domingo, 3 de março de 2013

Gilded Reverie Lenormand: Uma nova experiência com o Lenormand.


Olá pessoal. Chegou o meu Gilded Reverie Lenormand (thank you so much, Ciro Marchetti!) e eu realmente gostaria de compartilhar minhas experiências com vocês. Já havia demonstrado minha ansiedade por sua edição, aqui; agora, posso dissertar sobre, tendo-o em mãos. Esse baralho nos leva a reflexões profundas sobre a função, a aplicação e a metodologia do Petit Lenormand e os rumos que esse baralho tomará nos próximos anos - uma reflexão que, infelizmente, não foi feita com o Tarô a tempo de evitar obscurantismos vários e desnecessários. Dentro dessa perspectiva, o baralho desenvolvido por Ciro Marchetti vem, por um lado, preencher uma lacuna artística sobre a qual dissertaremos adiante e, por outro, levantar questionamentos sobre a prática, artística e cartomântica, com o Petit Lenormand.



Em outro momento, já falei do Tarô como obra de arte e como, sobremaneira, acredito que a perspectiva de usar qualquer Tarô como "o" Tarô é equivocada. Cada baralho possui sua peculiaridade e sua beleza e, ainda que os significados atribuídos às cartas estejam cada vez mais homogêneos, o fazer artístico relacionado segue o caminho contrário.
E agora, nos deparamos com o mesmo processo aplicado ao Petit Lenormand. Esse boom recente, que não se estende para mais de duas ou três décadas (lembremo-nos que os estudos taromânticos possuem séculos e os estudos cartomânticos são ainda indeterminados) nos coloca diante de dois problemas: primeiro, o interesse de cartomantes que utilizaram o Tarô durante muito tempo e, em segundo lugar, a ausência de estudos e, por vezes, até mesmo de reflexão, sobre o que está representado ali, nas cartas.
Aqui no Brasil, particularmente, contamos com uma escola forte e sedimentada de cartomancia com o Petit Lenormand, que dialoga diretamente com os Ciganos e o Povo do Oriente, tendo por principal representante Katja Bastos. A metodologia é diferente, a atribuição das cartas é diferente, o ritual é diferente e, como não poderia deixar de ser, foi produzido um baralho com imagens adequadas ao processo e ao ritual, que facilitassem a aprendizagem dos significados e da metodologia. Já falamos sobre isso aqui. Diversos livros foram publicados após o início dos trabalhos da Sacerdotisa da Trybo Cósmica. 
A bibliografia que temos é pouco extensa ainda, e temos muitas vozes ainda por ouvir. Após a obra do Dr. Geraldo Spacassassi, a primeira a verticalizar sobre o Petit Lenormand, temos as obras de Naldo de Oliveira, J DellaMonica, Margarita Fasanella Martinez, André Mantovanni, Patrícia Fernandes, Leandro Roque, e possivelmente outras que não conheço, que versam sobre a leitura cigana das cartas. O oráculo "francês" (com aspas muito bem colocadas pela pesquisa do Alexsander Lepletier) foi abordado apenas pelo Dr. Geraldo, que verticalizou no uso do Blue Owl Lenormand (CartaMundi).
Mas, particularmente, acredito que temos muito ainda por caminhar na pesquisa das origens e da funcionalidade do baralho em si. Veem-se os trabalhos de Alexsander Lepletier, Leandro Roque, Deborah Jazzini, Tânia Durão e Sonia Boechat, entre outros, buscando viver os significados e reconhecer suas raízes, como fazemos por aqui, no Conversas Cartomânticas. Eventos estão sendo desenvolvidos. Palestras, workshops, encontros, cursos. E a Arte cresce com isso. Mas o caminho ainda é longo, e temos muito o que experimentar.
E é nesse sentido que vemos o fazer artístico, pari passu à pesquisa, se desenvolvendo. Se, até algum tempo atrás, era "necessário" o conhecimento dos naipes do Tarô para o desenvolvimento da leitura das cartas, hoje pesquisas são desenvolvidas a partir da própria raiz do Petit Lenormand, buscando sintetizar sua significação e utilização precisa. Nesse ponto, tenho feito descobertas interessantes. As imagens estão sendo lidas e produzidas para dialogarem com o significado proposto, o estilo visa o conforto de quem o porta. Algo nunca antes feito com um baralho de cartomancia: a exploração extenuante da imagem, garantindo níveis de leitura e reflexos sobre os desenhos e significados, tornando o baralho menos adivinhatório e mais meditativo.
Contamos hoje com muito mais acesso a baralhos Lenormand no Brasil, tanto nacionais quanto importados. Além do Tarô Cigano da Trybo Cósmica, que já falamos anteriormente, e da bibliografia supracitada, temos o Baralho Cigano da Fábrica do Baralho, aguardamos ansiosamente a reedição do Baralho Para Ver a Sorte, da COPAG, e temos, graças a COPAG, a Priscilla Lhacer do Amor, o Próprio e a Socorro Van Aerts do De Keizerin Boutique, acesso a baralhos importados num preço acessível.


Pudemos acompanhar o trabalho de Ciro Marchetti durante toda a criação do Gilded Reverie Lenormand através de suas descrições e postagens no Facebook. Foi um passo a passo detalhado e emocionante. Houve, da parte do autor, o acuro de ouvir vários cartomantes no processo de produção das imagens. E o resultado dentro da sua técnica e identidade visual, é estupendo (o Navio navega no ar; o fantástico se faz presente, mas todos os atributos que identificam a carta estão ali presentes também).  Ter o baralho em mãos hoje é o clímax, o culminar de um processo que acompanhei desde o início. Cada imagem produzida, cada discussão simbólica, cada elemento adicionado ou retirado era cuidadosamente estudado pelo autor para que todos os ângulos já abordados anteriormente pudessem ser privilegiados de alguma forma, sem perda ou corrupção do significado original. As quarenta e quatro cartas que compõem o conjunto são:


Carta-autógrafo
01. Cavaleiro
02. Trevos
03. Navio
04. Casa
05. Árvore
06. Nuvens
07. Serpente
08. Caixão
09. Ramalhete
10. Foice
11. Chicote
12. Pássaros 1 (parecem bem-te-vis ou sanhaços)
12. Pássaros 2 (corujas)
13. Criança
14. Raposa
15. Urso
16. Estrela
17. Cegonha
18. Cão
19. Torre
20. Jardim
21. Montanha
22. Escolhas (substitui os Caminhos)
23. Ratos
24. Coração
25. Anel
26. Livro
27. Carta
28. Homem 1 (gentil homem com a rosa)
28. Homem 2 (colar de Marte)
29. Mulher 1 (senhora com a rosa)
29. Mulher 2 (colar de Vênus)
30. Lírios
31. Sol
32. Lua
33. Chave
34. Peixes
35. Âncora
36. Cruz
37. Tempo
38. Ponte
39. Dados
40. Máscara


Imagem da carta 37. Tempo


A característica mais intensa dessa edição especial é o fato de que ela possui duas cores de fundo, azul ou vermelho. Essa escolha e modificações nas cores e detalhes foi deliberada. Uma das duas opções foi escolhida de forma aleatória para compor cada um dos baralhos completos. Ao fim, resta-nos a certeza de termos um baralho único em nossas mãos. A chance de um baralho possuir a mesma combinação de cartas/cores é menor que 1 em 8000.
O livreto não acompanha o baralho, mas pode ser baixado aqui (em inglês). Brevemente teremos por aqui considerações específicas sobre cada uma das 43 cartas; por ora, aqui temos os significados resumidos propostos para cada uma das 36 cartas costumeiras. Vários outros textos podem ser encontrados aqui no blog sobre Lenormand, para aprofundamento dos temas concernentes a cada uma das cartas, e produzirei textos específicos sobre as cartas extras, em momento oportuno.
Afortunadamente, em março de 2013 o autor postou em seu perfil que o projeto foi aprovado pela USGames, e será republicado em breve, possivelmente em um valor mais acessível que o original. Contudo, essa versão não contará com as sete cartas extras, e também não contará com a variação de cores. Ainda dá tempo de adquirir a versão especial.




Além do baralho, foi produzido um  aplicativo para IPad, totalmente caracterizado, possibilitando a ampliação das cartas, assim como a possibilidade de criar seus próprios jogos, adicionar notas e enviar as imagens por email. 
Nesse aplicativo, uma das disposições de cartas disponível é a Mesa Real descrita por mim, Emanuel, conforme aplicada aqui no Conversas Cartomânticas. Fico extremamente honrado com o reconhecimento do autor e aproveito aqui para agradecer.


Pessoal, gostaria muito de conhecer outros profissionais de teoria e prática do Lenormand, para enriquecer a lista inicial de autores e pesquisadores. Você trabalha com o Lenormand? Pesquisa, conhece um livro, um baralho não citado aqui? Deixe um comentário, me ajude a atualizar a lista!

sábado, 2 de março de 2013

Blogagem coletiva: Incentivo a leitura.


Fui indicado pelo querido Flávio Cardoso para a blogagem coletiva de incentivo à leitura. 
Quem é convidado a participar tem que aceitar duas condições:

1. Indicar livros, na quantidade que quiser.
2. Indicar outros dez blogs para participar.

Bem, esse ano estou me dedicando às leituras cartomânticas em duas vertentes: a primeira, em relação aos oráculos antigos, aos oráculos sibilinos, ao método antigo de leitura dos oráculos (e, quando falo antigo, penso em trezentos anos atrás, não mais que isso). A segunda, em relação à série Aventura do Louco em sua Autodescoberta, na qual estou revendo toda a bibliografia tarológica que li até hoje e encontrando algumas coisas bem interessantes. Seguem os meus livros de cabeceira, pelo menos no momento. Ah, e não tomem pela ordem os números, porque o grau de interesse é homogêneo e a leitura é simultânea.

1. DICKERMAN, Alexandra Collins. A aventura da autodescoberta: usando os símbolos do Tarô, os mitos e as imagens que revelam a sua vida interior. (Cultrix)
BANZHAF, Hajo. O Tarô e a viagem do herói: a chave mitológica para os Arcanos Maiores (Cultrix)

Essa dupla é o coração da blogagem Aventura do Louco em sua Autodescoberta. Minha leitura primeira antes de qualquer consideração sobre o caminho dos Arcanos. Recomendo a leitura crítica de ambos, para encontrar seu próprio caminho, como eu encontrei o meu.

2. HADÉS. Cartas e destino. (Edições 70)
SCIUTO, Giovanni. ABC da Cartomancia. (Nórdica)
AUBIER, Catherine. Adivinhação: Quirologia, Numerologia, Cartomancia. (Edições 70)

Livros muito interessantes no que concerne à leitura sobre a cartomancia com 32 cartas.

3. BERGMAN, Klaus. El Poder del Tarot. (ME Editores)

Descoberta, achado em um sebo em Belo Horizonte. Marselha pela acepção da G. D., ilustrado com imagens do Tarô Espanhol da US Games.

Tomando a liberdade de alterar um pouco a proposta da blogagem, ficam aqui também os meus baralhos de cabeceira, os que tenho estudado por esses dias. Novamente, simultaneidade é referência.

1. Mother Nature Oracle Cards (LoS). Presente da Socorro Van Aerts, do De Keizerin Boutique. Fazia muito tempo que não ficava tão embasbacado e inspirado a ir além com um oráculo como com esse. Trinta e duas cartas preciosas. Recomendo.

2. The Gilded Reverie Petit Lenormand, de Ciro Marchetti. Não existem palavras para referenciar esse baralho. Ou melhor, existem sim, mas estou guardando para uma resenha que publicarei em breve. :)

3. Ancient Italian (LoS). Meu eterno material de estudo. Medito diariamente com suas cartas, busco sempre novos textos e contextos em suas setenta e oito páginas.

4. French Cartomancy (LoS). Um baralho delicioso de ler. Sutilmente diferente daquilo a que estou acostumado com o Baralho Para Ver a Sorte (COPAG), meu baralho de coração.  

Dez amigos para apresentarem suas leituras: 

2. Regina Guigou, do UniveRsus Supernova.
3. Tânia Durão, do As Cartas Ciganas.
4.  Prem Mangla, do Tarô e Meditação.
5. Flávia Kytanna, do Kytanna's Blog.
6. Iony, do Alma Rubra.
7. Luciana Onofre, do Amor y Otros Demonios.
8. Leandro Roque, do Mr. Postman.
9. Daniele Andrade, do Singelas Tragédias.
10. Michele D'Oxum, do Anima Arcano Tarot.

Abraços a todos, e excelentes leituras.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Doze Meses com os Enamorados: Kelma Mazziero.



Olá pessoal! Está chegando o ano novo astrológico! Deixamos o influxo da Lua e adentramos o influxo de Saturno. Um caminho diferente se delineia.
E, falando em delinear, hoje estamos com Kelma Mazziero delineando suportes, auxílios para a inexorabilidade da vivência desse ano. Por não termos escolha em viver, todas as escolhas decorrentes são plausíveis.
Deitem suas cartas. Façam suas apostas.
Façam suas escolhas.
Contato com a autora: Cartas na Mesa

Enamorados
Universal Fantasy

Todo ano é a mesma coisa: estudamos, pesquisamos e elaboramos artigos sobre as vibrações dos próximos 365 dias. Verdade seja dita (ou escrita): a virada de um ano não vai mudar tudo. Não acontecerá um milagre e todos os nossos problemas serão deixados no ano anterior, começando um novo ano feliz e sem obstáculos. Tudo na vida é continuidade, é cíclico, então esperar que o Universo ofereça saídas e soluções sem se mexer pode ser um erro cometido por uma mente iludida. O ano muda, mas se a gente não mudar junto, nada será diferente.
2013 será regido pela Carta dos Enamorados, ou Amantes, e com ele virão alternativas, novos caminhos, todos seguidos de uma escolha. Não significa que será um ano de dúvidas ou indecisões, isso seria levar a carta no literal (e sabemos que não funciona bem assim). Enamorados mostra caminhos, propõe alternativas, também acentua romantismo, lirismo, envolvimento. Essa carta fala de beleza, do gosto por tudo o que é belo, indica perfeccionismo, sinceridade, abre interesse por interação social e convívio entre as pessoas. Dessa forma, poderemos nos pegar perante escolhas, tentando aliar sinceridade aos nossos gestos, sentindo dificuldade de estarmos satisfeitos por conta de nosso perfeccionismo. É preciso atenção para não aumentar pequenos problemas ou não demorarmos demais em situações que não demandariam tanto critério. E, claro, não esqueçamos que espiritualmente é uma carta sensível e intuitiva, aspectos que poderão ajudar nessa jornada.
Para estarmos mais firmes, mais certos, menos hesitantes perante tantas possibilidades é possível lançar mão dos Florais. Os florais mais conhecidos, de Bach, tem uma essência perfeita para equilibrar hesitações e incertezas: Scleranthus, que oferece foco e segurança. No Sistema de Minas, o Floral Eucalyptus equilibra o “querer” e o “dever”, harmonizando a contradição interior que surge nas escolhas (quando não sabemos a distinção entre idealizar e realizar). No Sistema Floral de Saint Germain temos a essência Varus, que também equilibra o mental e o emocional, alinhando nossos sonhos com nossa vida cotidiana, ensinando a desempenhar papéis da vida real sem precisarmos destruir nossos sonhos.
Para cada momento e cada forma de viver 2013, será possível utilizar as essências florais como aliadas, em busca de equilíbrio. Como dito anteriormente, 2012 não sumirá como que por milagre, apenas terá continuidade com novas vibrações. Podemos conhecê-las para lidar com segurança perante seus desafios ou podemos simplesmente manter tudo como está e ver pouca distinção entre um e outro ano. Somos nós que fazemos toda a diferença em nossa própria vida, a cada ano que passa, e também afetamos a vida das pessoas. O Tarô pode apontar alternativas, os Florais podem harmonizar nossa alma, mas será preciso estarmos conscientes de que a pessoa que conduz nosso Carro através dessa vida (com ganhos, perdas e desafios) somos nós mesmos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

The Game of Thrones Lenormand: 10. A lâmina de Ilyn Payne.


Olá pessoal. Hoje vamos nos encontrar com um personagem fundamental na primeira temporada, ainda que de forma rápida e direta: Sir Ilyn Payne, o Carrasco do Rei.



Sor Ilyn Payne, o Magistrado do Rei, perdeu sua língua devido a um comentário infeliz. Ele disse que Tywin Lannister, a quem Sor Ilyn serviu como capitão da guarda e que à época era Mão do Rei Aerys, o Rei Louco, era mais poderoso que o Rei. Após a Rebelião de Robert, tornou-se a "Justiça do Rei", brandindo sua espada sobre os condenados, uma forma de compensá-lo pela perda da língua à serviço dos Lannister. Raramente precisou de um segundo golpe para cumprir sua tarefa.



O momento mais dramático da presença de Sor Ilyn no seriado é, sem dúvida, quando ele exerce a justiça do Rei Joffrey (carta 06 do Game of Thrones Lenormand) sobre a cabeça de Ned Stark (outra possibilidade de carta 06 do Game of Thrones Lenormand) usando a espada deste, Gelo. 



Ilyn Payne é interpretado por Wilko Johnson. Recentemente ele foi diagnosticado com câncer. Nossas preces a ele.



Quando a lâmina de Ilyn Payne for erguida, prepare-se para um corte. Ele mesmo passou pelo processo, e sobreviveu - o que indica que, embora inexorável, o corte pode ter resultados diferentes de um encerramento. Além disso, ele é apenas o executor - é necessário observar quem deu a ordem, quem o ladeia, para entender os motivos de ele desembainhar sua lâmina.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A Aventura do Louco em sua Autodescoberta: A Roda da Fortuna.


Existe uma questão nas cartas do Tarô que, por vezes, nos esquecemos. Sempre que aprendemos a lição da predecessora, temos uma lição tão desafiante quanto na carta que a sucede, que não necessariamente utilizará a habilidade da carta que a precedeu, senão por contraponto. Isso fica muito claro quando nos deparamos da passagem do Arcano IX para o Arcano X, sobretudo pela ótica da Jornada do Herói.
Lembra-se que, no Arcano anterior, o Herói foi convidado a colocar-se fora dos eventos, os observando em detalhe? Essa lição foi essencial naquele momento de afastamento e aceitação da própria culpa e responsabilidade. Mas, ao colocar-se fora e aprender a lição do Eremita, o Herói é colocado na periferia de uma estrutura para além de suas forças e entendimento.

Roda da Fortuna
Ancient Italian

Aí, a coisa fica feia. A Roda da Fortuna tem em sua periferia todos os possíveis pontos em uma aventura: chamado, clímax, resolução, término. Mas tem algo que devemos nos ater, com grande prestimosidade na interpretação do símbolo: existe um personagem para girar a Roda, mesmo que ele não esteja representado figurativamente. A Roda não gira sozinha.


A Roda nos mostra que a vida é "um processo de mistério e assombro em permanente transformação" (DICKERMAN: 1994, 145). Mas esse processo tem um guia. Seja ele a face do Deus único,  Hermes, as Parcas, não importa. Após o processo de isolamento do Eremita, descobrimos que existe uma força que atua nas circunstâncias a despeito dos atores. E seu nome é Fortuna. Se não nome, epíteto. Um dos Sagrados Nomes.


Não adianta querer, nesse momento da viagem, entender a personagem. Aqui, nos cabe obedecer - haverá um outro momento para conversarmos com ela. Nesse momento, aprendemos seus passos através dos seus atos. 


Como, anteriormente, o Herói, como Eremita, colocou-se na periferia, para observar os eventos, aqui ele se encontra em grande movimento. É na periferia que as coisas acontecem, sem controle. Nesse passo, um personagem ordinário se manteria agarrado à periferia, reagindo aos eventos; o Herói age. E vai em direção ao centro, onde tudo é possível, nada é imposto.
E, como um geógrafo, do centro ele é capaz de mapear aquilo que deve ser feito, traçando a sua estratégia para o próximo ciclo. Tarefa imprescindível para enfrentarmos o próximo desafio, proposto pelo Arcano XI.
Repare que, até então, essa foi a postagem com mais imagens. A Roda da Fortuna é mais compreensível como imagem do que como texto.
Assim como um mapa.

Se você tirou essa carta na posição da Separação, atente-se para o que ao seu redor está de pernas para o ar. Não é por acaso. Existe algo de deliberado aí, para que você caminhe melhor com suas próprias pernas... daqui a algum tempo. Se você tirou essa carta na posição da Iniciação, está na hora de mapear as circunstâncias atuais da sua vida. Quais planos devem ser abandonados? Quais planos estão fadados ao sucesso? E quais ainda não são previsíveis? Se você tirou essa carta na posição de Retorno, que dádivas você hauriu de diferenciar-se do todo? Quando foi que você sentiu paz, mesmo em conflito? É hora de oferecer um pouco de lucidez a uma situação mal resolvida.

Os exercícios propostos e a bibliografia utilizada estão em um arquivo PDF. Para baixar, clique aqui. Caso queira conhecer outras versões dessa carta, clique aqui
E aqui, um vídeo muito legal sobre a Jornada do Herói. Vale a pena ver.
Até o próximo Arcano.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

W.A.S.P. The Gypsy meets the boy.

Olá pessoal. Como tudo que é achado por acaso, vale a pena ouvir. E se encantar.


Jonathon

The tarot is fate, said the Gypsy Queen
And she beckoned me, to glimpse my future she'd seen

Gypsy to Jonathon

She said, do you see what I see?, be careful to choose
Be careful what you wish for, cause it may come true
When I lay the card down will it turn up the fool?
Will it turn up sorrow? If it does then you lose

Jonathon to the Gypsy

I'm the lost boy can you help me
Yeah, I'm the lost boy can you help me

Jonathon

Then the illusion was real, a crimson idol I saw
But the higher he'd fly, then the further he'd fall

Jonathon to the Gypsy

I'm the lost boy can you help me
Yeah, I'm the lost boy can you help me

Jonathon to the Gypsy

I just wanna be, I just wanna be, I just wanna be
The crimson Idol of a million
I just wanna be, I just wanna be, I just wanna be
The crimson Idol of a million eyes
Of a million

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Primeira aula do módulo I de formação em Tarô Terapêutico, por Veet Pramad.

Olá pessoal. Eu não faço nenhum segredo de que sou fã convicto do trabalho do Veet Pramad. Recentemente, o autor disponibilizou a primeira aula do módulo I da formação em Tarô Terapêutico e, como não poderia deixar de ser, cá a temos.
Espero que apreciem, como eu apreciei.
Abraços a todos.

 

1ª Aula do Módulo Teórico 1 da Formação em Tarot Terapêutico. Método Veet Pramad from Veet Pramad on Vimeo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

The Game of Thrones Lenormand 09. Sir Loras Tyrell


Olá pessoal. Vamos agora falar do mais belo entre os cavaleiros de Game of Thrones: Sir loras Tyrell.


Sir Loras Tyrell é o terceiro filho do Senhor Mace Tyrell. Conhecido como o Cavaleiro das Flores, ele é um cavaleiro altamente qualificado, extremamente habilidoso e galante. Os seus sucessos em torneios, a sua deslumbrante aparência, e ostentação fizeram dele uma figura célebre nas cortes dos Sete Reinos.
O seu brasão de armas pessoal tem três rosas de ouro num campo de verde, indicando sua posição como um terceiro filho.



Sir Loras é excepcionalmente bonito (sendo considerado jocosamente mais bonito que a Rainha Cersei), com longos cabelos castanhos e olhos dourados. Apesar da sua juventude e corpo esguio, ele é um guerreiro capaz e extremamente habilidoso com as armas. Ele é amado pelo povo, especialmente pelas mulheres. Apesar de cortês ele é sedento de glória e pode ser mal-humorado e impetuoso.



Na juventude, ele foi educado em Ponta Tempestade e serviu como pagem e escudeiro do Senhor Renly Baratheon. Este foi provavelmente o início do seu caso de amor clandestino. Embora não seja amplamente conhecida, a sua relação proibida é conhecida por diversos outros membros da corte. Embora nos livros fique subentendido o relacionamento entre os dois, na série de TV as cenas são mais evidentes.



No Torneio da Mão, o Cavaleiro das Flores entrega uma rosa branca para uma garota bonita no meio da multidão a cada vitória. Em seguida, ele entrega uma rosa vermelha para Sansa Stark, filha da Mão, que fica maravilhada pela sua bravura e mais tarde se torna apaixonada por ele.


Quando Renly faz a sua reclamação para o Trono de Ferro, Loras e o resto da Casa Tyrell estão do seu lado e o seu apoio é cimentado ao casar com a irmã de Loras, Margaery, com Renly e fazer do Senhor Mace a sua Mão. Renly faz Loras o comandante da sua Guarda do Arco Íris, uma versão fantasiosa e ostensiva da Guarda Real tradicional, e os dois permanecem inseparáveis mesmo depois do casamento de Renly. Após o assassinato do Renly, Loras fica enfurecido, matando os dois membros da Guarda do arco íris encarregados de protegê-lo naquela noite. Ele acredita que Brienne de Tarth, a Azul, e Catelyn Stark estiveram envolvidas no assassinato, mas é incapaz de prendê-las. Quando os Tyrells aderirem à causa Lannister contra Stannis Baratheon, Loras luta ao lado do irmão Sir Garlan, o Galante, que usa a armadura de Renly e representa o rei caído na Batalha da Água Negra. Depois, é concedido a Loras um lugar na Guarda Real de Joffrey I.


Sor Loras Tyrell é interpretado por Finn Jones.




Quando aparece no jogo, a carta do Ramalhete/As Flores de Tyrell representam as alegrias, a beleza, a fidelidade, os níveis inalcançáveis de valores cavalheirescos (inalcançáveis até para Tyrell, como prova o uso da égua contra a Montanha que Cavalga.)

Ser fiel ao seu amor, mesmo que isso indique ir contra princípios pessoais.
Sacrifícios voluntários e prazerosos.
Amor verdadeiro.


Fonte das informações, aqui.



Abraços a todos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Make good art.

Eu não faço segredo de que sou fã do Gaiman. Porque, simplesmente, fazer segredo disso é negar parte do meu momento que está sendo de um prazer inenarrável. Nunca me esquecerei da primeira revista que li, ainda online, e de ligar para minha namorada em seguida e ela dizer: "você está diferente".
Sim. Eu estava.



Sandman é uma história que, mais que marca, tatua. Você não é mais o mesmo, você é um dos Sete D, ou um pouco de cada um deles com um tom puxado para um deles. Eles lhe antecederam, eles lhe sucederão, até que a Morte feche a porta depois que Destino passar. 
A maior parte dos que conheço se apaixona perdidamente pela Morte, o que é previsível. Ela é apaixonante. Outros há que se apaixonam por Destruição. O que também é previsível, ele é apaixonante. Conheci um apaixonado que via Delírio em seu reflexo. Quando se trata dele, é previsível, porque ele é apaixonado. 



Mas eu me apaixonei por Desejo (talvez, o mais correto é desejá-lo, mas eu não sou muito bom em partir do óbvio). Foi no seu espelho que vi o meu reflexo, mesmo sabendo que ele, juntamente com Desespero e Destino, não era um dos mais, com o perdão do trocadilho, desejados.  E o curioso é ver que este personagem é uma das maiores lacunas de Gaiman na série. Segundo o autor, se escrita pela ótica de Desejo, as coisas seriam muito diferentes. E sim, elas seriam, mesmo.
Tudo é dual em Gaiman, e não é possível ter uma referência só.

Especulou-se durante a série que, além de poder enxergar sua própria esfera de influência, os Perpétuos também poderiam definir os opostos dos conceitos que representam. No caso da Morte, que não só finaliza vidas como também as começa. É sinalizado este dualismo pelo grande interesse (que não necessariamente coincide com talento) que Destruição apresenta por várias atividades criativas, como arte, poesia e culinária - mas não se poder descartar a hipótese de que esta seria a forma que Destruição encontrou para se rebelar contra sua própria natureza, ao invés de assumir seu papel e função. Outro exemplo notavel é de Morpheus em "O Sonho de Mil Gatos", no qual ele foi capaz de criar uma realidade alternativa por certos grupos de indivíduos meramente sonharem por esta realidade. E assim mostrando que, mesmo de uma maneira indireta, Sonho tem o poder de moldar a realidade.
Se esta hipótese se estende aos outros Sem Fim, então também Delírio pode definir sanidade; Desespero, esperança; Desejo, satisfação (ou talvez contentamento, ou apatia, ou ódio); Destino, liberdade; e Sonho, por sua vez, realidade. (Foi notado que Desejo e Desespero são opostos, já que desejar algo significa reconhecer que seu desejo não pode ser alcançado, e daí nasce o desespero). Esta hipótese se baseia numa noção que Gaiman tem, de que contrastes e limitações são necessários para determinar o valor de qualquer coisa: sem a morte, a beleza da vida seria ignorada; sem desespero, a felicidade (ou a esperança) não teria significado; sem a loucura, não se poderia falar em sanidade.





Mas a primeira impressão foi impactante, as demais não deixaram de ser. Estou aqui, tento à minha frente quatro livros dele por ler e dois por chegar. E sei que não durarão uma semana. Metas de ano novo? Não... Metas instantâneas.
Mas hoje, por um daqueles acasos que me deixam pensativo e questionando os meandros do labirinto do Destino, encontrei esse texto aqui no blog Vou Soltar a Minha Voz. Visitem. Leiam. E se impactem. 
Impactar-se é necessário. Façam boa arte disso. 

E, quando eu falo de Arte, falo de arte, e da nossa Arte. Porque são uma só, embora duais.



Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior. Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos. E nunca nem comecei um. Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante.

Eu saí para o mundo, eu escrevi, eu me tornei um escritor melhor na medida em que escrevia mais, e eu escrevi um pouco mais, e ninguém nunca parecia se importar que eu estava inventando na medida em que eu prosseguia, eles simplesmente liam o que eu escrevia e pagavam por isso, ou não, e frequentemente eles me encomendavam alguma outra coisa pra eles.

O que me deixou com um saudável respeito e admiração pela educação superior do quais meus amigos e familiares, que frequentaram universidades, se curaram há muito tempo atrás.

Olhando para trás, eu trilhei uma caminhada memorável. Não tenho certeza de que posso chamá-la de uma carreira, porque uma carreira implica que eu tivesse algum tipo de plano de carreira, e eu nunca tive. A coisa mais próxima que tive foi uma lista que fiz quando tinha 15 anos com tudo que eu queria fazer: escrever um romance para adultos, um livro infantil, uma revista em quadrinhos, um filme, gravar um audiobook, escrever um episódio de Dr. Who… e assim por diante. Eu não tive uma carreira. Eu simplesmente fui fazendo a próxima coisa da lista.
Então pensei em contar para vocês tudo que eu gostaria de saber de saída, e algumas coisas que, olhando para trás pra isso, suponho que eu sabia. E também em dar o melhor conselho que já recebi, o qual falhei completamente em seguir.
O primeiro de todos: quando você começa em uma carreira nas artes você não tem ideia do que está fazendo.
Isso é ótimo. As pessoas que sabem o que estão fazendo conhecem as regras, e sabem o que é possível e o que é impossível. Vocês não. E vocês não devem. As regras sobre o que é possível e impossível nas artes foram feitas por pessoas que não tinham testado os limites do possível indo além deles. E vocês podem.
Se vocês não sabem que é impossível é mais fácil fazer. E porque ninguém fez antes, não inventaram regras para evitar que alguém faça de novo, ainda.
Em segundo, se você tem uma ideia do que você quer fazer, sobre o que você foi colocado aqui para fazer, então simplesmente vá e faça aquilo.
E isso é muito mais difícil do que parece e, algumas vezes, no fim, muito mais fácil do que você poderia imaginar.
Porque normalmente, há coisas que você precisa fazer antes de que você possa chegar aonde quer estar. Eu queria escrever quadrinhos e romances e histórias e filmes, então me tornei um jornalista, porque jornalistas têm permissão para fazer perguntas, e para simplesmente ir adiante e descobrir como o mundo funciona, e, além disso, para fazer essas coisas eu precisaria escrever e escrever bem, e eu estava sendo pago para aprender como escrever economicamente, claramente, às vezes em condições adversas, e em tempo.
Algumas vezes o caminho para fazer o que você espera fazer estará claramente delineado; e às vezes será quase impossível decidir se você estará ou não fazendo a coisa certa, porque você terá de balancear suas metas e esperanças, e alimentar-se, pagar as contas, encontrar trabalho, e se adequar ao que pode encontrar.
Uma coisa que funcionou para mim foi imaginar que onde eu gostaria de estar – um autor, principalmente de ficção, fazendo bons livros, fazendo bons quadrinhos e me mantendo através de minhas palavras – era uma montanha. Uma montanha distante. Minha meta.
E eu sabia que enquanto eu me mantivesse andando em direção à montanha eu estaria bem. E quando eu verdadeiramente não estava certo acerca do que fazer, eu podia parar, e pensar se aquilo estava me levando em direção à montanha ou me afastando dela. Eu disse não para trabalhos editoriais em revistas, trabalhos adequados que teriam pago um dinheiro respeitável porque eu sabia que, por mais atrativos que fossem, para mim eles estariam me deixando mais distante da montanha. E se essas ofertas tivessem aparecido mais cedo talvez as tivesse aceito, porque elas ainda me deixariam mais perto da montanha do que eu estava à época.
Eu aprendi a escrever escrevendo. Eu tendia a fazer qualquer coisa conquanto que parecesse uma aventura, e a parar de fazê-la quando parecia trabalho, o que significou que a vida não se parecia com trabalho.
Em terceiro lugar, quando você começa, você precisa lidar com os problemas do fracasso. Vocês precisam ser osso duro de roer, precisam aprender que nem todo projeto sobreviverá. Uma vida como freelancer, uma vida nas artes, é muitas vezes como colocar mensagens em garrafas, em uma ilha deserta, e esperar que alguém encontre uma de suas garrafas, e a abra, leia, e coloque algo em outra garrafa que fará seu caminho de volta até você: apreço, ou uma encomenda, dinheiro, ou amor. E vocês têm de aceitar que vocês poderão lançar uma centena de coisas para cada garrafa que aparecerá retornando.
Os problemas do fracasso são problemas de desencorajamento, de desespero, de ansiedade. Você deseja que tudo aconteça e você quer que as coisas aconteçam agora, e as coisas dão errado. Meu primeiro livro – uma peça de jornalismo que tinha feito pelo dinheiro, e que já tinha me comprado uma máquina de escrever eletrônica do adiantamento – deveria ter sido um bestseller. Deveria ter me pagado muito dinheiro. Se a editora não tivesse involuntariamente ido à bancarrota entre a primeira impressão se esgotar e a segunda sair, e antes que quaisquer direitos pudessem ser pagos, ele teria me dado muito dinheiro.
E eu dei de ombros, e eu ainda minha máquina de escrever eletrônica e dinheiro o bastante para pagar o aluguel por um par de meses, e decidi que eu faria o meu melhor para no futuro não escrever livros apenas pelo dinheiro. Se você não ganha o dinheiro, então você não tem nada. Se eu fizesse um trabalho do qual me orgulhasse, e não ganhasse a grana, ao menos eu teria o trabalho.
De vez em quando, eu esqueço essa regra, e sempre que o faço, o universo me bate com força e me relembra dela.
Eu não sei se isso é um problema para mais alguém além de mim, mas é verdade que nada que eu fiz na qual a única razão para fazê-lo fosse o dinheiro jamais valeu a pena, exceto como amarga experiência. Normalmente nunca dei o trabalho por encerrado ao receber o dinheiro, por outro lado. As coisas que fiz porque estava empolgado, e queria vê-las existirem na realidade, nunca me decepcionaram, e eu nunca me arrependi do tempo gasto com nenhuma delas.
Os problemas do fracasso são difíceis.
Os problemas do sucesso podem ser ainda mais difíceis, porque ninguém lhes avisa sobre eles.
O primeiro problema de qualquer tipo de sucesso limitado é a convicção inabalável de que você está fugindo com algo, e de que a qualquer momento irão descobri-lo. É a Síndrome do Impostor, algo que minha esposa Amanda batizou de Polícia da Fraude.
Em meu caso, eu estava convencido de que haveria uma batida na porta, e um homem com uma prancheta (não sei por que ele carregava uma prancheta, em minha cabeça, mas ele carregava) estaria lá, para me dizer que estava tudo acabado, e eles me pegariam e agora eu teria de ir e conseguir um trabalho de verdade, algum que não consistisse de inventar coisas e escrevê-las, e ler livros que eu quisesse ler. E então eu partiria silenciosamente e pegaria o tipo de trabalho no qual você não tem de inventar mais coisas.
Os problemas do sucesso. Eles são reais, e com sorte vocês irão experienciá-los. O ponto em que você para de dizer sim pra tudo, porque agora as garrafas que você lança ao oceano estão todas voltando, e você precisa aprender a dizer não.
Eu observei meus pares, e meus amigos, e aqueles que eram mais velhos que eu e observei quão infelizes alguns deles se sentiam: eu os ouvi contar pra mim que eles não podiam encarar um mundo no qual eles não podiam mais fazer o que sempre quiseram fazer, porque agora eles tinham de ganhar uma certa quantidade de grana todo mês apenas para se manter onde estavam. Eles não podiam ir e fazer as coisas que importavam, e que realmente queriam fazer; e isso me pareceu uma tragédia tão grande quanto qualquer problema de fracasso.
E depois disso, o maior problema do sucesso é que o mundo conspira para que você pare de fazer o que você faz, porque você é famoso. Houve um dia em que olhei e me dei conta de que eu tinha me tornado alguém que profissionalmente respondia a e-mails, e escrevia como um hobby. Eu comecei a responder menos e-mails, e fiquei aliviado por perceber que estava escrevendo muito mais.
Em quarto, eu espero que vocês cometam erros. Se vocês estão cometendo erros, significa que vocês estão por aí fazendo algo. E os erros em si podem ser úteis. Uma vez escrevi Caroline errado, em uma carta, trocando o A e o O, e eu pensei, “Coraline parece um nome real…”
E lembrem-se que não importa a área em que estejam, se você é um músico ou um fotógrafo, um artista fino ou um cartunista, um escritor, um dançarino, um designer, o que quer que você faça, vocês têm algo que é único. Vocês têm a habilidade de fazer arte.
E para mim, e para muitas das pessoas que conheci, isso tem sido um salva-vidas. O salva-vidas definitivo. Ele lhe leva através dos bons momentos e pelos outros.
A vida as vezes é dura. As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros modos que a vida pode dar errado. E quando as coisas ficam difíceis, isso é o que vocês devem fazer.
Façam boa arte.
Eu estou falando sério. O marido fugiu com uma política(o)? Faça boa arte. Perna esmagada e depois devorada por uma jibóia mutante? Faça boa arte. IR te rastreando? Faça boa arte. Gato explodiu? Faça boa arte. Alguém na internet pensa que o que você faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte. Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa. Faça apenas o que você faz de melhor. Faça boa arte.
Faça-a nos dias bons também.
E, em quinto: enquanto estiverem nisso, façam a sua arte. Façam as coisas que só vocês podem fazer.
O impulso, começando, é copiar. E isso não é uma coisa ruim. A maioria de nós só descobre nossas próprias vozes depois de termos soado como um monte de outras pessoas. Mas uma coisa que você tem que ninguém mais tem é você. Sua voz, sua mente, sua estória, sua visão. Então escreva e desenhe e construa e toque e dance e viva como só você pode viver.
No momento em que você sentir que, possibilidade, você está andando na rua nu, expondo muito de seu coração e de sua mente e do que existe em seu interior, mostrando demais de si mesmo. Esse é o momento em que você pode estar começando a acertar.
As coisas que fiz que mais funcionaram foram as coisas das quais menos estava certo, as estórias as quais eu tinha certeza de que ou funcionariam, ou, mais provavelmente, seriam o tipo de fracasso embaraçoso que as pessoas se juntam para falar a respeito até o fim dos tempos. Elas sempre tiveram isso em comum: olhando para em retrospectiva para elas, as pessoas explicam porque foram sucessos inevitáveis. Enquanto as estava fazendo, eu não tinha ideia.
E ainda não tenho. E onde estaria a graça de fazer alguma coisa que você soubesse que iria funcionar?
E às vezes as coisas que fiz realmente não funcionaram. Há estórias minhas que nunca foram reimpressas. Algumas delas nunca sequer saíram da casa. Mas eu aprendi com elas tanto quando aprendi com as coisas que funcionaram.
Sexto. Eu passarei algum conhecimento secreto de freelancer. Conhecimento secreto é sempre bom. E é útil para qualquer um que alguma vez já planejou criar arte para outras pessoas, em entrar em um mundo de freelance de qualquer tipo. Eu aprendi isso com os quadrinhos, mas se aplica a outros campos também. E é isto:
As pessoas são contratadas porque, de algum modo, elas são contratadas. Em meu caso eu fiz algo que atualmente seria fácil de checar, e me colocaria em problemas, e quando eu comecei, naqueles dias pré-internet, parecia uma estratégia de carreira sensata: quando editores me perguntavam para quem eu já tinha trabalhado, eu mentia. Eu listei uma série de revistas que soavam razoáveis, e soei confiante, e consegui os empregos. Então transformei em uma questão de honra conseguir escrever algo para cada uma das revistas que eu listei para conseguir aquele primeiro emprego, de modo que eu não menti de fato, só fui cronologicamente desafiado… Você começa a trabalhar por qualquer maneira que comece a trabalhar.
As pessoas se matêm trabalhando, em um mundo de freelances, e mais e mais do mundo de hoje é freelance, porque seu trabalho é bom, e porque são fáceis de conviver, e porque elas entregam o trabalho em tempo. E você nem precisa de todos os três. Dois em três está bem. As pessoas irão tolerar quão desagradável você é se seu trabalho for bom e você o entregar no prazo. Elas perdoarão o atraso do trabalho se ele for bom, e elas gostarem de você. E você não precisa ser tão bom quanto os outros se você é pontual e é sempre um prazer ouvi-lo(a).
Quando concordei em fazer este discurso, eu comecei tentando pensar em qual tinha sido o melhor conselho que já tinha recebido ao longo dos anos.
E ele veio do Stephen King, há vinte anos atrás, no auge do sucesso de Sandman. Eu estava escrevendo um quadrinho que as pessoas amavam e estavam levando a sério. King gostara de Sandman e de meu romance com Terry Pratchett, Belas Maldições (Good Omens), e ele viu a loucura, as longas filas de autógrafos, tudo aquilo, e seu conselho foi esse:
“Isso é realmente ótimo. Você deveria apreciar isso.”
E eu não aproveitei. O melhor conselho que já recebi que ignorei. Ao invés disso, eu me preocupei com aquilo. Eu me preocupei com o próximo prazo, a próxima ideia, a próxima estória. Não houve um momento nos próximos quatorze ou quinze anos em que não estivesse escrevendo algo em minha cabeça, ou imaginando a respeito. E eu não parei e olhei em redor e pensei, isso é realmente divertido. Eu queria ter aproveitado mais. Tem sido uma caminhada incrível. Mas houve partes da trilha que eu perdi, porque estava muito preocupado em as coisas darem errado, sobre o que viria depois, para apreciar a parte em que estava.
Essa foi a lição mais difícil pra mim, eu acho: relaxar e curtir a caminhada, porque a jornada o leva a alguns lugares memoráveis e inesperados.
E aqui, nesta plataforma, hoje, é um destes lugares. (E eu estou curtindo isso imensamente.)
Para todos os graduandos de hoje: eu desejo a vocês sorte. Sorte é útil. Frequentemente vocês descobrirão que quanto mais duro vocês trabalharem, e mais sabiamente, mais sortudos vocês serão. Mas existe sorte, e ela ajuda.
Nós estamos em um mundo em transição neste momento, se vocês estão em qualquer campo artístico, porque a natureza da distribuição está mudando, os modelos pelos quais os criadores entregavam seu trabalho ao mundo, e conseguiam manter um teto sobre suas cabeças e comprar alguns sanduíches enquanto faziam isso, estão todos mudando. Eu falei com pessoas do topo da cadeia alimentar em publicações, vendas de livros, em todas essas áreas, e ninguém sabe com o que a paisagem se parecerá daqui a dois anos, que dirá daqui a uma decada. Os canais de distribuição que as pessoas construíram ao longo do último século ou mais estão contínua mudança, para os impressos, para artistas visuais, para músicos, para pessoas criativas de todos os tipos.
O que é, por um lado, intimidante e, por outro, imensamente libertador. As regras, as suposições, os agora nós devemos fazer de como você consegue expor seu trabalho, e o que você faz a seguir, estão ruindo. Os porteiros estão deixando seus portões. Vocês podem ser tão criativos quanto precisarem para conseguir visibilidade para seus trabalhos. YouTube e a web (e o que quer que venha depois do YouTube e da web) podem dar a vocês mais pessoas de audiência do que a televisão jamais deu. As velhas regras estão desmoronando e ninguém sabe quais são as novas regras.
Então inventem suas próprias regras.
Alguém recentemente me perguntou como fazer alguma coisa que ela achava que seria difícil, em seu caso, gravar um audiobook, e eu sugeri que ela fingisse que ela era alguém que poderia fazê-lo. Não fingir fazê-lo, mas fingir que era alguém que podia fazer. Ela colocou uma nota para este efeito na parede do estúdio, e disse que isso ajudou.
Então sejam sábios, porque o mundo necessita de mais sabedoria, e se vocês não puderem ser sábios, finjam ser alguém que é sábio, e então apenas se comportem como eles se comportariam.
E agora vão, e cometam erros interessantes, cometam erros maravilhosos, façam erros gloriosos e fantásticos. Quebrem regras. Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem aqui. Façam boa arte."

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Aventura do Herói em sua Autodescoberta: O Eremita.


Olá pessoal. Vamos agora dar mais um passo na caminhada do Herói. 
Só que esse passo é para trás.

Eremita
Ancient Italian

Um eremita é um indivíduo que, usualmente por penitência, religiosidade, misantropia ou simples amor à natureza, vive em lugar deserto, isolado. O Eremita do Tarô tem dessas coisas. Ele é péssimo para ensinar, exceto pelo exemplo, e péssimo para aprender, exceto pela experiência. E não, ele não procura companhia.


O Eremita precisa experimentar. Nesse passo, o Herói está normalmente sozinho. Ou busca a solidão. Ou foge. Não importa como; ele irá se deparar com a necessidade de pensar com sua própria cabeça. Caminhar com seus próprios pés. No Arcano anterior, dispusemo-nos a julgar a nós mesmos. Aqui, assumimos a nossa culpa.
A culpa é uma das facetas da responsabilidade. Mas, enquanto podemos oferecer responsabilidades para os outros e seguirmos nossas vidas sem maiores problemas, só podemos assumir culpas. Outorgar culpas é sinônimo de problemas. Durante um certo tempo, soa convincente dizer que você não está no melhor dos seus dias devido a alguém. Mas, depois de um tempo... Não, você não está bem porque você não quer.
E a experiência do Eremita virá, de um jeito ou de outro. Ou porque você se isola, ou porque é isolado. Ninguém gosta de reclamações o tempo todo. Ninguém tem tempo para consolar os outros o tempo todo. Ninguém tem disposição para isso... A menos que esconda algo pior para si.
Porém, ao reconhecer a própria culpa, a própria parcela de responsabilidade sem desculpas, o Herói mergulha no silêncio. Não há ninguém a culpar. Não há ninguém a recorrer. E, nesse momento, e por um momento, se é completamente livre, para além da vida e da morte.
Reparemos nos elementos do Eremita: o manto, o cajado, a lanterna (ou a ampulheta, conforme alguns baralhos históricos): todos são elementos externos, que pouco ou nada tem a ver com o interior do Eremita, senão como auxiliares. São suas pernas que caminham, com o auxílio do bastão; são seus olhos que veem, com o auxílio da lanterna; é seu desejo passar incólume, com o auxílio do manto.
A lanterna, o manto, o bastão, estão fora como a Verdade - que só é descoberta e entendida com o distanciamento.
Se você tirou essa carta na posição da Separação, se sentir diferente não te faz diferente. Veja ao seu redor o que tem ocorrido para que você sinta o afastamento. Não é agradável, mas trago amargo também cura. Se você tirou na posição da Iniciação, veja como você chegou ao estado em que está. E assuma sua culpa. Foram seus passos que te trouxeram até aqui. Se você tirou essa carta na posição do Retorno, saiba que você já aprendeu - e muito! - com a experimentação. Que tal oferecer ao mundo seus dons?

Os exercícios propostos e a bibliografia utilizada estão em um arquivo PDF. Para baixar, clique aqui. Caso queira conhecer outras versões dessa carta, clique aqui.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Reflexões sobre a Morte. Ou: I will be blessed.

Tarô do Sonho Encantado

A Morte, Il Tredici. Medonho, fúnebre, indesejado. A Inominável.
Nem sempre.
Morra antes que você morra, diria Osho. E, antes de morrer antes de morrer, eu diria para você ouvir Ben Howard. 
Uma boa morte para você, com direito ao Céu. Sem justificativas. Sem condições.
Abraços a todos.



Oh, my ghost came by here
Said, "who do you love most?
Who you gonna call before you die?"
Oh, my ghost came by here
Said, "who do you love most?
Who you gonna sing to before you go?"

Oh hey, heaven is a place we know
Heaven is the arms that hold us, long before we go
Oh hey, heaven is a place we know
Heaven is the arms that hold us, long before we go

Oh, my ghost came by here
Said, "who do you love most?
Who you gonna call before you die?"
Oh, my ghost came by here
Said, "who do you love most?
Who you gonna sing to before you go?"

Oh hey, heaven is a place we know
Heaven is the arms that hold us, long before we go
Oh hey, heaven is a place we know
Heaven is the arms that hold us, long before we go

Oh, if you're there when the world comes together
Oh, if you're there i will be blessed
Oh, if you're there when the world comes together
Oh, if you're there i will be blessed
Oh, if you're there when the world comes together
Me here, you're there
I will be blessed, i will be blessed
Oh, if you're there when the world comes together
Oh, if you're there i will be blessed
I will be blessed...