sábado, 3 de março de 2012

Conversas Cartomânticas: Lúcia Sindoya e o Rei de Ouros

Um doce de pessoa. Essa é a melhor definição que posso oferecer sobre a Lúcia. Conhecemo-nos na Mystic Fair e conversamos pouco frente ao desejo que tínhamos. Mas já foi o suficiente para ingressarmos em uma sincera amizade. E cá ela nos guia ao encontro do Rei de Ouros - fora e dentro de nós mesmos.
Contatos com a autora:

Blog pessoal: http://sindoyatarot.blogspot.com/
Site: http://espacoluzvida.com.br
Blog: http://espacoluzvida.blogspot.com

Rei de Ouros: A personificação do sucesso.

Rei de Ouros
Obaluaiê
Tarô dos Orixás: Senhores dos Destinos

Eu, particularmente gosto muito desse arcano. No Tarô dos Orixás: Senhores do Destino, que é um dos primeiros que eu ganhei e com o qual já joguei muito, ele é representado por Obaluaiê, o Senhor Rei da terra, um Orixá com o qual eu tenho uma ligação muito especial, e que, embora seja conhecido por ser o dono das doenças, é um orixá de grande riqueza e beleza.

Rei de Ouros
Ancient Italian

Representa situações ou pessoas de sucesso. Aqueles que souberam aproveitar as oportunidades e insigths e conseguiram alcançar o patamar desejado; pessoas ambiciosas, de visão estratégica. 
Pessoas que tem esse arquétipo me impressionam, e eu as admiro. Sim, eu sou uma pessoa materialista e não acho isso errado. Eu quero ser bem sucedida, e quem não quer?
E esse arcano me inspira a isso, a por meus ideais em prática, trabalhar para alcançar o meu objetivo, colocar a mão na massa. Para futuramente chegar ao seu patamar, poder olhar para trás e dizer : Fui eu que fiz, fui eu que consegui, é resultado do meu esforço.
Na minha opinião, o Rei de Ouros é o arquétipo do " poderoso", aquela pessoa que se dedicou à algo, e foi inteligente o suficiente para ser e ter o que ela deseja. Alguém que alcançou o verdadeiro sucesso,trabalhando muito, aproveitando oportunidades, e hoje pode desfrutar do que adquiriu, tem status e admiração. 
Vejo nesse arcano pessoas obstinadas a vencer, mas também, pessoas que já vieram com um talento natural para negociar, para convencer, para se sobressair, naturalmente, sem necessidade de trapacear. Independente de que profissão escolham, vejo no arquétipo do rei de ouros aquelas pessoas que vieram para vencer na vida.

Rei de Ouros
Marseille Grimauld
Repare que, entre os Reis deste baralho,
este é o único a não usar coroa.

Quando penso no rei de ouros, penso em alguns empresários que eu conheço que começaram ali vendendo porta a porta, e hoje tem um belo patrimônio. Aquelas pessoas que as vezes não tem faculdade, mas tem vivência. Talvez o que se chama de novos ricos ou emergentes.
É aquela pessoa que, tem uma história de sucesso real para contar, que cresceu, que prosperou batalhando, conquistando,construindo, dando forma aos seus sonhos e projetos. E agora em uma roda de amigos, pode falar com orgulho de como as empresas estão indo bem, da viagem que fez para Paris com a família, dos bens que conquistou e conquista. Tem até um certo ar de metidez, mas quem não se orgulha de poder dizer: Eu venci!!

Abundância
Tarô Zen, de Osho

A obstinação desse arcano e o faro para negócios é que me deixa admirada. Já conheci alguns Reis de Ouros, e começaram ali, dia-a-dia, movimentando-se em busca do que desejavam. Trabalharam duro para conseguir conquistar o seu lugar ao sol, e hoje podem comer nos restaurantes chiques, tem suas propriedades, suas jóias , seus belos carrões, e sua conta bancária recheada de dinheiro. É a recompensa do esforço, do não esperar cair do céu, é o princípio básico da prosperidade. Fazer para ter!
O Rei de Ouros cria as suas condições de sucesso. Tem coragem de arriscar uma nova empreitada, confiando no seu faro para negócios. Prospera porque acredita no que faz.
Em seu lado negativo, esse arquétipo tem muito a ver com o mito de Midas, aquele que tudo que toca vira ouro, ou seja, em determinados momentos pode se focar tanto na questão material, que acaba não dando muita importância à outras coisas, muitas vezes gerando um desequilíbrio na vida amorosa, familiar,na  vida espiritual e até mesmo se descuidando da saúde, que deveria ser o bem mais precioso de uma pessoa. De que adianta acumular riquezas e estar doente, ou não poder usufruir do que conquistou? De que adianta ser rico e não ser amado?

Rei de Ouros
Klimt

Não que ele seja um arquétipo frio, mas representa o tipo de pessoa que acaba se entretendo demais na questão do ficar rico, ganhar muito dinheiro, (essas são suas realizações pessoais mais importantes), e acaba deixando algumas coisas de lado. No mito de Midas, podemos ver, que riqueza material não é tudo, é importante sim (e como!!), mas só a riqueza não traz a verdadeira felicidade. Esse é o desafio do rei de Ouros, se permitir acumular, mas saber depois aproveitar o que acumulou.
Para algumas pessoas, a verdadeira felicidade esta nas coisas simples da vida, num eu te amo, num aconchego, para o rei de ouros a felicidade é TER. Se eu tenho, estou feliz, se não tenho, me empenharei em ter, e só descansarei quando tiver, aí sim estou realizado.
Numa jogada, geralmente eu atribuo esse arcano à situações onde o consulente deve acreditar no seu potencial e colocar em prática o que deseja. Êxitos num geral. Caminhos abertos. Posso dizer também que é aquele momento onde os Deuses olham para você e dizem "Alafiá". Vai dar certo.

Rei de Ouros
Waite-Smith

Ligado a ganhos materiais, crescimento, status. Mas, para haver esse crescimento, é necessário antes se dedicar ao seu projeto, pois nada cairá do céu, virá com muito trabalho.
No seu aspecto negativo, aconselho a tomar cuidado com a ambição exagerada, dar atenção também à outros setores de sua vida , não se deixar deslumbrar pela riqueza.

Rei de Ouros
Elves

Vivenciando o Rei de Ouros

Para que possamos entender o Rei de Ouros, convido você a imaginar essa história e vivenciá-la como o personagem principal.
É uma história baseada em fatos reais.

Rei de Ouros
Visconti-Sforza (US Games)

José Elizeu vem de família pobre. Não paupérrima, mas já passou algumas dificuldades em sua infância. Não viajava nas férias, porque o dinheiro não dava, não estudou nos melhores colégios,  mas sua inteligência sempre foi muito elogiada pelos seus professores. 
A familia era grande, o pai tinha um pequeno comércio no bairro, e desde muito cedo, José Elizeu precisava ajudar o pai na vendinha da família depois que voltava da escola. Essa era a sua rotina diária, sem folga, sem descanso. Ir a escola de manhã, a tarde ser balconista da pequena venda de seu pai. 
Ser bom em matemática foi essencial para dar sempre o troco certo, e nisso ele sempre foi muito bom e muito honesto, criando a confiança da vizinhança. 
Nem sempre tinha tempo para brincar, mas era feliz. Sonhava em um dia ser um homem rico, ter uma casa grande, conhecer a Itália, se casar e ter uma família para a qual ele pudesse dar o conforto que não teve.
Cresceu um pouco mais, e em sua adolescência resolveu pedir ao pai um dinheiro emprestado para investir num novo negócio. Vendas porta a porta. Inicialmente de roupas, roupas de cama, toalhas, essas coisas que se vê muito em periferias, onde o vendedor passa com a mercadoria e volta um tempo depois para receber, valorizando e dando crédito à pessoas que não tem como comprar à vista, mesmo que elas tenham que pagar a mais por isso.
Já tinha a confiança da clientela do bairro e não foi difícil conseguir êxito nessa empreitada.
Trabalhou muito, as vezes aos domingos, as vezes aos feriados, economizava seu dinheiro o mais que podia.
Com o tempo, alugou um local onde montou a sua primeira lojinha, ainda no mesmo bairro, mas agora conquistando novos clientes. 
Não teve como fazer uma faculdade, mas a vida lhe trouxe experiência. Ele aprendeu no seu dia a dia a administrar, economizar, planejar, a fazer o seu marketing. Talvez até melhor do que em qualquer faculdade.

Rei de Ouros
Universal Fantasy

Aos poucos foi prosperando, diversificando os seus negócios, abrindo mais lojas em outros bairros, dando emprego às pessoas,e com o passar dos anos, após muito trabalho e muitos dias de dedicação e empenho, eis que ele já alcançou uma ótima situação financeira, de dar inveja, e de causar orgulho em seu velho pai. 
Hoje em dia, ele tem uma rede de lojas populares, que lhe traz muitos lucros. Lucros esses que permitem que ele tenha uma vida tranquila, sem preocupações financeiras.
E é agora que ele vivencia o arquétipo do rei de Ouros.
Hoje ele pode se dar ao luxo de ter um belo carro para passear, outro para trabalhar, e mais um para viajar.
Tem sua casa da maneira que sempre desejou, grande, com espaço, com segurança e conforto para a sua familia. Sim, ele já tem sua família, e hoje pode pagar bons colégios para seus filhos, sua esposa tem empregadas, e todos os finais de ano, viajam com a família para conhecerem novos lugares. Esse ano irão para Trancoso- BA, e ano que vem planejam passar o natal em New York, mas estão com medo de não se adaptar ao frio dessa época.
Mesmo tendo acumulado tantos ganhos, ele não deixa de estar à frente de seus negócios. Pois acredita que para os negócios irem bem, ele tem que estar sempre ali, atento a tudo que acontece, observando de perto, dando a sua contribuição. Como aprendeu com o seu pai, "o que engorda o boi é o olho do dono".
Hoje ele pode ostentar riqueza, e ostenta mesmo, é visto sempre em bons restaurantes, em eventos da high society, e agora esta investindo em leilões de gados, compra de imóveis, e também, na compra de mais terras no interior de Minas Gerais.
É alguém que conseguiu a admiração das pessoas, por sua história de vida, e por suas conquistas. Pode não ter sido o melhor marido e pai no quesito carinho e atenção, mas com certeza, se empenha o máximo que pode para dar conforto e bens materiais para sua família. Para ele, ser um homem de bem, e bem de vida, é o melhor presente que Deus pode ajuda-lo a ter!


Cavaleiro de Ouros
Thoth Tarot



Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Thoth, os Reis são substituídos pelos Cavaleiros. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto aos Reis quanto aos Cavaleiros os mesmos significados propostos.
Atenção: essa interpretação só é possível quando houver a carta do Príncipe substituindo o Cavaleiro original.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Compaixão e uma colher de xarope, por favor.



Olá pessoal. Eu tenho refletido muito sobre uma palavra em especial. Compaixão. Embora pensemos que ela soe como sinônimo de misericórdia, piedade, compaixão é outra coisa. O bacana da Língua Portuguesa é isso: nos meandros de um bom dicionário, encontramos não só novos sentidos, como novos caminhos imiscuídos em tais sentidos.
Bora lá, entender o que diferencia essas três palavras e porque compaixão é quase sinônimo de Tarô.
 Conforme o dicionário Aurélio, piedade é 
s.f. Compaixão, dó, pena, comiseração. / Teologia Virtude que leva a render a Deus a honra que lhe é devida. / Devoção, afeição e respeito pelas coisas da religião. // Piedade filial, amor respeitoso aos pais.
Misericórdia é
s.f. Piedade, compaixão, sentimento despertado pela infelicidade de outrem. / Perdão concedido unicamente por bondade; graça. / Punhal que outrora os cavaleiros traziam à cintura no lado oposto àquele em que estava a espada, e que lhes servia para matar o adversário, depois de derrubado, se ele não pedia misericórdia. // Misericórdia divina, atribuição de Deus que o leva a perdoar os pecados e faltas cometidos. // Bandeira de misericórdia, pessoa bondosa, sempre pronta a ajudar o próximo e a desculpar-lhe os defeitos e faltas. // Golpe de misericórdia, o ferimento mortal feito com o punhal chamado misericórdia; o golpe mortal dado a um moribundo. // Mãe de misericórdia, denominação dada à Virgem Maria para significar a sua imensa bondade. // Obras de misericórdia, nome dado a quatorze preceitos da Igreja, em que se recomendam diferentes modos de exercer a caridade, tais como visitar os enfermos, dar de comer a quem tem fome etc. // Estar à misericórdia de alguém, depender da piedade de alguém. // Pedir misericórdia, suplicar caridade.

Compaixão é, para além de sinônimo de piedade (grifo nosso),
s.f. Sentimento de pesar que nos causam os males alheios; comiseração, piedade, dó.



E é aí que começamos a refletir. Compaixão é uma aceitação da dor do outro como se fosse nossa. Mas... Sem ser nossa. É como se vivenciássemos o sofrimento sem, no entanto, sermos responsáveis ou correspondentes a ele.
Parece algo extremamente desagradável, algo extremamente desnecessário, mas não. É justamente o contrário. 
Existem coisas que não temos como explicar. Que, por maior que seja o nosso sofrimento, não conseguimos passar, não conseguimos fazer entender. Pode ser um limite nosso, mas pode ser um limite do interlocutor, também. Se, no primeiro caso, a responsabilidade é nossa e a ação é possível, no segundo caso é praticamente impossível resolver o caso.
A menos que o nosso interlocutor experimente a mesma coisa que nos faz sofrer, ele não irá entender. O limite é dele, é impossível transpor um limite interno sem o desejo do indivíduo de superá-los.
É aí que entra a compaixão. Compaixão é a habilidade de sentir com o outro, sem participar do evento que motiva tal sentimento. Normalmente relacionamos compaixão com a dor, mas não necessariamente estamos falando de qualquer tipo de sentimento negativo. A habilidade reside na capacidade de sentir junto.
Se a piedade e a misericórdia nos levam a entender o sofrimento do outro, a compaixão nos leva a sentir junto. O entendimento é baseado em nossa vivência, em nossa experiência, em nosso background e em nossas projeções. Como naquele caso famoso em que o rapaz num certo programa da Rede GloBBBo foi acusado de estupro, ainda que a jovem que dormiu com ele não tenha se pronunciado a respeito. O entendimento do telespectador visou a proteção da "vítima", mas não pensou se, de fato, a "vítima" teve um "algoz". O entendimento da cena motivou um julgamento que, embora mostre que o telespectador da atração está atento aos fatos que ocorrem, não está suficientemente apto para deixar que as pessoas que participam do programa tomem a frente de suas próprias decisões.  Mas não seria essa uma das prerrogativas para participar do programa?
Esses dois termos, que ainda que possam soar como sinônimos são coisas diferentes, deixam o observador à parte, seguro. Ele só observa e elabora seu julgamento, baseado em prerrogativas que não estão afinadas com o evento. São as experiências do observador sobre uma cena a qual ele não pertence. São suas ideias, são suas acepções do mundo, atuando sobre eventos aos quais ele não tem nenhuma participação. É seguro, é tranquilo. 
Não existe, num caso como esse, nenhum tipo de compaixão. Existe piedade, existe  misericórdia.... mas compaixão é outra coisa.
Compaixão é o que o leva a procurar na sua experiência aquela dor que o teu interlocutor está experienciando. Aquele sentimento que escorre por seus olhos e voz possui um registro em você, e você sabe. 
Não é difícil desenvolver a compaixão. É um desafio e tanto manter esse sentimento em ação quando as coisas não ocorrem como você deseja. Mas não é difícil. Lembra do que disse sobre termos todas as experiências do mundo dentro da gente, incluindo aquelas que execramos? Então. É disso que estou falando - temos todas as experiências do mundo dentro de nós, nada nos é indiferente, nada nos é desconhecido no campo dos sentimentos.
Saberemos exatamente como o outro se sente, se nos abrirmos para isso. Esqueçamos nosso passado, nossas prerrogativas, nossas projeções, nossas noções de certo e errado. Não é por muito tempo, é só pelo tempo suficiente para que aquilo que o outro representa nos preencha. Em algum lugar aí dentro haverá uma ressonância. Em algum ponto você sentiu ou deixou de sentir exatamente aquilo que o outro representa - e por isso ele apareceu na sua vida, para te lembrar das tuas escolhas, aquelas que levaram você a ser exatamente quem você é.
Ok, isso não é compaixão, isso é empatia. Compreender intrinsecamente como o outro se sente. Mas é a partir da empatia que desenvolvemos a compaixão. Ao desenvolvermos a habilidade de sentirmos o que o outro sente, sem participar ativamente do evento, temos aquele distanciamento confortável e necessário, próprio da piedade e da misericórdia, mas com a intenção de atuarmos exatamente no ponto que merece atenção, desprezando todos os demais - eles se resolverão por si mesmos, quando o ponto certo for curado.
Compaixão deveria ser prerrogativa de todo Cartomante. Nenhum cliente, mesmo que o mais curioso, se aproxima de nós a menos que tenha algo a resolver ou curar. E nossa habilidade, como tarólogos e cartomantes que somos, é revelar esse sofrimento e minimizar os danos causados por esse diagnóstico, através da conscientização dos indivíduos sobre suas capacidades de superação e desenvolvimento.
Eu ainda acredito que existe bad people  no mundo, eu não sou criança, eu não sou inocente. Mas eu decido olhar cada pessoa como alguém que pode ir além do que eu vejo à primeira vista.
Seja meu cliente, ou não.
Abraços a todos.

Post Scriptum: A motivação dessa postagem foi o episódio 14 da terceira temporada de Glee. Como não sei se todos os leitores assistem o seriado (mentira, sei que não...), posto aqui a música referente ao episódio e desejo que ela os toque como me tocou. Tendo sido inspirada em um episódio de seriado, a postagem não aprofunda o tema com a perspectiva que este merece. Temos outro texto sobre compaixão aqui no Conversas Cartomânticas e este, da autoria de Marcelo Bueno, em seu blog ZephyrusAlém disso, recomendo a leitura da postagem Om Mani Padme Hum, no blog do meu irmão Euclydes Cardoso Jr., TarotCabala. Confiram.
  






Life's too short to even care at all oh
I'm losing my mind losing my mind losing control
These fishes in the sea they're staring at me oh oh
Oh oh oh oh
A wet world aches for a beat of a drum
Oh

If I could find a way to see this straight
I'd run away
To some fortune that I should have found by now
I'm waiting for this cough syrup to come down, come down

Life's too short to even care at all oh
I'm coming up now coming up now out of the blue
These zombies in the park they're looking for my heart
Oh oh oh oh
A dark world aches for a splash of the sun oh oh

If I could find a way to see this straight
I'd run away
To some fortune that I should have found by now

And I run to the things they say could, restore me
Restore life the way it should be
I'm waiting for this cough syrup
To come down

Life's too short to even care at all oh
I'm losing my mind losing my mind losing it all

If I could find a way to see this straight
I'd run away
To some fortune that I should have found by now

So I run to the things they said could, restore me
Restore life the way it should be
I'm waiting for this cough syrup
To come down


One more spoon of cough syrup now, oh
One more spoon of cough syrup now, oh

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Blogagem Coletiva: Magia & Tarot: Direcionando a rota. Escolhendo um destino.

Olá pessoal. A Pietra e a Luciana propuseram um tema que muito me apraz. Sempre gostei da ideia de usar minhas cartas para além da divinação. Já falamos sobre isso, aqui e aqui. Bora falarmos agora da metodologia que envolve a magia cartomântica.


"Nas tantas situações que a vida oferece, algumas são muito felizes. Outras, mais angustiantes. Para celebrar ou para tentar resolver, tirar tarot é uma forma concreta de fazer alguma coisa a respeito. Porém é sabido que as cartas são marcas humanas e que, entre outras coisas, demonstram sucesso, alegria, prosperidade, paz. Qual é o seu desejo? Acredita que usar o tarot de forma intencional e não apenas oracular - ou tudo junto e misturado - resulta nas transformações mágicas/sincrônicas da vida?"

Só com essa imagem a postagem já seria plenamente justificada.
Desejo, um dos Sete Perpétuos, da HQ Sandman.

Somos seres capazes de desejar. Talvez seja essa nossa maior capacidade frente aos demais animais. Somos animais providos e movidos por desejos. Não nos contentamos com pouco. Vamos, a maior parte das vezes, em oposto ao Zen, em direção ao nosso próprio nez.
Quando, contudo, nos damos conta de nossa natureza luminosombria, estamos diante de um manancial de possibilidades em chiaroscuro. Há quem chame isso de autoconhecimento. Outros, de magia.




Todos os caminhos levam a Roma, principalmente para quem tem boca e sabe usá-la. Alguns caminhos são passivos, como a força propulsora que nos leva para fora de um vagão do metrô em horário de pico. É só seguir o fluxo e já estamos onde o fluxo quiser que fiquemos. Na maior parte das vezes, esse é o caminho mais fácil, deixar o fluxo guiar os passos.
Mas nem sempre o fluxo nos leva para a estação que desejamos. E, nessas horas, calcamos nossos pés e firmamos o corpo para dizer “aqui, não”. E nossa vontade, se for forte, mantém-nos seguros do fluxo. Até o momento em que seguir o fluxo seja pertinente.


Em contrapartida, podemos não encontrar fluxo no sentido que desejamos. O vagão pode estar vazio. Podemos estar com sono. E aí, perder a estação é tão fácil quanto se estivéssemos sendo empurrados por todos os lados. Manter-se alerta é fundamental para salvaguardar o destino que desejamos. 
É aí que entra a vontade de se escolher a própria rota. Ou, em uma única palavra, Magia.


A metáfora que proponho poderia ser traduzida assim: o caminho traçado pelo metrô é o que costumeiramente chamamos “destino”. É algo pré-determinado pelas nossas ações pregressas. Nós entramos no vagão. Poderíamos chamar isso de karma, se a palavra não estivesse tão desgastada pelo mau uso.
 As pessoas e o fluxo que seguem são todas as influências que sofremos a todo o tempo. Nossa herança familiar, nossos amigos, nossos conhecidos. Suas opiniões, desejos, informações... Podemos seguir, ou não, o fluxo que elas apontam.
Por último, nós mesmos... e todas as escolhas que nortearam a nossa estadia em determinado vagão, em determinado momento, com determinada rota preestabelecida.

Mapa do metrô de São Paulo. 
Na prática é bem mais fácil.

Podemos apreender o caminho enquanto o trilhamos, fazendo novas escolhas à medida em que elas forem necessárias. Mas para quem quiser encurtar caminhos e facilitar rotas... Existem mapas. E escolhas podem ser feitas premeditadamente, evitando desvios e imprevistos.
Aos mapas, damos o nome de baralho. E as rotas, rituais.
A própria divinação já é um ato de magia. Ninguém se iluda quanto a isso. Descobrir a rota que será percorrida até determinado destino já é, per se, uma possibilidade de fazer escolhas corretas. Mas, e quando a rota não nos agrada?
Podemos ritualizar a rota que desejamos, alterando o rumo dos nossos próprios passos.


Esse ritualizar tem três níveis, representados pelas três estruturas que formam um baralho de Tarô: podemos fazer uma baldeação, alterando radicalmente a rota mas encontrando o nosso caminho bem mais rápida e facilmente. Esse nível é feito com os Arcanos Maiores. Podemos também encontrar um guia, um parceiro de caminhada; esse nível é representado pelas Cartas da Corte. Ou podemos gerar uma situação favorável (uma carona, por vezes, é muito bem vinda): aí estamos no nível das Cartas Numeradas
Perceba que só no primeiro nível você está por sua conta. No segundo e terceiros, depende das atitudes e disponibilidade de outrem para ser auxiliado, por ressonância e partilha, ou de situações favoráveis que não necessariamente foram planejadas. Portanto, comecemos pelos Arcanos Maiores. Eles nos concedem maior responsabilidade pelos efeitos, o que também nos garante maior segurança.
Monte um altar, se quiser. Ou apenas separe a(s) carta(s) correspondente ao seu intento. Lembre-se que cada Arcano Maior corresponde a um universo de possibilidades. Então, é bom saber exatamente o que se deseja. Um pedido bem feito à Torre é mais benéfico que um mal elaborado ao Sol, já aviso de antemão.
Olhe a carta. Entenda sua escolha. Entenda o caminho que quer trilhar. Manifeste claramente o motivo pelo qual aquele Arcano representa seu intento. Afirme em voz alta, ou queime um papel branco virgem com seu pedido escrito à lápis. Lembre-se, você acabou de comprar seu bilhete para uma rota de metrô que te levará exatamente aonde você pediu.


Se funciona? Não sei. Sei por mim, para mim funciona. Teste e tire suas próprias conclusões. Creio que, como eu, você descobrirá que o baralho é muito mais que setenta e oito imagens impressas em papel passíveis de analisar o porvir. E olha que isso já é absurdamente fascinante! Mas definitivamente não esgota seu uso. 
Abraços a todos, vejamo-nos no próximo post... ou na próxima estação do metrô.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Quando a Sombra se faz presente. Ou: A Carta Testemunha, só que ao contrário.

Sombras na parede, e parece-nos serem animais...

Espadas. Esse naipe, que possui a foice de Chronos e a espada de Ares em seus aspectos mitológicos e astrológicos, me assusta(va!) um bocado. O Grande e o Pequeno Maléficos, juntos? Perae. Deixa eu tomar uma talagada de coragem, primeiro. Claro que é só um naipe, como os outros três que compõem o quarteto. Mas, da mesma forma como Copas é desejado, Espadas é execrado. Herança de uma cartomancia onde o preto se opunha ao vermelho como o mal ao bem. Maniqueísmos à parte, sobraram alguns preconceitos que, perpetrados pela literatura, afastam esse naipe da minha lista de desejos. O que, por outro lado, não deixa de ter um pouquinho de razão. Onde há fumaça, há fogo – mesmo que a origem do fogo seja outra além da que supúnhamos quando víamos a nuvem de fumo.


Por esses tempos, ainda, estava eu a ler O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz (Cultrix). Esse livro é bem bacana. Juro (como se precisasse jurar) que mais de uma vez fechei o livro por falta de coragem para continuar. Cadê meu copo com minha talagada de coragem, mesmo?
A autora, Debbie Ford, fala-nos do processo de integração da Sombra. Conforme a Wikipedia
Sombra, em psicologia analítica, refere-se ao arquétipo que é o nosso ego mais sombrio. É, por assim dizer, a parte animalesca da personalidade humana. Para Carl Gustav Jung, esse arquétipo foi herdado das formas inferiores de vida através da longa evolução que levou ao ser humano. A sombra contém todas aquelas atividades e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aqueles que a sociedade, e até nós mesmos, não podemos aceitar. Ela nos leva a nos comportarmos de uma forma que normalmente não nos permitiríamos. E, quando isso ocorre, geralmente insistimos em afirmar que fomos acometidos por algo que estava além do nosso controle. Esse "algo" é a sombra, a parte primitiva da natureza do homem. Mas a sombra exerce também um outro papel, possui um aspecto positivo, uma vez que é responsável pela espontaneidade, pela criatividade, pelo insight e pela emoção profunda, características necessárias ao pleno desenvolvimento humano. Devemos tornar a nossa sombra mais clara possível.Procurando um trabalho partindo do interior para o exterior. A sombra é freqüentemente projetada em outra pessoa, que aparece ao indivíduo como negativa.

Ler esse livro é um desafio. Você acredita mesmo que se conhece e, pior, você é tão bondoso, honesto, justo, honrado, verdadeiro e equânime quanto se julga ser? Baseado em que embasa essa resposta?

A manifestação dos seus sonhos começa com a difícil tarefa de descobrir o que eles verdadeiramente são. Enquanto somos crianças, seguimos as pegadas de nossos pais e professores. Aceitamos sua orientação e seu discernimento para nos guiar nas tarefas escolares; eles influenciam nossa escolha com relação a esportes, passatempos e outras atividades que ocupam nosso tempo livre. Quando ficamos adultos, escolhemos a carreira e os colegas baseados nos ideais estabelecidos pelos mais velhos.

Mas em que ponto paramos de ouvir essas vozes externas e entramos em sintonia com nossos guias interiores? Em que momento decidimos que talvez o caminho que estamos trilhando não seja, de fato, o nosso?

Seria essa a razão que nos leva a sentir que falta algo na nossa vida?

Esse é o tipo de pergunta que mais tememos, porque exige de nós uma segunda avaliação do que temos pensado até agora. Alguma vez você já questionou sua crença em Deus? Para alguns, questionar a doutrina sagrada é um pecado mortal; mas, se não desafiarmos nossas crenças mais básicas, não cresceremos espiritualmente. Nossa vida correrá simplesmente ao longo das linhas estabelecidas pelos nossos pais, e não passaremos jamais dos limites que eles estabeleceram para nós quando éramos crianças.
Debbie Ford

Ok. Enquanto lia, o Leo Chioda postou um texto instigante, causador de reflexões por noites a fio. Lá fui eu caçar minha Nemesis, e, por contraponto inevitável, visitar minha Temis. A Giane Portal fez um comentário nessa postagem, que foi mais que incentivador: “Emanuel, no universo binário em que vivemos, quanto maior a Luz, maior a Sombra. É fato.” Bora atrás da Sombra, então. Por contraponto ao tamanho da Sombra, é inevitável encontrar a Luz que a projeta – assim como o corpo que lhe dá forma.
Já estava complicado, mas poderia complicar mais. Claro. O Pablo de Assis nos diz: 
O complicado é percebermos a Sombra. Como toda boa sombra, ela sempre fica atrás de nós (se estamos olhando para a fonte de Luz) e dificilmente vemos ela chegando. Também, se está escuro, não vemos a sombra. E geralmente só percebemos a Sombra porque ela está projetada em algo.

Projeção aqui é o conceito chave pra compreender tudo isso. Basicamente, tudo o que nos é inconsciente (e a Sombra se inclui nisso, por motívos óbvios) só nos é percebido quando é projetado. E o que isso quer dizer? Basicamente que quando eu olho para algo e eu reconheço que isso é diferente de mim, eu estou projetando nela a minha sombra; principalmente se além de reconhecer a diferença eu coloco repulsa ou algo que me separe ainda mais disso.

Como a Sombra reune tudo o que reconheço (inconscientemente, a princípio) como sendo não-Eu, basicamente tudo o que vejo como não-eu no mundo se torna projeção da minha sombra. Em outras palavras, quando eu vejo isso, eu estou vendo no outro o que reconheço como sendo não-eu em mim mesmo.

O mecanismo pode parecer um pouco complicado, mas basicamente funciona assim: como não reconheço determinada característica em mim, então eu reprimo isso, que fica inconsciente. Mas isso não fica esquecido, mas sim jogado no mundo, no outro, que é visto como portando isso que não reconheço em mim, que é minha sombra. Eu posso conscientizar isso, mas não internalizo como sendo eu.
E é aí que o livro da Debbie Ford vai no osso da questão e no meio do músculo cardíaco do leitor. Nós somos absolutamente tudo em potencial. Não manifestamos tudo, mas somos. Somos potencialmente assassinos, ladrões, estupradores, dependentes químicos, mentirosos, traidores, maledicentes, fofoqueiros, racistas, misógenos, e por aí vai. Completa a lista com o que você execra, lembrando que o que você execra, você também é. Em potencial, mas é.
E desse cruzamento do que é a Sombra com o que é a Sombra na Cartomancia, lá fui eu caçar minhas cartas. Eu gosto de todos os Cavaleiros, poderia escolher um como Testemunha, mas não. Conforme disse o Leo, poderia escolher qualquer carta que representasse aquilo que de fato eu considerasse precioso. Dentro desse panorama, não poderia ser outra senão a Rainha de Paus.

Rainha de Paus
Marseille Grimauld

A Rainha de Paus é fidelidade a si mesmo. Sempre. Ela está para além dos ditames sociais – esses ficam lá em Espadas, por conveniência, sem trocadilho. A Rainha de Paus gosta, e porque gosta, gosta e só. O inverso é verdadeiro: ela não gosta, e, por não gostar, não gosta. Ponto. É uma figura que não só sabe fazer escolhas, como tem certeza de estar no caminho certo. O calor representado pela união do Fogo do naipe à estirpe úmida e fria de sua Realeza dá-lhe uma calidez que não é inocente ou pueril. Ela é arco-íris e relâmpago, como diz Veet Pramad.

Valete de Espadas
Marseille Grimauld

Ok. E qual seria a carta Sombra, senão o famigerado Pajem de Espadas? Não vou negar não. Êta carta encardida. Oposta ipisis litteris à Rainha – se esta é Fogo e Água, o Pajem é Ar e Terra. O calor após uma inesperada chuva de verão, aquele cheiro cálido de ar lavado e aromatizado com a terra úmida dá lugar à poluição de um dia seco. Poeira. Sufocamento. Dor de cabeça e sangramento nasal. Já falamos bastante dessa carta por aqui... Dá uma olhada aqui e aqui, em especial.

A maledicência do Valete de Espadas, a maior parte das vezes,
oculta um profundo sentimento de inadequação e um desejo de
ser aceito. Fofoca é confundida com intimidade, intriga com partilha,
ofensa aos outros com afirmação da própria natureza,
 grosseria e parcialidade com sinceridade.
Compaixão para gente assim. É só o que dá para ter.

Mas, perae, de novo. Evidentemente, eu sou tendencioso na interpretação da Rainha de Paus, porque realmente amo a ideia passada pela interpretação dessa carta à luz da personagem Penélope, no Tarô Mitológico. Por que eu não seria também tendencioso na minha relação com o Valete de Espadas? Não existem maniqueísmos no Tarô. Maniqueísmos são desenvolvidos por pessoas, não por cartas - embora quem manipule as cartas sejam pessoas. Curiosamente, nesse mesmo baralho, o Valete de Espadas é a única carta da Corte que não é representada por um herói, mas sim por um deus - Zephiro. E esse nome, aqui no Brasil, é um catecismo. Mas não daqueles que se apreende na igreja aos domingos.
Se eu descobri a Sombra, descobri também que naipe de experiências ela estaria atraindo para mim. Resta-me descobrir que tesouro ela reserva. Nesse caso, o que de positivo e luminoso existe no Valete de Espadas. Foram dias a fio pensando nessa carta, vivendo seus aspectos naturais (e desagradáveis). Eu não gostava dele, não sem motivo. Mas, superando sua característica primeva, primitiva, primordial e essencial, sobra-nos características muito belas para viver. A lição dele é chatinha, mas necessária.
Se essa carta fosse um conto, seria William Wilson. Poe. Will I am will son. Isso já me afastaria quilômetros dela. Autocrítica é uma característica a ser desenvolvida, não imposta por outrem (ainda que esse outro seja um duplo seu) - porque senão, não seria autocrítica, mas crítica embrulhada em uma transferência emocional louca. Pensando mais um pouco, há algo de Cisne Negro aqui também (confira a trilogia Caleidoscópio Cartomântico aqui: parte 1, parte 2, parte 3).
Mas não só. Há outro capaz de vestir a máscara do Valete de Espadas, também. E esse eu admiro sobremaneira.


Parece estranho, mas é fato. A habilidade que ele possui em escarafunchar os mais diferentes casos de uma forma absurdamente lógica passa por uma característica única nessa carta da Corte: critério. O Valete de Espadas é o mais criterioso entre as cartas da Corte. Suas intenções podem não ser das melhores (e raramente são), mas seu método é louvável. Ele junta pontos, soma ideias, imagens, informações, correlaciona tudo e... o resultado é idêntico ao seu caráter. Se essa carta se manifestar de forma bela, belo é o resultado e a chegada de suas informações. Caso contrário, temos um Kingslayer a postos para liberar seu veneno e chicotear com sua língua.
Pensando bem, nem sempre o resultado é idêntico ao caráter do Valete. Por vezes, o que menos importa é o seu caráter, e sim o que ele faz. O nosso Holmes contemporâneo que o diga.

O caráter do Dr. House não é lá aquelas coisas. Ele tem uma série de limites nesse sentido. Um misantropo cuidando dos mesmos seres que repele por opção. Um anti-herói por natureza que, por essa mesma natureza, é capaz de atos heroicos. Não há o que questionar quanto aos resultados. A questão são os métodos. Mas que ele é brilhante, ele é.

Não foi fácil chegar a essa conclusão sobre a luminosidade do Valete de Espadas. Aceitar que eu tenho potencial para realizar qualquer coisa que eu execre, também não. Mas quem disse que é fácil caçar aspectos encardidos em nós mesmos e entendê-los? A Sombra só é bela quando ela é compreendida, aceita e integrada plenamente. Hoje eu entendo que todas as características que eu não admiro no Valete também estão em mim, mas eu opto por não manifestá-las. Eu escolho por isso. 
Acho que, se eu não gostava dele, não era por ele, per se; era só pelo que ele é capaz de fazer. Ms existe uma forma muito fácil de resolver o problema com o Valete de Espadas. Quando ele se mostra vítima, quando ele se mostra interessado em dizer o que andam dizendo por aí, quando ele fala mal de alguém, conhecido ou desconhecido para você... Use as três peneiras. E siga sua vida. 


Abraços a todos, integremos nossas Sombras e cacemos novos desafios. O inferno somos nós... O Paraíso também.

P.S.: Para aqueles que desejarem ir à fundo nessa ideia, sugiro veementemente que leiam o livro da Debbie Ford, O lado sombrio dos buscadores da luz (Cultrix). Há um outro, que ainda não li, chamado O Efeito Sombra, escrito pela Debbie Ford, Deepak Chopra e Marianne Williamson. Aqui embaixo segue o trailer.




Ah, em tempo: segue aqui um teste organizado pela VEJA para reconhecer alguns aspectos da Sombra. Não é um fim em si, é um começo. E o Ricardo Pereira produziu para o Clube do Tarô um texto precioso sobre a relação das cartas invertidas com os aspectos sombrios dos Arcanos, aqui.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Conversas Cartomânticas: Prem Mangla e o Valete de Espadas



E eu não gosto do Valete de Espadas. #prontofalei. Pelo menos, não gostava.

Laurence Fishbourne como Othelo e Kenneth Branagh como Iago, 

Essa é uma carta tradicionalmente relacionada à intriga, à fofoca, à maledicência e ao ciúme. O melhor personagem para representá-la é o shakesperiano Iago, da tragédia Othelo, o Mouro de Veneza. Faz de amiguinho, por inveja, e destroi sua vida e caminhos. Nem todos nós somos inocentes para sermos convencidos por alguém assim; mas, se o formos, é tragédia na certa.

Valete de Nuvens
Mente
Osho Zen

E, por essas e outras, foi uma das cartas mais difíceis até então de eu encontrar alguém para escrever - evidentemente, eu não quereria experienciar a ideia de falsidade e inveja dessa carta (alguém se voluntaria?)
Ter, porém, lido o texto da Prem Mangla me abriu os olhos para outras possibilidades. Ela tem seu lado belo, para além da sombra que eu via (engraçado notar que essa sombra tinha muito de Sombra, conforme veremos em breve). Sejamos, portanto, guiados nessa carta com a doçura própria da autora.
Mas não nos enganemos: essa carta é furiosa, e danosa a quem a encontra com inocência: ninguém quer ser um Valete de Espadas, ninguém quer se encontrar com um Valete de Espadas. E bem sabemos o que a Fada Madrinha Má fez por se achar preterida...
Contato com a autora em seu blog.

Pagem de Espadas
Witches (007)

Quando se vê a imagem de um jovem embainhando uma  espada, a primeira impressão é de alguém pronto para a luta não é mesmo? Porem a pergunta é: Quanto tempo ele levou para chegar até ali? Será que esta pronto mesmo? Que tática usará? Vindo de um jovem, podemos esperar muitas coisas, pois obedecer a um impulso ou saciar uma curiosidade não significa estar pronto, e o resultado nem sempre é positivo.

Valete de Espadas
Waite-Smith

Quando se é jovem a primeira tendência é obedecer aos nossos impulsos que não são necessariamente os mais corretos, porque estão sob influencia emocional  e as emoções de um adolescente são uma incógnita para o mais estudioso dos terapeutas. O que os leva a salvar o mundo e torná-lo bem melhor?  O que os leva a andar com os amigos e falar o mesmo idioma e se compreenderem? Não importa em que condições familiares eles crescem, adolescer é um processo grupal onde existem diferenças de idéias entre eles e seus pais ou responsáveis. 

Valete de Espadas
Universal-Angelis

Assim é o Valete de Espadas, jovem, antenado no seu mundo e nos seus interesses, por vezes se tornando um Dom Quixote querendo salvar sua Dulcineia, por outras um  Samurai, um guerreiro disputando sua honra e seu território e em outras, um lutador de Esgrima que esta absolutamente centrado em seus objetivos. Tudo para se tornar um Rei Artur diante de seu fieis cavaleiros (amigos). Atos heroicos exigem estratégias e pensamentos aguçados que tornam os feitos na base da tentativa e erro em resultados nem sempre  positivos, a experiência e o tempo transformam o mais passional dos guerreiros.

Valete de Espadas
Lenormand Tarot

Ao longo da história e do tempo podemos ver muitos Valetes de Espadas, e em nossas vidas pessoais também, muitos momentos de nossa jornada pessoal nos tornamos o Valete de Espadas. O mais famoso é o vestibulando, já observou um vestibulando em véspera de prova da faculdade escolhida? Durante o ano inteiro ele respira estudo, recebe as maiores pressões internas e externas, cobradíssimo por um resultado perfeito, já não bastava que no ano anterior lhe pedissem uma decisão da escolha de sua carreira profissional para o resto de sua vida, nossa que peso!  ; Isso é uma batalha não e mesmo? Existem os que param as festas e mergulham nos estudos e existem os que levam a vida da melhor maneira possível, apenas quando sair a lista dos aprovados, saberemos  qual a melhor estratégia. 

Valete de Espadas
Marseille Dusserre-Marteau

De um modo geral o nosso Valete em questão esta inserido na nossa rotina de vida, não importa a faixa etária, representa nossas intenções diante de uma situação, por isso atenção ao lado da lamina da sua espada, de um lado usa a inteligência e batalha por seus objetivos usando táticas super honestas , dando um passo de cada vez, para atingir suas metas.  Porém sua astúcia pode ser usada também para enganar e ludibriar, manipulando quem quer que seja até que seus objetivos sejam atingidos. É a famosa faca de dois gumes. Um lado apara as arestas da vida e encontra ajuda, o outro lado fere e muito a si e aos que o cercam, deixando rastros por onde passa. 

Valete de Espadas
Dame Fortune's Wheel

E então de que lado você usa sua espada?


Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Lo Scarabeo, os Pajens são substituídos pelas Princesas. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto às Princesas quanto aos Pajens os mesmos significados propostos.

Em tempo: existem dois romances, um policial e uma prosa, e uma HQ (!) que evocam essa carta. E atenção, beberrões: tem uma bebida, também. :)
Valete de Espadas, um mundo para além da fofoca. Rumor as it.