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domingo, 14 de agosto de 2016

Stranger Things, Stronger Things.

Todo Arcano do Tarô possui camadas. Acredito que, ainda que eu treine o estudo diariamente há anos e não tenha pretensão de parar tão cedo, não creio que consiga captar todas elas, já que o dinamismo das cartas está associado não apenas ao que significam, mas o que tendem a significar - o segredo que as abre é a pergunta, e cada geração tem suas próprias perguntas.
O segredo muda a cada geração, ainda que certas perguntas sejam sempre as mesmas. 
Houveram algumas tentativas de expor essas camadas, com as diversas leituras comparativas e associativas que as diversas escolas de mistério já fizeram. Tais registros nos permitem ler não apenas aspectos específicos aplicados de cada cartas, como também ler nas entrelinhas as perguntas que nortearam tais resultados. 
Camadas, cascas, escamas no Mistério. Algumas trarão luz, outras não. Outras, só trarão luz anos depois, quando seu sentido real for devidamente lido. Não dá muito para ter certeza fora do consenso, senão pela prática e pela experiência.
Cabe-nos fazer nossas perguntas e manter um registro dos resultados. Ainda que não tenhamos tempo de vida para ler os Arcanos em relação ao possível, ampliamos o campo do consenso - o lugar onde a Tradição permanece.


Acabo de terminar a série Stranger Things. Confesso que assisti pelo buzz todo que ela fez, para ter certeza se era realmente bacana a releitura de elementos dos anos 80, uma tendência contemporânea que está em franco crescimento.
Ambientada no ano de 1983, Stranger Things decorre na fictícia cidade de Hawkins, Indiana, onde um garoto de 12 anos desapareceu misteriosamente sem deixar rastros. Enquanto procuram por respostas, a polícia local, a família e os amigos do menino acabam mergulhando em um extraordinário mistério envolvendo um experimento secreto do governo, forças sobrenaturais e uma garotinha muito estranha.
Não me arrependi nem um pouco. Foi uma aula sobre a Força do Tarô. Vista sob vários ângulos, explicitando significados que estavam até então circunscritos à possibilidades que os livros oferecem como palavras-chave. Embora costumeiramente busquemos personagens cuja natureza e comportamento lembrem algum Arcano, eu encontrei na verdade tantas situações que me remeteram ao mesmo Arcano que não deixa de ser algo a se repensar. Outra camada de leitura.

[SPOILER ALERT: talvez eu acabe escrevendo coisas que alterem a experiência de assistir o seriado. Assista primeiro, depois conversamos, tudo bem? Ou talvez você não ligue para isso, continue lendo e conversamos do  mesmo jeito. Ou talvez você queira um resumão, e eu particularmente me diverti bastante com esse aqui.]

Pensemos na estrutura do seriado. São três núcleos diferentes, em função da idade dos personagens: os protagonistas, crianças; os irmãos dos protagonistas, adolescentes; e os pais, adultos. A história cruza os três núcleos mas eles não se tocam completamente. Todos estão decididos a enfrentar a Fera. Cada um por motivos bem diferentes, que emergem da narrativa à medida em que ela se desenrola. 
O primeiro núcleo, das crianças, é o típico grupo de RPG (falei algo a respeito quando escrevi sobre o Quatro de Paus). Não só porque de fato jogam RPG, mas porque suas personalidades são complementares e o sucesso da amizade reside no fato de que os conflitos se resolvem com o mediador que sobra. 
Mike é o líder que tem a palavra final, Lukas é aquele que busca o caminho mais lógico, Dustin possui o raciocínio mais claro. Há regras na amizade entre eles, evocadas sempre que necessário. A Persuasão (citando deliberadamente o baralho Kier) reside na rememoração dessas regras. Sabemos pouco sobre Will, mas não deixa de ser uma evocação da vontade chamar por ele.


No núcleo adolescente, vemos a relação entre Jonathan Byers e Steve Harrington ao redor de Nancy Wheeler, que tem que escolher qual é o lado que lhe toca mais. Ela se transforma em função dos eventos do seriado, do importar-se, do enfrentamento. O próprio Steve se transforma, por enxergar aspectos que outrora era incapaz pelo reforço negativo que recebia dos companheiros. Jonathan descobre aspectos de si que não lhe soavam possíveis. 
A Força quebrando padrões.


No núcleo adulto, vemos Joyce Byers lutando pelo filho e contra a loucura. O Delegado Hopper luta pela cidade, e contra o seu passado. Os personagens, num geral, estão lutando contra o seu passado, que os impede de criar um futuro decente. 


E, claro, temos Eleven - cujo nome já a associa diretamente ao Arcano. Sua luta para sobreviver é matando um leão por dia (às vezes mais de um). Sua dificuldade com a fala, suas dores revividas em flashbacks e suas decisões por medo e amor aproximam-na da tessitura narrativa da Força. Dificuldades não se eliminam da memória: se superam. 


Existe uma teoria que diz que Eleven pode ser o Monstro. Eu não tenho muita certeza para concordar, pelos eventos do último capítulo com Will. E você, o que acha? 


Toda essa reflexão não seria possível sem eu ter visto a Força do Tarot Furtado no intervalo entre um episódio e outro. Mais que uma proposta estética, o Tarot Furtado é uma proposta interativa na qual a memória e o esquecimento são fundamentais. Nessa carta, quem foi Furtada foi a Mulher, e a sugestão do baralho é sê-la, própria e apropriadamente. Entretanto, minha familiaridade com o baralho clássico faz-me ver ela, ainda, ali. Está mas não está, como um reflexo do Mundo Invertido na parede. 
Fica o monstro, a Fera, o instinto, a saliva, o hálito, o sangue, as presas e as garras, sentadas incólumes numa figuração perigosa. O pitbull pulou o muro, mas não fareja comida. Talvez a carne tenha melhor gosto. 
Cabe a mulher, Menina, descobrir-se e (re)lembrar o que foi furtado de sua vida: o Amor. Conforme o autor do Tarô Furtado, o que primeiro foi Furtado foi o Amor, este devolvido na primeira jogada. 
Tarot Furtado é um Tarô de amor, porque ele devolve o perdido sem ter sido pedido.
É o amor que une Mulher e Fera, num laço de flor mais forte que qualquer cadeia. 


As luzes piscam, concordando.

O Demogorgon nomeado perde sua Força pelo toque da menina renomeada. Eleven passa a ser El, um dos Nomes de D'us. Intencional ou não, o eco do Nome garante o efeito. Nos Nomes, o poder. As mãos se estendem, mas não se tocam; Escher sorriria e, incrédulo, preencheria um sketchbook inteiro. Mas, num átimo, o que estava, não mais está. 
Mas, claro, essa é só mais uma camada. 
Ainda tenho muitas a descortinar.

Confira o Tarot Furtado no Clube do Tarô e no Zoe Tarot. E siga o Tarot Furtado no Facebook. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Tomando posse do seu Esmeralda Lenormand


Olá pessoal. Acaba de chegar às minhas mãos a nova edição do Esmeralda Lenormand. Estou completamente encantado - não consigo fazer outra coisa senão embaralhar e procurar aprender o uso dessas cartas!
À medida que eu for me familiarizando e me tornando mais íntimo dessas cartas, vou postando novidades por aqui. Entretanto, já fiz algumas coisas, que não são exatamente um tutorial, mas uma forma de aproximar-se desse oráculo com segurança e amor.

As duas cartas 02

Em primeiro lugar, ao abrir seu baralho, observe a carta 02. Existem duas possibilidades – uma, associada à sorte, conforme a leitura europeia; outra, associada aos revezes, conforme a leitura brasileira. Escolha uma das duas. Separe a que não lhe agradou do baralho, ela não será utilizada.
Particularmente, eu optei pela segunda, por ser a forma com a qual trabalho há anos. Se você estiver começando agora, utilize conforme a escola, o professor ou mesmo o seu gosto pessoal, se for autodidata, indicarem. Lembre-se: ao escolher, todo o baralho passa a fazer um sentido diferenciado.
Feche seus olhos, centre-se. Embaralhe as cartas, confiante que aquilo que você deve entender será dito. Peça a autorização do seu Eu Superior para contatar a egrégora deste baralho. Entenda: ele funcionará pela técnica independentemente do seu uso, ou não, das perspectivas que o criaram; mas, conectando-se com algo maior, você se aproxima de uma experiência de sagrado que está muito além da técnica. 
Retire uma carta, para consagrar o seu baralho. Ela será sua auxiliar no processo de aprendizagem, mostrando qual é a área do Petit Lenormand que você precisa dar maior atenção. Será, por assim dizer, sua professora nesse momento de aprendizagem do Esmeralda Lenormand. 


A nova edição do Esmeralda Lenormand conta com algumas novidades: em primeiro lugar, as treze Ciganas, ou melhor, Dona Esmeralda e as 12 Ciganas. São cartas de meditação próprias para o aprofundamento na egrégora Cigana que norteou a criação desse baralho. Embaralhe-as, medite com cada uma delas, organize conforme a sua intuição. 
Eu particularmente encontrei-as como referências a doze tribos e linhagens, regentes cada uma de um segredo de magia cigana. Brevemente conversaremos mais sobre isso. 
A segunda novidade é que agora o baralho conta com dois livretos: o original, escrito por Karla Souza, e um menor, sobre a cartomancia conforme transcrita e desenvolvida no Brasil pelo casal Cesar e Katja Bastos, sob orientação da Rainha Cigana, livreto este escrito por mim,  Emanuel J Santos. Tais livretos visam dar o máximo de suporte para o iniciante e material de pesquisa para o praticante, de forma a crescermos, todos, em habilidade cartomântica também pelo estudo, com o mínimo risco de perder-se na quantidade de informações disponível na internet. 


Dessa forma, você terá como tomar posse três vezes do seu baralho. A primeira, em função da sua intuição e conexão com a egrégora que orienta a criação e manutenção deste baralho. A segunda, ao meditar com Dona Esmeralda e as 12 Ciganas, entendendo em seu coração como elas poderão ajudar você a entender melhor os segredos do caminho Cigano. E a terceira, através dos seus estudos, sabendo que os livretos que acompanham foram escritos com o máximo de clareza, objetividade, competência e respeito por você. 

Eu vou continuar embaralhando aqui. Abraços a todos. 

Ah, quer comprar um para chamar de seu? Clique aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Desafio 2016: Tarot Tzigane, de Tchalaï.


Olá pessoal. Esse é o primeiro desafio do ano de 2016, que na verdade eu tenho estudado desde o ano passado. 
Dona Yedda Paranhos, taróloga e espiritualista do Rio de Janeiro, autora de vários livros ligados ao autoconhecimento, presenteou-me com um fac-símile do seu baralho de uso pessoal - o que, por si só, já é uma dádiva - e desafiou-me a continuar seus estudos sobre esse baralho. Impossível não atender a esse pedido. 
Em 1985, em uma de suas viagens pela Europa, Dona Yedda encontrou esse que seria um dos seus baralhos do coração. Era um baralho recente - fora publicado no ano anterior. 
Haviam duas cópias. Ela trouxe uma.
E o baralho saiu de edição.

Nesse ínterim, Dona Yedda vem trabalhando com o baralho, que carinhosamente ela chama de Tchalaï, em homenagem ao autor. Em 2015, em uma de minhas visitas a ela, fui presenteado com um fac-símile. E ele é um dos meus desafios desse ano.

Embora seja chamado Tarô (mesmo na caixinha estando escrito ser esse um baralho etnológico e adivinhatório), O Tzigane não corresponde à organização tradicional contemporânea; numa releitura da estrutura em função da experiência do autor com o povo cigano, temos novos títulos e novos significados para uma estrutura semelhante ao que conhecemos por Arcanos Maiores, aqui chamados Portas dos Mistérios.




01. Ashok Chakra
02. O Khukan
03. E Phuri Dai
04. E Drabarni
05. O Vatashi Romengoro
06. Fralipé Romani
07. Thagar Lumeaki
08. O Grast
09. E Puskaria
10. Maripé Taraim
11. Aggartti
12. Samballa
13. O Niglo
14. O Bero
15. O Sap
16. O Kher
17. O Vurdon
18. Lotcholikos
19. O Kham
20. O Shon
21. O Geape Vimanaki
22. Tataghi

A graciosidade desse baralho, entretanto, é encontrada nos dezesseis Arcanos Menores. Cada naipe - aqui chamados Kumpanias -  representa uma etnia dentro do povo Cigano, associável a um dos naipes do baralho convencional:

Os Kalderach, rom da Europa Central, são associados a facas, espadas e punhais e ao elemento Ar, e suas cartas são vermelhas.
Os Mamush do norte da Itália são associados às moedas e ao elemento Terra, e suas cartas são amarelas.
Os Gypsies irlandeses são associados a panelas, tampas, portes, cestas, caixas e ao elemento Água, e sua cor é verde. 
Os Gitanos andaluzes são associados aos bastões de madeira e instrumentos musicais, assim como ao elemento Fogo e à cor azul.



Cada uma das Kumpanias é composto por quatro cartas. À guisa de Ás, temos a  Ferramenta, representação dos seus símbolos e a mantenedora da tradição; o Pai, aquele que, por manter a tradição, traz o passado consigo; a Mãe, que transmite e educa no presente; e a criança, que é o futuro de toda a Kumpania. Essas cartas, mais que significados específicos ou personalidades, trazem consigo a possibilidade de temporalizarmos as previsões - e encontrarmo-nos em diferentes idades, em função do que precisamos saber.


Tá difícil achar esse livro...


Essas 38 cartas, muito evocativas, são meu desafio para 2016. Entendê-lo e encontrá-lo dentro de mim, para que essa linguagem sirva ao seu propósito: servir ao próximo no encontro de respostas.

E você? Já encontrou o seu desafio para 2016?

Abraços a todos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os baralhos astrológicos: Symbolon.



Olá pessoal. Falemos do mais divertido baralho astrológico que conheci.
Conheci esse baralho há algum tempo, no projeto do Giancarlo Schmid, Alpha Symbolon. Mais recentemente, conversando com ele, pedi-lhe que retomasse o projeto, que é fantástico, e é algo que generosamente ele tem feito em sua página no Facebook. Evidentemente que o meu desejo por esse baralho despertou de vez e eu me vi impelido a adquiri-lo. Depois de muitos percalços, finalmente pude manuseá-lo pela primeira vez [MUITO obrigado, Socorro Van Aerts!]. 
O Symbolon tem sua estrutura baseada na inter-relação dos doze padrões astrológicos puros entre si. Dentro da fórmula matemática 12+11+10+9+8+7+6+5+4+3+2+1=78, poderíamos a priori e a grosso modo, considerá-lo um Tarô, mas incorreríamos em um erro crasso - como bem sabemos, a estrutura do Tarô é formada por 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores divididos em quatro naipes, enquanto o Symbolon é formado por 78 cartas de igual valor. Contudo, não podemos deixar de considerar essa soma interessante - particularmente, quando parei para pensar para escrever esse artigo, fiquei MUITO pensativo nessa questão. Nesse momento, entretanto, atentarei para as questões estruturais do baralho, deixando as questões simbólicas para outro momento.

Esta é, para mim, uma das mais icônicas imagens do
baralho. Repare que as "peças" que o homem manipula
e estão pelo chão são, na verdade, facetas das doze
personas do primeiro arco do baralho.

As primeiras doze cartas do baralho apontam para os modelos astrológicos. Dentro da lista abaixo, a primeira carta é a carta pura do signo astrológico/planeta e as demais representam as inter-relações deste com os demais. Na verdade, entendendo bem a proposta para as doze primeiras cartas, entender as demais se torna bem mais fácil. Elas estarão representadas - atente para as vestimentas e para as cores do cenário. 

As cartas de Áries/Marte



Personagem: The Warrior
Grupo composto por 10 cartas:
Defiance, The Battle, Eros, The Stocks, Guilt, Disagreement, The Vampire, The Crusader, Prevention, The Spiteful Troublemaker.

As cartas Touro/Vênus



Personagem: The Lover
Grupo composto por 11 cartas:
The Two Faces of Eve, The Queen, Eros, The Golden Girl, Clinging, The Gilded Cage, The Marionette, Matter and Spirit, Responsibility for Creation, The Farewell, The Garden of Spirits.

As cartas de Gêmeos/Mercúrio



Personagem: The Mediator
Grupo composto por 12 cartas:
Articulation, The Actor, The Stocks, The Golden Girl, The Strategist, Vanity Fair, The Pied Piper, Master and Disciple, Afliction, Dreaming Johnny, Silence, The Inquisition.

As cartas de Câncer/Lua



Personagem: The Mother
Grupo composto por 11 cartas:
Defiance, The Two Faces of Eve, Articulation, Incompability, Caring, The Family, Abortion, Mnemosyne, The Ice Queen, Deliverance, Sleeping-Beauty Slumber.

As cartas de Leão/Sol



Personagem: The Ego
Grupo composto por 11 cartas:
Incompability, The Battle, The Queen, The Actor, The Ailing King, The Wedding, The Magician, Fortuna, The Burden, The Fall, Retreat.

As cartas de Virgem/Mercúrio



Personagem: The Servitor
Grupo composto por 10 cartas:
Caring, The Ailing King, Guilt, Clinging, The Strategist, Everyday Life in Relationship, Castigation, Fear, The Furies, Deception.

As cartas de Libra/Vênus



Personagem: The Partner
Grupo composto por 11 cartas:
The Family, The Wedding, Disagreement, The Gilded Cage, Vanity Fair, Everyday Life in Relationship, Disaster, The Symbolon,  Sadness, Separation, The King's Two Children.


As cartas de Escorpião/Plutão



Personagem: The Seducer.
Grupo composto por 11 cartas:
Abortion, The Magician, The Vampire, The Marionette, The Pied Piper, Castigation, Disaster, Black Mass, Depression, The Phoenix, The False Halo. 

As cartas de Sagitário/Júpiter



Personagem: The Preacher.
Grupo composto por 11 cartas:
Mnemosyne, Fortuna, The Crusader, Matter and Spirit, Master and Disciple, The Inquisition, The Symbolon, Black Mass, Confession, The Quantum Leap, Pythia.

As cartas de Capricórnio/Saturno



Personagem: The Master.
Grupo composto por 11 cartas:
The Ice Queen, The Burden, Prevention, Responsibility for Creation, Afliction, Fear, Sadness, Depression, Confession, Captivity, Moira.

As cartas de Aquário/Urano


Inevitável comparar essa carta com a Temperança do Waite-Smith.
Quem foi na minha palestra da Confraria Brasileira de Tarot,
sabe do que estou falando.

Personagem: The Jester.
Grupo composto por 11 cartas:
Deliverance, The Fall, The Spiteful Troublemaker, The Farewell, Dreaming Johnny, The Furies, Separation, The Phoenix, The Quantum Leap, Captivity, The Question of the Grail.

As cartas de Peixes/Netuno



Personagem: The Angel.
Grupo formado por 11 cartas:
The Absolute Fool, Sleeping Beauty-Slumber, Retreat, The Garden of Spirits, Silence, Deception, The King's Two Children, The False Halo, Pythia, Moira, The Question of the Grail.

Você pode conhecer todas as cartas neste álbum aqui. Se você quiser experimentar o Symbolon, pode tentar uma leitura aqui. Em inglês. E mais: o Giancarlo está fechando turmas em São Paulo e no Rio de Janeiro para  o primeiro curso de Symbolon do Brasil. Se você possui interesse em cartomancia e em astrologia, não pode perder! Contatos com o próprio, em sua página no Facebook.



Decidiu adquiri-lo? Não pense duas vezes: Coelestium.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Esmeralda Lenormand. E sorteio de ano novo!!!


Olá pessoal. Tenho o orgulho de apresentar-lhes hoje uma das mais gratas surpresas deste ano: O Esmeralda Lenormand. Quando fiquei sabendo da criação deste baralho, fiquei extremamente curioso para entender os meandros que nortearam o desenvolvimento de cada carta porque, para além do conceito artístico, existe vida nessas cartas. Existe identidade.


Quando recebi o baralho, fui tocado por uma grande emoção. Apesar de ser um produto industrializado, cada caixinha acompanha um saquinho de cetim verde esmeralda que foi feito artesanalmente. A dose correta. A perfeita medida. É feito para aquele que o porta. Dá para sentir que o baralho toma posse do dono quando manipulado pela primeira vez, como uma luva que se ajusta à mão. O papel é de ótima qualidade, e os acréscimos dão todo um espírito à leitura – iniciantes e veteranos encontrarão nesse baralho uma rota nova para os seus estudos, certamente.


Foi necessário um bocado de pesquisa para entender porque eu me sentia tão tocado por esse baralho. E fui buscar sabedoria no livro da “Bibi” (um tratamento carinhoso que pedi autorização para utilizar), Ramona Torres: Mestres Ciganos astrais: suas origens, histórias, vidas, rituais e especialidades (Pallas, 2012). Abrindo um parêntese mais que necessário, esse livro é de leitura fundamental para quem quer entender mais sobre a egrégora cigana. Com o acuro e a simplicidade de quem sabe o que está fazendo, a Bibi nos apresenta coisas que, se não conhecidas, passam a ser, e se vividas previamente, passam a ter sentido. E foi assim que fui ao encontro da Cigana Esmeralda.
A Cigana Esmeralda é de etnia Kalon, residiu em Évora e sua magia reside na feitura de alimentos. Garante a fartura e oferece conforto àqueles que não a tem no momento. Aquilo que a Cigana Esmeralda oferece, não deve ser negado.
Quando a Karla Souza, autora deste baralho, me ofereceu esse presente, eu senti exatamente essa vibração. Um presente que não poderia ser negado. Um presente a ser vivido.

Atribuição dos chackras às cartas,
com os mantras correspondentes.

Pois bem. Esse baralho possui detalhes preciosíssimos – Deus mora nesses detalhes. O que mais me encantou foram os ícones de memorização colocados na parte inferior de cada carta. Um diálogo metafórico através da imagética correlata que permite encontrarmo-nos significados sub-reptícios que sempre estiveram ali, esperando para serem reencontrados. PERFEITO. 


Na imagem, por exemplo, relacionar a carta 16 à estrela das direções cardeais foi genial. Temos aqui o sentido de orientação em diversos níveis.
Sempre esteve ali, Karla explicitou.

Curtam a página do Esmeralda Lenormand no Facebook!
Confiram outras resenhas:
Tânia Durão, AS CARTAS CIGANAS.
Sonia Boechat, Tzara da Estrela
Bridgett, Bridgett Blessings

Ah, claro que o Conversas e o Esmeralda Lenormand, Emanuel e Karla, dariam as mãos numa promoção de ano novo! 

Quer ganhar um Esmeralda Lenormand? Siga os passos:

2. Curtir a página do Esmeralda Lenormand no Facebook.
3. Responder nos comentários, deixando seu nome e e-mail: "Por que você deseja o Esmeralda Lenormand na sua vida?"

O sorteio será feito pelo random.org.

Fácil, não é? Entre em 2014 com o pé direito, e com baralho novo!

Abraços a todos! Karla, que você prospere sob as bênçãos de Esmeralda, essa cigana tão abençoada!

domingo, 10 de março de 2013

Magias e Rituais de Amor: Um estudo do Naipe de Copas.

Olá pessoal. Sempre que vou ao Rio tenho a oportunidade de conviver um pouco mais com uma grande amiga, Prem Mangla. Em nossas conversas cartomânticas, sempre encontramos novos caminhos e visões acerca de nossa prática. Novos métodos, novas abordagens, novos significados, novos baralhos.
Em uma ida à livraria, passei por esse livro, e se não fosse por ela, não o teria olhado com maior vagar. Prem tem uma predileção por oráculos que falem do amor em todas as suas formas (e ela é muito boa nisso). E eu sequer imaginava que esse livro fosse um oráculo. Obrigado pela indicação, Prem - a vivência com ele tem sido muito prazerosa.



Esse é um livro que me surpreendeu por vários motivos. A começar por suas cartas. Treze cartas belamente ilustradas em tamanho A5 (!), que representam os diversos níveis de atuação do amor. Falaremos sobre elas mais adiante.
O livro em si é tão bonito quanto as cartas, ricamente ilustrado. Com diversos rituais para autoconhecimento e despertar da autoestima, é um livro para ser consultado, mais que lido. Não é livro para ser lido apenas uma vez. Os conhecimentos nele descritos podem e devem ser utilizados não só na necessidade, mas no cotidiano, na vida. Aqueles que já mantém uma prática mágica constante encontrar-se-ão em casa. Aqueles que estão dando os primeiros passos, também – a leitura é fácil e as descrições, precisas. Indicações preciosas para os Livros das Sombras dos irmãos da Arte.



Voltemos a falar sobre as cartas. As cartas representam não apenas um oráculo, como também talismãs a serem utilizados junto com as frases de poder que as acompanham. Cada uma das treze cartas representa uma área, um nível de atuação do amor. Como são treze cartas, eu fiz uma experiência que foi muito funcional: cada uma das cartas pode ser correlacionada com uma carta do baralho comum, cujos naipes possuem treze cartas cada. Evidentemente, optei por Copas para representar cada uma das cartas deste oráculo, conforme segue:



Afrodite. Poder. Corresponde ao Ás de Copas.



Libra. Equilíbrio. Corresponde ao Dois de Copas.



Vênus. Amor Divino. Corresponde ao Três de Copas.



Cálice. Plenitude. Corresponde ao Quatro de Copas.



Mãos em Prece.  Paz. Corresponde ao Cinco de Copas.



Coração Partido. Mágoa. Corresponde ao Seis de Copas.



Corpo. Aparência. Corresponde ao Sete de Copas.


Golfinho. Brincadeira. Corresponde ao Oito de Copas.



Rosa. Valorização. Corresponde ao Nove de Copas.



Macieira em Flor. Merecimento. Corresponde ao Dez de Copas.



Quartzo Rosa. Apoio. Corresponde ao Valete de Copas.



Os Antepassados. Coragem. Corresponde à Dama de Copas.



Anjo da Guarda. Orientação. Corresponde ao Rei de Copas.

Atualmente, o livro encontra-se indisponível no site da editora. Encontre-o nas melhores livrarias. 

domingo, 3 de março de 2013

Gilded Reverie Lenormand: Uma nova experiência com o Lenormand.


Olá pessoal. Chegou o meu Gilded Reverie Lenormand (thank you so much, Ciro Marchetti!) e eu realmente gostaria de compartilhar minhas experiências com vocês. Já havia demonstrado minha ansiedade por sua edição, aqui; agora, posso dissertar sobre, tendo-o em mãos. Esse baralho nos leva a reflexões profundas sobre a função, a aplicação e a metodologia do Petit Lenormand e os rumos que esse baralho tomará nos próximos anos - uma reflexão que, infelizmente, não foi feita com o Tarô a tempo de evitar obscurantismos vários e desnecessários. Dentro dessa perspectiva, o baralho desenvolvido por Ciro Marchetti vem, por um lado, preencher uma lacuna artística sobre a qual dissertaremos adiante e, por outro, levantar questionamentos sobre a prática, artística e cartomântica, com o Petit Lenormand.



Em outro momento, já falei do Tarô como obra de arte e como, sobremaneira, acredito que a perspectiva de usar qualquer Tarô como "o" Tarô é equivocada. Cada baralho possui sua peculiaridade e sua beleza e, ainda que os significados atribuídos às cartas estejam cada vez mais homogêneos, o fazer artístico relacionado segue o caminho contrário.
E agora, nos deparamos com o mesmo processo aplicado ao Petit Lenormand. Esse boom recente, que não se estende para mais de duas ou três décadas (lembremo-nos que os estudos taromânticos possuem séculos e os estudos cartomânticos são ainda indeterminados) nos coloca diante de dois problemas: primeiro, o interesse de cartomantes que utilizaram o Tarô durante muito tempo e, em segundo lugar, a ausência de estudos e, por vezes, até mesmo de reflexão, sobre o que está representado ali, nas cartas.
Aqui no Brasil, particularmente, contamos com uma escola forte e sedimentada de cartomancia com o Petit Lenormand, que dialoga diretamente com os Ciganos e o Povo do Oriente, tendo por principal representante Katja Bastos. A metodologia é diferente, a atribuição das cartas é diferente, o ritual é diferente e, como não poderia deixar de ser, foi produzido um baralho com imagens adequadas ao processo e ao ritual, que facilitassem a aprendizagem dos significados e da metodologia. Já falamos sobre isso aqui. Diversos livros foram publicados após o início dos trabalhos da Sacerdotisa da Trybo Cósmica. 
A bibliografia que temos é pouco extensa ainda, e temos muitas vozes ainda por ouvir. Após a obra do Dr. Geraldo Spacassassi, a primeira a verticalizar sobre o Petit Lenormand, temos as obras de Naldo de Oliveira, J DellaMonica, Margarita Fasanella Martinez, André Mantovanni, Patrícia Fernandes, Leandro Roque, e possivelmente outras que não conheço, que versam sobre a leitura cigana das cartas. O oráculo "francês" (com aspas muito bem colocadas pela pesquisa do Alexsander Lepletier) foi abordado apenas pelo Dr. Geraldo, que verticalizou no uso do Blue Owl Lenormand (CartaMundi).
Mas, particularmente, acredito que temos muito ainda por caminhar na pesquisa das origens e da funcionalidade do baralho em si. Veem-se os trabalhos de Alexsander Lepletier, Leandro Roque, Deborah Jazzini, Tânia Durão e Sonia Boechat, entre outros, buscando viver os significados e reconhecer suas raízes, como fazemos por aqui, no Conversas Cartomânticas. Eventos estão sendo desenvolvidos. Palestras, workshops, encontros, cursos. E a Arte cresce com isso. Mas o caminho ainda é longo, e temos muito o que experimentar.
E é nesse sentido que vemos o fazer artístico, pari passu à pesquisa, se desenvolvendo. Se, até algum tempo atrás, era "necessário" o conhecimento dos naipes do Tarô para o desenvolvimento da leitura das cartas, hoje pesquisas são desenvolvidas a partir da própria raiz do Petit Lenormand, buscando sintetizar sua significação e utilização precisa. Nesse ponto, tenho feito descobertas interessantes. As imagens estão sendo lidas e produzidas para dialogarem com o significado proposto, o estilo visa o conforto de quem o porta. Algo nunca antes feito com um baralho de cartomancia: a exploração extenuante da imagem, garantindo níveis de leitura e reflexos sobre os desenhos e significados, tornando o baralho menos adivinhatório e mais meditativo.
Contamos hoje com muito mais acesso a baralhos Lenormand no Brasil, tanto nacionais quanto importados. Além do Tarô Cigano da Trybo Cósmica, que já falamos anteriormente, e da bibliografia supracitada, temos o Baralho Cigano da Fábrica do Baralho, aguardamos ansiosamente a reedição do Baralho Para Ver a Sorte, da COPAG, e temos, graças a COPAG, a Priscilla Lhacer do Amor, o Próprio e a Socorro Van Aerts do De Keizerin Boutique, acesso a baralhos importados num preço acessível.


Pudemos acompanhar o trabalho de Ciro Marchetti durante toda a criação do Gilded Reverie Lenormand através de suas descrições e postagens no Facebook. Foi um passo a passo detalhado e emocionante. Houve, da parte do autor, o acuro de ouvir vários cartomantes no processo de produção das imagens. E o resultado dentro da sua técnica e identidade visual, é estupendo (o Navio navega no ar; o fantástico se faz presente, mas todos os atributos que identificam a carta estão ali presentes também).  Ter o baralho em mãos hoje é o clímax, o culminar de um processo que acompanhei desde o início. Cada imagem produzida, cada discussão simbólica, cada elemento adicionado ou retirado era cuidadosamente estudado pelo autor para que todos os ângulos já abordados anteriormente pudessem ser privilegiados de alguma forma, sem perda ou corrupção do significado original. As quarenta e quatro cartas que compõem o conjunto são:


Carta-autógrafo
01. Cavaleiro
02. Trevos
03. Navio
04. Casa
05. Árvore
06. Nuvens
07. Serpente
08. Caixão
09. Ramalhete
10. Foice
11. Chicote
12. Pássaros 1 (parecem bem-te-vis ou sanhaços)
12. Pássaros 2 (corujas)
13. Criança
14. Raposa
15. Urso
16. Estrela
17. Cegonha
18. Cão
19. Torre
20. Jardim
21. Montanha
22. Escolhas (substitui os Caminhos)
23. Ratos
24. Coração
25. Anel
26. Livro
27. Carta
28. Homem 1 (gentil homem com a rosa)
28. Homem 2 (colar de Marte)
29. Mulher 1 (senhora com a rosa)
29. Mulher 2 (colar de Vênus)
30. Lírios
31. Sol
32. Lua
33. Chave
34. Peixes
35. Âncora
36. Cruz
37. Tempo
38. Ponte
39. Dados
40. Máscara


Imagem da carta 37. Tempo


A característica mais intensa dessa edição especial é o fato de que ela possui duas cores de fundo, azul ou vermelho. Essa escolha e modificações nas cores e detalhes foi deliberada. Uma das duas opções foi escolhida de forma aleatória para compor cada um dos baralhos completos. Ao fim, resta-nos a certeza de termos um baralho único em nossas mãos. A chance de um baralho possuir a mesma combinação de cartas/cores é menor que 1 em 8000.
O livreto não acompanha o baralho, mas pode ser baixado aqui (em inglês). Brevemente teremos por aqui considerações específicas sobre cada uma das 43 cartas; por ora, aqui temos os significados resumidos propostos para cada uma das 36 cartas costumeiras. Vários outros textos podem ser encontrados aqui no blog sobre Lenormand, para aprofundamento dos temas concernentes a cada uma das cartas, e produzirei textos específicos sobre as cartas extras, em momento oportuno.
Afortunadamente, em março de 2013 o autor postou em seu perfil que o projeto foi aprovado pela USGames, e será republicado em breve, possivelmente em um valor mais acessível que o original. Contudo, essa versão não contará com as sete cartas extras, e também não contará com a variação de cores. Ainda dá tempo de adquirir a versão especial.




Além do baralho, foi produzido um  aplicativo para IPad, totalmente caracterizado, possibilitando a ampliação das cartas, assim como a possibilidade de criar seus próprios jogos, adicionar notas e enviar as imagens por email. 
Nesse aplicativo, uma das disposições de cartas disponível é a Mesa Real descrita por mim, Emanuel, conforme aplicada aqui no Conversas Cartomânticas. Fico extremamente honrado com o reconhecimento do autor e aproveito aqui para agradecer.


Pessoal, gostaria muito de conhecer outros profissionais de teoria e prática do Lenormand, para enriquecer a lista inicial de autores e pesquisadores. Você trabalha com o Lenormand? Pesquisa, conhece um livro, um baralho não citado aqui? Deixe um comentário, me ajude a atualizar a lista!