sábado, 7 de janeiro de 2012

Conversas Cartomânticas: Adriana Carvalho e o Rei de Copas.



Olá pessoal. Conheci a Adriana Carvalho numa dessas passagens por blogs que, se não for por pura sincronicidade, careceriam de interpretação. E, desde então, me tornei fã de sua arte e expressão. São anos de uma amizade sincera, ainda que virtual. Mas não faltarão oportunidades de encontrarmo-nos!
Responsável pelo blog Arte Voadeira, elabora baralhos clássicos (em especial o Vacchetta e o Waite-Smith) pintados à mão em uma arte única #wishlist. Podem ser conferidos no blog Arte do Tarô.
E hoje ela vem nos apresentar uma das imagens arquetípicas mais complexas da Corte: o Rei de Copas. E nos presenteia - abençoada seja! - com a sua visão da imagem em expressão pictórica.
Deleitemo-nos.

Sempre usei o tarô na forma de um oráculo meditativo, que propicia insights de compreensão de nossos estados interiores e por isto, também, como um material de extrema importância nas artes. Pintar um tarô para mim é uma forma de transmitir minha própria compreensão sobre estas vivências realizadas através da meditação, por isto resolvi escrever um pouco sobre minha visão particular sobre o “Senhor das Águas”, o Rei de Taças, no entanto, sem pretensão de estar de acordo com os tarólogos em geral, uma vez que não sou taróloga, apenas uma estudante e pintora que é fascinada pela sabedoria que é transmitida através de imagens muitas vezes exóticas e incompreensíveis e que por serem universais nos falam a cada um de nós de uma forma totalmente particular.

Rei de Copas
Baralho da autora

Acredito que os mais complexos arquétipos do tarô são os que estão diretamente relacionados com o elemento Água, elemento feminino, lunar, emocional, profundo e mais complexo ainda, quando relacionado à um aspecto masculino, neste caso, o Rei de Taças, um ser “aparentemente” calmo e gentil, doce, amável, sentimental, profundamente ligado aos valores familiares, criativo, sábio tanto espiritual quanto materialmente, mas extremamente contraditório e complexo como seu signo astrológico: Câncer.
Geralmente o Rei de Taças é representado em seu trono, flutuando sobre o mar ou muito próximo às águas, no entanto ele jamais está em contato direto com as águas. Ele jamais mergulha nas águas profundas da emoção e isto se deve ao fato de que ele já conhece muito bem suas águas e sabe o que há em suas profundezas. Ele já passou pela experiência máxima.
Este conhecimento absoluto sobre seu elemento lhe dá poder sobre todas as questões emocionais, tornando-o um grande conselheiro ainda que, de forma contraditória ele se feche totalmente quando precisa de ajuda...ele é “o curador que não pode ser curado” e este aspecto está relacionado com o caranguejo, que se fecha em sua dura carapaça sempre que se sente vulnerável.
Por causa de seu grande conhecimento das profundezas da alma, ele nos oferece não o mar, mas apenas uma pequena fração dele, apenas uma taça de água... “Água é Cura!”  e beber desta água que nos é oferecida, significa nos conectar com os aspectos mais profundos de nossas emoções de forma equilibrada, dosada, homeopática... 
A influência da Lua sobre as marés já é conhecida desde a antiguidade, e na astrologia medieval acreditava-se que esse astro controlava tudo o que está relacionado à água. Como a Lua “movia” a água dos mares, pensava-se também que ela controlava as mudanças dos líquidos internos do corpo, especialmente os do cérebro. Por muito tempo acreditou-se que a Lua estivesse ligada à loucura e fosse responsável pelas pessoas ficarem “lunáticas”...Quem mergulha nestas águas profundas jamais volta o mesmo! 
Por isso mesmo, por se tornar “diferente” após vivenciar grandes experiências emocionais, o Rei de Taças aparece totalmente só no meio do Grande Mar. O sentimento de solidão o leva a buscar a convivência com outras pessoas que lhe preencham a sensação de vazio provocada pela distância, pela experiência de se saber exatamente quem ele é. Por isto as ligações familiares lhe são extremamente importantes. A família e seu amor é seu porto seguro.
O Rei de Taças tem uma grande ligação com o sacerdócio e a vida interior é fundamental para ele, que precisa do sobrenatural e do místico para ter equilíbrio, aspecto representado pelo peixe.

Em seu aspecto negativo, o Rei de Taças se torna uma pessoa bastante difícil, instável e de humor variável – influência sobretudo lunar.

No entanto, enquanto olho para meu Rei de Taças, a vontade que dá é de mergulhar nestas águas, influência da Lua, é claro...que mexe com nossas emoções e nos torna impulsivos caso não ouçamos os sábios conselhos do experiente Senhor das Águas.

Saúde!!

Cavaleiro de Copas
Thoth Crowley-Harris

Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Thoth, os Reis são substituídos pelos Cavaleiros. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto aos Reis quanto aos Cavaleiros os mesmos significados propostos.
Atenção: essa interpretação só é possível quando houver a carta do Príncipe substituindo o Cavaleiro original.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Refletindo sobre a Corte de Paus


A Blogagem Coletiva continua. Dezesseis pessoas diferentes dissertam sobre cada uma das cartas. Como bem disse o Ricardo Bueno, sem saber o que seus pares falam sobre o mesmo naipe. O que amplia, e muito, a própria perspectiva de análise do mesmo. 


Tendo encerrado a Corte de Paus, fiquei pensando sobre o que a une. O que o comportamento desses quatro membros tem em comum como natureza. 
Normalmente, associamos à corte os quatro elementos, assim como fazemos com os naipes. Então, o Rei de Paus é o Fogo do Fogo, a Rainha a Água do Fogo, o Cavaleiro o Ar do Fogo, o Pajem a Terra do Fogo. Ou, se preferir, o calor, a liquidez, a fluidez e a solidez.
E percebamos, quando isso se relaciona ao Fogo, ainda que o resultado seja efetivo, o movimento é volátil. Os resultados da presença de uma pessoa regida pelo Fogo são permanentes, mas sua presença é fugaz. 


Encontrar-se com os ígneos personagens dessa Corte é encontrar-se com calor, com luz, e, claro, com a possibilidade de ter algumas queimaduras também. Mas é praticamente irresistível conviver com algumas pessoas assim. Elas nos lembram do valor da honra e da honestidade - ainda que, a maior parte das vezes, elas sejam um tanto quanto brutas. Falta traquejo na Corte de Paus. Percebe-se autenticidade em seus movimentos, porque o que eles fazem, dizem, manifestam e rompem diz respeito a quem são.


São sexualmente intensos, mas emocionalmente instáveis. Não é bom brincar com eles. Eles não sabem brincar, risos. Quando se envolver com alguém ígneo, não tente fazer as coisas do seu jeito, porque não vai dar certo. Uma pessoa ígnea pede o limite. Pede ir à exaustão. E não tente apresentar boas razões para contrariar as ideias do referido, porque o Ar de seus pensamentos alimentará o Fogo que o rege.
Talvez, por isso, nada fira mais um ígneo que o desprezo. Apaga-lhe o brilho e o carisma, porque não é mais o centro das atenções. ele fará de tudo, ainda que às avessas, para chamar sua atenção. Até ser destrutivo - já que, como Fogo, ao alastrar-se não tem aonde parar. A menos que falte combustível.
Viver uma Carta da Corte de Paus é despertar para o próprio potencial. É sair das sombras, deixar o segundo lugar, é ver-se independente, livre, leve, solto, desimpedido, desembaraçado. Não há amarras que prendam o Fogo. Não há rotina que o limite. 
Mas para toda ação, uma consequência se segue - e os ígneos, ou aqueles que estão vivendo um momento ígneo, não se atém a isso. Cabe-nos, como cartomantes, orientá-los nesse sentido, para que a ansiedade e a sede (ou melhor, febre) de viver não sejam maiores que a necessidade. Viver um momento ígneo dá febre de viver. Tudo para ontem, antes que o Fogo se extinga.





Não importa que tenha conhecido a pessoa sobre a qual se consulta há dois dias: é o amor de uma vida. Não importa se o contrato não tenha sido assinado: aquele é o emprego dos sonhos. Não importa se não houve um check-up prévio: vou começar a malhar e fazer aquele super dupper regime e estarei em forma para o Carnaval. É tão simples!
Em Paus, tudo começa de uma fagulha. Nem por isso a fagulha deixa de ser só uma fagulha, mesmo que cause um incêndio.
Não podemos nos esquecer que nesses padrões de comportamento se ocultam questões de ordem terapêutica que carecem de cuidados. Tendo diagnosticado com o Tarô padrões de comportamento restritivos ou limitadores, é adequado encaminhar o consulente para um terapeuta competente. Cartomante não é terapeuta, a menos que o seja.




Ainda assim, é importante que o Cartomante conheça, pelo menos, outros mecanismos terapêuticos para encaminhar adequadamente o consulente, ou, caso possa, auxiliá-lo. Um meio eficaz de acompanhamento de uma consulta de Tarô é a utilização dos florais. Temos excelentes profissionais que mesclam as duas áreas com maestria. Sugiro, particularmente, a leitura dos blogs da Priscilla Lhacer e  da Kelma Mazziero, assim como os livros Curso de Tarô e seu uso terapêutico, de Veet Pramad, e Florais do Mundo, de Nei Naiff. Em especial este último está em promoção até o dia dez de janeiro: dez reais mais frete. Entre em contato pelo email mdireto@record.com.br.




Acesse os textos da Blogagem Coletiva:



domingo, 1 de janeiro de 2012

Sete Naipes de Trezentas Postagens



Chegamos a tricentésima postagem. Um número considerável de reflexões. Em três anos, seriam cem por ano - ainda que o ano não tenha terminado (o Ano III, na verdade, acabou de começar, assim como 2012) e eu não pretenda parar de postar por ora. Mas números são significativos e merecem atenção (eu que o diga - estou cada vez mais surpreso com a Numerologia).
E a tricentésima primeira é um convite e um desafio do meu irmão Euclydes Cardoso Jr., do TarotCabala. É uma honra participar dessa blogagem que me faz rever o Conversas Cartomânticas com olhos de primeira vez, numa data tão própria para revisões e reavaliações dos rumos a tomar. Makhtub.
Seguem abaixo meus sete links.

1. Meu post mais bonito:

Engraçado. Sem demagogia, tento fazer todos os posts "bonitos". Acho que a inter-relação entre imagem e texto é fundamental, já que lidamos com uma arte mnemônica por aqui. Mas, se fosse para eleger, elegeria Lenine e o Tarot, porque ver o Shadowscapes depois de ouvir é o que me interessa é uma experiência única, e divisora de águas.

2. Meu post mais popular:

Sem sombra de dúvidas, Poker e Cartomancia: uma análise possível?. É o mais acessado desde que foi publicado. As relações entre os jogos de cartas merecem atenção para além do óbvio. Sempre. Ou pelo menos, todas as vezes possíveis.

3. Meu post que gerou mais controvérsia:

Foi sobre o Guia do Tarô. Essa obra, que propunha a obtenção de um Waite-Smith, me enganou direitinho. Mas acho que não fui claro na exposição de meus argumentos.

4. Meu post que ajudou mais gente:

"Ajudar", nesse caso, é um termo bem capcioso. Existem os posts que tocam mais, e recebo feedbacks extremamente satisfatórios. Mas em termos de Cartomancia, creio que foi o post significados do Petit Lenormand/Baralho Cigano, um "resumão" de como interpretar as cartas deste baralho.

5. Meu post cujo sucesso me surpreendeu:

O post sobre a Carta Diagnóstico. Para mim, é algo tão cotidiano saber se posso jogar cartas antes de efetivamente abrir o oráculo que não pensei que pudesse modificar a metodologia de abertura de tantos colegas. 

6. Meu post que não recebeu a atenção que deveria:

Em termos de estudo, seria o Tarô e a Monalisa. Acho que a ideia ali lançada mereceria maior diálogo. Se falássemos de participação dos leitores, creio que o Música e Cartomancia: sonoridades dos Arcanos. Adoraria mais colaborações.

7. Meu post que mais me dá orgulho:
O que eu analiso a dead man's hand. Eu me surpreendi com a ideia, e mais ainda com o resultado. Tem coisas que a gente só sabe o começo quando começa a escrever, cujo final segue linhas próprias.

Sete blogueiros a quem sugeriria fazerem o mesmo:

Bem, aí complica. Conheço pessoas excelentes nesse sentido, e faço a listagem do Euclydes a minha, como a do Leo Chioda, que o antecedeu - o que faz com que minha lista tenha 21, e não sete, membros. Acho que a ideia original era essa... Seguimos indicando sem perder de vista quem já foi indicado. Então, indico:

1. Priscilla Lhacer, do Amor, o Próprio.
2. Barbara Guerreiro, do Guerreira Interior.
3. Luciana Onofre, do Taroteando.
4. Deborah Jazzini, do blog homônimo.
5. Regina Guigou, do Universus Guigou.
6. Igor Freire, do Taralho
7. Sandra Ayana, do Ayanatarot.

Aproveito o ensejo para agradecer ao irmão Euclydes e a todos que por cá passam. Obrigado.  Pela partilha, pelo aproveitamento, pela celebração e divertimento - porque a Arte é digna de respeito, não de seriedade excessiva. Cada coisa em seu lugar.
E aqui nos divertimos enquanto partilhamos. 
Abraços a todos.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Conversas Cartomânticas: Doraci Reis e o Pajem de Paus



Olá pessoal. Conheci a Doraci Reis na Confraria Brasileira de Tarot. Foi identificação imediata, carinho recíproco garantido por mais de uma vida, com aquela certeza que é própria das coisas que não precisam de muitos questionamentos. Tanto que nos vimos e vemos como mãe e filho - representação de um carinho verdadeiro. E cá está ela falando do Valete de Paus, de forma magistralmente cotidiana. É no livro que se aprende a teoria, mas é no cotidiano que se aprende a prática. Aprendamos com ela.
E, para aqueles que gostarem do texto, Doraci possui um blog, Sob o Poder do Iníquo, onde apresenta seu cotidiano pelas cartas (ou as cartas através do seu cotidiano?) Recomendo.

Valete de Paus
Marseille Grimauld

Valetes eram aprendizes/ajudantes de cavaleiros, admitidos nesta função ainda crianças, assim como os pajens (sendo que estes vinham da nobreza). Como um jovem inexperiente e com a energia ígnea do naipe de Paus, este valete não é muito delicado e cerimonioso, mas é confiável e muito fiel aos seus ideais. Seu olhar é firme e direcionado para adiante, ele está sempre querendo ir além. Acredito que de todos os valetes, ele é o mais idealista.

Valete de Paus
Visconti Sforza (US Games)

Vivenciá-lo é ter aquela idéia original, é começar a ter confiança na própria capacidade de iniciar e criar algo, podendo surgir daí grandes feitos. Só que, por outro lado, como esta idéia ainda não está bem elaborada, corre-se também o risco de ficar numa inquietação só, daí a pouco surgem outras idéias complementares (ou totalmente diferentes e extravagantes) e no final podemos não desenvolver nada. 

Valete de Paus
Ancient Tarot of Lombardy
Interessantíssima o posicionamento do Pajem,
de costas para o observador/leitor.

Encontrar um Valete de Paus é entrar em contato com alguém bem jovem e/ou que está começando a acreditar em si mesmo, no seu potencial e tem todo o gás para empregar nos seus propósitos. Muitas vezes o Valete de Paus pode surgir pra te ajudar num projeto, num processo criativo, como uma pessoa que acredita em você e é leal às suas idéias. Pode acontecer também deste valete não surgir como uma pessoa, mas como um acontecimento inesperado que o faz ter que agir rápido, como um simples convite para uma festa que você nem fazia idéia, ou uma entrevista de emprego que é uma oportunidade em um milhão mas que você tem que estar lá em 2 horas... Esta excitação toda pode soar interessante num primeiro momento, mas também vem uma carga de estresse com toda essa agitação se não soubermos lidar.

Valete de Paus
Ancient Italian

E o que acho mais legal neste Valete, vivenciando-o ou enxergando-o em outra pessoa, é a capacidade de ir em frente encarando a vida ao sabor de aventura! 

Princesa de Paus
Thoth Tarot

Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Thoth Tarot, os Pajens são substituídos pelas Princesas. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto às Princesas quanto aos Pajens os mesmos significados propostos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Conversas Cartomânticas sobre a Mega Sena da Virada na EPTV.com

Sete de Ouros
Medieval Scapini

Olá pessoal. A menos de trinta horas do ano novo, fui convidado pela equipe da EPTV.com para expor minha opinião a respeito de uma questão polêmica: é possível prever números da Mega Sena através da Cartomancia?
Se há alguém que acredite nisso, não foi na minha mesa que encontrou auxílio para satisfazer seu desejo. 

Dez de Ouros
Caligostro

Eu já havia me questionado a esse respeito na série desenvolvida no Clube do Tarô os Vícios e a Cartomancia: o vício do jogo (veja aqui). E agora, às vésperas do sorteio da Mega Sena da Virada, variamos sobre o mesmo tema. 


Baixe o Adobe Flash Player



Abraços a todos e um excelente 2012. Tornando-se milionário, ou não :)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Conversas Cartomânticas: Regina Guigou e a influência do Cavaleiro de Paus

Uma das melhores coisas da Blogagem Coletiva, talvez sua única e verdadeira justificativa, é poder conhecer o trabalho de pessoas com as quais pude travar contato. Nem todas, infelizmente, pude conhecer pessoalmente, ainda; mas nem por isso a admiração deixa de crescer. E fica aqui meu prévio agradecimento e admiração pelo deleite que vocês terão nas próximas linhas. 
Com vocês, Regina Guigou e o Cavaleiro de Paus.
Contato com a autora: Universus Guigou


Vivenciando a influência.

Cavaleiro de Paus
Sharman-Caselli

Sinto-me cheia de energia e ate um pouco impaciente.  Eu sou o Cavaleiro de Paus! Empunho minha lança em busca de novas aventuras. Correr risco é o que quero e não cabe aqui paciência. 
Estou sempre em busca de novidades. Criatividade, a imaginação e a inspiração impulsionam a minha curiosidade que sempre dão um novo frescor aos meus dias.  E nessa busca pela novidade, por novos objetivos percebo que vou deixando para trás uma infinidade de obras incompletas.  E assim vou vivendo em busca de algo que traga um novo sopro. 
É o Arcano de motivação criativa, entusiasmado e de afetividade expansiva. É o fogo em sua exuberância. 

Cavaleiro de Paus
Vice-Versa

Quem vive a influência do Cavaleiro de Paus esta em busca de reconhecimento, de brilhantismo pessoal, passando a se expressar de forma imponente, altiva, dramática. Faz tudo com a motivação do coração, espontaneidade que se lança sem medo para vida e desafios. 
Desafiar o ambiente externo é algo que a pessoa faz com coragem, curvado à paixão de realizar seu próprio destino. É o momento de florescer, frutificar, criar.
Existem aqueles que vestem a mascara deste arcano. Esta pessoa se apresenta como que se estivesse em movimento e constantemente buscando novos desafios. Para ele é uma forma de interagir com os outros, de ser reconhecido pelas suas qualidades ígneas. Muitas vezes acabam por mostrar o lado sombrio do Cavaleiro de Paus sendo inconstante, manipulador e superficial.

Cavaleiro de Paus
Mystic Dreamer

Como é encontrar com alguém com as características de um Cavaleiro de Paus
Temperamento ardente e apaixonado. Carismático o Cavaleiro de Paus se move pela vida como um adolescente. Seu jeito meio inconsequente que parece não saber aonde quer chegar.  Ele vai te sacudir porque, também, a instabilidade e a indecisão o acompanha.
Esse Cavaleiro é orgulhoso demais para ficar remoendo os infortúnios da vida, que encara como um acidente de percurso. Sua falta de objetividade é do mesmo tamanho que seu otimismo. 
Portanto, ame-o ou deixe-o.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Tarô Thoth Crowley-Harris

Esse é um dos baralhos mais importantes elaborados na história do Tarô. Tanto que, ao lado dos clássicos (inspirados na iconografia do Tarô de Marseille) e do Rider Waite-Smith, não deveria faltar em nenhuma coleção que se preze. Este baralho é o fruto do trabalho conjunto de Alexander Edward Crowley, conhecido como Aleister Crowley (1875-1947), e pintado artisticamente por Lady Marguerit Frieda Harris, née Bloxon, ou apenas Lady Frieda Harris (1877-1962). Inicialmente um projeto para três meses, durou cinco anos, entre 1938 e 1943 (fonte). A ideia de Crowley era desenvolver um oráculo de ares medievais, mas Lady Harris convenceu-o a dar o ar impressionista/surrealista ímpar que possui. 

Aleister Crowley

A sombra do idealizador, por vezes, macula o que é um oráculo belíssimo. O nome de Aleister Crowley é elevado às alturas por uns, lançado às profundezas por outros, mas não pode ser ignorado nem por seus adoradores, nem por seus depreciadores. E, apesar dos escritos polêmicos, da discórdia com membros de outras ordens esotéricas, se podemos citar algo com que Crowley trabalhou na elaboração do conceito de cada um dos Arcanos, esse algo é pureza. Buscando ao máximo retificar o que considerava inadequado no oráculo de acordo com suas práticas, temos desde o padrão de cores até os elementos subentendidos nas lâminas, devidamente descritos no Livro de Thoth, que, se estudados com afinco, darão, passo a passo, novos níveis de leitura para as mesmas lâminas com aquela sensação de “por que que eu não vi isso antes??? Esteve o tempo todo aqui e eu não vi!!!”
Jogar esse Tarô é uma grata surpresa. Sempre.
Meu primeiro contato com esse baralho se deu por influência de Silvia Theberge e, ao transcrever a fala dela, há mais de dez anos ecoando na minha cabeça, espero que seja tão tranqüilizante para você quanto foi para mim. Esqueça o autor, concentre-se no oráculo. Foi o que fiz, e não me arrependo. Hoje me sinto muito confortável com a literatura thelemita, mas quando comecei, com toda a minha formação tradicionalista cristã, foi um alívio ver o baralho dessa forma. Mais divertido foi descobrir, depois, que esse baralho não tem nada de anticristo ou coisas afins. O medo decorre da ignorância e, passada a ignorância sobre esse baralho, só sobra o deleite.
Tratando-se do Thoth, tomamos, mesmo que inconscientemente, o mesmo padrão dos leitores dos escritos de Crowley: você pode detestá-lo, ou apaixonar-se perdidamente por ele. É impossível ignorá-lo. É um baralho provocativo, pleno, intenso, com níveis de leitura que beiram as aguadas de uma aquarela – não se sabe onde termina uma pincelada/previsão e onde começa outra, ainda que delineiem-se perfeitamente distintas.

A Estrela
Nuit, a Senhora do Céu Estrelado
Thoth Crowley-Harris

Esse baralho possui algumas diferenças em relação ao modelo clássico. Seu próprio título, Livro de Thoth, remete aos Mistérios Egípcios e a Etteilla, que o antecedeu na escolha do epíteto para seu próprio baralho. Mas a iconografia evocativa dos elementos da mitologia egípcia (como Osíris n’A Morte e Nuit n’A Estrela) justifica e referencia seu uso. 

Arte
Thoth Crowley-Harris

Nos Arcanos Maiores, quatro cartas tiveram seus nomes alterados: a Justiça (Arcano VIII) torna-se Ajustamento; a Força (Arcano XI), torna-se Luxúria, também traduzido como Tesão ou Volúpia (no original em inglês, Lust); a Temperança torna-se Arte; e o Julgamento torna-se Æon. Tais alterações nominais não alteram a interpretação iconográfica, adequando, contudo, as lâminas às ideias do Mago. 

Thoth Crowley-Harris

Na Corte, a figura do Rei dá lugar ao Cavaleiro, o Cavaleiro clássico dá lugar ao Príncipe e os Pajens dão lugar às Princesas. Vê-se aí a ideia matrifocal tomando o lugar do patriarcalismo, já que a figura de maior poder não é mais o Rei, mas a Rainha, a quem o Cavaleiro deve sua honra e serviços.

Três de Copas
Abundância
Mercúrio em Câncer
Thoth Crowley-Harris

Nas Cartas Numeradas, temos a referência na própria iconografia ao decanato proposto para cada uma das cartas, além de um título impresso, que guia nossa interpretação num primeiro momento. Tais títulos são tão precisos que influenciam o desenvolvimento de novos baralhos até hoje.  

Repare na tarja do Purple Box, à direita, embaixo. Nela diz: "Includes
3 versions of the Magus card"

Disponível em diversas versões, temos, da US Games, a versão Green Box, que conta com 78 cartas grandes, a Purple Box, que conta com as 78 cartas médias mais os dois Magos dispensados por Crowley, e a Blue Box, que é uma versão pocket. As versões possuem livreto explicativo escrito por James Wasserman.

Os três Magos

Conforme artigo de Claudio Carvalho,

Existem ainda várias especulações sobre a feitura deles, algumas variam desde a lenda dos Três Reis Magos até as três linhas de magia, negra, branca e cinzenta. Contudo, alguns pesquisadores chegaram a conclusão que o arithmo 80 (78 + 2 Magus) tem uma profunda relação com a Deusa da Justiça e da Verdade, Maat que é o complemento de Thoth na mitologia egípcia e desta forma se revela um processo coerentemente arithmológico. 

Werner Ganser foi o responsável pela nova edição dos Três Magos. Em uma de suas visitas ao Instituto Warburg, Ganser constatou que havia três cartas referentes ao Mago, e que segundo ele próprio, poderiam ser duas peças a mais para colecionadores, deixando a escolha de qual o Mago a ser usado para o comprador.

Apesar de terem ganho um significado adicional com o tempo, essas cartas não são necessárias para o jogo, cabendo ao usuário utilizá-las ou não em função da sua iconografia ser ou não agradável ao manipulador.
Esse é um baralho para amantes do Tarô, para tarófilos. Talvez suas cores fortes impressionem além do esperado os iniciantes. Mas, superando o primeiro momento, é um baralho para se manter por perto por toda uma vida.

Mil e Uma Noites de Feitiçaria, Mil e Uma Noites de Cartomancia.


A princesa foi até o seu aposento, de onde trouxe uma faca com umas palavras em hebraico gravadas na lâmina. Em seguida, mandou que descêssemos o sultão, o chefe dos eunucos, o pequeno escravo e eu a um pátio secreto do palácio e lá, deixando-nos sob uma galeria, avançou para o meio do pátio, onde fez um grande círculo, dentro do qual traçou várias palavras em caracteres arábicos antigos e outros, chamados caracteres de Cleópatra.

Quando terminou de preparar o círculo da maneira pela qual desejava, deteve-se no centro, onde fez abjurações e recitou versículos do Alcorão. Sem que percebessem, o dia foi escurecendo, até que sobreveio, na aparência, a noite. Sentimo-nos dominados de extremo terror, aumentado ainda quando nos vimos de repente na frente do gênio, neto de Eblis, sob a forma de um leão de espantoso tamanho.

“50º noite” in As Mil e Uma Noites. Apresentação de Malba Tahan. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 157-158.

Quando li essa passagem, fiquei atônito e, ao mesmo tempo, extremamente grato. Diversos pontos ali apontados – a faca com caracteres hebraicos, o círculo preparado com caracteres específicos, as abjurações e a entoação de versículos de um livro sagrado – tudo isso aponta para uma estrutura de magia que bem conhecemos.
E não são as únicas citações.
As Mil e Uma Noites (Alf Lailah oua Lailah – "Mil Noites e uma Noite") é uma obra de referência para o conhecimento dos contos árabes. Formado por contos de amor e aventuras, viagens, lendas fantásticas, anedotas, lutas religiosas, parábolas, apólogos, fábulas, poemas e resolução de problemas, foi traduzido em 1704 por Antoine Galland, orientalista francês a quem devemos o acesso a essa obra, ainda que o mesmo tenha suprimido todas as partes da que considerasse menos edificantes, eliminando os episódios eróticos, contrários à moral cristã e as citações poéticas.




Foi essa a tradução escolhida para a edição da Ediouro, de 2001, em dois volumes. O professor Mamede Mustafa Jarouche produziu, por sua vez, uma edição em três volumes que resgata os aspectos “história para adultos” presentes nos manuscritos (confira a entrevista do professor aqui, e um excerto da obra aqui).

Particularmente – e sim, eu tenho um gosto sui generis por contos – eu gosto de ambas as versões.
Algo semelhante ocorreu com os contos europeus e os irmãos Grimm (quer ter uma experiência do gênero? Assista à Branca de Neve versão “contos infantis” e depois assista à Branca de Neve na Floresta Negra, de 1997). Então, não acho ruim termos duas versões. Crescemos lendo fairy tales e depois assistimos O Labirinto do Fauno, de 2006. E nos encantamos da mesma maneira. Ali estão os vilões, os mocinhos e os eventos que embalaram nosso sono e sonhos, em uma roupagem que está de acordo com a nossa idade. 
E a Arte é cheia de contos. Quando li Aradia: o Evangelho das Bruxas (Madras) pela primeira vez, o que mais me encantou, além, evidentemente, das conjurações, foi o aspecto emblemático dos contos. Ali reconhecemos o porquê de invocarmos nossa Senhora, pelos exemplos que obtemos na leitura.
Além disso, antes que a última lei contra a Bruxaria fosse revogada na Inglaterra, Gardner já havia publicado o “romance” Com o auxílio da Alta Magia (Madras). Nele, uma série de pontos posteriormente descritos tanto em livros do próprio quanto das gerações seguintes de Gardnerianos e dissidentes são citados e apontados em detalhes (aplicabilidade por sua conta e risco).
E voltamos cá às Mil e Uma Noites.
Não sei você, mas eu tenho predileção por contos, como disse anteriormente. São curtos, precisos, e pedem a leitura de sua continuação. Como Allan Poe, por exemplo – não dá para ler um conto só; quando se vê, o livro se foi todo e a ânsia por mais se estabeleceu. 
E, atualmente, com toda a interface que possuímos para acessarmos informação, creio que a comunicação pela fala tem sido a mais difícil. Entonação e digitação não combinam. Aprendemos a digitar trocentos caracteres por minuto, mas não aprendemos a nobre arte de traduzir intenções em letras e números. E nisso, a leitura é fundamental. Existem autores e obras que nos levam a rir, chorar, silenciarmos os desejos, ampliarmos nossa coragem. E a habilidade de incitar esses sentimentos é adquirida pelo exemplo previamente lido e pela prática constante. Escrever é uma arte.
Some-se a isso que o livro, como veículo material de ideias, possui um potencial simbólico que suplanta qualquer interface contemporânea. Evidentemente, daqui a uma ou duas gerações, poderemos ver o que digo cair por terra (levando-se em consideração que eu acredito em reencarnação e não sou bom o bastante para acreditar que essa é minha última).
E, n’As Mil e Uma Noites, temos esses dois aspectos correlacionados. A fala, a entonação, daquele que lê para aquele que escuta – ainda que estejam os dois papeis representados pela mesma pessoa em uma leitura silenciosa. 
Não só inspiradoras de comportamentos, mas também de imagens, as histórias d’As Mil e Uma Noites serviram de tema para uma série de ilustrações produzidas na década de 20 do século passado pelo orientalista francês Léon Carré (1878-1942), para a tradução da obra para o inglês elaborada por sir Richard Burton. 




Hoje temos acesso a um Tarô, homônimo, que nessas imagens encontrou inspiração e ilustração. Publicado e 2005 pela Lo Scarabeo, tive a honra de manipular o pertencente ao Carlos Karan, em julho; desde então, não tive outro desejo senão esse – adquirir um.
A maior reclamação que vi, referenciado pela internet, para este baralho, é a ausência de conexão entre imagem e significado a partir dos contos. Evidentemente, partimos do fato de que esse Tarô é uma adaptação de imagens pré-elaboradas com fim diverso daquele a que veio servir. Sugere-se, inclusive, que este baralho não faria sucesso justamente por essa lacuna, carecendo de um livro explicativo que ampliasse a percepção das correlações feitas para sua elaboração (temos algumas sugestões aqui). 
Estou lendo As Mil e Uma Noites justamente por isso.
Em breve, espero oferecer algumas correlações e interpretações para as cartas à partir da obra. Levando em consideração a funcionalidade original das imagens, sugiro, a quem possa, que consulte especificamente a tradução produzida por sir Richard Burton. Certamente insights brilharão diante dos seus olhos!
Existe outro Tarô dedicado às Mil e Uma Noites, produzido por Giacinto Gaudenzi (autor, entre outros, do Celtic Tarot e do Decameron Tarot, ambos Lo Scarabeo) com uma proposta mais erótica. Publicado em 1994, possui 99 cópias em preto e branco, tendo algumas, por volta de dez, sido coloridas à mão pelo artista. 
Voltando, contudo, ao que propõe esse artigo, este é um livro que não deveria faltar na biblioteca de nenhum Bruxo. Por conseguinte, este baralho também. Pois, como vemos na citação que abre o texto, existem pontos de convergência de pensamento entre a Bruxaria Moderna e a cultura islâmica que só obteríamos se lêssemos despidos de preconceitos – o que nem sempre ocorre.
Além disso, da correlação imagem – obtida no baralho/conto, obteremos uma fonte inesgotável de histórias para os pequenos: para nós, as cartas funcionarão como recurso mnemônico para elaborar a história, e, por vezes, ressignificá-la; para eles, ilustrações preciosas para seus sonhos e, caso seja o destino deles, os primeiros passos na cartomancia.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Conversas Cartomânticas: Claudia Mello, a Rainha de Paus e seus múltiplos poderes



Olá pessoal. Uma longa história me liga à Claudia Mello, a nossa guia e acompanhante de hoje nessa viagem iconográfica. Há muito tempo, quando eu iniciava meu treinamento na Arte, eu liguei (escondido, óbvio; minha mão não deixaria eu fazer um interurbano para falar de bruxaria!) para a amiga de uma amiga. Falamos correndo, eu iria dar um jeito de ir para São Lourenço. Iria, do verbo: não dei jeito e o tempo passou.
Anos depois, encontro-me com esta "amiga de uma amiga", pelo Facebook. Dez anos haviam se passado e, entre uma ligação e um e-mail, todo um crescimento, toda uma apresentação de resultados. E de conversas virtuais até o nosso encontro no Fórum Nacional de Tarô, foi um pulo. E o encontro em si um dos mais emocionantes desse ano (par a par do meu encontro com a Pietra lá na Confraria Brasileira de Tarot).
E, entre almoço e carteado, optamos pelos dois. E cá estamos, seguindo nossos caminhos e nos encontrando sempre que podemos!
Claudia Mello mantém o blog Via Tarot que, diariamente, atualiza nosso conhecimento cartomântico com vivências do cotidiano correlacionadas às cartas do Tarô. Recomendo.
Todos os comentários sobre as diferentes cartas pertencem à Cláudia. E, particularmente, dá vontade de fazer isso com todas as cartas. Pegue seus baralhos, alinhe suas Rainhas e veja, e Veja.


Rainha de Paus, a poderosa sedutora.
Art Nouveau

Quando fui convidada pelo querido Manu para falar sobre a Rainha de Paus, confesso que fiz uma certa resistência. Tanto fiz, que pensei em falar sobre a Rainha de Espadas, já que venho vivenciando esse arquétipo há muito tempo. Mas acabei pedindo para falar sobre a Rainha de Copas, cujo elemento água é o mais desafiador nas minhas práticas mágicas e mundanas. Depois de tantas idas e vindas, negociando Rainhas, acabei percebendo que o meu desafio era, realmente, assumir a Rainha de Paus, que é minha por direito divino, apesar de eu ainda não compreender, plenamente, como ser sua representante neste mundo tridimensional.


Rainha de Paus, aquela que está plenamente
integrada à Natureza.
Universal Fantasy

Como é grande o desafio de se falar sobre o poder! Se pensarmos que o elemento fogo do naipe de Paus é associado à centelha divina que cada ser humano traz dentro de si e, portanto, podemos pensar que estamos falando de um poder divino expresso na matéria, o desafio aumenta. Mas, se pensarmos em transportar tudo isso para o aspecto feminino, então, meus caros, o desafio é gigantesco!


Rainha de Paus, aquela que é o espírito,
sutil como uma Fada.
Shadowscapes

Falar de poder feminino em um mundo cuja estrutura masculina vigora é quase revolucionário! E o naipe de Paus sempre me parece enigmático... Enquanto Copas são as emoções e sentimentos, Espadas são os pensamentos e a razão e Ouros são as questões físicas e financeiras, do que fala, exatamente, Paus? Reparem que ele tanto fala de espiritualidade como de iniciativa, impulso, criatividade, envolvendo tanto um aspecto mais sutil e elevado, quanto a ação em nosso mundo ordinário. Refletindo sobre tudo isso, agora, estou começando a compreender porque eu sempre vi o Rei de Paus como o mais poderoso dos reis: ele é o Rei divinizado, aquele que tem o sangue azul por ser descendente dos deuses.


Rainha de Paus, aquela que tem a autoridade e o poder
de intermediar a relação entre homens e deuses.
Ancestral Path

Bem, então, como em uma receita de bolo temos: uma Rainha, o elemento fogo, a centelha divina geradora de tudo que é vivo, o mundo espiritual e a ação na terceira dimensão. Já podemos começar nossa alquimia e perceber como manifestamos e lidamos com a manifestação alheia desta querida Rainha de Paus.
Nossa Rainha é uma mulher destemida, corajosa e poderosa, já que possui um reino, súditos e um Rei como companheiro. Sua forma de reinar é bastante diferente da visão que seu marido tem sobre autoridade. Ela entende que a melhor forma de exercer sua liderança é através do exemplo, mas também sente que cada pessoa deve ter, em si, o direito e o exercício do livre arbítrio. Como mulher, ela entende que os grupos devem se reunir em círculo e partilhar experiências, ao invés de estarem separados pelo abismo que existe entre a riqueza e a pobreza, e isolados em nichos hierárquicos. O feminino é circular, não tem base e nem ponta.


Rainha de Paus, a que é caçadora e portanto
domina a ação, a coragem e a estratégia.
Ages

O elemento fogo é intenso, caloroso, às vezes impulsivo, mas como estamos na Rainha, já tendo ultrapassado a Princesa e o Príncipe, há um nível de maturidade e estrutura que comporta atitudes rápidas, porém lúcidas. O gênio é forte? Sim... Existe a vontade de fazer tudo do seu jeito? Sim... Mas, na mesma proporção, o coração é enorme e receptivo aos prazeres, dores, celebrações e dúvidas dos outros. A Rainha de Paus sente... De uma forma que o fogo sabe sentir... Que não é água, não é terra e não é ar. Ela sente de modo intuitivo, ela sente “como se fosse ela”, porque, sendo fogo, ela percorre muito rapidamente a distância entre o eu e o outro.


Rainha de Paus, a que desperta no outro o contato
com a própria semente-centelha divina.
Universal Goddess

A centelha divina é o ponto em comum entre tudo que é vivo e entre o que é vivo e a Divindade. Por ter essa percepção, a Rainha de Paus é rainha e, portanto, sabe que tem liderança, poder e responsabilidade, mas ela também sabe que é humana, como todos os demais. E, nas suas relações com as pessoas, ela tanto compartilha a sua própria centelha divina quanto mostra ao outro que cada pessoa tem a sua própria ligação com o Divino... Algumas vezes, ela é capaz de mostrar como fazer para descobrir, alimentar e cultuar a centelha divina e isso faz dela um tipo de iniciadora, alguém que é capaz de apresentar novas realidades ou novos talentos a alguém. No entanto, dificilmente ela será aquela que acompanha as pessoas permanentemente ou que “dá colo”... Muito pelo contrário, ela mostra como não precisar de um colo alheio! Porque se Deus está dentro de cada um, todos podemos ser mais divinos, ao invés de meros pedintes espirituais.
O mundo espiritual está sempre muito próximo do naipe de Paus, especialmente no que diz respeito à inspiração. O momento de conexão com o que é invisível é a “comunhão do fogo”, o que os cristãos chamam de “bênçãos do Espírito Santo” e eu costumo chamam de “fazer download”... É impressionante o fato de o elemento fogo ser o mais etéreo dos quatro, e, ao mesmo tempo, ter uma manifestação tão efetiva no mundo tridimensional. A Rainha de Paus possui este canal direto e aberto que liga o espírito e a matéria, o que faz com que ela possa receber informações não racionais, mas em forma de pura energia, e já manifestá-las através de ações.
A Rainha de Paus, pelo fato de ser uma representação Água/Fogo (Rainhas = Água e Paus = Fogo) tem muito a nos ensinar sobre uma forma fluida e ao mesmo tempo envolvente do espírito se manifestar na matéria. É um fogo que não queima, mas arde e transmuta. É o fogo líquido que circula em nossos corpos, como sangue sagrado. Reparem bem que ela não é a taça (essa seria a Rainha de Copas), mas ela é o conteúdo da taça! A Rainha de Paus é o segredo do Graal e é o mistério da vida que anima tudo que há. Ela está aqui e “lá” e seu poder amoroso pode, muitas vezes, mais assustar do que cativar.
Há que se entender os mistérios do fogo para poder amar a Rainha de Paus.