terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mudança (ou na gangorra com a Marisa Monte)


Eu tenho - apesar da tentativa de disciplinar-me continuamente - tenho, friso, dificuldades em adaptar-me. Talvez pela carência de mutáveis, talvez pela carência de Fogo no mapa. Talvez porque eu ainda não aceitei o conselho da Nivia Peggion e, depois de ler e reler e explorar e divagar eu ainda não tenha tido coragem de o rasgar.
Em mil pedaços caleidoscópicos, poeira de estrelas com linhas vermelhas e azuis.


Mas, de vez em quando, ser barreira e ser barragem cansa tanto que a gente cede. Cede lugar ao cansaço que ficou esmurrando as paredes quando as portas e janelas foram fechadas em busca de sossego. E, como disse dia desses a um amigo, é mais fácil reter do que, depois de soltar, voltar a reter. Segurar o que se acumula é mais fácil que enfrentar o que se movimenta. O atrito é menor, mas o peso é o mesmo.

Existe, porém, um efeito gangorra oculto no ceder, que é algo que sempre me esqueço. Esqueço de lembrar, porque é gostoso esquecer só para lembrar quando é necessário, de novo.
Quem cai não passa do chão, pior que está não fica e, logo...
Por que não escolher algo diferente? Tipo... o melhor?

Hoje eu coloquei meus dilemas na gangorra do Dois de Ouros e (re)descobri que eles não são bons companheiros de parquinho. Aí eu coloquei a Marisa Monte para me acompanhar.
E gostei.


Gostei muito. Como diz a música: para saber a resposta vide-o-verso. Vide o verso das cartas viradas sobre a mesa numa cruz celta em tarotée.


Para calar a boca: rícino
Pra lavar a roupa: omo
Para viagem longa: jato
Para difíceis contas: calculadora


Para o pneu na lona: jacaré
Para a pantalona: nesga
Para pular a onda: litoral
Para lápis ter ponta: apontador

Para o Pará e o Amazonas: látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria


Para o presente da noiva: marzipã
Para Adidas: o Conga nacional
Para o outono, a folha: exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol

Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois


Para fazer uma touca: bobs
Para beber uma coca: drops
Para ferver uma sopa: graus
Para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts

Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã


Para a cor roxa: ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser mother: melancia
Para abrir a rosa: temporada

Para aumentar a vitrola: sábado
Para a cama de mola: hóspede
Para trancar bem a porta: cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen


Para quem não acorda: balde
Para a letra torta: pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: amnésia

Para estourar pipoca: barulho
Para quem se afoga: isopor
Para levar na escola: condução
Para os dias de folga: namorado


Para o automóvel que capota: guincho
Para fechar uma aposta: paraninfo
Para quem se comporta: brinde
Para a mulher que aborta: repouso

Para saber a resposta: vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagin
Para a comida das orcas: krill


Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você, o que você gosta:

Diariamente.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 08. Tânia Durão e o Caixão.


Olá pessoal. Conheci a Tânia Durão em uma das minhas idas (sempre saudosas...) ao Rio de Janeiro, e desde então construí com ela uma das mais lindas amizades que tenho nessa vida. Responsável pelos eventos Cartas na Mesa e pela Mesa Redonda das Cartas Ciganas, a Tânia tem sido profícua no desenvolvimento do Lenormand no Rio de Janeiro, uma postura belíssima e admirável. Aprendo MUITO com ela, que tem cadeira cativa por aqui. É, definitivamente, uma pessoa a quem admiro muito e por quem tenho grande carinho.
Sua leitura das Cartas Ciganas, como carinhosamente ela chama o Petit Lenormand, é sempre balizada pela terapia. Ela busca o diamante no grafite, sempre. E sei que ela encontra.
Caminhemos com ela nessa estrada, ou melhor, deitemo-nos em nossos Caixões.

Contatos



Natureza morta... é vida.

A natureza se renova constantemente. Ciclos se encerram para que novos ciclos possam iniciar. É como a larva que se transforma em uma bela borboleta, sai do casulo e abre as asas para o voo inevitável de encontro com a sua vida. Assim é a natureza!


Vanitas Vanitatum

A carta 08-caixão nos fala exatamente das renovações que permeiam a vida. Quando uma criança nasce em uma família, ela recebe todos os conceitos (e/ou preconceitos), crenças, dogmas religiosos e toda uma gama de informações de como se comportar perante a sociedade, afinal o ambiente faz o homem. 
O ciclo da infância termina e esta criança se transforma em um adolescente, com toda explosão hormonal que este período exige. O adolescente começa, então, a ver o mundo com os seus próprios olhos, daí o choque entre gerações. Certo e errado é uma questão de visão interna. 



O ciclo da adolescência se encerra para iniciar a vida adulta, com todas as responsabilidades, cumprimento de horários e prazos, pagamentos de contas....enfim, crescer dói, mas é assim que se amadurece!!
Vivenciamos, constantemente, a carta 08-caixão e nem percebemos este processo de transformação interna. Isso é viver!!! Muitos a consideram perdas e sofrimentos. Mas me digam, qual o sentido da vida? o sofrimento? Não, sinceramente não acredito nisso. 
Estamos na vida para evoluir (sempre para melhor), para isso precisamos abandonar velhas crenças (limitantes) que não nos servem mais. As pessoas, muitas vezes, ficam focadas no sofrimento que certas experiências causaram nelas e esquecem de olhar o que, de fato, aprenderam com tais experiências...e no que melhoraram. 



Eu sempre aponto para o processo de aprendizado e de transformação. Sei que olhar para dentro não é fácil e facilitar o contato com as próprias emoções e a partir daí, fazer novas (e melhores) escolhas é o trabalho dos terapeutas, por isso gosto tanto desta carta. 
Todas as pessoas carregam uma bagagem repleta de experiências boas e ruins. Aliviar o peso dessas estórias e dar um novo olhar para os fatos que atingiram o nosso consulente também pode ser a tarefa de um cartomante. Não abro mão de que cada cliente saia melhor do que entrou na minha mesa de leitura. No mínimo ele tem que sair mais esclarecido sobre si mesmo. 
Renovar é preciso, ganhar um novo olhar sobre os acontecimentos vividos e sobre as suas feridas internas, principalmente o medo que impede uma ação positiva diante da vida e se tornar uma pessoa melhor. Abandonar velhos conceitos sobre si mesmo e ter um comportamento diferente nos relacionamentos é a chave desta carta. 
Aprendi com o meu professor que a função da carta 08-caixão é enterrar o passado, estar focado no presente e de olho no futuro. Concordo com ele, logo é um ganho, jamais um perda. Aliás, eu sinto esta carta como um processo de APRENDIZADO necessário que a vida traz para cada ser vivo.
Uma viagem (03), com cores, aromas, estilos de vida diferente, pode mudar completamente o interior (08) de uma pessoa. Eu sou a prova disso, há 2 anos atrás, eu estava mega deprimida, encolhida na minha toca (15) e a possibilidade de viajar (03) transformou todo o meu cansaço (23) em ânimo (09), inspiração (16) e garra (11) para seguir em frente (22) e mais confiante (01).
Os relacionamentos (25) afetivos (24) e de amizades (18) também ensinam muito e podemos, através destas relações (25) nos tornar (08) pessoas melhores - olha o caixão aí de novo. 
Muitos encaram esta carta como perda, mas quem fala de perdas é o rato (23). Prontofalei!!!
Eu sinto esta carta como as infinitas possibilidades de um novo (13) começo, com uma nova postura diante da vida e, de preferência com um novo entendimento sobre si mesmo, certo de que as experiências pelas quais passou só trouxeram aprendizado e não sofrimento apenas. Reflitam.



Quem fica apegado (35) ao passado tem dificuldade em se renovar, tem dificuldade em assumir a parcela de responsabilidade que lhe cabe, através das escolhas que fez ao longo da vida. Aliviar o peso da bagagem e caminhar com leveza (30) é a proposta da carta 08-caixão. 
Há outro detalhe, esta carta nada tem a ver com a morte física, ok? O símbolo do caixão retrata apenas as transformações internas e nada além disso. Então ficamos combinados assim. Ainda vou escrever sobre o desencarne de uma pessoa, mas será um outro post.
Como bem disse minha amiga Julia Tourinho (que estará conosco na carta 23), há um tesouro dentro de cada um. Renove-se e você descobrirá os seus tesouros internos para viver plenamente a sua vida! Reinvente-se, transforme-se em uma versão melhorada de si mesmo. É possível e eu acredito cegamente na renovação de cada ser humano. 



Tânia Martins Durão

Em tempo: caçando as imagens para essa postagem, achei uma música que fala sobre o Caixão, mas, mais que isso, fala sobre superação. Achei propícia, por isso posto aqui. 


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

RESULTADO DA PROMOÇÃO: Hoje é o Dia do Baralho!



Olá pessoal, chegou a hora. Vamos saber quem são os quatro sortudos que receberão o Baralho Para Ver a Sorte, da COPAG:
Os participantes são: 

 1. Gabriel Ochinsk
 2. Gabriela Amarello
 3. Deka Alexandre
 4. Igor Freire
 5. Lilian Guedes
 6. Janete Carvalho
 7. Iony
 8. Marina
 9. Talita
10. Elizangela
11. Germana Pinho de Sá
12. Isabel Catanio
13. Brida
14. Fernando Araújo
15. Tere Marques
16. Denis Maapelli
17. Andréa Valle
18. Noemi Hora
19. Carolina
20. Leni
21. Deborah Miranda
22. Arlete Sadocco
23. Barbara Mançanares
24. Julia Tourinho
25. Fabio
26. Morgan Mahira
27. Lucia Silva
28. Daniela Affonso
29. Bia Martau
30. Marcio Alves

Rufem os tambores!!!

O primeiro sortudo foi:

Denis Maapelli!!! Parabéns!

O segundo sortudo foi:

Julia Tourinho!!! Parabéns!

O terceiro sortudo foi:

Igor Freire!!! Parabéns!

O quarto sortudo foi:

Fabio!!! Parabéns!

Obrigado, pessoal, pela participação. Continuem acompanhando nossa blogagem coletiva, continuem sugerindo temas para próximos textos. 
Esse espaço é nosso.
Abraços em todos!


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 07. Ma Vechi e a Serpente.


Queridos, essa é uma das cartas mais controversas na interpretação do Petit Lenormand, justamente pelo paradoxo que a própria Serpente é. Algumas interpretações são mais positivas que a carta merece, outras mais negativas que a sombra que carrega, mas, ao fim e ao cabo, ambas refletem apenas as mãos que manipulam o baralho e falam mais sobre o cartomante que sobre a carta em si. Sabendo disso, convido-os ao deleite de ler o texto da Ma Vechi, uma surpresa agradabilíssima e uma amiga querida feita no grupo. Obrigado por aceitar o convite e ser essa pessoa tão querida.


PETIT LENORMAND 

CARTA 7

 A COBRA


QUEM TEM FAMA...

A Cobra.  Quando ela aparece, o estremecimento antecipa a sensação do ataque iminente, o perigo, o veneno, a morte.  O medo se instaura e de modo terrível vem o pressentimento da traição, do bote, da fatalidade, do estrangulamento.  Ela paralisa e chama todas as atenções. Impiedosa no ataque às vítimas incautas, essa criatura merece ser tratada com atenção e respeito.
Esperta e utilizadora sábia do seu instinto de preservação e sobrevivência, ela aprendeu a mudar de cor, camuflar, se esconder e até a emular sua própria espécie.  Nem toda cobra é venenosa, observem a Coral e a Falsa Coral, uma quer ter o mesmo poder letal e a mesma aparência da outra. Faz parte da sua natureza.
Entretanto, há de se aprofundar o olhar sobre este símbolo por vezes visto de forma tão maniqueísta, acabando de vez com a sensação de terror pura e simples, pois que esta lendária figura carrega em si o seu lado bom também.  Antes de acharem tão louca quanto estarrecedora a hipótese, vamos a algumas considerações que lhe servirão de antídoto para esse horror a um dos mais famosos vilões do mundo animal, e por extensão...o humano.

ATO I – A GÊNESE – A COEXISTÊNCIA ETERNA ENTRE O BEM E O MAL E A NECESSIDADE DOS OPOSTOS

Gênesis, 1, 1:  No princípio, Deus criou o céu e a terra. 2 A terra estava sem forma e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 3 Deus disse:  “Faça-se a luz!”.  E a luz foi feita.  4 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.  5 Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. (...) 25 Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie, os animais domésticos igualmente, e da mesma forma todos os animais que se arrastam sobre a terra.  E Deus viu que isso era bom.26 Então Deus disse:  “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.  Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra”.  
Citamos a Bíblia como exemplo clássico da natureza dual de todas as coisas.  Assim como existem as trevas e a luz; os pássaros, os peixes e os animais domésticos; também existem os monstros marinhos, os animais selvagens, os répteis.  Afinal, como reconhecer o dócil sem o selvagem?  A beleza sem a repugnância?  A passagem bíblica diz claramente que na natureza tudo é dual, e isso é bom, mas o mais importante, é que o ser humano tem o poder de reinar sobre todos os outros seres.  Desde que ele reconheça a dualidade em si mesmo, sendo também integrante de tudo o que existe.

RAÍZES DAS CARACTERÍSTICAS DA INVEJA, CIÚME, TRAIÇÃO, SEDUÇÃO E MANIPULAÇÃO – A SERPENTE COMO SÍMBOLO DO PERIGO QUE ESTÁ DENTRO DE SI MESMO



A jornada da Serpente começa nos idos tempos da criação: 
Gênesis, 3, 1:  A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse à mulher:  “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” (...) A mulher respondeu: Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais”.  4 Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! 5 Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal. 
Temos aí alguns dos mais marcantes aspectos simbólicos da Cobra:  sedução, manipulação, mentira, traição, intriga.  A Cobra é aquele perigo que está sempre rondando, está sempre perto, insinuante, sedutora, induzindo-nos a cometer o pecado...muitas vezes o impulso, o instinto que cobrimos com o verniz social e culpamos o externo.  A serpente não teve nenhuma dificuldade em convencer  Eva a cometer a transgressão original.  Tudo que ela precisou foi de um pequeno incentivo da nossa eficiente amiga.
Sabemos que na história Eva também fez o papel de sedutora de Adão.  Entretanto, se os representantes humanos se deixaram manipular mesmo sabendo do tamanho da infração que cometiam, por quê o fizeram?  A Cobra traz para estes personagens a sabedoria, o domínio do conhecimento do bem e do mal.  Sereis como deuses, ela disse.  Como não se render a este argumento, desde que não haja a semente do orgulho e do poder dentro de si?  
É claro que Deus ficou irado com a desobediência castigando a todos.  Em suas fracas defesas, quando Deus pergunta a Adão quem havia revelado o conhecimento de que estava nu, este prontamente culpa a Eva:  “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.”  Eva, por sua vez, respondeu: “A serpente enganou-me – e eu comi.”  
E então Deus disse à serpente:  “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e feras do campo; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida.”  O mau uso da sabedoria da serpente acabou lhe rendendo frutos amargos, e enquanto este espécime rastejante observa o voo dos pássaros, o cavalgar dos animais de quatro patas, a inteligência e domínio dos humanos e sua liberdade, começa sua saga de vingança, cobiça, destruição e ódio, destilando seu veneno em quem quer que chegue perto.


PROJEÇÃO DO DESEJO:  A COBRA COMO SÍMBOLO DA SEXUALIDADE E DOS INSTINTOS PRIMITIVOS QUE PROMOVEM A PROCRIAÇÃO

A descoberta da nudez e o “pecado original” foram levados ao conhecimento dos personagens humanos através da revelação da serpente.  Com frequência, a Cobra nos remete a fazer associações com o falo e o ato sexual.  Os instintos considerados animalescos e menos civilizados são necessários para a continuidade da espécie, bem como a força do prazer que nos movimenta à ação e procura de sustento.  A Kundalini, energia criadora que reside em nosso chakra de base,  responsável por nosso impulso de sobrevivência, é derivada de  uma palavra em sânscrito que significa “enrolada como uma cobra”, ou “aquela que tem a forma de uma serpente”.
Falando de relações interpessoais e necessidade de comportamento,  muitas vezes a Cobra nos pede malícia, sedução e sabedoria para se conquistar o que deseja; ou aponta aspectos da libido, até mesmo de como funciona a base de uma relação: se é de pura sexualidade que se sustenta ou se é da falta dela que determina o desequilíbrio desta área.

PAPEL FUNDAMENTAL DO ORÁCULO E SEUS SÍMBOLOS PARA ACESSAR NOSSO INCONSCIENTE – PARTE I



Falando de conhecimento, quem nunca ouviu falar da pitonisa,  serpente sacedotisa de Delfos, do templo de Apolo?  Desde a criação do mundo,  até Deus reconheceu este maravilhoso atributo do sábio animal.  Os gregos dão extrema relevância aos Oráculos, e histórias trágicas há que nos apontam o fato, tal como o final de Édipo e Jocasta, quando ele resolve ignorar as profecias.  A Cobra é um dos mais famosos simbolismos de sabedoria das antigas civilizações, e por intermédio do Oráculo, temos acesso a informações privilegiadas – pasme – de nós mesmos.

PARTE II:  O CONSULENTE: VÍTIMA OU ALGOZ?  O QUE HÁ POR TRÁS DOS BOTES



Como vimos, todo símbolo carrega a dualidade em si.  Quando a Cobra aparece em posição de destaque perto daquele que consulta, cabe ao oraculista ver onde mora o perigo.  Se a Cobra está parada bem na sua frente...você sabe o que fazer.  É do veneno que se faz o antídoto.  Porém, se o consulente apresenta um padrão repetitivo de ataques de Cobra, existem coisas que devemos analisar: 
1) O consulente se vê como herói:  talvez o próprio tenha superestimado sua força e chamado a Cobra para o desafio, provocando sua própria queda.  A Cobra não aceita desaforo e vai para cima do oponente, porque é seu papel e seu instinto;
2) As vantagens de obter o tratamento de vítima:  o consulente “abre a guarda” para inveja, puxadas de tapete e intrigas, cometendo os mesmos erros “inocentes” de expor suas fotos da última viagem à Europa em frente à mesa do colega de trabalho endividado e prestes a perder o emprego por falta de capacitação ( e de escrúpulos), contando que é o próximo da lista na promoção, faz confidências sobre a infidelidade ou sobre a sexualidade desenfreada do chefe...para logo em seguida perguntar “o que foi que eu fiz para merecer isto?”  A Síndrome do Bonzinho nada mais é do que pisar no covil de cobras...e gostar de receber atenção por isso.  
3) O medo extremo, o grande impacto emocional que a imagem de símbolos como a Cobra causam, com seu consequente enfrentamento, podem significar um desejo de volta ao paraíso, retorno à inocência, ingenuidade de acreditar num mundo idealizado onde tudo é perfeito e não existe o mal, indivíduo fantasioso e infantil que não gosta de ter responsabilidade pelo que acontece em sua própria vida, que tem a ilusão de que o mundo tem que protegê-lo e isso é uma condição natural de merecimento.
4) Baixa autoestima:  tem sempre alguém que vai aparecer para tirar sua promoção, sua oportunidade de progresso, seu emprego, fazer intrigas e difamá-lo com seus melhores amigos, que vai enganar, trapacear, que existe sempre um parceiro mais sedutor e com mais atributos que vai atrair o seu par, sempre alguém com superpoderes que vai atacá-lo e que será incapaz de defender seu território, não acredita em si, não acha que é bom o suficiente, inconsciente de seu próprio poder pessoal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS



É com uma desagradável frequência que aparecem consulentes perguntando sobre traição no relacionamento.  Sobre esta delicada questão, devemos ter muita cautela, primeiro porque o traído em primeiro lugar traiu a si mesmo; segundo, “o coração alheio é terra por onde ninguém passeia”.  Nunca poderemos prever as consequências de dizer que alguém está sendo traído.  Um indivíduo mental e energeticamente desequilibrado pode cometer atos impensados como um suicídio ou um crime passional.  Sabemos da fama da Cobra como indicativo da terceira ponta de um triângulo amoroso, entretanto...é preciso usar de muita cautela neste momento.



Satanizando a Cobra, estreitando e simplificando a percepção do seu lado sombrio, deixando de compreendê-la e enfrentá-la, perdemos uma excelente oportunidade de autoconhecimento.  Deixo ao célebre psicanalista Carl J. Jung (1875-1961) uma reflexão da riqueza psicológica que desperdiçamos ao fazê-lo:

“A batalha entre o herói e o dragão é a forma mais atuante deste mito e mostra claramente o tema arquetípico do triunfo do ego sobre as tendências regressivas.  Para a maioria das pessoas o lado escuro ou negativo de sua personalidade permanece inconsciente.  O herói, ao contrário, precisa convencer-se de que a sombra existe e que dela pode retirar sua força.  Deve entrar em acordo com o seu poder destrutivo se quiser estar suficientemente preparado para vencer o dragão – isto é, para que o ego triunfe precisa antes subjugar e assimilar a sombra.”  
(Retirado do livro “O Homem e seus Símbolos”, 22ª edição, p. 120)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

What does Fox says?

Lenormand?

Eu achei bem bonitinho. Tipo aquelas primeiras aulas de inglês, quando a gente está ainda engatinhando no idioma. 
Um jeito divertido de conhecer mais sobre a carta 14 do Lenormand.
Veja mais aqui.



Dog goes woof
Cat goes meow
Bird goes tweet
And mouse goes squeek

Cow goes moo
Frog goes croak
And the elephant goes toot

Ducks say quack
And fish go blub
And the seal goes ow ow ow

But there’s one sound
That no one knows
What does the fox say?

Ring-ding-ding-ding-dingeringeding!
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
What the fox say?

Wa-pa-pa-pa-pa-pa-pow!
Wa-pa-pa-pa-pa-pa-pow!
Wa-pa-pa-pa-pa-pa-pow!
What the fox say?

Hatee-hatee-hatee-ho!
Hatee-hatee-hatee-ho!
Hatee-hatee-hatee-ho!
What the fox say?

Joff-tchoff-tchoffo-tchoffo-tchoff!
Tchoff-tchoff-tchoffo-tchoffo-tchoff!
Joff-tchoff-tchoffo-tchoffo-tchoff!
What the fox say?

Big blue eyes
Pointy nose
Chasing mice
And digging holes

Tiny paws
Up the hill
Suddenly you’re standing still

Your fur is red
So beautiful
Like an angel in disguise

But if you meet
A friendly horse
Will you communicate by
Mo-o-o-o-orse?
Mo-o-o-o-orse?
Mo-o-o-o-orse?

How will you speak to that
Ho-o-o-o-orse?
Ho-o-o-o-orse?
Ho-o-o-o-orse?
What does the fox say?

Jacha-chacha-chacha-chow!
Chacha-chacha-chacha-chow!
Chacha-chacha-chacha-chow!
What the fox say?

Fraka-kaka-kaka-kaka-kow!
Fraka-kaka-kaka-kaka-kow!
Fraka-kaka-kaka-kaka-kow!
What the fox say?

A-hee-ahee ha-hee!
A-hee-ahee ha-hee!
A-hee-ahee ha-hee!
What the fox say?

A-oo-oo-oo-ooo!
Woo-oo-oo-ooo!
What does the fox say?

The secret of the fox
Ancient mystery
Somewhere deep in the woods
I know you’re hiding
What is your sound?
Will we ever know?
Will always be a mystery
What do you say?

You’re my guardian angel
Hiding in the woods
What is your sound?

(fox sings)
Wa-wa-way-do wub-wid-bid-dum-way-do wa-wa-way-do

Will we ever know?

(Fox sings)
Bay-budabud-dum-bam

I want to…

(Fox sings)
Mama-dum-day-do

I want to…
I want to know!

(Fox sings)

Abay-ba-da bum-bum bay-do


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Hoje é o Dia do Baralho!!!


Cartas, as paixões, os instrumentos, os meios e os fins nas mãos do Cartomante. E hoje temos um dia só para elas.
A COPAG do Brasil lança essa data como um marco na história do baralho (e consequentemente da Cartomancia) brasileira. Eu tenho a honra de participar dessa história, a cada vez que torno as cartas um livro de histórias reais, não mais metáforas, mas fatos. 
Celebremos, todos que amamos a Cartomancia, esse dia que nos traz a lembrança do quão importantes somos.



Para celebrarmos essa data, o Conversas Cartomânticas sorteará quatro Baralhos Para Ver a Sorte - um para cada ano de existência do blog. Lembrando que o novo livretinho do baralho respeita a Escola Brasileira e foi escrito por mim, uma conquista e tanto; há alguns anos, estive desesperado por um Baralho Para Ver a Sorte; hoje, todos tem a oportunidade de ter em suas coleções um dos melhores baralhos já editados. 
Para concorrer, basta deixar um comentário nessa postagem com seu nome e email. 
O sorteio será dia 20 de setembro.

Abraços a todos.Celebremos!!!

Post Scriptum: A Carolina Bamberg lançou um vídeo sobre a escolha dos baralhos, e fala do Baralho Para Ver a Sorte. Deem uma olhada!



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 06. Gabriel Ochinsk e as Nuvens.



Olá pessoal. Tive a oportunidade de conhecer o Gabriel Ochinski na Mistic Fair Sampa de 2012. Tranquilo, de andar suave e movimentos leves, Gabriel é uma promessa e uma realização da espiritualidade. Muito a aprender com ele. Muito a compartilhar.
Iniciado em suas leituras oraculares com o Petit Lenormand, aos 7 anos de idade, tudo de forma intuitiva e mediúnica, fez dos oráculos sua vida. No início, tudo pareceu deveras difícil, por questão da idade e das práticas já realizadas, porém ao longo destes tempos, as provas de vida e a grande procura por seus atendimentos o fez com o passar dos anos, começar os estudos de Tarot, Numerologia, Astrologia, Runas, além de outras práticas oraculares, tudo em princípio mediúnico e depois o aprofundamento técnico. Iniciado na Bruxaria Draconiana e no Culto Umbandista, filho de Oxalá e Oxum, tendo como guia-chefe e mestre espiritual, Cigano Juan Del Oriente, o mesmo que ensinou e contribuiu para grande parte de seu trabalho. Hoje, com 17 anos de idade, continua seus estudos holísticos, realizando atendimentos e cursos, com ênfase na mitologia Afro, e no Culto aos Orixás, trabalha com Cabala de Odús e Bioenergia dos Orixás. Tendo já iniciado, um grande número de alunos na Magia e Mundo do Lenormand, hoje faz atendimentos em espaços holísticos, online e presenciais em Santo André – SP, com Tarot Tradicional, Baralho Lenormand, Cartomancia Tradicional, Oráculo de Cristais, Oráculo dos Orixás, Análise Cabalística Astrológica de Odús, Análise Cármica com o Tarot e Baralho Cigano. “Cada lâmina é muito mais que símbolos, mas sentidos e sentimentos que formam este grande coração que é o Universo.”

Contatos para Atendimentos
Email: gabrielochinsk@yahoo.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/gabriel.ochinsk

As nuvens são a todo o momento, o elo mais singelo e tão observado entre os extremos do físico e do espiritual. Quando olhamos para o céu, admirando o que se encontra lá longe, temendo o desconhecido e almejando a revelação, deslocamos nossa conduta terrena em busca de realizar nossos grandes planos que se embaraçam em nossa mente. Simples e fácil, ou melhor, significantemente moderado aos níveis de entendimento humano. Nossos pensamentos descrevem intimamente, a real e determinada atividade de nossa consciência, temos o princípio ativo da criação, o equilíbrio dos sentimentos, mas será que estamos realmente prontos para encarar nossas duvidas e incertezas? 



Esta carta do Petit Lenormand nos propõe adequar cada um de nossos momentos, projetos e pensamentos ao novo; muitos a descrevem como a tristeza, a falta de direção e o momento que somente olhar para as nuvens e tentar enxergar as respostas são a principal finalidade em questão, os quais não acatam ao meu processo cognitivo. A nuvem, o ventos, a passagem de elementos no estado gasoso, representam sim, como núcleo de direcionamento, o plano mental em si, a forma de extremar nossos laços que ainda prendem-se ao acaso como maneira errônea de definir as lacunas que deixam vagas as nossas procuras e respostas. 



Queremos ir tão longe, chegar onde é difícil e perplexo, mas aqui e agora, ficamos estagnados em solucionar as questões e declinações da personalidade. Esta simbologia está perfeitamente associada à Orixá Oyá, ou Yansã, conhecidamente nas religiões de matriz afro como a Senhora dos Ventos, Tempestades e Pensamentos. O movimento das nuvens, sua instabilidade para o sol, a chuva, os ventos e tempestades, mostra que nossa mente funciona comumente como as ordens de Oyá, que traz as suaves brisas para o momento e as terríveis tempestades como forma de agitar tudo, pode correlacionar às intempéries psíquicas com as oscilações do tempo, da natureza e do caráter divino que atua em nós ao todo momento. Somos o que pensamos ou exteriorizamos realmente nossa conduta a fim de explicar tudo?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Dez Espadas em Dois Pés.


Tem certas metáforas que só se completam em outras metáforas. 
E eu não tenho muito a dizer além disso.

Abraços a todos.

Fonte: Pêssega d'Ouro

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 05. Regina Guigou e a Árvore.


Olá pessoal. Hoje contamos com a minha amada Regina Guigou falando sobre a Árvore. Uma das mais belas e desejadas cartas do baralho, vista com muita delicadeza e competência. A Regina já esteve antes aqui com a gente, falando sobre o Cavaleiro de Paus do Tarô.
Sigamos com ela. Sombra, água fresca, boa companhia.
Contatos com ela: www.universusguigou.blogspot.com.br

Árvores = Vida.

Num determinado ponto da floresta brotava de uma árvore frondosa uma pequena muda. Essa árvore era frondosa e forte cobria o sol. A pequena muda crescia procurando a luz e aos poucos ia se desenvolvendo e acreditando que cresceria forte para que pudesse ver o céu e o calor do sol.
Com o passar do tempo a pequena muda cresceu, suas raízes se aprofundaram para transportar a seiva de que precisava e assim produzir flores e frutos, com seus galhos acolher pássaros e levar as sementes para darem novas mudas. E assim tornou-se tão frondosa quanto a outra vendo todos os dias o sol e o céu.
O desenvolvimento completo de uma árvore precisa de nutrição. O tronco leva energia aos galhos para gerar flores e frutos, em seus anéis internos registram a passagem do tempo e isso mostra como as intemperes da natureza registraram doenças e bloqueios ao longo do tempo. O mesmo deve ser com as raízes.
Uma única árvore é capaz de sustentar uma infinidade de vida, além de fazer dela moradia ou área para caça.

Árvore (mitologia)


Alimento, habitação, ferramentas, abrigo, pulmão vivo e uma grande beleza são algumas das características das árvores. Simbolizam o cosmos em toda a sua extensão, já que as suas raízes são o nível subterrâneo, o tronco é a terra e os seus ramos simbolizam o céu.
Têm em si os quatro elementos: a terra junto às raízes, a água na sua seiva, o ar respirado pelas suas folhas e o fogo através da luz que gera a fotossíntese. 
Por encontrar-se simultaneamente em contato com a terra e o céu, a árvore é também um símbolo da relação entre estes dois elementos e uma espécie de centro ou eixo do mundo, tanto na tradição judaico-cristã, como nas culturas africanas ou asiáticas. 
As árvores em muitas culturas são carregadas de simbolismo e religiosidade. Algumas culturas eram a representação da criação e da organização da ordem do mundo com os dias e as noites. Para outras o nascimento e a evolução.
Foi debaixo de uma árvore que Buda alcançou a iluminação e essa árvore representa por vezes o próprio Buda, dizendo-se na Índia que é uma manifestação da trindade: as suas raízes são Brama, o seu tronco Shiva e os seus ramos Visnu. 
Em algumas culturas a árvore é também um símbolo de fertilidade. Noutras culturas o noivo é amarrado à árvore no dia do seu casamento, simbolizando a força e capacidade de procriação.

Qual a lição da carta 5 -  ÁRVORE no Lenormand?


No jogo a árvore fala do nosso crescimento, da nossa energia, da nossa saúde, segurança. Dos frutos que somos capazes de dar. Representa as idéias produtivas, a capacidade de estruturar e realizar positivamente o que se deseja.
Esta carta retrata a Árvore da Vida, símbolo da força, da saúde e da alegria de viver. 
Na escola brasileira corresponderia ao Orixá Tempo; outros consideram Oxóssi.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Oráculo da Cabala, de Richard Seidman.



As 22 letras do alfabeto hebraico, o Aleph Beit, não são apenas elementos constitutivos de uma linguagem, mas algo muito mais profundo. Cada letra é uma chave antiga que pode nos ajudar a desvendar os grandes segredos do mundo espiritual, formando um conjunto de poderosos símbolos que nos dá a compreensão dos mistérios da nossa própria alma. Os ensinamentos do Aleph Beit fazem parte da Cabala, a tradição do misticismo judaico que, durante séculos, foi um segredo guardado a sete chaves. 

De acordo com a obra mais antiga sobre o misticismo judaico, o Sefer Yetzirah (O Livro da Criação), todo o universo se formou por meio da combinação dessas 22 letras, e os místicos da Antiguidade, intrigados com o poder divino que essas letras incorporam, meditavam acerca de suas formas, usando-as como portais pelos quais poderiam descobrir segredos do passado, do futuro e da alma humana. 

Inspirado por esses ensinamentos antigos, Richard Seidman criou O Oráculo da Cabala. Para dar vazão ao poder das letras, o leitor escolhe uma carta do baralho ao acaso e, então, usando o livro como guia, medita sobre o símbolo que ela reproduz. Cada uma das cartas nos inicia nos níveis mais profundos da intuição e da compreensão espiritual, ao mesmo tempo que nos ajuda a descobrir o potencial místico encerrado em cada um de nós.

Olá pessoal. Eu sou muito atento às repetições na minha vida. Existem sinais escondidos nelas. Como se tivéssemos que vivenciar algo, mas só através do reconhecimento da possibilidade. E, nesse caso, o reconhecimento começou há alguns meses atrás.
Estou me questionando - e muito - a respeito das atribuições propostas para as cartas. Aquilo que transcende o significado básico, que vai além do funcionamento, por assim dizer, óbvio. Entre essas coisas, quando se trata de Tarô, temos as letras hebraicas.
Essa atribuição é recente e controversa. A priori, tentou-se atribuir tacitamente as letras na ordem em que elas foram organizadas no alfabeto hebraico, ou seja, Aleph para o Mago, Beth para a Sacerdotisa, e por aí vai. No século XIX, porém, uma leitura mais atenta do Sepher Yetzirah por alguns estudiosos deu origem à consideração proposta pela Aurora Dourada, onde o Louco é Aleph e o Mago é Beth - uma atribuição que, curiosamente, muita gente usa sem saber de onde veio e porque veio. E daí para frente temos hibridismos e releituras várias, que mais confundem que explanam.
Curioso também que a maior parte dos baralhos que se propõe a adicionar o conteúdo cabalístico pertinente às letras sequer as explanam, como se fossem mistérios insolúveis (ou óbvios demais). Por essas e outras, o estudo das letras foi deixado de lado.
Não acho certo. Não acho justo. Não para mim.
Na Confraria  Brasileira de Tarot eu expus que não se deveria ignorar tacitamente a representação pictórica de uma carta em função do conceito universal (você pode baixar o texto que deu origem à palestra aqui). Aplicado ao contexto desse texto, se o baralho possui letras hebraicas, no mínimo dever-se-ia entender o porque disso. Mas, como disse antes, os livros publicados por aqui não se esmeram em oferecer esse conteúdo. No máximo, vemos referências de referências e, depois de um tempo, ao ler um texto, a gente consegue diferenciar bem a vivência da pesquisa. Eu vejo muita pesquisa, mas pouca vivência. Aí, evidentemente, dou razão para deixar-se de lado tais conceitos. 

Aí, o Marcelo Bueno nos oferece uma leitura fascinante da letra Beth à luz da iconografia do Petit Lenormand (e vice-versa) na nossa Blogagem Coletiva.  E novamente fiquei com a pulga atrás da orelha. Não é que as letras hebraicas não auxiliem na leitura do Tarô. Elas são pouco ou mal estudadas. Na pior das hipóteses, ambas as coisas.

Logo, eu precisava ler algo a respeito.
Há algum tempo, recebi de uma amiga muito querida, muito amada o Oráculo da Cabala (Pensamento) de presente. Não cheguei a lê-lo; ele estava esperando esse momento. Hoje, por acaso, ou sincronicidade, eu o tomei e abri, embaralhei suas cartas e tive uma ideia. Ao invés de lê-lo, tacitamente, eu vou vivê-lo.
Já fiz essa experiência antes, com os exercícios propostos pela Vivianne Crowley em Cabala: Um enfoque feminino (Pensamento). É impressionante como saímos mudados de uma experiência como essa.
Então, eu vou propor, para você leitor que possui essa obra, que aceite o mesmo desafio que me proponho para setembro:


Entre em espírito de oração, dentro das suas crenças. Seja fazendo uma oração, mesmo, ou acendendo uma vela e incenso, ou mesmo apenas fechando os olhos por alguns instantes. Conecte-se com aquilo que há de mais belo, puro, virtuoso e amoroso no seu universo.
Embaralhe as cartas. 
Corte, se desejar.
Coloque o maço sobre o altar e tire uma carta por dia. Execute, nesse dia, o exercício proposto pela carta.

Eu tirarei minha carta pela manhã, e postarei um comentário à noite na página do Conversas Cartomânticas. Acompanhe minha jornada, estejamos juntos nessa. Caso não possua essa obra, vale a pena adquirir.

Abração a todos. E vivenciemos essa jornada.