quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 07. Ma Vechi e a Serpente.


Queridos, essa é uma das cartas mais controversas na interpretação do Petit Lenormand, justamente pelo paradoxo que a própria Serpente é. Algumas interpretações são mais positivas que a carta merece, outras mais negativas que a sombra que carrega, mas, ao fim e ao cabo, ambas refletem apenas as mãos que manipulam o baralho e falam mais sobre o cartomante que sobre a carta em si. Sabendo disso, convido-os ao deleite de ler o texto da Ma Vechi, uma surpresa agradabilíssima e uma amiga querida feita no grupo. Obrigado por aceitar o convite e ser essa pessoa tão querida.


PETIT LENORMAND 

CARTA 7

 A COBRA


QUEM TEM FAMA...

A Cobra.  Quando ela aparece, o estremecimento antecipa a sensação do ataque iminente, o perigo, o veneno, a morte.  O medo se instaura e de modo terrível vem o pressentimento da traição, do bote, da fatalidade, do estrangulamento.  Ela paralisa e chama todas as atenções. Impiedosa no ataque às vítimas incautas, essa criatura merece ser tratada com atenção e respeito.
Esperta e utilizadora sábia do seu instinto de preservação e sobrevivência, ela aprendeu a mudar de cor, camuflar, se esconder e até a emular sua própria espécie.  Nem toda cobra é venenosa, observem a Coral e a Falsa Coral, uma quer ter o mesmo poder letal e a mesma aparência da outra. Faz parte da sua natureza.
Entretanto, há de se aprofundar o olhar sobre este símbolo por vezes visto de forma tão maniqueísta, acabando de vez com a sensação de terror pura e simples, pois que esta lendária figura carrega em si o seu lado bom também.  Antes de acharem tão louca quanto estarrecedora a hipótese, vamos a algumas considerações que lhe servirão de antídoto para esse horror a um dos mais famosos vilões do mundo animal, e por extensão...o humano.

ATO I – A GÊNESE – A COEXISTÊNCIA ETERNA ENTRE O BEM E O MAL E A NECESSIDADE DOS OPOSTOS

Gênesis, 1, 1:  No princípio, Deus criou o céu e a terra. 2 A terra estava sem forma e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 3 Deus disse:  “Faça-se a luz!”.  E a luz foi feita.  4 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.  5 Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. (...) 25 Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie, os animais domésticos igualmente, e da mesma forma todos os animais que se arrastam sobre a terra.  E Deus viu que isso era bom.26 Então Deus disse:  “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.  Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra”.  
Citamos a Bíblia como exemplo clássico da natureza dual de todas as coisas.  Assim como existem as trevas e a luz; os pássaros, os peixes e os animais domésticos; também existem os monstros marinhos, os animais selvagens, os répteis.  Afinal, como reconhecer o dócil sem o selvagem?  A beleza sem a repugnância?  A passagem bíblica diz claramente que na natureza tudo é dual, e isso é bom, mas o mais importante, é que o ser humano tem o poder de reinar sobre todos os outros seres.  Desde que ele reconheça a dualidade em si mesmo, sendo também integrante de tudo o que existe.

RAÍZES DAS CARACTERÍSTICAS DA INVEJA, CIÚME, TRAIÇÃO, SEDUÇÃO E MANIPULAÇÃO – A SERPENTE COMO SÍMBOLO DO PERIGO QUE ESTÁ DENTRO DE SI MESMO



A jornada da Serpente começa nos idos tempos da criação: 
Gênesis, 3, 1:  A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse à mulher:  “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” (...) A mulher respondeu: Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais”.  4 Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! 5 Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal. 
Temos aí alguns dos mais marcantes aspectos simbólicos da Cobra:  sedução, manipulação, mentira, traição, intriga.  A Cobra é aquele perigo que está sempre rondando, está sempre perto, insinuante, sedutora, induzindo-nos a cometer o pecado...muitas vezes o impulso, o instinto que cobrimos com o verniz social e culpamos o externo.  A serpente não teve nenhuma dificuldade em convencer  Eva a cometer a transgressão original.  Tudo que ela precisou foi de um pequeno incentivo da nossa eficiente amiga.
Sabemos que na história Eva também fez o papel de sedutora de Adão.  Entretanto, se os representantes humanos se deixaram manipular mesmo sabendo do tamanho da infração que cometiam, por quê o fizeram?  A Cobra traz para estes personagens a sabedoria, o domínio do conhecimento do bem e do mal.  Sereis como deuses, ela disse.  Como não se render a este argumento, desde que não haja a semente do orgulho e do poder dentro de si?  
É claro que Deus ficou irado com a desobediência castigando a todos.  Em suas fracas defesas, quando Deus pergunta a Adão quem havia revelado o conhecimento de que estava nu, este prontamente culpa a Eva:  “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.”  Eva, por sua vez, respondeu: “A serpente enganou-me – e eu comi.”  
E então Deus disse à serpente:  “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e feras do campo; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida.”  O mau uso da sabedoria da serpente acabou lhe rendendo frutos amargos, e enquanto este espécime rastejante observa o voo dos pássaros, o cavalgar dos animais de quatro patas, a inteligência e domínio dos humanos e sua liberdade, começa sua saga de vingança, cobiça, destruição e ódio, destilando seu veneno em quem quer que chegue perto.


PROJEÇÃO DO DESEJO:  A COBRA COMO SÍMBOLO DA SEXUALIDADE E DOS INSTINTOS PRIMITIVOS QUE PROMOVEM A PROCRIAÇÃO

A descoberta da nudez e o “pecado original” foram levados ao conhecimento dos personagens humanos através da revelação da serpente.  Com frequência, a Cobra nos remete a fazer associações com o falo e o ato sexual.  Os instintos considerados animalescos e menos civilizados são necessários para a continuidade da espécie, bem como a força do prazer que nos movimenta à ação e procura de sustento.  A Kundalini, energia criadora que reside em nosso chakra de base,  responsável por nosso impulso de sobrevivência, é derivada de  uma palavra em sânscrito que significa “enrolada como uma cobra”, ou “aquela que tem a forma de uma serpente”.
Falando de relações interpessoais e necessidade de comportamento,  muitas vezes a Cobra nos pede malícia, sedução e sabedoria para se conquistar o que deseja; ou aponta aspectos da libido, até mesmo de como funciona a base de uma relação: se é de pura sexualidade que se sustenta ou se é da falta dela que determina o desequilíbrio desta área.

PAPEL FUNDAMENTAL DO ORÁCULO E SEUS SÍMBOLOS PARA ACESSAR NOSSO INCONSCIENTE – PARTE I



Falando de conhecimento, quem nunca ouviu falar da pitonisa,  serpente sacedotisa de Delfos, do templo de Apolo?  Desde a criação do mundo,  até Deus reconheceu este maravilhoso atributo do sábio animal.  Os gregos dão extrema relevância aos Oráculos, e histórias trágicas há que nos apontam o fato, tal como o final de Édipo e Jocasta, quando ele resolve ignorar as profecias.  A Cobra é um dos mais famosos simbolismos de sabedoria das antigas civilizações, e por intermédio do Oráculo, temos acesso a informações privilegiadas – pasme – de nós mesmos.

PARTE II:  O CONSULENTE: VÍTIMA OU ALGOZ?  O QUE HÁ POR TRÁS DOS BOTES



Como vimos, todo símbolo carrega a dualidade em si.  Quando a Cobra aparece em posição de destaque perto daquele que consulta, cabe ao oraculista ver onde mora o perigo.  Se a Cobra está parada bem na sua frente...você sabe o que fazer.  É do veneno que se faz o antídoto.  Porém, se o consulente apresenta um padrão repetitivo de ataques de Cobra, existem coisas que devemos analisar: 
1) O consulente se vê como herói:  talvez o próprio tenha superestimado sua força e chamado a Cobra para o desafio, provocando sua própria queda.  A Cobra não aceita desaforo e vai para cima do oponente, porque é seu papel e seu instinto;
2) As vantagens de obter o tratamento de vítima:  o consulente “abre a guarda” para inveja, puxadas de tapete e intrigas, cometendo os mesmos erros “inocentes” de expor suas fotos da última viagem à Europa em frente à mesa do colega de trabalho endividado e prestes a perder o emprego por falta de capacitação ( e de escrúpulos), contando que é o próximo da lista na promoção, faz confidências sobre a infidelidade ou sobre a sexualidade desenfreada do chefe...para logo em seguida perguntar “o que foi que eu fiz para merecer isto?”  A Síndrome do Bonzinho nada mais é do que pisar no covil de cobras...e gostar de receber atenção por isso.  
3) O medo extremo, o grande impacto emocional que a imagem de símbolos como a Cobra causam, com seu consequente enfrentamento, podem significar um desejo de volta ao paraíso, retorno à inocência, ingenuidade de acreditar num mundo idealizado onde tudo é perfeito e não existe o mal, indivíduo fantasioso e infantil que não gosta de ter responsabilidade pelo que acontece em sua própria vida, que tem a ilusão de que o mundo tem que protegê-lo e isso é uma condição natural de merecimento.
4) Baixa autoestima:  tem sempre alguém que vai aparecer para tirar sua promoção, sua oportunidade de progresso, seu emprego, fazer intrigas e difamá-lo com seus melhores amigos, que vai enganar, trapacear, que existe sempre um parceiro mais sedutor e com mais atributos que vai atrair o seu par, sempre alguém com superpoderes que vai atacá-lo e que será incapaz de defender seu território, não acredita em si, não acha que é bom o suficiente, inconsciente de seu próprio poder pessoal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS



É com uma desagradável frequência que aparecem consulentes perguntando sobre traição no relacionamento.  Sobre esta delicada questão, devemos ter muita cautela, primeiro porque o traído em primeiro lugar traiu a si mesmo; segundo, “o coração alheio é terra por onde ninguém passeia”.  Nunca poderemos prever as consequências de dizer que alguém está sendo traído.  Um indivíduo mental e energeticamente desequilibrado pode cometer atos impensados como um suicídio ou um crime passional.  Sabemos da fama da Cobra como indicativo da terceira ponta de um triângulo amoroso, entretanto...é preciso usar de muita cautela neste momento.



Satanizando a Cobra, estreitando e simplificando a percepção do seu lado sombrio, deixando de compreendê-la e enfrentá-la, perdemos uma excelente oportunidade de autoconhecimento.  Deixo ao célebre psicanalista Carl J. Jung (1875-1961) uma reflexão da riqueza psicológica que desperdiçamos ao fazê-lo:

“A batalha entre o herói e o dragão é a forma mais atuante deste mito e mostra claramente o tema arquetípico do triunfo do ego sobre as tendências regressivas.  Para a maioria das pessoas o lado escuro ou negativo de sua personalidade permanece inconsciente.  O herói, ao contrário, precisa convencer-se de que a sombra existe e que dela pode retirar sua força.  Deve entrar em acordo com o seu poder destrutivo se quiser estar suficientemente preparado para vencer o dragão – isto é, para que o ego triunfe precisa antes subjugar e assimilar a sombra.”  
(Retirado do livro “O Homem e seus Símbolos”, 22ª edição, p. 120)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

What does Fox says?

Lenormand?

Eu achei bem bonitinho. Tipo aquelas primeiras aulas de inglês, quando a gente está ainda engatinhando no idioma. 
Um jeito divertido de conhecer mais sobre a carta 14 do Lenormand.
Veja mais aqui.



Dog goes woof
Cat goes meow
Bird goes tweet
And mouse goes squeek

Cow goes moo
Frog goes croak
And the elephant goes toot

Ducks say quack
And fish go blub
And the seal goes ow ow ow

But there’s one sound
That no one knows
What does the fox say?

Ring-ding-ding-ding-dingeringeding!
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
What the fox say?

Wa-pa-pa-pa-pa-pa-pow!
Wa-pa-pa-pa-pa-pa-pow!
Wa-pa-pa-pa-pa-pa-pow!
What the fox say?

Hatee-hatee-hatee-ho!
Hatee-hatee-hatee-ho!
Hatee-hatee-hatee-ho!
What the fox say?

Joff-tchoff-tchoffo-tchoffo-tchoff!
Tchoff-tchoff-tchoffo-tchoffo-tchoff!
Joff-tchoff-tchoffo-tchoffo-tchoff!
What the fox say?

Big blue eyes
Pointy nose
Chasing mice
And digging holes

Tiny paws
Up the hill
Suddenly you’re standing still

Your fur is red
So beautiful
Like an angel in disguise

But if you meet
A friendly horse
Will you communicate by
Mo-o-o-o-orse?
Mo-o-o-o-orse?
Mo-o-o-o-orse?

How will you speak to that
Ho-o-o-o-orse?
Ho-o-o-o-orse?
Ho-o-o-o-orse?
What does the fox say?

Jacha-chacha-chacha-chow!
Chacha-chacha-chacha-chow!
Chacha-chacha-chacha-chow!
What the fox say?

Fraka-kaka-kaka-kaka-kow!
Fraka-kaka-kaka-kaka-kow!
Fraka-kaka-kaka-kaka-kow!
What the fox say?

A-hee-ahee ha-hee!
A-hee-ahee ha-hee!
A-hee-ahee ha-hee!
What the fox say?

A-oo-oo-oo-ooo!
Woo-oo-oo-ooo!
What does the fox say?

The secret of the fox
Ancient mystery
Somewhere deep in the woods
I know you’re hiding
What is your sound?
Will we ever know?
Will always be a mystery
What do you say?

You’re my guardian angel
Hiding in the woods
What is your sound?

(fox sings)
Wa-wa-way-do wub-wid-bid-dum-way-do wa-wa-way-do

Will we ever know?

(Fox sings)
Bay-budabud-dum-bam

I want to…

(Fox sings)
Mama-dum-day-do

I want to…
I want to know!

(Fox sings)

Abay-ba-da bum-bum bay-do


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Hoje é o Dia do Baralho!!!


Cartas, as paixões, os instrumentos, os meios e os fins nas mãos do Cartomante. E hoje temos um dia só para elas.
A COPAG do Brasil lança essa data como um marco na história do baralho (e consequentemente da Cartomancia) brasileira. Eu tenho a honra de participar dessa história, a cada vez que torno as cartas um livro de histórias reais, não mais metáforas, mas fatos. 
Celebremos, todos que amamos a Cartomancia, esse dia que nos traz a lembrança do quão importantes somos.



Para celebrarmos essa data, o Conversas Cartomânticas sorteará quatro Baralhos Para Ver a Sorte - um para cada ano de existência do blog. Lembrando que o novo livretinho do baralho respeita a Escola Brasileira e foi escrito por mim, uma conquista e tanto; há alguns anos, estive desesperado por um Baralho Para Ver a Sorte; hoje, todos tem a oportunidade de ter em suas coleções um dos melhores baralhos já editados. 
Para concorrer, basta deixar um comentário nessa postagem com seu nome e email. 
O sorteio será dia 20 de setembro.

Abraços a todos.Celebremos!!!

Post Scriptum: A Carolina Bamberg lançou um vídeo sobre a escolha dos baralhos, e fala do Baralho Para Ver a Sorte. Deem uma olhada!



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 06. Gabriel Ochinsk e as Nuvens.



Olá pessoal. Tive a oportunidade de conhecer o Gabriel Ochinski na Mistic Fair Sampa de 2012. Tranquilo, de andar suave e movimentos leves, Gabriel é uma promessa e uma realização da espiritualidade. Muito a aprender com ele. Muito a compartilhar.
Iniciado em suas leituras oraculares com o Petit Lenormand, aos 7 anos de idade, tudo de forma intuitiva e mediúnica, fez dos oráculos sua vida. No início, tudo pareceu deveras difícil, por questão da idade e das práticas já realizadas, porém ao longo destes tempos, as provas de vida e a grande procura por seus atendimentos o fez com o passar dos anos, começar os estudos de Tarot, Numerologia, Astrologia, Runas, além de outras práticas oraculares, tudo em princípio mediúnico e depois o aprofundamento técnico. Iniciado na Bruxaria Draconiana e no Culto Umbandista, filho de Oxalá e Oxum, tendo como guia-chefe e mestre espiritual, Cigano Juan Del Oriente, o mesmo que ensinou e contribuiu para grande parte de seu trabalho. Hoje, com 17 anos de idade, continua seus estudos holísticos, realizando atendimentos e cursos, com ênfase na mitologia Afro, e no Culto aos Orixás, trabalha com Cabala de Odús e Bioenergia dos Orixás. Tendo já iniciado, um grande número de alunos na Magia e Mundo do Lenormand, hoje faz atendimentos em espaços holísticos, online e presenciais em Santo André – SP, com Tarot Tradicional, Baralho Lenormand, Cartomancia Tradicional, Oráculo de Cristais, Oráculo dos Orixás, Análise Cabalística Astrológica de Odús, Análise Cármica com o Tarot e Baralho Cigano. “Cada lâmina é muito mais que símbolos, mas sentidos e sentimentos que formam este grande coração que é o Universo.”

Contatos para Atendimentos
Email: gabrielochinsk@yahoo.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/gabriel.ochinsk

As nuvens são a todo o momento, o elo mais singelo e tão observado entre os extremos do físico e do espiritual. Quando olhamos para o céu, admirando o que se encontra lá longe, temendo o desconhecido e almejando a revelação, deslocamos nossa conduta terrena em busca de realizar nossos grandes planos que se embaraçam em nossa mente. Simples e fácil, ou melhor, significantemente moderado aos níveis de entendimento humano. Nossos pensamentos descrevem intimamente, a real e determinada atividade de nossa consciência, temos o princípio ativo da criação, o equilíbrio dos sentimentos, mas será que estamos realmente prontos para encarar nossas duvidas e incertezas? 



Esta carta do Petit Lenormand nos propõe adequar cada um de nossos momentos, projetos e pensamentos ao novo; muitos a descrevem como a tristeza, a falta de direção e o momento que somente olhar para as nuvens e tentar enxergar as respostas são a principal finalidade em questão, os quais não acatam ao meu processo cognitivo. A nuvem, o ventos, a passagem de elementos no estado gasoso, representam sim, como núcleo de direcionamento, o plano mental em si, a forma de extremar nossos laços que ainda prendem-se ao acaso como maneira errônea de definir as lacunas que deixam vagas as nossas procuras e respostas. 



Queremos ir tão longe, chegar onde é difícil e perplexo, mas aqui e agora, ficamos estagnados em solucionar as questões e declinações da personalidade. Esta simbologia está perfeitamente associada à Orixá Oyá, ou Yansã, conhecidamente nas religiões de matriz afro como a Senhora dos Ventos, Tempestades e Pensamentos. O movimento das nuvens, sua instabilidade para o sol, a chuva, os ventos e tempestades, mostra que nossa mente funciona comumente como as ordens de Oyá, que traz as suaves brisas para o momento e as terríveis tempestades como forma de agitar tudo, pode correlacionar às intempéries psíquicas com as oscilações do tempo, da natureza e do caráter divino que atua em nós ao todo momento. Somos o que pensamos ou exteriorizamos realmente nossa conduta a fim de explicar tudo?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Dez Espadas em Dois Pés.


Tem certas metáforas que só se completam em outras metáforas. 
E eu não tenho muito a dizer além disso.

Abraços a todos.

Fonte: Pêssega d'Ouro

Leia/veja mais aqui.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 05. Regina Guigou e a Árvore.


Olá pessoal. Hoje contamos com a minha amada Regina Guigou falando sobre a Árvore. Uma das mais belas e desejadas cartas do baralho, vista com muita delicadeza e competência. A Regina já esteve antes aqui com a gente, falando sobre o Cavaleiro de Paus do Tarô.
Sigamos com ela. Sombra, água fresca, boa companhia.
Contatos com ela: www.universusguigou.blogspot.com.br

Árvores = Vida.

Num determinado ponto da floresta brotava de uma árvore frondosa uma pequena muda. Essa árvore era frondosa e forte cobria o sol. A pequena muda crescia procurando a luz e aos poucos ia se desenvolvendo e acreditando que cresceria forte para que pudesse ver o céu e o calor do sol.
Com o passar do tempo a pequena muda cresceu, suas raízes se aprofundaram para transportar a seiva de que precisava e assim produzir flores e frutos, com seus galhos acolher pássaros e levar as sementes para darem novas mudas. E assim tornou-se tão frondosa quanto a outra vendo todos os dias o sol e o céu.
O desenvolvimento completo de uma árvore precisa de nutrição. O tronco leva energia aos galhos para gerar flores e frutos, em seus anéis internos registram a passagem do tempo e isso mostra como as intemperes da natureza registraram doenças e bloqueios ao longo do tempo. O mesmo deve ser com as raízes.
Uma única árvore é capaz de sustentar uma infinidade de vida, além de fazer dela moradia ou área para caça.

Árvore (mitologia)


Alimento, habitação, ferramentas, abrigo, pulmão vivo e uma grande beleza são algumas das características das árvores. Simbolizam o cosmos em toda a sua extensão, já que as suas raízes são o nível subterrâneo, o tronco é a terra e os seus ramos simbolizam o céu.
Têm em si os quatro elementos: a terra junto às raízes, a água na sua seiva, o ar respirado pelas suas folhas e o fogo através da luz que gera a fotossíntese. 
Por encontrar-se simultaneamente em contato com a terra e o céu, a árvore é também um símbolo da relação entre estes dois elementos e uma espécie de centro ou eixo do mundo, tanto na tradição judaico-cristã, como nas culturas africanas ou asiáticas. 
As árvores em muitas culturas são carregadas de simbolismo e religiosidade. Algumas culturas eram a representação da criação e da organização da ordem do mundo com os dias e as noites. Para outras o nascimento e a evolução.
Foi debaixo de uma árvore que Buda alcançou a iluminação e essa árvore representa por vezes o próprio Buda, dizendo-se na Índia que é uma manifestação da trindade: as suas raízes são Brama, o seu tronco Shiva e os seus ramos Visnu. 
Em algumas culturas a árvore é também um símbolo de fertilidade. Noutras culturas o noivo é amarrado à árvore no dia do seu casamento, simbolizando a força e capacidade de procriação.

Qual a lição da carta 5 -  ÁRVORE no Lenormand?


No jogo a árvore fala do nosso crescimento, da nossa energia, da nossa saúde, segurança. Dos frutos que somos capazes de dar. Representa as idéias produtivas, a capacidade de estruturar e realizar positivamente o que se deseja.
Esta carta retrata a Árvore da Vida, símbolo da força, da saúde e da alegria de viver. 
Na escola brasileira corresponderia ao Orixá Tempo; outros consideram Oxóssi.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Oráculo da Cabala, de Richard Seidman.



As 22 letras do alfabeto hebraico, o Aleph Beit, não são apenas elementos constitutivos de uma linguagem, mas algo muito mais profundo. Cada letra é uma chave antiga que pode nos ajudar a desvendar os grandes segredos do mundo espiritual, formando um conjunto de poderosos símbolos que nos dá a compreensão dos mistérios da nossa própria alma. Os ensinamentos do Aleph Beit fazem parte da Cabala, a tradição do misticismo judaico que, durante séculos, foi um segredo guardado a sete chaves. 

De acordo com a obra mais antiga sobre o misticismo judaico, o Sefer Yetzirah (O Livro da Criação), todo o universo se formou por meio da combinação dessas 22 letras, e os místicos da Antiguidade, intrigados com o poder divino que essas letras incorporam, meditavam acerca de suas formas, usando-as como portais pelos quais poderiam descobrir segredos do passado, do futuro e da alma humana. 

Inspirado por esses ensinamentos antigos, Richard Seidman criou O Oráculo da Cabala. Para dar vazão ao poder das letras, o leitor escolhe uma carta do baralho ao acaso e, então, usando o livro como guia, medita sobre o símbolo que ela reproduz. Cada uma das cartas nos inicia nos níveis mais profundos da intuição e da compreensão espiritual, ao mesmo tempo que nos ajuda a descobrir o potencial místico encerrado em cada um de nós.

Olá pessoal. Eu sou muito atento às repetições na minha vida. Existem sinais escondidos nelas. Como se tivéssemos que vivenciar algo, mas só através do reconhecimento da possibilidade. E, nesse caso, o reconhecimento começou há alguns meses atrás.
Estou me questionando - e muito - a respeito das atribuições propostas para as cartas. Aquilo que transcende o significado básico, que vai além do funcionamento, por assim dizer, óbvio. Entre essas coisas, quando se trata de Tarô, temos as letras hebraicas.
Essa atribuição é recente e controversa. A priori, tentou-se atribuir tacitamente as letras na ordem em que elas foram organizadas no alfabeto hebraico, ou seja, Aleph para o Mago, Beth para a Sacerdotisa, e por aí vai. No século XIX, porém, uma leitura mais atenta do Sepher Yetzirah por alguns estudiosos deu origem à consideração proposta pela Aurora Dourada, onde o Louco é Aleph e o Mago é Beth - uma atribuição que, curiosamente, muita gente usa sem saber de onde veio e porque veio. E daí para frente temos hibridismos e releituras várias, que mais confundem que explanam.
Curioso também que a maior parte dos baralhos que se propõe a adicionar o conteúdo cabalístico pertinente às letras sequer as explanam, como se fossem mistérios insolúveis (ou óbvios demais). Por essas e outras, o estudo das letras foi deixado de lado.
Não acho certo. Não acho justo. Não para mim.
Na Confraria  Brasileira de Tarot eu expus que não se deveria ignorar tacitamente a representação pictórica de uma carta em função do conceito universal (você pode baixar o texto que deu origem à palestra aqui). Aplicado ao contexto desse texto, se o baralho possui letras hebraicas, no mínimo dever-se-ia entender o porque disso. Mas, como disse antes, os livros publicados por aqui não se esmeram em oferecer esse conteúdo. No máximo, vemos referências de referências e, depois de um tempo, ao ler um texto, a gente consegue diferenciar bem a vivência da pesquisa. Eu vejo muita pesquisa, mas pouca vivência. Aí, evidentemente, dou razão para deixar-se de lado tais conceitos. 

Aí, o Marcelo Bueno nos oferece uma leitura fascinante da letra Beth à luz da iconografia do Petit Lenormand (e vice-versa) na nossa Blogagem Coletiva.  E novamente fiquei com a pulga atrás da orelha. Não é que as letras hebraicas não auxiliem na leitura do Tarô. Elas são pouco ou mal estudadas. Na pior das hipóteses, ambas as coisas.

Logo, eu precisava ler algo a respeito.
Há algum tempo, recebi de uma amiga muito querida, muito amada o Oráculo da Cabala (Pensamento) de presente. Não cheguei a lê-lo; ele estava esperando esse momento. Hoje, por acaso, ou sincronicidade, eu o tomei e abri, embaralhei suas cartas e tive uma ideia. Ao invés de lê-lo, tacitamente, eu vou vivê-lo.
Já fiz essa experiência antes, com os exercícios propostos pela Vivianne Crowley em Cabala: Um enfoque feminino (Pensamento). É impressionante como saímos mudados de uma experiência como essa.
Então, eu vou propor, para você leitor que possui essa obra, que aceite o mesmo desafio que me proponho para setembro:


Entre em espírito de oração, dentro das suas crenças. Seja fazendo uma oração, mesmo, ou acendendo uma vela e incenso, ou mesmo apenas fechando os olhos por alguns instantes. Conecte-se com aquilo que há de mais belo, puro, virtuoso e amoroso no seu universo.
Embaralhe as cartas. 
Corte, se desejar.
Coloque o maço sobre o altar e tire uma carta por dia. Execute, nesse dia, o exercício proposto pela carta.

Eu tirarei minha carta pela manhã, e postarei um comentário à noite na página do Conversas Cartomânticas. Acompanhe minha jornada, estejamos juntos nessa. Caso não possua essa obra, vale a pena adquirir.

Abração a todos. E vivenciemos essa jornada.

domingo, 1 de setembro de 2013

Doze Meses com os Enamorados: Giordano Berti.


Queridos, conto hoje com a honra de termos no Conversas Cartomânticas a presença de Giordano Berti, um historiador da arte, um estudioso da cartomancia, e, acima de tudo isso, um querido. Extremamente atencioso, trouxe para nós a sua experiência em relação aos Enamorados. Conforme a Wikipedia,
Giordano Berti (Bolonha, 27 de fevereiro de 1959) é um historiador italiano, fundador do Instituto Graf de Bolonha - uma associação empenhada no estudo das relações entre as artes e o folclore.

Historiador e professor de História da Arte, Giordano Berti é especialista em temas relacionados à história do ocultismo, sendo considerado em nível mundial como um dos melhores eruditos em história e esoterismo a respeito do Tarô e das artes divinatórias.
Sobre o tema do Tarô, publicou numerosas obras (catálogos, libros, encenações para novos baralhos) e organizou exposições históricas, as mais importantes das quais foram com Michael Dummett, Franco Cardini, Cecilia Gatto-Trocchi e Andrea Vitali: I Tarocchi. Gioco e magia alla Corte degli Estensi (Ferrara, Castello Estense, 1987), Tarocchi: arte e magia (Roma, Castel Sant'Angelo, 1985).
Pela revista italiana de grande prestígio ‘Charta’, Berti escreveu numerosos artigos sobre diversos temas relacionados à história e cultura das cartas: grandes bibliotecas, naipes antigos, temas simbólicos na arte da gravação. Pelas revistas ‘Terzo Occhio’ e ‘II Giornale dei Misteri’, Berti escreveu artigos sobre temas simbólicos e sobre alguns artistas relacionados com o esoterismo.
Estamos em boas mãos, não?
Sigamos com ele. 

Visconti Cary-Yale
US Games

AMANTES

A iconografia do amor era popular nos tempos medievais e renascentistas. Basta recordar os esquetes mostrados em muitos manuscritos iluminados, com vários casais mais ou menos afortunados como o mitológico Piramo e Tisbe, Teseu e Ariadne, ou Dante Alighieri e Beatrice, Francesco Petrarca e Laura.
Os triunfos de Petrarca estão ligados, nomeadamente, ilustrações do triunfo do amor que é a provável inspiração para ambas as cartas dos Amantes de Filippo Maria Visconti tarô (o mais antigo baralho de Tarô existente) no Tarot de Francesco Sforza. Ambos baralhos são vinculados aos princípios que governaram Milão entre o trecento e o quattrocento.
A figura dos amantes pode ser encontrada em todos os Tarots antigos e modernos, mas são extremamente variáveis de um baralho para outro. No baralho Visconti-Sforza são dois jovens que dão as mãos diante de uma fonte. Acima, se eleva a um jovem alado e com os olhos vendados, Cupido, pronto para lançar suas flechas.
À primeira vista você pode pensar em um casamento pagão, desde que a cerimônia de dextrarum iunctio (União de mãos) não é presidida por um padre, mas por Eros, o Deus do amor. Mas este não é o caso. Não é sequer uma cena de namoro, nem representam um encontro apaixonado. O verdadeiro significado desta placa é uma "promessa de amor", e a presença de Cupido tem um significado puramente simbólico: é sabido que o humanismo italiano do século XV recuperou imagens de deuses antigos em alegorias de ensinamentos morais.
Portanto, esta carta é, sem dúvida, o nascimento do amor, ou seja, maior sentimento que podem tentar a seres humanos. "Amor que move o sol e as outras estrelas", diz o grande poeta Dante Alighieri. Claro, há muito para falar sobre os significados "transversais" desta imagem.
Referindo-se estritamente à figura, nós não podemos ajudar mas acho que de um encontro galante, uma promessa de amor, ou pelo menos para um compromisso. Também pode falar sobre uma promessa feita por duas pessoas com a insistência de um sentimento de amizade, estima e afeição. Podemos pensar também do aparecimento súbito de uma perturbação, o desejo, de uma forte atração, não necessariamente sexual.

Em resumo, a carta de amantes nos primeiros baralhos de cartas de tarô, representa o indivíduo (homem ou mulher ou até mesmo o casal) quando abandona a racionalidade para saciar o sentimento de amizade, amor e paixão, não menos importante, para o desejo erótico. Aqui estão as escolhas que podem ser certo ou errado, mas se o desejo é enviada outra razão e não instinto, pode derivar a possibilidade de uma realização interior (psíquica ou espiritual na natureza) que vai além do puramente material e tamanho contingente da existência.

[Texto original]

GLI INNAMORATI

L’iconografia degli innamorati era diffusissima in epoca medievale e rinascimentale. Basti ricordare le scenette illustrate in tanti codici miniati, con le varie coppie più o meno fortunate come i mitologici Piramo e Tisbe, Teseo e Arianna, oppure Dante Alighieri e Beatrice, Francesco Petrarca e Laura. 
Ai Trionfi di Francesco Petrarca si collegano, tra l’altro, le illustrazioni del Trionfo dell’Amore che è la probabile fonte d’ispirazione per la carta degli Amanti sia nei Tarocchi di Filippo Maria Visconti (il più antico mazzo di tarocchi esistente) sia nei Tarocchi di Francesco Sforza. Entrambi questi mazzi sono legati ai Principi che governarono Milano tra il Tre e il Quattrocento.
La figura degli Innamorati si ritrova in tutti i Tarocchi antichi e moderni ma si presenta in modo estremamente variabile da un mazzo all’altro. Nei mazzo dei Visconti -Sforza sono rappresentati due giovani che si danno la mano dinnanzi a una fontana sopra la quale si erge un giovane Cupido, alato e bendato, pronto a lanciare i suoi dardi. 
A prima vista si potrebbe pensare a un matrimonio pagano, dato che la cerimonia della dextrarum iunctio (l’unione delle mani) non è presieduta da un sacerdote ma da Eros, il dio dell’Amore. Ma non è così. Non è neppure una scena di corteggiamento, né la rappresentazione di un incontro passionale. Il vero significato di questa carta è una “promessa d’amore”, e la presenza di Cupido ha un significato puramente simbolico: è noto che la cultura umanistica italiana del Quattrocento recuperò le immagini degli antichi Dei trasformandole in allegorie di insegnamenti morali.
Dunque, questa carta significa senza dubbio la nascita dell’amore, cioè del sentimento più alto che gli esseri umani possano provare. “Amor che move il sole e l’altre stelle”, recitava il grande poeta Dante Alighieri. Naturalmente c’è molto da disquisire sui significati “trasversali” di questa immagine. 
Riferendosi rigorosamente alla figura, non possiamo fare a meno di pensare a un incontro galante, a una promessa d’amore o quantomeno a un fidanzamento. Si può anche parlare di una promessa fatta da due persone sotto la spinta di un sentimento di amicizia, di stima o di affetto. Possiamo anche pensare alla improvvisa nascita di un turbamento, al desiderio, a una forte attrazione, non necessariamente sessuale.
In sintesi, la carta degli Amanti, nei primi mazzi di Tarocchi, rappresenta l’individuo (uomo o donna, o anche la coppia) nel momento in cui abbandona la razionalità per abbandonarsi al sentimento di amicizia, alla passione amorosa e, non ultimo, al desiderio erotico. Da qui derivano scelte che possono essere giuste o sbagliate, ma se il desiderio è sottomesso aalla ragione e non all’istinto, può derivare anche la possibilità di una realizzazione interiore (di natura psichica o spirituale) che va oltre la dimensione puramente materiale e contingente dell’esistenza.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 04. Marcelo Bueno e a Casa.


Pessoal, continuamos com a nossa Blogagem Coletiva. É fantástico repararmos em detalhes que sequer perceberíamos se não fossem os olhares de nossos pares! E hoje tenho a honra de convidar este que é uma referência para mim: Marcelo Bueno, que já esteve conosco na Blogagem Coletiva Arcanos e Olhares, explanando o Rei de Paus.
Marcelo Bueno é profissional do Tarot há alguns anos e aventureiro eventual em outras oráculos, como o Lenormand. Seus textos estão disponíveis no blog Zephyrus – www.zephyrus.blog.br – onde ele compartilha seu modo de (vi)ver as cartas. Vivamos/vejamos o que ele tem a nos apresentar, hoje. 
Certeza que será gratificante, como sempre.


Ok, dificilmente este é o seu primeiro texto sobre o Baralho Lenormad (aka Baralho Cigano), logo, as palavras-chaves de cada lâmina não lhe são de todo desconhecidas.

Sim, eu sei que você estranha que o Trevo em alguns lugares seja descrito como “sorte” e, em outros, como “paus e pedras no caminho”, mas os atributos da Casa permaneceram inalterados ao longo do tempo e independente das escolas, o que facilita bastante a vida.

Sibilla della Zingara

A Casa, por sinal, está presente em outros oráculos, como o Kipper alemão, a La Vera Sibilla italiana e a La Sybille des Salons francês, entre outros, guardando sempre os mesmos significados.

Em resumo, encontramos nesta imagem muito simples quatro grandes linhas de interpretação:

·         O espaço físico que o consulente entende como sendo a sua casa, incluindo todas as questões de ordem doméstica (cuidados com relação a conforto, segurança, manutenção, etc.) e as pessoas que dividem este espaço – parentes ou não.

·         A família (núcleo familiar, antepassados, parentes, etc.) como identidade e elemento de formação, exercendo influência constante na vida do consulente.

·         A casa como ponto de apoio emocional, oferecendo segurança, equilíbrio e estabilidade.

·         Espaços físicos específicos, quando combinada com outras cartas, como escola de ensino fundamental (com Livro), pequeno negócio ou home office (com Peixes) e templo religioso (com Estrela ou Cruz), por exemplo – para ensino superior, grandes organizações e mosteiros, considere a Torre no lugar da Casa.

Acrescento à lista a Casa associada ao corpo físico, morada da alma, tanto nas pautas de saúde (Árvore) quanto no aspecto espiritual, como algo que não deve ser preterido em nome daquilo que o consulente considera mais elevado, pois o corpo é a sustentação do ser, seu veículo nessa existência. Obviamente, para cada opção é preciso analisar o contexto.

Então, se é isso, poderíamos parar por aqui, não?

Poderíamos, mas vou além.

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A segunda letra do alfabeto hebraico, e a primeira da Torá, é Beit, que significa "casa". Na sua primeira representação, Beit possuía a forma de uma tenda e, com ela, temos dois grandes ensinamentos: o primeiro faz referência à tenda do patriarca Avraham, que possuía três lados abertos (exceto o Norte, por “onde entra o Mal”), representando a hospitalidade.


A hospitalidade, para o judeu, tem tamanha importância, que você pode se recusar a fazer parte de um minyan (quórum mínimo de dez homens adultos necessários para a realização de algumas liturgias) ou pode se abster/interromper o estudo da Torá para ser hospitaleiro com outra pessoa – em especial, desconhecidos, o que aumenta o mérito da ação.

Trazendo para o Lenormand, esta hospitalidade pode ser vista como acolhimento em diferentes sentidos. Não apenas a generosidade que auxilia quem precisa, desprovido de interesse, como a receptividade para o novo. O famoso “pensar fora da caixa” só é possível se você se arrisca por caminhos que não são familiares, logo, fora da zona de conforto que a Casa, simbolicamente, representa.

O segundo ensinamento é a clara distinção entre “dentro” e “fora” - Beit, como prefixo, sempre indica o movimento para dentro daquilo que a precede. Saber o momento certo de se voltar para dentro e quando se voltar para fora ou como se preservar internamente das influências (nocivas) do mundo exterior são alguns desdobramentos deste atributo. Por ter valor numérico 2, Beit se refere às dualidades, de modo geral, mas vou me ater à principal para o que nos interessa com relação à carta.

Neste sentido, a Casa fala de privacidade e de recolhimento estratégico (diferente de isolamento, que é coisa de Torre), por vezes necessário para recuperar as forças ou botar o foco no lugar certo.

Esta dualidade “dentro” e “fora”, por sinal, é curiosa, pois o homem íntegro, ainda com base em ensinamentos judaicos, é tido como aquele que "fora" de casa não é diferente de como é "dentro" dela ou aquele que não expressa (fora) algo diferente do que traz dentro de si, mostrando que, na verdade, dentro e fora são conceitos ilusórios da nossa percepção limitada.

Esta integridade está presente na expressão “voltar para casa”, que muitas vezes ganha contornos religiosos, como “voltar-se para D’us” depois de um descaminho qualquer, mas, em especial, se refere ao resgate do Eu Autêntico, livre de máscaras e idealizações.

Fico imensamente tentado a falar do Rei de Copas como representação de David haMelech, o pastor, rei e poeta de Israel, por ele ser reproduzido em diferentes baralhos com uma harpa, mas a associação de naipes e imagens é um tema controverso, mesmo que seja muito mais simples escrever sobre uma figura da corte, por isso fica para uma próxima oportunidade.

domingo, 25 de agosto de 2013

Helios.



Ainda escuro, ouvia meu pai estrilar os sininhos da bicicleta pela estrada de terra. Quando clareava, ele retornava, aninhando-se junto à lenha do fogão para comer pão de milho. Perguntei o que fazia tão cedo. “Acordar o sol”, maldizia entre os dentes. Foi então que, numa madrugada, ouviu-se apenas o silêncio. Papai, cansado, decidiu dormir para sempre. Ficamos sete dias no breu até que vovó, entregando a bicicleta, me deu o ofício da família - acordar o sol. Minha mãe diz que é maldição. 

Eu não. Gosto do sininho.



Leonardo Sakamoto 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 03. Luqiam Osahar e o Navio.


A nossa blogagem é um sucesso, gente. Eu fico muito feliz de estar com vocês nessa. Muito obrigado mesmo por acompanharem o processo. E hoje, vamos viajar nas ondas do mar conforme o timoneiro Luqiam Osahar mandar.

Luqiam Osahar (Robson Miranda) é cartomante, tarólogo e astrólogo. Descendente Rom de família egípcia já viveu em vários lugares no circuito Brasil/Europa/Africa. Psicólogo e Historiador de formação. Desenvolve pesquisas na área de simbologia e religiões nativas. Atua como oraculista e ministra cursos, palestras e workshop no Rio de Janeiro, onde atualmente reside.

contatos: luqiam.osahar@gmail.com  e site  www.luqiam.com 


Me dedico ao estudo profundo de simbologia, e isso me faz observar os detalhes em todas imagens que representam os oráculos. Há uma diversidade de figuras dentro do universo Lenormand, e talvez por isso eu as interprete de maneira um pouco distinta uma das outras; mas, como o baralho sugerido foi o French Cartomancy Lenormand, vou me ater aos detalhes do mesmo.
A terceira carta do baralho Lenormand é representada por um veículo; e único. Este veículo marítimo: o barco, navio, veleiro; nos remete a um propósito de transporte. É importante observar que o navio representado no baralho estará sempre em movimento, o que simbolizará sempre esta ação. Geralmente está associado a mudanças em nossas vidas, mudança esta de maneira externa: como deslocamentos físicos, mudanças de endereços, de ambientes, ou viagens. O Navio é um transporte coletivo, o que pode sugerir também mudanças que envolvam mais do que o próprio consulente.

Na imagem da carta 3 do French Cartomancy Lenormand, observamos três elementos que vale a pena ressaltar: o veleiro, o mar e o céu. Como se procederá então essa "mudança" representada neste baralho?

1- Temos um barco a velas - um veleiro, diferente de outros baralhos onde o barco é representado a vapor. No caso deste baralho observamos que o deslocamento do veículo se dá por uma força externa e natural, o próprio vento. Isso nos remete a uma mudança que ocorrerá sem a nossa indução, algo que venha de maneira natural conduzida pela própria ação do Tempo, ou necessidades repentinas. Já nas imagens que o barco é a vapor, vejo que essas mudanças devem ser programadas e estudadas; exigirá do consulente abastecer seu navio de carvão e fazer toda uma análise do maquinário (logística) que envolverá essa viagem (mudança).
2- O mar está agitado, um sinal de que as correntes de ar são firmes e fortes, o que levará o veículo com certa rapidez ao seu destino. Lembrando que, um mar agitado é perigoso até para os mais experientes, e neste caso, essa viagem deve ser conduzida com cautela por águas agitadas, águas essas que podem ser bem associadas as nossas emoções: euforia, ansiedade, medos e inseguranças.

3- O céu nesta carta se encontra bom - o tal "céu de Brigadeiro", e é um sinal de que, apesar dessa mudança estar ocorrendo em águas turbulentas, o céu que nos guia se mantem claro e firme, nada nos pegará de surpresa.

Lembrando que essas minhas considerações é apenas um resumo da carta em sua individualidade. Sabemos que outras cartas que a acompanharem vão interferir no seu significado para a questão colocada. No Lenormand temos mais duas cartas que estão estreitamente fadadas a interferir com peso  na carta do navio: a âncora e as nuvens.
A âncora prenderá esse navio, não a um cais, e sim no mar - o real propósito da ancora. E neste caso, a ancora acompanhando o navio nos remeterá a uma viagem interrompida. Algo abalará a estrutura do navio e o forçará a ancorar.
As nuvens ocasionarão um mau tempo e com isso essa viagem pode ser cheia de transtornos e dificuldades; o mar já se encontra agitado, e com a presença das nuvens pode ocorrer tempestades que colocaria a integridade do navio e seus passageiros em risco.

O Navio no jogo (breve consideração), pois os detalhes podem vir com outras cartas acompanhando. 

Questões abstratas (emocionais) - passeio ou viagem com o parceiro(a); ou o encontro de algum sentimento importante nesta ação. Para os solitários, o amor pode estar fora de sua cidade ou ter origem em outro lugar.
Questões profissionais - mudanças do ambiente de trabalho; viagens profissionais
Questões saúde - a solução pode estar fora de seu habitat, sugerindo uma viagem/deslocamento físico para encontrar a cura/tratamento. 

domingo, 18 de agosto de 2013

Um começo de resposta para uma pergunta de muito tempo.


Olá pessoal. Eu venho me debatendo com uma questão acerca do Tarô enquanto imagem, e isso tem tirado literalmente o meu sono. Ainda que possamos, sabendo os conceitos pertinentes a cada carta, jogar qualquer baralho de Tarô, isso significa, necessariamente, que todo baralho de tarô trará a mesma qualidade de leitura, sendo imagens diferentes e, portanto, baralhos diferentes ainda que de uma mesma categoria?
Particularmente, eu tenho comigo a ideia de que é impossível termos jogos iguais com baralhos diferentes. Entenda, ter jogos diferentes não significa termos mensagens diferentes, mas partindo de pontos diferentes podemos chegar às mesmas conclusões. Todos os caminhos levam à Roma.
Para facilitar a minha vida, dividi a percepção do que é Tarô em três grandes grupos. O tarô instrumento, o baralho propriamente dito, o papel e tinta que utilizamos. O tarô imagem, que nos permite, através do acesso aos referenciais singulares da figura impressa no papel, ou não (que nos digam os baralhos virtuais e os jogos em flash), reconhecer os padrões de leitura. E o tarô técnica, aquele que é baseado na mão e nos conhecimentos de cada praticante e que, a partir dos diálogos acerca dos conceitos e estudos de caso, permitem a evolução do primeiro e do segundo "tarôs" anteriores. É uma forma didática de entender o processo que, no fim das contas, é tudo uma coisa só mas complica a vida do pesquisador justamente por isso. Vira uma torre de babel falar sobre o instrumento quando o interlocutor entende de técnica ou defender um tarô virtual quando a pessoa só reconhece o instrumento, e por aí vai. 

Aí, num daqueles acasos que explicam o motivo pelo qual a dúvida se expressa - em algum lugar existe uma resposta e inevitavelmente ela virá até você - o Carlos Hollanda postou em seu Facebook a seguinte imagem. Aproveite, inclusive, para fazer o desafio valer a pena.

clique na imagem para ampliar

Achei em pouco mais de três segundos. E na conversa que se seguiu, o Carlos postou a seguinte mensagem:

Dica/aulinha de Teoria da Informação: o motivo de acharmos muito depressa, em bem menos tempo do que diz o enunciado e o "duvido" do autor original da mensagem, é o fato de que o número 8 é "a" informação diante do ruído, o número 9 extremamente redundante. A Informação é originalidade, ela sobressai ao ruído. A Informação redundante, se excedente, torna-se informação nula, o mesmo que ruído ou o mesmo que nada, desaparece aos sentidos. Já a informação em si se destaca fortemente ao sistema cognitivo. Esse mesmo princípio é utilizado em cibernética para que os dados sejam reconhecidos e promover ação. Em tempo, apesar de ser verdade que Mercúrio em Escorpião é bem atento, nem mesmo é preciso tê-lo ali para perceber o 8 em tempo recorde.
Acrescentando: ainda assim, só é possível dar inteligibilidade ao ícone "8" porque ele faz parte de nossos códigos de reconhecimento, nosso repertório sígnico. Se não o fizesse, perceberíamos alguma anomalia, mas nosso sistema cognitivo encontraria um modo, inconscientemente, de ajustá-lo a padrões conhecidos, fazendo com que, assim, ele se assemelhasse ao que estivéssemos condicionados a perceber naquele momento por fatores históricos, preconceitos, necessidades imediatas, experiências recentes etc.

Agora eu tenho um ponto de partida para responder uma questão que, até o momento não tinha a menor possibilidade de resposta, ainda que, evidentemente, soasse plausível para mim. E pensar que ouvi que deveria ignorar os pontos do baralho que gerassem incômodo.
Muito pelo contrário. Nas entrelinhas é que são guardados os tesouros. E eu preciso estudar Teoria da Informação.
Abraços a todos.