segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Conversas Cartomânticas: O INFERNO chega ao Conversas Cartomânticas... Leonardo Chioda e o Diabo.


Olá pessoal. Chegamos agora ao mais controverso e magnético arcano do Tarot. Se Arcano, enquanto Mistério, é atraente por natureza, esse mistério é atraente por reverter polaridades - aquilo que se detesta, se deseja, e vice-versa. 
Interessante pensarmos que, a despeito de ser o temor escatológico de diversas religiões, perde, DE LONGE, em termos de negatividade para a carta que o sucede. Conhecer Tarot é reconhecer que padrões mudam e paradigmas caem por terra, às vezes literal e iconograficamente.
E, para dissecar esse Arcano de forma visceral - e poética, não nos esqueçamos da poesia - temos cá Leonardo Chioda. 
Leonardo Chioda é tarólogo, escritor e artista gráfico. Desde cedo engajado na vivência plena da espiritualidade, já fez parte de entidades filantrópicas, realizou trabalhos artísticos e socioambientais. Estudante de Letras pela UNESP, já leciona língua e literatura italiana e tem se dedicado às pesquisas históricas sobre os arcanos e à prática da leitura de imagens para ampliar seus domínios criativos. Vem utilizando o tarô como um sistema de linguagem visual interdisciplinar ao aproximá-lo das artes plásticas, da literatura e do cinema. Considerado o mais jovem profissional em destaque na mídia, tem traduzido textos de autores consagrados sobre o assunto e colaborado com artigos e matérias para diversos sites, além de participar de eventos sobre tarô e simbologia pelo Brasil afora.
Confiram seu trabalho no famigerado Café Tarot.
Nem tenho o que dizer. O Diabo cá apresentado magnetiza, corrompe e seduz em mesma medida, tornando qualquer palavra minha pouco para apresentá-lo; deleitem-se, crianças... e torçam para dormir à noite.

DO DEMÔNIO: 
A Imagética do Perverso nos Espelhos


O Diabo é uma das figuras mais interessantes de todo baralho de tarô. Uma genial criação católica e mesmo um sucesso de vendas, de público, de culpas. Celebridade tão bem consolidada que se mantém prostrada sobre um pedestal ornamentado com crânios, sangue, fogo e perfume. Ostentação. Raízes na terra dos homens, essa coisa que não é homem e nem mulher, mas é mulher e homem. Detalhes, importantes detalhes.
Os arcanos, enquanto números de um festival folclórico absolutamente vivo no âmago da humanidade, servem aos mais atentos leitores de mundo. Esse que agora desfila é um dos pilares do imaginário: vem pomposo, todo trabalhado num mosaico de animais peçonhentos, fogos e venenos. A carta XV é um exercício de monstruosidade. É ela o portal para os pais que assassinam os filhos, os filhos que destroem os pais e os bichos de estimação, os espectros que não descansarão antes de corroer a família dos vivos e também aqueles profanam a própria carne de modo bruto e consciente. Tortura é elogio.Freak show ininterrupto.

O demônio de Jacques Vieville, de 1650, desfilando seus maus modos e perversidades.
Le Diable, de Etteilla, cuja concepção encabeça Baphomet no centro dos destinos.


Só se engana pelo Diabo quem quer. Ou quem o nega. O próprio medo é como uma corrente que une a ele, perfurando a carne e a alma. Presenças estranhas na calada da noite não são gratuitas. Frente a tantas teorias sobre o seu papel, ele ri. Louca e estranhamente. De si e dos homens que um dia invejou. Mas agora é um dos soberanos entre eles.
Na terra e no mar dos pesadelos, sua santidade faz miséria.  Terrores noturnos. O tarólogo que se prostra diante de sua imagem o trata como um arcano a mais, mesmo sabendo que ali é a fossa dos complexos, dos arrependimentos, das ganâncias e do melhor que existe no pior de cada um. Arcano que confunde. O pai do bizarro. A mão que chacoalha o berço dos pecados todos é negra, com unhas pontudas.
Detalhe de The Devil, doSwiss IJJ Tarot.


A blasfêmia é uma especialidade. Os detalhes lhe servem sempre. Segue no céu o ritual do nojo, porque voa. Asas e tocha. Seria mesmo uma tocha o que carrega na mão esquerda? O fogo que pode incendiar a Terra. Ou ainda, por ser o pai da mentira, nos faz ver que esse o tal objeto é a lâmina de uma espada, manuseada sem nenhum cuidado. Cócegas na carne demoníaca. 
Voltemos os olhos, com cuidado, aos registros visuais históricos. São inúmeras as diferentes manifestações do mal. Gastrocéfalo, na maioria delas. Um rosto no abdome indica o deslocamento da sede intelectual (cabeça), agora posta ao serviço dos apetites mais baixos. Uma homenagem à Gula, uma de suas virtudes capitais favoritas.

O gastrocéfalo na antiguidade do tarô e na recriação de Camoin e Jodorowsky.

Também se vê que ele vê. Demais, por ser o mercador do excesso. Olhos nos joelhos para enxergar em todos os níveis da existência. A língua exposta é a reação rebelde às boas normas. Blá, blá, blá. Dane-se. Diálogos possíveis e recheados de palavrões com as pranchas de Mitelli. As orgias simbólicas é que trazem sentido ao Tarô.


Le Diable de Jean Dodal entre CVRIOSITA e ARPIA de Giuseppe Maria Mitelli.

A curiosidade é um mal porque faz procriar a fofoca, a inveja, a pichação da tela harmônica que mantém as melhores famílias, as boas relações e os produtivos negócios. Deturpa tudo, não deixa nada como antes. As alegorias do grande bolonhês, acima, falam por si. Convergências tão altas que fazem doer os olhos. E os ouvidos, percebe?
La serpente magique de Etteilla lembra que é importante escolher bem para escolher sempre. Ele é o desdobramento do sexto arcano, Os Amantes. Depois do “sim”, a prisão pode ser pra sempre. A estrutura é triangular. E o que os olhos veem o coração pode sentir, de algum modo. Curioso é que ele pode mesmo assumir o papel do Anjo do Amor. Quando laços afetivossão regados com ciúmes, cobranças e carências exacerbadas, o fim é iminente.O ódio tomar lugar no culto.
Ou não. Quando pensa na loucura, filha predileta às normalidades do Anjo de Trevas, percebe-se tardiamente que o caos reina. Exemplo já clássico das artimanhas desse evento divino é ANTICRISTO, do perturbado Lars Von Trier. Lição demoníaca obrigatória.

O aprisionamento afetivo iminente na lamina The Lovers, de Pamela Colman Smith. Cartaz de ANTICRISTO, de Lars Von Trier, 2010.

Maldito és entre nós, profanador de almas. Perditorvn Raptor. Os altos e baixos apetites não poupam ninguém. Posterior ao sabbat é o ato de devorar. Agente mágico empregado para o mal por uma vontade perversa, segundo os passos de Eliphas Levi. Feitos os pedidos, paga-se o que deve. Caso contrário, o Contrário o caça. Encarna o sequestrador das almas perdidas.  Provavelmente Plutão, deus do submundo, vindo sobre uma carruagem em chamas após ter sequestrado uma jovem nua. Cena aterradora bem propícia a terrores noturnos.

14, Perditorvn Raptor – Rouen Tarot, século XVI.

Falando na estrutura do ambiente, tem-se o submundo, a masmorra inacessível que Pamela Smith pintou bem abaixo dos lençóis freáticos d’A Temperança. Na verdade – se é que há alguma aqui – a fotografia primordial do arcano enquadra o próprio ritual em homenagem à abominável criatura. Ali é hotpoint dos pecadores e desesperados. A sombra fala através do espelho e o cenário é digno de Gustave Doré ao imaginar a obra prima de Dante Alighieri.

New Vision Tarot - LoScarabeo


Tão confundido, tão mal dignificado, tão desprezado. Mestre dos disfarces, o Diabo acaba sujando o nome dos deuses que lhe deram os protótipos de imagem e conceito.  Pobre Pã. Pobres faunos. Mas eles servem, ricos, às aproximações simbólicas tão caras à diversidade de temas e tarôs espalhados por aí. As palavras-chaves são quase sempre as mesmas: obstáculos, condicionamentos, perda da liberdade, obsessão, materialismo. E também, graças a Deus(?), potencial criativo, humor. Muito humor, negro ou não. Sedução não falta na passagem da literatura pagã ao inferno dos clássicos depois de Cristo.

Famiglia di satiri che compie un sacrificio a Pan, de Bernardo Luini. Pinacoteca diBrera, Milão.

Pã é um dos favoritos. Nessa pintura de Barnardino Luini se vê a mais que nítida associação dos escravos acorrentados com os sátiros. Essas aproximações arcanas só são produtivas quando se entende a natureza do trunfo, que é vária. Disforme. Polissêmica. Sempre nos chamando e pressupondo amor e dedicação. Exatamente como os seus outros 77 membros, tão queridos. Tão subjetivos. 

Baphomet, sua mais popular faceta, embebida em ocultismos e desinformações, se alimenta de cultura pop. 

Sexo, drogas e cartomancia. O underground é válido. E é válido falar da voz da Cabra Mística e de suas poses sombrias, do medo que só ele causa e só ele cura, da obsessão e da competitividade e também da criatividade que tonifica os perversos. A fonte de sangue e vísceras da qual bebe o Diabo é inesgotável, como as suas formas ao longo da escrita e da imagem, sobre ele e suas danças. A leitura do tarô informa e recruta os sentidos. E no caso dessa lâmina, tão afiada, a transformação pode ser inimaginável. É a possessão possível. E o inferno é tão simbólico e animador que continuamos dançando à luz dessas imagens e desses detalhes. Nós, os seus feiticeiros – todos acorrentados à poesia escarrada no corpo.

O inferno somos nós,

Leo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Conversas Cartomânticas: Raquel Cantagalli e a Temperança




Oi pessoal. Estamos diante de um dos mais complexos Arcanos do Tarot, em minha opinião. E quem aceitou esse desafio foi a Raquel Cantagalli, amiga cá de Minas de longa data - a quem pretendo visitar em breve!
Formada em Letras pela PUC/MG, Especialista em Gestão Escolar pela UFMG. Astróloga e Taróloga por paixão - e que paixão! Assim como eu, ela começou por volta dos 10 anos, mas já com o Tarot e a Astrologia - eu passei pela Cartomancia primeiro. Nossas conversas não têm hora para acabar. Sempre rendem excelentes insights!


Para entrar em contato com a Raquel:
www.universoetarot.com.br
raquel.taro@gmail.com


Com vocês, Raquel Cantagalli e a Temperança.



Dellarocca




Não pretendo ser conclusiva em minha dissertação sobre o Arcano A Temperança. É, antes de mais nada, um apanhado – a partir de pesquisas e práticas - acerca do mesmo. Considerando-se a riqueza em que consiste um símbolo, pode incorrer que algo não seja abarcado aqui. Ficará, portanto, um estímulo para futuras reflexões por parte do leitor.


Rider-Waite-Smith


Anjo, Anjo Meu

No décimo quarto Arcano Maior do Tarot, A Temperança, não temos a presença do Louco/Herói. Em seu lugar vemos um Anjo Alado que literalmente desce à Terra. O que será que ele vem nos comunicar?
Anjos são mensageiros entre o Homem/Deus, Material/Espiritual. São eles que “transmitem suas [Deus] ordens e velam sobre o mundo.”, significando que há proteção espiritual quando sob sua influência.

Marseille Grimauld

A roupa que veste e os vasos que maneja são vermelhos e azuis, simbolizando ação e passividade, respectivamente. Representam aspectos duais: luz/escuridão, razão/emoção, ... O ato de verter água de um jarro para outro de forma calma e serena mostra a necessidade de harmonizar opostos. O líquido flui do jarro azul (espiritual) para o vermelho (material): é o fluxo de energia (vital) que se faz presente, é a manifestação do Divino através da figura do Anjo que por meio da transmutação proporciona uma maior espiritualidade ao Homem. É o encontrar “a medida certa” diante da dualidade. É o renovar-se, permitir que as influências superiores se façam presentes; é encontrar a paz interior.
Ao lado dos Arcanos A Justiça (VIII), O Eremita (IX) e A Força (XI) é uma das quatro virtudes cardinais, representa a moderação e a prudência diante dos prazeres, o “domínio da vontade sobre os instintos”.
No mundo atual, tal como ele se apresenta – onde imperam o materialismo, o egoísmo, a pressa, o desrespeito... – a “prática” das quatro virtudes cardinais está sendo deixada de lado. Vivenciar A Temperança, sendo paciente, ponderado, reflexivo, harmônico, prudente, é quase que uma afronta. 
Diante disso vem o aspecto da Dor que a ele é atribuído. É comum perceber certa irritabilidade por parte de quem está sob os alertas desse Arcano. Afinal, ter que diminuir o ritmo para buscar a harmonização do aspecto físico/espiritual não é tarefa fácil. Mas não se esqueça: há um Anjo que veio para lhe ajudar!

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma...”
Lenini / Dudu Falcão

Visconti-Sforza

A Temperança representa, portanto, o momento em que necessita-se de um tempo, de harmonia, de paz. Esse processo de conciliação pode tanto ser internamente quanto com questões externas. Mas é fato que não acontece no momento em que se quer – daí o aspecto moroso do Arcano – nem da forma como se deseja. Ao contrário, é quando consegue-se o equilíbrio (não o proposto pelo A Justiça) entre o consciente e o inconsciente, o material e o espiritual, e outras dualidades mais. E isso demanda tempo. Não dá para querer apressar o processo, pois pode-se deixar a água escapulir antes de cair no segundo vaso. E observando a carta, vê-se que ela não cai. Portanto, é no tempo que tem que ser, da forma que tem que ser.

Medieval Scapini

Considerações durante o jogo

Durante um jogo, vários fatores são importantes serem levados em conta para compreender o significado do Arcano naquele momento: método utilizado, significado da casa em que ele aparece e, principalmente, o contexto. Diante disso, as considerações que aqui serão citadas não compreendem significados deterministas do mesmo.

Harmonius

Estar sob a influência d'A Temperança significa antes de mais nada estar protegido espiritualmente, o que é muito importante para um equilíbrio interno, possibilitando a harmonia e paz interior para que se possa conviver com o que é externo. Significa também estar mais reflexivo, avaliando mais (e melhor) a situação.
Em termos de realizações materiais, as coisas caminharão a passos lentos.
Numa casa negativa, ao contrário do dito anteriormente, significa a necessidade de dar uma pausa, talvez porque esteja-se negligenciando algo importante, não tendo autocontrole, sendo por demais precipitado e indolente, inclusive no que se refere à própria saúde.
Para relacionamentos afetivos, dependerá do tipo de relação, se são paqueras, namorados, casados, etc., e o contexto da situação. De qualquer forma, indica a harmonia entre as partes. Em caso de crise, não acontece a reconciliação, como alguns mencionam, mas a conciliação. Permanece o afeto, mesmo que uma das partes se vá.

Edward Burne-Jones, 1872

Quando o Anjo da Temperança se fizer presente, aceite as bênçãos que ele veio lhe trazer.


Bibliografia consultada:
Dicionário de símbolos. Jean Chevalier.
A vida pelo Tarot. Adriana Kastrup.
Trilogia do Nei Naiff

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Relendo uma frase com o Tarot...

O homem jamais estará livre até que o último rei seja estrangulado com as entranhas do último padre.
Denis Diderot




Pessoal, estava eu navegando no Igreja Ateísta quando me deparei com essa frase. Não seria leviano de assinar embaixo sem entender o contexto no qual ela foi dita, mas... Não recorda imediatamente uma imagem familiar?


"Por favor... Piedade..."

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Blogagem Coletiva Conversas Cartomânticas: Nath Hera e a Morte


Olá pessoal. Para os leigos, essa deve ser a carta mais temida - até o Diabo manteve seu nome, quando o nome desta foi suprimido... - mas, para os Cartomantes, ela possui um sabor especial. Inspira o novo que rompe com o velho, expurgando o excesso sem piedade. 
Mas ainda assim dá medo, não dá? Não?
Quem aceitou esse desafio foi a Nath Hera. Responsável pelo Armazém Divinare junto com a Luciana Onofre, tem sido causadora de grande felicidade na minha vida cartomântica. Quem teve oportunidade de estar comigo na Confraria de Tarot (eu fui, eu irei), soube que minha paixão atual, o Ancient Italian, está comigo o tempo todo! E foi ela quem trouxe da Italia para mim... o que não tem preço. Gratidão eterna a ela.


Nath Hera por ela mesma:
Sou Nath Hera, Strega, Artista, Arquiteta, filha de D'anna.
Pratico a Vecchia Religione Pagana Italiana (stregoneria) desde 2004. Sigo práticas familiares, da região da Sardegna e Treviso.
Estudo as varias fases do paganismo itálico e as relações de outros povos que passaram por aquelas terras com estudos históricos, visitas a lugares sagrados e convivência com praticantes.
Um dos meus ofícios é ser oraculo! Com as asas de pássaros descobri que os Deuses tem muito a dizer, e no Tarot entendi a importância de meu auto-conhecimento!
No meu blog escrevo mensalmente sobre algum tema importante para curiosos e praticantes de Stregoneria. Sou também co-autora do blog Vassouras e Bruxas, onde bruxas amigas dão dicas de como manter uma casa, cozinha e família em paz e harmonia.


Rider Waite Smith
A morte é uma carta que assusta a todos, mas nao fundo ninguém a entende. Todos a temem, correm dela, amaldiçoam-na, e ela coitada, sempre aparece para o nosso próprio bem, mesmo que não pareça.
É uma carta de que gosto muito. Todas as vezes que ela me apareceu me ensinou como ser forte, corajosa e independente do que acontece hoje, amanha as estrelas ainda brilharam!
Essa pequena carta mal entendida traz sim morte, sofrimento, agonia, tristeza, mas numa forma de mudança (muitas vezes drástica). E tudo que muda, que sai do nosso controle, tudo que é novo sempre nos assusta, né?

Thoth Crowley Harris

A morte aparece para nos dizer que "Morreu, acabou!" e não adianta lutar contra ela, pois é impossível enganá-la. Quanto mais lutar contra ela, mais sofrimento ela irá lhe trazer.
Ela funciona como um trampolim que lhe ajuda passar de uma fase para outra.

Marseille Grimauld

A poesia da morte nos diz que tudo tem o seu tempo, assim como chega o tempo de nascer também chega o tempo da morrer.
Não tenham medo desse senhor vestido de preto. Encare-o e aceite o desafio que ele lhe propõe. 


Visconti Sforza

A morte também aparece para que nòs possamos aprender a matar o que é preciso (menos seres humanos, hein! rs), trazer transformações profundas e drásticas, uma coisa bem escorpiana, que por sinal é o signo que melhor explica essa lâmina.

Shadowscapes 


A ilustração perfeita do que a 'Morte' significa é a do deck Shadowscapes.
Nela uma Fênix esta se preparando para morrer e ao fundo uma nova dentro de uma bolha (que parece um útero) esta se preparando para nascer, é o ciclo da vida!

Giovanni Vacchetta


Na maioria dos decks a Morte sempre é ilustrada com uma caveira usando um manto preto e carregando uma foice. Isso porque o que a Morte leva, não volta mais.
Quando esta carta aparecer, pergunte a si mesmo:

“Eu estou morrendo com a Morte ou me preparando para nascer de novo?”


O que costumo dizer para confortar uma pessoa é: “Pior do que está, nao pode ficar.”
Então, fique calmo, aceite essa mudança com coragem, pense profundamente sobre o que ela quer lhe ensinar, e depois prepare-se para o novo pôr-do-Sol!

Que a Morte continue trazendo muitas mudanças boas para todos!

sábado, 30 de julho de 2011

Conversas Cartomânticas: Sophia Austeros e... O Pendurado, o Mundo de cabeça para baixo - ou será você?

Continuando nossa blogagem coletiva, contamos com a colaboração de Sophia Austeros. Eu confesso que fiquei pensando febrilmente nesse texto, já que não é uma das minhas cartas favoritas. Mas a Sophia conseguiu modificar minha visão e, talvez mais que isso, simpatizar mais com o referido. 
Sophia por ela mesma:

Sou designer, bruxa, artesã e taróloga. Não necessariamente nessa ordem. E pisciana por mal de nascença.

Neo pagã, panteísta. Ser oráculo é um dos meus ofícios, como ser humano, antes de mais nada. Estudo tarô desde 2005. Aprendi a lê-lo o olhando, o que não significa que dispenso livros, mas me é impossível não olhar para a carta e conversar com ela! Sou também adepta da leitura de sinais.
Então já me delatei: Meu lance é com símbolos! E acredito em tarô como um conjunto de símbolos divididos em 78 capítulos. Essa é minha forma de estudá-lo.
Se você se interessa por bruxaria e espiritualidade pode ler-me no Fadas & Abobrinhas, se sobre paganismo e infância, pode me ver de vez em quando no Crianças Pagãs. Se gosta de artesanato, pode conhecer meu trabalho na Officina Ancestrale... Ou se só te interessa tarô e oráculos mesmo, leia-me no Oraculares!
Se quiser trocar figurinhas ou qualquer coisa, escreva para s.austeros@gmail.com

Próxima postagem: A Morte, por Nath Hera, em 2 de agosto.


O Pendurado, o Mundo de cabeça para baixo - ou será você?


Ficar parado. Ver as coisas de outra forma. Sacríficios.
De sacrifícios eu entendo, sou pisciana. E após inúmeras lunações[1] de Enforcado aprendi muitas coisas e alguns truques. 

Le Pendu
Marseille

Um homem pendurado pelo pé em uma árvore. Sozinho, de mãos atadas. Temos duas possibilidades: Ou alguém o colocou ali, ou ele está ali porque quer ou ainda: Fez por merecer.
Posso começar então dizendo que aprendi que o Enforcado quer dizer também solidão. Mas muitas vezes, não uma solidão necessária, uma solidão imaginária. Uma solidão que a pessoa sente por causa de alguma situação, desde não estar namorando a uma morte na família (nisso também se sente amarrado e impossibilitado de agir). Uma solidão que precisa ser encarada de outra forma, que deve ser vista de cabeça pra baixo. Nisso confesso, é o mal de água falando. Acredito muito nisso: que muitas vezes o sentir-se preso, impossibilitado, somos nós que criamos.
“The Tree”, do Gaian Tarot. 
Por Joanna Powell Coubert.

Daqui parto para solitude. A necessidade de repensar as coisas, necessidade de meditar, de ir para o canto e lá deixar seus pensamentos fluírem. Seu mundo, suas convicções e ideias estão prestes a ser mortas, transformadas (arcano XIII); você deve então ir para o canto, ficar quietinho, manter-se em equilíbrio e pensar no que pode fazer. Uma ideia muito expressa no Gaian Tarot, da Joanna Powell Coubert: lá seu arcano se chama “The Tree” – A Árvore, em português. Trata-se de uma mulher, em uma posição yoga de mesmo nome. Joanna descreve que “Sua graça, serenidade e equilíbrio são um espelho de seu ser interior. Ela é capaz de permanecer centrada mesmo quando seu mundo está em convulsão, quando o horizonte é fajuto e todas as coisas estão às avessas[2]. A ideia não é ignorar o mundo exterior enquanto se tem um foco no mundo interior (piscis!), isso seria trabalhar um lado negativo do arcano... A ideia é manter a cabeça em ordem, mesmo que a situação seja contrária.

The Hanged Man
Housewives Tarot

Então, até agora falamos de quando nos penduramos. Então agora vamos falar de quando somos pendurados! Ideia que pode ser muito bem observada no The Housewives Tarot – O Tarô das Donas de Casa. Neste baralho, o arcano é retratado como o marido pendurado de cabeça para baixo no varal, pela própria esposa!  A ideia é bem de sacrifícios... De quando alguém te pendura e você tem que resolver, “colocando os problemas para secar”. Pode ser conversando, pode ser terminando mas você tem que deixar essa situação terminar. Quando alguém te coloca em maus lençóis, o que você faz? O caminho é por aí.

Enforcado
Tarô Mitológico

De estar pendurado por merecer, penso muito no Tarô Mitológico, baralho de Sharman-Burke e da Liz Greene. Ali se trata de Prometeu, que roubou o fogo dos deuses, levou para os homens e agora é punido. Sacrifício voluntário, focando em um bem maior (no nosso caso, esperamos que seja!), mas que tem suas consequências. Me atrevo ainda a fazer a “piadinha”: Prometeu? Cumpre e agüenta. Mas um dia Prometeu se liberta. E é isso.
Agora falando um pouco mais de vivência, uma das coisas importantes para se prestar atenção quando estamos com O Pendurado, é saúde. Digo isso porque já entrei bem. Johann Heyss coloca em seu livro O Tarô de Thoth que “Pode haver disfunções com os líquidos do corpo, bem como a tendência a contrair resfriados. As articulações também podem estar frágeis durante a ação deste arcano”. E afirmo todas como verdadeiras. Aliás, a parte das articulações já me é um grande problema, pois tenho dores frequentes, imagine pois: como fico com este arcano? Tive infecções urinárias quando estava com O Pendurado e posso ainda falar do mais óbvio e que parecerá brincadeira: Torci o pé! Afinal, como já me disse a Pietra Di Chiaro Luna certa vez: Se você se mexe muito na corda, tentando sair, acaba machucando o pé. O Pendurado é um arcano para você ficar de molho, cuidar da saúde. Não saia correndo, preste atenção no caminho e nas coisas a sua volta, mas lá do seu cantinho.
Mas o aprendizado mais importante que tive até o momento é parar de encarar este arcano como algo negativo, estagnado, parado e como martírio. Como o Johann Heyss coloca: “A evolução neste arcano depende da capacidade do Andarilho de aceitar sem se conformar”. Eu fico abismada com como ficam as pessoas quando O Pendurado vem. Se conformar é a primeira coisa que elas fazem!
Eu não me conformo, dizer que torci o pé já é uma forma de demonstrar isso. Sou ansiosa sim, mas meu problema não é parar, longe disso... Como todo mundo sabe, é difícil voltar quando se para. Mas não sei bem se esse parar do Pendurado seja exatamente um parar... Mas com certeza, martírio não é. Ele é um arcano generoso, que te ensina muitas coisas. Que faz você ver diferente sim, mas que se você permitir, mostra como agir diferente, como respirar diferente. Mostra que você deve ser diferente! Aí vem A Morte, concretizando toda essa transformação. Talvez o dito Enforcado devesse perceber o próprio Enforcado diferente!
Digo em pleno gozo de minha loucura (mesmo porque, ele ainda é O Louco!) que O Pendurado é dos arcanos mais divertidos. Não entende? Tente ver como eu vejo! [risos]


Por que não ver o Enforcado como a mesma coisa que plantar bananeira? Ou como os trapezistas do circo, aqueles com fitas coloridas? Pode machucar um pouco as mãos, dar dor depois de um tempo plantando a bananeira, mas quem planta bananeira para sempre? O trapezista sim faz isso boa parte do dia, como treino, e cada vez arranja um jeito diferente de se pendurar. Um jeito que doi menos. Mas como é um prazer pendurar-se no trapézio! E plantar bananeira? Gostinho de infância!


Quer mais? Pendure-se na árvore! Você gostava tanto de se pendurar quando criança, porque quando adulto deixou de gostar?
Interessante como encaramos o arcano da mesma forma, mesmo ele nos implorando para encarar diferente. E então vamos e voltamos de Enforcado, várias e várias vezes e achamos totalmente natural, e ficamos paradinhos. Sem se mexer... Talvez tudo que você precise fazer, quando tira o Enforcado é plantar bananeira ou se pendurar numa árvore.
Eu já tirei muitos Enforcados, muitos! Vejo-me então como eterna trapezista, descobrindo um jeito mais cômodo e divertido de se pendurar a cada mês.
Tudo isso é o que aprendi com O Pendurado, é o que sou com O Pendurado. É o que enxergo junto a ele.  Como você vê O Pendurado?



[1] Lunação: é o período entre uma lua e outra. Firmou-se a prática de tirar entre um e três arcanos, todo mês, na entrada da Lua Nova ou Cheia. Este ou estes arcanos são como uma regência para o mês que virá. A ideia partiu da Pietra Di Chiaro Luna, e foi se alastrando por aí.
[2] Tradução livre minha, o texto original pode ser encontrado no site do Gaian Tarot.

Fonte das imagens: Taroteca, blog Pensar,  Deviant Art.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Conversas Cartomânticas: Deborah Jazzini e a Força


Olá pessoal. Esse é um dos Arcanos mais interessantes se pensarmos na sua trajetória nas Escolas de Mistério. Junto ao Louco e ao Mundo, é a carta que pode ser encontrada em outros lugares dentro da estrutura do baralho. Às vezes onze, às vezes oito. "Às vezes" nada inocente, mas nem sempre compreendido e interpretado adequadamente.
E quem se apresenta para o desafio é Deborah Jazzini, que tive a oportunidade e a felicidade de conhecer pessoalmente no Fórum de Tarô.
Deleitemo-nos com essa carta, sendo guiados por ela.
Deborah por ela mesma:

Paulista, 45 anos. Formação acadêmica em Comunicação Social  em Rádio e TV pela Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo. Despertou muito cedo para as artes divinatórias , o Tarot, Baralho Petit Lenormand, Grand Lenormand, Sibilla Italiana e o Baralho Espanhol, teve um desenvolvimento autodidata e empírico.  Hoje atua como Radialista, Taróloga,Terapeuta, Astróloga e Professora.
Desde 1991 faz atendimentos, vivências e cursos na Fraternidade Pax Universal, onde foi guia de viagens místicas para o Peru, Visconde de Mauá  e São Thomé das Letras, entre outras. 
Criadora do site “Por Você” de leitura de Tarot  online e outras artes divinatórias.
Participa da programação da Rádio PAX online com o programa que leva o nome do site. 
Possui um blog sobre as artes divinatórias e textos de auto-ajuda.
Desde 2003 – 2010 ministrou aulas de Petit Lenormand no Núcleo Renascimento em São Paulo.
Participa como consultora, dos eventos dos clubes Sírio Libanês e Paineiras, entre outros. Palestrou em vários espaços e centros de estudos na área holística, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Curitiba no Brasil. 
Vivenciou várias Iniciações espirituais nacionais e internacionais, incluindo lugares sagrados e participou de Conferências Internacionais de Metafísica.  
Em abril de 2008, trabalhou no Centro Terra Cristal em Lisboa e também em Leiria e Alcanena. 
Entre Agosto a Outubro de 2009, esteve em Lisboa, Paris e Buenos Aires.
Em janeiro de 2010, trabalhou em Paris, Roma, Madrid e Lisboa.
Em abril de 2011, ministrou em Lisboa, o curso de Petit Lenormand. Esteve em Milão e Londres em julho e agosto de 2011.
Contato:
Site: www.porvoce.com.br  - Consultas online
Programa de Rádio Online ao vivo: 
http://dopranaaluz.blogspot.com  - Todas as 3as feiras das 12:45hs às 14:45hs 
Telefones:  (55 11) 3571.6750 consultório 



Lo Scarabeo Tarot
“Tenho uma força interna
que me move ao seu encontro.
Você despertou a sombra adormecida,
abriu a jaula da fera escondida
que ninguém jamais acessou.
Quebrou as defesas e escudos,
trouxe a compaixão.
Respeitando nossos limites,
experimentamos novos horizontes,
sem controle,
nos entregamos a paixão.
A cada passo um novo desafio,
sem esperar...sem ponderar
no infinito
sem  medo de amar.”
DJ
O Arcano VIII ou XI  ?

Marseille Grimauld

A Carta da Força é um aprendizado para  esta vida e mais seis meses. Partindo das informações do mundo externo, acessamos as informações mais preciosas do nosso mundo interno. Com o despertar de nossa percepção. 
Este Arcano apresentado originalmente como o número onze pelo tarot de Marseille, mostra uma mulher que usa um chapéu tal e qual do Arcano I, o Mago, a representação da lemniscata, ou o oito infinito, que usa um traje refinado e segura delicadamente a boca de um leão.  Um mestre,  representando a força, sob a regência do signo de leão.  Na cabala, a letra associada é Teth, que significa serpente, o arquétipo da energia feminina primordial. O caminho cabalístico de Teth une Chesed a Gueburah, uma ponte que integra a construção a destruição. 


Rider Waite Smith
 
Já Waite, considerava a Força, sob o signo de Libra, sendo o número 8, pela correlação seqüencial  do alfabeto hebraico com as letras que foram atribuídas a cada arcano, para representar a formulação doutrinária.  Rachel Pollack, também considera a Força como número oito. 
Nas minhas aulas, mostro todas as versões que são atribuídas deste Arcano, mas considero particularmente a Força como número onze, pela sua possibilidade de transformação interna que o signo de fogo, embora fixo, oferece.  A digestão muitas vezes das emoções são mais lentas, mas o coração não se engana e há a entrega.

 Tarot Hanson Roberts 

Um arcano rico para observação e interpretação. A cada vez que vejo a Força em diferentes baralhos, mais encantada fico.  Cada autor consegue retratar sua bela e sua fera harmonicamente, despertando o bem querer com suavidade da bela mulher e ao mesmo tempo não deixando de impor o respeito retratado pela fera. Razão e emoção (também ligado aos instintos) , interno e externo, luz e sombra, tudo junto no mesmo caldeirão.  Esta é uma carta que ao mesmo tempo nos desperta a dor como o amor. Ela exerce fascínio, temor e respeito. 
Thoth Crowley Harris

Já no Tarot do Aleister Crowley, a força é chamada de Lust, com uma tradução de Luxúria e para alguns autores como o Tesão, mostra uma versão contemporânea, ele dava a essa carta um cunho além do sexual, a transformação  do  que desconhecemos dentro de nós mesmos. 

Art Nouveau

Em alguns tarots, como o Art Noveau, como Hércules em um de seus doze trabalhos, dominar a fera. No taro Mitológico, também é assim representado.
Aura Soma

No Tarot da Aura Soma, uma descoberta feita pela inglesa Vicky Wall, uma enfermeira, que após a 2ª Guerra Mundial, se dedicou a essa terapia intuitiva, tendo a sua interpretação  baseada na teoria das cores, chacras, juntamente com a Cabala, Astrologia, numerologia e o Tarot. Nesta carta, mostra uma mulher que domina a fera através da alquimia.
A parte sombra deste Arcano é a manifestação da sua ira, cólera e principalmente a impaciência, coroada pelo requinte de crueldade e frieza, que na mesma intensidade que tem tudo para transcender e resignificar internamente, também pode levar uma pessoa a uma grande insensibilidade. Enfim, um Arcano rico e a cada retomada percebo que o grande poder dele é a entrega através do Amor.

domingo, 24 de julho de 2011

Conversas Cartomânticas: Denise D. e a Roda da Fortuna



Olá pessoal. Hoje contamos com a colaboração de Denise D, responsável pelo blog Luna Speculum. Explorando aspectos históricos e vivenciais da lâmina, acompanhemos sua visão  sobre a Roda da Fortuna. Questionada sobre sua biografia, Denise foi sucinta, definindo-se como  "peregrina de caminhos ocultos e feiticeiros". 
A ela, então, a palavra.



Muitos conhecem o que hoje denominamos Tarô como uma ferramenta para fins divinatórios, terapêuticos e ocultistas. Inclusive existem baralhos feitos especialmente para cada uma das funções citadas. Este breve ensaio tem como objetivo descrever uma das compreensões do que é o entendimento da unidade básica que faz do discernimento que é trazido aos baralhos divinatórios simultaneamente óbvio e misterioso: a humanidade. Todas as lâminas em seu conjunto refletem essa questão. Neste artigo a lâmina em destaque será a Roda da Fortuna.
O desenvolvimento do significado das lâminas é efetuado de várias formas. Aconselho que o primeiro passo a ser dado na compreensão da expressão Roda da Fortuna seja dado nos estudos da filosofia. Essa expressão é um tópico de validade geral utilizado como ponto de partida em argumentações. Foi através da obra De Consolatione Philosophiae de Boécio que o termo ganhou popularidade na Europa Medieval. Antes disso, a associação mais próxima pode ser feita a Tácito em Dialogus de oratoribus, onde a roda na verdade é uma esfera.
Em seguida, no auxílio do desenvolvimento de estudos da lâmina, podem ser feitas análises iconográficas e interpretações iconológicas através dos baralhos clássicos. Como o significado filosófico desse trunfo permanece o mesmo do conceito medieval os baralhos clássicos exibem uma perspectiva visual mais fiel. Considero que já existem excelentes materiais acadêmicos relativos a análise histórica e social do assunto tratado aqui, o que será oferecido nada mais é do que uma análise pessoal.
Toda ação retorna em qualidade e quantidade sua respectiva reação e essa é somente uma das várias conduções iniciais que podem ser realizadas para apresentar os significados internos inerentes a lâmina. Quando estamos em determinadas situações todos os eventos referentes a essas são possíveis; são o que alguns definem como fatos encadeados. A metáfora do rei é uma das mais utilizadas: vou governar, estou governando, governei. A Roda da Fortuna trata desses eventos, sendo eles conscientes ou não. Ela vem nos dizer sobre o Destino das coisas. E como o próprio Destino, seu significado está relacionado a posição que a lâmina ocupa no jogo e as lâminas que a rodeia.
Basicamente trata-se de um evento manifestado e a vivência de uma etapa conectada torna-se um fato. E é nesse ponto que começam os equívocos. Como o significado dessa lâmina está intimamente relacionada ao conceito de Destino temos que nos atentar as armadilhas de interpretação. Ela não fala se alguém é senhor/senhora do próprio destino, ou se deixa a vida nas mãos do acaso, só fala de algo que irá ocorrer que foi provocado pelo próprio sujeito. O sol nasce e se põe todos os dias mas como serão os eventos ocorridos durante esse período dependerá da vontade pessoal, o fato é visualizado mas não como ele será experimentado.
Vendo através da perspectiva de vivências disparadas torna-se fácil compreender que a Roda da Fortuna trata, nada mais nada menos, dos ciclos naturais e sua manutenção. O acaso torna-se a indiferença quanto a esses ciclos e consequentemente a fatalidade é um evento dirigido pelo acaso. O que está na Roda é o que governa o Destino do sujeito e algumas destas interpretações no jogo podem variar desde o que uma pessoa permite que interfira em seus ciclos até em quais pontos isso governa suas vontades.
A Fortuna por si só não diz muito a respeito, mas sua Roda, em seus ciclos, permite a observação dos fatos e a reintegração da ordem natural das coisas, para que assim o Destino faça sua função através do desejo sincero. O foco da realização do Destino através dessa verdade está no que é trazido à luz da consciência. Então, quanto mais os valores que impedem sua realização são realinhados, maior é a identificação de sua essência. A interação da lâmina então, em um sentido geral, nos indica a capacidade do sujeito de transmutar-se em agente na realização de seu destino.

Aqui estão algumas imagens da lâmina em baralhos clássicos:

Da esquerda para a direita: Visconti Sforza. Grogonneur. Jean Noblet. Marselha Grimauld.

Mas escolho essa imagem, e esse filme, para representar a intenção:



Desejo a todos os peregrinos uma ótima caminhada em busca da realização de seus Destinos.