segunda-feira, 25 de junho de 2012

The Game of Thrones Lenormand.


Olá pessoal. Essa é uma iniciativa de um fã convicto de Game of Thrones e praticante da adivinhação com Petit Lenormand. Espero que apreciem, participem, escolham suas cartas e conversemos sobre por aqui. Claro que essas são as minhas correlações, que não respeitam certas questões de enredo. 
Quais seriam as suas?
The Winter is coming!


01. Khal Drogo.

02. A moeda de Vallar Morghulis.

03. Theon Greyjoy.

04. O Reino (Fiquei muito tentado a colocar Winterfell. Mas vamos respeitar.)

05. Árvore-Coração.

06. Joffrey Baratheon.

07. Melisandre.

08. Os Outros.

09. Sor Loras Tyrell.

10. Sir Ilyn Payne.

11. Stannis Baratheon.

12. Varys.

13. Rickon Stark.

14. Petyr Baelish.


15. Jeor Mormont.

16. O Cometa Vermelho.

17. Daenerys Targaryen.

18. Sandor Clegane. 
Essa carta possui duas possíveis atribuições, claro. 
Optei, inicialmente, pela relacionada diretamente 
com o título do "cavaleiro", mas pelo contexto 
temos dois outros 18:

Robb Stark e Graywind...

...Bran e Summer, evidentemente.

19. A Muralha.

20. Renly e Margaery.

21. Gregor Clegane.

22. Os caminhantes Arya e Gendry.

23. Cócegas. 

24. Sansa Stark.

25. Casamento de Robb e Talisa.

26. Tyrion Lannister.

27. Os Corvos.

30. Jon Snow.

31.Fogo. Eu pensei em vários personagens, mas
acho que aqui tem que ser aquilo que de mais
"mágico" existe em Game of Thrones". O fogo -
seja de Dragão, Vivo ou o convencional - é a 
arma mais poderosa de todo o seriado.

32. Cercei Lannister.

33. Xaro Xhoan Daxos.


34. Davos Seaworth.

35. O Trono de Ferro.

36. Jaime Lannister.




Essa postagem acompanha o Dia do Baralho Lenormand, proposto pela Chris Wolf, pela Deborah Jazzini e pela Socorro Van Aerts.
Abraços a todos.

Mlle Lenormand, Hilda Furacão e Baralho para Ver a Sorte: celebrando o Lenormand Day.


Olá pessoal. Finalmente temos uma data especial para a celebração de um oráculo por demais querido, por demais preciso, por demais presente na minha vida : O Petit Lenormand, aqui no Brasil conhecido também pelos nomes "cartas ciganas", "baralho cigano" e "Tarô cigano". Essa questão de nomenclatura parece pouca coisa, mas não é. Durante décadas , a personagem principal da história foi eclipsada pelos nômades que a divulgaram (mesmo sem saber disso) e, hoje, temos a oportunidade de mantermos a tradição sem, no entanto, fugirmos às evidências históricas.
A iniciativa de criação deste dia veio pela manauara hoje residente em Amsterdã Socorro Van Aerts, do blog De Keizerin Boutique, onde logo se juntaram Chris Wolf, uma carioca apaixonada pelo oráculo dona do blog Eye of Peregrine, e a paulista Débora Jazzini, estudiosa que palestra sobre Mlle. Lenormand e sua obra e uma das responsáveis pelo site Por Você: um eixo Holanda - Rio de Janeiro - São Paulo, que agora encontra eco e agregamento cá em Minas Gerais. Parabéns meninas, pela excelente iniciativa.

Não sei vocês, mas eu prefiro seriados a novelas. Sobretudo pelo curto período de tempo, que gera uma intensidade maior na elaboração dos diálogos, torna mais intensos os eventos e, especialmente, garante que o fio condutor da trama estará na mão dos escritores (quantas novelas mudaram o rumo dos seus personagens pela aceitação ou desprezo da maioria dos telespectadores?) Entre os seriados brasileiros, um dos meus favoritos é Hilda Furacão - se você não assistiu ainda, tenho certeza que vai ficar com vontade de assistir.


[Hilda Furacão] é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Roberto Drummond em 1993. Conta a história de Hilda Gualtieri Müller, a "Garota do Maiô Dourado", uma belíssima e recatada moça da família mineira, que no dia de seu casamento, em 1.º de abril de 1959, abandona o noivo e vai viver em um prostíbulo na zona boêmia de Belo Horizonte. Os seus motivos fazem parte de um mistério muito bem guardado por ela, que intriga o próprio Roberto Drummond, um jovem jornalista que trabalhava para o tablóide "Binômio", de José Maria Rabelo. 
Hilda acaba por despertar a curiosidade dos editores do "Binômio", que escalam Roberto para acompanhar os acontecimentos na Zona Boêmia. Frei Malthus, amigo de infância de Roberto e clérigo bastante respeitado pela família de BH, realiza em plena praça o exorcismo de Hilda Furacão, mas uma súbita tempestade desaba, e todos saem correndo. Hilda, na confusão, perde seu sapato, que é achado por Malthus, e o esconde. 
Tendo como cenário de fundo as transformações do Brasil naquela época, a narrativa se desenvolve de maneira deliciosa, com vários núcleos além dos personagens principais: a ambição de Aramel, o Belo, também amigo de infância de Roberto, de se tornar galã de Hollywood; os conflitos entre a modernidade e o conservadorismo na pequena Santana dos Ferros; a militância comunista; a emisora de rádio Inconfidência e o apresentador MC, apaixonado por Gabriela M. Enquanto isso, Hilda e Malthus se aproximam cada vez mais, vivendo um amor intenso e proibido. A saída de Hilda Furacão do Maravilhoso Hotel tem uma data marcada: o 1.º de abril de 1964, exatamente 5 anos após sua chegada. Mas o dia da mentira também traz o fim de um sonho e o início de um pesadelo, o do golpe militar.
A história parecia ter caído como uma luva para a televisão. Com a adaptação de Glória Perez e direção de Wolf Maia, a minissérie começa a ser gravada em novembro de 1997, contando com supervisão do próprio Roberto Drummond. Boa parte das locações é feita em Tiradentes, cidade histórica de Minas Gerais, e as gravações correm em ritmo acelerado, durando até fevereiro. 
Mas o sucesso de Hilda Furacão é total. Estreando no dia 27 de maio de 1998 e com 31 capítulos, atinge uma audiência de até 32 pontos, superando inclusive a novela das 20 hs, "Torre de Babel". A série conseguiu cativar a atenção do país, em pleno desenrolar de uma Copa do Mundo. O livro de Roberto Drummond chega à lista dos mais vendidos, assim como o CD com a trilha sonora da minissérie. A Globo traduz a série para o francês e inglês, e a coloca à venda no mercado internacional. 
Além da consagração de Ana Paula Arósio, a série ainda alavancou a carreira de vários atores, entre eles Matheus Natchergaele (o travesti "Cintura Fina"), Thiago Lacerda (Aramel) e Carolina Kasting (Bela B.). Justiça feita a tanto sucesso, "Hilda Furacão" recebeu o prêmio de melhor teledramaturgia de 1998 da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). 

Ficha Técnica 
Adaptação: Glória Perez 
Direção de núcleo: Wolf Maia 
Direção: Maurício Farias e Luciano Sabino 
Direção de Produção: Carlos Henrique Cerqueira Leite 
Gerente de Produção: Roberto Câmara 
Direção Musical: Mariozinho Rocha 
Direção de Fotografia: Ricardo Gaglianone 
Figurino e Direção de Arte: Yurika Yamazaki 
Cenografia: Claudia Alencar e Alexandre Gomes

Elenco:
Ana Paula Arósio (Hilda) 
Rodrigo Santoro (Malthus) 
Selton Mello (Roberto Drummond) 
Thiago Lacerda (Aramel) 
Stênio Garcia (Tonico Mendes) 
Tereza Seiblitz (Gabriela M.) 
Sérgio Loroza (MC - radialista) 
Ricardo Blat (Cidinho - ajudante de Tonico Mendes) 
Carolina Kasting (Bela B. - namorada de Roberto) 
Eva Todor (Dna. Loló Ventura) 
Rogério Cardoso (Ventura - marido de Dna. Loló) 
Cininha de Paula (Luciana - amiga de Dna Loló) 
Débora Duarte (Çãozinha - tia de Roberto) 
Walderez de Barros (Ciana - tia de Roberto) 
Marcos Oliveira (Zé Viana - namorado de Çãozinha) 
Zezé Polessa (Dona Neném - mãe de Malthus) 
Iara Jamra (Beata Fininha) 
Mara Manzan (Nevita) 
Marilena Cury (Alição - prostituta de Santana dos Ferros) 
Thais Tedesco (Alice - prostituta de Santana dos Ferros) 
Yachmin Gazal (Alicinha - prostituta de Santana dos Ferros) 
Paulo Autran (Padre Nelson) 
Marcos Frota (Padre Geraldo) 
Guilherme Karan (João Dindim - sacristão) 
Luís Mello (Padre Cyr) 
Otávio (Mário Lago) 
Chico Diaz (Orlando Bonfim - vereador de BH) 
Cláudia Alencar (Divinéia) 
Paloma Duarte (Leonor) 
Rosi Campos (Maria Tomba-Homem) 
Matheus Natchergaele (Cintura Fina) 
Tarcísio Meira (Cel. João Possidônio) 
Roberto Bonfim (Cel. João Filogônio) 
Eliane Giardini (Dona Bertha Müller - mãe de Hilda) 
Henri Pagnocelli (Sr. Müller - pai de Hilda) 
Arlete Salles (Madame Janete - cartomante de Hilda)


Prestaram atenção no grifo? Temos uma cartomante na história e, sinceramente, não existe história sem ela, de fato. A interpretação de Arlete Sales é impressionante, com requintes e trejeitos que são próprios daqueles que tornam a Cartomancia sua profissão. Eu tenho mais um motivo particular para ter carinho por essa cartomante: ela usa o Baralho Para Ver a Sorte, da COPAG, meu baralho favorito e usado desde sempre para consultas. Para aulas, apresento os padrões iconográficos encontrados no mercado; para atendimentos, busco a familiaridade e a segurança que essas cartas me trazem. 







As imagens são simples, mas claras, com a representação dos naipes. Apesar de ter uma cigana como verso das cartas, não atribuiu-se a ele uma "origem" cigana, nem adaptaram-se as imagens para que essa versão fosse creditável. Atualmente esse baralho encontra-se infelizmente esgotado. Aguardamos uma nova edição da COPAG.
A interpretação das cartas de Madame Janete merece um capítulo à parte. Como diversas cartomantes com quem conversei, não temos aqui uma sala especial para as consultas, mas sim a mesa da sala/cozinha; Madame Janete parece, inclusive, distante do tema da consulta, conversando assuntos paralelos oriundos do seu cotidiano para uma Hilda enfastiada. Mas, sobretudo, observe a certeza com a qual ela afirma veementemente aquilo que Vê.













Repare a colocação de algumas ideias espíritas no meio da conversa. E as coisas que ela diz... "Ninguém vem aqui porque está feliz. Quem senta nessa cadeira, é porque alguma coisa lhe falta".
"O que Deus risca, ninguém rabisca".














Depois da previsão feita e confirmada, Hilda retorna à Cartomante. E novamente, Madame Janete fala coisas que sabemos que na prática são verdadeiras, assim como coisas próprias do cotidiano dela, para manter o costume.
Desejo verdadeiramente que esse dia inspire você a ler suas cartas Lenormand, ou procurar quem as leia para você. Celebramos eu, você e todas as Madames Janete que, embora não estejam visíveis à mídia, levam a palavra certa no momento certo para a pessoa certa, tendo como catalisador um maço de trinta e seus cartas.
Abraços a todos.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Blogagem Coletiva: Questionamento


POR QUÊ?
Em caixa alta e com todos os intensificadores de sentido possíveis, é assim que vejo alguns de meus clientes chegando para uma consulta, sobretudo as que possuem cunho afetivo: com um enorme porque estampado no rosto, por vezes escrito com lágrimas, por vezes escrito em linhas na face. O porquê norteia qualquer busca às cartas. O porquê de um acontecimento e suas reverberações futuras, assim como, mesmo quando esvaziamos a mente e nada perguntamos, as próprias cartas delineiam perguntas que esforçam-se em responder.
De um sentido, de um porquê não se escapa. Se busca.
Pois bem. A ampliação que esse conceito proporciona foge ao espírito do texto, permitindo reflexões posteriores com maior concretude. Penso, hoje, no que não ter certezas proporciona. Questionamentos não são, ipsis litteris, antíteses de certezas, mas tomemo-as por ora como se fossem.


São os questionamentos que nos movem. Sempre. Não dar por certo é não ter respostas prontas e, não as tendo, ter que prepará-las. Preparo esse que vai de encontro à celeridade em que vivemos: é muito mais fácil entrar em um site de busca que pesquisar em alguns livros. Trocentos links se derramam à nossa frente, trocentas imagens, trocentos e-books. Normalmente, consultam-se, quando muito, os dez primeiros.
E essa é uma questão premente quando discutimos sobre Tarô. Muito tem se escrito em sites, blogs, livros saem por diversas editoras e, graças a Dios (e à queridíssima Priscilla Lhacer) baralhos importados tornaram-se deveras acessíveis. Os catálogos das editoras pululam com diversas possibilidades iconográficas radiantes em luz, cor e forma. Tem para todos os gostos e desejos. Associe imagens várias a opiniões várias e você tem um caldeirão fumegante de possibilidades de dar o primeiro passo no caminho do Tarô. Muitos caminhos sempre confundem e, claro, perguntamo-nos: "Qual é o caminho certo?c Qual é o melhor baralho? Quem possui a verdade sobre o Tarô?"
Antes isso do que certezas imediatas, mas ainda assim estamos no primeiro passo. E as respostas para tais perguntas não estão no Google. Ok, até estão, mas tão envoltas em opiniões que dispenso comentários sobre.
Mas existe também outro problema. E, se depois de termos nos apaixonado por um baralho, ou por um autor, ou por um método, descobrirmos que ele estava "errado"? Tudo o que vivenciamos não passava de "ilusão"? Devemos começar o caminho todo de novo, de onde - porque até o retorno já é todo um caminho?
Ou, talvez para um apaixonado como eu pela Arte, e se um dia você questiona se ler cartas é o caminho certo para você? E o que acontecerá se você abandonar a prática? Algum dos seus protetores se virará contra você? Você se arrependerá e não terá coragem de voltar? Ou, talvez o pior de todos os questionamentos: sua vida "andará para trás"?




Não, não é fácil aceitar um caminho só para a vida toda, mas a melhor parte é que isso é uma escolha consciente o tempo todo. Um eterno questionamento de que se está - ou não - fazendo a coisa certa e, depois de anos de prática, a minha experiência diz que só existe uma pessoa capaz de responder a todos os seus questionamentos sobre a sua Arte: o seu cliente. E ninguém mais; porque ele beberá sedento das suas palavras para tentar resolver o PORQUÊ garrafal com o qual iniciamos essa conversa. E, mesmo que seu único cliente seja você mesmo, somente a comprovação das suas visões garantirá o conforto de saber que se está no caminho certo. 
Isso, até a próxima vez em que você abrir as cartas.


Por isso, questione tudo. Inclusive a motivação desse texto. Leia mais livros, faça mais exercícios, conheça mais baralhos, métodos e autores. Muita gente boa está debaixo do décimo link ofertado por sites de busca. Aqui no Conversas você encontrará excelentes profissionais falando sobre suas práticas na Blogagem Coletiva. Sempre temos postagens sobre baralhos e livros. Evidentemente, sob a ótica de um único crítico, o blogueiro que vos fala. Frequente eventos. Converse tête-a-tête com aqueles que admira, e mais ainda com aqueles com quem não concorda. E pratique, sempre que puder, sem medo de errar, porque você não errará.
Desenhe seus Arcanos. Aprendi isso com a Sarah Helena, e tenho acompanhado a experiência criativa de perto da Katharina Dupont. Me surpreendo com a riqueza de detalhes que emergem dos baralhos que me proponho a colorir... 
Duvida? Me ponha à prova. SE ponha a prova. Não confie em nada que não tenha posto à prova primeiro. Inclusive, todos os questionamentos propostos com esse texto.
É muito simplório, muito lugar-comum, dizer o quanto me questionei sobre como escrever sobre isso? Talvez seja, mas é fato e contra fatos não há argumentos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Viagens.


Carruagem
Ancient Italian

Creio não existir nada mais prazeroso que viagens. Viagens são pacotes de surpresas esperando por nós em outros lugares. Pensando por esse lado, viajar é como procurar o presente de Natal ou o ovo de Páscoa, só que a alguns quilômetros de casa – e, definitivamente, sem nenhuma certeza de encontrar o que se procura, de fato.
Por isso o prazer em viajar. São outros sabores, outros odores, outros olhares, sensações diversas daquelas a que nos acomodamos, por comodismo ou por ausência de opção. Há quem faça da viagem uma fuga do conhecido, por isso. Qualquer coisa é melhor do que o que já se conhece.
Seis de Espadas
Universal Waite

Outros há que, por puro apelo futuro e falta de opção, fazem-se Ciganos de um mundo cujas porteiras foram levadas pelo vento. Em curvas e contracurvas rococós de possibilidades diversas, mergulham no desconhecido sem entender, exatamente, aonde é que esse mergulho vai dar – ou se terão oxigênio suficiente para voltar.
Há que se considerar também o detalhe: viagens são mais poderosas para marcar um corpo que uma tatuagem. Uma tatuagem ainda pode ser removida, mas uma vivência deixa marcas suavemente indeléveis em rostos, linhas de mão e destinos ilegíveis em nenhum lugar. Se previamente traçados, sabedeus; se futuramente alterar-se-ão, também.
E falando de mundos e linhas, viver também é uma viagem que terá um fim pelo menos nessa estrada que trilhamos. Que façamos proveito da passagem.
Abraços a todos.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Blogagem Coletiva: Esperança



Sweet Pandora
Good-like aura
Smell like a flora
Open up your door-a for me

Aerosmith, "Pandora's Box"



Esperança. Tá aí uma palavra-sentimento que me deu o que pensar. As meninas da Blogagem Coletiva estão se superando! 

Estrela
Dellarocca

A associação esse sentimento com o Tarô é, de certa forma, tão direta que o texto fluiu como as águas fluem das ânforas da desnuda mulher do Arcano XVII. Falando nisso, esperança é uma das palavras-chave que norteiam a interpretação deste arcano; por outro lado, é a tradução direta daquilo que o consulente busca de um cartomante, uma perspectiva que gostaria de explorar por aqui.

Estrela
Waite-Smith

O Arcano XVII é um arcano de superação. Depois da terrível experiência do Arcano XVI, desagregadora, destruidora, decepcionante ou surpreendente, temos a oportunidade de olharmos a essência daquilo que nos resta, daquilo que nada, ninguém, coisa alguma ou situação nenhuma seria capaz de tirar de nós. Enxergamos quem de fato somos, não quem tentamos ser. A amizade é desfeita, e descobre-se que não é necessário consolo. O casamento se desfaz, segue-se em frente em busca de um novo parceiro ou da tão sonhada independência. A demissão tão temida ocorre, e descobre-se ser possível olhar novos horizontes. Diversas outras situações são passíveis da mesma análise, reflexo e emblema do ditame antigo: vão-se os aneis, ficam os dedos.


Os dedos, desnudos como a jovem, podem manipular e tecer novos destinos, novos rumos. Jack Johnson, antes da fama como cantor e compositor, era surfista. Devido a um acidente aos 17 anos, teve um problema no joelho e não pôde mais surfar. Pense naquilo que lhe serve de adjetivo identitário. Agora se pense sem ele. Imagino ter sido essa a sensação dele.
Ele sabia tocar violão. Hoje, percorre o mundo com seu instrumento, fazendo a alegria de muitos de nós, com uma suavidade impar na voz e no dedilhar das cordas. Será, penso eu, que ele se dedicaria ao violão se ainda competisse como surfista? Vão-se os aneis...

Estrela
Kristal

Esse é o Arcano onde todos os Reinos da Natureza se fazem presentes. O Reino Mineral, representado pelo solo; Vegetal, pelo arbusto; Animal, pelo pássaro. As águas, das quais toda a vida se originou, estão em profunda relação com a jovem, que derrama o conteúdo das ânforas na terra e na própria água, em oferta e celebração. A gota se derrama no oceano. Ocorre o retorno às origens – na verdade, depois da experiência do arcano anterior, não existe outro lugar para ir...
Nas origens encontra-se todo um futuro. Umbra futurorum, toda uma possibilidade se descortina a partir daquilo que nos mantém conscientes de nossa individualidade no todo, daquilo que temos a oferecer ao mundo. Pelas raízes, conhece-se a árvore e antecipam-se os frutos.
35
French Cartomacy

No Petit Lenormand, temos a âncora (escrevi um texto sobre as três virtudes teologais no Petit Lenormand para o Clube do Tarô; confira aqui). Trigésima quinta carta, quase encerrando a série. Aqui, temos a ideia de estabilidade em meio a instabilidade. A âncora mantém o navio firme mesmo em meio à tempestade. Na superfície, caos; nas profundezas, placidez. Quando tudo mais rui... Sobra o essencial para seguir em frente: nós mesmos, e é necessário mergulhar mais fundo.  
Para além das cartas em si, temos, na prática da Cartomancia, a esperança norteando a experiência. Jogar Tarô é uma espera, é uma expectativa. Dá para ouvir a respiração entrecortada dos consulentes durante o embaralhamento (momento bacana para acalmá-los, e dizer que o que será feito não é nenhum bicho de sete cabeças). Ali existe a espera do porvir e a esperança de que seja o melhor. Se não for, que para ele eu esteja preparado, assim espero, amém. 
Nesse ponto entra a habilidade do consultante: não se manipula a esperança alheia. Não se trazem pessoas amadas em três, sete, trinta ou qualquer outro número de dias a menos que elas queiram voltar por vontade própria (o que, por sinal, é possível de se Ver, mas não de se causar – pelo menos e até onde sei, não através da Cartomancia). 
O bom praticante da Cartomancia não se exaspera ao oferecer prognósticos. Nem os felizes, nem os tenebrosos. Não se deixa o consulente sem escolha, ainda que as cartas apontem para uma situação inevitável – ele ainda possui a escolha de não acreditar em uma única palavra que o consultante disser.
Porque, afinal de contas, todos esperamos, com silente expectativa, pelo melhor.
Abraços a todos.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Mystic Fair: Eu fui, eu irei!


Pessoal, sinceramente, que evento!
Foi muito prazeroso (re)conhecer pessoas por lá. Talvez tenha sido o que de mais precioso aconteceu para mim: estar bem acompanhado por excelentes profissionais da Arte. Que este seja o primeiro evento de muitos.

Da esquerda para a direita: Igor Freire, Emanuel, Prem Mangla, Giancarlo Schmid,
Tanya Maga, Luciana Lebel e Luis Costa.

Quarteto Fantástico :)

Claudia Mello, Fernando Augusto, Luciana Lebel,
Emanuel e Luis Costa.


Os atendimentos.

Prem e eu. Carteados vários :)

A gente sempre volta diferente, de um evento como esse. Os encontros reverberam pontos já vividos e por viver. E assim, crescemos, como cartomantes e como pessoas. Mystic Sampa,  aí vamos nós!
Gratidão ao Claudiney Prieto, responsável pelo evento; Alexander Lepletier, responsável pelos oraculistas; todos os oraculistas com quem partilhei conhecimentos e jogos, obrigado. Mesmo.
E, àqueles que não puderam ir, que, em breve, tenhamos a oportunidade de nos reencontrarmos. Sempre em conversas cartomânticas.
Abraços a todos. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ameaça nas trilhas do Tarô

Será possível prever o futuro pela leitura das cartas do Tarô?
Carolina resolveu experimentar e…
Muitas ameaças se anunciaram para ela e seus amigos, Fátima, que não conseguia amar de verdade, e Fabrício, que não decidia com quem iria morar após a separação dos pais.
Carolina será capaz de compreender a mensagem dos misteriosos arcanos para poder evitar o perigo, ajudando seus companheiros e a si mesma?
Para saber, só mesmo mergulhando nos segredos desse universo místico, juntamente com um grupo de jovens estudantes que descobriu um baralho muito antigo e mágico.




Olá pessoal. Duvido que algum de nós que gosta de ler tenha passado incólume pela Série Vagalume. E, revendo a lista de livros para ver qual eu ainda não tinha lido, reencontrei esse título que, além de me transportar anos atrás, me motivou a ler um livro com um novo olhar. Quando eu o li, era só um moleque interessado em esoterismo que lia revistinhas de banca achando que poderia interpretar os mistérios do mundo. Hoje, sabendo que já tá bom demais eu conseguir interpretar um baralho de Tarô e olhar pro meu futuro com olhos bem mais condescendentes (porque mistérios do mundo é coisa demais para uma vida só), quis reler a obra Ameaça nas trilhas do Tarô, de Sérsi Bardari.



Na época em que eu li, eu não tinha o acesso fácil à tecnologia que tenho hoje. Hoje, quando nos interessamos por uma obra, lançamos seu nome num site de pesquisa e vemos o que temos de resumos, resenhas, opiniões. Nesse caso, específico, eu preferi o caminho antigo. Comprei o livro (tá ok, foi pela internet, nem foi o caminho antigo ipsis litteris) e o reli. Com olhos de primeira vez, mas atento aos detalhes que não seria capaz de captar outrora - eu amadureci e outros horizontes se delinearam. Talvez por isso eu goste tanto de reler livros - eles revelam até onde eu consegui ir desde que os manipulei pela primeira vez.
A história fala de Carolina, uma menina tímida, por volta dos seus quinze anos - está na oitava série - que adquire um baralho de Tarô (um Tarô de Marselha - não tínhamos na época a variabilidade de baralhos acessíveis no mercado brasileiro atual) e começa sua jornada (uma história bem familiar a muitos de nós, não?)


Carolina abre as cartas para sua amiga Fátima.
Ilustração de Bilau & Salatiel para o livro. 
Ameaça nas Trilhas do Tarô, p.32


Esse livro, como todos os demais pertencentes a essa série, é facílimo de ser encontrado em qualquer biblioteca pública ou biblioteca escolar. E valem muito a pena, por sua leitura fácil e agradável, fluida e descompromissada, escondendo grandes lições cotidianas. Para se ter por perto a qualquer momento, passagem de metrô, viagem de ônibus, espera por um táxi... intermeio de caminhos até o veículo certo poder levar você ao seu destino.
E você? Quais livros da Série Vagalume você leu? Que tal relembrar aqui?
Tive a gratíssima surpresa de encontrar o autor, Sérsi Bardari (site), para um bate-papo online. O resultado de nossa conversa você lê em seguida.



1. Você joga Tarô? Se joga, há quanto tempo?


Eu aprendi a jogar o Tarô Egípcio com uma moça que chama Nelise, que, hoje em dia, se eu não me engano, está em Brasilia. Isso foi na década de 1980. Naquela época, comecei lendo as cartas para conhecidos e depois acabei lendo por um curto período de tempo profissionalmente. Mas logo percebi que não queria continuar, pois tinha de ser algo doado, e só para pessoas que soubessem compreender o modo simbólico e voltado para o autoconhecimento.


2. Como surgiu a ideia do livro Ameaça nas trilhas do Tarô?


Eu sempre entendi as cartas como um grande auxílio de acesso a conteúdos inconscientes, para um processo analítico. Como estudioso da obra de Carl Gustav Jung, percebi no Tarô um modo de driblar a mente mente racional, como forma de acessar o lado emocional e, assim, tentar um equilíbrio em ambos (racional e emocional) de modo a atingir o self.
Daí, por conta das minhas leituras de Jung, do Tarô e das minhas concepções sobre esse jogo milenar, pensei em repartir esse conhecimento com os jovens.


3. As imagens do livro remetem diretamente ao Tarô de Marselha editado pela Editora Pensamento (falo isso por causa da imagem do verso das lâminas na página 99), mas os significados que você aplica não estão no livro do Carlos Godo, que muito pouco disserta sobre as cartas numeradas, as cartas que mais aparecem nas leituras de Carolina. Quais foram suas fontes de pesquisa sobre Tarô para compor os significados que aparecem no livro?


Sim, eu usei o Tarô me Marselha, por ser o mais conhecido. Mas, para descrever os significados dos arcanos menores, eu fiz uma interpretação a partir da carta equivalente no Tarô Egípcio. Esse Tarô é enumerado de 1 a 78 e não se utiliza dos naipes. As descrições dos arcanos menores nos manuais do Tarô Egípcio são bem mais completas. Além disso, as imagens são simbólicas e estão associadas ao alfabeto hebraico que à astrologia. Por isso, permite uma interpretação mais aprofundada.




4. O método empregado por Carolina no livro é um Arcano Maior + três Arcanos Menores. Caso você realmente jogue Tarô, é esse o método que você emprega?


Conheço alguns métodos. Um de 9 Arcanos Maiores e 16 Arcanos Menores; um de cinco arcanos Maiores; um de Três Maiores e Sete Menores. Esse de Um mais Três é um método rápido, quando se está em busca de alguma resposta mais pontual.


5. Você conseguiu criar uma personagem que, ao mesmo tempo que reflete interiormente sobre a função do oráculo em sua vida, leva os demais a refletirem sobre suas próprias crenças, usando o Tarô numa escrita suficientemente leve, dada a própria natureza de literatura infanto-juvenil. Em sua opinião, qual o papel do romance na propagação e divulgação do Tarô?


Sinceramente, eu imaginei que o livro fosse ter uma repercussão maior do que teve, especialmente por conta, além do Tarô, do suspense inserido na narrativa. Ocorre que o livro é indicado por professores nas escolas e, creio, que tenha causado algum tipo de receio por parte dos educadores. Imagino que os professores tenham indicado pouco por terem dificuldade (por conta de desconhecimento) de abordar esse assunto com os jovens. No entanto, já recebi muitas cartas e e-mails de jovens que leram o livro por conta própria e passaram a se interessar por esse importante instrumento de autoconhecimento.


Bem pessoal, é isso. Gratíssimo à contribuição do Sérsi Bardari ao Conversas Cartomânticas e, como não poderia deixar de ser, recomendo a leitura desse livro delicioso.
Abraços a todos.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu não acredito em Anjos.

Dürer

Quando eu era menor, eu acreditava. Acho que todo mundo acreditava que Eles existissem. Estranhamente, essa crença não era de todo confortante - se eles existissem, seus contrários também deveriam existir, e acho que eu era novo demais naquela época para confiar numa coisa dessas, sobretudo à noite, no escuro, sozinho no quarto, quando os ruídos ganhavam significados aterradores por demais. 
Eu dormia com o rádio ligado, só para constar.

Universal Wirth

Não acreditar em algo é uma forma muito confortável de enfrentar o problema que esse mesmo algo desperta. Olhando agora, como adulto, para os meus terrores infantis, parece-me correto minha forma pueril de ter desacreditado. Afinal de contas, é mais fácil não acreditar que casais estáveis homoafetivos sejam tão hábeis quanto suas contrapartes heterossexuais para criar um indivíduo. É mais fácil acreditar que a ferida causada por um estupro se curará com o nascimento da criança. É super mais fácil acreditar que um guru qualquer de uma religião ou seita qualquer guarda as chaves do seu Paraíso ou Inferno, e ele permutará com você só pelo tempo de uma vida toda.
É mais fácil desacreditar da própria responsabilidade que aceitar seu destino, fazer suas escolhas.

Dellarocca

Enfim, voltando a falar dos Anjos, já que falar do seu sexo é lugar-comum para discussões sem sentido, eu acreditava, desacreditando (antes de dormir, principalmente). Asas perfumadas, penas macias, um abraço acalentador que me fizesse esquecer todos os problemas, como um milagre que aparentemente não mereço.
Mensageiros da Divindade, velozes como um pensamento, trespassavam seu coração com brasas ardentes de devoção, lembrando sua origem. A sua, e a deles, que também é sua. Num momentum - porque deveria parecer que nada existiu antes, nada depois faria sentido - você finalmente entende o porquê de ser quem é e de estar onde está.
Tudo se cruzaria. Ordenadas e abscissas criariam finalmente um ponto. E, como é da própria natureza do ponto, o infinito ficaria ali, contido. Um universo contendo universos e ladeado por universos.
Mas a vida não é cartesiana a esse ponto, e eu continuo não acreditando em Anjos.
Os nomes dos Anjos são construídos a partir de permutações de letras hebraicas, dando a entender que, mais que personalidades, os Anjos são ações, verbos que qualificariam a ação de Deus. Sendo assim, cada Nome é um Codinome, um código de acesso a uma faceta d'Aquele que é Senhor de Todas as Faces. Contatando a Face certa, obter-se-ia uma certa vantagem em determinado acontecimento. Ele, pessoalmente, através daquela Face, viria em auxílio daquele que o invocara.
Anjos. Deus em ação. Qualitativa e quantitativamente.


Existem outras formas de abordar o conceito. Algumas até comerciais - vide Cidade dos Anjos, com Seth (Nicholas Cage) e Supernatural, com Castiel. Perto, talvez perto demais, do que por humano chamamos de divino. 
Não, eu continuo não acreditando em Anjos.
Eu não preciso acreditar. Eu brinco de pique-esconde com eles. Especialmente alguns que, mesmo escondendo suas asas, aliviam corações como se fossem capazes de fazer milagres, que fazem mesmo não se considerando capazes.
Abraços a todos.



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salve Jorge!



É curioso perceber os altares daqueles que inter-relacionam religiosidade e cartomancia: a imagem de São Jorge sempre está lá, protegendo, revelando, garantindo o sucesso da consulta e o auxílio daquele que a procura. 
Assim como o santo, amado por grande parcela da população, Ogum é um dos Orixás mais queridos e cultuados no Brasil. Guerreiro, abridor de caminhos, senhor do Ferro e da Guerra, é invocado nos momentos em que se sente um entrave, um obstáculo, que deve ser superado a todo custo. Sincretizado com São Jorge na Umbanda e com Santo Antonio no Candomblé, suas cores são, respectivamente, vermelho e branco, azul e amarelo. Além disso, é um companheiro dos Cartomantes que agregam um valor religioso às suas cartas.
No Dragon’s Tarot (LoS - terceira imagem da primeira fileira), São Jorge é a Morte. A relação do homem (consciência) com o Dragão (instinto), aqui, se dá por meio do combate e da vitória da pureza de intenções premeditadas sobre as atitudes intempestivas e animalescas. Em última instância, a Religião vence a Natureza e constitui Sociedade. Uma transformação, um corte, radical, é necessário e bem-vindo para que o processo se concretize – há que se deixar muito para trás.


Carro
Ogum
Tarô dos Orixás: Senhores dos Destinos


Nos Tarôs de inspiração afrobrasileira publicados no Brasil, é associado aos Arcanos IV e VII. Uma das mais belas representações de sua efígie está no Arcano VII do baralho de Eneida Duarte Gaspar. Nela, vemos o Orixá em um carro puxado por bois, com um toldo de pele felina, tendo sua espada em riste e um arco-íris e folhas ladeando seu veículo. 
No Tarô dos Orixás editado pela Pensamento (originalmente e até hoje publicado pela Lo Scarabeo - primeira imagem da segunda fileira), sua representação dá-se no Imperador. Ambas as associações estão corretas – Ogum é realizador, concretizador, firme em seu propósito, protetor, irascível, colérico, como o Imperador, assim como, sendo o protetor dos Caminhos, é também responsável pelo progresso, pela evolução, pelo direcionamento e inventividade representados pela Carruagem. 


Cavaleiro de Espadas
Ogum
Tarô dos Orixás, Senhores dos Destinos


Essas ideias também são aproveitadas em relação aos Arcanos Menores, já que Ogum é muito bem representado pelos Cavaleiros, em especial os Cavaleiros de Paus e Espadas – yang, projetivos, voláteis porém intensos. Em alguns baralhos, especialmente aqueles produzidos a partir de obras de arte, como o Tarô dos Anjos da Monica Buonfiglio e o Golden Tarot de Kat Black, o Cavaleiro de Paus é o próprio São Jorge. No Tarô dos Orixás de Eneida Duarte Gaspar, o Cavaleiro de Espadas representa Ogum.
No Petit Lenormand, conforme estudado no Brasil – o famigerado baralho ou Tarô Cigano – Ogum relaciona-se com a carta 22, o(s) Caminho(s) (segunda imagem da terceira fileira). Enquanto a interpretação europeia toma essa carta como símbolo de possibilidade, escolha, encaminhamento, a interpretação brasileira, em muito inspirada pela abrangência do Orixá, toma essa carta por direcionamento, rumo de vida, os acontecimentos imediatos. Na primeira acepção, um leque de possibilidades; na segunda, a melhor escolha, independente das opções disponíveis. No Mystical Lenormand (primeira imagem da primeira fileira), vemos a sua efígie correlacionada com  a carta 01, o concretizador Cavaleiro.
Mas, atentemos ao detalhe, onde Deus reside com discrição: uma divindade jamais poderá ser contida em um único Arcano do Tarô. Alguns de seus aspectos correlacionam-se, dialogam com a imagem e com o conceito, mas são diálogos e assimilações, não regras fixas. O nosso desafio, enquanto viventes desse processo, é respeitar nosso credo (seja ele qual for, seja presença ou seja ausência), afinal de contas ele funciona, sem, no entanto, perder de vista as dimensões onde religiosidade e cartomancia se tocam... como onde se afastam e não dialogam.
Aparenta ser difícil, a primeira vista, mas não; a religiosidade (ou ausência dela) é o conforto do cartomante e sua garantia de sucesso no momento do ritual; fora dele, tudo são imagens passíveis de diálogo, permanência, memória e esquecimento, sem ônus ou bônus decorrente disso. 
Salve São Jorge, para aqueles que creem, para os que não creem, para os que são religiosos e para os que prescindem de religiosidade.
Todos os caminhos que Jorge abre levam a Roma do mesmo jeito.



Abraços a todos.

domingo, 22 de abril de 2012

Comunidade do Conversas Cartomânticas no Twitter


Olá pessoal. Agora temos uma comunidade no Twitcom de Cartomancia. Assim como o perfil principal @Tarotetc, teremos nessa comunidade sorteios, promoções, divulgações de estudos, novidades e eventos ligados à Cartomancia no Brasil.
Dá uma passadinha por lá - o nome já é conhecido: Conversas Cartomânticas.
Abraços a todos.

sábado, 21 de abril de 2012

Game of Thrones Playing Cards.


Essa é uma daquelas situações em que você fica embasbacado e só. Pelo menos, foi assim que eu fiquei. 
Não faço segredo de que estou apaixonado pela série. Ainda não li os livros -um prazer a ser vivenciado sem pressa. A segunda temporada só começou, ainda tenho tempo. Creio que devo ler os livros sempre uma temporada atrasado. Assim, tenho o prazer da ansiedade pelo novo episódio sem o conhecimento de como os eventos se encadearão.
Mas... Depois de descobrir esse souvenir... Acho que falta de pressa não é um bom termo.

Representando as famílias Baratheon (Espadas), Targaryen (Copas), Lannister (Ouros) e Stark (Paus), temos, nas cartas numeradas de 2 a 10 o emblema da referida família mas, sobremaneira, a parte divertida está nos Ases, na Corte e nos Coringas.


Eu conheço alguns baralhos comemorativos, e alguns promocionais também. Mas, sinceramente, nunca vi um trabalho tão condizente com a história que motivou a produção. E aqui não estou me referindo em nada a significados adivinhatórios: estou observando a escolha dos personagens e a disposição diante das quatro estruturas possíveis. Um trabalho fantástico, que não mutila em nada os próprios personagens. Pelo contrário, propõe magníficas reflexões.


O naipe de Paus, representando o Casa Stark, tem como Rei Eddard "Ned", como Rainha Katelyn, como Valete Arya e como Ás Jon Snow. 





O naipe de Copas, representando a Casa Targaryen, com o "Rei" Viserys (quem assistiu entenderá minhas aspas, ásperas por natureza e opção), a Rainha (Khaleesi, por favor) Daenerys, tendo por Valete Sir Jorah da Casa Mormont. Seu Ás é Khal Drogo.






O naipe de Espadas, representando a Casa Baratheon, tem como Rei Robert, como Rainha Cersei, como Valete Renly e como Ás Joffrey.






O naipe de Ouros, representando a Casa Lannister, tem como Rei Tywin, como Rainha Cersei (a única personagem com o privilégio de representar duas cartas - seria isso um reflexo do seu comportamento?), como Valete Jaime e como Ás Tyrion. 




Fica um pouquinho complicado tecer considerações sem dar spoilers. Mas repare que nos naipes pretos temos os principais casais da trama representando os Reis e Rainhas. Nos naipes vermelhos, os Reis e Rainhas possuem relações de parentesco. Os Valetes são personagens axiais, com relação direta com os Reis e Rainhas. E os Ases são os pontos de transformação e ignição dos naipes - são os personagens mais singulares correlacionados às respectivas Casas.



E os Jokers são um capítulo à parte. Afinal de contas, rei morto, rei posto, e eles continuam em frente.


Como esse baralho é baseado nas Casas mais proeminentes da primeira temporada, resta-nos suspirar pela perspectiva de que, nessa temporada, as demais se apresentem e um segundo baralho seja feito. Os Greyjoy já estão dando o que falar.




Aguardemos.
Abraços a todos.