segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salve Jorge!



É curioso perceber os altares daqueles que inter-relacionam religiosidade e cartomancia: a imagem de São Jorge sempre está lá, protegendo, revelando, garantindo o sucesso da consulta e o auxílio daquele que a procura. 
Assim como o santo, amado por grande parcela da população, Ogum é um dos Orixás mais queridos e cultuados no Brasil. Guerreiro, abridor de caminhos, senhor do Ferro e da Guerra, é invocado nos momentos em que se sente um entrave, um obstáculo, que deve ser superado a todo custo. Sincretizado com São Jorge na Umbanda e com Santo Antonio no Candomblé, suas cores são, respectivamente, vermelho e branco, azul e amarelo. Além disso, é um companheiro dos Cartomantes que agregam um valor religioso às suas cartas.
No Dragon’s Tarot (LoS - terceira imagem da primeira fileira), São Jorge é a Morte. A relação do homem (consciência) com o Dragão (instinto), aqui, se dá por meio do combate e da vitória da pureza de intenções premeditadas sobre as atitudes intempestivas e animalescas. Em última instância, a Religião vence a Natureza e constitui Sociedade. Uma transformação, um corte, radical, é necessário e bem-vindo para que o processo se concretize – há que se deixar muito para trás.


Carro
Ogum
Tarô dos Orixás: Senhores dos Destinos


Nos Tarôs de inspiração afrobrasileira publicados no Brasil, é associado aos Arcanos IV e VII. Uma das mais belas representações de sua efígie está no Arcano VII do baralho de Eneida Duarte Gaspar. Nela, vemos o Orixá em um carro puxado por bois, com um toldo de pele felina, tendo sua espada em riste e um arco-íris e folhas ladeando seu veículo. 
No Tarô dos Orixás editado pela Pensamento (originalmente e até hoje publicado pela Lo Scarabeo - primeira imagem da segunda fileira), sua representação dá-se no Imperador. Ambas as associações estão corretas – Ogum é realizador, concretizador, firme em seu propósito, protetor, irascível, colérico, como o Imperador, assim como, sendo o protetor dos Caminhos, é também responsável pelo progresso, pela evolução, pelo direcionamento e inventividade representados pela Carruagem. 


Cavaleiro de Espadas
Ogum
Tarô dos Orixás, Senhores dos Destinos


Essas ideias também são aproveitadas em relação aos Arcanos Menores, já que Ogum é muito bem representado pelos Cavaleiros, em especial os Cavaleiros de Paus e Espadas – yang, projetivos, voláteis porém intensos. Em alguns baralhos, especialmente aqueles produzidos a partir de obras de arte, como o Tarô dos Anjos da Monica Buonfiglio e o Golden Tarot de Kat Black, o Cavaleiro de Paus é o próprio São Jorge. No Tarô dos Orixás de Eneida Duarte Gaspar, o Cavaleiro de Espadas representa Ogum.
No Petit Lenormand, conforme estudado no Brasil – o famigerado baralho ou Tarô Cigano – Ogum relaciona-se com a carta 22, o(s) Caminho(s) (segunda imagem da terceira fileira). Enquanto a interpretação europeia toma essa carta como símbolo de possibilidade, escolha, encaminhamento, a interpretação brasileira, em muito inspirada pela abrangência do Orixá, toma essa carta por direcionamento, rumo de vida, os acontecimentos imediatos. Na primeira acepção, um leque de possibilidades; na segunda, a melhor escolha, independente das opções disponíveis. No Mystical Lenormand (primeira imagem da primeira fileira), vemos a sua efígie correlacionada com  a carta 01, o concretizador Cavaleiro.
Mas, atentemos ao detalhe, onde Deus reside com discrição: uma divindade jamais poderá ser contida em um único Arcano do Tarô. Alguns de seus aspectos correlacionam-se, dialogam com a imagem e com o conceito, mas são diálogos e assimilações, não regras fixas. O nosso desafio, enquanto viventes desse processo, é respeitar nosso credo (seja ele qual for, seja presença ou seja ausência), afinal de contas ele funciona, sem, no entanto, perder de vista as dimensões onde religiosidade e cartomancia se tocam... como onde se afastam e não dialogam.
Aparenta ser difícil, a primeira vista, mas não; a religiosidade (ou ausência dela) é o conforto do cartomante e sua garantia de sucesso no momento do ritual; fora dele, tudo são imagens passíveis de diálogo, permanência, memória e esquecimento, sem ônus ou bônus decorrente disso. 
Salve São Jorge, para aqueles que creem, para os que não creem, para os que são religiosos e para os que prescindem de religiosidade.
Todos os caminhos que Jorge abre levam a Roma do mesmo jeito.



Abraços a todos.

domingo, 22 de abril de 2012

Comunidade do Conversas Cartomânticas no Twitter


Olá pessoal. Agora temos uma comunidade no Twitcom de Cartomancia. Assim como o perfil principal @Tarotetc, teremos nessa comunidade sorteios, promoções, divulgações de estudos, novidades e eventos ligados à Cartomancia no Brasil.
Dá uma passadinha por lá - o nome já é conhecido: Conversas Cartomânticas.
Abraços a todos.

sábado, 21 de abril de 2012

Game of Thrones Playing Cards.


Essa é uma daquelas situações em que você fica embasbacado e só. Pelo menos, foi assim que eu fiquei. 
Não faço segredo de que estou apaixonado pela série. Ainda não li os livros -um prazer a ser vivenciado sem pressa. A segunda temporada só começou, ainda tenho tempo. Creio que devo ler os livros sempre uma temporada atrasado. Assim, tenho o prazer da ansiedade pelo novo episódio sem o conhecimento de como os eventos se encadearão.
Mas... Depois de descobrir esse souvenir... Acho que falta de pressa não é um bom termo.

Representando as famílias Baratheon (Espadas), Targaryen (Copas), Lannister (Ouros) e Stark (Paus), temos, nas cartas numeradas de 2 a 10 o emblema da referida família mas, sobremaneira, a parte divertida está nos Ases, na Corte e nos Coringas.


Eu conheço alguns baralhos comemorativos, e alguns promocionais também. Mas, sinceramente, nunca vi um trabalho tão condizente com a história que motivou a produção. E aqui não estou me referindo em nada a significados adivinhatórios: estou observando a escolha dos personagens e a disposição diante das quatro estruturas possíveis. Um trabalho fantástico, que não mutila em nada os próprios personagens. Pelo contrário, propõe magníficas reflexões.


O naipe de Paus, representando o Casa Stark, tem como Rei Eddard "Ned", como Rainha Katelyn, como Valete Arya e como Ás Jon Snow. 





O naipe de Copas, representando a Casa Targaryen, com o "Rei" Viserys (quem assistiu entenderá minhas aspas, ásperas por natureza e opção), a Rainha (Khaleesi, por favor) Daenerys, tendo por Valete Sir Jorah da Casa Mormont. Seu Ás é Khal Drogo.






O naipe de Espadas, representando a Casa Baratheon, tem como Rei Robert, como Rainha Cersei, como Valete Renly e como Ás Joffrey.






O naipe de Ouros, representando a Casa Lannister, tem como Rei Tywin, como Rainha Cersei (a única personagem com o privilégio de representar duas cartas - seria isso um reflexo do seu comportamento?), como Valete Jaime e como Ás Tyrion. 




Fica um pouquinho complicado tecer considerações sem dar spoilers. Mas repare que nos naipes pretos temos os principais casais da trama representando os Reis e Rainhas. Nos naipes vermelhos, os Reis e Rainhas possuem relações de parentesco. Os Valetes são personagens axiais, com relação direta com os Reis e Rainhas. E os Ases são os pontos de transformação e ignição dos naipes - são os personagens mais singulares correlacionados às respectivas Casas.



E os Jokers são um capítulo à parte. Afinal de contas, rei morto, rei posto, e eles continuam em frente.


Como esse baralho é baseado nas Casas mais proeminentes da primeira temporada, resta-nos suspirar pela perspectiva de que, nessa temporada, as demais se apresentem e um segundo baralho seja feito. Os Greyjoy já estão dando o que falar.




Aguardemos.
Abraços a todos.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tarôs Egípcios no Brasil

Mago
Tarô Egípcio (Kier)


Olá pessoal. Eu ganhei, da amada Edy de Lucca, um Tarô Egípcio da Editora Kier. Meu primeiro contato com esse baralho foi em 2004, quando, na ausência de um dos meus baralhos à mão, uma amiga, a Barbara, ofereceu o seu para que eu jogasse para ela. Naquela época, eu acreditava que cada baralho possuía seu dono e que não poderíamos utilizar o baralho de outro cartomante. O grau de precisão do oráculo me levou a rever meus conceitos. Evidentemente, não emprestaria ou permitiria que qualquer um tocasse em um de meus baralhos, assim como não aceitaria jogar com qualquer baralho; mas, conforme percebi, a confiança entre os participantes é fator preponderante ao baralho utilizado. 

Por volta de 2006, conheci a obra de Patricia Fernandes, Desvendando o tarô: estudo comparado do Tarô e do Baralho Cigano (Pallas). Essa obra, muito completa, também possuía as referências ao Tarô Egípcio da Kier. Por ser comparativo, levava-me a pensar naquelas descrições, naquela iconografia e da relação com a prática do Marselha.
Reencontrei-me com esse oráculo ano passado. Agora sim, com o baralho, com o veículo de tais visões (Obrigado, Edy!). Mas, viajar por suas lâminas, indo à raiz da construção de seus axiomas, não seria tão simples. Em essência, estaria eu com um baralho de Tarô, e, como tal, jogaria da mesma forma que jogo qualquer outro baralho. Mas não; os significados básicos são os mesmos, já que é um baralho de Tarô; mas, mergulhar em sua iconografia e axiomas leva-nos a viagens diferentes, específicas. Cada baralho é um universo, mesmo. Ou talvez um inter-universo nesse Universo que é o Tarô.




Nesse baralho, temos áreas específicas da carta correspondendo a informações complementares em relação ao conceito da lâmina. Em outras palavras: a carta é fragmentada em pedacinhos que se unem como em um quebra-cabeça para formar o conceito e a previsão.

Sol
Kier
Em relação aos Arcanos Maiores, a parte central da lâmina corresponde aos desenhos que conhecemos, com as devidas adaptações para assemelharem-se à arte egípcia. Associada à parte superior, gera o conceito atributivo do Arcano. O axioma se obtém pelo signo zodiacal e planetário inscritos na parte inferior, correlacionando com o número e com a letra hebraica correspondente.

Purificação
Kier

Já em relação aos Arcanos Menores, as cartas são divididas em três partes, correspondentes aos Planos Espiritual, Mental e Físico. A parte superior possui uma letra hebraica, uma egípcia, um signo místico e os atributos de uma deidade. Na parte mediana, temos uma interpretação iconográfica dos conceitos representados pela parte inferior, onde estão o título, os símbolos místicos, astrais, alfabéticos e cabalísticos.
Percebo que nós, cartomantes, estamos ficando (mal) acostumados a desvincular o baralho do ritual. Se o excesso de zelo com a ritualística é questionável, a ausência dela também é. Cartomancia é manipulação de energia, não deveríamos nos esquecer disso. E, devido a isso, eu demorei um pouquinho para me entregar ao Tarô Egípcio – ele possui um ritual específico de consagração, que, se eu pretendia aceitar o oráculo como meu, convinha respeitar. Além disso, ele possui uma literatura específica, também – o livro A Cabala da Predición, de Francisco Iglesias Janeiro. Constantino K. Rienma traduziu e compilou o conteúdo para o Clube do Tarô (confira aqui e aqui). Falando nisso, este Tarô foi inicialmente elaborado para ilustrar o livro, e não para ser um oráculo... Para conhecer melhor a história desse baralho, sugiro a leitura do excelente texto de Eduardo Escalante, aqui
Algumas edições do baralho foram produzidas no Brasil. As versões que conheci – não possuo outra que não a da Kier – são monocromáticas, em fundo dourado, como a da Pallas. Não conheço edições que respeitem as cores da edição da Kier.
Falando nisso, as cores são um capítulo à parte. Rosa e laranja substituem o vermelho; o fundo é dourado. Azuis dividem espaço com violetas. Hachuras dão origem a texturas específicas, que contextualizam os cenários. 

O Não-Iniciado
Tarô Egípcio de Bernd A. Mertz


Outros baralhos inspirados na iconografia egípcia foram editados por aqui. Um dos meus favoritos é o baralho de Bernd A. Mertz, em preto, branco e dourado editado pela Editora Pensamento. São 22 Arcanos Maiores apenas, e a numeração das cartas acompanha o número de flores de lótus visíveis na imagem.


O Sol
Tarô do Antigo Egito


A Pensamento editou outro livro, o Tarô do Antigo Egito, este com os setenta e oito Arcanos para serem destacados do final do livro.




É interessante ressaltar que, em relação às cartas da Corte, os signos de Ar correspondem a Ouros e os de Terra a Espadas.


Não seria possível terminar esse texto sem citar o primeiro baralho editado no Brasil, o Tarô Adivinhatório. Esse baralho, cuja primeira edição foi produzida em 1949 e permaneceu sendo a única por alguns anos, possui como referência a obra de Papus, cujo Tarô é também de iconografia egípcia. Ou seja, o primeiro baralho editado no Brasil foi um Tarô Egípcio – melhor dizendo, de iconografia egípcia. Esse baralho merece um estudo especial e específico de nossa parte. 
Ainda hoje a iconografia egípcia nos atrai e nos envolve. Sabemos que o Tarô não veio do Egito Antigo, mas isso não nos impede de sonharmos com as areias de um deserto de noites frias e dias dourados como a pele de seus habitantes.
Não podemos falar dos Tarôs Egípcios sem falarmos do trabalho de Nelise Carbonare. Precursora deste baralho no Brasil, podemos conhecer seu trabalho no site TarotDoor (www.tarotdoor.com) onde cada lâmina é devidamente analisada em seus símbolos específicos assim como em suas relações como as demais cartas. Nelise publicou um texto sobre o Tarô Kier no Clube do Tarô e participou da Blogagem Coletiva, escrevendo sobre a Sacerdotisa. Confira aqui. Existe, também no Clube do Tarô, uma excelente linha cronológica com os baralhos egípcios. Confira aqui
Caso se interesse por essas obras, é possível adquiri-las pela Editora Pensamento. Em relação aos importados, confira o site da Priscilla Lhacer, Amor, o Próprio.

Referências Bibliográficas

ANÁDARA. Tarô egípcio. Visualização disponível no Google Books.
DOANE, Doris Chase & KEYES, King. O Tarô do Antigo Egito: simbolismo mágico e chaves para sua interpretação. 3 ed. São Paulo: Pensamento, 1995.
FERNANDES, Patricia. Desvendando o Tarô: estudo comparado dos tarôs e do baralho cigano. 3 ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
MERTZ, Bernd A. Tarô egípcio: caminho de iniciação. 5 ed. São Paulo: Pensamento, 2005.
Tarô adivinhatório. São Paulo: Pensamento, 2006.
Tarots egipcios: Baseados en el Simbolismo, Mitología y Leyendas Egipcias. Buenos Aires: Kier, 2001.
"Os fundametos do Tarô Kier" in Revista PLANETA. Edição 359, ano 30, n. 8, de agosto de 2002, p. 32-39.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Se eu precisasse descrever a Torre...

Torre
Radiant Rider Waite

...descreveria assim. Será que o pessoal do Linkin Park sabe jogar Tarô?



Nem preciso complementar nada. A música fala por si só.




Abraços a todos.

domingo, 15 de abril de 2012

Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços: Desencante-se.




Olá pessoal. Seguindo com a Blogagem Coletiva, confesso que, inicialmente, foi esse o tema mais difícil de trabalhar. Afinal de contas, a própria palavra-tema evoca uma série de experiências chatas, infelizes, ligadas à situações e pessoas.
Será? Fui dar uma conferidinha no dicionário, esse querido, para entender a abrangência do termo e o que se escondia em seus meandros para ser explorado. E ele me deu os seguintes conceitos:
s.m. Cessação do encantamento; desilusão; desapontamento, decepção.
Para além dos óbvios significados, vamos trabalhar com o primeiro conceito. Cessação do encantamento.
Depois de termos tido uma vivência tão bela do encantamento, como poderíamos ver essa perspectiva de forma palatável? Há meios. Vamos a eles.
Eu cresci lendo Contos de Fadas. Não sei se elas sussurravam histórias no ouvido dos adultos aqui de casa que eu não poderia ouvir, mas sempre que delas me aproximava, era porque elas estavam brincando comigo de pique-esconde dentro de um livro. E, nas entrelinhas, eu percebia, ainda sem muita consciência disso, a existência daqueles outros planos de que é feito o Outro Mundo.




Frente a isso, era nos meus encontros noturnos com Hypnos que eu via, com meus olhos, o que durante o dia já havia lido, com novas cores, formas e interações. Talvez por isso quando era mais jovem eu tivesse tanta resistência a dormir: nem sempre Hypnos pinta suas telas com as mais belas cores. Só que, ao contrário de um livro, eu não posso desistir de um sonho só porque ele está correndo de forma contrária aos meus desejos. Eu preciso acordar, nesse caso.
Falando em sono, sonhos e contos de fadas, difícil não lembrar-me de dois deles: Branca de Neve e A Bela Adormecida. 
No primeiro, a jovem de pele branca como a neve, de cabelos negros como o carvão e lábios encarnados como o sangue é mais bela que aquela que, dotada de encantos e encantamentos, mira o espelho na parede enquanto Chronos joga uma partida de xadrez com Hypnos. Espelho, espelho meu, existe nesse mundo alguém mais bonita do que eu? Pergunta a Rainha, com o coração mais tatuado de dúvidas que de dragões o peito de um Yakuza. Sim, existe.



Se existe... Ela não pode viver. E, após uma tentativa frustrada de assassinar Branca de Neve, a própria Rainha, disfarçada de velha (vejam que ironia), entrega à jovem uma maçã. Envenenada ou enfeitiçada, não sei; sei que Branca de Neve, tomada pelo encantamento, adormece profundamente. 

Da mesma forma, a Bela Adormecida (cujo nome é um mistério), sofreu o efeito de uma descortesia do Rei, seu pai que, ao convidar doze Fadas para o batismo da filha (fico pensando o que o padre achou disso, mas guardo meus pensamentos para mim mesmo), deixou uma décima terceira de fora.
Onze desejaram benesses, encantando a princesinha com talentos assaz desejáveis. Entra a Fada preterida, e deseja-lhe a morte aos 15 anos. A última fada, que não poderia cancelar o encantamento da que a precedeu, transformou a certeza da morte na incerteza de um sono prodigiosamente profundo, que duraria cem anos, até que ela fosse desperta pelo beijo dotado de amor verdadeiro.

Reparemos que, nos contos de fadas citados, o encantamento é a parte crucial, porém desagradável, do conto. Não haveria ...e viveram felizes para sempre sem um encantamento prévio. Nem por isso ser encantado é algo agradável de se viver, sempre. Nesses casos, em especial, não são mesmo. É necessário desencantar, ou, melhor dizendo, é necessário despertar.

Branca de Neve e A Bela Adormecida, com seus Príncipes.
E uma Fada e sua trombeta.
Eloquência num beijo silente.
Julgamento
Shadowscapes

No Tarô, a lâmina do despertar é a vigésima. Curioso que ela sucede justamente a magna luz solar. O despertar é o discernimento na luminosidade. Superamos os terrores noturnos. Não os desejamos mais, ainda que tenhamos consciência deles. Ok, o encantamento feiticeiro de maçãs e varinhas de condão ficou lá no Arcano XVIII; mas é cá no XX que entendemos isso. Olhamos para trás e, olha!, não é que foi bom acordar?
Quantas e quantas vezes nos encantamos por situações e pessoas... que não valeriam o esforço a uma segunda avaliação mais criteriosa? Faltam dedos nas minhas mãos para contar. Nessa hora, vale a pena desencantar. Vale a pena o despertar forçado, antes que seja tarde demais.
Despertar das doces ilusões do encantamento faz bem. 
Ainda que, a priori, doa. Faz bem.
Desencante-se. Desperte de suas doces ilusões. 
Você não imagina o prazer embutido nesse ato.

Ah, se não tiver Norah Jones de trilha sonora, não tem graça.






Trying to pick up the pace,
Trying to make it so i never see your face again.
Time to throw this away want to make sure that you never waste my time
Again.

How does it feel?
Oh how does it feel to be you right now dear?
You brought this upon, so pick up your piece and go away from here.

Please just let me go now.
Please just let me go.
Would you please just let me go now?
Please just let me go.

I'm going to get you.
I'm going to get you.
I'm going to get you out of my head.
Get out.

I'm going to get you.
I'm going to get you.
I'm going to get you out of my head.
Get out.

Never said we'd be friends,
Trying to keep myself away from you,
'cause you're bad, bad news.

With you gone, i'm alive,
Makes me feel like i took happy pills,
And time stood still.

How does it feel?
Oh how does it feel to be the one shut out?
You broke all the rules.
I won't be a fool for you no more my dear.

Please just let me go now.
Please just let me go.
Would you please just let me go now?
Please just let me go.

I'm going to get you.
I'm going to get you.
I'm going to get you out of my head.
Get out.

I'm going to get you.
I'm going to get you.
I'm going to get you out of my head.
Get out.
Abraços a todos.


P.S.: Caso (ainda assim) você esteja encantado com a grama do vizinho, que aparenta ser mais viçosa e verde que a sua, recomendo veementemente que assista o filme Foi apenas um sonho. Aprendemos com os Wheller que aquilo que da porta para fora, aos olhos alheios, é um sonho... internamente pode não ser. Assista o trailer aqui. E, para quem gostar de brincar de bonecas de papel... Dá uma olhada aqui.


Confira as demais participações:

01. publicarparapartilhar.blogspot.com.br
02. www.idade-espiritual.com.br
03. LuzDeLuma.blogspot.com.br
04. AsasDosVersosEreversos.blogspot.com.br
05. ContosOuFatosSurreais.blogspot.com.br
06. MariaLuizaSaes.blogspot.com.br
07. TachosVspanelas.blogspot.pt
08. 6feira.blogspot.com.br
09. NaoSeiOqueSeEstavaAfim.blogspot.com.br
10. AromaDeCafe.blogspot.pt
11. Su-TheBest.blogspot.com
12. CasaCoisasEoutros.blogspot.com.br
13. InsanidadeTemporariaByGe.blogspot.com.br
14. SaoBanza.blogspot.com.br
15. ProjetandoPessoas.blogspot.com.br
16. PensandoEmFamilia.com.br
17. ChicaEscrevePorAi.blogspot.com.br
18. UmaCertaLuz.blogspot.com.br
19. www.CozinhandoComJosy.com
20. LuluOnTheSky.blogspot.com.br
21. VozAtiva2.blogspot.com.br
22. OgatoPorLebre.blogspot.com.br
23. BelRech.blogspot.com.br
24. PensamentosDeUmaMoca.blogspot.com.br
25. www.Jubiart.com
26. www.PontoLivro.com
27. LichiaDoce.blogspot.com.br
28. MilaResendes.blogspot.com.br
29. BlogSimplesEclara.blogspot.com.br
30. Misturao.blogspot.com.br
31. EvaSabbado.blogspot.com.br
32. ConversasComXunandinha.blogspot.com.br
33. OculosDoMundo.blogspot.com.br
34. Adsisimplesmente.blogspot.com.br
35. ConversasCartomanticas.blogspot.com (olha nóis aqui)
36. CasaCoisasSabores.blogspot.com.br
37. FractaisDeCalu.blogspot.com.br
38. Aescolaebela.wordpress.com
39. PequenoQuiproquo.blogspot.com.br
40. AhDoQueEuGosto.blogspot.com.br
41. DemocratizacaoDaModa.blogspot.com.br
42. MamyRene.blogspot.com.br
43. 007conexaoblogs.blogspot.com.br
44. AvaliandoVida.blogspot.pt
45. AdaoBraga.wordpress.com
46. EsplendorDaCriacao.blogspot.com
47. LuluExperiencia.blogspot.com
48. CrioAminhaVida.blogspot.pt
49. ArtePensando.blogspot.com.br
50. BlogandoComAvida.blogspot.com
51. PreservandoOverde.blogspot.com.br
52. JorgeVicente.blogspot.pt
53. AnjoAzul.blogspot.com.br
54. MsocorroM.blogspot.com.br
55. SonhosMelodias.blogspot.com.br
56. DiarioDaCrisnane.blogspot.com.br
57. Gothicbox.blogspot.com.br
58. ParaGarotasQueQueremSeCasar.blogspot.com.br
59. AlemDosFragmentos24x7.blogspot.com.br
60. Eu-euza.blogspot.com.br
61. DebbyEuAmoVida.blogspot.com.br
62. MaosDeManteiga.blogspot.pt
63. ArteLivreVimaje.blogspot.com.br
64. Você.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Jiraya e o Tarô ou: como é bom participar de Blogagens Coletivas!

Olá pessoal. A convite da Michele Serinolli, participei da Blogagem Coletiva Métodos de Tiragem, com minha visão da Mesa Real do Petit Lenormand. Qual não foi minha grata surpresa ao visitar o blog da colega que me sucedeu, a Lucia Macedo, ao encontrar em seu blog um episódio de Jiraya dialogando com o Tarô!!!
Além da alegria de conhecer mais uma colega, ainda tive a oportunidade de rever um seriado da minha infância. Obrigado Michele, obrigado Lúcia!
O episódio você confere aqui.




sexta-feira, 6 de abril de 2012

Perda é ganho. Ou: Reflexões sobre a gravidade.

Olá pessoal. Passeando pela blogosfera, deparei-me com um texto do Senhor da Vida sobre a carta de Copas que me gera maior apreensão: o Oito. Desilusão, tristeza, depressão e outros sentimentos de mesma natureza coexistem harmonicamente nessa lâmina (lembremo-nos que os semelhantes se atraem e percorrem a mesma via juntos, de mãos dadas).
Mas uma coisa me chamou a atenção: o baralho que ele utilizou, o Tarô Zen, de Osho.

Oito de Água
Deixando ir
Tarô Zen, de Osho

Nesse baralho, o título da lâmina é "deixando ir".  Uma gota d'água escorre de uma folha. Uma gota anterior derramara-se, provocando ondas no espelho d'água abaixo. Esse é o momento em que não há nada a fazer, a não ser corresponder à expectativa. Como somos seres treinados para desenvolver lutas, conflitos, defendermos nossos pontos de vista e os pontos de vista daqueles com quem nos importamos, é bem complicado aprender a desistir. 
Desistir não significa perda. Desistir é ganho. Soa contraditório? Mas quem nunca ouviu a frase nadar, nadar e morrer na praia ou dar murros em ponta de faca? Existem situações e pessoas que não valem a pena, o esforço, o empenho e a atenção, sendo total desperdício de tempo e energia tentar encontrar algo de bom ou tentar não perder o contato ou a oportunidade. 




Aí vem o apego. Mas por quê? Por que as coisas não podem ser do meu jeito, por que fulano fez isso, por que eu perdi? Sai-se da esfera do agora - a mais adequada a se manter no comando - e segue-se para a esfera do passado, que é perfeito, justamente por ser irretocável. Eu assumo que adoraria refazer um ou dois dias da minha vida. Mas confesso que isso é impossível, e não me gera nenhum arrependimento. Porque naquele momento, era o que o Emanuel daquele momento achava que era o certo a se fazer. Ao invés de colocar o meu agora no passado, aprendo com o passado para construir um agora mais preciso, mais adequado, mais perfeito.
Aprendemos a deixar ir, e com isso sofremos menos. 
Percebamos uma coisa, que não está representada explicitamente na imagem. A gota cai, e não existe nada a se fazer, porque uma força maior a impele a isso. A gravidade. Todos estamos sujeitos a ela, e nem sempre nos lembramos disso. Mesmo porque, não precisamos nos lembrar sempre daquilo que nos afeta a todo instante! Não precisamos nos lembrar de respirar, de pulsar o coração, de digerir os alimentos. São funções autônomas, sensíveis, porém autônomas. Como a gravidade que, a despeito de estarmos felizes ou tristes, confiantes ou desesperados, irá nos afetar da mesma forma, sem piedade ou consideração por nossas emoções.
Oito de Água. A despeito do que você sente, é hora de dar tchau.
Mas, na iconografia desse baralho, temos outra carta afetada por essa mesma força invisível, o Nove de Arco-Íris.

Nove de Arco-Íris
Maturidade
Tarô Zen, de Osho

Curioso que, mesmo sendo a mesma força invisível a propulsora do movimento, o resultado é completamente diferente. Aqui, o fruto maduro cai, não porque é seu desejo; existe ausência de desejo. Aqui, ele cai porque esse é seu momento. Ele está pronto. Não seria o mesmo caso da gota d'água da carta anterior? 
Mesma força, resultados diferentes, porque a disponibilidade de ceder é diferente. Na primeira existe resistência, aqui temos total entrega. Em ambas, a impossibilidade de uma escolha diversa daquela proposta pela Força Maior.
Às vezes, perder é ganhar. 

Abraços a todos, em especial ao Senhor da Vida que motivou essa reflexão.

P.S.: Não esqueçam de participar do questionário do Conversas Cartomânticas. Sabendo o que vocês desejam, o blog será mais agradável a quem realmente importa: vocês. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mystic Fair Rio: Eu vou!


Olá pessoal. Estarei na Mystic Fair Rio, entre os dias 5 e 6 de maio. Além de atendimentos, darei uma palestra no dia 5, sábado, às 21h, sobre os Naipes do Petit Lenormand e sua aplicação em uma consulta. Será um prazer rever os velhos amigos e fazer novos. 
Confira a programação completa
A Feira funcionará das 10h as 22h, 
O ingresso individual é R$10,00 (Estudantes com carteirinha, menores de 12 anos e maiores de 60 anos pagam meia entrada). 
Menores de 12 anos, só acompanhados por seus responsáveis.



Aguardo vocês lá!
Abraços a todos.


terça-feira, 3 de abril de 2012

Reflexões com o Feminino Essencial na Cartomancia.



Olá pessoal. Vamos entrar em contato com o feminino na Cartomancia?
Tomando por referência um baralho clássico de tarô, separe os arcanos II, III, VI, VIII, XI, XIV, XVII, XVIII, XXI e as Rainhas. Se estiver lidando com um baralho que possua Princesas ao invés de Valetes, as inclua. Se o seu baralho for voltado para o feminino essencial, utilize todas as cartas que desejar - vale estudar grupos por vez.
Se, ao invés do Tarô, quiser estudar o Petit Lenormand, separe as cartas 07, 09, 17, 22 e 29.
Caso queira estudar a Cartomancia convencional francesa, separe as Rainhas e os Oitos.
Se quiser, por outro lado, estudar a Cartomancia lusa, separe apenas as Rainhas. 
Agora assista esse vídeo aqui.







Olhe suas cartas. O que elas te inspiram, agora? Que nuances se constroem da inter-relação entre elas, separadas do maço completo? Por que essa ordem? Por que esse naipe? Por que esse rosto, e não outro? Por que sente afinidade e, caso haja, por que não se afina com determinada face?
Assista o vídeo de novo.
Nuances reverberarão da sua proposta de entrar em contato com o Feminino Essencial, que está para lá de Marrakesh de sexismos vários.
Abraços a todos. 


Post Scriptum: Nesse link, temos os quadros utilizados no vídeo. Aproveite e reconheça as imagens que mais lhe chamaram a atenção. 
Baseado em uma matéria do Yahoo!.

sábado, 31 de março de 2012

Lenormand says... The War is coming.



A segunda temporada de Game of Thrones começa amanhã. Ansioso? Eu? Imagine. 
Falando nisso...


"Alguém já lhe contou a linda história da Montanha e do Cão? Uma história adorável de amor entre irmãos?


Não são muitas pessoas que sabem dessa história.
Não conte a ninguém.


Se o Cão souber que mencionou essa história, tenho medo que nem todos os cavaleiros de Porto Real irão conseguir salvar você."
Game of Thrones, primeira temporada, quarto episódio


É... The War is coming. Até lá, revejamos e reflitamos sobre a primeira temporada. 



sexta-feira, 30 de março de 2012

Conexão Reporter. Ou: da natureza da profissão, só que ao contrário.


Olá pessoal. Ontem foi ao ar uma edição do Conexão Repórter que visava apresentar o charlatanismo ligado àqueles cartazes que vemos com certa regularidade colado em postes, ou àqueles anúncios de "trago seu amor em três dias" (experimenta jogar essa frase no Google, rs) etc.
Não gostei da abordagem da matéria, ainda que o Cigano (sim, com "C") tenha mostrado claramente como é o procedimento para a Quiromancia e, ao fim, tenham colocado o depoimento de uma taróloga. Não conheço o trabalho dos profissionais entrevistados, mas gostei do que disseram. Contudo, ambos tiveram um tempo mínimo no meio e ao final da reportagem, frente às abordagens de vários charlatães que se utilizam de cartas, búzios e quiromancia para atender.
Eu, sinceramente, acho um mega desserviço chamar esses profissionais de cartomantes e videntes (para piorar, eles mesmo se autointitulam assim). Devido a isso pululam definições do que somos, ligadas a um imaginário que transcende a realidade dos fatos. Cartomante é aquele que manipula as cartas com fins divinatórios, assim diz o dicionário. Independente da natureza delas, seja um Tarô, um Petit Lenormand, um baralho comum, um baralho espanhol ou um oráculo específico, não importa, completo eu. Não deveríamos precisar de títulos como tarólogo - que tem sido banalizado por pessoas que se acham donas de toda a verdade e sabedoria do oráculo que veio do Egito (#brinks). Dá um pouquinho de vergonha ser chamado de tarólogo conhecendo gente desse naipe, que como pessoa e como profissional nada acrescentam à comunidade de praticantes e pesquisadores. Mas, na falta de palavra melhor, seguimos com o título e o nome.
Eu sou Cartomante acima de tudo, hereditário. E faço valer o título que me proponho, mantendo o que minha avó me ensinou e usando minhas cartas (do baralho que eu quiser) para Ver aquilo que é preciso Ver. E, diante disso, não sinto vergonha nenhuma de ser chamado assim, e, se eu fosse, também não teria vergonha de ser chamado de vidente. Afinal de contas, os profissionais da área esotérica são agora amparados pela lei.
Temos aqui um paradoxo. Se, amparados pela lei, podemos nos aposentar e ter direitos àquilo que nossa profissão nos oferece, por outro lado somos colocados no mesmo balaio de gato que estelionatários, ou seja, criminosos. Paradoxal, mas fato. Não adianta você se dedicar ao estudo e à meditação para melhorar e ampliar sua Visão se, ao fim e ao cabo, você será tachado com a mesma tarja que alguém que, com lábia e malícia, exige valores exorbitantes em nome de todos os Orixás, Deuses e o que lá que seja para retirar um trabalho feito (que a maior parte das vezes, nem existe).
Repare que, na maior parte dos casos, buscam-se soluções para o amor. Relações afetivas são complicadas e nem todo mundo aceita bem um término (as mina pira nos término, mano). Nesse momento, em que um profissional sério deveria orientar @ consulente a viver o luto e renovar sua autoestima, temos a chance de aparentarmos ser algo que não somos: solucionadores de problemas. Lembremo-nos que o oráculo é uma ponte para o panorama presente com indicações do futuro decorrentes desse mesmo presente. Não mais que isso, não além disso. 
Fica aqui minha reflexão sobre o tema. Eu ainda sou (e creio que serei por muito tempo ainda) um Cartomante. Todos os demais títulos que porventura foram criados decorrem desse e, para evitar desgaste e fadiga, é assim que me denomino. Que possamos, todos que praticam essa arte, lembrarmo-nos que não basta fechar os olhos ou atacar um estelionatário, um charlatão que se passa por profissional. Não adianta de nada negar o título Cartomante em favor de Tarólogo, se ao fim e ao cabo no imaginário social tudo é a mesma coisa.
Curandeiro é médico? Não, mas já foi, e para muitos ainda é. Advogado é doutor? Não, a menos que tenha doutorado, mas é tratado assim. E muitos "médicos" e "doutores" ainda pululam por aí. Se profissões tão antigas, legitimadas e laicas sofrem ainda estigmas generalizantes, que dirá da profissão de Cartomante, cujo imaginário ainda não foi desfeito graças à iniciativas tanto de profissionais quanto dos charlatães
Tudo vira a mesma coisa, MESMO.
Para assistir a matéria, clique aqui: 

Abraços a todos.