segunda-feira, 16 de março de 2015

Dos usos do Lenormand: seres espirituais e métodos.

Olá pessoal. Em nossa blogagem coletiva, tivemos uma pequena lacuna, que dá muito pano pra manga em conversas diversas: existem mesmo analogias entre os seres espirituais e as cartas do Lenormand? Se existem, funcionam? Se funcionam, como posso aproveitá-las em minhas leituras?

Embora a maior parte das cartas do Petit Lenormand sejam consensuais em sua atribuição simbólica, algumas causam certo estranhamento quando localizamos abordagens específicas. É o caso do Livro, que para mim significa o lado profissional; todos os demais significados (segredo, mistério, guarda, informação mais acurada) são consenso, mas profissão não. Há quem veja profissão na Foice – e as pinturas do século XIX, sobretudo do Realismo europeu, estão aí para nos explicar por que – e já ouvi dizer que até mesmo a Âncora possa ser o campo profissional do consulente. 
Quem está certo?
Aquele que faz o significado funcionar em sua leitura. Se funciona, está correto. Não nos preocupemos com teorias se, na prática, existe efetividade.
Pois bem. Desde o trabalho de Katja Bastos e Cesar Bastos – o Tarot Cigano – temos referências bibliográficas à associação dos Orixás e alguns encantados às cartas do Petit Lenormand. No Tarot Cigano, em especial, a referência é direta e iconograficamente representada. Sabemos, porém, que esse uso é anterior à edição do baralho, sendo utilizado em terreiros com certa frequência. Era essa a linguagem disponível para que a metáfora se tornasse previsão.
Temos então um uso, um costume e uma referência com pelo menos três décadas para a devida contraposição: é necessário conhecer os Orixás e os encantados para ser um bom leitor do Petit Lenormand?
Não, não é. Mas é um estudo que funciona. Eu apliquei por muitos anos, com excelentes resultados. Não posso negar a efetividade do método, mas não considero-o essencial no entendimento das cartas. Saber que um significado existe não faz com que esse significado se aplique. Mas abre a mente e dá contexto, garantindo uma leitura mais clara sobretudo da iconografia produzida com essa intenção.
Com o recente boom do Lenormand – como se ele tivesse sido descoberto agora! – a literatura referente a ele engatinha em busca de respostas e questiona tudo o que foi produzido até então. Essencial que isso aconteça, para que possamos entender o mercado artístico que se segue a ele assim como justificar o processo artístico anterior. Entendendo a iconografia, passamos a entender minimamente a prática – as cartas Lenormand são de caráter mnemônico muito mais que alegórico, ou seja, o que as cartas significam deve estar explícito e a metáfora implícita no conhecimento do operador da leitura.
Vemos aí um uso exagerado da palavra tradicional. O que é tradicional? Aquilo que é perpetuado ou aquilo que é “descoberto”? O Petit Lenormand funciona menos se chamado de Baralho Cigano? Os significados desenvolvidos para a iconografia produzida no Brasil deixaram de fazer sentido? Tradicional, como conceito, se opõe a moderno ou se opõe a obsoleto?
Desta feita, o livreto que acompanha a maior parte dos baralhos que compramos em casas de artigos religiosos está agora alçado ao cargo de fonte referencial, não mais fonte primária. Novas interpretações para um texto razoavelmente obscuro trazem à luz possibilidades para um método outrora obsoleto. Ainda bem! Quando eu adquiri meu primeiro Petit Lenormand – o Baralho Para Ver a Sorte – fui aconselhado a rasgar o livreto e usar a intuição. 
Não fiz nem uma coisa, nem outra: guardei o livreto e estudei a fundo as imagens e suas inter-relações. Na época, sobretudo pela escassa literatura do ~longínquo~ ano de 2002, o livreto soava pouco, raso, pequeno para aquilo que a prática me mostrava.
Doze anos depois, vemos que existe muito naquele texto a ser interpretado. Muito a ser visto, revisto, revisitado, explorado e utilizado adequadamente na prática. Mas foi necessário muito tempo para que isso se delineasse.
Dessa forma, não considero correto deixarmos todo o tempo em que estudamos as imagens e aplicamos seus significados com acuro para trás, devido à pesquisa histórica ter nos dados novos referenciais de leitura às fontes primárias. Deveríamos sim questionarmos como é que, sem tais fontes, o baralho mostrou tanto acuro. Essa questão nos aproxima do processo de memória, esquecimento e insight que ocorrem em uma leitura oracular: não são todos os significados que saltam aos olhos, apenas os necessários. Por que isso? Como isso se opera em nossa psique? Como o uso e o costume podem sedimentar significados a ponto de termos o grau de precisão que temos com nossas cartas?
Usou-se, para diferenciar as abordagens, os termos Escola Europeia e Escola Brasileira – Lenormand ocupando o espaço que outrora fora do Barroco, uma releitura com ingenio daquilo que obtínhamos da Europa. Contudo, com o avançar das pesquisas, vemos que a geografia da cartomancia com o Lenormand é muito mais específica, muito mais localizada, muito melhor referenciada que supúnhamos. E isso nos abre portas para a experimentação e para uma conceituação muito mais precisa e efetiva. 
O que não pode nos fugir à vista é que estamos falando de um mesmo baralho com abordagens diferentes. Uma mesma estrutura que ganha - e perde - atributos de acordo com o ponto de vista do idealizador, sem perder em essência seus pontos fundamentais: o atributo e o significado chave. Uma vez de posse dessas referências, qualquer Petit Lenormand é um baralho familiar. A parte mágica disso é: cada um deles falará um pouco mais sobre determinado aspecto das cartas depreciado pelos demais. 
Sendo assim, utilizar ou não os Encantados em suas leituras dependerá mais de você que do baralho, ou de uma tradição específica para tal. Eu usei tais significados por anos, e fui muito feliz no uso, até encontrar minha raiz, meu foco na interpretação. Eu falarei um pouco mais sobre isso em breve, mas já deixo o questionamento aqui pontuado: o que faz de alguém um bom cartomante? Seu repertório de leituras ou sua fidelidade a um estilo ou abordagem? Sugiro a leitura do texto elucidativo de Chris Wolf sobre a aquisição do primeiro baralho.
Abraços a todos.

Em tempo: uma apresentação por Cris Mendonça, que entende MUITO do riscado. Um ponto de partida para que conversemos mais. Esteve conosco na II Mesa sobre as Cartas Ciganas, espero reencontrá-la na quarta. 

domingo, 15 de março de 2015

Das manifestações. Ou: uma pequena nota sobre 11, 21 e 23 no Petit Lenormand.

Olá pessoal. Eu naturalmente me desvio de movimentações grupais porque tenho uma tendência a raciocinar muito e movimentos em grupo levam-nos a agir por tabela, rápido demais, o que gera muito mais arrependimentos que ação efetiva, de fato. Mas não deixo de observar suas causas, possíveis efeitos e resultados efetivos.
Tenho sido bombardeado em minha timeline no Facebook por comentários favoráveis e desfavoráveis ao governo, notícias que são dadas e depois modificadas em questão de horas, mas, sobretudo o que tem me chamado a atenção é o grau de paixão com que essa comunicação está sendo feita. 
Embora eu considere o Jardim a carta por excelência da política - e falaremos muito sobre isso na IV Mesa Redonda sobre as Cartas Ciganas, em junho: eu me debruçarei justamente sobre essa carta - o que vejo nessas propostas de manifestação nada tem de Jardim e muito tem de Chicote. Quem já fez aulas comigo [quem não fez terá a oportunidade em breve - teremos os três módulos do curso de Lenormand no Espaço Merkaba] sabe que de Espadas para Paus existe um abismo de distância, onde a única ponte é o fato de serem os naipes pretos do baralho.


O Chicote, entre outras coisas, fala de poder e empoderamento. Troquemos a imagem de um chicote, pela imagem de um revólver: o revólver em si não apresenta problema algum, o problema é quem o manipula! Tendo em mente essa ideia, não posso deixar de pensar no quão graves tem sido as acusações de um e outro grupo político, contra o outro e contra o futuro possível entre eles. 
Ora na mão de um, ora na mão de outro, o Chicote estala em panelas nas janelas de São Paulo.


O que me leva a questionar esses movimentos todos é a certeza que possuem. A certeza de que, agindo de forma imperativa, algo mudará. Levantando um muro contra o lugar comum, haverá revolução nos costumes. Agressivamente, haverá um atrito que encerrará a inércia em relação a certos temas.
Não queridos, vocês não são o Gandalf. E o lugar comum não é o Balrog.
[Curiosamente, o Balrog possui um Chicote. E o usa muito bem - diga o próprio Gandalf.]

Mas o que mais me chama a atenção, em relação a isso tudo, é como que a mídia tem reagido a isso. Eu não me aprofundei no assunto agora, e quando efetivamente aconteceu eu era apenas um garoto bem mais atento à Eco 92, com a atenção própria de uma criança de seis anos. Mas não deixa de chamar a atenção a nova geração querer retomar o que a anterior a minha derrubou - a ditadura - com um processo efetivado por essa mesma geração - o impeachment do presidente Collor. Soa-me curioso porque, nesse processo de memória e esquecimento que é o correr dos dias, quem se lembra efetivamente do que ocorreu naquela época? Razoavelmente próxima de nós, razoavelmente recente, mas que aos meus ouvidos soa tão distante, tão desconhecida, tão estranha quando vejo os desejos da geração atual a querer de volta a ditadura e de volta o impeachment.
Parece estranho colocar esses dois eventos em um mesmo balaio, coisa que particularmente evito. Mas, ao rolar minha barra no Facebook, é o que vejo. E são as redes sociais que me soam como diferencial entre uma época e outra.


Tendo uma repercussão muito maior que o esperado, as mensagens de Whatsapp que chamavam o povo às ruas no dia 15 de março não se mostrou nem de longe o caos esperado. Vi muito pouca gente, frente o número de vezes que recebi a tal mensagem - cansei de apagar, cansei mesmo. 
Mas era muita gente, com muita promoção midiática.
Não estou preocupado com o processo de enfrentamento - essa Montanha seria muito mais forte em outras circunstâncias. Soa-me perigoso, e é ao que estou atento, a ação perniciosa dos Ratos que dessa onda se apropriam.

Abraços a todos. E, quando eu for falar de política novamente, preferirei usar o Jardim. De Paus a Espadas, atravessemos o abismo.

domingo, 8 de março de 2015

Oito páginas de... Anjos.


Olá pessoal. Ao perceber que o Oito Páginas deste mês seria no Dia Internacional da Mulher - parabéns a todas as leitoras do Conversas Cartomânticas! -  pensei em todas as mulheres que já passaram pela minha vida mágica. Desde minha avó, que pôs o primeiro maço nas minhas mãos, passando por todas as mestras, amigas, ciganas, feiticeiras e clientes com as quais compartilhei minha jornada ou ofereci um alento e um vislumbre do porvir com minhas cartas.
Nesse processo, reencontrei meu segundo baralho, o Tarot dos Anjos, da Monica Buonfiglio. E com ele, nosso terceiro tema. Eu já havia retomado esse baralho com grande carinho após ver uma postagem da Lya Córdoba, que estava aposentando um dos seus, velhinho de uso e cheio de histórias, colocando-o em um belíssimo quadro.
Dificilmente encontramos material sobre os Anjos que não seja inspirado no trabalho de Monica Buonfiglio. A ela, nesse dia e em todos os demais, meus parabéns por ter aberto um horizonte de possibilidades para muitos de nós que começamos na década de noventa a trilhar um caminho cujo final ainda não nos é conhecido.
Para conhecer as obras da autora, clique aqui.
Ah, pessoal: a Copag está com uma promoção para o Dia da Mulher: 15% em toda a linha Tarô! Dentro da temática de hoje, conheçam o baralho Poder dos Anjos aqui.
Até o nosso próximo Oito Páginas!

EM TEMPO: Para os que professam o paganismo helênico, existe um texto bem confortante sobre a forma de entrarmos em contato com nosso Daimon. Aqui, no Sofá da Álex.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Oito Páginas de... Astrologia.


Continuando com nosso projeto, que está sendo um sucesso [obrigado, pessoal!], falaremos nesse mês sobre Astrologia. Depois do curso de Mandala Astrológica aplicada ao Tarô e ao Petit Lenormand, oferecido no Espaço Merkaba, tive uma série de questionamentos meus e dos participantes para sanar com a bibliografia específica. Evidentemente, temos muito a conversar sobre isso. 
Sabe de algum livro bom de Astrologia que foi importante na sua caminhada? Compartilha aqui conosco! Essa postagem será atualizada em função dos comentários.
Quer escolher o tema da nossa postagem do mês que vem? Comente aqui também!
Boa leitura, até mês que vem. 


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Oito Páginas de... Bibliografia.


Oito páginas. Despretensiosas, não tornam ninguém conhecedor ou especialista, mas permitem que possamos interagir adequadamente com o assunto. Quem nunca pegou, numa banca de jornal, aqueles resumões de matérias diversas? São esclarecedores para um leigo, assim como despertam naquele que pesquisa o desejo de ir um pouco mais a fundo. 
Durante os doze meses do ano, sempre no dia 8, teremos um texto elucidativo de algum tema da nossa prática. Evidentemente, ao final dos doze meses o plano é ter muito mais material do que ofereço agora, ou seja, essa blogagem é notadamente incompleta.
Tenho certeza de que a completaremos o melhor possível juntos. Em nossas tão tradicionais Conversas Cartomânticas. Aguardo suas considerações e feedbacks.
Abraços a todos e boa leitura.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Travesti!

I
[de catorze vestidos no armário]



Porque ele era ela, e ela era ele. E eles não deviam nada para ninguém.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Down... load.

I
[de XII horas vezes dia e noite que o dia tem.]



6:00
Não dormiu. O download não terminou. Internet lenta. Dez mega. Inúteis.

7:00
Celular desperta. Nem olha. Desliga. 
Não precisa despertar. Não dormiu.

8:00
Fecha a fresta do black-out. Luz demais distrai.

9:00
Toma o resto de café gelado na caneca. O que é aquilo? Era uma mosca no fundo?

10:00
Maldito download. Não termina.

11:00
Redes sociais. Precisa atualizá-las. 

12:00
Instagram. Fotos do quarto. Pontos estratégicos, devidamente preparados para tal. Muitos filtros. Muitos, mesmo.

13:00
Comer. Mas... Não. Melhor não.

14:00
Facebook. Haters gonna hate. Não são inteligentes o suficiente.
O cesto de lixo recende o fedor de excrementos.

15:00
Celular toca. Mãe. Não atende. Não entende.

16:00
Cinco dias. Quem diria, esse jogo está tão bom! É o melhor. 
Download talvez não termine por isso.



17:00
Cores se espalham pelo quarto. Não está certo, está escuro.

18:00
Silêncio. Dizem que é a hora do Angelus. 


[Epílogo: dias depois, 6:00]



O Sol nascera lindo. 
Não viu.
O féretro seguirá para o cemitério municipal as 9:00.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Covarde!

I
[de VI como os raios do sol numa fotografia de verão]


Fala comigo. Quero entender você, quero te ajudar. Por que você sumiu? Não atende minhas ligações, não responde meus emails, whatsapps, SMS', sinais de fumaça na porta da sua casa te esperei e você não me viu? Quero ser sua amiga, sua companheira, sua amante, sua namorada, sua verdade e seu destino para todo o sempre pois seremos felizes, eu sei. Não me perca tão fácil, porque eu sou difícil, viu? Eu não sou qualquer uma. E o fato de investir todo o meu tempo e toda a minha atenção em você é porque você aparentemente vale a pena e eu acredito que todo sonho tem que ser vivido até o fim. E minhas amigas viram no horóscopo de hoje que eu tinha que falar com você, porque senão nem falaria, você anda merecendo um gelo, mas eu gosto de você, abri exceção - melhor não contrariar os astros, né? Então, pensei que a gente poderia tomar um café, uma cerveja, o dia vai amainando e a gente pode trocar a cerveja por um vinho, na minha casa ou na sua? Na minha, pode ser, eu sei que você não gosta de receber ninguém, mas eu sou paciente e entendo. Mas fala comigo, você vai me encontrar, quer vir aqui? Aonde é que vamos nos ver? Eu só preciso de um tempo com você, preciso falar, te olhar nos olhos e ver que tua resposta não é mentira. A minha intuição é forte, teve uma moça que leu minhas mãos e disse. Não tem como me enganar, não adianta ser duas caras, falso porque eu vou saber, viu? Então não precisa mentir, eu sou forte, eu aguento. Mas que seja hoje, porque sabe como é, eu sou muito ocupada e foi difícil para mim achar um tempo pra te mandar um email, por isso aproveitei a deixa. Você quer ficar sozinho mas eu não tenho tempo. Não seja covarde, tá com medo do que? 

[Interlúdio]


domingo, 21 de dezembro de 2014

SORTEIO: Concorra a um Tarot Universal Dali [RESULTADO]

Olá pessoal! Vamos então ao resultado do sorteio, um dos sorteios que eu mais quis fazer aqui no Conversas Cartomânticas! Alguém vai começar o Ano da Justiça com uma ferramenta nova!
Os participantes são, por ordem de comentário:

01. Piter Monteiro
02. Andréa Lisboa
03. Rose Ragazzon
04. Gabriel Ochinsk
05. Ivana Mihanovich
06. Claudio do Espirito Santo
07. Rhadra Calache
08. Antonio de Oliveira
09. Osvaldo Feres
10. Maysa Rodrigues Franco
11. Regina Guigou
12. Lucia Sindoya
13. Bruna Siciliani
14. Isabel Catanio
15. Debora Cecacci
16. Cris do Tarot
17. Bruno Bazzoli
18. Edvaldo Moreira
19. Patricia Bandeira
20. Erika Uliana
21. Kamak Marinho
22. Carinah Ruiz
23. Dandara
24. Jeferson D. Oliveira Santos
25. Lilian Guedes
26. Henrique Félix
27. Angela Cristina

Tivemos um comentário anônimo, que por motivos óbvios, foi desconsiderado.
O primeiro sorteio não foi validado, porque o sorteado não cumpriu todos os requisitos.
Mas o segundo sorteio foi certinho!

E o grande ganhador foi...


Debora Ceccacci! Parabéns, Feiticeira, vai começar o ano com uma ferramenta nova! :) Favor entrar em contato por email para que eu possa enviar seu prêmio!

Queridos, muito obrigado por participarem. Tem muito mais coisas para compartilharmos por aqui, estejam atentos! Agradecimentos à COPAG que está sempre conosco nessa celebração pelo fim do ano.
Até a próxima! 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Louco!



I

[Bem, na verdade, nem isso.]

(...) 
Quarto almofadado camisa de força formando hematomas gritos gemidos risos voos remédios na veia lacerada lacerações no rosto cadê visitas? e não sei de mim e vou matar todos vocês e eu não sei se vou mais mas eu vou porque eu sou ruim mentira sou bom vou pro céu dos justos você não vai.
(...)


Interlúdio [entre colchetes como um sussurro]

[Só no Tarô que todo mundo quer ser louco, como se ser louco tivesse algum glamour. Tem?]

domingo, 14 de dezembro de 2014

Aposentando um baralho: a delicada experiência de Lya Cordoba.


Olá pessoal. Hoje fui surpreendido por imagens que deixaram meu coração com uma sensação de paz. Há dezenove anos, a Lya Córdoba - que esteve conosco por aqui falando sobre o Cavaleiro de Copas - trabalha com o Tarô dos Anjos, da Monica Buonfiglio. Esse é um baralho pelo qual tenho grande carinho, já que foi meu segundo, um presente da minha tia avó. Me acompanha há muito tempo também, e de vez em quando é com ele que eu converso. É um amigo querido, suave, delicado. A abordagem da Monica Buonfiglio, o jogo proposto, a experiência que tive com esse baralho... Lindas lembranças. 


Mas a ideia que a Lya teve foi tão bacana, tão sublime, que eu tive que compartilhar por aqui. Ao "aposentá-lo" - aposenta-se o material, mas como aposentar a experiência? - ela fez um quadro com as cartas. Um quadro lindo. 
E eu vi, na prática, algo que venho falando por aqui desde o começo do Conversas Cartomânticas: Gaste o seu baralho. Faça dele seu companheiro, não importa o tamanho da sua coleção. Ter um baralho que se confia, que se utiliza sempre, imprime no papel mais do que tinta. Imprime no papel a emoção do uso. Deixa de ser papel impresso e passa a ser o registro de experiências. Um silencioso diário que, ao ser tocado por mãos sensíveis, traz consigo toda a melodia do verbo expresso com suas páginas.
Nesse caso, quarenta e duas.

Obrigado pela experiência compartilhada, Lya. Você fez meu dia mais feliz.

E você leitor, tem fotos dos seus baralhos gastos pelo uso? Compartilha cá com a gente! Deixe-nos ver como sua história se imprimiu no seu baralho! Caso deseje, envie sua imagem com a sua história para emanueljsantos7@hotmail.com ou compartilhe na nossa página no Facebook.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Puta!



[I de II]


- Puta! Gritavam em silêncio os transeuntes ao verem-na passar, altiva por fora, destruída e escondida num canto qualquer dali de dentro.
Vadia, vagabunda, puta. Meretriz, rameira, dos ramos do Porto. Vestia vermelho, disfarce e mimetismo de boca e olhos, ora por drogas, ora por chorar por uma droga de vida. Ora sangue, ora sangre. Saliva e lágrima.


[Interlúdio]

Céu plúmbeo, ordenhado em seus relâmpagos por ventos impiedosos. Seria bom banhar-se de água leitosa, disfarce perfeito para mais um soluço. Ou vários. 

Ela via a Lua.




domingo, 7 de dezembro de 2014

PROMOÇÃO COPAG / Conversas Cartomânticas: Concorra a um Tarô Universal de Salvador Dalí.


Olá pessoal. A caminho do fim desse ano e já iniciando os preparativos para o Ano VI de Conversas Cartomânticas - que será um ano brilhante, me aguardem - teremos o sorteio deste ano, em parceria com a COPAG do Brasil: um dos baralhos mais cobiçados e mais lindos entre os contemporâneos, idealizado por Salvador Dalí para que sua esposa, Gala, pudesse ler em seus saraus [fonte]. O Tarô Universal de Salvador Dalí.


Pinturas se unem a colagens em uma abordagem identitária e singular. Tudo isso imerso em dourado. As imagens notadamente seguem o estilo proposto pelo Waite-Smith, mas as atribuições astrológicas estão em consonância com uma outra escola. Uma lógica pertencente apenas a esse baralho se delineia e se mostra aplicável. Um desafio dos mais prazerosos.


E você, leitor, tem a oportunidade de ter um desses para chamar de seu! Seguindo o modelo dos anos anteriores, para participar existem algumas regrinhas:

1. Curtir a página da COPAG e do Conversas Cartomânticas no Facebook, assim como ser seguidor do blog.
2. Deixar um comentário aqui nessa postagem, dizendo o que mais lhe atrai nesse baralho [na dúvida, dê uma olhada em todas as cartas], com seu nome completo e e-mail de contato.
3. Ter um endereço de entrega aqui no Brasil.

O sorteio será realizado no dia 21 de dezembro, pelo random.org.

Boa sorte a todos!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

TAROLOG: EU FUI, E EU IREI!


Olá pessoal. Eu ainda estou ruminando a série de eventos que vivenciei no Tarolog, que foi muito intenso para mim, como cartomante e como pessoa. Mas não posso deixar de agradecer, ainda que as conversas que teremos sobre o evento possam esperar. =)

Merkaba

Foi um evento magnífico. Uma série de pontos foram esclarecidos - ou levantados - que me darão inspiração para conversarmos por muito tempo. A prática online é o mote do evento, mas falamos sobre muito mais que isso.


Todas as palestras foram enriquecedoras, mas algumas em especial me marcaram. São assuntos que conversamos por aqui e que merecem maior acuro. Ver por outros olhos me levou evidentemente a mudar meu olhar sobre as questões.


Carlos Karan foi genial ao associar as Mil e Uma Noites ao atendimento online. A narrativa - pois toda leitura oracular é, na verdade, a leitura de uma história codificada em símbolos - me fez refletir muito sobre os limites que temos. Até onde podemos ir? Até onde é confortável para nosso cliente chegar? Como guiá-lo na jornada de uma forma sensível e humana? Como, sobretudo, manter o consulente como protagonista de sua própria vida, e não um títere na mão do destino que ora se revela?


Fiz uma pergunta ao Jaime Hales, que foi exatamente ao encontro do que eu considero verdadeiro - e olha, a gente se encontrar em perspectivas de pensamento diferentes é uma dádiva sem preço. O sr. Jaime utiliza a ordem proposta por A. E. Waite [Louco zero, Força oito, Justiça onze] para propor sua análise da personalidade, embasada em cálculos numerológicos. Dessa forma, o resultado obtido na análise proposta por ele será evidentemente diferente daquele obtido por alguém que se utilize do Marseille. Ele foi tácito: essa é a forma como ele analisa, não aberta a discussões. Funciona para ele assim, e assim está bom. A mão do cartomante é sempre soberana.


Rose Ragazzon simplesmente arrebentou com seus vinte minutos de explanação. Demonstrando experiência, vivência, estudo e prática com o Zigeuner Carten, fiquei completamente embasbacado, embevecido, com a palestra dela. Sem sombra de dúvida, uma das melhores, e quem viu com certeza ficou com vontade de fazer um curso com ela. Recomendo.  


Inegável, porém, que a reflexão que fui chamado a fazer e os efeitos que ela teve sobre mim foi impactante. Ao preceder Giordano Berti - de quem sou fã há muito tempo e tenho um carinho por ser quem é - vi-me na obrigação de refletir sobre a função da historiografia na cartomancia. Afinal de contas, para quê história se é só pegar as cartinhas e ir lendo igual tá no livretinho? Vamos além, vamos tocar num ponto que será axial nas nossas reflexões daqui por diante: como é que um baralho como o Petit Lenormand funciona tão bem, mesmo nas mãos de quem acredita que ele é uma síntese do aprendizado dos Ciganos em suas caminhadas pelo mundo? Como é que o Tarô funciona nas mãos de quem acredita que ele é uma síntese da sabedoria egípcia preservada por sacerdotes? Tenho algumas pulgas que guardei para colocar atrás de nossas orelhas, em nossas conversas.


Nesse momento, o que nos importa saber é: quanto mais da história de um baralho entendermos, maior será nosso vocabulário no trato com ele. Maior será nossa habilidade de resolver nós interpretativos, e, evidentemente, maior será nosso acuro na leitura oracular.
Tive a oportunidade de conversar um bocado com o Giordano - uma honra, e uma sorte! - e dessas Conversas Cartomânticas muito, mas muito mesmo, vai emergir nesse nosso ano VI. 


Não vou me estender muito, porque eu estava esperando todo mundo postar as melhores fotos ruminando o evento para escrever. Mas temos muito a conversar!!!

Agradecimentos a Laya, idealizadora e mantenedora do evento, a Nivia Peggion e Michele Sullam, minhas meninas dos olhos; à equipe Merkaba, à equipe Amor, o Próprio e, claro, a ti, Giordano Berti. 

Conversaremos mais, pessoal. Temos muito a dizer, ainda. 



domingo, 30 de novembro de 2014

Conexões.


Olá pessoal. Eu não sei quanto a vocês, mas eu dou muita atenção aos meus sonhos. Normalmente, eles acontecem, então aprendi na prática que não é bom deixar de lado seus augúrios. Na verdade, são anos estudando o padrão que assumem e, como se trata de um ato de mim para mim, anos de padronização das sinapses do meu sonhar. Dependendo das atitudes que todo e dos cenários em que estou, é certo o augúrio, eu só preciso esperar.
Nessa noite, em especial, eu sonhei com uma conversa. Estava em um jantar, com um tarólogo influente em minha formação. Conversávamos sobre a aplicabilidade e efetividade de feitiços. Em determinado momento, diz ele: "eu não tenho problemas em jogar Tarô quando não estou com vontade. Faço o que tenho de fazer, e pronto."
Eu lhe respondi: "Quando você liga um ventilador na tomada, você não o liga pela metade. Se funciona para a eletricidade, deve funcionar para a magia também."

Conexões. Fundamentais para todos os nossos processos neurais. Sinapses. Elos. Correlações. Somos seres associativos, e reagimos às influências ambientais de acordo com o vocabulário associativo que possuímos internamente. Não poderia ser diferente com a divinação. Todos os "brancos" e "engasgos" que temos durante uma leitura decorrem de ausência de referencial sobre aquele assunto - ou sobre aquela carta. Por vezes, os equívocos associativos decorrem inclusive daquilo que temos por referencial para nossa própria vida. Todos limites, quando as possibilidades de interpretação de um baralho são infinitas em sua própria finitude - é só um maço de cartas, afinal. Mas nele reside todo o potencial do mundo. 
Abraços a todos.

sábado, 1 de novembro de 2014

Magia, Tarô/Cartomancia, eletricidade e método científico.

Dizer que algo não é possível com o Tarô – ou com qualquer outro instrumento psíquico – é uma falácia usual. Circunscrita [com ressalvas] sua área de atuação em divinações e perspectivas terapêuticas, vejo soar improvável a perspectiva de utilização da ferramenta na magia ritual ou mesmo em práticas não usuais, como contato com outros planos. Não é porque algo não funciona para você que esse algo não funcione, oras. É como afirmar que lentes de contato não funcionam só porque você não tem um problema de vista que se corrija com lentes.
O problema não está nas lentes. O problema não está nos seus olhos. A relação entre um e outro é que é problemática.
Em termos de magia – que nada mais é que uma grande metáfora da criação aplicada num plano menor – o Tarô é um instrumento como outro qualquer. Vai funcionar para uns, não irá para os demais passar de um instrumento de adivinhação, e ainda terão aqueles que verão ali só um baralho diferente. Todos estão certos, nem todos experimentarão a melhor parte da brincadeira, mas... quem disse que tem que ter a melhor parte para ficar satisfeito?
Uma dos programas mais bacanas da minha infância era o Mundo de Beakman. Nesse programa, eram feitas, entre outras coisas, uma série de experiências passíveis de serem reproduzidas em casa. Um desses episódios falou sobre o método científico, tendo por referência a eletricidade. 

sdds, Mundo de Beakman.
Resumindo, o acender da lâmpada, a corrente que segue, não é devido à água. Não é o sal. Não é a bateria. Não é a lâmpada. Nem os fios.
O efeito é resultado da combinação de todas essas causas. Bingo. E a água salgada, em especial, é a condutora pela combinação de seus elementos. Bingo, de novo.
Embora o fenômeno elétrico possa ser compreendido à luz das explicações que temos hoje, ela não passou a funcionar porque teve uma explicação, e nem passou a ser interessante por ter uma explicação. Ela foi testada sem entendimento, utilizada e nos testes a explicação se mostrou. Consequência, não causa.
É assim também com a magia. Não faço ideia dos motivos pelos quais a magia funciona. Sei que funciona. Utilizo porque funciona. E testo meus padrões de análise dos efeitos, mensurando os resultados obtidos, mantendo registro do que me foi útil, retificando o restante.

Mas... E quando ela não funciona? 
E para quem ela não funciona?
Significa que ela não existe?

Revejamos nossos conceitos sobre a prática, sobretudo sobre a prática dos outros. Não é porque algo é teu limite que será limite do outro. Mas você só saberá quais são os seus limites... Se você for até o limite. 
Como eu não acredito em coincidências, enquanto buscava a referência para esse texto encontrei essa imagem. Ela resume tudo.



Abraços a todos. E testem seus limites. E atenham-se unicamente a eles. 
São seus limites que dizem quem vocês são.

P.S.: Relendo o texto, percebo que ficou faltando uma ressalva. Eu digo para você testar, você praticar, você ir ao seu limite. Você.

Procurar uma pessoa para efetuar tais viagens em seu nome é outra história. 
Na magia, é sempre melhor seguir os próprios conselhos.

E também não estou dizendo que só porque não posso fazer algo, que esse algo será possível de ser feito. Em magia, quanto mais andamos, mais próximos dos nossos limites estamos. Isso inclui o limite do provável. Na dúvida, aceito o desafio de estar errado - se é provado que estava errado, meus limites se ampliam. 
Ninguém perde por ter limites flexíveis. A perda está em cravar dogmas na pedra. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

III Mesa Redonda de Cartas Ciganas: Eu fui... E eu irei!


Olá pessoal. Acabo de retornar do Rio, onde tive a grata oportunidade de reencontrar queridos e pensar junto questões pertinentes à teoria e prática do Petit Lenormand. Uma das vantagens de participar de eventos como esse é justamente questionar como anda a prática até o momento, e desenvolver novos olhares a partir da experiência dos meus colegas. Como num piquenique, cada um trouxe um acepipe que deglutimos à profusão. Nesse caso, gula é uma virtude! 


Equipe reunida

Ismenia falou-nos sobre a prosperidade. E uma das coisas que mais me marcou em sua fala foi sobre a relação entre Lakshimi [Senhora da Prosperidade] e Sarasvati [Senhora da Sabedoria]: se louvamos uma demais, sem dar atenção à outra, a Deusa preterida fica enciumada e temos problemas com sua área de atuação. Busquemos a sabedoria, não descuidemos de nossa prosperidade. Genial pensar no caráter holístico dessa colocação. Inevitável verificarmos a distância, na Mesa Real, entre um aspecto e outro, a partir dessa análise.


Chris Wolf falou-nos sobre as dádivas da carta 09 e todo o processo socio-histórico ligado ao uso e costume do Ramalhete. Sendo quem é - uma aromaterapeuta sem igual, cujo trabalho não só é recomendado, como referencial [conheça o Alma da Terra. É pura magia. Nada do que eu possa dizer é superior à experiência de utilizar um desses produtos feitos com tamanho acuro na escolha dos aromas e combinação de elementos], saímos mais perfumados de sua fala. E ficou uma questão subjetiva nessa palestra: como nos relacionamos com os elementos do baralho que sobreviveram à mudança dos usos e costumes?

Dalila falou-nos da Casa, a partir da sua experiência como arquiteta e o quanto sua profissão lhe levou a questionar os âmbitos dessa carta. Há limites naquilo que amamos - estamos tão imersos que não vemos horizontes com facilidade. E desta palestra, ficou-nos o questionamento: como podemos, a partir da nossa experiência, ampliar ou restringir o caminho de uma carta nas combinações possíveis? Como podemos, a partir das palavras-chave, aprofundarmo-nos no universo singular de cada uma dessas lâminas, sem perdermo-nos em suas possibilidades, deixando, assim, o oráculo no limiar da ineficácia?

Adriana falou-nos da comunicação, da vivência da carta 27. E, no processo vivencial que se seguiu - recebemos uma carta do baralho de Dona Maria Mulambo, canalizado por Sonia Boechat Salema, e deveríamos escrever uma carta para nós mesmos sobre o assunto ali descrito - eu recebi, justamente, a Carta. Curioso, não? Um universo se descortina para nós, meus queridos leitores. Me aguardem, sem medo. :)

Nunca mais veremos a carta 23 da mesma forma :)

Julia falou-nos sobre o Rato, e, particularmente, saio das palestras da Julia com um nó no cérebro. Um nó bom, que vou desfazendo com prazer enquanto entendo meandros não visitados das cartas encardidas do baralho. Ela tem a singular habilidade de, a partir de conexões claras entre os significados clássicos e a psicologia, deixar-nos com uma visão completamente diferenciada das cartas tidas como ruins. Elas não perdem seu peso, mas recuperam sua função. Deixam de ser indesejadas sine qua non e passam a ser entendidas, ainda que permaneçam indesejadas [eu, hein!].


Tato... Ah, Tato. Tato é um querido que expôs para nós parte da sua jornada pelos caminhos da espiritualidade. Foi um dos momentos mais tocantes do evento, quando participamos da vivência proposta por ele. Lágrimas e mais lágrimas, de gratidão e experiência.



Chega então a palestra de Katja Bastos. Encontrar o casal Bastos é sempre uma honra e um reconhecimento para mim. Tive a oportunidade de conversar um bocado com ambos, e muita coisa fez sentido. É maravilhoso quando nos reconhecemos nos outros. E nesse caso, que reconhecimento mais honrado e mais maravilhoso. Estar com a Katja é estar em casa.
Um dos pontos altos de sua fala foi o fato de que ela considera o oráculo um resgate. Aconselhar, oferecer luz e esclarecimento para as situações que o consulente traz, é curar partes de nós que buscaram esse mesmo alento, é perdoar a si mesmo pelas vezes em que deixou-se esvair a oportunidade de ser uma pessoa melhor.



Ao fim de sua palestra, à exemplo de Adriana, Katja ofereceu-nos uma carta e interpretou, uma a uma [confira no vídeo acima]. A mim coube a Montanha. Kaô, Kabecilê.
Nem preciso dizer o quanto que sua fala me tocou. 


Eu sou suspeitaço para falar do Alexsander. Rasgo seda de cima abaixo. Nesse caso, algodão :) Um aprofundamento numa das cartas mais belas e desejadas do baralho, com toda uma visão histórica, iconográfica e hagiográfica, desmistificando possíveis significados agregados pelo tempo, não pela imagem. Novas palavras-chave se delineiam, a partir de uma leitura acurada: se o Ramalhete é uma dádiva, o Lírio é um milagre.
Pensa rápido.


Victor trouxe-nos uma visão muito precisa e direcionada do processo de obsessão e dos contatos e conexões entre este e o outro mundo, demonstrando acuro, comprometimento e conhecimento do tema. Te cuida, Constantine! :)

Falar de Sonia Boechat, para mim, é falar de parte do meu coração que bate em outro peito. Até mesmo nossos temas, esse ano, mantiveram um diálogo tão integrado que praticamente falamos as mesmas coisas, em aspectos micro e macro. Afinal de contas, uma Mesa Real é nada mais nada menos que 12 combinações de 3 cartas, sem se repetir :) . É sempre um deleite ouvir essa Cigana de presença marcante. Qualquer tempo com ela é tempo que vale a pena. É dar sentido à jornada.
Um dos pontos altos da sua palestra foi a questão da carta oculta. À exemplo dos pitacos que vemos em diversos grupos no Facebook, vemos, sobretudo quando a interpretação da combinação de cartas à frente não agrada o leitor. Lembra quando éramos crianças e, não contentes com o resultado de um certame, pedíamos a neguinha? Pois bem, agora o tal pedido é pela tal da carta oculta. Tenha paciência, dó ou o que quer que seja. Um jogo funciona pelo limite oferecido pelo método, diluir esse limite para aproximar-se de algo palatável não faz o prognóstico melhor. 


De mãos dadas com a Sonia, atento aos limites da interpretação, falei sobre a Mesa Real, a leitura das colunas e das linhas. De forma vivencial, abri uma Mesa no chão [à maneira do ano passado, quando falei dos naipes. Estou ficando especialista nisso! Vamos pro chão, minha gente! :) ] e fomos, participantes e eu, delineando que conselhos seriam possíveis a partir das relações entre Carta Diagnóstico e Carta Testemunha na Mesa Real. Foi extremamente gratificante perceber que o que eu vivencio ecoou no coração dos participantes. E isso me tocou a ponto de reconhecer que precisamos conversar mais sobre isso por aqui.

Luqiam fechou o evento deleitando-nos com uma leitura do Urso a partir de seus hábitos e comportamento, das suas relações com os homens e com o habitat. Um universo de perspectivas adveio daí. E irão dar pano para manga por aqui. :)

Percebam o quanto esse evento é amplo. Teoria, prática, vivência, experiência. Tudo junto, misturado e suavemente concedido no tom de voz de quem está numa Conversa Cartomântica. Com esse pessoal, eu estou em casa.



Gostaria de agradecer aqui à idealizadora do evento e mantenedora desta egrégora, Tânia Durão [Finalmente tivemos tempo de cuidarmo-nos, não foi? :)] Se não fosse seus esforços, sua capacidade de estar no 220 o tempo todo, não teríamos essa sensação tão forte de pertencimento e gratidão. E, a cada evento, mensuro como estou e me preparo para oferecer mais no ano seguinte. Me aguardem!



Quero agradecer também a todos os participantes. Todos aqueles que confiaram na proposta e estiveram conosco nessa jornada. A cada evento, vamos mais longe, mais fundo, mais para dentro do oráculo, da teoria, da prática, da vivência. Aguardamos vocês no próximo, em junho!



E já temos webnário marcado! Dia 8 de novembro, teremos as informações pertinentes sobre a a agenda do Cartas Ciganas! Estamos juntos!



Abraços a todos. Até o próximo evento, a próxima viagem, o próximo estudo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

III Mesa Redonda de Cartas Ciganas: EU VOU!


Olá pessoal. Já estou na contagem regressiva para minha chegada no Rio de Janeiro - ansiedade define. Estarei, nesse sábado, entre alguns dos mais importantes exponentes da cartomancia com o Petit Lenormand no Brasil. Será um dia intenso de vivência e experiência compartilhada no trato com as cartas. Algo único. 
Estarei dissertando sobre a Mesa Real - também conhecida como Grand Tableau - e suas possibilidades. São doze anos de prática, à disposição dos participantes.
O que é um método? Qual é a funcionalidade de um método? Como utilizar a Mesa Real, conforme proposta por Katja e Cesar Bastos em seu Tarô Cigano? [ à propósito, Katja Bastos estará entre nós!]
Como ler as linhas e colunas e propor atribuições? Como prever o tempo, a partir da Carta Testemunha? Tudo isso e muito mais veremos em minha palestra. 
Além disso, terei oito livros Conversas Cartomânticas: da escolha do baralho ao encerramento da consulta à venda (os demais já foram reservados). Autografarei os que forem adquiridos no evento.
Aguardo vocês lá. Será um prazer batermos um papo, termos uma Conversa, sempre Cartomântica.
Abraços a todos, e cobrarei cada abraço pessoalmente. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

TAROLOG 2014: eu vou!


Olá pessoal. Ano passado, tivemos um divisor de águas no que concerne aos eventos de Tarô. Um evento voltado exclusivamente para o universo que permeia o atendimento online, produzido por pessoas que são referência há anos no seguimento. Como não poderia deixar de ser - time que está ganhando se mexe sim, se melhora! - este ano contamos com um evento surpreendentemente melhor que o anterior, ainda que eu, particularmente, pensasse que não fosse possível. Mas, para meu prazer, temos o Tarolog 2014, superando todas as expectativas.


Gostaria de pontuar algo que foi uma grata surpresa para mim: Giordano Berti, um dos mais célebres pesquisadores do Tarô, estará nos visitando, agraciando-nos com uma palestra no Tarolog e dois cursos - em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ele já esteve aqui conosco, no Conversas Cartomânticas, falando sobre Os Enamorados. Estou ansioso por conhecê-lo e haurir de sua sabedoria in loco. E sugiro que você também o faça!


Outro ponto a ser considerado é que o Giordano trará consigo o Sola-Busca Tarot - fundamental para qualquer oraculista que se norteie pela história do baralho, em especial os praticantes de cartomancia com o Waite-Smith. Imagine, o Sola Busca em suas mãos sem as taxas de importação e autografado pelo pesquisador que mais se debruçou sobre os mistérios desse baralho. Tentador, não?
Além da Sola-Busca Tarot - que já está na minha wishlist há tempos -  Giordano Berti tem uma surpresa maravilhosa para nós!

Um baralho de Tarot, marselhês, datado de 1828, incrivelmente bonito, reproduzido em escala limitada, será apresentado pela primeira vez no mundo em São Paulo do Brasil, durante Tarolog Brasil 2014. E vocês acham que eu vou perder isso? E vocês acham justo vocês perderem isso?
Estamos com um time de feras nesse evento, e tenho o prazer de conhecer [e recomendar o trabalho] da maior parte deles. Vou ao evento conhecer os demais e aprender com eles. Afinal de contas, o que precisamos, em termos de atendimento online, é de prática, e termos professores desse gabarito acelera o processo de ascensão profissional, eu lhes asseguro.

Aguardo vocês por lá, para um bate papo, uma Conversa, sempre Cartomântica.

Abraços a todos, até novembro.