sexta-feira, 15 de abril de 2016

Novidades no Lenormand no Brasil.

Olá pessoal. Eu fico muito feliz quando vejo iniciativas de sucesso ligadas ao Lenormand no Brasil. É uma área em expansão, com questionamentos antigos encontrando novas respostas e com possibilidades novas arejando o cenário da tradição. Hoje, em especial, gostaria de falar sobre três iniciativas inspiradoras, que por sua qualidade e pela proposta me levam a crer que ainda temos muito a fazer, pelo muito que tais pessoas fazem.
Juntos somos mais fortes e o reconhecimento desses trabalhos são passos importantes tanto como incentivo para que os proponentes continuem seu excelente trabalho, como referenciem novos trabalhos, diálogos e entendimentos com os demais. 

KARLA SOUZA E A TRILOGIA "DIÁRIO LENORMAND"


Na verdade, ainda é cedo para dizer que é uma trilogia - eu mesmo espero mais livros da Karla! Professora reconhecida no meio virtual, Karla Souza divulga o método da distância e tem maestria no assunto. Karla é autora do Esmeralda Lenormand, um dos maiores sucessos em andamento no Brasil: um baralho calcado no tradicional, mas com um design audacioso e rico em simbolismo, sendo atraente não só para quem está escolhendo seu primeiro baralho, como para quem já tem sua coleção. E suas criações não param!
Seus livros são lúdicos, divertidos, graciosos como só uma expert no design seria capaz de fazer, não pecando em nada no conteúdo. 
No primeiro livro, Karla trabalha com os pares e trios de cartas - como associar as cartas para leitura, não só adivinhatória como reflexiva. A ideia é o exercício diário, o entendimento no cotidiano do uso das cartas, suas atribuições e suas perspectivas.
No segundo livro a interface se complexifica até a leitura dos blocos de nove cartas. Existem cartomantes que, inclusive, desenvolvem trabalhos efetivos apenas com o bloco de nove cartas; entretanto, a proposta aqui é justamente o preparo necessário para a leitura da Mesa Real no livro III.
O terceiro livro lida com a Mesa Real 4x8+4 - o método que normalmente é encontrado nos livretinhos que acompanham baralhos, mas que nem de longe chegam ao grau de acuro e competência com o qual a Karla aborda o tema. Nós trabalhamos mesas diferentes - eu utilizo a 9x4 - mas o diálogo entre os conteúdos é evidente. Na verdade, eu e a Karla nos divertimos muito em nossas trocas de conteúdo!
Além do livro, o kit acompanha um tabuleiro de treino para auxiliar no processo de aprendizagem. Notadamente com o mesmo bom gosto das edições I e II.
Para adquirir, entre em contato com a autora no site Sensoriall. Para seguir seu blog, clique nesse link.

A literatura sobre Petit Lenormand está se expandindo. É muito bacana ver os estudos de caso pessoais tornarem-se fontes de consulta, de respaldo e de questionamento entre as diferentes práticas defendidas e vividas pelos cartomantes brasileiros. E mais bacana ainda é ver uma referência como a Karla tornando acessível seu conteúdo dessa forma. 
Estamos crescendo. 

ALEXSANDER LEPLETIER E O CANAL LENORMANDO



Alexsander é um dos mais renomados cartomantes do Brasil. Desenvolve seu trabalho com Lenormand há anos, aprofundando-se nos sentidos, meios e caminhos que o simbolismo individual das cartas permite correlacionar não só com o cotidiano, mas com as demais cartas, gerando um caldeirão rico de referências que passam desde a tradição até o que há de mais vanguardista nas artes. Bater um papo com o Alex é garantia de referenciações e um circo de pulgas atrás da orelha - é impossível conversar sobre Lenormand com ele e não ficar pensando por horas sobre o que ele diz. 
Estivemos recentemente juntos no Encontro da Nova Consciência, em Campina Grande, no qual, junto com Giancarlo Kind Schmid, Tânia Durão e Frank Menezes, conversamos sobre as cartas e os relacionamentos. Estaremos novamente juntos em junho, no evento Cartas Ciganas. E seguimos conversando sobre o tema que amamos.
Siga o canal nesse link.

Os vídeos são um caminho para quem se sente mais à vontade falando que escrevendo. É possível falar sobre a carta do dia, sobre aspectos interpretativos das cartas, dialogar de forma mais dinâmica com os seguidores. Temos uma série de trabalhos nesse sentido, vale a pena dar uma pesquisada. Particularmente, o canal do Alexsander é uma interface que já vem com todo o conteúdo que ele partilha há anos em seus cursos. Recomendo.

TÂNIA DURÃO E O ENCONTRO SOBRE AS CARTAS CIGANAS


Já em sua quinta edição, o evento reúne grandes nomes da cartomancia brasileira do Brasil e do exterior. Eu tenho a honra de participar desde a segunda edição, e aprendo muito com todos assim como ofereço o que sei. É notável no evento o clima de companheirismo, partilha, envolvimento e seriedade.


Tânia Durão é terapeuta e cartomante, autora dos livros As Cartas Ciganas: Uma visão holística e Luz do Sol: Colorindo as Cartas Ciganas e do baralho Luz do Sol. Seu trabalho é sistemático, com a doçura e a firmeza em quantidades que só quem sabe o que está fazendo é capaz de oferecer com maestria. 
Ainda dá tempo de adquirir seu ingresso! A Mesa Redonda será dia 25 de junho, no Rio de Janeiro. Para adquirir seu ingresso, clique aqui, e aproveite e siga o blog aqui.

Eventos de Cartomancia com Petit Lenormand, voltados para pensarmos a teoria e a prática, ainda são raros. Reúna seus amigos, bata um papo, registre! Vamos ampliar nossa vivência pessoal, tête-a-tête com as pessoas e o oráculo!

MINHA PARTE NA HISTÓRIA


Dia 30 de abril eu estarei no Espaço Merkaba oferecendo o curso de Mesa Real (9x4). 
Neste módulo será apresentado o método de leitura completo, que aborda todos as áreas da vida do consulente. Cada aluno terá meu acompanhamento para a leitura de sua própria mesa real (pessoal).
Com o uso da Mesa Real, é possível realizar uma consulta completa, sem a necessidade de utilizar outros métodos, já que este é bem amplo.

Importante ressaltar que cada módulo é independente, portanto o aluno não tem obrigatoriedade de realizar os três módulos, exceto se desejar a formação profissionalizante.
- Valor de cada módulo: R$ 305,00 em 2x sem juros
- Valor do pacote profissionalizante (3 módulos): R$ 750,00 em 3x sem juros
- Valor especial para alunos que já realizaram este curso e desejam reciclar seus conhecimentos: R$ 250,00 cada módulo.
INFORMAÇÕES E MATRICULAS:
(11) 3567.7538 | 9.7205.5181 (WhatsApp)

cursos@espacomerkaba.com.br


E, dia 11 de junho, estarei com um time de feras no evento Cartomancia, em São Paulo. Em parceria com Patrícia Farias, falaremos sobre as relações entre Petit Lenormand e a prosperidade. A apresentação visa identificar e qualificar as cartas que melhor diagnosticam e oferecem caminhos para o bem estar financeiro do consulente no Petit Lenormand. Tendo por base a experiência de anos de atendimentos presenciais e online, ofereceremos meandros de entendimento das cartas para aconselhamento e previsão ligadas às finanças, investimentos, prosperidade e bem estar financeiro, tanto em seu caráter panorâmico, oriundo da Mesa Real, quanto do seu caráter específico, na formulação de perguntas.


Aproveite para adquirir seu convite! Contato aqui.

E você? Conhece algum trabalho bacana, ou desenvolve um trabalho bacana? Comente aqui para que eu possa referenciar nesse artigo!

Abraços a todos.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dos encontros: uma sincronia de textos.


Tendemos a encontrar amigos e companheiros de jornada entre aqueles que tem algo em comum conosco. Questão de conforto, inclusive: podemos trocar ideias, muito mais que oferecer ideias. E, estar no meio dos nossos dispensa comentários, as experiências se mesclam, os sucessos de um podem ser usados para superar as dificuldades dos outros, os problemas de um podem servir como exemplo do que fazer, ou não fazer, diante das mesmas circunstâncias.
Tendemos a admirar aqueles que possuem uma caminhada mais longa e ampla que a nossa em algo que conhecemos. E a admiração, aqui, não tem sentido positivo, unicamente; até mesmo a inveja é um tipo de admiração, de observação criteriosa, de espanto, de estranhamento. Eu posso não saber como nem por quê a grama do vizinho é mais verde; entretanto, eu sei que é verde e eu queria que a minha fosse assim - eu preciso descobrir o que ele faz para chegar nesse verde tão lindo!
Em contrapartida, olhamos com certa desconfiança aquilo que está à margem de nossa habilidade. Quem nunca falou mal de mecânico, de advogado, de médico - "confiar nesses profissionais? Não... Vou procurar uma segunda opinião" - que atire a primeira pedra. Tendemos a desconfiar do que não conhecemos, sobretudo quando vem de aparentes connoisseurs
Da mesma forma, há uma certa sensação de abuso quando alguém de outra área pede-nos um conselho. "O que significa a carta tal?" e você já pensa "quer apostar quanto que isso foi leitura de site ou de .gif de Facebook?"
E, consciente dessas possibilidades, eu tendo a evitá-las, tanto quando posso. Eu busco o diálogo com outras áreas para melhorar como cartomante, e tento tanto quanto possível responder as questões que me chegam. 
Mesmo que a resposta seja "agende sua consulta".


Hoje um estudante de direito, meu conhecido, veio me perguntar o que significava o Arcano XIX - O Sol. A primeira resposta que veio à minha cabeça, que foi inclusive a primeira resposta que dei, foi "depende". Essa resposta, que não tem nada de efetiva, nem mesmo a ver com o Arcano em si, mas com a minha prática em geral, me levou a escrever esse texto. O que me levou a responder... sem responder?
Em primeiro lugar, o critério e a responsabilidade com a informação. Como todos os Arcanos Maiores, ainda que a primeira impressão de uma carta possa levar-nos a considerá-la positiva ou negativa per se, com o tempo e prática vemos que uma carta tida como positiva, como o Sol, pode gerar circunstâncias extremamente desagradáveis de acordo com a configuração geral do jogo. O Sol pode clarear coisas cuja natureza pede o ocultamento. Sua luz não respeita os contornos próprios das exceções: se há espaço para a luz, se não há nada que a bloqueie, ela irá tomar o lugar (e a situação) com toda a sua intensidade.
Em segundo lugar, a falta de conhecimento da pergunta. O oráculo responde imagética e conceitualmente a uma pergunta. Sem o entendimento da pergunta, a resposta é, no mínimo, capenga. Nem sempre uma resposta positiva é bem vinda. Imagine se a pergunta for "serei demitido?" ou "o nosso relacionamento chegou ao fim?" e você responde, despretensiosamente, sim?  
Em terceiro lugar, a mão do cartomante é sempre soberana. Sem saber quem manipulou as cartas (ou se foi através do logaritmo de um site), uma resposta é sempre uma opinião, pois não é parte do processual da consulta em si, do momentum. Se eu leio, não há cartomante que me desabone da minha responsabilidade na leitura. Se outro cartomante lê, a responsabilidade pelo dito (ou não dito) é dele. 
Embora ele tenha sido claro em relação a ter jogado Tarô, poderia adicionar mais um limite: o baralho utilizado. O Sol do Tarô, do Petit Lenormand ou do Gypsy Witch, por exemplo, dialogam sobre um mesmo conceito de formas muito diferentes. Interpretações advindas de intertextos são para um nível mais avançado de leitura - normalmente desnecessário num caso como esse. 

E aí... "Depende".

Pedi a ele que esclarecesse os pontos da leitura. Um amigo havia jogado para ele, pergunta específica, e tirou três cartas: Torre, Mago, Sol. (Sol super bem vindo nesse contexto, não?) Interpretei superficialmente - não tinha autoridade nesse contexto para oferecer mais que uma opinião. E pelo feedback que obtive, eu estava correto em minhas impressões.
E isso me deixou pensando sobre como é o profissionalismo na cartomancia. Só podemos ser responsáveis por aquilo que é visto, dito e trabalhado no momento da consulta, no momentum de autorização do consulente e de autoridade do cartomante. Todo o restante é opinião, visão, possibilidade. Um cartomante interpretar o jogo de outrem a posteriori é como comparar, em Astrologia, a leitura de um mapa à feitura de horóscopo de jornal. Um mapa pede critério, leitura não só do céu mas dos contextos que envolvem o cliente, planejamento, estratégia - tudo o que é necessário para uma boa previsão. A feitura do horóscopo pede o entendimento dos padrões repetitivos do trânsito dos planetas, com os agravantes e atenuantes próprios de sua intensidade na alegoria dos eventos humanos. É o registro de possibilidades, não um mapa de jornada. 
Da mesma forma, o atendimento cartomântico é o espaço de criação de estratégias para o bom andamento das circunstâncias visando o bem estar do consulente. Uma leitura carta a carta, fora desse contexto, pode tanto ser um estudo como um levantamento de possibilidades, mas não tem o peso da leitura. 
Saber diferenciar um e outro, claro, pede tempo e prática - e respeito ao processo de acertos e erros que compõe a posse de um baralho. Nosso cliente é nosso juiz, mas nosso advogado é o próprio baralho. 

Bons professores, bons amigos, bons livros, boas vivências reduzem essa curva de aprendizagem e ampliam nossa capacidade de enxergar o mundo que nos cerca metaforizado nas cartas do baralho. Eu sinto muito orgulho das pessoas que aprenderam Petit Lenormand comigo - todas trazem uma bagagem para compartilhar, e todas levam de mim o que de mais bonito construí até agora.
E, em relação ao Tarô, não posso deixar de indicar dois trabalhos fantásticos que integram uma parceria e tanto: Kelma Mazziero, do Cartas na Mesa, acaba de postar sobre o Tarologar; e Ivana Mihanovich, do (El) Tarot Luminar, mantém a série Back To Basics, que já está em seu número V.
 
Dois textos que saíram hoje e que, sincronicamente, estão na mesma pegada do que conversamos aqui, por duas pessoas que possuem meu respeito e admiração.
Sigamos, trabalhemos e entendamos que a cartomancia se faz de vida, a mesma matéria da poesia. 

Abraços a todos.

domingo, 10 de abril de 2016

As Três Senhoras do Baralho.


George Owen Wynne Apperley (British, 1884-1960) The afternoon of the Corrida, Granada


MEA CULPA: esse texto já está escrito dentro de mim faz tempo. Perdão por só colocá-lo agora para fora.

É notável como o mercado cartomântico tem se ampliado e qualificado. Temos um acesso muito maior a baralhos importados (e quem começou na cartomancia há pouco mais de dez anos sabe o quão difícil era conseguir um baralho assim; contava-se com a sorte de chegar pelo correio ou pela sorte maior ainda de um amigo ir para fora do país). A criação nacional também tem sido profícua. Claro está que, na mesma medida em que o cenário se expande, a qualidade não acompanha sempre. Temos baralhos muito bons e baralhos nem tanto.
Mas temos baralhos e é isso que importa.

Paralelamente, os cartomantes tornaram-se mais exigentes. Vê-se um esforço em entender a cartomancia de forma extensiva, testando baralhos em função das necessidades de trabalho. O tempo de um baralho só para a vida toda, por falta de opção, acabou. Atualmente, você pode escolher ter um baralho só, vários, e o melhor: você pode escolher mudar de ideia e partir de um campo a outro.
Além disso, a própria experiência dos cartomantes, não só com nossa arte, mas com experiências artísticas, religiosas e alegóricas permitiu a criação de baralhos específicos, experimentos calcados na experiência de muito tempo com os baralhos tradicionais. Eu gostaria de citar, não sem certo orgulho, três senhoras que, em nome de três senhoras, desenvolveram três baralhos que, mais que adivinhatórios, são devocionais. 
A elas meu brinde, minha celebração e meu carinho.
A todas elas.

KATJA BASTOS E O TAROT CIGANO


Já falamos sobre o Tarot Cigano nessa postagem, mas não posso deixar de homenageá-la aqui. A Rainha Cigana, que trabalha com Katja Bastos há décadas, auxiliou-a na encomenda dessas 36 imagens ao artista espanhol Julio Spinoso. O baralho é inovador por incluir em suas imagens a proposta da correlação com os Orixás. Entretanto, ele não possui correlação com os naipes e alguns de seus significados são inversamente proporcionais àqueles tidos como tradicionais.
E lindo. Desnecessário dizer o quanto esse baralho é lindo.
É notável a diferença na interpretação que esse baralho proporciona. Recomendo seu uso para quem queira mergulhar de fato na forma como a Cartomancia com Petit Lenormand se desenvolveu no Brasil - todas as imagens são coesas com a proposta, o que facilita e muito o processo intelectual, psíquico e espiritual de conexão com a egrégora cigana e com a forma de leitura.
O baralho pode ser adquirido aqui.  

ELIANE ARTHMAN E O BARALHO DA MARIA PADILHA


Quando estive na Mystic Fair, no Rio de Janeiro, Prem Mangla me viu de longe e disse: "Cigano! Olha o que eu trouxe para você!" enquanto balançava em sua mão esse baralho. Confesso que num primeiro momento pensei de que maneira poderia usar adequadamente tal cartomancia; entretanto, assim que o embaralhei, senti o quanto esse baralho é poderoso, no sentido de ter sido feito dentro de um espírito de ritual e de plena confiança entre a autora e sua guia. Se a egrégora do baralho te dá a confiança que você precisa para ter a firmeza da mão, o que poderia dar errado?
O baralho está em sua terceira edição, atestando seu sucesso. Impresso em vermelho, branco e dourado sobre fundo preto, minimalista e direto em suas leituras. Não é um oráculo difícil de ser aprendido, mas, embora também possua 36 cartas, e as técnicas utilizadas para a leitura de um Petit Lenormand também possam ser utilizadas com ele, não deve ser confundido com um Lenormand. É uma proposta diferente, com resultados diferentes e não menos eficazes. 
O baralho pode ser adquirido aqui.

SONIA BOECHAT SALEMA E O BARALHO DE MARIA MULAMBO


O tempo passa e o mundo gira... e o relógio de Maria Mulambo não tem ponteiro!

Conheci Sonia pessoalmente em minha primeira visita à Tsara. Foi plena identificação; uma amizade de anos que tem ares de décadas. Desde então nos encontramos sempre que é possível, e quaisquer cinco minutos são como se valessem por horas. 
E valem.
Acompanhei de longe o desenvolvimento do Baralho de Maria Mulambo. Passo a passo, com calma e de acordo com as orientações que recebia, Sonia ia cumprindo o que Dona Maria queria, numa parceria amorosa, sem cobranças e sem indolências. Era o ritmo certo, no processo correto. E quando, enfim, o baralho veio à luz, não poderia ser diferente: 36 cartas coloridas e de simbolismo riquíssimo. Da mesma forma que o baralho de Dona Maria Padilha, este não é um Lenormand, mas todas as técnicas de leitura do Petit Lenormand podem ser utilizadas com ele.
O baralho pode ser adquirido aqui.

Eu saúdo as Três Senhoras que se mostram tão bem assessoradas pelas três senhoras que, para minha alegria e contentamento, tenho tão caras ao meu coração. 
Minha gratidão ao trabalho que as Senhoras vem fazendo onde os mundos se cruzam e as esquinas são mistérios. 
E você, que se interessar por quaisquer desses trabalhos, saiba: são baralhos produzidos com devoção e alinhados com o que há de mais puro do mundo devocional. Ou seja: embaralhar um desses baralhos, já é, por si só, uma oração.

Eu escrevi ouvindo isso aqui

sábado, 2 de abril de 2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Mentiras fáceis.


Roberto FERRI. LIBERACI DAL MALE. 2013.
"Costumavam chamar o Diabo de pai das mentiras.Mas, para alguém cujo pecado significa orgulho, mentir deixaria algo como um sabor amargo.Fácil demais. Baixo demais. Coisa para covardes.Então, a minha teoria é a de que, quando o Diabo quer algo de você, ele não mente, de forma alguma.Ele te diz a verdade exata e literal.E ele deixa você encontrar, sozinho, o caminho para o inferno."

- "Crianças e Monstros", arco de Lucifer, #10, DC Comics, selo Vertigo. 
Algo muito apropriado para ser lido no dia de hoje.

domingo, 27 de março de 2016

XVIII. A lenda da vitória-régia.


Um dia, quando o mundo ainda engatinhava e o sol bocejava, a Lua foi homem. 
Depois ela foi mulher.
Depois ela aprendeu a ser o que bem entendesse.

Nós, que aqui estamos, com um mundo fazendo dieta e um sol fazendo crossfit (tudo pela aparência perfeita), não lembramos do luminar conforme sua história; passamos a criar histórias que preenchessem nosso vazio da presença dele. Como qualquer celebridade, ele não é muito afeito a esses assédios de paparazzi.


Então chegamos a ele de esguelha, fingindo pouco interesse, para que ele não nos perceba. Os que vieram antes, com seus olhos compassivos, lembram e contam histórias do tempo em que o mundo e o sol só queriam brincar. Naquela época, o luminar que hoje conhecemos como lua... Era homem. E gostava de moças bonitas.


Enquanto caminhava pelo seu campo negro, o luminar olhava o mundo e via o brilho dos olhos das moças, e sua beleza se refletia nelas. Não havia quem pudesse negar o seu abraço, e ao amanhecer, ele se recolhia com elas. 
Não todas; só as mais bonitas.


Havia uma moça muito bonita. Naiá era seu nome. Mas aquele que é a lua que hoje é  o que bem entender mas já foi mulher e um dia foi homem, parecia não se importar com ela. 
Naiá sonhava durante o dia e seguia insone, todas as noites, esperando que seus olhos trouxessem seu amado para seus braços. Mas ele parecia não ver seus olhos suplicantes.

Os mais velhos, que ninaram o sol quando este era um bebê e cercavam o mundo dos perigos para que ele crescesse forte, avisaram Naiá: aquelas que o luar levava, não voltavam mais. Tomadas pelo brilho do luminar, tornavam-se com ele unas no céu, na forma de estrelas. Algumas tropeçavam e caíam, e nessa hora se fazia um pedido: a cadente era salva e o pedido, atendido.

Naiá não se importava. Não comia, não bebia, mal dormia; e se ele, no seu descuido, estivesse olhando justo naquele instante e ela, distraída, não o visse?


Uma noite, Naiá caminhava, mudando o ponto para ver se o luar a via. O problema devia ser a aldeia: todas as moças eram bonitas e nenhuma havia sido levada até então. Naiá pôs-se a caminhar... Seus pensamentos divagaram... Dizem os mais velhos, que deram de mamar os sonhos que tornaram o sol forte e derramaram libações para que a terra se nutrisse, que quando a mente divaga os pés descaminham. Descaminhando, não se sabe aonde se chega, só se sabe que se chegará aonde se precisa chegar. Assim, os pés de Naiá a descaminharam até um lago, onde... Lá estava ele, se banhando! 
Sua pele prateada tirou seu fôlego. Seus contornos másculos a inebriaram e ela suspirou de prazer. Finalmente conseguiria se unir de corpo e alma, amante e amado, dois em um. 


E então, ela se jogou no lago. 
O impacto do corpo despedaçou o sonho em diversos fragmentos de luz; ele não estava lá! Onde ele estivera - ou não estivera, a água em seus ouvidos dificultava seus pensamentos - ondas se formavam e empurravam seu corpo para frente e para trás, e ela já não via mais a borda. 
E depois, ela já não via mais a superfície.
E depois, ela já não via mais nada.

O luar, que naquele instante mirava sua beleza em seu espelho d'água, ficou consternado por não ter visto aquela moça, tão bonita, tão apaixonada. O mundo estava crescendo a olhos vistos e ele já não corria seus dedos luminosos com a mesma facilidade pelo seu dorso macio. Quis trazer Naiá consigo, mas já era tarde: o lago já requerera seu quinhão. A beleza de Naiá lhe pertencia, pois ela de livre vontade abraçara-se a ele, ainda que não fosse seu o abraço desejado.

O luar, entretanto, era mais velho, pois ele ainda era homem e nós, que aqui estamos, não lembramos de quando ele foi homem, depois mulher, depois o que quisesse. E, eu não sei dizer o porque e nem quando foi decidido que assim seria, só sei que é assim: os mais velhos dizem o que os mais novos devem fazer, e os mais novos aprendem com a experiência dos mais velhos para viverem melhor. E o luar exigiu sua parte: o corpo era do lago, mas a alma de Naiá era sua. 


E assim, entre os mundos do lago e da lua, do laço entre imagem e espelho, surgiu uma planta, cuja forma está firmemente ancorada no lago, mas cuja força está na delicadeza de suas pétalas buscando o abraço do luar.  E se você for cuidadoso, e olhar de esguelha quando o luar estiver se mirando no lago, poderá ver os olhos de Naiá faiscando. E com ela aprendemos que, ao querer a Lua, é melhor evitar o lago.



Esse texto veio meio por acaso. Estamos tão acostumados a associar certas cartas com gêneros que esquecemos que os gêneros nos pertencem, não ao baralho. Um Imperador pode representar uma mulher, pois ele não é o personagem que aparenta: ele é o adjetivo que a localiza naquele instante. 
Afirmarmos que o gênero é reforçado pelas imagens de um baralho é um equívoco que acontece às vezes... Então, como exercício, eu mesclei imagens do Tarô a imagens da lenda da Vitória Régia,para vermos como uma imagem é associativa e não reforçadora. O reforço está na nossa fortuna (ou pobreza) crítica.
Se aprendermos direitinho com Naiá, saberemos que devemos olhar o Luar, não o Lago - e essa é a lição do arcano XVIII. Ela é mais velha que nós e nós aprendemos com ela, para evitarmos os tropeços do caminho.
Porque aquele que está no céu e que chamamos de lua é o que bem entender, mas um dia já foi mulher... E antes, foi homem.
E gostava de moças bonitas. 

domingo, 13 de março de 2016

Do Mago.



NÃO SE ILUDA COM o aparente descaso do Mago; embora blasé, ele está te olhando. De soslaio, oblíquo, com seu sorriso diáfano. Ele está atento à plateia - é assim que ele domina: Dando atenção indistinta a todos, sem prestar reverência a ninguém.

Traz consigo uma bolsa amarela tecida e recheada com todos os sonhos roubados de centenas de pessoas. Voilà! E mais um sonho, à guisa de enfeite, parte do antigo dono para o novo possuidor. O homem do saco, ameaça corrente, lenda urbana, em outra roupagem. 

Te afana do essencial, deixando o supérfluo. Senão, você sentiria falta.

Mestre das mágicas de cálices e varinhas, confira, sorrindo, a prataria quando ele sair. Hábil em somar para si, não raro subtrai dos outros. O show tem que continuar.

Nem jovem, nem velho, jovial; sempre um pouco mais experiente, não raro o mais imaturo experimentador. É ele quem vai na frente - e volta, para contar o que viu. À pé, é imbatível no seu foco. Ganha de qualquer homem, mas o castigo vem a cavalo.

Sua língua é prata líquida que escorre em nomes antigos e vislumbres de futuro. Todo Mago fala demais, mas quando quer dizer, a mensagem chega translúcida e sem ruído algum. Foco, eu disse.

Suas vestes são ricas, gypsies ou steampunk demais - naturalmente, o Mago é um vitoriano. Algo do gracejo da Belle Époque ecoa ali, mas ele insiste em manter uma aparência que vá na frente dizendo quem pode ou não se aproximar um pouco. Novamente, oblíquo. Todos lhe tem acesso, poucos sobrevivem ao Labirinto, menos ainda querem contar a história. 

Amar o inalcançável tem lá suas mazelas.

sábado, 12 de março de 2016

Um excerto. E uma reflexão.

Retirado do blog Diário de Biologia:


Alguns filósofos em suas proposições estabelecem uma ligação entre as palavras “humor” e “humilde”. Exemplos vivos dessa conexão podemos encontrar num passado remoto e até num mais recente. Numa forma primitiva de humor, os palhaços e bobos precisavam experimentar uma boa dose de humildade para arrancarem risos do público, já que esvaziavam-se completamente de qualquer senso de preservação de autoimagem. Em suma, para encarnarem devidamente seus personagens, precisavam não se levar tão a sério para levar seu público a fazer o mesmo, tornando a vida mais leve.


Hoje, vemos uma distorção desses valores quando alguns “humoristas modernos” invertem a ordem natural das coisas, procurando despertar risos alheios redirecionando essa humilhação para outros alvos, o que torna esta variante uma maneira fácil na prática humorística. Ora, para que eu preciso me humilhar e fazer o público rir de mim mesmo, quando eu posso simplesmente expor ao ridículo aqueles que parecem já ter vindo ao mundo como “piadas prontas”?

domingo, 6 de março de 2016

Curso Profissionalizante de Petit Lenormand: Módulo I. "As 36 Cartas"



Dia 19 de março, em São Paulo no Espaço Merkaba:
Módulo I do Curso de Petit Lenormand!
Nesse módulo, abordaremos as trinta e seis cartas do Petit Lenormand, diferenciando os significados conforme a abordagem tradicional europeia e a abordagem tradicional brasileira;
Encontraremos referências na arte para melhor compreensão de cada uma das cartas;
Trabalharemos jogos simples que nos permitem responder questões objetivamente.
Esse curso é montado anualmente, e todo o conteúdo foi revisto desde as edições anteriores, tanto no que concerne à bibliografia quanto à metodologia, permitindo que aqueles que nunca tiveram contato com o Petit Lenormand tenham gatilhos mnemônicos para total independência interpretativa dos livretos que acompanham os baralhos; para os experientes e praticantes, é oferecida uma abordagem coesa e vivencial para uma reflexão sobre a teoria e a prática desenvolvidas até então, seja ela conforme a leitura europeia ou brasileira; para aqueles que já fizeram o curso e desejam a reciclagem, pretende-se uma experiência singular frente o curso anterior, revisando todo o conteúdo oferecido através de outros olhares.
Será ímpar.
Aguardo você!


DATAS DAS PRÓXIMAS AULAS:


30/04/2016 - Módulo II - MESA REAL
Neste módulo será apresentado um método de leitura completo: a Mesa Real, que aborda todas as áreas da vida do consulente. Cada aluno terá acompanhamento do professor para a leitura de sua própria mesa real (pessoal).
Com o uso da Mesa Real, é possível realizar uma consulta completa, sem a necessidade de utilizar outros métodos, já que este é bem amplo e completo.

21/05/2016 - Módulo III - COMBINAÇÕES E NAIPES
Neste último módulo, o aluno terá acesso ao universo da leitura combinada de imagens (simbologia) e naipes, utilizando a Mesa Real e outros métodos simples de leitura.


INVESTIMENTO:
Cada módulo é independente, portanto o aluno, não tem obrigatoriedade de realizar os três módulos, exceto se desejar a formação profissionalizante.
- Valor de cada módulo: R$ 305,00 em 2x sem juros
- Valor do pacote profissionalizante (3 módulos): R$ 750,00 em 3x sem juros
- Valor especial para alunos que já realizaram este curso e desejam reciclar seus conhecimentos: R$ 250,00 cada módulo.

**CURSO COM CERTIFICADO E MATERIAL**
**GRATIS: BARALHO PARA VER A SORTE, DA COPAG**


INFORMAÇÕES E MATRICULAS:
(11) 3567.7538 | 9.7205.5181 (WhatsApp)
cursos@espacomerkaba.com.br

quinta-feira, 3 de março de 2016

Das alegorias e das ilustrações: quando encontramos referências à intenção do ilustrador.

Olá pessoal. Essa postagem está longe de ser definitiva, é apenas uma sinalização de algo que venho percebendo, um tema sobre o qual pretendo me debruçar nos próximos meses mais aprofundadamente. Entretanto, aqui e ali pincelo algumas noções, alguns meandros do que vejo. 
Desde o começo do blog, faço comparações entre a cultura e a cartomancia, sobretudo no que concerne às artes bidimensionais. A pintura e a gravura são, no limite, a mesma técnica usada na construção das imagens de um baralho. Entretanto, quais são as fontes para uma e outra categoria artística? Até onde podemos supor limites e possibilidades para uma e para outra?
Estou longe de me contentar com as respostas que obtive até o momento, e mais longe ainda de oferecer uma contribuição à altura dos meus questionamentos. Nesse ínterim, vou postando coisas que percebo associáveis e, à maneira do livro Conversas Cartomânticas: da escolha do baralho ao encerramento da consulta (breve teremos uma segunda edição, revista e ampliada - aguardem!), um dia terei material suficiente para oferecer em formato de livro.

Estava eu passeando numa galeria com os Emblemas de Alciato, e me deparei com a gravura XXIII, que posto abaixo. Imediatamente me lembrei do cinco de ouros desenvolvido por Arthur Edward Waite e Pamela Collman Smith para seu baralho.   


O texto para o cinco de ouros, traduzido por Cleyde Helena Monteiro Steigleder, diz:

Dois mendigos em uma tempestade de neve passam por um vitral iluminado.Significados divinatórios: a carta traz problemas materiais, sobretudo se na forma ilustrada - ou seja, destituição ou outra coisa. Para alguns cartomantes, é uma carta de amor e namorados - esposa, marido, amigo, amante; também concórdia, afinidades. Essas alternativas não conseguem ser harmonizadas. Invertida: desordem, caos, ruína, discórdia, dissipação.
Embora tenha vários pontos no texto que valem uma discussão sobre a proposta editorial de Waite e a função do texto na criação da imagem - algo que ele deixa claro na introdução do livro - o que pretendo mostrar com essa imagem é, na verdade, como os emblemas de Alciato podem nos auxiliar no entendimento da imagem em si (o que pode ou não concatenar com a proposta de Waite, nosso problema iconográfico por excelência: ao afirmarmos algo para além do texto que acompanha o baralho, estamos concordando ou discordando do autor?
Vejamos a imagem XXIII.


O texto para a imagem diz (tradução livre):
Um homem cego ajuda um homem coxo. O coxo lhe empresta seus olhos. Cada um provém o que o outro não tem.

Perceba que, embora Smith tenha proposto um casal na imagem - talvez uma tentativa de Waite de harmonizar os dois significados apreendidos em sua pesquisa para o livro - a ideia de auxílio mútuo está ali, colocada tal como no emblema.
Muitos questionamentos podem ser feitos, a partir daí.
  • Waite, ou Pamela, tinham conhecimento dos Emblemas de Alciato ou obra equivalente?
  • A ideia proposta era a mesma do Emblema?
  • A ilustração corresponde à ideia do idealizador?
  • Houve algum limite criativo, de caráter material ou simbólico?
  • Podemos adicionar o significado de "ajuda mútua" (o título do emblema) ao conteúdo simbólico do Cinco de Ouros?
  • Seria o Cinco de Ouros a carta mais adequada para associar-se esse significado?
Como eu disse no começo desse texto, não tenho pretensão de propor ou obter uma resposta a curto prazo. Só a possibilidade já me deleita.
Abraços a todos.

Fontes consultadas:

ALCIATO. Liber emblemata. 
WAITE, Arthur Edward. O tarô ilustrado de Waite. trad. Cleyde Helena Monteiro Steigleder. Porto Alegre: Kuarup, 1999.
WAITE, Arthur Edward. Tarô: a sorte pelas cartas. Trad. David Jardim Júnior. Ediouro, s/d. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Por que jogar para si mesmo? Um pequeno tutorial.

Olá pessoal. Uma das maiores dificuldades que tenho ouvido de alunos e amigos é a capacidade de jogar para si mesmo com o necessário distanciamento. Enquanto para os outros as palavras fluem velozes, quando jogam para si as cartas parecem expandir, de forma tal que não é possível saber se os Enamorados estão falando dos dilemas ou do processo de envolvimento. Aparentemente, os dois significados se aplicariam. A carta deixa de ser um conselho, uma direção, e volta a ser um conjunto de bibliografias previamente lidas. 



Se com uma carta o problema tá instaurado, com mais cartas então... Aquela Cruz Celta que não fecha, aquela Mandala Astrológica que parece estar toda errada, a Mesa Real que pede uma segunda opinião. Mas a mão do cartomante é sempre soberana; se se mostra necessária uma segunda opinião, e a proposta inicial não foi o estudo, mas sim a previsão, é mais decente buscar um profissional competente do que postar seu jogo em busca do maior número de comentários possíveis que, juntos, talvez deem uma luz sobre seu jogo. 
Eu passei, portanto, a questionar o motivo pelo qual jogar para mim mesmo seja tão confortável. Não entenda com isso que eu deixe de me consultar com outros profissionais, muito pelo contrário; além de ter uma visão distanciada do meu momento por olhos que pouco sabem sobre mim, é muito importante conhecer linguagens, métodos, estruturas de jogo. Um jogo, para mim, é previsão e é aula. Eu aprendo ali com quem está me atendendo.
Acredito ser esse o primeiro motivo. Eu não me importo de onde venha a informação, desde que ela se mostre confiável. Seja eu ou outro cartomante, é o baralho que vai ser interpretado. Eu preciso prestar atenção ao que está sendo mostrado ou lido. Só isso. E por isso, eu me consulto com poucas pessoas, e me mantenho em contato com elas há anos. E lhes dou feedbacks dos jogos que fazem para mim. 
O segundo motivo é: abro meu baralho para mim em clima de amistosa indiferença. Não importa se a questão é importante ou fútil (aos olhos dos outros; para mim, toda pergunta tem o seu valor, e o baralho responde de acordo com o acuro que ela for feita). Quando eu abro meu baralho, eu tenho uma pergunta e ela merece uma resposta. Se eu não for capaz de dar, vou procurar alguém que dê a resposta que preciso.
E por fim, abro meu baralho sempre. A linguagem do baralho é algo a ser aprendida. Dessa forma, quanto mais eu o uso, mais a aprendo. E mais fácil fica para mim aplicá-la tanto para mim quanto para os outros. Houve períodos em que abri meu baralho diariamente, em busca não de respostas, mas de encaminhamentos. Do entendimento da interface das cartas. E eu faço isso com cada baralho diferenciado que adquiro: pratico. Bastante. Com amistosa indiferença. Sem preocupação como a informação virá, desde que venha.
Ontem, eu estava sem vontade de sair de casa. Desanimado, mesmo. Mas eu tinha planejado ir ao treino. Como treinar com desânimo? Para resolver esse dilema, peguei meu Tarô dos Boêmios, de Papus (Ed Thot) e tirei três cartas.

Imperador. Tarô dos Boêmios (Editora Thot)


Dois de Espadas. Imperador. Mundo.

Dois de Espadas no livreto do baralho: oposição. A inimizade não dura. Ou seja, o motivo pelo qual eu estava desanimado não duraria tempo suficiente depois que eu saísse de casa. Eu estava inerte, Os dois Arcanos Maiores seguintes mostravam que eu teria experiências interessantes. Primeiro, porque de uma carta numerada eu ia em direção a um Arcano Maior, ou seja, eu não tinha como, em casa, ter noção de como o treino seria. Esse Arcano Maior dava lugar a outro Maior, o que garantiria uma experiência maior que a possível de ser lida. 
Eu poderia ficar tentando interpretar por mais tempo, mas a resposta fora suficiente: saia de casa. Será melhor.
Evidentemente, o treino foi maravilhoso. Para além do esperado.

Não deixe de jogar para você, mantendo o clima de amistosa indiferença. Não se preocupe em esgotar as informações das cartas - forme uma frase coesa, é o suficiente. E, no caso de questões mais sérias, procure um profissional de confiança.
Particularmente, eu não confio em grupos de estudo em redes sociais. É uma opção, mas não para mim.

Abraços a todos. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

25º Encontro da Nova Consciência


Olá pessoal. Entre os dias 5 e 9 de fevereiro de 2016 estive em Campina Grande / PB para participar do Encontro da Nova Consciência. Esse evento, de caráter ecumênico, visa reunir os mais diferentes livres pensadores de religiões e práticas distintas para pensar o que nos une: o presente e o futuro do planeta.


Nesse evento, além de trabalhar como oraculista - levei o Sibilla Della Zingara para ser conhecido - tive a honra de partilhar uma mesa com Alexsander Lepletier, Tânia Durão, Frank Menezes e Giancarlo Schmid sobre Lenormand e os Relacionamentos. 
Confira:



Eventos desse porte sempre são trocas, momentos de encontros, reencontros e descobertas. Entretanto, só um evento como esse permitiria que eu me deparasse com crenças, práticas, métodos e técnicas tão diferentes das minhas - e tão efetivas quanto. 
Tive a grata oportunidade de conhecer Luis Pellegrini. Anos lendo seus artigos e, ao conhecê-lo, tive uma aula de escrita criativa. Quinze minutos com um mestre - valem uma vida.
Volto um homem melhor desse evento. As reflexões feitas, sobretudo nessa mesa, irão compor outros artigos aqui no blog durante o ano.
Agradeço especialmente a Giancarlo Schmid, Iris Medeiros, Diego, Rejane, Wanderleia, Bruna, à organização que permitiu que eu participasse. A Wagner Perico e Gorethi Moura, meu muito obrigado por nossas trocas. Muito do que voltei pensando devo a vocês.
E a todos os bons amigos que fiz, espero que nosso reencontro seja em breve. 
E Pedro Camargo - de onde você estiver, você fez falta. 
E como faz.

Até a próxima!



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Painel no Clube do Tarô: Astrologia, Numerologia e o logo do ano VII do Conversas Cartomânticas

Olá pessoal. À convite dos queridos Giancarlo e Constantino, escrevi sobre as motivações para a produção do logo que ora está aqui no Conversas. 
Para acompanhar minha reflexão, e a de feras como os acima citados, Ivana Mihanovich e Luna Solis, acompanhe o link aqui.
Abraços a todos.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Curso de Sibilla Hungara, por Rose Ragazzon


Olá pessoal. Essa semana, estive em São Paulo cumprindo a meta do Conversas Cartomânticas desse ano: pensar fora da caixinha. Estive com Rose Ragazzon aprendendo um pouco mais sobre os Sibillas. 
Nesse caso, a Sibilla Húngara, Zigeuner Waarzegkaarten, da Piatinik.
Esse baralho, de 36 cartas, tem muito em comum com o Petit Lenormand e com as Sibillas Italianas; à maneira de primos próximos, não são, entretanto, a mesma família. Muitas cartas lembram as homônimas dos dois baralhos; a prática, entretanto, mostra-se muito diferente.


Fomos conduzidos - à propósito, muito bem conduzidos - pela história do baralho e pela significação de cada uma das cartas. A Rose, que já havia apresentado brevemente o baralho no Tarolog, mostrou toda a mestria que a soma pesquisa + prática é capaz de oferecer. 



É curioso e necessário ressaltar, que embora as imagens remetam à ideias já conhecidas de outros oráculos, não são ipsis litteris a mesma coisa quando lidamos com uma estrutura diferente. É fundamental nesse caso a pesquisa, o uso, ou, com sorte, termos alguém que nos guie por ter ido antes. 

Simone e eu correlacionávamos as cartas
com as Runas.

A cada carta apresentada, uma explosão de ideias. Astrologia, cartomancia, conceituação prévia e alegorias pululavam na minha frente. Anotei tudo - assunto para conversarmos outra hora, com maior propriedade; esse baralho permite uma série de correlações interessantíssimas e divertidas de se proceder. 

Eu, Rose, Samantha

Ao mesmo tempo, é um baralho simples. Suas respostas são diretas, efetivas e rápidas, o que pude inclusive perceber no próprio evento. Questões imediatas, respostas imediatas.
Agradeço enormemente a oportunidade de participar oferecida pela Laya e pela Rose, à Samantha por me acompanhar não só ao evento mas nas leituras que efetuei e aos participantes pela partilha, pela conversa, pelos jogos. Foi muito divertido.
Saí um cartomante melhor do que cheguei. Saí mais consciente de possibilidades de leitura e interpretação, de empatia e de respeito. 
Mais um baralho para pensar fora da caixinha nesse ano.
Mais um baralho para Conversas Cartomânticas.
E você? Qual oráculo atraiu sua atenção até o momento?
Abraços a todos.