quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 37. Hermann disserta sobre Astrologia e Lenormand: Um diálogo possível?



Olá pessoal. Esse é, sem sombra de dúvidas, um dos artigos mais lúcidos que li sobre o tema. Sem mais a dizer, deixo-os na excelente companhia de Hermann.

Lenormand e AstrologiaPode misturar?

Se o baralho Lenormand foi criado por um alemão como um jogo de diversão podemos dizer que sim, podemos misturar, já que é para diversão, não? Mas se ele foi criado por uma francesa envolvida com ciganos, sociedades esotéricas secretas, kabbalah, tarot, oráculos diversos e a própria astrologia, é óbvio que podemos misturar tudo!

Os Decanatos

Duvido que alguém que já tenha ouvido falar dos 36 decanatos do zodíaco não tenha pensado “ahhh esse baralho também tem 36 cartas!”. Já vi um baralho bem velhinho com os decanatos anotados no canto das cartas, começando com o 1º decanato de Áries na carta 01 (Cavaleiro) e terminando com o 3º decanato de Peixes na carta 36 (Cruz). 

Faz sentido? As 3 primeiras cartas (o Cavaleiro, o Trevo e o Navio) mostram a coragem, a ousadia, a impaciência e a impulsividade de Áries? As 3 últimas cartas (os Peixes, a Âncora e a Cruz) mostram a espiritualidade, a intuição e o escapismo de Peixes? Precisaria de muito estudo que daria um livro, pois teríamos que analisar todos os pontos positivos e negativos de cada signo e de cada carta. Um ariano não é igual o outro, ele tem pontos positivos e negativos que podem ser analisados em seu mapa astral. Da mesma forma a carta 01 pode ter infinitos significados quando fazemos perguntas diferentes e colocamos ela ao lado das outras 35 cartas.

Casas, Signos e Corpos Celestes

Além dessa possibilidade de associar as cartas aos decanatos podemos associar cada carta a um signo, uma casa astrológica e um corpo celeste. Existem alguns baralhos que vem com os símbolos astrológicos (glifos) impressos nas cartas. Um deles é o alemão Lenormand Wahrsagekarten Mit Astrologischen Symbolen, de Hildegard Leiding. Outro também alemão é o Golden Lenormand, de Marcela Sulzmann. Outro pouco conhecido é o russo de Vitaliy Zaychenko, Виталий Зайченко. E o mais famoso é o suíço Mystisches Lenormand, de Regula Elizabeth Fiechter, publicado por AGMüller-Königsfurt-Urania e distribuído nos EUA pela USGames com o nome de Mystical Lenormand.

O Mystisches tem uma arte única, amada por muitos e odiada por alguns, criada pelo artista Urban Trösch. Cada carta mostra uma janela diferente para um mundo místico e nela podemos ver uma cena representando um símbolo tradicional do Lenormand. Como a proposta é um mundo místico, o artista adicionou outros símbolos além do tradicional, além de pelo menos um animal em cada carta. Mas voltando para a Astrologia, nesse baralho o glifo aparece no canto superior direito, enquanto o número da carta no canto superior esquerdo.

Das 36 cartas, 12 ficaram sendo as 12 casas do zodíaco, outras 12 ficaram com os 12 signos e as restantes com o Sol, a Lua e outros corpos celestes. 


As Casas Astrológicas

Na Astrologia as 12 casas regem todas as áreas da vida e, num mapa astral, mostram onde a energia está. 

A Casa I representa você, seu ascendente, sua ambição e impulso. É representada pela carta 15 (Urso), que tem em um de seus significados o poder. 

A Casa II rege os ganhos e perdas materiais e atitudes financeiras em geral. É representada pela cata 23 (Ratos), que além de ter uma fama negativa de perda, também reflete a conquista se olharmos pelo ponto de vista dos ratinhos. Perdas de um lado, ganhos de outro.

A Casa III rege todas as formas de comunicação. É, obviamente, representada pela carta 27 (Carta).

A Casa IV  rege a família e o lar. No Lenormand temos a carta 4 (Casa) exatamente para esse significado.

A Casa V rege a diversão, criatividade, filhos. Por isso é representada pela carta 13 (Crianças).

A Casa VI rege o trabalho, carreira e atitudes profissionais. É representada pela carta 35 (Âncora). Essa carta tem significados diferentes dependendo do país, mas nos de língua alemã seu significado é o trabalho. É só pensar que a âncora é o que mantém o navio no chão, no mundo material e o trabalho é onde você consegue dinheiro para viver na matéria.

A Casa VII rege as parcerias e relacionamentos amorosos. É representada pela carta 24 (Coração). Aqui temos que ver o “coração” de forma neutra, pois pode ser tanto para amar quanto para odiar.

A Casa VIII, entre outras coisas, rege as perdas, transformações e “mortes” emocionais. É representada pela a carta 08 (Caixão).

A Casa IX rege muitas coisas como espiritualidade, educação, filosofia de vida, mas tudo relacionado com o buscar, por isso também é relacionada com viagens e longas distancias.  É representada pela carta 03 (Navio) tanto pelo buscar quanto pelas viagens.

A Casa X rege o reconhecimento, prestigio, status público e a sociedade. É representada pela carta 20 (Jardim), que nos países de língua alemã significa pessoas e sociedades.

A Casa XI rege as amizades e organizações. Não poderia deixar de ser representada pela carta do amigo, a carta 18 (Cão).

Finalmente a Casa XII rege o íntimo, o subconsciente, a intuição e o espiritual. É representada pela carta 36 (Cruz). A Cruz geralmente só é analisada de forma negativa, como sendo um peso e um carma negativo, mas pode ser vista simplesmente como espiritualidade ou carma, que se é positivo ou negativo vai depender do contexto. 



Os Signos

Sabendo um pouco sobre as 12 casas fica mais fácil! Sobre os 12 signos todo mundo sabe um pouco, principalmente as partes positivas sobre si e as negativas que tanto critica nas outras pessoas.

12 Signos:
Áries: Carta 17 (Cegonha)
Touro: Carta 25 (Anel)
Gêmeos: Carta 34 (Peixes)
Câncer: Carta 32 (Lua)
Leão: Carta 31 (Sol)
Virgem: Carta 05 (Árvore)
Libra: Carta 22 (Caminhos)
Escorpião: Carta 07 (Serpente)
Sagitário: Carta 02 (Trevo)
Capricórnio: Carta 21 (Montanha)
Aquário: Carta 16 (Estrelas)
Peixes: Carta 26 (Livro)

Os Corpos Celestes 

O baralho Lenormand, assim como o Tarot, tem 3 cartas “astrológicas”, a carta 16 das Estrelas, a carta 31 do Sol e a carta 32 da Lua. Sendo o Sol regente do signo de Leão, a carta 31 se encaixa perfeitamente para esse signo. O mesmo acontece com a Lua que rege o signo de Câncer, e este é o signo da carta 32. Já a carta 16 representa o visionário signo de Aquário.

O Sol é representado pela carta 33 (Chave), que simboliza uma energia masculina de recursos e realização. Já a Lua é representada pela carta 30 (Lírios) que simboliza uma energia feminina de amor e espiritualidade.

12 Corpos Celestes:
Sol: Carta 33 (Chave)
Mercúrio: Carta 01 (Cavaleiro)
Vênus: Carta 29 (Mulher)
Lua: Carta 30 (Lírios)
Marte: Carta 28 (Homem)
Júpiter: Carta 09 (Flores)
Saturno: Carta 19 (Torre)
Urano: Carta 12 (Pássaros/Corujas)
Netuno: Carta 06 (Nuvens)
Plutão: Carta 14 (Raposa)
Kiron: Carta 10 (Foice)
Lilith: Carta 11 (Chicote)

Praticando com Leituras

Concordando ou não com as atribuições feitas pela autora do Mystisches Lenormand ou dos outros 2 baralhos citados anteriormente o importante é ter jogos práticos relacionando o significado das cartas com a Astrologia. Afinal essa mistura toda tem que responder algo e não apenas criar discussões. 

Uma maneira muito eficaz é dispor uma carta para cada casa astrológica, que pode ser utilizada mensalmente ou até semanalmente, pois na atualidade as coisas mudam muito rápido e a sorte está jogada ao vento!

Com os conceitos básicos das casas em mente ao embaralhar, é só tirar 12 cartas, uma carta para cada casa, ou até mesmo utilizar todas as 36 cartas, 3 para cada casa. Simplesmente corte o baralho e tire as cartas ou vai “pescando” aleatoriamente do monte. Lembrando que esse é um jogo que vai analisar o presente, ou seja, como estão as energias da sua vida divididas nas 12 casas.

Não é necessário utilizar o Mystisches Lenormand para essa leitura. É possível marcar os glifos em um baralho já velhinho ou em cartas de baralho comum, também marcadas com o número das cartas Lenormand. É um método muito bom pra estudar!

Agora é analisar! Cada um tem seu jeito para fazer leituras. Não importa se você usa uma toalha de determinada cor, vela, incenso ou uma imagem que te ajude a se concentrar. Para essa análise é aconselhável um bom chocolate e uma caixa de lenços.

Quando a carta correspondente da casa aparecer sobre ela, é possível interpretar que as energias da casa estão equilibradas. Se forem utilizadas 3 cartas para cada casa, essa carta que representa a casa pode ser ignorada e a interpretação se dará com as outras 2. Por exemplo, na casa VII saíram as cartas 24 (Coração), 14 (Raposa) e 23 (Ratos), ignore a carta 24 e interprete somente as cartas 14 e 23, no caso dessa casa, para os relacionamentos amorosos. Chocolate e lenços em ação!!!

A casa I, sendo a casa do ascendente, pode ser interpretada como as principais energias atuando em toda a leitura. Por exemplo, saíram as cartas 01 (Cavaleiro), 31 (Sol) e 33 (Chave), pode ser uma confirmação de que mesmo que outras casas estejam desequilibradas, você tem a coragem, força e recursos para se reequilibrar.

Com um mapa astral em mãos as interpretações podem ser direcionadas para os pontos mais críticos. Um exemplo pode ser a dificuldade de comunicação, que nesse caso deve ser analisadas com mais cuidado as cartas na casa III, mas sem esquecer dos potenciais mostrados na casa I, e se for comunicação entre família a casa IV, trabalho a casa VI, amor a VII e assim por diante. 

Veja um mapa astral como a planta de uma casa. A sua casa pode ter ambientes bem planejados e outros com alguns problemas que podem ser solucionados com uma boa decoração. As cartas Lenormand seriam as sugestões de decoração. De tempos em tempos elas vão te mostrar o que está atrapalhando, ajudando e aconselhando o que mudar de lugar.

Os Naipes

Mas se você não quer saber de casas astrológicas e muito menos de planetas, ainda é possível colocar um pouco de Astrologia no seu baralho clássico com naipes. Para isso é só separar as 12 cartas da “corte”, os Valetes, as Damas e os Reis. Essas 12 cartas serão os 12 signos do zodíaco.

O naipe de Paus ficaria representando os signos de Fogo; Sagitário, Leão e Áries. Os mais ativos, extrovertidos, auto-confiantes e líderes. O naipe de Ouros ficaria representando os signos de Terra; Virgem, Touro e Capricórnio. Os mais estáveis, realistas e práticos. O naipe de Espadas ficaria representando os signos de Ar; Gêmeos, Aquário e Libra. Os mais mentais e intelectuais. O naipe de Copas ficaria representando os signos de Água; Peixes, Escorpião e Câncer. Os mais emocionais, sensíveis e psíquicos.

Podemos usar os 4 Valetes para os 4 signos mutáveis, as 4 Damas para os 4 signos fixos e os 4 Reis para os 4 signos cardinais. Os signos mutáveis são os mais confortáveis com as mudanças e se adaptam facilmente (Sagitário, Virgem, Gêmeos e Peixes). Os signos fixos são os mais teimosos e só gostam de mudanças iniciadas por eles (Leão, Touro, Aquário e Escorpião). Já os signos cardinais são automotivados e gostam de tudo que é novo (Áries, Capricórnio, Libra e Câncer).


Paus 
Valete: Sagitário
Rainha: Leão
Rei: Áries


Ouros
Valete: Virgem 
Rainha: Touro
Rei: Capricórnio


Espadas
Valete: Gêmeos
Rainha: Aquário
Rei: Libra


Copas
Valete: Peixes 
Rainha: Escorpião
Rei: Câncer

Os 12 glifos podem ser escritos em algum canto da carta ou ao lado das figuras, e dessa forma ajudar a identificar rapidamente os signos. Numa leitura em que a pergunta for sobre a personalidade de alguém, essa informação pode ser muito útil! É possível usar inicialmente somente essas 12 cartas focando apenas nos signos e depois o baralho completo focando nos símbolos originais do Lenormand. 

Para quem gosta de fazer previsões de tempo também é uma boa saída! Cada umas dessas 12 cartas seria o mês do signo. Seria útil ter em mão o calendário astrológico que começa com Áries e e termina em Peixes, por volta de em 20 de março, dependendo do ano.

Conclusões

É muito difícil chegar a uma conclusão quando o tema é Lenormand, ainda mais misturado com Astrologia. São temas muito complexos que podem ter a interpretação totalmente alterada por causa de um detalhe no mapa astral ou por uma cartinha em determinada posição. São muitos os pontos de vista e as possibilidades de interpretação são infinitas.

Um ponto de vista diferente é para somar, mesmo sem trazer a astrologia em 100% de suas leituras, não marcar os glifos em seus baralhos, muitos menos usar o Mystisches ou outro baralho com os glifos já impressos. É para, em um momento que você menos espera, lembrar daquilo que leu naquele blog famoso ou naquele outro que nem se lembra o nome. Lembrar daquilo que o conhecido do seu amigo daquele grupo comentou e você achou sem o menor sentido naquele momento. Talvez agora, aquele comentário se encaixe na situação que apareceu na sua leitura. E é exatamente isso que torna o baralho Lenormand sensacional!

Nota 1: A origem do baralho Lenormand não é o foco. Não é afirmado se o baralho foi criado pela Mlle Lenormand ou pelo alemão Johan Kaspar Hechtel. Atualmente outras possíveis origens são questionadas.

Nota 2: As associações astrológicas descritas foram baseadas no "Mystisches Lenormand" publicado por AGMüller-Känigsfurt-Urania, por ser o baralho com glifos impressos mais acessível. Outras associações são perfeitamente possíveis.

Nota 3: Nas imagens com os naipes foi utilizado o baralho de estilo Dondorf, publicado por AGMüller-Känigsfurt-Urania, com o nome "Lenormand Orakelspielkarten mit Kartenbildern".

domingo, 10 de agosto de 2014

Curso de Petit Lenormand no Espaço Merkaba: uma experiência inesquecível.

Olá pessoal. Demorei para escrever, sim, porque demorei para acalmar o coração. Ainda acelerado com tanta emoção e informação partilhada! Tudo começou com...


... E foi com esse hangout que uma história muito bacana iniciou-se. Uma parceria cujos frutos estão ainda em maturação. 


Desnecessário dizer que o curso foi um sucesso. Necessário é, por conseguinte, pontuar os motivos pelos quais foi (o que, inclusive, vai gerar temas para postagens futuras. Aguardem!)
O Espaço Merkaba é fantástico. Sem sombra de dúvidas, garante um apoio ao ministrante e aos alunos como eu nunca vi em anos de Cartomancia - e olha que eu já andei bastante por aí. Tive todo o suporte necessário, e toda a tranquilidade em oferecer suporte aos participantes. O que por si só já garantiria a minha felicidade no processo. Mas claro que teve mais. 
Primeiro dia de curso: Teoria.

Segundo dia de curso: Prática.

A turma foi estupenda, nos dois dias de aula. Com muita desenvoltura, conseguimos juntos atentar para todos os temas importantes e lograrmos êxito na nossa proposta: interpretarmos uma Mesa Real sem sabermos o motivo pelo qual o consulente decidiu consultar-se.




Como de costume, levei uma pequena coleção de baralhos para pontuarmos, juntos, as diferenças, semelhanças e singularidades de cada baralho, tendo como referência o Baralho para Ver a Sorte, da COPAG, material de nosso estudo. Cabe agradecer à empresa por ter confiado no meu trabalho e concedido o material utilizado para as aulas. A partir do Baralho para Ver a Sorte, pontuamos, carta a carta, todas as possibilidades mensuráveis de interpretação. 


Com tranquilidade, pudemos também verticalizar rapidamente as questões pertinentes aos naipes do Petit Lenormand.




Na nossa aula de prática, todos os participantes puderam reconhecer os padrões e possibilidades da Mesa Real, contando comigo para sanar dúvidas (que foram muito poucas e pontuais - turma muito fera, boa de serviço!)


E para fechar com chave de ouro, o sorteio prometido, de um Gilded Reverie Lenormand (USGames)!

Sem palavras para agradecer a equipe do Espaço Merkaba, que foram muito mais que amigos. Sem palavras para agradecer a turma desse curso. Voltei reenergizado, com a certeza de que temos muito mais a compartilhar e vivenciar nesse universo de experiências que é o Petit Lenormand.

Brevemente tem mais! Para quem já conhece razoavelmente as cartas, teremos, nos dias 27 e 28 de setembro, o segundo módulo do curso de Petit Lenormand, onde nos focaremos nos naipes. Com eles, somos capazes de antever tendências específicas, além de localizar temporalmente as previsões com muito mais eficácia. Você não pode perder!


Um abraço, nos encontramos lá, no Espaço Merkaba!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

VIDEO: Decifrando o passado - o segredo das cartas de baralho.

Olá pessoal. Eu já vi esse documentário algumas vezes, mas sempre vale ver de novo. Didático e objetivo, além de bastante lúdico. Aproveitem.



Decifrando o Passado - O Segredo das Cartas de... por BlackMessiahTDC

Abraços a todos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 36. Ana Diba Lopes e a Cruz.


Olá pessoal. Chegamos à última das cartas do Lenormand, mas não à última postagem! Ana Diba Lopes nos leva nessa reflexão hoje, que nos mostra o quanto crescemos em trinta e seis semanas. Em grupo, somos mais.
Capazes e reflexivos, inclusive. Encerremos nossa jornada pelas cartas, portanto, muito bem acompanhados pela Dryad.
Contatos com a autora: 
[21] 96700-2343


A carta 36 – a Cruz – possui um significado forte de triunfo, conquistas, sucesso e equilíbrio entre o lado espiritual e material, porém também estará associada à superação de problemas, ao aprendizado mediante sofrimento e dor. Nada se conquista sem sacrifício. As dificuldades aparecem para que possamos sobrepô-las; ultrapassando os obstáculos receberemos os méritos pela superação.
A cruz é prova de fé e confiança: a vitória é certa, mas os desafios farão parte do caminho. 
No baralho menor (leitura das cartas internas) a representação da Cruz é o 6 – Seis – de Paus: Elemento Fogo, responsável pela criatividade, imaginação; Naipe da guerra, da luta, dos momentos difíceis: Para se vencer tem que se ter calma, habilidade para avaliar os problemas e confiar – tanto na força interior quanto em Deus. O 6 de Paus representa vitória, sucesso e reconhecimento conseguidos através do empenho pessoal.
Ao se observar, num jogo, a disposição da carta da Cruz em relação às demais, observe cuidadosamente seu significado, ponderando tanto a sua característica positiva quanto negativa: essa carta faz com que tenhamos em mente que qualquer coisa pode ser conquistada e tem uma carga de determinação a ser despendida.
Não é a toa que a carta da Cruz encerra o baralho: a caminhada deve ser feita com humildade e sabedoria, contornando as dificuldades e as tristezas, sempre com a certeza de que atingiremos, ao final da jornada, a vitória!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 35. Arlete Sadocco e a Âncora.


Olá pessoal. Estamos a um passo do fim de nossa Blogagem - ou melhor, da primeira parte dela. Encerrando os textos relativos as cartas, temos essa semana a carta 35, explicitada de forma precisa pela Arlete Sadocco. Vamos com ela.
Contatos com a autora:



Considerações iniciais
Antes de sabermos o significado simbólico da Âncora, devemos fazer uma tempestade de ideias com essa palavra. 
Quando falamos a palavra âncora, o que vem na mente? Navio, mar, porto, ferro, amarrado, parado, inerte, acomodado, seguro, firme, estável, fixo, confiança, acomodado, descanso, chegada, insegurança, medo... pode nos remeter também ao naufrágio, a paralisação, a imobilidade, fixação, obsessão...
Veja a quanta coisa a âncora pode ser associada!! E isso apenas levando em conta o que a nossa mente pode nos remeter. 
Agora vamos para a origem e a simbologia da palavra em si.
Origem da Âncora
Origem: Em 323 a.c., Seleuco I, sucessor de Alexandre, o Grande, inspirou-se em uma marca de nascença parecida com uma âncora para usá-la como emblema real. Três séculos depois, perseguidos pelos romanos, os primeiros cristãos usavam a âncora para substituir a cruz. Ela foi desenhada em monumentos, catacumbas e vitrais. Hoje, é uma tatuagem comum, usada com o mesmo significado de força e segurança.

Simbologia da Âncora
É considerada um símbolo de firmeza, de solidez, de tranquilidade e de fidelidade. Em meio à mobilidade do mar e dos elementos, é ela que fixa, amarra, imobiliza. Simboliza a parte estável de nosso ser, aquela que nos permite conservar uma calma lucidez diante da onda de sensações e sentimentos. Porém num simbolismo negativo essas mesmas amarras poderiam significar um atraso na evolução, uma barreira ou cristalizações as quais o próprio ser se amarra e precisa se libertar.
Para os marinheiros, a âncora é o último refúgio, a esperança na tempestade. Para a maioria desses homens em geral, uma âncora simboliza segurança um abrigo seguro, o caminho de volta para casa. 
A Âncora simboliza, também, o conflito entre o sólido(a terra) e o líquido (a água). O conflito precisa ser resolvido para que a terra e a água, juntas, fecundem em harmonia. 

Vejam as significações da Carta 35- Âncora, no Baralho Lenormand
Escola Francesa = metas de longo prazo, perseverança.
Escola Alemã = uma viagem longa, trabalho.
Escola Brasileira = Segurança material e financeira, estabilidade e firmeza.

Significado no Jogo da Esperança – Origem do Baralho
A pesquisadora americana Tali Goodwin divulgou os resultados de seu trabalho revelando que a primeira versão do baralho cigano, foi criada na Alemanha com o nome de “Das Spiel der Hoffnung” (Jogo da Esperança), em 1799. Seu criador foi Johann Kaspar Hechtel (1771-1799) que concebeu o baralho como um jogo de tabuleiro portátil para entretenimento das pessoas.
Nas Regras desse jogo, a interpretação para a lâmina de Nº 35 – Essa é a lâmina mais importante do jogo e, aquele que cair aqui é o vencedor e leva o todo o dinheiro do caixa ou depósito.

Qual interpretação é a correta?

Os símbolos tem plurissignificação. Isto explica porque pode-se interpretar uma mesma carta de forma muito diferente.  Porém não quer dizer que pode-se dar qualquer sentido a mesma. Depende do significado que o símbolo tem, o contexto em que ele surge, as associações e instintos que ele provoca no leitor.

Alguns exemplos sobre interpretações com essa lâmina:
27+35: Noticias relacionadas com o trabalho.
34 +35: Negócios estabelecidos.
25+35: Relacionamento estável ou aliança de longo prazo.

Bibliografia

terça-feira, 8 de julho de 2014

Dos erros. Ou: uma previsão que (INACREDITAVELMENTE!!!) não deu certo (MESMO!!!) [ATUALIZAÇÃO: Reflexões sobre o limite das previsões.]


Olá pessoal. Estamos, nesse momento, tristes por vermos a nossa Seleção ir para a disputa do terceiro lugar, depois de um jogo inacreditável. Sete a um. SETE.
Eu ainda estou emocionado, me recuso a acreditar.
Mas, por outro lado, esse é um dos momentos nos quais mais questiono a minha parcialidade na leitura das cartas, quando estou emocionado. É quase consenso que não devemos consultar o baralho numa situação dessas. Mas eu desafiei essa regra. E fui surpreendido por um Dez de Espadas que apareceu duas vezes. Na segunda, pulando do baralho e cobrindo uma carta. Dê uma olhada, aqui.
 
Depois dessa, percebo não só que tenho muito a aprender ainda, mas que as cartas possuem uma lógica que suplanta a emoção de quem lê. Talvez, vendo as mesmas cartas em outro contexto, em outra possibilidade, onde eu não estivesse tão exposto e tão envolvido no processo, se eu teria visto outra coisa, aquilo que aconteceu.
As cartas suplantam quaisquer perspectivas e expectativas de quem lê.
Não vou deixar de ler cartas por isso, evidentemente, nem vou me negar a novos desafios. Dar a cara a tapa é para quem tem coragem e confia no que faz. 
Mas não esperava uma sapatada dessas, rs.
Bora estudar mais. 
Abraços a todos.



...E foi assim que eu escrevi, há uma semana, imediatamente após, incrédulo, assistir a derrota do Brasil para a Alemanha. Uma derrota que durou vinte minutos, e outros setenta e poucos de acompanhamento da vergonha. Uma vergonha inacreditável. Mais por ser inacreditável, que por ser vergonha, eu fiquei totalmente perplexo. [ E escrevi o maior título da história do Conversas Cartomânticas até agora. rs.] 



Pois bem. Fiquei arrasado, ao olhar para o meu baralho e ver que não havia enxergado algo dessa natureza. São cerca de vinte anos lidando com isso, poxa. Não acreditei numa discrepância tão inversamente proporcional ao que o baralho apresentava. E não, não é só uma questão de ver diferente, eu tenho consciência de que qualquer pessoa que conheça o baralho não apostaria num Nove de Paus mais que em uma Temperança. Alguma coisa estava errada, e eu precisava descobrir o quê.
Como, ainda que seja um norte, um estilo de vida, uma proposta de jornada, eu não tomo o Tarô como uma proposta religiosa, ainda que, por uma perspectiva psicológica, ele esteja no campo daquilo que é considerado sobrenatural (para além do cotidiano) e espiritual (no sentido em que, lidando com questões que estão no campo do maravilhoso, não entendemos, mas verificamos sua aplicabilidade na vida prática), eu acredito que poderia chamar minha forma de levar o oráculo de científica. No sentido em que eu atesto aplicabilidades já efetivadas pela tradição e literatura, mas me proponho novos testes, novas perspectivas, novas abordagens, não estou numa posição confortável. Estou numa posição de risco. 
E esse risco que corri, e os resultados que obtive, claro, me deixaram arrasado.
Não fazia nenhum sentido. Um Dez de Espadas cancelar a influência d'A Estrela encerrando uma leitura de três cartas? Uma carta numerada superar um Arcano Maior? Não, não fazia sentido. Eu devia ter incorrido no erro de Leônidas.
Por ocasião da segunda invasão dos persas à Grécia, o general Leônidas, rei de Esparta, foi até o Oráculo de Delfos perguntar sobre a possibilidade do exército espartano, de apenas 300 homens, enfrentar sozinho cinco mil persas no desfiladeiro das Termópilas.A pitonisa psicografou o seguinte: “Vais. Vencerás. Não morrerás lá”. E o general Leônidas, então, foi para a guerra e morreu junto com seus 300 espartanos.Seu filho, que também se chamava Leônidas, foi a Delfos cobrar a  sentença do oráculo. Quando mostrou o papel psicografado, a pitonisa do templo leu: “Vais. Vencerás? Não. Morrerás lá”. [Fonte]

Li tudo o que pude sobre as possíveis abordagens, para identificar os erros de interpretação. Não encontrando respostas, parti para uma auto-análise. Eu estava cansado no dia? Sim, estava com poucas horas de sono. Estava ansioso? Evidente. Estava envolvido? Claro, como todo brasileiro. Para o bem ou para o mal, com uma perspectiva positiva ou não, todos nós estávamos de observadores desse evento.
Certo. Não satisfeito, mas com um primeiro ponto de partida, já tinha a questão mais ou menos definida dentro de mim. Mas faltavam ainda alguns pontos a serem revistos. Eu não havia visto o vídeo e nem lido o que escrevi antes. 
Daí encontrei outra questão que, sobremaneira, me norteia sempre. A pergunta.
O que faz uma resposta ser clara é a pergunta que é feita. E eu não perguntei se o Brasil iria ganhar. Eu perguntei quais eram as chances de cada time na semifinal. E, como o baralho é interpretado, mas não interpreta, ele me respondeu exatamente o que eu havia questionado. Exatamente como outras ciências haviam previsto. E, curiosamente, a minha mesa havia aberto com o Arcano XXI, como a dessa cartomante que previu algo bem parecido lá no RN. Acesse aqui.



A pergunta. Sempre ela. O ponto de partida para a busca de qualquer oráculo. O Gerson H. Fachiano acaba de traduzir (makhtub!) um texto que fala exatamente sobre o que eu queria apontar nesse tópico. Acesse aqui.
Revendo a entrevista, depois de todos esses dias, acabei percebendo justamente isso. Para as perguntas que fiz, as respostas estavam corretas. Para o que, de fato, era o interesse da matéria, talvez não. Eu poderia ter sido mais específico na pergunta, porque o baralho respondeu como de costume. Eu poderia ter trocado o "eu acredito" pelo "eu duvido". Mas não é questão de procurar culpa, já que essa já está virulenta contra a Seleção e seus membros. É questão de achar motivações.
Saio mais rico depois dessa. Não só de experiência, como de habilidade para perguntar direito. Como as imagens dessa postagem - todas Sete de Ouros: cada um aponta uma resposta diferente, dá uma pincelada diferente, e vai sair na mão de quem souber perguntar direito para o oráculo o que quer saber.
As cartas dizem o que você quer ver. 

Abraços a todos.

P.S.: Agradeço todas as manifestações de carinho que recebi aqui e no Facebook. Espero que essa experiência sirva como estudo de caso para que levemos nossa arte a patamares mais elevados, seguros... mas não menos desafiadores. Porque, em minha opinião. o profissional que não se responsabiliza pelo que diz e faz, e não trabalha pela elevação de sua arte, está cometendo algum equívoco. E daí, não adianta entrar em uma comunidade do Facebook e pedir... pitacos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 34. Andrea de Freitas Valle e os Peixes.



Olá pessoal. Hoje, a querida Andrea de Freitas Valle fala-nos sobre os Peixes. Essa é uma carta aparentemente fácil de interpretar; contudo, seus meandros merecem um olhar mais acurado por dizer sobre o concreto, quando lidamos tanto com questões abstratas.
Contatos com a autora em seu Facebook.


34 – PEIXES

Simbolos:
Peixes: simbolo de fecundidade , prosperidade, a multiplicação, a fartura.
Está relacionado as coisas concretas como bens materiais , negócios e dinheiro.
Possibilidade de lucros em novos projetos e também que nossos esforços serão recompensados ou fruto da recompensa do seu trabalho. Multiplicação dos lucros e vantagens.
Também pode simbolizar a parte material, algo concreto, sorte em jogos.
Indica a sorte quando estamos atentos para agarrar oportunidades que surgem em nossa vida.
Possibilidade de parcerias que gera lucros.

No lado negativo prenuncia falta de dinheiro, fracasso em algum projeto, trabalho não reconhecido.
Se aparecer depois da carta da Foice, pode significar corte de dinheiro por exemplo.


Rei de Ouros:
Simbolo da riqueza material, da ambição humana, do status elevado, da necessidade de sucesso, desejo de poder e também orgulho por tudo aquilo que temos e obtemos. Espírito dinâmico para enfrentar novos desafios. Representa a pessoa que não se contenta com pouco. Conquistas e excelente desempenho profissional.
Representa o prestígio, a alta sociedade, empresas, fortuna.

No lado negativo pode indicar traição, corrupção, roubo, abuso de poder, escravo da cobiça ou exploração no campo profissional.

sábado, 28 de junho de 2014

Um Lenormand para Noites Sem Fim.



MEA CULPA: eu não sou adepto dos baralhos transculturais em geral. Por mais que isso possa soar conservador (e, de certa forma, é), eu não sinto plenamente à vontade ao utilizar baralhos que adaptem os símbolos a temas específicos, porque, na maior parte das vezes, percebo os mesmos símbolos obscurecidos em sua essência, restringidos em seus significados. A experiência com o Tarô me tornou um pouco mais reticente em relação a esse tema do que deveria, um ponto com o qual venho me deparando com certa frequência em meus estudos.
Entretanto, percebo que, quando nos propomos a extrair das artes em geral, e da literatura em particular, elementos de análise para aproximarmos a experiência do símbolo daquilo que encontramos no nosso cotidiano de leitura, o símbolo se expande, ganha aspectos particulares que outrossim estariam apenas latentes, como se nos apropriássemos daquilo que está à disposição de todos sem revelar-se imediatamente; como se, ao observarmos atentamente, o símbolo revelasse aspectos que unificam nossa experiência particular com a experiência do oráculo, singularizando-a e expandindo-a. Ressalto, porém, que com isso não incentivo a universalização de particularidades: aquilo que funciona em um determinado contexto, para determinado oraculista, embora correto, não corresponde ao que a carta representa de forma geral. Sua aplicação, portanto, é particular e deve figurar como estudo de caso e não como significado direto. Esse é um ponto que merece maior ênfase em outro momento, mas acho importante pontuar agora.
Nesse sentido, temos tido aqui no Conversas Cartomânticas experiências magníficas no que concerne ao Tarô. Percebi, entretanto, que faltava-nos algo mais a respeito do Lenormand, ainda que nossa Blogagem Coletiva esteja, pouco a pouco, nos preenchendo com possibilidades. O Petit Prince Lenormand e o Game of Thrones Lenormand foram e estão sendo duas experiências enriquecedoras. Não no sentido de limitar a leitura do livro, no primeiro caso, e do seriado, no segundo; mas no sentido de ampliar a percepção do oráculo a partir da observação atenta do texto e vice versa.
Em homenagem ao Dia do Baralho Lenormand, ocorrido em 25 de junho, proponho hoje a leitura de uma das melhores graphic novels de todos os tempos, de um dos autores que mais admiro: Sandman, de Neil Gaiman. Já falamos sobre ela anteriormente aqui, mas hoje buscaremos uma leitura diferenciada.
A experiência de ler uma obra, apontando suas referências ao Lenormand entre parênteses é uma constante nos textos de Tânia Durão. Sigo aqui seu exemplo, deixando explícito o convite para que visitem seu blog, Cartas Ciganas. Suas reflexões são sempre enriquecedoras e sua forma de escrever, única. 

Os Sete Perpétuos estavam, conforme expus anteriormente, ali, desde sempre, escondidos entre as 36 cartas do Lenormand. Vamos ao encontro deles, um por um, observando como as cartas se relacionam com suas personalidades e âmbitos de atuação, e, o mais importante, percebendo como, ao correlacioná-los, aspectos obscuros das cartas se revelam inteligíveis. Percebo isso sobretudo com Desejo e a carta 24, mas não antecipemos as coisas. Em ordem de “idade” (embora eternos e anteriores aos deuses, os Perpétuos possuem uma ordem de aparição no cosmos), vamos a eles.


DESTINO 
“O mais velho” dos irmãos, possui um Livro (26) onde estão escritas todas as possibilidades daquilo que ocorreu e daquilo que está por vir, sendo este seu símbolo. Seu reino é um Jardim (20) onde os Caminhos (22) correspondem a escolhas. Encontrar-se com Destino é fazer escolhas no jardim do seu palácio. Embora todos os caminhos levem a ele, não é possível encontrá-lo sem fazer escolhas.


DESENCARNE* [MORTE]
Conforme retratada em Sandman, Desencarne é uma jovem de inspiração gótica, cujo símbolo é uma Cruz (36) Ansata. No Lenormand, encontramos mais duas cartas que relacionam-se não só com o seu ofício, como com sua natureza: Foice (10) e Caixão (08). Curiosamente, os significados dessas cartas em especial, quando unidos em determinado contexto, nos trazem como resultado a visita desse Perpétuo. Desencarne, a cada cem anos, torna-se mortal para experimentar, por um dia, a natureza de sua função e, assim, entendê-la mais profundamente.


DEVANEIO* [SONHO]
O protagonista da história. Devaneio, o de olhos de estrela (16), é senhor de todos os mundos oníricos (muito bem representados na carta 32). Possui três itens nos quais guarda seu poder: Uma máscara [curiosamente, existe um Lenormand que retrata esse emblema: trata-se do Gilded Reverie Lenormand, na edição do autor: a recente e magnífica edição da US Games não possui as cartas extras (atualização em 29.06: A Chris Wolf me recordou que a Karla Souza sabiamente colocou na carta 14 do Esmeralda Lenormand - valeu pela lembrança, Chris!)], um saco de areia e um cristal. No primeiro arco da história, Morpheus – um de seus nomes – precisa ir ao encontro desses três objetos outrora perdidos. Seu reino é um castelo (19) onde estão os sonhos de todos os seres. Um de seus companheiros mais importantes é um corvo (12) que lhe serve de mensageiro. Taciturno, implacável e reflexivo: busca ser neutro em suas atitudes, mas sempre se depara com seus próprios anseios. Essa dicotomia o torna tão interessante, tão único. Conforme Gaiman, a história seria muito diferente se contada por outros irmãos, sobretudo por...


DESEJO
Desejo é o irmão/irmã que traz equilibro ao setenário. Três irmãos (Destino, Devaneio e Destruição), três irmãs (Desencarne, Desespero e Delírio) e ele/ela, que está para além da noção de gênero: Sua natureza reflete aquilo que o observador possui em seu coração. Homem ou mulher, ou ambos, ou nenhum, Desejo mora em uma réplica exata de si mesmo, mais especificamente no Coração (24), que é seu símbolo. Ainda que, costumeiramente, essa carta reflita os melhores sentimentos do consulente, a presença de Desejo, aqui, mostra-nos que não só de bons sentimentos pulsa a vida. Sou tentado a correlacionar a moradia de Desejo à carta 04, também: não há lar tão verdadeiro quanto si mesmo – algo que é evidente nesse Perpétuo. No baralho Judith Bärtschi, o Chicote (11) mostra-nos uma mulher sadomasoquista, uma das aparições de Desejo. Fútil, volúvel, inconsequente, mordaz e imprevisível: para mim, o personagem mais marcante, responsável pelas reviravoltas mais interessantes da história. Em Endless Nights, foi retratado por Milo Manara. Não consigo perceber melhor escolha para retratá-l@.


DESESPERO
Irmã gêmea de Desejo. Trata-se, porém, da segunda Desespero – a primeira foi destruída em circunstâncias misteriosas; considera-se, portanto, Desejo “mais velh@” que Desespero. Fica aqui claro um dos aspectos mais maravilhosos dessa graphic novel: existem inúmeras (inúmeras MESMO) lacunas que não influenciam na leitura, mas nos deixam ansiosos pela continuidade da obra. Das pontas que ficam soltas, poderíamos ter miríades de histórias que dariam continuação à obra ad infinitum. Contudo, talvez, ou exatamente por isso, Gaiman deixa-nos com vontade de mais, para que esperemos. Ou imaginemos.
Desespero tem por símbolo um Anel (25) com um anzol, que usa para ferir-se, lenta e cruelmente. Novamente, a referência à carta nos leva a questionar se sua atuação é sempre benfazeja – anéis marcam laços. Nem sempre, queridos ou quistos. Seu reino é composto por um vazio nevoento (06) repleto de espelhos, onde se refletem todos os desesperados. Inúmeros Ratos (23) ocupam o local.


DESTRUIÇÃO
O irmão mais misterioso, aparece pouco, mas representa muito. Seu símbolo é uma Espada (11 – no baralho Gypsy Lenormand, o Chicote é trocado por uma espada coroada por uma coroa de espinhos). Como o Cavaleiro (01), Destruição segue seu caminho, ficando pouco em companhia dos seus irmãos. Possui um Cão (18), que passa a acompanhar Delírio quando esta o visita. Seu comportamento lembra-nos em muito o contexto adjetivante da Montanha (21): por alguma razão que nos foge à leitura, Destruição busca limitar o contato com os seus de forma implacável. Ainda assim, ao contrário do esperado, Destruição é amável, bem-humorado e está sempre em busca de novas criações; isso sugere que os Sete Perpétuos não dominam apenas aquilo que lhes dá nome, como também seu oposto: Destino e o Caos, Desencarne e a Vida, Sonho e os Pesadelos (dos quais Coríntio é sua mais famosa criação), Desejo e a Realização, Desespero e a Esperança (para quem leu o primeiro arco, essa palavra terá todo um sentido!), Destruição e a Criação, e a óbvia relação, conforme veremos adiante, entre Delírio e Deleite. 
Destruição é mais velho que Desejo e Desespero.   


DELÍRIO
Outrora Deleite (algo lhe ocorreu que partiu seu coração para quiçá sempre), Delírio é a mais jovem, a caçula, a Criança (13) dos Perpétuos. De espírito benfazejo, porém tão implacável quanto os demais, Delírio fala por enigmas, não sendo sempre compreendida, mas por vezes antecipando eventos que Destino não quer revelar. Possui em um dos arcos um Peixe (34) de estimação, que leva como se fosse um balão de gás hélio. Embora não seja sempre levada a sério pelos seus irmãos, é a única que consegue reuni-los com relativa facilidade. Seu símbolo é uma bolha colorida, sem formato definido.

Para além dos Perpétuos, dois outros personagens merecem destaque, por terem preponderância na história e por possuírem arcos próprios e histórias que transcendem a obra original. São eles:


MORNINGSTAR [LÚCIFER]
Um dos Senhores do Triunvirato do Inferno, Lúcifer desiste do reino em função de um aparente tédio pela ordem das coisas. Abre um bar em Los Angeles onde toca piano todas as noites. Estrela da Manhã, como o Sol (31), esclarece pontos obscuros a Morpheus, dando-lhe as Chaves (33) do Inferno. Como ele mesmo diz, aí é que começam os problemas.
Sua personalidade fica mais evidente na série Lúcifer, da qual quatro histórias foram publicadas em uma edição de luxo. Uma das aquisições mais felizes que fiz, curioso por sua busca pelos Basanos – uma possível correlação com o Tarô. Nessa história, como em alguns diálogos de Sandman, percebemos também que o poder de um ser está relacionado com a sua aparição no Livro da Criação: quem veio primeiro, tem mais autoridade.


JOHN CONSTANTINE
Nota inicial: esqueça o filme estrelado pelo Keanu Reeves. O filme é divertido, e tal, mas não, aquele não é o John Constantine. Esse aqui é.


Mago, exorcista e um grande sortudo, John Constantine cruza com Morpheus no primeiro arco da história. Um anti-herói, mas ainda assim um protagonista (28) da própria história. Sinto-me tentado a associar a ele outra carta, por razões pessoais: em minha prática, a presença do Lírio (30) numa jogada de previsão atesta que, a despeito dos esforços do consulente a favor ou em contrário de determinado evento, este seguirá o curso correto e favorável a todos os envolvidos. Mínimo esforço, máximo efeito. Coisa que, tratando-se de Constantine, é literalmente uma constante. Para os seguidores da Escola Europeia, poder-se-ia associar tal característica ao Trevo (02). Se existe uma coisa com a qual Constantine pode contar, em seus pactos e relações, é com a sorte.  


Se você ainda não leu Sandman, leia. Não há muito o que dizer além disso. Considero esse début como um divisor de águas na minha relação com a literatura e os quadrinhos. Levando em consideração a relação entre Gaiman e George R R Martin (criador d’As Crônicas de Gelo e Fogo, da qual originou-se o seriado Game of Thrones e, deste, o Game of Thrones Lenormand) e de que, originalmente, Gaiman ofereceu o protagonista de Sandman como um personagem da obra de Martin Wild Cards (e que Martin considera um dos seus maiores arrependimentos tê-lo recusado), a leitura é imprescindível.
Indo além, é importante pontuar que George R R Martin era amigo pessoal de Marion Zimmer Bradley, conhecida pela magna obra As Brumas de Avalon. É impressionante como a estrutura de narração dos três – Bradley, Martin, Gaiman – capta o leitor a ponto de só percebermos que o tempo passou porque os olhos cansam e a luz escasseia. Se você leu um deles, leia os outros dois. E deleite-se com os três em igual medida.

Gostaria de deixar meu agradecimento explícito a duas pessoas em especial: Socorro Van Aerts e Chris Wolf.
Socorro Van Aerts, da De Keizerin Boutique, que garante a nós do Brasil acesso aos mais diversos Lenormand num preço acessível com um atendimento excelente. Se você deseja um Lenormand, dê uma passada na loja dela. E, se por acaso você encontrar nas suas pesquisas um Lenormand, que não está lá, não se preocupe: ela acha para você.



Chris Wolf vem se destacando no cenário nacional como uma das mais prolíficas representantes e mantenedoras da tradição europeia. Pesquisadora incansável, grande cartomante, excelente referência em pesquisas. Agende sua consulta – ela atende em diversos espaços no Rio e em eventos. Sem sua colaboração, esse evento não chegaria nem perto do que é. 
Para além das duas (obrigado, MESMO, meninas!), gostaria de deixar meu agradecimento a Alexsander Lepletier, Sonia Boechat, Tânia Durão, Katja Bastos, Odete Lopes, Karla Souza, Marcelo Bueno, Luqiam Osahar, Deborah Jazzini, Leandro Roque, Geraldo Spacassassi e a todos os participantes da Blogagem Coletiva Petit Lenormand, pessoas excelentes que tem demonstrado com seu trabalho a miríade de possibilidades que o Lenormand pode assumir, quando estudado com profundidade, afinco e afeto.
Muito obrigado, pessoal. Continuemos dando a esse oráculo a dedicação que ele merece. Aqui no Conversas Cartomânticas, vocês, leitores, oraculistas, pesquisadores e entusiastas, sabem que estão em casa. Sou grato a todos vocês pelo tanto que me fazem crescer e questionar. E, como é bom ressaltar, todas as sugestões são bem vindas.    
Finalmente, atestando a escolha do título desse artigo (uma homenagem ao arco Endless Nights, que possui como protagonistas cada um dos Perpétuos), que o encontro com o Lenormand seja para você um eterno deleite. Noite após noite. E fica, subentendido, um desafio: qual conjunto de cartas você consegue associar ao livro que está lendo nesse momento?
Abraços a todos.

*Em respeito à ideia original do autor, busquei nomes iniciados com a letra D para cada um dos Perpétuos cuja tradução não acompanhou sua referência em inglês. Originalmente, são Destiny, Death, Dream, Desire, Despair, Destruction e Delirium/Delight. A escolha por nomes com D limitou inclusive a escolha dos Perpétuos que comporiam a família, fato que considero fundamental para a utilização da nomenclatura conforme coloquei nesse texto. Os nomes utilizados na obra traduzida estão entre colchetes.