quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Conversas Cartomânticas: Adash Van Teufel e o Happy Squirrel


Olá pessoal. É realmente engrandecedor, para mim, ver que chegamos tão longe. E se "vê mais claro quem vai longe", creio que todos aqueles que nos acompanharam, vinte e quatro escritores, cento e sessenta e cinco seguidores, todos amantes do Tarot, estão certamente vendo mais ao longe, como eu mesmo.  Nesses meses em que o grupo Tarologistas tem se mostrado efetivamente atuante no Facebook, o quanto eu cresci, o quanto eu acresci às minhas práticas cartomânticas!
Depois de passarmos pelos 22 Arcanos Maiores, cá estamos diante da maior avant garde da pós modernidade no que concerne ao Tarot. Temos diversos baralhos que buscam acrescer Arcanos dentro de sua estrutura pessoal, sem, no entanto, causarem grandes reflexões para além daquelas próprias do seu grupo de estudiosos. Falei um pouquinho sobre isso quando relacionei a carta do Mestre, no Osho Zen Tarot (Pensamento-Cultrix) a esse fenômeno - para mim, Osho se enquadraria no Arcano V e tranquilo, não precisaríamos ir além disso. Até aí tudo bem. O Happy Squirrel, em contrapartida, não partiu de um estudo sistemático dos Arcanos ou da proposta de uma escola iniciática (a não ser que você considere Os Simpsons como uma escola iniciática, risos). E, pelo número de baralhos que o têm incluído entre os Maiores, merece seu lugar na reflexão que propomos aqui. A Tradição foi vista, reflitamos sobre os acréscimos pós modernos também.
E quem se dispôs a enfrentar o desafio foi o tarólogo Adash Van Teufel. Acompanhemos seu raciocínio rascante e divertido - muito adequado a um Arcano (estou realmente me degladiando com esse conceito para referir-me a essa carta) que bagunça o coreto todo, deixando o Louco pensativo sobre seu próprio papel.

Adash Van Teufel, por ele mesmo:

Gosto de pensar na vida como sendo uma tela em branco, disposta a receber a tinta que eu queira depositar nela. 
A técnica usada para pintar representa o caminho a ser trilhado. Os pincéis são as ferramentas que uso e as tintas  uma expressão peculiar das escolhas que tomo.
Enquanto as pinceladas vão compondo paisagens, o traçado e estilo são minha personalidade. E cada composição única se reflete na obra pronta - as conquistas - cuja assinatura final é o reflexo do que aprendi neste processo.
Meu caminho, por natureza, é o do Mago, andando no limiar que separa e une os dois mundos. Meus pincéis são o tarô, a cabala e os florais, que, unidos, traçam o panorama existencial a ser seguido. As tintas são escolhidas à partir da observação conectada à realidade ao meu redor e compõem, para cada caso, uma palheta de cor. Entre o pensar e o sentir, prefiro o sentimento, a percepção e intuição. A espontaneidade é aquilo que traz sentido ao meu estúdio.
Desde 1990 estudo a arte de viver. Sou tarólogo, terapeuta e espiritualista independente. E ainda pretendo pintar muitas outras telas. 
Contato: Através do blog Studio Tarot. 


Você conhece o Esquilo Feliz?

Tudo começou com uma brincadeira no seriado americano Os Simpsons, satirizando o poder das vidências. Eis que no episódio do "Casamento de Lisa", Lisa adentra uma tenda e encontra uma vidente. O diálogo a seguir é tradução livre, do original:

Vidente: Estava te esperando, Lisa.
Lisa (arfando): Como você sabe meu nome?
Vidente: Seu crachá ("Oi, eu sou Lady Lisa"). Você gostaria de saber seu futuro?
Lisa: Eh, desculpe, eu não acredito em adivinhação. Estou saindo.
Vidente: O que te preocupa? Bart, Maggie e Marge estão na competição e Homer está perturbando a mostra de filhotes.
Lisa (arfando): Uau, você consegue ver o... presente.
Vidente: Agora vamos ver o que o futuro carrega. (Ela vira uma carta do que parece ser um baralho de Tarô e aparece a Morte)
Lisa (engolindo seco): A carta da "Morte"?
Vidente: Não, isso é bom: significa transição e mudança.
Lisa (aliviada): Oh.
(A vidente vira outra carta com a imagem de um esquilo)
Lisa: Oh, que fofo.
Vidente (arfando): "O Esquilo Feliz"!
Lisa (acanhada): Isso é ruim?
Vidente: Possivelmente. As cartas são imprecisas e misteriosas.

O curioso acerca da sátira em questão é que a carta do Esquilo Feliz (The Happy Squirrel Card) vem impressa no desenho com o número romano XXIII, sugerindo como se fosse um arcano maior do Tarô. O Tarô possui 22 arcanos maiores e 56 menores, até então nunca houve referência à existência de um 23º arcano. Até então!
Não fosse o fato de ser apenas uma brincadeira, o número 23 tem todo um mistério associado a ele. Segundo a Wikipédia, existe uma certa obsessão com este número em função de estar associado com fatos e incidentes, tornando-se com o passar do tempo uma espécie de lenda urbana.
 O 23 é associado pelo "Princípio da Discórdia" [1] com a Deusa Éris (Salve Éris!). Éris é na Grécia a Deusa da Discórdia, mãe das abominações, tendo parido a fome, a mentira, a pena, o esquecimento, a dor, as disputas, batalhas e matanças, os massacres, ódios, ambiguidades, desordem, ruína, insensatez e ao juramento, este causando problemas ao homem quando perjura voluntariamente.
À parte a mitologia, com Éris não se brinca. Tive a oportunidade de conhecer em 2010 um devoto de Éris em um grupo de estudos de ocultismo em que, cada vez que ele se fazia presente, começava a haver uma discussão caótica e desordenada, aonde todas as pessoas presentes falavam tudo ao mesmo tempo, numa velocidade impossível de acompanhar e por consequência, diálogo e entendimento encerravam-se no caos.
 OK. Mas o que tem em haver Éris com o Happy Squirrel e o diálogo de um episódio dos Simpsons de meados de 1990? Simples, artistas criadores de Tarôs e tarólogos não deixaram por menos a sátira, trollando os Simpsons. Criaram o Arcano 23, a Carta do Esquilo Feliz e esta hoje faz parte de alguns Tarôs, como o Victoria Regina (na versão on-line), International Icon, Touchstone e mesmo o Shadowscapes ganhou sua versão do esquilo.
 Claro que um tarólogo sério retiraria a carta do baralho de Tarô. Afinal, é uma brincadeira, uma homenagem. Mas, eis que o 23 veio para fazer suas peripécias. E as consequências, óh Éris, é que alguns resolveram se aventurar a deixar a carta no baralho em suas tiragens. E agora? Seremos levados ao discordianismos sobre seus possíveis significados? O que signifcaria a carta do esquilo?

Parece que a bênção de ter o adjetivo "Feliz" associado ao nome, fez o esquilo surgir nas tiragens com significados inusitados. Nos fóruns de discussão, como o Aecletic Tarot, associou-se automaticamente a idéia do esquilo com as nozes. No idioma inglês, a palavra nozes é nuts, que é comumente usada como "maluco", com os participantes discutindo alegremente sobre a carta deixá-los malucos!
He's nuts - Ele está doido! Epa! Tropeçamos no Louco? Não pode! O Zero ou o Sem-Número já tem o seu próprio sentido e seria o esquilo aqui um "ladrãozinho" de significado? Óh não, pelo amor de Éris, ladrão é um atributo negativo do Mago! Eu acho melhor irmos por outro caminho pra tentar chegar ao significado do Esquilo Feliz.
Então a melhor forma seria avaliar a carta a partir dela mesma, já que não está no Tarô clássico e nem tem tradição a seu respeito. Vou basear-me na imagem desenhada por Stephanie Pui-Mun Law, em seu Shadowscapes Tarot. No seu melhor estilo fantástico de fadas e anjos, Stephanie desenha a visão surreal da carta "imprecisa e misteriosa", com todo um entorno impreciso e misterioso que circunda uma árvore, onde o Esquilo Feliz olha em direção a uma fenda na árvore, que está cheia de nozes e ao mesmo tempo dos naipes do Tarô. Uma espada, um bastão, uma taça e um disco entre as nozes sugerem que o esquilo os estocou junto ao seu alimento.



A visão da Stephanie sugere um esquilo florestal. Este, na realidade, compreende 122 espécies de esquilos da família Sciuridae, roedores de hábitos diurnos, dividindo-se em 5 subfamílias diferentes e a partir daí existem diversos gêneros. Estes esquilos possuem sentidos bastante apurados e sua anatomia é adaptada à vida nas copas das árvores, local onde buscam segurança e refúgio de predadores terrestres.
Eles descem ao solo somente pra procurar alimento ou buscar aqueles que já tenham armazenado (enterrado na floresta), para isto, estão atentos aos menores ruídos e movimentos, pois esta prevenção lhes é vital. Possuem presas fortíssimas, roendo sementes com facilidade, como pinhão, nozes e coquinhos. Muitas vezes, enterram as sementes que coletam e com isto algumas acabam por germinar. Também se alimentam de frutas e pequenos insetos. Um detalhe interessante e que não passou despercebido por Stephanie é o fato de que aves, especialmente os corvos, podem observar o esquilo enterrar uma semente e, tão logo o esquilo saia, desenterrá-la.
Na sua convivência com humanos, são ditos como animais inteligentes e persistentes. Usam métodos inteligentes para contornar obstáculos e comer de alimentadores de passarinhos. Se treinados como pets, podem ser tão inteligentes quanto cães para aprender truques e comportamentos. Procuram estocar comida para os períodos de privação, portanto eles vão estocar tudo o que estiver disponível. Os que vivem em parques aprenderam que humanos são fontes de comida e se aproximam com facilidade, principalmente atraídos por flautas, harpas, gaitas e sons de gemidos. Porém, se um dia você avistar um, não lhe dê amendoim nem semente de girassol, pois isto pode lhe acarretar doenças.
Seria então a carta do Esquilo Feliz um aviso acerca dos perigos dos corvos que querem roubar aquilo que nós reservamos e guardamos para depois? Ou, como a vidente dos Simpsons, na sua expressão assustada, avisar que é preciso estocar para um grande período de privação que logo vem pela frente? Isto até poderia fazer sentido, afinal, quem guarda tem, diz o velho ditado. E o esquilo é feliz porque estocou alimento, prevenindo-se, e, com seus sentidos aguçados, nos alerta para não nos colocarmos em risco a menos que tenhamos inteligência suficiente e esperteza para nos pormos em segurança caso ocorra uma situação de perigo.
Assim, o Esquilo Feliz aprendeu em todos os arcanos maiores a se precaver e estando no final, em posse dos ases-elementos com seus mantimentos, venceu o 23 de Éris e seus filhos nada sadios que o atacaram, como numa mensagem de que o Tarô nos ensina a vencermos nossos maiores desafios com inteligência e perseverança?
Mas eu acho que não e que isso seria uma grande bobagem. Creio que o espírito do Esquilo Feliz surge como uma brincadeira, apenas para aguçar a curiosidade e de fazer piada com um medo que todos nós, estudantes sérios do Tarô temos. O medo de termos nossa seriedade questionada.
Todo o tarólogo legítimo estuda seriamente a estrutura, o simbolismo e os significados. Informa-se, faz cursos, lê livros, faz leituras para aprender e testar suas interpretações. Alguns se profissionalizam, criam uma identidade e começam a lidar com a visão de seu próprio nome estampado nas propagandas que seus próprios consulentes fazem e para tudo isto é preciso seriedade, pois um passo em falso e toda uma dedicação vai por água abaixo. O esquilo, assim, se torna uma representação da nossa própria fragilidade onde qualquer predador em terra pode, como uma serpente, nos privar do nosso "eu tarólogo" num instante.
Então o Esquilo Feliz é uma forma de lembrarmos do lado lúdico do Tarô. O de ser apenas um maço de cartas. E assim entender que, com excessiva seriedade, nossa própria vida pode se tornar rígida e restritiva, privando a nós mesmos dos prazeres que o adjetivo "feliz" do esquilo vem nos lembrar. Afinal, quando tudo começou, quando sequer sabíamos o que eram as figurinhas enigmáticas do Tarô, o que nos moveu a aprender foi curiosidade, foi dinamismo, foi um interesse vivo que se divertia enquanto descortinava verdades que mais tarde tornaram-se visões.
Predadores existem sim. Se nossa constituição pode parecer frágil, seriam os esquilos (nós), incapazes de lidar com as serpentes? Eu acho que não. E eis o próprio esquilo in nuts mostrando pra nós a que veio. Acesse o vídeo aqui.
Encare este espírito do Esquilo Feliz. E aqui deixo o meu desafio. Vivencie-o em você e no seu Tarô. Olhe-o e colha, em cada um dos outros 22 arcanos maiores, suas sementes. Quais sementes você coletaria? Pense bem, para não tornar sua vida "imprecisa e misteriosa"!

_______________
[1] - Escrito por Gregory Hill e Kerry Thornley, publicado em 1965, é um texto sagrado ao Discordianismo, uma antítese dialética às religiões e estabelece que "todas as coisas acontecem em cinco, ou são divisíveis ou multiplicáveis por cinco, ou estão de certa forma direta ou indiretamente ligadas ao 5." Logo, o 23 resulta em 5 se somarmos seus dígitos e deste modo é atribuído a Éris.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Conversas Cartomânticas: Furtado Temperance e o Mundo


É muito gratificante estarmos aqui. Depois de tanto esforço, de tantos olhares e reflexões sobre os Arcanos, de aproximações e distanciamentos de idas ao Inferno e ao Céu, finalmente chegamos ao clímax, ao Arcano XXI. Até mesmo sua numeração é questionada, por vezes assume o vigésimo segundo lugar, em função da posição em que o Louco resolve repousar. Mas, definitivamente, sua iconografia é uma das mais ricas a serem exploradas, sobretudo no que concerne à evolução (ou talvez, melhor dizendo, releituras) do oráculo no século XX. 

Ancient Italian

Depois de passarmos por um Arcano de tamanha profundidade interpretativa, cuja iconografia foi também relida pelos autores do século passado em função de filosofias e sistemas mágicos particulares, chegamos à síntese, à completude, à resolução e ao fim da Grande Obra, que não deixa de ser um novo começo - quem veio primeiro? O Ovo, ou a Galinha? O Louco... ou o Universo?
E cá temos Furtado Temperance falando sobre o Mundo.

Thoth Crowley-Harris

Ela, por ela mesma:

Turismóloga, Aeromoça e companheira dos Astros por opção. Admiradora fiel do Tarot e das artes ocultas, filha de Bruxa com um coração gitano. Uma Canceriana e eterna aprendiz...


Facebook: Tarot Essences


Visconti-Sforza

Como foi difícil começar a escrever sobre O Mundo... papel e lápis na mão, o céu azul lá fora e a falta de inspiração aqui dentro, como pode? Muitas noites deitada na cama com os olhos semi abertos com o pensamento nessa carta, a melhor hora para mim é essa, funciono melhor a noite, isso é inegável. Minha força vem do astro que ilumina o meu céu ao entardecer... 
Depois de muito "brigar", estipular um time frame para começar esse texto, desisti porque nada mais funcionava, foi então que eu entreguei... e quando a gente entrega, não resiste mais, as coisas assim como num passo de mágica começam a acontecer.

Epinal

E aqui estou eu começando a escrever... Não poderia ser diferente ou pura coincidência, essa carta sobrou e veio parar no meu colo. E eu fiquei com ela sem saber que essa jornada não seria assim tão fácil.. A minha total compreensão sobre esse arcano ainda está tomando forma, em processo... na verdade creio ser muito difícil chegar a mais pura essência dos arcanos, para mim isso sempre será um mistério, é o que faz do tarot um oráculo tão encantador.

Harmonius

Essa carta sou eu, é como eu me vejo e encaro a vida, sou comissária de bordo, tenho Lua em Sagitário na casa 9 e sou do Mundo. O Universo é minha casa.. sou uma viajante desse planeta terra quando estou acordada e quando adormecida continuo viajando só que por outras terras, numa outra dimensão. Penso que todos nós levamos isso conosco de uma forma ou de outra, somos participantes ativos do Mundo, damos e levamos algo em troca, sempre. É assim que funciona...

Ananda
                                                                  
O Mundo engloba todos os aspectos da nossa vida, desde o nascimento (Louco), o amadurecimento (Eremita), os altos e baixos da vida (Roda da Fortuna), os obstáculos (Pendurado), a paciência (Temperança), o medo e o devaneio (Lua), o sucesso e realização pessoal (Sol).. tudo isso faz parte de uma jornada de vida e não são poucas as fases...

Tarot of Imagination

Os 4 elementos também estão presentes na carta, através deles se obtém a perfeição daquilo que se foi criado. A figura no centro (em alguns decks) representa Cristo, ou seja, a ligação entre o divino e o humano dentro de cada um de nós, se faz presente e por isso somos plenos. A cada nova manhã, a cada entardecer, a cada alvorada.. é um novo dia, um novo ciclo. O Mundo não pára e a gente tenta acompanhar para não se perder no caminho, as vezes acontece e isso faz parte.  

Rider Waite Smith

O Mundo não tem fronteiras, ele nos aproxima mas também nos afasta... quem está distante fica perto (através da globalização/internet) e quem está tão perto de nós? Acaba se tornando cada vez mais distante com essa facilidade na comunicação via email, mensagem de celular.. a campainha da casa vai enferrujando... faz sentido? 

Spanish

21 = 2+1= 3
Esse arcano nos leva de volta à Imperatriz, pois tem como base o número 3, O Mundo nos mostra a conclusão de uma longa e esperada gestação. Seja essa gestação um filho, uma idéia, um empreendimento ou um amor.. é um ciclo que se fecha e outro que se inicia. Uma vida que se fecha para um mundo e nasce para o outro, assim a jornada começa novamente.. como num elo, um ciclo sem fim.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fórum Nacional de Tarô - EU VOU!


Pessoal, estou arrumando as malas para ir ao Fórum Nacional de Tarô (folder do evento). O evento já está lotado, não serão vendidos ingressos no dia. Ah, para aqueles que ainda não sabem como chegar ao local, cá está o mapa:


De qualquer forma, terça feira estarei de volta, para partilharmos as vivências e as conversas cartomânticas que tiver por lá.
Abraços a todos. Aos amigos que lá encontrarei, feliz e abençoado seja nosso encontro! Aos amigos que só reverei na terça feira cá no blog, feliz e abençoada partida, feliz e abençoado reencontro!

2º Fórum Nacional de Tarô e Simbologia 
Universidade Candido Mendes - Rio de Janeiro/RJ
27 de agosto de 2011 (sábado) das 10hs às 19hs

Tema: Qual o futuro do tarô no Brasil?

Com o objetivo de compartilhar experiências sobre a atividade do tarólogo, o fórum deseja reunir aqueles que anseiam conhecer melhor os caminhos do tarô em nosso país. O evento contará com renomados profissionais expondo as diversas formas de estudo (cabala, mitologia, simbologia) e de consulta (previsão, orientação, autoconhecimento). Também será abordado durante o evento o atendimento virtual e os cursos online,  bem como as normas criadas pelo Ministério do Trabalho no reconhecimento da classe (CBO 5168-05).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Conversas Cartomânticas: Ricardo Pereira e o Julgamento


Olá pessoal. Conforme prometido em uma postagem anterior, cá está o texto do Ricardo Pereira. É impressionante a precisão desse tarólogo em descrever os significados dos Arcanos. É quase cirúrgico! Eu fico muito feliz com a escolha do Ricardo, pois, justamente pelas correlações feitas a esse Arcano no século XX (duplamente, XX), seus significados se diluíram em achismos que se refletem nas diversas disciplinas associadas a posteriori ao baralho. E disso decorrem as diversas nomenclaturas desse Arcano, as diversas iconografias, as diversas possibilidades, no limite, escatológicas, relacionadas a ele.
Deleitemo-nos, portanto, com esse texto claro e - por que não? - dolorosamente delicioso de ler. Difícil ver essa lâmina com espaço para achismos depois deste texto...
Ricardo Pereira por ele mesmo: 
Ricardo Pereira é cearense, de Aracati, residindo em Fortaleza há 31 anos. É historiador de formação universitária pela Universidade Vale do Acaraú - UVA, com pós-graduação, pela Universidade Federal do Ceará – UFC, em administração de empresas e recursos humanos, atuando profissionalmente como consultor empresarial, tendo voltado aos bancos acadêmicos cursando administração de empresas pela Estácio de Sá e Faculdades Integradas do Ceará. A sua atuação como tarólogo começa em 1984, estudando, pesquisando e praticando o tarô em suas diferentes abordagens, com foco especial na abordagem clássica, ensinando aos seus alunos e atendendo aos seus consulentes sob essa perspectiva. Criou em 21 de fevereiro de 2009 o blog Substractum Tarot, com uma abordagem ampla, histórica, filosófica e prática de pesquisa, estudo e divulgação do tarô e da arte taromântica. Em seu blog, além de escrever os mais variados artigos sobre o tema, oferta cursos e faz atendimentos por MSN ou Skype. Possui vários artigos publicados no Clube do Tarô e nesse site é responsável pelo Fórum de Discussão “Analogias e cotidiano”.

O autoexame em O Julgamento


O arcano maior de número 20, em sua simbologia clássica, sempre expressa um chamado, o qual é simbolizado pelo toque da corneta do anjo. Trata-se de um alerta para algo que, em alguém, necessita de atenção, de urgente mudança e, consequentemente, de redenção.
Geralmente, tal chamado possui o fim de um autoexame, o qual conduzirá uma pessoa, se assim ela se permitir e investir nisso, à melhoria e à realização, as quais somente serão conseguidas a partir de uma espécie de balanço e de uma reformulação, obrigatoriamente, das velhas formas de pensamento, de padrões e atitudes autodepreciativos e, sobretudo, de antigas crenças muitas vezes repressoras e opressoras. 
Desse modo, esse arcano maior deve ser entendido, portanto, como um arcano de mudanças consequentes de um novo despertar, o qual leva, muitas vezes, a um renascimento sob novos prismas ou sob diferentes olhares para o mundo, proporcionando, àquele que estiver atento aos seus prognósticos e as suas orientações, novas perspectivas pessoais, pois esse arcano maior traz consigo amplas possibilidades, após um processo profundo de autoexame, de autoperdão e não só de perdão de si mesmo, mas, sobretudo de perdão de outros. 
É, nesse sentido, a nova consciência que desperta, simbolizada pelos personagens que emergem ou despertam dos túmulos do inconsciente, e lança, sobre àquele que procura o tarô, um novo começo, diferente no entanto, porque é baseado no passado ou em experiências anteriores, com um forte sentido de uma libertação proporcionada a partir da reflexão sobre pensamentos, ideias projetadas, palavras proferidas e atos cometidos. 
Vale salientar, que a prática do autoexame não é uma espécie de mandamento exclusivamente cristão. Sempre foi tal exercício um preceito aplicado no oráculo grego e executado com maestria pelo herói da razão, Sócrates. 

Nesse contexto, observa-se que, entre os gregos e romanos, assentou-se o ideal do sábio como aquele que realiza plenamente o “conhece-te a ti mesmo” e o “cuidado de si” e tal condição pode ser bem observada em uma passagem de um dos grandes pensadores da Antiguidade clássica, Sêneca (Corduba, 4 a.C. — Roma, 65 d.C.), quando ele afirma que o que distingue o bicho homem dos deuses e dos outros animais "[...] é que o homem é aquele que tem de cuidar de si para realizar aquilo que ele mesmo é". (SÊNECA, 2000). 
É tão somente, do ponto de vista do Tarô, durante o processo de autoexame, efetivamente pronunciado pelo arcano maior O Julgamento, que o ser humano desperta para a necessidade  de um cuidado pessoal mais profundo, de si mesmo com base, evidentemente, em seu exame do seu próprio, e tão somente seu, cabedal de comportamentos e atitudes, bons ou maus, empreendidos anteriormente. 
Nesse âmbito, Marteu (1991), dá a esse arcano maior um sentido elementar, destacando que ele denota "[...] o homem despertado do sono da matéria por sua parte divina, que o obriga a examinar sua alma em sua nudez, e a julgá-la".
Interessante, que em sua obra, escrita por volta de 50 a. C., intitulada  "Da vida feliz", Sêneca faz todo um autoexame, digno do arcano maior O Julgamento, a partir de seus olhares para a vida, para os outros, para sua alma ou para si mesmo, vejam:

"Como trataremos da vida feliz, não me poderás responder estupidamente aquilo que costumam dizer: 'É desse lado que parece estar a maioria'. Ora, por isso mesmo é pior. Nas coisas humanas não se procede com acerto tentando agradar à maioria, pois a multidão é a prova do que é pior. Busquemos, portanto, o que é melhor e não o que é mais comum, aquilo que nos estabelece na posse de uma felicidade eterna e não o que é aprovado pela massa, o pior intérprete da verdade. Designo com o nome de 'vulgo' tanto as personagens vestidas de clâmide como os coroados, pois não considero a cor da indumentária que reveste os corpos; não dou crédito aos olhos, quando julgo a respeito dos homens; tenho um critério mais seguro para discernir o falso do verdadeiro: é a alma que deve encontrar o seu próprio bem. Quando ela, algum dia, tiver tempo de respirar e entrar dentro de si, ah, reconhecerá que se afligiu e ver-se-á obrigada a confessar a verdade e dizer: 'Eu gostaria de não ter feito tudo o que fiz; ao lembrar-me de tudo o que disse invejo os mudos; tudo o que desejei reputo como sendo maldição dos meus inimigos, tudo o que temi, ó deuses bem-aventurados!, foi muito mais suave do que aquilo que ambicionei! Tive inimizade com muitos e depois de odiá-los tornei a ser amigo deles (se é que pode haver alguma amizade entre maus): no entanto ainda não sou amigo de mim mesmo.
Empreguei todos os esforços para distinguir-me da multidão e fazer-me notável por meio de uma qualidade especial. Ora, não fiz mais do que me tornar alvo de projéteis e expor-me às mordeduras da malevolência. Vês todos esses que louvam a eloquência, buscam as riquezas, granjeiam o crédito por meio da adulação e enaltecem o poder? Todos eles ou são inimigos ou podem sê-lo, o que equivale ao mesmo. No povo, o número dos admiradores é igual ao dos invejosos. Por que não procuro algum bem que a experiência me mostre ser útil, mas aquele que só serve para a ostentação? As coisas que provocam nossa admiração e nos fazem parar diante delas brilham por fora, mas por dentro são mesquinhas'
Busquemos um bem que não seja aparente, mas sólido e constante, e seja tanto mais belo quanto mais íntimo. [...] De resto, conforme pensam todos os estóicos, em comum consenso, concordo com a natureza. A sabedoria consiste em não se desviar dela e em se regular segundo suas leis e exemplos."
Dessa forma, tal autoexame em Sêneca, faz-nos compreender que somente a partir da profunda percepção de si mesmo, de suas falhas e qualidades, em sentido amplo, daquilo que fez ou deixou de fazer, é que o homem ou a mulher passa à realização daquilo que eles são em essência, etapa de vida, essa, que culminará, a partir da penetração na profundeza de si, das coisas, do aprendizado, a fim de incidir na implementação de mudanças, no êxtase do verdadeiro autoconhecimento e da felicidade prenunciados pelo arcano maior seguinte, O Mundo.
Assim, vê-se nesse arcano maior O Julgamento, o sugerir da existência de débitos e também das quitações, aspectos esses marcados pelas atitudes pessoais que suscitam não só uma retomada para correção de comportamentos e de rumos, mas, também, para o pagamento das dívidas contraídas, outrora, para com o outro ou consigo mesmo. 
Por outro lado, esse arcano traz à visão e à consciência de que o autoexame nada mais é que o nosso poder pessoal de acompanhar e monitorar os nossos próprios impulsos e desejos, permitindo, também, o aprendizado da distinção entre o que é, de fato, real ou fruto de nossa ilusão, resquício, em nossa trajetória rumo ao autoconhecimento, de nossas vivências nos arcanos maiores O Diabo e A Lua; por isso, no autoexame, a incidência de dificuldades iniciais de tomada de decisão e de execução das mudanças necessárias.
De fato, a experiência de um arcano maior O Julgamento, proporciona, aos que estão em alerta, a possibilidade de transformar limitações e problemas pessoais em lições aprendidas e, também, em oportunidades muita vezes, únicas.
Desse modo, ouvir a voz interior (a trombeta, um dos importantes símbolos do arcano) clamando por alguma renovação importante é o fundamental aconselhamento ou orientação desse arcano maior. 
Vale enfatizar, que nesse arcano maior o único julgamento existente é o que o consulente faz de si mesmo, e nenhum outro. É exatamente por esse motivo, que aspectos cármicos (isso para quem acredita na manifestação dessa Lei espiritual) influenciam nas realizações, nas transformações e nos resultados que envolvem e estão previstos, pela emergência desse arcano maior, para quem consulta o tarô.
Nesse sentido, e já não é por menos, não se pode deixar de fazer agora ou deixar para amanhã a mudança urgente suscitada pelo lampejar e pelo momento fortuito de uma nova consciência e da própria redenção.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MARTEU, Paul. O tarô de Marselha: tradição e simbolismo. São Paulo: Objetiva, 1991.
SÊNECA. Da vida feliz. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Ricardo Pereira - © Copyright 2011 - Todos os direitos reservados.
Contato com o autor, Ricardo Pereira: http://www.substractumtarot.com


sábado, 20 de agosto de 2011

Verrines e Cartomancia... Festinha de cartomantes.


Fonte: Quitandoca

Olá pessoal. A Glau, do blog Quitandoca, apresentou essa ideia aqui e na hora, na minha cabeça, rolou um "plim". 
Quando eu me reúno com outros cartomantes tento juntar as duas coisas que mais gosto - culinária e cartomancia! É muito bom começar sem hora para parar, vendo imagens e degustando boa música e boa comida, num ambiente aconchegante! (a experiência do Chá de Tarot atesta o que eu digo!)


Quando penso em comida e carteado, lembro-me, claro, dos sanduíches. Mas, depois das Verrines, eu creio que meu cardápio se ampliou favoravelmente!
Segundo a Wikipédia, verrine é a nomenclatura dada a pratos que são servidos em copos, normalmente pequenos (a Glau e eu concordamos que não necessariamente devem ser pequenos, risos). Trata-se de um prato da culinária moderna, normalmente usado para entradas e sobremesas.


Imagine! Um jantar inteiro (não só entradas e sobremesas) em copinhos? Você come, não suja as mãos, continua jogando baralho... 


Fica a dica... e o convite, para os amigos cartomantes e amantes da Arte! Hora dessas, reunião, comida, bebida, música e cartomancia!
Abraços a todos.

Conversas Cartomânticas: Here comes the Sun, com Alexsander Lepletier



Olá pessoal. Essa é, talvez, uma das cartas mais amadas do Tarot. Sua Luz garante o sucesso de qualquer empresa, a despeito das dificuldades da jornada. E, em contraposição à sua antecessora, é uma das cartas que menos sofreram reinterpretações significativas em sua iconografia.
De um menino, para dois. Por vezes, o um casal - podendo ser hetero ou homossexual masculino. Rômulo e Remo também são referência constante. E, obviamente, Phebo Apolo, o Rei. 

Modern Medieval


Seu simbolismo claro e direto, é obscurecido, na verdade, pelo excesso de inter-relações entre oráculos. Afinal de contas, temos o Sol no Petit Lenormand, Sowelu nas Runas, o Sol na Astrologia como referência inicial de quem somos - a pergunta "de que signo você é?" na verdade, exprime o interesse em seu signo solar... 
E quem nos traz esse Arcano pleno de luz e calor é Alexander Lepletier. Velho amigo cá do Conversas Cartomânticas e um dos organizadores do Fórum Nacional de Tarô, cá nos traz um pouco mais de luz pra nosso dia.


Contatos: 
21 9805-3865 
21 8894-8263 






Lá vem o sol!
Radiante, brilhante e feliz!
Aquecendo, esquentando os dias, belo e senhor no céu azul, ele nos convida a vir para fora sem medo, sem receio e sem reservas. 
Com sua luz ele mostra a verdade, a realidade, a vida e o mundo como ele é. Suas cores se evidenciam, o contraste de luz e sombras ressalta os contornos e valoriza as formas, a diversidade ganha vida e expressão pois aqui os gatos não são todos pardos.


Todas as vezes que penso no arcano XVIIII, lembro dos melhores momentos da minha vida e não consigo deixar de me ver nele. Eternamente grato a esse mundo que me permite vivê-lo nas areias de Ipanema, tarologando no Rio de Janeiro, nesse oásis em meio a tanto caos, nessa cidade de contrastes onde, apesar de tanta luta e dificuldade, o que impera é a alegria que se vê no sorriso do carioca.



 As pessoas de sunguinha e biquíni interagem na areia da praia cercadas pelo mar e pelo murinho do cais, tendo acima de si o Sol radiante e feliz que quando nasce ilumina os Dois Irmãos que se tocam e que se tornam um dos cenários mais lindos da minha cidade, atém mesmo quando o astro rei vai dormir, e desce, suavemente, nas suas costas, num jogo de pega-pega e esconde-esconde. Ele pode ter ido mas vai voltar, por isso, mesmo que seja noite o espírito é sempre o mesmo: alegria!


O Sol derramando suas bençãos nas crianças que brincam no jardim, tocando-se num gesto de carinho, amor e união.

O Sol
Tarot Marselha Fournier

Ele, que representa essa força maior, geradora da vida, nos toca com a sua luz nos mostrando que apesar da nossa individualidade, somo todos um, nos energizando e vitalizando, criando um clima de harmonia e abundância. Tudo aqui cresce e prospera, tudo aqui se une de forma madura, pura e desinteressada, consciente de si e do outro, com um sentimento intenso e verdadeiro.


Tudo se expressa, tudo se apresenta, tudo se afirma e tudo converge numa interação perfeita onde a troca, a liberdade, autoconfiança e o amor próprio constroem vínculos poderosos.
O contraste das crianças, com o sol é interessantíssimo e rico em significado. Uma das características da infância é o desenvolvimento da razão através da experimentação do mundo pela emoção. Criança chora e ri, oscila entre extremos com muita facilidade pois ela é sensível e aberta aos estímulos externos, ainda sem grande capacidade para discriminar e selecionar.



No nosso arcano 19, a razão, simbolizada pelo sol está em comunhão perfeita com a emoção. Esta pode se expressar livremente pois a consciência dos limites pessoais permite que os sentimentos não sejam reprimidos e os estimulá-los a serem exteriorizados e expressos. A maturidade afetiva e emocional é uma das características marcantes desse arcano. Assim tudo que é vivido e criado tem longa duração, tem sucesso e tem vitória. A lâmina mostra um trabalho em conjunto, uma união perfeita das principais funções psíquicas do homem, bem como entre as celestes e humanas. Essa interação é dinâmica e ininterrupta mostrando que a paz não é esse estado letárgico e branco, parado que, por vezes, se entende.


Dedico esse texto a Nei Naiff e ao Fórum Nacional de Tarô, que aconteceu no jardim do arcano XVIIII, com os dois Irmãos como testemunha, e que, junto com os eventos anteriores, promoveu a dissipação da escuridão e dos conflitos oriundos das emoções conturbadas que operavam na sintonizado arcano XVIII e suas ilusões e visceralidade, promovendo a união e a troca, a continuidade da construção do nosso saber e a união entre todos através do reforço dos laços de amizade, do respeito às divergências e a criação de um espaço comum onde cada um colabora com o que tem.
Juntos, antigos e novos, estamos construindo o amanhã do tarô. Um amanhã radiante, iluminado, com intensa interação e harmonia.
Ao meu querido Emanuel, fica um grande abraço solar e o registro da alegria que é para mim poder postar em “sua casa”, através das minhas palavras e ideias.
A todos que colaboraram com esse trabalho, um grande abraço!







quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Conversas Cartomânticas: Vera Chrystina e a Lua


Olá pessoal. Continuando a Blogagem Coletiva, temos cá a Vera Chrystina falando sobre a Lua. A Vera é uma das pessoas mais indicadas para falar sobre esse Arcano, justamente por vê-lo de forma prismática, multidimensional, ampla e irrestrita. E é essa visão que ela partilha conosco no Conversas Cartomânticas, partindo da historiografia da imagem para constatações pessoais - como deve ser; lemos, vivemos, lemos, vivemos, temos insights, vivemos. Nem sempre nessa ordem, mas oscilantes como a Lua.

Ela por ela mesma:

Sou paulista e me formei em Publicidade e Propaganda pela Faap.Trabalhei pouco tempo na área por sentir que realmente a Publicidade não era o que alegrava a minha alma. Há vinte e três anos coordeno um espaço, Oceano Centro de Estudos e Pesquisas onde faço atendimentos e dou cursos sobre o Tarô (Básico , Avançado) e faço atendimentos de Mapa Astral e Previsões. Participei de programas de TV ( Fantástico, Canal São Paulo) e em 2002 fiz o apoio logístico do Primeiro Congresso Brasileiro de Tarô, realizado no Mofarrej Sheraton e produzido por Nei Naiff, do qual fui também palestrante. Fiz o apoio logístico e também participarei como convidada do Primeiro Simpósio Paulista de Tarô, produzido também pelo querido Nei Naiff. Realizei conjuntamente com outros profissionais o Primeiro Encontro Esotérico em Ilhabela apoiada pela Prefeitura de São Sebastião. Primo pelo conhecimento vertical e pela transdisciplinaridade para validá-los.Sou contra a banalização rasa e desrespeitosa de como estes saberes tão antigos são tratados.Luto conjuntamente com profissionais sérios e afins pela preservação do Tarô e da Astrologia e faço isso com todo o meu Amor e Respeito.

Maiores informações sobre cursos e atendimentos:
e-mail : veratarot@gmail.com

tel: (11)3085-9994
http://agendadetaro.blogspot.com/

A LUA
Um dos Arcanos mais complexos do Tarô.

Tarô Este

Em alguns desenhos a Lua representa dois astrólogos fazendo cálculos sob uma lua minguante.  Em sua contextualização do ideário da Renascença, Alexandre Koyré informa que a astrologia era mais importante que a astronomia, e que os astrólogos gozavam de um status de respeitabilidade, exercendo inclusive funções públicas. Neste sentido está lâmina do tarô Este é bem clara e enciclopédica.

Tarô Mantegna

No baralho Mantegna a Lua é representada por Diana, deusa da caça. No tarô Visconti- Sforza mostra uma jovem descalça segurando o crescente similar à deusa. Ambos representam Diana, sem sombra de dúvida alguma.

Visconti-Sforza


Diana (Ártemis), a mais popular das deusas do panteão grego, inicialmente ligada à floresta e a caça e depois à luz da lua e a magia. O renascimento revitalizou os mitos gregos e romanos, nada mais natural que estampassem as cartas dos vários baralhos no século XV.
Essas foram as primeiras representações para a carta da Lua. Simples e claras. Talvez, por serem tão simples não agradaram os tarotiers que agregaram mais complexidade ao arcano XVIII.
Afirma-se pela história que o lagostim, as torres só apareceram nessas ilustrações a partir do séc. XVI e que os cães foram acrescentados no século XVII. Igor Pedrosa acredita que essa informação é insustentável à falta de exemplares mais antigos.





Pesquisando na internet descobri no site Beinecke Rare Book and Manuscript Library - Yale University Library, a folha Cary, uma folha sem cortes das cartas de tarô, provavelmente produzida em Milão por volta do ano de 1500. As imagens da folha de Cary são intrigantes, são muitos similares ao tarô de Marselha. Alguns historiadores percebem nessa imagem a figuras de crocodilos e não cachorros, o que reforça a ideia de que a mitologia egípcia estava presente no imaginário europeu, com o mito de Ísis e Osíris.


Fiz uma pesquisa extensa sobre esse arcano e deixo aqui as impressões mais usuais.




Linguagem Simbólica da Imagem


A Lua parece atrair (ao contrário do Sol) dezenove manchas de cor, em forma de lágrimas. Essas direções das gotas variam com os diferentes desenhos, mesmo entre as versões clássicas.
Embaixo da Lua há dois cães e, mais atrás, duas torres. Alguns autores reconhecem um dos animais como cão e, o outro, como lobo. Em primeiro plano, um lagostim (a maioria das descrições fala em “caranguejo”) encontra-se num tanque que, com suas bordas retas, parececonstruído; os dois cães têm a língua para fora, dando a entender que querem lamber as gotas. Do chão brotam várias plantas (ou apenas três, em algumas versões).
As duas torres parecem delimitar e proteger o espaço no qual se encontram os animais e o tanque. A Lua está ao mesmo tempo cheia e crescente; dentro desta última figuração vê-se o perfil humano. 


Rider Waite Smith


Palavras- Chave: Medo, embuste dos circundantes, erro, magia, ciúmes, impostura, perigo, amigos falsos, inimigos, queda em uma armadilha, desilusão, advertência, um relacionamento não sincero, viagens, inconsciente, confusão, sonhos, intuição, estados alterados de consciência, prosperidade, desconfiança, forte imaginação, gestação, fecundidade, situações do passado, falta de lógica, prosperidade.
O simbolismo lunar é vasto e se faz necessário por parte do tarólogo ou leitor delimitá-lo no plano perguntado para não haver erros de interpretação.  Por este motivo é uma das cartas mais complexas do tarô.
Uma impressão particular que tenho e é dividida por outros autores é que o símbolo lunar no tarô fomenta o medo que prevalecia nos homens sobre a mulher o feminino e os feiticeiros(as). Nas imagens da Idade Média europeia, os feiticeiros transformavam-se com maior frequência em lobos para irem ao Sabá, enquanto as feiticeiras, nas mesmas ocasiões usam uma liga de pele de lobo.


Mystic Dreamer Tarot


Posto aqui o primeiro texto que passei para o Emanuel sobre a Lua.


Pode parecer conspiração da minha parte. Nos meus estudos tenho notado como as imagens que simbolizam o feminino nas cartas do tarô foram alteradas. Alguns exemplos: a troca do arcano XI, a Força, feita por Arthur Edward Waite (Golden Dawn) até hoje gera muita confusão. Crowley denominou a Força de Luxúria??? Outros autores acreditam que a Força é o leão de São Marcos, outros o símbolo alquímico do sol, mas nenhuma associação com a mulher. Qual o motivo para tanto impasse?O mesmo aconteceu com o arcano XVIII, a Lua. No tarô Visconti - Sforza, a Lua é representada por uma dama descalça segurando a lua quarto crescente em uma das mãos e provavelmente faz referencia ao Mito de Diana, deusa da caça e personificação da Lua. Acredito que o medo das bruxas, em que muitos acreditavam que elas tinham um pacto com o Diabo e possuíam meios de prejudicar as pessoas, foi visto com exagero por parte dos ocultistas. A presença da deusa Diana no Tarô Visconti- Sforza faz muito sentido, já que no Medievo e no Renascimento o interesse pela cultura romana e grega ressurgiu. Fonte de inumeráveis mitos, lendas e cultos que dão as deusas a sua imagem (Isis, Artêmis ou Diana, Hécate...) a lua é um símbolo cósmico de todas as épocas, desde os tempos imemoriais até os nossos dias. A Lua diz respeito à fecundidade da mulher e à força fecundadora da vida, encarnadas nas divindades da fecundidade vegetal, animal, fundidas no culto da Grande Mãe. 
Buscando na Internet achei esse belo texto de Regina Meira Aguiar que reflete o meu modo de pensar, portanto, transcrevo suas palavras muito profundas:


Dellarocca

“O período matriarcal existiu e os mitos antigos provam esses dados. Havia uma religião da vida regulada pelos ciclos das estações e o que prevalecia era o amor, a procriação, a morte, o nascimento e o devir. Por volta do segundo milênio antes de Cristo, está documentada a superação do homem sobre a mulher e também está documentada a situação de inferioridade a que a mulher foi relegada em quase todos os âmbitos culturais e religiosos: “Não mais o instinto religioso, mas a instituição religiosa”. Não mais a liberdade religiosa, mas a lei religiosa. As deusas são submetidas aos deuses”. Durante toda a história da construção do ocidente cristão, a mulher continua como suspeita e é mantida à distância como se fosse verdadeiramente e não apenas metaforicamente a origem dos males do homem. Não é à toa que a imagem de Diana foi suprimida no tarô de Marselha e em seu lugar foram desenhados, uma Lua sugando a energia terrestre, dois cachorros, duas torres e um lagostim ou caranguejo saindo de um tanque com aguas paradas indicando em seu nível divinatório: perigos, medo, excesso de imaginação, inimigos secretos, loucura, drogas, alcoolismo, instabilidade emocional, ilusões, enganos, ideias quiméricas, inconsciência, etc. Resumindo, até nas cartas do tarô é possível perceber a passagem de uma cultura baseada no predomínio da mulher, para uma situação de inferioridade a que foi legada, invertendo os sentidos dos símbolos, dando aqueles que representam o feminino, um sentido de vício, imaginação fértil e loucura. O Tarô traz em suas lâminas a lembrança da passagem da comunidade clãmica, onde a regra da mãe ordenava o grupo, para o período em que o poder masculino começou a acumular propriedades e descobriu que sua força e coragem podiam aumentar as suas posses. Essa mudança coincidiu com o início, do culto do sol, sob um sacerdócio masculino que veio substituir, os cultos da lua, bem anteriores, que permaneciam nas mãos das mulheres. É o arcano, o Sol do tarô que promete a glória, a prosperidade, a consciência, a realização com sucesso. Estranho não?


Bibliografia: 


Dicionário de Símbolos – Jean Chevalier e Alain Gheerbrant
Curso Completo de Tarô – Nei Naiff – Ed. Nova Era
Tarô Clássico – Stuart Kaplan
Tarô e Individuação – Irene Gad
Wikipédia
Ritual da Lua: O Eterno Retorno do Feminino – Prof.ª Regina Meira Aguiar

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Who you think you are? Da crítica.


Olá pessoal. Eu tenho me questionado sobremaneira sobre a etiqueta nas redes sociais. Já é fato que somos muito mais tímidos e reticentes em nossas colocações quando estamos frente à frente com o objeto de nossas críticas. Mas, com a possibilidade de ter uma citação diluída no meio de uma massa aquosa e gosmenta de colocações preconceituosas e/ou cruéis acerca de algo ou alguém, acabamos ficando bem mais à vontade para destilarmos nosso veneno (e acrescermos volume à essa nojenta possibilidade). E, sim, leitor, eu estou te colocando nesse balaio também. 

Quem nunca criticou que me atire o primeiro tweet.

Segundo o Michaelis, crítica é (grifos meus):

sf (de crítico) 1 Apreciação minuciosa. 2 Apreciação desfavorável. 3 Censura, maledicência. 4 Discussão para elucidar fatos e textos. 5 Exame do valor dos documentos. 6Arte ou faculdade de julgar o mérito das obras científicas, literárias e artísticas. 7 Juízo fundamentado acerca de obra científica, literária ou artística. 8 Filos Parte da Filosofia que estuda os critérios. 9 Conjunto dos críticos; sua opinião. C. pessoal: a em que se trata mais do autor que da obra.


Percebam como coexistem em um mesmo conceito, sobretudo nos dois primeiros significados, em que minúcia e desfavorabilidade servem de adjetivação à mesma apreciação.
Naturalmente, vemos a crítica em cartas ligadas ao elemento Ar. O Mago, por exemplo, com todos os aspectos amorais da comunicação ligados ao seu arquétipo, lhe é completamente atribuível. O Louco, como contraponto, acaba por executar o mesmo efeito sem noção da periculosidade de seus atos. 
Os Enamorados, por tratarem da escolha, do solve da operação alquímica, do encontro e da apreciação, também incluem em suas juras de amor críticas às possibilidades em contrário. A Justiça, por sua própria temática, traz a crítica pela lógica que a norteia. O Eremita, por sua atribuição astrológica, Virgem, está em silêncio e vigília para antecipar sabiamente o momento exato da Fortuna.
A Morte, il Tredici, é tradicionalmente o corte dos excessos, a crítica que mantém o essencial. Nesse aspecto, a Torre dialoga diretamente com ela. O Diabo traz aspectos de maledicência que dialogam com o Mago e o Louco, mas aqui são plenamente conscientes e a maledicência tem um quê de prazeroso... Maleficamente prazeroso.  A crítica aqui toma os ares de exposição pública dos limites ou da Sombra.
O Sol traz à clareza. Com clareza, o que é demais sobra, e é retirado sem esforço.



Mas, quem poderá dizer que a crítica não está mais que bem exemplificada no Arcano XX?
Essa é uma das cartas complexas do baralho, cuja pesquisa iconográfica é o melhor caminho para sua interpretação no contexto atual. Não me estenderei nesse aspecto porque, brevemente, teremos o texto do Ricardo Pereira na Blogagem Coletiva; mas queria explorar um pouquinho os aspectos ligados à crítica desse Arcano.
Sua atribuição astrológica é o Fogo, ou Plutão. O fogo consome, destrói, dilapida, mas mantém o essencial, retornando os elementos a seus fatores originais. O fogo ilumina, aquece, transmuta e transforma. O fogo é poder de/e destruição.
Assim como a crítica. O trabalho de dez anos (às vezes, mais...) pode ser posto por terra por uma frase (mal)dita. O desenvolvimento de uma pessoa pode ser cerceado. A criatividade de uma pessoa, diluída.
Tenhamos cuidados com isso.