sábado, 12 de dezembro de 2015

Trinta e seis bênçãos do Petit Lenormand.

Eu gosto muito de postar cartas. Acho uma gentileza, um carinho e uma atenção que estão sendo perdidas em função da velocidade da contemporaneidade. Entretanto, cartas são vias de mão dupla; muitas vezes, perdemos o contato, perdemos o endereço, perdemos a vontade de mantermos uma comunicação manuscrita, quando podemos enviar um e-mail ou comunicarmo-nos pelas redes sociais.
Esse mês, resolvi fazer uma pequena brincadeira com os meus amigos. Prometi uma carta para aqueles que me enviassem os seus respectivos endereços. A verdade é que não seria uma carta qualquer; abri um Baralho Para Ver a Sorte e, a cada endereço enviado, eu embaralhava as cartas e a carta que aparecia era a carta que eu enviava, como um desejo de feliz ano novo. Mas confesso que foi desafiador, mais do que parecia à primeira vista. Como enviar uma serpente? Como enviar um Caixão?


Entretanto, a cada carta se mostrava, como não poderia deixar de ser, adequada ao seu destinatário. Cabia a mim, nesse processo, encontrar a bênção adequada. Conforme minhas conversas com a Tânia Durão - e foram várias - podemos extrair sim coisas boas de cartas ruins, o que se mostra inevitável; tragos amargos também trazem cura. E eu aceitei o desafio de enviar bênçãos a partir dessas cartas também. 


A cada carta que chegava, eu via o quanto essas bênçãos eram de mão dupla. Eu percebia a felicidade do recebedor e ela passava a ser minha também. E eu percebi o quão importante é percebermos os bens que podemos ter a partir de todas as cartas.
Foram trinta e seis bênçãos do Petit Lenormand. 
Trinta e seis vezes que fui abençoado também. 
Abraços a todos.

domingo, 22 de novembro de 2015

Um passo à frente.

Olá pessoal. Eu não sei vocês, mas eu me cobro muito. Muito mesmo. Não tomem isso como vantagem, porque não é. Cobrar-se em demasia é ficar polindo a laranja eternamente. 
Laranjas, até onde sei, não viram diamantes.
Mas ultimamente tenho sido levado a refletir sobre os fatores ambientais desse meu péssimo hábito. E chegado a conclusões interessantes, não só como pessoa, como também como cartomante. E é esse segundo ponto que nos interessa ser desdobrado.
Somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos. Esse texto foi de um impacto em mim que vocês nem imaginam, a menos que tenham tido o mesmo impacto em vocês. Até que ponto somos guiados ao nosso melhor, e até que ponto, ao contrário, somos levados para baixo, sem percebermos?


Nessa tirinha do Fabio Coala, vemos claramente que poderíamos seguir sozinhos se não fôssemos gregários. 
Um pouco mais de Mago. E um pouco mais de Louco. 
Conforme o ditado... Deles, cada um de nós tem um pouco. 

Abraços a todos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Entendimento, ou: para todo mal, há cura.

Olá pessoal. Esse texto é o resultado de uma conversa muito feliz com o Endimião, do Sono de Endimião
A conversa foi feliz.
O tema, não.


Como cartomante, eu tenho sempre em mente a questão do devir. Aquilo que eu vejo vai acontecer, pode acontecer ou, pelo simples fato de eu ter visto, nada será como poderia ter sido? O que dizer diante das coisas que eu não fui capaz de Ver? 
Até então, aceitei a resposta mais simples, nem por isso menos sincera: eu não sou capaz de tudo. Eu vou o mais longe que minhas habilidades permitem, sem saber exatamente qual é o limite disso. Mas ele existe. 
Hoje, entretanto, eu vou um pouquinho além nessa questão. Sugiro que você leia o texto supracitado primeiro. Como essa reflexão parte da nossa conversa, é interessante que você conheça o começo dela. 


Já leu? Agora coloca isso aqui para tocar. A ideia é termos juntos uma experiência sinestésica.

Eu ganhei um jogo de Tarô de aniversário. Uma Mandala Astrológica. Na casa 12, um Arcano curioso: Temperança. 
"Você vai ter que aprender a esperar". Engoli em seco. Mas o conselho do baralho não deve ser ignorado; ele nunca é inocente.
Ative minhas questões a outras casas da mandala, e esqueci aquela ali. Embora ela represente os maiores perigos, ela estava razoavelmente bem aspectada. 
Ah, que engano...


Fui para o treino de judô, em paz, depois de três semanas sem treinar. Eu tinha que retomar o tempo perdido, afinal de contas três semanas sem treino é muito tempo. Treinei como se não tivesse parado. A ideia era retomar a forma o mais rápido possível, forma que havia perdido nas férias de quinze dias que tirei. 
Daí, ocorreu um acidente. Caí errado, luxei meu ombro. Na hora, nem me toquei direito. Um pouco de Reiki e um antiespasmódico e tô pronto para outra. Duas da manhã, acordo urrando de dor. Corro para a emergência. Tomo remédio na veia. Tiro Raio X na manhã seguinte, e o médico diagnostica: luxação. Quinze dias em casa. 
"Dependendo da sua recuperação, conversamos se você volta para os treinos em um mês ou mais."
Aquilo doeu como um soco no estômago. Eu estava com todo o gás para retomar as minhas atividades, sobretudo os meus treinos. 
Não estava?
Por que eu mereceria esse castigo?

E é aqui que eu e o Endimião entramos em um comum acordo. A vida não é um Big Brother divino de merecimentos. Não houve ali um merecimento. Um castigo. Houve um acaso - e eu tenho que lidar com ele adequadamente.
Mas é aí que entra a Temperança, essa carta tão complexa para uma casa 12. Aprender a esperar é confiar na Noite Escura.
A Noite Escura é um dos poucos conceitos religiosos que me soam lógicos. Sim, mais de uma vez eu vi no meu baralho meus clientes sem saber como agir, e o não agir era a melhor escolha. O cuidado que lhes deveria oferecer estava ligado ao bem estar nesse hiato entre uma fase e outra da vida. E tudo dava certo, como não poderia deixar de ser.
Normalmente, a Noite Escura está associada ao Enforcado, mas hoje a gente vai encontrar esse conceito lá na Temperança, que me visita na casa 12.
O Anjo da Temperança, a Solitude hermafrodita do encontro adequado dos opostos em comum acordo dentro do ser. Quantas vezes nós buscamos no outro, em uma situação, em um contexto, respostas que soariam mais como desculpas que como resultados dignos da pergunta que os motivou?
Por que? Por que... Comigo?
Por que justo agora?
A Ivana, muito sábia, retrucou: "você acha mesmo que algo tão importante iria passar batido na Mandala? A Mandala mandou você descansar. E é exatamente o que você está fazendo, mesmo sem querer, mesmo de uma forma que doeu. Mas você está descansando. Aproveite o momento e aprenda a lição."


O Anjo da Temperança dosa, doa de um jarro a outro, sem pressa, com precisão. No escuro de uma recuperação, só podemos fazer o melhor por nós mesmos. 
E não confiarmos no Anjo. Embora ele vá fazer sua parte.
Até lá, eu sigo cuidando de mim. Não há culpados, inocentes ou vítimas. 
Há o entendimento. E para todo mal, há cura.
Sem pressa.

Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui

Abraços a todos.


Atualização em 19 de novembro de 2015.
A conversa continuou no Facebook, e o Yub Miranda, que já esteve por aqui falando dos Enamorados, deu uma aula de leitura sobre a Temperança na Casa 12. 
Eu não posso fazer nada além de endossar, assinar embaixo, me reconhecer em cada linha. E transcrever aqui, para que você possa usufruir também.

Querido, acabei de ler o post no seu blog. SHOW de questionamentos e reflexões. Só discordo de um detalhe que vc escreveu: "Não houve ali um merecimento. Um castigo. Houve um acaso - e eu tenho que lidar com ele adequadamente."Não considero que houve um acaso. Considero que houve uma CONSEQUÊNCIA da sua decisão imprudente de acelerar (recuperar a forma e o tempo de treinos que perdeu com as férias) o ritmo das coisas. Esse é o pecado maior dA Temperança. Se ela pede paciência, é porque estamos impacientes rsrs E como está na Casa 12, que - dentre os vários significados desta Casa do Mandala - pode representar um padrão inconsciente que vive se repetindo e precisa de tomar consciência, a fim de não deixar que esse padrão comportamental nos aprisione (outro atributo da 12), vc se deixou levar pelo padrão da ansiedade e da pressa que precisava ser moderado (Temperança). E a Temperança mostra que algo em nós que tá com raiva do que se perdeu (Morte = Arcano Anterior) e ambiciona exagerar (Diabo = Arcano Sucessor) para recuperar essa perda. Só que é justamente aí que ela entra. Se você tivesse ido com calma, fluindo com o ritmo de reconquista de sua forma e treino, vc não teria se machucado. Porque o efeito, a consequência do treino, não seria esse: se machucar por conta de uma afobação em apressar o ritmo que a Temperança não gosta de acelerar...Por tudo isso, não considero que foi um acaso... Se tivesse sido uma RODA DA FORTUNA = aí sim, teria sido um acaso. E este teria sido provocado por terceiro (Roda da Fortuna) = o seu colega que lhe machucou. ;)


Reparemos: existem detalhes que se escondem na escrita. E nem eu percebi que eu AINDA estava apegado a ideia de me consolar com o evento, para que ele doa menos. 
Não. Ele está doendo na medida necessária para tatuar a aprendizagem.
Temperança... Não canso de aprender com você. 
Mas me deixa voltar a treinar #brinks

E como não poderia deixar de ser, deixo aqui os links para os trabalhos das pessoas citadas nesse artigo, por dois bons motivos: 
1. Aqui só tem gente preciosa.
2. Confio. E vale a pena nesse fim de ano procurar alguém que se confie.

Endimião. Nós somos resultados não só do que estudamos, mas da forma como vemos o mundo. Leio tudo o que esse rapaz escreve desde a época do Diannus do Nemi. É acuro na escrita, precisão e preciosidade no conceito, tudo isso temperado com vida, com experiência, com reconhecimento. O que Endimião vê como leitura da Bruxaria, você pode ver aqui. Para uma leitura de Tarô com um olhar pagão, clique aqui.

Ivana Mihanovich. Além de ser uma taróloga porreta e dona de uma leitura singular. a Ivana possui um livro MUITO bacana, que vale muito a pena ser lido. Adquira aqui.

Yub Miranda. O Yub possui dois canais no Youtube: Sacadas de Astrologia e Sacadas de Tarô. Vale muito a pena ver cada um dos vídeos, são aulas de interpretação por quem sabe o que está fazendo.  Assista aqui a uma aula sobre o Ascendente. E aqui, o link para o livro no qual ele disserta sobre cada Arcano Maior em cada casa da Mandala Astrológica.

domingo, 15 de novembro de 2015

Livros, ou: um exercício de leitura.


Foi super difícil escrever sem dar spoilers dos motivos pelos quais eu escolhi os livros, mas eu me esforcei e mereço uma estrelinha. Acho que esse teste foi proposto pelo Conversa Cult, e eu não lembro o motivo porque não o publiquei na época. São frases de mãe - que mãe nunca disse uma dessas? - transformadas em perguntas sobre seus hábitos de leitura.
Quem quiser responder e trocar figurinhas... O espaço dos comentários está aí para isso. Os livros que encontrei em .pdf estão nos links correspondentes aos títulos. 

1 - Eu vou contar até 3... Um livro que você não via a hora de acabar. 


A Erva do Diabo, Carlos Castaneda. Bem, é um clássico, ok. Paramos a conversa por aqui.
Leia, vale a pena entender criticamente o livro que motivou uma geração de buscadores.

2 - Se você falar isso de novo, te arrebento os dentes! Um livro que você não suporta que falem mal. 

Brida, do Paulo Coelho. Um daqueles livros que me descansam quando a carga de leitura está muito pesada. Eu li, eu leio, eu lerei e se sobrar tempo lerei de novo. Pela décima sétima vez, se não me engano. 
Ok, eu entendo as críticas ao Paulo Coelho, eu li a obra na qual ele se baseou para escrever esse livro do avesso,  e, ainda assim, eu amo esse livro. Por que? Não sei. Não importa. Vale ler de novo.

3 - Se você correr vai ser pior! Um livro que você corre dele, mas sabe que um dia vai ter que ler. 


Vish, tem tantos na minha área... Acho que o mais mais do momento é O Tarô e a Máquina de Imaginar, do Alberto Cousté. Tantos queridos recomendam, e eu não li. Ainda. Tem também O Dia do Coringa, do Jostein Gaarder. Já tentei terminar umas quatro vezes.

4 - Vem comer se não esfria! Um livro que você leu logo que lançou. 


Sobre a Escrita, do Stephen King. Valeu cada centavo. Valeu cada risada. Valeu cada lágrima. Valeu por mudar minha visão sobre a vida de escritor.

5 - Você não é todo mundo! Um livro que todo mundo odeia, menos você. 


O que é todo mundo nessa hora? rs. Bem, tem sérias críticas ao Pequeno Príncipe. Eu gosto tanto que fiz um paper relacionando o livro ao Petit Lenormand.

6 - Quantas vezes eu já disse para você não fazer isso? Um personagem que mais te irritou e fez burrada. 
Pode ser dois? Mentira, três.
Sirius Black. Nunca te perdoarei. 
Mentira, eu te amo.

Oberyn Martell.
Cara... Como assim.

Não dá para falar de ASoIaF sem citar Ned Stark. Simples assim. Ou melhor: COMO ASSIM MEU JOVEM VOCÊ CONFIA NO LITTLEFINGER E DEPOS NO VARYS?

7 - Não, quando digo não é não! Um livro que você não lerá, não importa o quanto as pessoas falem bem. 


Um amor para recordar. O filme é excelente... Para pessoas que estão na década de noventa ainda. Eu passei dela já há algum tempo (mas ainda ouço Backstreet Boys - me julguem.)

8 - Não mente para mim! Um personagem mentiroso ou um personagem que te enganou direitinho. 

Daenerys Targaryen. Quase desisti do Tormenta de Espadas.

9 - Coração de mãe não se engana! Um livro que te conquistou pela capa e a leitura foi ainda melhor? 


Sobre a Escrita, de novo?
Ah, sim: 50 Plantas que mudaram o rumo da história.

10 - Tá chorando sem motivo por quê? Pera aí que eu vou te dar motivo para chorar! Um personagem chorão, que te deu raiva. 


Em determinados momentos da leitura, Dorian Gray.

11 - Come só mais um pouquinho! Um livro que fez você dizer: Vou ler só mais um pouquinho. 

Não é um livro, mas dois autores: Neil Gaiman e George R R Martin. Tô esperando aparecerem mais autores que mexam comigo desse jeito.

12 - Quantas vezes vou ter que repetir? Um livro que você teve ou terá que reler para entender melhor. 


Coisas Frágeis, Neil Gaiman. Cheio de subentendidos, maravilhosos.

13 - Não fez mais que sua obrigação! Um livro que você leu por "obrigação". 
Um monte de livros esotéricos, em especial Tarologia...

14 - Coração de mãe sempre cabe mais um! Os três próximos livros que você está louco para comprar. 
Cara, não entro nem mais em Submarino, Saraiva ou Cultura por uns três meses até pagar a conta do cartão de crédito. 

Isso foi uma verdade ou uma mentira?

15 - Isso, quebra mesmo. Não foi você quem pagou! Um livro que você emprestou e voltou irreconhecível. 

O Testamento da Bruxa, Dirce DeBellis. Vai emprestar pra namorada, vai...

16 -Você acha que eu sou sócia da Light? Um livro que fez você ficar até tarde lendo. 



17 -Se eu for aí e achar… Um livro onde a resposta tava na sua cara o tempo todo e você não percebeu.


A Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras, Neil Gaiman.

18 -Não te carreguei 9 meses pra isso! Um livro que você demorou uma eternidade para acabar de ler.
Putz, eu não lembro nenhum assim. Talvez porque eu sou do tipo ame-o ou deixe-o.
Abandonados? Vários, cantando Fafá de Belém pra vida. 


Ah, sim: Dança Cósmica das Feiticeiras, Starhawk, e a Erva do Diabo, Carlos Castañeda.

19 -Em casa a gente conversa… Um livro que você precisava falar com alguém sobre, mas não conhecia ninguém que tinha lido.
Ainda aguardo alguém que consiga me acompanhar na comparação entre Faça Boa Arte, do Neil Gaiman, A Arte de Pedir, Amanda Palmer, Roube como um Artista, Austin Kleon, Sobre a Escrita, Stephen King e a série de Keri Smith sobre o conceito de livro.

Um dia isso vai acontecer.



Compartilhe nos comentários suas experiências de leitura! Vai ser um prazer trocar figurinhas com você.
Abraços a todos.

sábado, 14 de novembro de 2015

Journal de notícias cruzadas.

Tomando de assalto, mas não sem delicadeza, o título do livro de Ítalo Calvino como referência, começo minha leitura. 


Na Cidade Luz, uma Torre deixa a Torre no escuro. Caos, caos. Combate. Sangue. Muito sangue.


Um passo a frente, alguns dias atrás, um rio é morto. Fatalidade. Não a obra do acaso; a irônica fatalidade dos videogames. Fatality. Uma série de movimentos coordenados que, se bem executados, geram um final aterrador. Como nesse caso.

Houve quem viu essa carta invertida. Não seria necessário.


Um passo a frente, ou voltar um passo;a lógica dos eventos permite ambas as leituras. Não sei o que esperar dos próximos eventos que se cruzarão nos dias que seguem.
Todos os tragos aparentam ser amargos.


Abraços a todos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Além do Tempo - Doroteia vê nas cartas outra mulher no caminho de Felipe.



Não, eu não acompanho essa novela. Fiquei sabendo dessa cena pelo Facebook e resolvi acompanhar. Doroteia usa um maço de cartas comum, numa disposição caótica, e as cartas não são focalizadas em nenhum momento, de forma a que pudéssemos supor qual método foi utilizado para a interpretação.
Saudades do acuro com que as cartas foram vistas em Explode Coração... [créditos do link: Ana Marques, pelo Facebook. Muito obrigado!]
Para ver a cena, clique aqui.
Abraços a todos.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Visitar um museu com olhar de Cartomante: uma experiência no MASP.

Olá, pessoal. Quem acompanha o blog há um tempo, e a página do Facebook, em especial, sabe que eu sou ligado no poder das obras de arte para a análise da cartomancia - e vice versa. 
Mas fazia muito tempo que minha experiência se limitava a galerias online e compartilhamentos. Isso me incomodava um pouco; nenhum Pinterest da vida será mais intenso que a experiência in loco de um espaço museal.
Aproveitando minha estadia em São Paulo, resolvi ir ao MASP - uma dos maiores acervos da América do Sul - para reeducar meu olhar e meus sentidos.

ARTE DA FRANÇA: DE DELACROIX A CÉZANNE
Esta exposição atravessa quase duzentos anos de produção artística na França, dos séculos 18 ao 20, exibindo retratos, paisagens, naturezas-mortas e cenas históricas e do cotidiano, do mais importante acervo do período no Hemisfério Sul. Estão representados artistas de herança neoclássica, como Ingres, e romântica, como Delacroix; além de nomes ligados aos movimentos precursores do modernismo, como o realismo, de Courbet; o impressionismo, de Monet e Degas; o pós-impressionismo, de Cézanne, Van Gogh e Gauguin; o grupo dos Nabis, de Vuillard; e o cubismo, de Picasso e Léger.
Grande parte dessas obras é testemunha das rupturas de natureza política, social e cultural que marcaram a Europa do século 19 e início do 20, quando a arte ganhou outros circuitos de produção e veiculação para além dos salões e encomendas oficiais, como a imprensa e a crítica especializada; os bares onde fervilhava a vida da nova burguesia e intelectualidade; os ateliês e a importância de sua dimensão expandida, especialmente no caso de Picasso; as academias alternativas, como Julian e Suisse, que ofereceram opções à formação mais tradicional da École de Beaux-Arts.
A exposição privilegiou reunir conjuntos completos do acervo, com destaque para Renoir, Toulouse-Lautrec, Modigliani e Manet. Delacroix e Cézanne, juntos no mesmo espaço, na entrada, funcionam como vetores para todo o percurso, uma vez que apontaram, cada um em seu tempo, tanto para o passado quanto para o futuro da história da arte, pontuando transições entre a tradição e o moderno; o antigo e o novo; entre, por exemplo, Ingres e Léger.
Cézanne, que via em Delacroix um mestre e estudava pintura fazendo cópias de suas telas, soube perceber nele qualidades modernistas. Cézanne não só retomou algumas dessas qualidades como emprestou a elas novo significado, caso do encontro entre figura e fundo; do maior protagonismo dado aos elementos do quadro e da pintura, como a pincelada, em detrimento dos temas; e, sobretudo, da maneira como se valeu de um caráter supostamente inacabado de suas pinturas.
Também são exibidos itens do arquivo histórico e fotográfico do MASP, como correspondências sobre doações, aquisições, convites, folhetos de exposições, recortes de jornais, revistas e fotografias que recuperam parte da história das obras e do próprio museu. Apresentados no mesmo plano que as pinturas, apontam para uma redefinição de lugares e hierarquias entre os trabalhos de arte e sua história dentro da instituição, oferecendo um novo estatuto para materiais comumente distantes dos olhos do público.
A disposição dos painéis, dos cabos de aço e das obras, bem como a relação deles entre si e com o espaço, retoma projeto de Lina Bo Bardi, arquiteta do MASP. Em 1950, na antiga sede da rua 7 de Abril, sua expografia já antecipava noções de transparência, leveza e suspensão, sem divisões em salas nem cronologias rígidas. Essas escolhas foram fundamentais e prepararam o terreno para a radical solução das telas dispostas sobre cavaletes de vidro que, ausentes desde 1996, retornarão ao segundo andar do MASP no final deste ano.

Curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico; Eugênia Gorini Esmeraldo, coordenadora de intercâmbio; e Fernando Oliva, curador assistente. [Fonte]
A exposição foi muito bem organizada e aproveitou o espaço adequadamente, dispondo peças de nomes importantes para a História da Arte a partir de seus temas e diálogos com fontes secundárias e outras obras. Mas eu não estava lá, essencialmente, para perceber isso.
Eu estava querendo reaprender cartomancia. 
Nesse momento em especial, Sibilla.
A exposição estará acessível até sete de novembro de 2015. 
Exercite seu olhar como cartomante... Enxergue naqueles retratos suas cartas, e naqueles olhos seus clientes.

Como eu fiz.

Abraços a todos.




terça-feira, 13 de outubro de 2015

Futuros possíveis: Sibilla Della Zingara e cartões postais franceses.

Não há nada mais comum - bem, já não tenho certeza se na contemporaneidade posso afirmar isso categoricamente - que a previsão do futuro através da arte. Desde Blade Runner, passando por De Volta para o Futuro, o Exterminador do Futuro, Mad Max... culminando em Matrix e outras distopias, temos olhares curiosos sobre o que nos tornaremos, ou no que o planeta se tornará e como nos adaptaremos a isso. Não é diferente nas outras seis artes, antes mesmo que a sétima fosse nomeada e as outras cinco, catalogadas.
Nesse sentido, achei curioso os cartões postais de 1900 que propunham como o mundo seria no ano 2000. Tendo vivido o pavor do bug do milênio, pavor já superado há quinze anos (idades, apenas números), é divertido irmos um pouco mais além nas décadas e ver como aqueles homens e mulheres da virada do século supunham ser a virada do milênio. Mais curioso se mostra perceber que, em muito, suas preocupações estão ligadas ao cotidiano, cotidiano este muito bem ilustrados nos baralhos Sibilinos.
Recentemente, ministrei um curso sobre o Sibilla Della Zingara, com foco nas imagens, correlacionando-as com conceitos chave da história da arte. Foi um curso muito divertido (não perca as próximas edições presenciais e, caso queira, adquira o curso gravado). Foram dois anos estudando pormenorizadamente as imagens e encontrando conceitos aplicáveis à vida de um indivíduo do século XXI. Algo com o que me divirto, particularmente. 
Entretanto, nesse processo eu me vi face à diversas imagens chave, conceitos específicos e perspectivas de análise singulares. Cada baralho é um baralho e eu tento entender os seus ditames para usar suas características com o máximo efeito divinatório. Nesse caso, foi bem mais que isso. Encontrei aspectos cotidianos diretos, voltados a um público específico e com foco em um padrão de vida emergente. A arte serve a quem a paga, pelo menos até o começo do século XX. Ter isso em mente facilita - e muito - a interpretação dos conceitos contemporâneos à elaboração da obra. Sobretudo, se essa obra for designada para entender padrões vigentes de vida, morte e o intervalo entre ambas.
Conforme o site Defender

Diversos cartões desenhados no início do século passado mostram como as pessoas daquele tempo imaginavam os anos 2000. Compilado pelo jornal on-line sem fins lucrativos The Public Domain Review, as imagens de Jean-Marc Côte e outros artistas da França eram usadas em pacotes de cigarros e, depois, utilizadas em cartões-postais.Há pelo menos 87 desenhos diferentes de 1899, 1900, 1901 e 1910. A série, intitulada “França no ano 2000 (XXI century)”, mostra a percepção dos artistas sobre a vida das pessoas e o uso da tecnologia no dia a dia.
A criada.

O serviçal.

O literato.

A desgraça.

O mensageiro.

Belvedere.

O soldado.

A casa.

A amada.

Surpresa.

Muito podemos apreender com a história da arte. Sobretudo sobre usos e costumes, contextualizados devidamente para não incorrermos em anacronismos.
Mas... por um momento... imagine se fosse assim?

Abraços a todos.

sábado, 8 de agosto de 2015

SensAces.

NADA NO CONVERSAS CARTOMÂNTICAS É INOCENTE. Nem o silêncio, nem a fala. Talvez você se pergunte por que abrir um post com essa frase.
Se você já assistiu Sense8, você entendeu.


Depois de Game of Thrones, eu estava meio azedo para seriados. Filmes, também. Restava pouca vontade de parar em frente a uma TV ou ao notebook e assistir algo com continuidade. Até que uma amiga me disse ASSISTA. E eu costumo acreditar nos meus amigos.
Eles me conhecem.
E eu conheci Sense8.



Talvez uma crítica antes dos elogios, para que ela sirva de aviso: O seriado demora um pouquinho para pegar no tranco. Uns três episódios, eu diria. Mas depois disso... Vale cada segundo. Inclusive do tempo gasto com os episódios de background. É como um filme - tudo passa a fazer sentido na trama, se a trama for bem escrita.
Do lado de cá, falaremos sobre a trama, com o cuidado para deixar você ansioso sem revelar muito. Ou falando sem que você saiba.
Re-velar. Velar duas vezes.



PRÓLOGO. ASES



Nós começamos em um ponto falando sobre como a evolução envolve a criação de círculos cada vez maiores de empatia: Você pertence a sua família, então você pertence a sua tribo, em seguida, duas tribos ligar e agora você tem empatia para seus povos deste lado do rio e você está contra as pessoas do outro lado do rio... e continuar através de vilas, cidades, estados e nações... e daí se uma forma mais literal de empatia poderia ser desencadeada em oito indivíduos ao redor do planeta... que de repente tornou-se mentalmente consciente de si, capaz de se comunicar diretamente como como se eles estivessem na mesma sala. Como eles reagiriam? O que eles fariam?... O que isso significa? E o que o mundo pensa sobre as pessoas com essa capacidade ? Será que eles abraçá-lo, ou caçá-los...? Isso nos daria uma plataforma perfeita para fazer um show que foi carregado com a ação, grandes ideias, algumas acrobacias incríveis que ninguém fez antes, e jogar para um público planetário.
J. Michael Straczynski | co-criador.



Oito pessoas. 
Completamente diferentes. 
Geograficamente. Etnicamente. Culturalmente. Profissionalmente. Sexualmente.
Um detalhe, apenas, em comum.
E bem sabemos que Deus ou o Diabo moram nos detalhes. Dependendo de quem observa.



Will Gorski.
Policial. De Chicago.



Capheus Van Damme.
Motorista de van. De Nairóbi. 


Sun Bak.
Executiva sob a luz, lutadora de kickboxing quando as luzes se apagam. De Seul.




Nomi Marks.
Hacker. De São Francisco.



Kala Dandekar.
Farmacêutica. De Mumbai.



Riley Blue. 
DJ. Raízes na Islândia, pés em Londres.



Wolfgang Bogdanow.
Serralheiro durante o dia, arrombador de cofres quando as luzes se vão - e levam as pessoas certas consigo. De Berlim.



Lito Rodriguez.
Ator. Durante o dia beija por profissão, à noite beija por prazer. Da Cidade do México.

ENREDO. QUATROS. 


E o que dizer da experiência de sentir o outro? Ver pelos seus olhos, ouvir pelos seus ouvidos, partilhar dos seus pensamentos e sentimentos... Viver o outro?
É difícil explicar sem viver - junto, como voyeur ou como o nono sensate que dá sentido aos oito que o (te) rodeiam.



Dessa forma, o monitor passa a ser uma janela indiscreta não para vidas alheias à sua... Mas para vidas das quais você passa a participar ativamente. Como em Lego House, você se torna parte até o ponto em que fica difícil diferenciar o que é você do que não é.




EPÍLOGO. OITOS.


Quanto mais você reconhece quem - ou o que - você é, mais fácil é reconhecer os seus limites. E, reconhecendo os seus limites, reconhece o que está para além deles. 
E o que está para além deles são possibilidades. 
Algumas, aterradoras. Como sussurros.


Não sei o que esperar da segunda temporada. Essa foi um shot - em alguns episódios de Tequila a estalar os lábios, em outros por acaso em uma roleta russa. 


Recomendo esse seriado pelo tanto que ele mexe com os nossos sentidos.
Inclusive, sobre os nossos sentidos de normalidade.
Na natureza, normal é a diversidade.

Abraços a todos. E feliz aniversário, Sensates.
O aniversário é de vocês, o presente é nosso: acabam de confirmar a segunda temporada.
Aguardando. :)



sábado, 4 de julho de 2015

Cartomancia, Cartas Ciganas: eventos inesquecíveis.


Cartomancia é o primeiro evento dessa natureza - abarcar todo o amplo escopo da Cartomancia - no Brasil. Como todo marco, teve um patrono de peso. São Toninho, aquele mesmo, aquele querido cujo lírio é bênção.



Em parceria com meu querido Giancarlo K Schmid, tratei da arte de fazer questões ao Lenormand. Mais que perguntar sobre amor, precisamos saber como perguntar sobre o amor.


Um time ESPETACULAR - em caixa alta. O amor não é tão simples quanto parece. Nem por isso deixa de ser simples. Não pôde ir ao evento? Dá para assistir aqui


Lancei sementes - não só de lótus - sobre minhas próximas incursões no terreno das Sibillas. Breve breve teremos um curso sobre o Sibilla Della Zingara, que já figurou no Conversas Cartomânticas algumas vezes. [1] [2] [3] [4] [5]



Terceira Mesa de que participo, nessa, ao invés de falar sobre a prática (na II Mesa Redonda falei sobre os naipes e na III sobre a Mesa Real), falei sobre a teoria, sobre os meandros interpretativos que me norteiam na leitura das cartas. Falei de música, literatura, quadrinhos, imagens. 

Mergulhei fundo na carta 20, e saí muito satisfeito. Antes, porém, da teoria, não poderia perder a chance de falar um pouquinho sobre a prática – acabei falando sobre os naipes na leitura de três cartas. Nem preciso dizer que me diverti à beça.


Acima, o vídeo com todo o conteúdo teórico. A parte prática não foi gravada. Os demais vídeos estão no blog Cartas Ciganas.


Excelente conteúdo teórico e prático. Acho, porém, que para além do conteúdo, o mais bacana da Mesa Redonda é que a sensação é de que estamos em roda, não em palestras. Estamos todos partilhando alguma coisa. E quantos abraços dados, quantos abraços recebidos! Que bom é ter presença física, gente, sensação de pertencimento.


Voltei, para variar, com a cabeça cheia de ideias, cheia de perspectivas, cheia de projetos. É cedo – e olha que já se passaram dias! – para eu adiantar alguma coisa. Mas tem muita coisa boa transitando em sinapses pelos meus neurônios. Muita coisa.


Deem uma olhada nas impressões do Omar Said, do Tato Cunha, da Sonia Boechat. No Facebook tem muita coisa também. Por essas e outras eu digo: eventos são o local aonde a prática individual faz sentido. Eu tenho apreendido muita coisa. E refletido. E praticado. E trarei tudo isso em breve, seja em cursos, seja em postagens.
Abraços a todos. Espero vê-los no próximo evento comigo. 
Aguardo seus abraços.