sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Da posse do baralho.

Depois de falar sobre o colecionismo em si, e já tendo falado sobre nossos primeiros passos, fiquei pensando sobre o que nos leva a escolher determinado baralho como nosso favorito. Não existem razões objetivas para tal, e é difícil crer que elas poderiam existir. Um baralho já é, por si só, subjetivo, para que razões objetivas pudessem nortear sua escolha.
Passando os olhos pela minha coleção particular, e conversando com amigos sobre suas coleções, verifiquei que, em sua grande parte, as coleções não são norteadas para a prática do Tarô profissional, isto é, o gosto do colecionador é soberano às necessidades de uma ferramenta de trabalho. Utiliza-se um para a consulta e atendimento e vários para aulas e estudos.
Mas, o que norteia essa escolha, insisto? O que faz com que determinado baralho seja o baralho?
Eu senti que havia encontrado meu baralho quando abri a caixa do Ancient Italian. A sensação que tive, e partilho, é que ele pode ser manipulado por qualquer pessoa. Pode até mesmo ser embaralhado. Isso não tem a menor importância. Ele não foi consagrado em um ritual. Ele já me era sagrado. Ele já chegou pleno, sem necessidades de confirmações. Tal é minha certeza, e tal é o feedback que recebo das consultas feitas à ele, que vejo que ele foi o resultado de anos de busca, iniciada com um Marseille Jean Payen. Todos os baralhos anteriores foram uma preparação. Todos os baralhos posteriores, padrões de comparação. Ele é o meu baralho. Ele é meu.


Mago
1JJ


E isso ficou muito claro para mim há alguns dias. Adquiri um 1JJ da USGames Brasil, junto de um Thoth Mini (Blue Box). O 1JJ é um baralho suíço magnífico, clássico, e interessante, sobretudo, àqueles que possuem uma linhagem pagã de natureza grego-romana: Nesse baralho, temos uma das primeiras tentativas de substituição da Papisa e do Papa, cujos títulos até hoje causam incômodos em algumas pessoas. Nesse baralho, temos a Papisa substituída por Juno e o Papa substituído por Júpiter [daí o título 1J(uno)J(upiter)]. As demais cartas possuem correspondência clara àquelas do padrão Marseille. Conheci esse baralho em 2001, nas mãos de uma cartomante que, apesar do tanto que sabe, oculta seus dotes do grande público. Angela é seu nome. Porque certamente ela fala com seus pares diretamente, sem maiores intermediações.


Juno
1JJ


Desde então, tinha o desejo de obter um baralho desses. Desejo, não necessidade; mas diante da possibilidade, quem não confunde um e outro? Encomendado, ansiosamente aguardado. Em mãos.
Abri-o. E ao abri-lo, percebi o quão belo ele era in loco, em mãos. Manipulei-o. Mas algo estava errado. Ele não era meu. Era, objetivamente, porque eu o havia comprado e pago seu valor a quem cabia receber, mas não era meu, da forma como um baralho deve ser. O baralho, como a varinha da Arte, é uma extensão de seu proprietário. Aquele baralho não era uma extensão de mim, ainda que, aparentemente, fosse – eu me dedico ao estudo dos padrões marselheses, em especial, e aquele era um marselhês! Por que, por que ele não ressoava comigo?
À noite, encontrar-me-ia com uma grande amiga, também cartomante. A tentação de levá-lo era muito grande, mas, paradoxalmente, eu sabia que aquele baralho não voltaria comigo. E justamente por isso não queria levá-lo. Poxa! Onze anos para obtê-lo! Não, não quero desfazer-me dele. Não quero! 
*pausa para birra com direito a bater os pezinhos e as mãozinhas com os olhos cerrados*
Lá fui eu, com meu Ancient Italian e o 1JJ na bolsa. O Ancient eu sabia que voltaria. O 1JJ, torcia para que voltasse.
Ela viu, seus olhos brilharam como quem acaba de descobrir que amores à primeira vista existem. Ela o tocou. Ela o manipulou, viu carta a carta. Como quem acaba de comer uma fruta exótica em um local distante de sua casa, e sabe que aquele deleite é único e precioso, tendo que ser aproveitado à exaustão – sabe-se Deus quando ter-se-á tal deleite novamente. E eu, observador que era da cena, tive a dolorosa certeza de que aquele baralho, definitivamente, não era meu.
Ainda fiz um último esforço em guardá-lo na bolsa. Mas voltar com aquele baralho seria ter a certeza de ter um objeto roubado em casa. Apesar de eu ter pago por ele, eu era apenas o intermediário entre a ferramenta e o proprietário. 
O baralho ficou com ela. E, por mais que eu quisesse sentir o coração partido em 78 pedaços, eu sabia que ele nunca tinha sido meu.


Sol
1JJ


Mas a história não acabou aqui, ao contrário; foi aqui que ela começou. Na primeira oportunidade, ela jogou para mim com o 1JJ. E eu vi, naquele baralho, nas mãos daquela cartomante, uma mestria que eu jamais teria com um 1JJ – pois meu coração já tem um dono, italiano (que desliza em minhas mãos contando histórias antigas de um tempo em que esse corpo não era senão um brilho nos olhos de minha genitora quando ela sonhava com um futuro promissor) e não quero dividi-lo com mais nenhum outro; naquele momento, e diante da desenvoltura com que as cartas conversavam com ela, espanando os cantinhos da minha alma para entrar num ano novo com uma proposta integralmente nova, limpa e plena (surpreendente para ela e para mim, já que – aparentemente, nessa vida – era a primeira vez que ela havia visto tais imagens), naquele momento eu entendi que ficar com aquele baralho seria uma atitude não só mesquinha, como avara. Seria considerar a materialidade de um baralhomais importante que o serviço à Arte. Tenho a firme convicção de que não passamos de carteiros do Divino quando lemos as cartas, mas carteiros não só leem e anunciam como também entregam encomendas. Esta era, a priori a contragosto, a posteriori com pleno deleite, dela. Da minha cartomante. Não minha.  
Um outro chegará para mim. Mas, quando ele vier, eu saberei exatamente qual é o papel que ele ocupará na minha vida e no meu trabalho. Porque este primeiro eu sei que cumprirá sua tarefa de oráculo perfeitamente. Já vem cumprindo, na verdade. 
Fica aqui meu convite, meu desafio. Encontre o baralho do seu coração. E todo o resto passará a fazer pleno sentido. E todo o resto, fazendo sentido, perderá a importância – porque o seu coração está em casa, e de lá não mais quererá sair.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Conversas Cartomânticas: Luciene Ferreira e a misteriosa Rainha de Copas



Conheci a Luciene Ferreira no Fórum Nacional de Tarô. Desde então, temos conversado um bocado. É nesses momentos que percebo o quão importante é participar de eventos de Tarô. Neles, podemos encontrar gente que pensa como a gente ou, pelo menos, na mesma coisa que a gente. E hoje ela nos inebria com esse mergulhar naquela que é a mais profunda das Águas, a Rainha de Copas. Vamos com ela.


Nota do editor: A Rainha de Copas possui um atributo
por vezes associado com uma lâmina, por vezes com um cetro;
assim como o Cavaleiro de Ouros. 
Rainha de Copas
Marseille Grimauld


Dentre as 16 cartas da Corte, sem dúvida a mais enigmática é a Rainha de Copas. Junto com a Rainha de Ouros, é a expressão mais forte do feminino na série dos arcanos menores, pois ambas representam os elementos associados à energia yin, o princípio feminino, passivo, noturno, escuro, frio. 

Rainha de Copas
Radiant Rider-Waite

Enquanto a Rainha de Ouros busca a segurança, nossa dama de Copas valoriza os sentimentos. Ela é a dona de nossas emoções. Representante do elemento água, une duas forças poderosas: o segredo da alma feminina e o vigor dos sentimentos. Em muitos decks, como de Marselha e o de Rider-Waite, ela surge com um aspecto sombrio, carregando uma taça (receptáculo da própria vida) fechada, indicando as emoções que são escondidas.
Similar à versatilidade da água, a Rainha de Copas transita da placidez de um sereno lago ao turbilhão de uma fatal tsunami. É a água que nos alimenta, mas que também pode nos matar. Traduz a dualidade do feminino; ao mesmo tempo, mistério, sensibilidade, amor e ódio. É sangue, é vida. Mistura a dor do parto, com a alegria do nascimento. 

Rainha de Copas
Hudes Tarot

A Rainha de Copas personifica bem a força de seu elemento, único capaz de se apresentar em estado líquido, gasoso ou sólido e o que ocupa a maior parte de nosso planeta e de nosso organismo. A mesma água que fecunda a terra e gera vida,pode contaminar nosso corpo, romper barreiras e causar destruição, É capaz de desgastar a rocha, apagar o fogo e umedecer o ar, mas também encontra caminhos onde nenhum outro elemento pode chegar. Nenhuma força a detém. 
O naipe que sustenta essa Rainha nos fala de duas potentes e antagônicas emoções. O amor, o mais nobre sentimento, pelo qual se concretizam grandes conquistas e se fortalecem laços de solidariedade. E o ódio, o outro lado do mesmo sentimento, que é responsável pelas piores mazelas e mais sanguinolentas guerras.

Rainha de Copas
Lo Scarabeo Tarot

Assim se manifesta essa dama da corte. Ela é a mãe amorosa, a esposa carinhosa, mas pode se tornar, em sua sombra, a mulher dissimulada, vingativa e cruel. Carrega as dores e as alegrias do mundo. Zela pelos que ama e defende-os até a morte. Numa tiragem, pode representar a amante, que é mantida em segredo, um de seus significados gerais.
Se você está com a Rainha de Copas, é momento de entrar em contato com suas mais profundas emoções, recalcadas em seu inconsciente. Os sentimentos estão aflorados, a intuição em evidência. Se souber contornar e limitar essas sensações, poderá navegar pelas plácidas águas de seu lago interior e realizar seus mais acalentados sonhos. Do contrário, poderá detonar um furacão de emoções, cujas consequências ainda não são percebidas. Saiba utilizar a nobreza dessa senhora para semear a paz e evitar a guerra. Compartilhe seus sentimentos e evite a dissimulação.

Rainha de Copas
Celestial

Se a Rainha de Copas é uma mulher em sua vida, atente-se para seus sinais. Cuidado para não se tornar vítima de seus sentimentos e nem render-se às suas chantagens emocionais. Aproveite de sua generosidade, mas fique atento às suas armadilhas.
E, por fim, se essa dama surge como conselho, o momento pede segredo. Não divida seus sentimentos com ninguém. Seja generoso, invista em seus sonhos, ouça sua intuição e proteja os que ama. O universo lhe pede delicadeza e entrega. Encha o mundo de amor!

Rainha de Ânfora
Policena (Polyxena)
Sola Busca Tarot

Nota do Editor: Para aqueles interessados na iconografia do Waite-Smith, sugiro a leitura deste texto aqui, da autoria da Mary Greer, sobre a imagem de Polisena do Sola Busca. É um oásis de informações nesse oceano de mistérios.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Oráculos Wicca da Editora Pensamento: Material de treinamento para Covens, material de reconhecimento das práticas para Solitários



Eu não faço segredo de que sou apaixonado pelo Livro e Baralho Wicca, de Sally Morningstar. Esse livro acompanha-me desde o início do meu treinamento na Arte, e tem sido muito útil. Suas belas imagens, assaz evocativas, não só guiam a interpretação como podem ser utilizadas em rituais, na ornamentação do Altar, em meditações Solitárias ou coletivas... Consigo antever diversas aplicações. Espero que você partilhe da minha visão.
Esse oráculo é formado por 42 cartas não numeradas, com uma sentença, conforme segue:


Arádia (Herança)
O Morcego (Renascimento da consciência)
O Cálice (Fertilidade)
A Vela (Iluminação)
A Espiral (Atração) 
O Sino (Despertar)
Gaia (Cura)
O Familiar (Aliado)
A Senhora (Incorporação)
O Homem Verde (Crescimento)
Espelho (Percepção)
O Galho Prateado (Amor)
O Manto (Camuflagem)
O Sumo Sacerdote (Guardião)
Lua (Senso de oportunidade)
O Neófito (Estudo)
A Vassoura (Limpeza)
O Pentáculo (Evocação)


A Serpente (Poder)
A Varinha (Intenção)
A Estrela de Seis Pontas (Unificação)
O Gato Preto (Psiquismo)
O Athame (Comandante do poder)
A Pedra Furada (Proteção)
Nêmesis (Lições)
O Caldeirão (Útero)
A Caverna (Recolhimento)
Aranha (Padrões)
A Rainha de Elfame (Magia e beleza)
O Cordão (Iniciação)
O Corvo (o Guardião dos Segredos)
O Feitiço (Encantamento)
O Deus Cornífero (Força vital)
O Cone de Poder (Energia)
Bola de Cristal (Introvisão)
Shekinah (Transcendência)
Água Sagrada (Purificação)
A Espada (Aspiração)
O Mago (Retidão espiritual)
A Coruja (Guardiã da Sabedoria)
O Livro das Sombras (Experiência)
A Anciã (Desprendimento)


O livro que acompanha o baralho é um pequeno Livro das Sombras. Como não contamos com uma versão “oficial” do mesmo e cada aprendiz é incentivado a fazer o seu próprio, tenho nesse livro um bom resumo da literatura wiccaniana que conheço. Nele estão descritas as comemorações de Sabás e Esbás, meditações, rituais de limpeza, evocação e consagração, uma tabela de correspondência bem interessante, aplicações para cada uma das cartas. Para um praticante Solitário ou iniciante, é uma obra de custo/benefício evidente.


Força
Witche's Tarot

Além do mais, eu vejo diálogos intensos entre essa obra e o Tarô das Bruxas, de Ellen Cannon Reed. Existem diversos baralhos intitulados Tarô das Bruxas, afinal de contas, esse é um nome muito evocativo. O baralho corresponde a um Tarô convencional – 22 Arcanos Maiores, 56 Arcanos Menores, sendo numeradas de Ás a dez e mais as Cartas da Corte (Rei, Rainha, Príncipe e Princesa ) em cada um dos quatro naipes, totalizando catorze cartas por naipe. 
A obra de da autora é um marco na literatura wiccaniana, por apresentar o método de treinamento do seu Coven, correlacionado com o Tarô e com a Cabala . A relação entre Cabala e Feitiçaria nunca ficou tão clara e aplicável às nossas práticas específicas quanto na literatura produzida por Reed, creio eu. 
Recomendo a leitura dessas duas obras, caso se interesse por Cabala – ou deseje arejar a mente com práticas diferentes daquelas tidas como convencionais na Arte. Na obra de Morningstar, é algo mais subjetivo – algo como a disposição dos planetas na mandala da toalha, ou como as cartas Cone de Poder (que tem o Tetragramaton representado na imagem) e Shekinah (o Reflexo Feminino de Deus). No livro de Reed, é evidente: conforme disse anteriormente, ela utilizava em seu Coven a estrutura cabalística para o treinamento, e seu baralho possui imagens evocativas dos caminhos cabalísticos. 
Recentemente, travei contato com a obra Oráculo Wicca. Edição Lo Scarabeo, ilustrado por Nada Mesar. É um baralho bem interessante, composto por 33 cartas que correspondem a conteúdos fundamentais para o neófito entender e vivenciar a Arte dos Sábios. O oráculo é composto por:


Quatro cartas representando as quatro ferramentas dos Elementos: 
1. Athame (Ar)
2. Pentáculo (Terra)
3. Cálice (Água)
4. Varinha (Fogo)


Duas cartas dos Deuses:
5. Deusa (Aradia)
6. Deus Cornífero (Cernunos)


Oito Cartas representando os Oito Sabás:
7. Imbolc
8. Ostara
9. Beltane
10. Midsummer
11. Lammas
12. Mabon
13. Samhain
14. Yule

Dezenove cartas metafísicas:

15. O Outro Mundo
16. As Três Sábias
17. O Carvalho
18. A Espiral
19. O Gato
20. O Anel
21. A Máscara
22. O Caldeirão
23. O Corvo
24. A Borboleta
25. O Livro das Sombras
26. A Mandrágora
27. A Raposa
28. A Árvore da Vida
29. A Vassoura
30. O Lago
31. A Carruagem
32. A Égua
33. A Harpa Celta



Por minha própria formação, eu recomendo veementemente que baralhos sejam usados no treinamento dos Neófitos. Primeiro, por funcionarem como recurso mnemônico: ao ver a imagem, o Neófito relaciona imediatamente o conteúdo imagético com aquilo que simboliza na Arte, e assim a ideia vai se sedimentando em sua psique. Em outras palavras, quanto mais ele vê a imagem, mais facilmente ele apreende o sentido intrínseco do símbolo. 
Se para os Neófitos eu recomendo, para os Solitários considero indispensável. Evidentemente, eu sou cartomante, antes de Bruxo, e tenho a Cartomancia em alta conta, o que me torna pressuposto nesse sentido; por outro lado, eu tenho a experiência da eficácia dessa utilização tanto em minhas práticas solitárias quanto em grupos.
Em segundo lugar, a prática da Cartomancia é uma das formas mais efetivas de se compreender o poder da Arte em ação. Porque ler cartas é um ato de magia, cujos efeitos são imediatos (o consulente se reconhece, ou não, naquilo que é visto), de médio prazo (o feedback do consulente ao retornar para uma nova consulta) e de longo prazo (o cartomante passa a compreender padrões que norteiam seu próprio comportamento, se afetando menos pelas alterações bruscas na natureza dos eventos).  
Dessa forma, recomendo os oráculos acima para aqueles que querem conhecer na prática a Antiga Religião, vivenciando seus símbolos. São dois baralhos e um Tarô que podem mudar sua vida, efetivamente, para melhor. Permita-se mergulhar em outras searas. Escolha mudar sua vida... Perscrutando o porvir.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


MORNIGSTAR, Sally. O livro e o baralho Wicca. 5 ed. Tradução de Denise de C. Rocha Delela. São Paulo: Pensamento, 2008. Acompanhado de 42 cartas coloridas ilustradas por Danuta Mayer.
REED, Ellen Cannon. A Cabala das feiticeiras: o caminho pagão e a árvore da vida. Tradução de Márcia Frazão. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
__________. O Tarô das Bruxas. Tradução de Eudes Lucani. São Paulo: Pensamento, 2004. Acompanhado de 78 cartas ilustradas por Martin Cannon e de um quadro de disposição das cartas.
LO SCARABEO. Oráculo Wicca: busque orientação na sabedoria milenar das Bruxas. Tradução de Denise de C. Rocha Delela. São Paulo: Pensamento, 2007. Acompanhado de 33 cartas coloridas, ilustradas por Nada Mesar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dia do fotógrafo e a cartomancia. Ou seria dia do beijo e a cartomancia? (quando dois temas se cruzam em datas diferentes)


A fotografia é uma forma de ficção. É ao mesmo tempo um registro da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira. 
Gérard Castello Lopes




Hoje, dia do fotógrafo. Daquele que desenha com luz e contraste. Daquele que resume em imagem o instante fugaz. Um dos agentes da eternidade do efêmero. Quando o instante vale mais que o devir.
Uma das situações mais evanescentes que vivenciamos é o beijo. Talvez porque até conseguirmos beijar, é um universo, e depois disso nada mais é como antes. Outro universo é criado do encontro entre dois lábios. 


Siga os links, vale a pena conhecer a história dessa foto.



Essa imagem ainda nos é poderosa. Mesmo depois das micaretas e raves, onde os olhos caminham para um lado e os lábios para outro, enquanto o coração pula amarelinha sozinho.
É curioso perceber, mesmo diante desse panorama, que a respiração ainda fica ofegante naqueles segundos que antecedem o beijo em um filme. O cinema pára. A sala de estar torna-se imensa. O silêncio reina, no intervalo entre dois segundos em que cada um dos presentes gostaria de estar no lugar de um dos protagonistas.
Em seguida, a vida volta ao normal. E o coração volta a pular amarelinha.
Zapeando textos na internet - muito para ler, nem tudo precioso, mas tudo acessível - percebo o quão sozinho estamos nesse mundo onde todos estamos paradoxal e virtualmente conectados. Um arquipélago de solidões, emergindo aqui e ali de um mar de dados, de zeros e uns. Vejo o quanto o tema relacionamentos é visado na imagem. Talvez pela falta de acesso à imagens cotidianas de afeto, talvez para servirem de exemplo para aqueles que perderam o feeling em alguma esquina da vida.
Mas ali, naquelas imagens, vejo um ponto de acesso a um símbolo poderoso. O fato de estarmos por ora sozinhos não indica, sobremaneira, que essa situação é para sempre. Alguém fez o favor de nos recordar esse detalhe. Como um bilhetinho de loteria que é levado pelo vento até aonde estamos, sugerindo que seja apostado. Ganhar ou perder, pouco importa; o importante é o risco de saber se aquele sinal é, de fato, um evento.




Pesquisando para essa postagem, um desses bilhetinhos de loteria caiu em minha tela. Trata-se da série Kiss, de Andy Barter. Em uma belíssima variação sobre o mesmo tema, o fotógrafo observa, de cima, a entrega ao instante de diversos casais. Uma posição que um certo personagem do Tarô tem há pelo menos sete séculos.


Enamorados


E, falando em Tarô, há um ponto em que nossas práticas se cruzam com as práticas de um fotógrafo. Quando embaralhamos nossas cartas, estamos como que pondo em ordem o foco de nossa lente. O consulente, ao cortar, posa para nossa interpretação. E ali vemos, em setenta e oito lentes cuidadosamente escolhidas de forma aleatória pelo modelo. Pois é dele que falaremos, sobre ele que colocaremos nossa técnica para que ele reflita - no sentido de ser reflexo, no sentido de refletir - o que há de melhor nele: seu agora. E, a partir desse agora muito bem descrito em um portfólio de várias cartas, ele pode escolher quem quer ser.
Feliz dia do fotógrafo. Seja você o desenhista em luz e contraste de sonhos e possibilidades. E realidades. Múltiplas como seu olhar o é.
Abraços a todos.


O Beijo (detalhe)
Klimt


Post Scriptum: Duas datas se mesclaram nessa postagem, pois o Beijo também tem seu dia - 13 de abril. Que de janeiro a abril possamos criar possibilidades perfeitas de celebrar tanto o efêmero quanto o beijo. O Anjo voa cá, até lá. E imagens se criam no processo de devir, de lembrar, de esquecer e lembrar de novo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Conversas Cartomânticas: Adriana Carvalho e o Rei de Copas.



Olá pessoal. Conheci a Adriana Carvalho numa dessas passagens por blogs que, se não for por pura sincronicidade, careceriam de interpretação. E, desde então, me tornei fã de sua arte e expressão. São anos de uma amizade sincera, ainda que virtual. Mas não faltarão oportunidades de encontrarmo-nos!
Responsável pelo blog Arte Voadeira, elabora baralhos clássicos (em especial o Vacchetta e o Waite-Smith) pintados à mão em uma arte única #wishlist. Podem ser conferidos no blog Arte do Tarô.
E hoje ela vem nos apresentar uma das imagens arquetípicas mais complexas da Corte: o Rei de Copas. E nos presenteia - abençoada seja! - com a sua visão da imagem em expressão pictórica.
Deleitemo-nos.

Sempre usei o tarô na forma de um oráculo meditativo, que propicia insights de compreensão de nossos estados interiores e por isto, também, como um material de extrema importância nas artes. Pintar um tarô para mim é uma forma de transmitir minha própria compreensão sobre estas vivências realizadas através da meditação, por isto resolvi escrever um pouco sobre minha visão particular sobre o “Senhor das Águas”, o Rei de Taças, no entanto, sem pretensão de estar de acordo com os tarólogos em geral, uma vez que não sou taróloga, apenas uma estudante e pintora que é fascinada pela sabedoria que é transmitida através de imagens muitas vezes exóticas e incompreensíveis e que por serem universais nos falam a cada um de nós de uma forma totalmente particular.

Rei de Copas
Baralho da autora

Acredito que os mais complexos arquétipos do tarô são os que estão diretamente relacionados com o elemento Água, elemento feminino, lunar, emocional, profundo e mais complexo ainda, quando relacionado à um aspecto masculino, neste caso, o Rei de Taças, um ser “aparentemente” calmo e gentil, doce, amável, sentimental, profundamente ligado aos valores familiares, criativo, sábio tanto espiritual quanto materialmente, mas extremamente contraditório e complexo como seu signo astrológico: Câncer.
Geralmente o Rei de Taças é representado em seu trono, flutuando sobre o mar ou muito próximo às águas, no entanto ele jamais está em contato direto com as águas. Ele jamais mergulha nas águas profundas da emoção e isto se deve ao fato de que ele já conhece muito bem suas águas e sabe o que há em suas profundezas. Ele já passou pela experiência máxima.
Este conhecimento absoluto sobre seu elemento lhe dá poder sobre todas as questões emocionais, tornando-o um grande conselheiro ainda que, de forma contraditória ele se feche totalmente quando precisa de ajuda...ele é “o curador que não pode ser curado” e este aspecto está relacionado com o caranguejo, que se fecha em sua dura carapaça sempre que se sente vulnerável.
Por causa de seu grande conhecimento das profundezas da alma, ele nos oferece não o mar, mas apenas uma pequena fração dele, apenas uma taça de água... “Água é Cura!”  e beber desta água que nos é oferecida, significa nos conectar com os aspectos mais profundos de nossas emoções de forma equilibrada, dosada, homeopática... 
A influência da Lua sobre as marés já é conhecida desde a antiguidade, e na astrologia medieval acreditava-se que esse astro controlava tudo o que está relacionado à água. Como a Lua “movia” a água dos mares, pensava-se também que ela controlava as mudanças dos líquidos internos do corpo, especialmente os do cérebro. Por muito tempo acreditou-se que a Lua estivesse ligada à loucura e fosse responsável pelas pessoas ficarem “lunáticas”...Quem mergulha nestas águas profundas jamais volta o mesmo! 
Por isso mesmo, por se tornar “diferente” após vivenciar grandes experiências emocionais, o Rei de Taças aparece totalmente só no meio do Grande Mar. O sentimento de solidão o leva a buscar a convivência com outras pessoas que lhe preencham a sensação de vazio provocada pela distância, pela experiência de se saber exatamente quem ele é. Por isto as ligações familiares lhe são extremamente importantes. A família e seu amor é seu porto seguro.
O Rei de Taças tem uma grande ligação com o sacerdócio e a vida interior é fundamental para ele, que precisa do sobrenatural e do místico para ter equilíbrio, aspecto representado pelo peixe.

Em seu aspecto negativo, o Rei de Taças se torna uma pessoa bastante difícil, instável e de humor variável – influência sobretudo lunar.

No entanto, enquanto olho para meu Rei de Taças, a vontade que dá é de mergulhar nestas águas, influência da Lua, é claro...que mexe com nossas emoções e nos torna impulsivos caso não ouçamos os sábios conselhos do experiente Senhor das Águas.

Saúde!!

Cavaleiro de Copas
Thoth Crowley-Harris

Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Thoth, os Reis são substituídos pelos Cavaleiros. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto aos Reis quanto aos Cavaleiros os mesmos significados propostos.
Atenção: essa interpretação só é possível quando houver a carta do Príncipe substituindo o Cavaleiro original.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Refletindo sobre a Corte de Paus


A Blogagem Coletiva continua. Dezesseis pessoas diferentes dissertam sobre cada uma das cartas. Como bem disse o Ricardo Bueno, sem saber o que seus pares falam sobre o mesmo naipe. O que amplia, e muito, a própria perspectiva de análise do mesmo. 


Tendo encerrado a Corte de Paus, fiquei pensando sobre o que a une. O que o comportamento desses quatro membros tem em comum como natureza. 
Normalmente, associamos à corte os quatro elementos, assim como fazemos com os naipes. Então, o Rei de Paus é o Fogo do Fogo, a Rainha a Água do Fogo, o Cavaleiro o Ar do Fogo, o Pajem a Terra do Fogo. Ou, se preferir, o calor, a liquidez, a fluidez e a solidez.
E percebamos, quando isso se relaciona ao Fogo, ainda que o resultado seja efetivo, o movimento é volátil. Os resultados da presença de uma pessoa regida pelo Fogo são permanentes, mas sua presença é fugaz. 


Encontrar-se com os ígneos personagens dessa Corte é encontrar-se com calor, com luz, e, claro, com a possibilidade de ter algumas queimaduras também. Mas é praticamente irresistível conviver com algumas pessoas assim. Elas nos lembram do valor da honra e da honestidade - ainda que, a maior parte das vezes, elas sejam um tanto quanto brutas. Falta traquejo na Corte de Paus. Percebe-se autenticidade em seus movimentos, porque o que eles fazem, dizem, manifestam e rompem diz respeito a quem são.


São sexualmente intensos, mas emocionalmente instáveis. Não é bom brincar com eles. Eles não sabem brincar, risos. Quando se envolver com alguém ígneo, não tente fazer as coisas do seu jeito, porque não vai dar certo. Uma pessoa ígnea pede o limite. Pede ir à exaustão. E não tente apresentar boas razões para contrariar as ideias do referido, porque o Ar de seus pensamentos alimentará o Fogo que o rege.
Talvez, por isso, nada fira mais um ígneo que o desprezo. Apaga-lhe o brilho e o carisma, porque não é mais o centro das atenções. ele fará de tudo, ainda que às avessas, para chamar sua atenção. Até ser destrutivo - já que, como Fogo, ao alastrar-se não tem aonde parar. A menos que falte combustível.
Viver uma Carta da Corte de Paus é despertar para o próprio potencial. É sair das sombras, deixar o segundo lugar, é ver-se independente, livre, leve, solto, desimpedido, desembaraçado. Não há amarras que prendam o Fogo. Não há rotina que o limite. 
Mas para toda ação, uma consequência se segue - e os ígneos, ou aqueles que estão vivendo um momento ígneo, não se atém a isso. Cabe-nos, como cartomantes, orientá-los nesse sentido, para que a ansiedade e a sede (ou melhor, febre) de viver não sejam maiores que a necessidade. Viver um momento ígneo dá febre de viver. Tudo para ontem, antes que o Fogo se extinga.





Não importa que tenha conhecido a pessoa sobre a qual se consulta há dois dias: é o amor de uma vida. Não importa se o contrato não tenha sido assinado: aquele é o emprego dos sonhos. Não importa se não houve um check-up prévio: vou começar a malhar e fazer aquele super dupper regime e estarei em forma para o Carnaval. É tão simples!
Em Paus, tudo começa de uma fagulha. Nem por isso a fagulha deixa de ser só uma fagulha, mesmo que cause um incêndio.
Não podemos nos esquecer que nesses padrões de comportamento se ocultam questões de ordem terapêutica que carecem de cuidados. Tendo diagnosticado com o Tarô padrões de comportamento restritivos ou limitadores, é adequado encaminhar o consulente para um terapeuta competente. Cartomante não é terapeuta, a menos que o seja.




Ainda assim, é importante que o Cartomante conheça, pelo menos, outros mecanismos terapêuticos para encaminhar adequadamente o consulente, ou, caso possa, auxiliá-lo. Um meio eficaz de acompanhamento de uma consulta de Tarô é a utilização dos florais. Temos excelentes profissionais que mesclam as duas áreas com maestria. Sugiro, particularmente, a leitura dos blogs da Priscilla Lhacer e  da Kelma Mazziero, assim como os livros Curso de Tarô e seu uso terapêutico, de Veet Pramad, e Florais do Mundo, de Nei Naiff. Em especial este último está em promoção até o dia dez de janeiro: dez reais mais frete. Entre em contato pelo email mdireto@record.com.br.




Acesse os textos da Blogagem Coletiva:



domingo, 1 de janeiro de 2012

Sete Naipes de Trezentas Postagens



Chegamos a tricentésima postagem. Um número considerável de reflexões. Em três anos, seriam cem por ano - ainda que o ano não tenha terminado (o Ano III, na verdade, acabou de começar, assim como 2012) e eu não pretenda parar de postar por ora. Mas números são significativos e merecem atenção (eu que o diga - estou cada vez mais surpreso com a Numerologia).
E a tricentésima primeira é um convite e um desafio do meu irmão Euclydes Cardoso Jr., do TarotCabala. É uma honra participar dessa blogagem que me faz rever o Conversas Cartomânticas com olhos de primeira vez, numa data tão própria para revisões e reavaliações dos rumos a tomar. Makhtub.
Seguem abaixo meus sete links.

1. Meu post mais bonito:

Engraçado. Sem demagogia, tento fazer todos os posts "bonitos". Acho que a inter-relação entre imagem e texto é fundamental, já que lidamos com uma arte mnemônica por aqui. Mas, se fosse para eleger, elegeria Lenine e o Tarot, porque ver o Shadowscapes depois de ouvir é o que me interessa é uma experiência única, e divisora de águas.

2. Meu post mais popular:

Sem sombra de dúvidas, Poker e Cartomancia: uma análise possível?. É o mais acessado desde que foi publicado. As relações entre os jogos de cartas merecem atenção para além do óbvio. Sempre. Ou pelo menos, todas as vezes possíveis.

3. Meu post que gerou mais controvérsia:

Foi sobre o Guia do Tarô. Essa obra, que propunha a obtenção de um Waite-Smith, me enganou direitinho. Mas acho que não fui claro na exposição de meus argumentos.

4. Meu post que ajudou mais gente:

"Ajudar", nesse caso, é um termo bem capcioso. Existem os posts que tocam mais, e recebo feedbacks extremamente satisfatórios. Mas em termos de Cartomancia, creio que foi o post significados do Petit Lenormand/Baralho Cigano, um "resumão" de como interpretar as cartas deste baralho.

5. Meu post cujo sucesso me surpreendeu:

O post sobre a Carta Diagnóstico. Para mim, é algo tão cotidiano saber se posso jogar cartas antes de efetivamente abrir o oráculo que não pensei que pudesse modificar a metodologia de abertura de tantos colegas. 

6. Meu post que não recebeu a atenção que deveria:

Em termos de estudo, seria o Tarô e a Monalisa. Acho que a ideia ali lançada mereceria maior diálogo. Se falássemos de participação dos leitores, creio que o Música e Cartomancia: sonoridades dos Arcanos. Adoraria mais colaborações.

7. Meu post que mais me dá orgulho:
O que eu analiso a dead man's hand. Eu me surpreendi com a ideia, e mais ainda com o resultado. Tem coisas que a gente só sabe o começo quando começa a escrever, cujo final segue linhas próprias.

Sete blogueiros a quem sugeriria fazerem o mesmo:

Bem, aí complica. Conheço pessoas excelentes nesse sentido, e faço a listagem do Euclydes a minha, como a do Leo Chioda, que o antecedeu - o que faz com que minha lista tenha 21, e não sete, membros. Acho que a ideia original era essa... Seguimos indicando sem perder de vista quem já foi indicado. Então, indico:

1. Priscilla Lhacer, do Amor, o Próprio.
2. Barbara Guerreiro, do Guerreira Interior.
3. Luciana Onofre, do Taroteando.
4. Deborah Jazzini, do blog homônimo.
5. Regina Guigou, do Universus Guigou.
6. Igor Freire, do Taralho
7. Sandra Ayana, do Ayanatarot.

Aproveito o ensejo para agradecer ao irmão Euclydes e a todos que por cá passam. Obrigado.  Pela partilha, pelo aproveitamento, pela celebração e divertimento - porque a Arte é digna de respeito, não de seriedade excessiva. Cada coisa em seu lugar.
E aqui nos divertimos enquanto partilhamos. 
Abraços a todos.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Conversas Cartomânticas: Doraci Reis e o Pajem de Paus



Olá pessoal. Conheci a Doraci Reis na Confraria Brasileira de Tarot. Foi identificação imediata, carinho recíproco garantido por mais de uma vida, com aquela certeza que é própria das coisas que não precisam de muitos questionamentos. Tanto que nos vimos e vemos como mãe e filho - representação de um carinho verdadeiro. E cá está ela falando do Valete de Paus, de forma magistralmente cotidiana. É no livro que se aprende a teoria, mas é no cotidiano que se aprende a prática. Aprendamos com ela.
E, para aqueles que gostarem do texto, Doraci possui um blog, Sob o Poder do Iníquo, onde apresenta seu cotidiano pelas cartas (ou as cartas através do seu cotidiano?) Recomendo.

Valete de Paus
Marseille Grimauld

Valetes eram aprendizes/ajudantes de cavaleiros, admitidos nesta função ainda crianças, assim como os pajens (sendo que estes vinham da nobreza). Como um jovem inexperiente e com a energia ígnea do naipe de Paus, este valete não é muito delicado e cerimonioso, mas é confiável e muito fiel aos seus ideais. Seu olhar é firme e direcionado para adiante, ele está sempre querendo ir além. Acredito que de todos os valetes, ele é o mais idealista.

Valete de Paus
Visconti Sforza (US Games)

Vivenciá-lo é ter aquela idéia original, é começar a ter confiança na própria capacidade de iniciar e criar algo, podendo surgir daí grandes feitos. Só que, por outro lado, como esta idéia ainda não está bem elaborada, corre-se também o risco de ficar numa inquietação só, daí a pouco surgem outras idéias complementares (ou totalmente diferentes e extravagantes) e no final podemos não desenvolver nada. 

Valete de Paus
Ancient Tarot of Lombardy
Interessantíssima o posicionamento do Pajem,
de costas para o observador/leitor.

Encontrar um Valete de Paus é entrar em contato com alguém bem jovem e/ou que está começando a acreditar em si mesmo, no seu potencial e tem todo o gás para empregar nos seus propósitos. Muitas vezes o Valete de Paus pode surgir pra te ajudar num projeto, num processo criativo, como uma pessoa que acredita em você e é leal às suas idéias. Pode acontecer também deste valete não surgir como uma pessoa, mas como um acontecimento inesperado que o faz ter que agir rápido, como um simples convite para uma festa que você nem fazia idéia, ou uma entrevista de emprego que é uma oportunidade em um milhão mas que você tem que estar lá em 2 horas... Esta excitação toda pode soar interessante num primeiro momento, mas também vem uma carga de estresse com toda essa agitação se não soubermos lidar.

Valete de Paus
Ancient Italian

E o que acho mais legal neste Valete, vivenciando-o ou enxergando-o em outra pessoa, é a capacidade de ir em frente encarando a vida ao sabor de aventura! 

Princesa de Paus
Thoth Tarot

Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Thoth Tarot, os Pajens são substituídos pelas Princesas. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto às Princesas quanto aos Pajens os mesmos significados propostos.