segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mystical Fighter e Etteila

Olá pessoal. Não se parecem?

Esclarecimento, Etteilla

Chefe da Terceira Fase, Mystical Fighter

Um francês...

...Outro japonês.


E quem disse que videogame não lembra Tarô. Veja só.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Mystic Fair: Eu fui, eu irei!


Olá pessoal. Satisfazendo todas as expectativas, a Mystic Fair foi ótima! Como eu havia prometido, acabei rodando pouco em outras partes que não a sala 4. Mas... para quê? Tudo o que eu queria estava ali, o carteado era constante, as palestras eram tão intimistas que mais pareciam bate-papos - estávamos em casa. 
Haviam, evidentemente, momentos em que eu queria estar em dois lugares ao mesmo tempo, o que, evidentemente, não foi possível. Mas, para além disso tudo, para além daquilo que eu aprendi, eu vivi intensamente o evento. Eu saí do evento mais pleno de mim mesmo. Mais consciente das minhas escolhas. Eu estava entre cartomantes porque, entre todas as opções - Bruxaria, Xamanismo, Wicca, Umbanda, Angeologia e outras - era entre Cartomantes que eu estava em casa. Evidente que eu conversei com pessoas de todas as tribos, encontrei-me com pessoas de outras filosofias, joguei cartas com elas e recebi delas o que elas poderiam oferecer. Tudo isso foi muito rico, muito pleno. 
Mas era lá na sala 04 que eu estava em casa.

Olha o pessoal do carteado

Assistimos ao documentário "Decifrando o Passado: O Segredo das Cartas de Baralho", da emissora  The History Channel. Uma parte do documentário está aqui, mas vale ver o documentário inteiro:






A oficina da Sarah Helena foi, novamente, fascinante. Dessa vez eu explorei a Torre. É curioso como esse processo criativo se dá. Eu sabia que teria que desenhar um Arcano, mas não fazia a menor ideia de qual viria. Até que eu vi a Torre do baralho da Adriana Kastrup.


A Torre de Pisa. 

Um insight me ocorreu. A Torre Fulminada, a Casa de Deus, é como nossa coluna vertebral. guia dos pulsos elétricos (raios?) do nosso cérebro ao nosso corpo todo.


Braimstorm with lightnings


Outra questão própria do raio é que ele procura o ponto mais curto entre o céu e a terra, de carga oposta em maior intensidade. E, pensando nessas duas questões - o pulso elétrico que percorre o corpo e a estrutura óssea, e a rapidez e praticidade da ação do raio, que elaborei a imagem.


Olha a minha Torre de Pisa fulminada...




Vivenciei uma sessão de Grafologia, à convite de Deborah Jazzini. E o que achei mais fantástico é que, por tanto tempo, por tantos anos de estudo e proximidade das cartas, por me serem tão cotidianas, acabei perdendo um pouco do maravilhamento que existe no ritual. Quando o Alexandre começou a descortinar minha personalidade através da minha assinatura, me vi, de novo, diante do mistério. Como ele poderia saber tanto sobre mim? Lá estava eu, desnudo, tão desnudo quanto quando uso minhas cartas. Mas lá eu estava no desconhecido mundo de outra leitura. 
Com isso, maravilhei-me de novo. É impressionante o quanto um oráculo, ou estudo de técnica, é capaz de fazer por você. Recomendo, recomendo mesmo.


Alexsander e eu em conversas cartomânticas. 


Tive a oportunidade de conversar com mais vagar com meu amigo e companheiro de jornada Alexsander Lepletier. Temos abordagens distintas sobre o Petit Lenormand, trilhamos caminhos distintos para chegarmos às nossas conclusões, mas partilhamos tanto, e tanto! Suas palestras abriram meus olhos para possibilidades que eu não teria desenvolvido com tanta precisão. Foi fascinante aprender (mais) com ele. 





Nei Naiff e Vera Chrystina deram palestras complementares, que, se assistidas na ordem proposta pela programação, fechavam uma síntese do Tarô: Nei Naiff falou sobre qual o melhor Tarô para jogar, e sobre os Arcanos Maiores e sua relação com destino e livre-arbítrio; a Vera sobre os Arcanos Menores e sua aplicabilidade. Saí com bagagem nova para olhar minhas cartas por outras perspectivas. 


Enquanto eu fotografava o Mago, Nei Naiff jogou um
baralho para o alto. Vi umas quatro pessoas infartando.


Uma das coisas que mais me fez pensar foi a questão da imagem ser ou não fundamental para a leitura do Tarô. Quando pensávamos que essa questão estava resolvida - sim, é fundamental - Nei Naiff aparece com um Tarô em braile.
Voltamos à prancheta de trabalho.

A Força, Golden Dawn Tarot.
Thanks, Adash Van Teufel.

Falando em cartas, terei muito o que estudar. Tivemos uma mesa redonda que varou a madrugada sobre o naipe de Espadas. Adash Van Teufel, Leonardo Dias, Fabiano Medeiros e eu, discutindo bibliografia, iconografia, semântica, sintaxe e técnica, sobre as 14 cartas de Espadas. Thoth, Waite e Marselha em diálogo. Novamente, estilos diferentes, experiências diferentes, pontos de vista diferentes, sendo contrapostos com tranquilidade, com abertura para a opinião do outro, com respeito pela experiência do outro. 
Não chegamos a lugar nenhum, ainda; mas nos divertimos horrores.


Rachel, Babi, eu, Nath e Pietra.


Tive também uma "reunião" com Brujas Nath Hera, Rachel Fainbaum, Babi Guerreiro e Pietra Di Chiaro Luna. Pena que, para o carteado, Babi e Pietra não puderam ir. E a lanchonete virou tenda em dois minutos e um abrir de cartas.


A Força, Estensi Tarot.
Fortaleza.
Grazie, Nath.


E o carteado rendeu. Pena que não tivemos como juntarmo-nos para gordices - Bruxaria e culinária é quase sinônimo...


Isabel Catanio, Nath Hera, Adash Van Teufel, Leonardo Dias, Bárbara Guerreiro, Edy de Lucca, Vera Chrystina, Nei Naiff, Alexsander Lepletier, Rachel Fainbaum, Fabiano Medeiros, André Luiz e Drika, casal casamentando na feira, Maria Cristina, bruxaiada do meu coração: foi estupendo estar com vocês. Estupendo. Obrigado por tudo, que cada um fez por mim, e que em breve nos revejamos. 
Com nossos baralhos a postos, evidentemente.
Abraços a todos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia das Crianças, ou lembranças douradas.

Traumzeit


Olá pessoal. Durante todo o dia, conversei sobre as lembranças de infância de amigos meus, inspirado como estava pela proposta do Leo Chioda (artigo na Revista Personare aqui, no Café Tarot aqui). Fotos vieram à tona, de álbuns há muito soterrados por obrigações e rotinas, limpando escaras ocultas há tanto tempo... em uma capa de ausência de tempo para ver o tempo que se ausenta.

Sol (Detalhe)
Tarô Iniciático da Golden Dawn

Eu também viajei nessa, mas minha viagem foi musical. Meu primeiro ímpeto, ao que me lembro - pasmem - foi pedir para meu pai um LP do José Augusto. Eu, ainda hoje, sei cantar todas as músicas sem fazer nenhum esforço. É engraçado como certas lembranças se mantêm vivas à despeito de serem ou não condenáveis pelos outros. É, eu sou cafona. :)


Louco
Tarô Iniciático da Golden Dawn

Na transição infância/adolescência, aquele lance de puberdade, puber, pelagem nova em certos lugares, voz desafinada, indo do mais agudo ao mais grave em menos de uma sílaba. E, se hoje temos homens querendo ser meninos, naquela época - que nem é tão distante assim na minha contagem - os meninos queriam ser homens.


Louco (detalhe)
Tarot da Golden Dawn

Eu sei que, nessa época, eu costumava acordar de madrugada - primeiros indícios de insônia com ares de serão - para ouvir música. E, nem tão longe assim, utilizávamos cassetes para gravar músicas, nada desse lance de baixar rapidinho. Demorei cinco anos (!) para saber o nome de uma música e poder baixá-la. E por aí vai. A dificuldade era grande, mas o prazer imenso ao obter aquele nome ou gravar aquela música - mesmo que fosse da metade para frente.

AJ, Howie, Kevin, Nick, Brian. 
Cabelinho de cuia... Meu Deus.

E foi numa madrugada dessas que eu conheci Backstreet Boys. As Long As You Love Me. Hoje, olhando com os olhos do coração para um passado que só existe na minha memória (era madrugada e as pessoas estavam dormindo, lembram-se?), é engraçado pensar que eu acordava nos primeiros acordes e ficava sonambulando sonhador enquanto eles cantavam. E eu nem sabia o nome deles ainda! E não entendia nada do que estava sendo dito - aprendi inglês com eles depois. 
Só achava bom e isso era suficiente.


Sol (detalhe)
Visconti-Sforza

Cresci com eles. Aprendi inglês com eles. Aprendi a dançar com eles (cansei de gravar clipes em fitas VHS passados inúmeras vezes na extinta TV Manchete). Romantizei meus dramas com eles - acho que os homens estão ficando cada vez menos responsáveis pelos seus próprios dramas, talvez pela hiper valorização dos mesmos hoje em dia, talvez por não terem vivido devidamente entre os treze e os dezessete anos... Dezoito já é maioridade e não adianta reclamar. Os dramas continuam, a vida continua, mas a abordagem é diferente, não adianta ser Peter Pan.
Esses dias, não mais que dez dias atrás, numa das minhas divagações pelo YouTube - algo impensável para mim a dez anos atrás - eu conheci uma banda, The Wanted.

Nathan, Jay, Siva, Tom, Max. 
Carteado.

Entrei em choque, evidentemente. Eu conhecia aquele estilo, eu conhecia aquela abordagem, havia um quê de releitura na banda. Era algo novo, mas velho. Old but Gold.
Eu percebi que estava envelhecendo.
Uma hora isso iria acontecer. Uma hora eu iria cair na real - a gente envelhece um dia por vez e só percebe quando os dias viram anos e se acumulam em décadas. 
Foi interessante, entretanto, perceber isso através da ciclicidade. Eu estava consciente, naquele momento, de que envelhecera porque eu via com olhos de novidade algo que reconhecia como memória, como recordação. 
 Mas, ironicamente, isso soou bem divertido. É da experiência absorvida que as boas vidas são vividas, dos sonhos realizados que os bons tempos são tecidos. Eu vivi bem minha infância, vivi bem minha adolescência, com toda a dor, sofrimento e crueldade que todos nós encaramos e encararíamos novamente várias vezes.
E se, a partir de agora, encarássemos com mais vontade o dia de amanhã?
Não por acaso, esse texto sai com o fim do dia. Sincronicamente, o dia acaba, como as lembranças se esvaem. Fica a proposta de seguir em frente, olhando aquela criança com ternura e vivendo o homem que me tornei com honra. 
Te convido e te desafio a fazer o mesmo. Faça desse dia o último dia do seu passado e o primeiro dia do resto da sua vida. 
Feliz dia das crianças. 





Say my name like it's the last time,
Live today like its your last night,
We want to cry but we know its alright,
Cause I'm with you and you're with me.

Butterflies, butterflies... we were meant to fly,
You and I, you and I... colors in the sky,
We could rule the world someday, somehow
But we'll never be as bright as we are now.

We're standing in a light that won't fade,
Tomorrow's coming but this won't change,
Cause some days stay gold forever.
The memory of being here with you
Is one I'm gonna take my life through,
Cause some days stay gold forever.

Promise me you'll stay the way you are,
Keep the fire alive and stay young at heart,
When the storm feels like it could blow you out
Remember, you got me and I got you.

Cause we are butterflies, butterflies... we were meant to fly,
You and I, you and I... colors in the sky,
When the innocence is dead and gone,
These will be the times we look back on.

We're standing in a light that won't fade,
Tomorrow's coming but this won't change,
Cause some days stay gold forever.
The memory of being here with you
Is one I'm gonna take my life through,
Cause some days stay gold forever.

I won't, I won't let your memory go
Cause your colors they burn so bright,
Who knows, who knows what tomorrow will hold
But I know that we'll be alright

Butterflies, butterflies... we were meant to fly,
You and I, you and I... colors in the sky,
We could rule the world someday, somehow
But we'll never be as bright as we are now.

We're standing in a light that won't fade,
Tomorrow's coming but this won't change,
Cause some days stay gold forever.
The memory of being here with you
Is one i'm gonna take my life through,
Cause some days stay gold forever.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mystic Fair - EU VOU!


Olá pessoal. Estarei na Mystic Fair, conversando, participando, me inteirando do universo esotérico brasileiro. A Feira é literalmente um mundo - a programação tem DEZOITO páginas, confira aqui! - e eu ficarei, naturalmente, mais tempo na sala 4, a sala temática de Tarô, organizada por Nei Naiff (programação específica aqui).
Vejo vocês por lá, não vai ser difícil me achar...
Abraços a todos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Conversas Cartomânticas: Um baralho para chamar de meu.

Quatro de Paus
Albano Waite

Olá pessoal. Recebi dois comentários em postagens distintas, e, dada a natureza dos mesmos, acredito que seja melhor respondê-los juntos, e conversando com vocês. A Cacá disse: 
"Oi, Emanuel: Sempre tive muito fascínio por tarôs, tenho vários: Baralho Cigano, Tarô dos Anjos, Tarô Mitológico e outros. Gostei do teu blog e a minha dúvida é: Sendo apenas uma estudiosa do assunto, posso ler carta para outra pessoa? e qual baralho vc me indicar para que eu possa realmente ¨ler¨uma carta de verdade? Um abraço"
E o Junior disse, na postagem sobre o Guia de Tarô:
"Gostaria de saber se o livro é bom para quem começa o aprendizado"
Acho pertinente explorarmos as duas questões como se fossem uma, já que, em essência, são. Como começar, e por onde?
Nei Naiff publicou um excerto da revisão de sua trilogia (recomendadíssima, inclusive) no grupo Tarologistas, que merece ser citada aqui. 
Tarotista é a pessoa que usa o tarô para fins taromânticos — nem todo tarólogo é um tarotista, e nem todo tarotista é um tarólogo. Encontramos ótimos tarotistas usando a vidência ou que raramente estudaram o assunto; então, não podem ser tarólogos, pois sequer sabem da história (documentada) da cartomancia ou da estrutura do tarô. Há bons tarólogos que conhecem perfeitamente as cartas e sua história, mas nunca jogaram profissionalmente — digo daqueles que jamais atenderam desconhecidos, cobraram pela consulta ou que nunca tiveram a coragem de jogar sequer para a família ou amigos — estes, também, não podem ser considerados tarotistas. E ainda existem aqueles que não são nem um nem outro, são apenas estudantes ou entusiastas. Mas nada disso invalida ninguém, uma vez que tais desmembramentos existem em qualquer área: nem todo advogado pode ser juiz, nem todo médico é cirurgião, nem todo ator consegue cantar. Portanto, cada um possui um dom ou a falta de oportunidade para uma prática efetiva; em todo caso, creio que são necessárias ponderações, visto que o mercado esotérico se expandiu muito nas últimas décadas e nem todos estão aptos ao ensino ou ao atendimento (presencial ou on-line).
NAIFF, Nei. Tarô, simbolismo e ocultismo (volume 1 da trilogia dos Estudos completos do tarô), Nova Era.

Então, antes de qualquer investida nesse ramo, é bacana pensar aonde se quer chegar. Você quer ser mesmo um cartomante, ou só saciar uma curiosidade? E, se seu desejo for pelo Tarô, você deseja se tornar um tarólogo ou tarotista, ou ainda ser os dois? Evidentemente, haverão acidentes de percurso e mudanças de rota que nos direcionarão para o melhor caminho dentro da nossa experiência.
Sabendo disso, de quão grande é sua paixão para transformar a leitura de um livro acompanhado de algumas cartinhas um hobby ou, para além disso, uma profissão, fica mais fácil irmos adiante nessa proposta.
Um detalhe que é importante ressaltar, mesmo. Ser cartomante não pressupõe jogar Tarô e nem obriga o estudante a enveredar por ele. Para jogar as cartas comuns e o Petit Lenormand, não precisamos conhecer nada de Tarô - talvez, por contraponto, sua história, não mais que isso;  é importante resistir à tentativa globalizante de correlação de tudo com tudo. Nem tudo combina, relaciona, reafirma, contrapõe, simboliza, representa, explicita algo pelo puro desejo do cartomante. O que, por ser limite, abre um horizonte confortável de possibilidades. Imagine... Relacionar tudo com tudo... então tudo pode ser... tudo! E, se tudo é tudo, o que está fora de tudo? E, se eu posso jogar tudo, para quê vou comprar um baralho caro se posso fazer tudo com um baralho baratinho de lojas de conveniência?
Dadas essas ressalvas, escolha seu baralho. Que seja de uma marca boa, para que ele dure, que tenha uma impressão de qualidade, que o tamanho dele se ajuste bem às suas mãos, que ele seja iconograficamente agradável. Até aí, a escolha é puramente material. 
Depois de escolher pela perspectiva material, passe para a perspectiva interpretativa. Os significados básicos do Tarô já são encontrados em diversos manuais e textos por aí. Mas é o diálogo entre o cartomante e os detalhes de seu baralho que fazem que o oráculo seja tão efetivo. Então, procure referenciar-se adequadamente. Leia os livros que acompanham os baralhos, mas não se restrinja a eles. No caso de um Waite-Smith, por exemplo, leia o The Pictorial Key do Arthur Edward Waite. Ele se propôs a orientar a Pamela Colman Smith na elaboração das imagens, logo ele é a melhor referência inicial, não importa quantos comentadores tenha tido desde então (e foram muitos, muitos mesmo). Nesse caso, o Tarô Mitológico é uma das melhores obras iniciais, porque é um livro profundo que acompanha um baralho bonito e explicativo da iconografia proposta. Mas, reitero, é uma das melhores obras... iniciais.
Ok, ok. Já escolheu seu baralho, já leu o livro, bora jogar, não é? Não.
Olhe as imagens. Observe-as. Faça anotações. O que você leu no livro corresponde ao que você vê? Se corresponde, ótimo. Se não, por quê? Talvez te remeta a um evento ruim do seu passado. Talvez alguém tenha dito que aquela carta é encardida. Talvez o próprio livro a referencie como a "pior" carta do Tarô. E aí? Você concorda, quando olha a imagem? Ou só repete o que está no livro?
Jogue para você. Correlacione as imagens e forme frases. Deixe as frases fluirem como uma conversa. Esqueça a fórmula sistema+carta+casa=significado. Haverão momentos em que ela será necessária, mas não agora. Converse com as cartas, deixe que elas conversem com você. Três cartas na mesa: ao invés de pensar em passado/presente/futuro, olhe a história que elas descortinam e tente descrevê-la. Ela é sua previsão, e ela vai funcionar para você. 
Memorize ou anote. Você é seu melhor termômetro de acertos. Seus feedbacks vem através de fatos. 
Epicurean Tarot, verso

E, agora sim, jogue para os outros. Convide alguns amigos para um chá, um café, um pudim (não gosto de bebidas alcoolicas para jogar, creio que a conversa desanda no meio do processo e isso não é bom). 
Três cartas para cada um, vejamos que historinhas se descortinam. Existem perguntas a serem feitas? Responda. Não sabe a resposta? Avise. Anote as cartas, espere alguns dias. As decorrências apontarão para significados que não estavam explícitos no livro, mas implícitos no ritual.
Para aqueles que estão em São Paulo, a experiência da Pietra di Chiaro Luna, o Chá de Tarot, pode ser extremamente reconfortante. Existem outros como nós, dispostos a crescer conosco, compartilhar experiências e significados. E, evidente, sempre é bom fazer novos amigos. Recomendo.
Ah, não é pecado nem ausência de compaixão não jogar Tarô quando não se está a fim. Você não é obrigado a atender ninguém por prévias combinações cármicas que lhe trouxeram a esse planeta. 

Sol
Soprafino

E assim vai-se crescendo na Arte. Nosso baralho passa a ser, efetivamente, nosso, no sentido de parte de nós. Então, respondendo sua pergunta, Cacá, qualquer baralho de qualidade - e você tem uns bons! - pode ser utilizado para a leitura. O importante é o seu preparo e a certeza de que, se não ver nada nas cartas, vai dizer que não viu nada e não se sentir culpada por isso. Treino nessa hora é fundamental. Chame os amigos descompromissadamente. Jogue para eles, melhor ainda se eles também jogarem e quiserem jogar para você. Caso você queira um desenvolvimento mais rápido, existem cursos. Diversos profissionais, assim como eu, se propõem a oferecer cursos presenciais ou online. Pesquise seus perfis, currículos, entre em contato, peça referências, cronogramas. Bons professores são confiáveis.
E, Junior, não, o livro não é bom para começar o aprendizado; tenho sérias dúvidas se ele lhe auxiliaria mais que lhe atrapalharia. Uma das prerrogativas para assumir um baralho como seu é ter os seus detalhes como preciosidades, e um dos detalhes mais preciosos do Waite-Smith é a troca da Força pela Justiça, XI por VIII. Essa edição rompe com essa ideia, de forma tácita, sem explicar os motivos de utilizar uma iconografia que, se não atende aos propósitos da autora, não deveria ter sido utilizada. Além do mais, os Arcanos Menores pertencem ao Jeu de Tarot, sendo que o baralho possui as 78 cartas! Foi produzido um híbrido de maneira desnecessária e tácita. Não considero esse livro bom para começar sua caminhada não. Eu me divirto com ele porque o Jeu de Tarot é lindo. E é só.
Sugiro, entre os baralhos de destacar, as edições do Curso de Tarô do Nei Naiff (Marselha), o Tarô de Thoth do Johann Heyss (Thoth Crowley-Harris), a tradução da Ediouro do The Pictorial Key (Waite-Smith). Se você, como eu, não gostar de destacar cartas, sugiro o Tarô Mitológico, da Liz Greene e Juliett Sharman-Burke (atualmente publicado pela Madras), os baralhos da Artha Editora (Marselha e Waite). Tem uma edição do Antigo Tarô de Marselha, de Nicholas Conver (Pensamento), que também é bem legal, ainda que eu esteja acostumado com o padrão Grimauld - para o qual aponta o livro do Carlos Godo, da mesma editora.
E é isso. Tomemos posse de nossos baralhos.
Abraços a todos.

sábado, 1 de outubro de 2011

O Mago Dionisíaco.



Olá pessoal. Não faço nenhum segredo sobre minha atual menina dos olhos, o Ancient Italian Tarot. Conforme a Taropedia e o Albideuter, o Tarô Soprafino ( de "supra" e "fino", ou seja "muito refinado", referindo-se ao fato de ser um baralho de alta qualidade - o termo diz respeito à segunda prensa do azeite para obter o azeite extravirgem) foi criado por Carlo Della Rocca (também grafado Dellarocca) e por Ferdinando Gumppenberg em 1835. O baralho segue o mesmo simbolismo dos baralhos da linhagem do Tarô de Marselha, mas em vez de ser feitos em xilogravura, são litogravuras, que permitem maior detalhamento da impressão. Tornou-se tão popular que foi reproduzido com pequenas alterações por vários fabricantes, dos quais o exemplar mais conhecido é a reedição conhecida como o Ancient Italian, fabricado em 1880 em Milão, Lombardia, pela Cartiera Italiana.


Edições diferentes do Soprafino: da esquerda para a direita:
edição Il Meneghello, Classic Tarot (LoS), Tarocchino Lombardo,
Ancient Italian. As diferenças são notáveis.

Atualmente o mesmo é editado pela Lo Scarabeo, sob curadoria de Pietro Alligo (diretor de arte da empresa e responsável por certo número de baralhos desenvolvidos pela marca), de onde provém minha edição
Eu tenho uma certa dificuldade com os baralhos "bonitos". Não que eu não goste da beleza, isso seria um contrassenso; o problema é quando o artista busca mais a estética que a simbólica e o respeito pela iconografia. Temos esse fator em uma série de baralhos e, sobretudo, nos baralhos temáticos, cujo tema suplanta a ideia de divinação. Se fôssemos jogadores de Jeu de Tarot, talvez pudéssemos utilizar tais baralhos favoravelmente; como leitores, são obstáculos mais que diálogos, dificultando nossa leitura dos símbolos e nos obrigando a trabalhar com conceitos.
O Ancient Italian é o baralho que, frente à iconografia proposta pelo Tarô de Marselha, mais se adequa ao conjunto de símbolos proposto. Sua beleza não suplanta sua aplicabilidade diante da literatura cartomântica presente no Brasil. O fato de ser feito em litogravura permite um maior detalhamento e a utilização de melhores hachuras e cores. As xilogravuras dos Tarôs de Marselha impedem um melhor uso do detalhamento dados os limites da técnica. 




Em alguns casos, a iconografia do Ancient Italian difere do Marselha nos atributos, e esse é um ponto de pesquisa e deleite ímpar. Alguns casos, como o Sol, onde um casal de dançarinos toma o lugar das crianças seminuas, é semelhante em significado - alegria, deleite, celebração, partilha. Em outros, como é o caso do Mago, temos que pensar um pouco mais.


À esquerda: Soprafino. À direita: Ancient Italian.
A iconografia é semelhante, com algumas divergências
quanto ao uso das cores.


Uma das questões norteantes da análise do Mago, na literatura que temos disponível no Brasil, diz respeito ao mesmo possuir uma varinha ou baqueta em sua mão. Essa ideia também é veiculada no Waite-Smith, onde o Mago não é mais o prestidigitador, mas o iniciado, aquele que interfere nas relações entre o mundo visível e o invisível.
Em um e em outro, ele é o "faz tudo". Um dos personagens mais emblemáticos dessa característica do Mago pode ser encontrado na história do Brasil (!):  Francisco Gomes da Silva, o Chalaça (esse personagem foi interpretado por Humberto Martins na minissérie O Quinto dos Infernos. Fica a sugestão para algumas risadas).
No Ancient Italian, o Mago porta uma taça. Todos os aspectos concernentes ao positivo, falo, ao poder, ao fogo, à luz, ao projetivo e ao influenciante caem por terra diante do negativo, vagina, à água, às trevas, ao receptivo e influenciável. Confesso que esse detalhe me incomodou durante um bom tempo.
Contudo, cada baralho é uma integridade que não deve ser mexida. Todas as cartas participam de um todo que deve ser respeitado. E, se eu me proponho a utilizar um baralho, devo respeitar os motivos e direcionamentos que nortearam o artista e o idealizador a grafarem determinados símbolos nas cartas. Nenhuma arte é inocente, e, sendo assim, devo me deparar com a queda da inocência sempre que me vejo diante de uma obra que me incomoda. Assim foi com essa carta. A expressão indecente e o cálice me incomodavam, dado estar eu acostumado, talvez por isso estanque, na interpretação do Mago como iniciado e como mercurial - por isso, enganador. O engano era possibilidade implícita, aqui, reitero, indecentemente explícita.
Por conta desses atributos, toda a conceituação que eu havia lido e estudado para o Mago caiu por terra, espalhou-se no chão, distribuiu-se em gretas e meandros de possibilidades interpretativas. E, nesse brainstorm forçado, vi-me disposto a rever tudo o que havia sido proposto para a atividade do Mago e tive que me debruçar sobre a ideia da taça. 
Justo a taça, tão ligada à Sacerdotisa, ao feminino, ao receptivo, ao dionisíaco...
Just it. Dionisíaco. 
Essa palavra fez todo um sentido para mim. E espero explanar minha visão para vocês.


Segundo Tiago Barros, em seu artigo "Nascimento e morte da tragédia ática segundo Friedrich Nietzsche" (disponível aqui)
Apolo é tido como o "resplendente" deus dos poderes configuradores que reina sobre a bela aparência do mundo interior e da fantasia. É uma divindade fundamentalmente ética que, ao lado da necessidade estética da beleza,  incita ao auto-conhecimento e à prudência, expressos através de suas célebres máximas "Conhece-te a ti mesmo" e "Nada em demasia". É o responsável pelo  metron, linha tênue que não deve ser ultrapassada pela fantasia a fim de evitar a confusão entre o mundo onírico e a realidade cotidiana. Já o impulso artístico dionisíaco dá vazão à exaltação e à desmedida que levam ao rompimento do princípio de individuação que Apolo cria e se empenha em defender. É vinculado à arte não-figurada da música (unbildlichen) que se manifesta através da embriaguez artística em que a subjetividade se esvanece em completo autoesquecimento. O músico dionisíaco, enquanto dor primordial e seu eco, propicia êxtase ao romper o restritivo princípio de individuação apolíneo e franquear o acesso ao substrato mais íntimo da natureza.
Mago
Waite Smith Tarot


Vejamos. Arthur Edward Waite, em seu The Pictorial Key of Tarot, aponta o Mago como apolíneo. Essa ideia coloca o Iniciado com prerrogativas próprias do Senhor da Luz, da Poesia, da Música e da inspiração das Musas, da lógica e do sonho


Louco
Thoth Crowley-Harris


Aleister Crowley, em seu Thoth Crowley-Harris, representa o Louco como Dioniso, aqui relacionado com a embriaguez, com a música, com o êxtase, com o diluir da identidade no Todo. Não pretendo me estender, aqui, sobre as relações entre os autores e sobre a interpretação de ambos - teremos outras oportunidades para isso - mas evidentemente, poderíamos buscar nos textos da Golden Dawn, em especial o Liber T, elementos de análise para ambas as atribuições. 
Essa oposição Mago/Louco é lugar-comum de interpretação. Aquele que sabe/aquele que busca, aquele que detém o conhecimento/aquele que possui todas as possibilidades.
Estamos, contudo, diante de uma imagem que possibilita ambas as possibilidades, devido a um único atributo - a taça - que nos remete a outra interpretação. Busquemos, portanto, referências imagéticas para a taça.


Michelangelo Caravaggio
Baco Adolescente


Observemos essa imagem. O jovem, recostado em um divã, estende uma taça ao observador, inserindo-o na cena - característica própria do Barroco. Frutas e folhas em diversos estados de maturação estão na cesta à frente e nos cabelos -negros e cacheados - do jovem. Com a mão direita, despe-se displicentemente, fitando o observador nos olhos. A imagem é um convite à entrega aos prazeres de Dioniso/Baco, como Senhor do Êxtase que é.
Referenciados pela ideia da taça representar o convite, voltemo-nos ao Mago.




Mago
Ancient Italian


Reparem que seu olhar é direcionado ao operador. Ele lhe estende a taça, seja em brinde, seja em partilha. Mas ele não está embriagado, e possivelmente não se pretende a tal; ele é Apolo, mas ele é Dioniso. Ele é a amálgama das possibilidades e características de ambos, numa dicotomia poética e iconográfica. Ele é êxtase consciente.
Como todo início e iniciador, ele inspira a aceleração cardíaca, o frio e as borboletas no estômago, mesmo que tenhamos nos preparado por meses, quiçá anos, para o evento que aponta. Nenhum preparo é suficiente para o novo, senão não estamos diante do novo, mas de um recomeço ou releitura da nossa experiência ou de outrem; o nervosismo é próprio e inerente ao novo. E o Mago é o novo. O Louco se lança, sem consciência e com confiança, no desconhecido; O Mago também, mas ele tem a si mesmo. O Desconhecido permeia ambos na descida ao Abismo, mas o Mago, ao menos, sabe quem é.
Só não sabe quem pode ser. 


Assim, dei-me por satisfeito no que concerne à taça; o simbolismo dionisíaco me satisfez, estando correlacionado ao estado apolíneo da carta. É um contraponto, é uma dicotomia, mas é algo compreensível e interpretável. O Mago é criativo, é inovador, é pleno; e ele lhe estende a taça, lhe convida, leitor, ao Desconhecido. 
Novamente, digo: ele sabe quem é. E você?




Post Scriptum: A Vera Chrystina postou um link que merece ser visto, de um texto que merece ser lido. Está em francês; espero que ainda assim vocês possam ter acesso ao conteúdo. O link é esse aqui.

domingo, 25 de setembro de 2011

Faroeste, Poker e Cartomancia: A Mão do Homem Morto.


It's been a good poker game so far and you're feeling fine. You scoop up the cards and look at them briefly, not wanting to give away anything to the other players. Suddenly in the back of your mind you feel a twitch, an uneasiness. You glance at the cards again and break out into a sweat. Sure, it's only a legend but where do legends come from? And with you holding the Dead Man's Hand you can only hope that it's all smoke and mirrors. But what exactly is The Dead Man's Hand and where did this poker myth come from?


Continuando minhas pesquisas em relação ao Poker e a Cartomancia, me deparei com um conteúdo curioso, interessante, ainda que macabro, porém passível de testes: a Mão do Homem Morto (Dead Man's Hand).  Se trata de um par de ases e um par de oito dos naipes pretos (Espadas e Paus) e um kicker não definido,  combinação esta que é tradicionalmente tida como azarenta. Se superstição ou não, saberemos...


Conforme a Wikipedia


James Butler Hickok (Troy Grove, Illinois, 27 de maio de 1837 — Deadwood, Território de Dakota, 2 de agosto de 1876), melhor conhecido como Wild Bill Hickok, foi um vulto histórico americano e uma figura lendária do Velho Oeste. Hickok lutou no exército da União durante a Guerra Civil Americana. Chegou ao Oeste como condutor de diligências. Depois da guerra ele ganhou fama como jogador profissional e homem da lei. Foi xerife nos territórios de Kansas e Nebraska. Hickock se envolveu em vários tiroteios notórios, explorados pela imprensa sensacionalista.




Em 2 de agosto de 1876, no Saloon Nuttal Mann's No.10 de Deadwood (Dakota do Sul), em Black Hills, Hickok não encontrou vazio seu lugar habitual, então se sentou para o Poker de costas para a porta, contrariando seus hábitos - que talvez o tivessem mantido vivo até então. Ele recebeu um tiro na cabeça de um revólver calibre .45, dado por Jack McCall. Wild Bill caiu silenciosamente no solo sem soltar as cartas que estavam nos seus dedos: um par de ases, um par de oito dos naipes pretos (paus e espadas) e acredita-se que  o kicker seja um Valete ou Dama de ouros (existem versões que apontam para uma Rainha de Paus, para um Rei de Espadas ou ainda para o Coringa; não há consenso) que ele estava descartando, quando foi interrompido. Essas cinco cartas ficaram conhecidas como a "Mão do Homem Morto" (Dead Man's Hand).



Acho interessante pensarmos no que significaria esse conteúdo num contexto cartomântico. É uma mão de cartas oriunda do Poker; tem um peso cultural considerável - temos músicas, filmes, games baseados nesse evento específico; no limite, estamos lidando com um vulto histórico americano; por fim, é uma combinação de cartas e como tal possui um significado. Se transportássemos o conteúdo cultural envolvido nessa combinação para o  Petit Lenormand, o que teríamos? 



E se estivéssemos lidando com o Waite Smith?




Talvez o Thoth Crowley-Harris..?




Aparentemente, não é o proposto por essas cartas. Evidente; a questão lúgubre relacionada às quatro cartas nada tem a ver com os números, mas com os naipes.
Falando em naipes, um parêntese, sobre a etimologia dos naipes aqui no Brasil, que herdamos de Portugal (referenciado aqui):


Antigamente, o baralho português tinha os mesmos naipes que o atual espanhol (taças, espadas, paus e ouros). Quando o baralho Anglo-Francês foi adotado em Portugal, os desenhos mudaram, mas os velhos nomes foram usados para continuar a designar os naipes. É por esta razão que os corações são chamados copas,  os diamantes são chamados ouros, os trevos paus, folhas espadas, apesar de tal não ser a ilustração. 


Na Cartomancia, as cartas de Paus e Espadas são naturalmente maléficas, em contraposição a Copas e Ouros. Noir se opõe ao rouge, como o dia se opõe à noite - de forma complementar. Não é possível transpormos essa análise para o Tarot devido à perspectiva quaternária que temos atualmente, baseada, grosso modo, nos quatro elementos. Na Cartomancia, a perspectiva, antes de quaternária, é dual. Favorabilidade e desfavorabilidade são, antes de qualquer coisa, representadas por cores
Logo, as cartas pretas já apontariam desgraça. Um jogo negro - e a metáfora é evidente - é algo macabro e indesejável. Seria o mesmo que Espadas ocupando a jogada, quando se trata de uma leitura de Tarot. Onde as Espadas tocam, o rastro é sangue. Onde o noir toca, o rastro é desalento. No Poker.... talvez sorte.
Jogando Poker, quem não desejaria essa mão de cartas..?
Poderia dizer o mesmo da Cartomancia? #not


Com todas essas conjecturas, com todas essas considerações, ainda assim apenas o contexto de jogo é capaz de nos informar, adequadamente, se uma previsão é benéfica ou maléfica. Mas que é divertido observar o diálogo proposto em uma leitura em que essas cartas apareçam, ah é.
Não entendam com isso que estou propondo que essas cartas percam seu significado original na taromancia e no Petit Lenormand e passem a simbolizar de forma combinada infortúnios, como a misfortune proposta para o Poker. Mas eu considero por demais divertido ver como se aplicam - ou não - possibilidades de diálogo. Lembremo-nos que uma das propostas de kicker é o Valete de Ouros... Que, tratando do Petit Lenormand, é uma carta muito adequada ao propósito desse post.
Abraços a todos.