade de praticantes e pesquisadores. Mas, na falta de palavra melhor, seguimos com o título e o nome.
Eu sou Cartomante acima de tudo, hereditário. E faço valer o título que me proponho, mantendo o que minha avó me ensinou e usando minhas cartas (do baralho que eu quiser) para Ver aquilo que é preciso Ver. E, diante disso, não sinto vergonha nenhuma de ser chamado assim, e, se eu fosse, também não teria vergonha de ser chamado de vidente. Afinal de contas, os profissionais da área esotérica são agora amparados pela lei.
Temos aqui um paradoxo. Se, amparados pela lei, podemos nos aposentar e ter direitos àquilo que nossa profissão nos oferece, por outro lado somos colocados no mesmo balaio de gato que estelionatários, ou seja, criminosos. Paradoxal, mas fato. Não adianta você se dedicar ao estudo e à meditação para melhorar e ampliar sua Visão se, ao fim e ao cabo, você será tachado com a mesma tarja que alguém que, com lábia e malícia, exige valores exorbitantes em nome de todos os Orixás, Deuses e o que lá que seja para retirar um trabalho feito (que a maior parte das vezes, nem existe).
Repare que, na maior parte dos casos, buscam-se soluções para o amor. Relações afetivas são complicadas e nem todo mundo aceita bem um término (as mina pira nos término, mano). Nesse momento, em que um profissional sério deveria orientar @ consulente a viver o luto e renovar sua autoestima, temos a chance de aparentarmos ser algo que não somos: solucionadores de problemas. Lembremo-nos que o oráculo é uma ponte para o panorama presente com indicações do futuro decorrentes desse mesmo presente. Não mais que isso, não além disso. 
Fica aqui minha reflexão sobre o tema. Eu ainda sou (e creio que serei por muito tempo ainda) um Cartomante. Todos os demais títulos que porventura foram criados decorrem desse e, para evitar desgaste e fadiga, é assim que me denomino. Que possamos, todos que praticam essa arte, lembrarmo-nos que não basta fechar os olhos ou atacar um estelionatário, um charlatão que se passa por profissional. Não adianta de nada negar o título Cartomante em favor de Tarólogo, se ao fim e ao cabo no imaginário social tudo é a mesma coisa.
Curandeiro é médico? Não, mas já foi, e para muitos ainda é. Advogado é doutor? Não, a menos que tenha doutorado, mas é tratado assim. E muitos "médicos" e "doutores" ainda pululam por aí. Se profissões tão antigas, legitimadas e laicas sofrem ainda estigmas generalizantes, que dirá da profissão de Cartomante, cujo imaginário ainda não foi desfeito graças à iniciativas tanto de profissionais quanto dos charlatães
Tudo vira a mesma coisa, MESMO.
Para assistir a matéria, clique aqui: 

Abraços a todos.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Refletindo-se nas Águas da Corte de Copas.



Olá pessoal. Hoje, 22 de março, é o Dia da Água. Essa data não poderia passar em brancas nuvens (ainda que nuvens sejam água em forma de sonho...)




Para a Cartomancia, a Água é representada por Copas. Ao contrário dos demais naipes, não encontrei, em meus estudos, discrepâncias à essa afirmação. Copas representa o profundo, impenetrável e imiscuível mundo dos sentimentos que, paradoxalmente, é reflexivo em sua superfície, permeável ao toque, e plástico à forma. A Água é um mistério, de onde a vida surgiu, para onde a vida retornará, sem, no entanto, revelar-se plenamente nesse ínterim.




A Água possui memória. Ela se altera pelas emoções que emanamos perto dela. Por isso as religiões possuem suas Águas Sagradas, e Fontes Sagradas brotam do coração da Terra. Da mesma forma, quando precisamos limpar um ambiente, usamos água. A sensação de limpeza é muito mais profunda que se usássemos apenas a vassoura. Tipo a sensação de esvaziamento que sentimos no peito quando o alívio toma conta de nós.
 Falando nisso, o coração é por excelência o órgão da Água, ainda que fabricado com doses generosas de Fogo. Sua dança em nosso peito garante que a água flua em  sangue aonde ela é necessária no momento certo.
Não podemos nos esquecer também do sistema linfático – que é autônomo, mas ama um carinho e funciona muito melhor recebendo massagens com regularidade. A drenagem linfática foi, para mim, a mais grata surpresa entre todos os sistemas de massagem que experimentei. Comigo, mais que o corpo, o tratamento alcançou níveis mais profundos, camadas mais escondidas, sem grande esforço ou pressão, e liberou tensões que, se dependessem de mim para serem liberadas, primeiro teriam que ser descobertas.



Mas o que essa conversa toda tem a ver com Corte e com Tarô?
A Corte de Copas é a mais permeável e a mais inacessível das Cortes do Tarô. Tudo as afeta, nada as atinge. As personagens representadas por Copas tem uma habilidade ímpar de contatar realidades paralelas e obter delas sensações e sentimentos – que, por conforto e bem-estar, habitam justamente nesse naipe. O problema é que a água não se filtra sozinha – exceto por decantação – e os filhos das Copas absorvem tudo. Eu disse tudo.
Encontrando residência em um elemento passivo, são reativos, não ativos. Não espere de um filho das Copas uma ação, a menos que o desejo provenha de você, primeiro. Talvez por isso excelentes amantes: aprenderam a dançar antes de engatinhar, a cantar antes de falar, a sorrir antes de pedir.


Isso os torna extremamente perigosos. Não é difícil se encantar por qualquer um deles. A parte positiva disto é que a Cartomancia clássica toma o naipe de Copas como positivo; a parte negativa é que você nunca vai saber exatamente o que perpassa a criatura – sentimentos só pertencem aos seus donos e, em Copas, sentir é tão comum quanto respirar, o que permite ao representado sentir o que quer, enquanto quiser.




A metáfora é clara: se você não tem condições de respirar debaixo d’água, não tente mergulhar muito fundo, você talvez não consiga voltar. Como diz o ditado... galinha que acompanha pato, morre afogada.

Confira os textos da Blogagem Coletiva:




Ah, a Regina Guigou fez um compilado da Corte de Copas, aqui. Dá uma passada, vale muito a pena.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Deus é um superlativo.


Olá pessoal. Raramente posto por aqui questões decorrentes de consultas. Não porque não ache os estudos de caso necessários, longe disso; É porque, normalmente, as questões levantadas são muito particulares para que eu exponha aqui. Esse caso que vou contar é uma daquelas exceções que devem, sim, ser divulgadas - mantendo, evidentemente, o respeito ao nome dos envolvidos.
Por esses dias, joguei para um jovem pai de família. Havia ficado desempregado há pouco e queria saber de novos rumos, pois o desespero começou a ligar no seu celular e ele queria se posicionar antes que o desagradável personagem batesse, enfim, à sua porta. O jogo foi muito positivo, e eu já estava bem satisfeito com o que havia visto. Reconhecêramos seus limites e a forma de transpô-los para obter o melhor dos resultados. Foi aí que ele me perguntou: como está minha relação com Deus? Digo, tem algum entrave espiritual que esteja me mantendo nesse rumo esquisito?
Ok, embaralhemos, cortemos, disponhamos as cartas, como manda o ritual. Diante de perguntas tão complexas, quanto menos eu pensar, melhor. Deixo as cartas falarem com o ênfase que lhes é próprio. Depois da frase formada, posso explorar mais o tema mas, num primeiro momento, deixo com elas. 
Surpreendentemente, as cartas foram enfáticas em recomendar-lhe uma boa dose de hedonismo, sem gelo. Algo surpreendente, sem dúvida. Enquanto conversávamos sobre o prognóstico, percebi que ele carregava (literalmente) a família nas costas. Oferecia-lhes tudo o que era possível, e mais. Não era capaz de negar nada. O não lhe era sofrido de dizer.
As cartas apontavam para o caminho oposto... A relação deste com Deus estava baseada em paradigmas que não correspondiam ao que ele precisava. 



Ele me disse: "Fico meio sem graça de encher o saco de Deus, sabe? Só recorro a Ele quando se esgotam todas as possibilidades aqui, na Terra. Não acho certo ficar o importunando com os meus problemas."
As cartas me mostravam justamente o contrário, era hora de ele começar a pedir o que quisesse, porque Deus estava com redobrada atenção para lhe conceder o que pedisse. Temi por ele, que ele perdesse esse momento tão precioso.
"Meu amigo, se eu te pedir essa corrente que está no seu pescoço (e que caminhava com ele havia anos) você me daria?"
"Se você for um dos meus, sim."
"Você me perguntaria se eu teria encontrado uma igual antes, se eu não teria dinheiro para comprar, perguntaria porque motivo eu quereria justamente a corrente em seu pescoço?"
"Não..."
"Então, me diga... Por que você quer esperar acabarem suas perspectivas e expectativas para pedir a Deus o que deseja? Acredita mesmo que Ele agiria contigo diferentemente da forma como você age com os outros?"



Lágrimas nos olhos, sem mais questões, despedimo-nos. 

Deus é um superlativo de nós mesmos. Aonde estivermos, Deus também estará, inevitável e inexoravelmente.
Certamente, Deus é um grande Cartomante (ou se consulta com Madame Cazam). E uma inspiração para seguir meu Caminho na Arte. E, claro, Deus tem um senso de humor do seu próprio tamanho.



Abraços a todos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Da ética profissional. Reportagem da EPTV.


Olá pessoal. Depois da nossa conversa sobre as mentiras e a Cartomancia, cá estamos com uma reportagem feita pela EPTV (assista aqui). 
Como diria o Arieron, no comentário da postagem supracitada, "achologia e chutemancia (mentir com as cartas) ainda fazem parte do currículo de meia dúzia de 3 ou 4...".
É absurdo pensar que existem pessoas capazes de fazer isso. Mas não existem médicos picaretas? Não existem políticos honestos? Não existem enfermeiros incapazes? Até o Exército se deparou com um coronel fictício... 
Logo, não devemos colocar todos os profissionais de determinado ofício sob o mesmo guarda-chuva. É ofensivo, para mim, ter meu trabalho de interpretação das lâminas relacionado com trabalhos de magia que usam velas de R$120,00. A função do ritual, pós Cartomancia, é harmonizar o consulente com seus desejos, já que o ritual é a manifestação material de um desejo; a concretização do mesmo, contudo, cabe ao executor. Por isso, rituais são ensinados, não pagos para serem feitos. 
Enfim. Escolham bem os profissionais com os quais se relacionam, e não permitam abusos. Polícia existe e estelionato é crime.
Da mesma forma, que não haja entre nós quem ache que cartomancia resolve problemas, pois isso é pueril; a cartomancia apresenta a situação como está, direcionando o consulente para o que for mais adequado, de acordo com sua vontade.
Em contraponto a essa reportagem, leiam o texto do Nei Naiff sobre a regulamentação da profissão de cartomante e tarólogo, no Clube do Tarô.
Abraços a todos.


Em tempo: Participe da enquete que está no canto superior direito, e me conte o que você quer ler no Conversas Cartomânticas!