quinta-feira, 15 de março de 2012

Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços: 500 Dias de Encantamento


Olá pessoal. A Rute, um carinho além-mar que vem como brisa de quando em vez aqui no Conversas Cartomânticas convidou-me para participar da blogagem coletiva comemorativa de um ano da Blogagem Coletiva Fases da Vida (da qual participei, também). 
Fica aqui minha contribuição ao projeto e também meu convite para que outros blogueiros participem dessa inter-relação entre ideias e conteúdos. Vale a pena.


Quando recebi a proposta, fiquei pensando em como poderíamos conversar por aqui sobre o encantamento. Já havíamos dito sobre a feitiçaria e o Tarô algumas vezes, inclusive no texto recente proposto para a Blogagem Coletiva Magia & Tarot. Mas existe - sempre existe - um universo para além dos primeiros significados propostos. Vamos ao dicionário (Aurério Online):

Encantamento s.m. Efeito sobrenatural dos supostos poderes mágicos; feitiço, sortilégio. / Fig. Encanto, enlevo, sedução.

Há um quê de encantamento na reação química a que chamamos amor. Parece rude dizer assim mas, se pensarmos novamente, não é maravilhoso que uma reação química seja capaz de (re)elaborar mundos? O meu e o seu, o seu e o dela, o dela e o dele, todos os universos individuais se inter-relacionam a partir de uma reação química.

Roda da Fortuna
Harmonious
Cupido - sempre ele - observa o trabalho de Flora que,
como Aracne, tece destinos em ramos de flores...

E, entre essas relações, elétrico-físico-químico-sobrenaturais, oscilantes, vivemos, em constante incantatio, pelo mundo e pela vida. Quando nos falta, o mundo fica cinza, como um dia de inverno que tem preguiça de mandar emails.


Uma das histórias mais preciosas nesse sentido para mim, de encantamento e reconhecimento de que a vida é assim e, por ser assim, é bonita assim, desse jeitinho mesmo que ela costuma destruir tudo o que pensávamos ser bonito só pra dizer "te peguei!", e oferecer algo muito mais precioso em seguida, para mim, é 500 Days of Summer (500 dias com ela, aqui no Brasil - confira a crítica do site Omelete aqui, Wikipedia aqui.). É mais ou menos assim: não confie que aquilo que te destroi de fato te deixa em pedaços. Paradoxal? É.




Mas um dos maiores tesouros que o filme me ofereceu foi o conhecimento da banda The Smiths. Letras sombrias embaladas por uma sonoridade tão agradável que até mesmo um palavrão soaria melodioso. E, convenhamos, muito bem colocado no filme, já que a relação entre mundos tão diferentes tenderia ao fracasso, não sem uma experiência plena de vivência.




Formas diferentes de dizer a mesma coisa...
Ou coisas diferentes ditas pelas mesmas formas.
Summer e Tom, inversamente proporcionais, 
por isso complementares.
Imagem 1: Fonte
Imagem 2: Fonte


Aí temos uma notícia não muito boa. The Smiths acabou em 1987. Porém, há uma parte boa na notícia, implícita: Morrissey, o vocalista, continuou - e continua - sua carreira, e recentemente fez shows no Brasil.




Fica aqui minha contribuição ao Encantamento, em interfaces diferentes. Oscilamos como a Roda da Fortuna, em reações químico-sociais esperadas ou surpreendentes, como Tom - por vezes, como Summer: o encantamento por vezes se esvai e não somos culpados por isso, nem deveríamos.
Morrissey, Morrissey. Bom ter te conhecido, ainda em The Smiths, em 500 Days of Summer, uma lástima não ter ido ao seu show (ainda que eu conheça o repertório - grazie a quem foi). E que bacana saber que você fez uma música para um método adivinhatório - a Tábua Ouija!


Ouija board
Would you work for me?
I have got to say Hello
To an old friend

Ouija board, ouija board, ouija board
Would you work for me ?
I have got to get through
To a good friend

Well, she has now gone
From this Unhappy Planet
With all the carnivores
And the destructors of it

Ouija board, ouija board, ouija board
Would you help me ?
Because I still do feel
So horribly lonely

Would you, ouija board
Would you, ouija board
Would you help me ?
And I just can't find
My place in this world

She has now gone
From this Unhappy Planet
With all the carnivores
And the destructors of it

Oh hear my voice ("hear my voice")
Oh hear my voice ("hear my voice")
Hear my voice ("hear my voice")
Hear my voice ("hear my voice")
The table is rumbling ...
The table is rumbling
The glass is moving
"No, I was NOT pushing that time"
It spells: S.T.E.V.E.N
The table is rumbling
The glass is moving
"No, I was NOT pushing that time" :
P.U.S.H.O. double F.

Well, she has now gone
From this Unhappy Planet
With all the carnivores
And the destructors of it...


Em tempo: acompanhe os demais participantes e mergulhe nesse encantamento você também...

2-AdaoBraga.wordpress.com
3-TachosVsPanelas.blogspot.com
4-AromaDeCafé.blogspot.com
5-PreservandoOverde.blogspot.com
6-LuluOnTheSky.blogspot.com
7-AsasDosVersosEreversos.blogspot.com
8-CasasCoisasEoutros.blogspot.com
9-ConversasCartomanticas.blogspot.com (olha nóis aqui)
10-ProjetandoPessoas.blogspot.com
11-Espiritual-idade.blogspot.com
12-VozAtiva2.blogspot.com
13-www.Jubiart.com.br
14-LucinhaDreamGarden.blogspot.com
15-PequenoQuiproquo.blogspot.com
16-PensandoEmFamilia.com.br
17-6feira.blogspot.com
18-ChicaEscrevePorAí.blogspot.com
19-MariaLuizaSaes.blogspot.com
20-www.PontoLivro.com
21-SaboresDeAnjoAzul.blogspot.com
22-BlogSimplesEclara.blogspot.com
23-UmaCertaLuz.blogspot.com
24-ContosOuFatosSurreais.blogspt.com
25-ArteLivreVimaje.blogspot.com
26-BelRech.blogspot.com
27-www.SonharEser.com.br
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45-www.cozinhandocomjosy.com
46-Su-thebest.blogspot.com
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48-LethyMeuReino.blogspot.com
49-InsanidadeTemporaria.blogspot.com
50-MamyRene.blogspot.com
51-CameliaDePedra.blogspot.com
52-FloraDaSerra.blogspot.com
53-ButecoDoLufe.blogspot.com
54-PensamentosDeUmaMoca.blogspot.com
55-EuEosTachos.blogspot.com

56- Você, que ficou cheio de vontade de participar também.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tarólogos e seus gatos, e Vuca.

Primeira intervenção de Vuca em um jogo de Tarô. Ela rondou, ronronou,
deitou-se e me olhou, como quem diz (e de fato diz, já que olhos revelam
o que perpassa o ser): "O que você deseja saber, que só eu posso 
responder?"

Olá pessoal. A Giane Portal organizou uma postagem sobre a relação entre os Cartomantes e seus gatos, e eu, mesmo não tendo um gato, já vivi situações fantásticas com a Vuca, que, de certa forma, tomou posse do meu baralho - ou o abençoou, já que minha toalha é cama e o baralho travesseiro que embala seus sonhos...
Só quem jogou Tarô com gatos por perto entenderá o que digo, e quem não fez isso, recomendo que experimente. É singular.

Vuca sonha com Estrelas...


Confira a postagem aqui. :)

sábado, 10 de março de 2012

Conversas Cartomânticas: Katharina Dupont e a Rainha de Ouros



Uma artista. Acho que, com essa definição, me eximiria de falar qualquer outra coisa sobre Katharina Dupont, sem ser injusto nem lacônico. Uma artista - é o que ela é. Hoje, aproveitamos de sua arte (que não deixa de ser Arte) com as palavras para definir as sensações da Rainha de Ouros, a mais sensorial entre elas. Sigamos com ela.
Contatos com Katharina aqui.


Rainha de Ouros
Universal Waite


De todas as Rainhas da Corte, esta para mim sempre foi a mais difícil de compreender, talvez porque tudo que é muito simples e natural nos fuja à compreensão.
A Rainha de Ouros geralmente é representada por uma mulher sempre rodeada de plantas e flores (Terra) e o animais que são mais vistos em sua companhia são a lebre (fertilidade sexual) e o vaca (provisão).
Tão ligada à maternidade, ao criar, ao prover e nutrir quanto a Imperatriz, a Rainha de Ouros tem por qualidade principal a maturidade e o autoconhecimento. Ela é centrada, equilibrada e tudo isso cria nela uma aura de segurança, prosperidade e sucesso.
Sendo o naipe de Ouros relacionado ao elemento Terra,a Rainha é a representação máxima da fertilidade e  do sucesso material, aonde tudo prospera e gera frutos em suas mãos. Ela nos mostra,  durante as leituras, que o sucesso financeiro é ligado diretamente a plena consciência espiritual;” sabemos o que queremos e sabemos que com isso ganharemos dinheiro” esta é a mensagem da Rainha de Ouros quando a leitura é relacionada a profissão.Ela também pode mostrar alguém que vai nos ajudar a crescer profissionalmente,sendo com uma oferta de emprego ou mesmo com o ensino de um novo oficio. 


Rainha de Ouros
Tarot of the Ages


Em casa negativa ela se torna gananciosa e materialista, não mede esforços para conseguir o que quer. Em um nível mais elevado ela pode mostrar uma pessoa desconectada do mundo, alguém  inseguro e fraco,a que nada satisfaz...Nada cria. 
Ao refletir sobre tudo isso, percebo que boa parte das mulheres já vivenciou um momento Rainha de Ouros na sua vida: o momento de ser mãe e de prover todo o necessário aos seus filhos. Uma mãe “Rainha de Ouros” vai se preocupar em não só pagar os estudos do filho jovem mas também orienta-lo na escolha da profissão.Ela os prepara para o mundo mas é zelosa e cuidadosa até mesmo quando se tornam adultos.
Durante este mergulho na figura da Rainha de Ouros precisei conversar com mulheres que vivenciam e personificam esta figura  em suas vidas para que eu pudesse me lembrar que eu mesma já fui uma delas.Vivenciei ela plenamente por longos anos.Fui a mãe que provê,  cuida e acalenta sua cria e todos ao seu redor.Fui calma,serena como uma Rainha de Ouros.Hoje em dia mesmo vivenciando uma outra Rainha sinto falta daqueles anos calmos  e felizes da Rainha de Ouros mas agora percebo que o fim dela foi necessário para que outros aspectos da minha vida fossem trabalhados.Afinal vivenciar plenamente e conscientemente as figuras da Corte é o que nos faz evoluir dentro da longa jornada de 78 passos que é o Tarot!

Rainha de Ouros
Thoth Tarot


Gratidão à todas as Rainhas de Ouros da minha vida, que me fizeram buscar a Rainha perdida dentro de mim.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Tarot Cigano: A Magia do Povo do Oriente.

Capa do livro do casal Bastos, editado em
1993. O livro está esgotado sem perspectiva
de reedição.

Quando eu conheci o Petit Lenormand, já o conheci como Baralho Cigano. E, como tal, aprendi a usá-lo, manipulando o Baralho Para Ver a Sorte, da COPAG. Mas a metodologia que aprendi era creditada à Katja Bastos. 


A Carta 29, tradicionalmente referenciada
pela Mulher, sendo uma das cartas-testemunha,
nesse baralho ganha papel crucial referenciando
a influência Cigana no Tarô Cigano.

Katja Bastos foi a desenvolvedora, junto a seu marido, César Bastos, sob a orientação da Rainha Cigana, de uma interpretação do Petit Lenormand que viria a revolucionar a abordagem das cartas aqui no Brasil, associando a algumas cartas a influência dos Orixás. Se houveram tentativas anteriores, desconheço; contudo, o baralho desenvolvido por eles, ilustrado pelo artista espanhol Julio Spinoso, é coeso dentro de sua proposta e vem há vinte e oito anos, pelo menos, encantando os amantes da Encantaria Cigana.


As 36 cartas do Tarot Cigano

E é um baralho absolutamente lindo. É fechado em sua própria estrutura, o que dificulta um pouco dialogar com o restante da bibliografia disponível no Brasil sobre Petit Lenormand. Mas, ao contrário do que poderia parecer, isso é extremamente favorável. Como o conjunto é coeso em si mesmo, a ausência de interpretações das cartas comuns relacionadas não faz diferença. É como se esse fosse outro baralho, uma afluência do Petit Lenormand, não apenas uma versão do mesmo.



Verso das cartas. O Símbolo do Templo da Trybo Cósmica foi criado 
com a orientação da Mestra Rainha Cigana, por Julio Spinoso. 
Representa o Mundo Espiritual (A Torre) A Rainha Cigana, O Sol,
 A Fechadura que abre as Portas da Percepção e o Caminho Iniciático
 sendo iluminado pela Encantaria Cigana do Povo do Oriente.


Essa questão nos abre diversos pontos de diálogo sobre as técnicas e métodos de abrir o Petit Lenormand e o próprio Baralho Cigano. São estruturas complementares, oriundas de mesma fonte mas, que, paulatinamente, tem se apresentado como versões distintas em termos interpretativos. Tarô Cigano e Petit Lenormand são metodologias diferentes aplicadas a uma mesma natureza estrutural que, pouco a pouco, vem se diferenciando inclusive em termos iconográficos.


Katja Bastos


Estive com Katja Bastos recentemente, na Fogueira de Lua Cheia; ela é um encanto de pessoa, super acessível. Vale a pena entrar em contato para maiores informações sobre seu oráculo. 
Para contatos com a autora, confira o blog da Trybo Cósmica.

sábado, 3 de março de 2012

Conversas Cartomânticas: Lúcia Sindoya e o Rei de Ouros

Um doce de pessoa. Essa é a melhor definição que posso oferecer sobre a Lúcia. Conhecemo-nos na Mystic Fair e conversamos pouco frente ao desejo que tínhamos. Mas já foi o suficiente para ingressarmos em uma sincera amizade. E cá ela nos guia ao encontro do Rei de Ouros - fora e dentro de nós mesmos.
Contatos com a autora:

Blog pessoal: http://sindoyatarot.blogspot.com/
Site: http://espacoluzvida.com.br
Blog: http://espacoluzvida.blogspot.com

Rei de Ouros: A personificação do sucesso.

Rei de Ouros
Obaluaiê
Tarô dos Orixás: Senhores dos Destinos

Eu, particularmente gosto muito desse arcano. No Tarô dos Orixás: Senhores do Destino, que é um dos primeiros que eu ganhei e com o qual já joguei muito, ele é representado por Obaluaiê, o Senhor Rei da terra, um Orixá com o qual eu tenho uma ligação muito especial, e que, embora seja conhecido por ser o dono das doenças, é um orixá de grande riqueza e beleza.

Rei de Ouros
Ancient Italian

Representa situações ou pessoas de sucesso. Aqueles que souberam aproveitar as oportunidades e insigths e conseguiram alcançar o patamar desejado; pessoas ambiciosas, de visão estratégica. 
Pessoas que tem esse arquétipo me impressionam, e eu as admiro. Sim, eu sou uma pessoa materialista e não acho isso errado. Eu quero ser bem sucedida, e quem não quer?
E esse arcano me inspira a isso, a por meus ideais em prática, trabalhar para alcançar o meu objetivo, colocar a mão na massa. Para futuramente chegar ao seu patamar, poder olhar para trás e dizer : Fui eu que fiz, fui eu que consegui, é resultado do meu esforço.
Na minha opinião, o Rei de Ouros é o arquétipo do " poderoso", aquela pessoa que se dedicou à algo, e foi inteligente o suficiente para ser e ter o que ela deseja. Alguém que alcançou o verdadeiro sucesso,trabalhando muito, aproveitando oportunidades, e hoje pode desfrutar do que adquiriu, tem status e admiração. 
Vejo nesse arcano pessoas obstinadas a vencer, mas também, pessoas que já vieram com um talento natural para negociar, para convencer, para se sobressair, naturalmente, sem necessidade de trapacear. Independente de que profissão escolham, vejo no arquétipo do rei de ouros aquelas pessoas que vieram para vencer na vida.

Rei de Ouros
Marseille Grimauld
Repare que, entre os Reis deste baralho,
este é o único a não usar coroa.

Quando penso no rei de ouros, penso em alguns empresários que eu conheço que começaram ali vendendo porta a porta, e hoje tem um belo patrimônio. Aquelas pessoas que as vezes não tem faculdade, mas tem vivência. Talvez o que se chama de novos ricos ou emergentes.
É aquela pessoa que, tem uma história de sucesso real para contar, que cresceu, que prosperou batalhando, conquistando,construindo, dando forma aos seus sonhos e projetos. E agora em uma roda de amigos, pode falar com orgulho de como as empresas estão indo bem, da viagem que fez para Paris com a família, dos bens que conquistou e conquista. Tem até um certo ar de metidez, mas quem não se orgulha de poder dizer: Eu venci!!

Abundância
Tarô Zen, de Osho

A obstinação desse arcano e o faro para negócios é que me deixa admirada. Já conheci alguns Reis de Ouros, e começaram ali, dia-a-dia, movimentando-se em busca do que desejavam. Trabalharam duro para conseguir conquistar o seu lugar ao sol, e hoje podem comer nos restaurantes chiques, tem suas propriedades, suas jóias , seus belos carrões, e sua conta bancária recheada de dinheiro. É a recompensa do esforço, do não esperar cair do céu, é o princípio básico da prosperidade. Fazer para ter!
O Rei de Ouros cria as suas condições de sucesso. Tem coragem de arriscar uma nova empreitada, confiando no seu faro para negócios. Prospera porque acredita no que faz.
Em seu lado negativo, esse arquétipo tem muito a ver com o mito de Midas, aquele que tudo que toca vira ouro, ou seja, em determinados momentos pode se focar tanto na questão material, que acaba não dando muita importância à outras coisas, muitas vezes gerando um desequilíbrio na vida amorosa, familiar,na  vida espiritual e até mesmo se descuidando da saúde, que deveria ser o bem mais precioso de uma pessoa. De que adianta acumular riquezas e estar doente, ou não poder usufruir do que conquistou? De que adianta ser rico e não ser amado?

Rei de Ouros
Klimt

Não que ele seja um arquétipo frio, mas representa o tipo de pessoa que acaba se entretendo demais na questão do ficar rico, ganhar muito dinheiro, (essas são suas realizações pessoais mais importantes), e acaba deixando algumas coisas de lado. No mito de Midas, podemos ver, que riqueza material não é tudo, é importante sim (e como!!), mas só a riqueza não traz a verdadeira felicidade. Esse é o desafio do rei de Ouros, se permitir acumular, mas saber depois aproveitar o que acumulou.
Para algumas pessoas, a verdadeira felicidade esta nas coisas simples da vida, num eu te amo, num aconchego, para o rei de ouros a felicidade é TER. Se eu tenho, estou feliz, se não tenho, me empenharei em ter, e só descansarei quando tiver, aí sim estou realizado.
Numa jogada, geralmente eu atribuo esse arcano à situações onde o consulente deve acreditar no seu potencial e colocar em prática o que deseja. Êxitos num geral. Caminhos abertos. Posso dizer também que é aquele momento onde os Deuses olham para você e dizem "Alafiá". Vai dar certo.

Rei de Ouros
Waite-Smith

Ligado a ganhos materiais, crescimento, status. Mas, para haver esse crescimento, é necessário antes se dedicar ao seu projeto, pois nada cairá do céu, virá com muito trabalho.
No seu aspecto negativo, aconselho a tomar cuidado com a ambição exagerada, dar atenção também à outros setores de sua vida , não se deixar deslumbrar pela riqueza.

Rei de Ouros
Elves

Vivenciando o Rei de Ouros

Para que possamos entender o Rei de Ouros, convido você a imaginar essa história e vivenciá-la como o personagem principal.
É uma história baseada em fatos reais.

Rei de Ouros
Visconti-Sforza (US Games)

José Elizeu vem de família pobre. Não paupérrima, mas já passou algumas dificuldades em sua infância. Não viajava nas férias, porque o dinheiro não dava, não estudou nos melhores colégios,  mas sua inteligência sempre foi muito elogiada pelos seus professores. 
A familia era grande, o pai tinha um pequeno comércio no bairro, e desde muito cedo, José Elizeu precisava ajudar o pai na vendinha da família depois que voltava da escola. Essa era a sua rotina diária, sem folga, sem descanso. Ir a escola de manhã, a tarde ser balconista da pequena venda de seu pai. 
Ser bom em matemática foi essencial para dar sempre o troco certo, e nisso ele sempre foi muito bom e muito honesto, criando a confiança da vizinhança. 
Nem sempre tinha tempo para brincar, mas era feliz. Sonhava em um dia ser um homem rico, ter uma casa grande, conhecer a Itália, se casar e ter uma família para a qual ele pudesse dar o conforto que não teve.
Cresceu um pouco mais, e em sua adolescência resolveu pedir ao pai um dinheiro emprestado para investir num novo negócio. Vendas porta a porta. Inicialmente de roupas, roupas de cama, toalhas, essas coisas que se vê muito em periferias, onde o vendedor passa com a mercadoria e volta um tempo depois para receber, valorizando e dando crédito à pessoas que não tem como comprar à vista, mesmo que elas tenham que pagar a mais por isso.
Já tinha a confiança da clientela do bairro e não foi difícil conseguir êxito nessa empreitada.
Trabalhou muito, as vezes aos domingos, as vezes aos feriados, economizava seu dinheiro o mais que podia.
Com o tempo, alugou um local onde montou a sua primeira lojinha, ainda no mesmo bairro, mas agora conquistando novos clientes. 
Não teve como fazer uma faculdade, mas a vida lhe trouxe experiência. Ele aprendeu no seu dia a dia a administrar, economizar, planejar, a fazer o seu marketing. Talvez até melhor do que em qualquer faculdade.

Rei de Ouros
Universal Fantasy

Aos poucos foi prosperando, diversificando os seus negócios, abrindo mais lojas em outros bairros, dando emprego às pessoas,e com o passar dos anos, após muito trabalho e muitos dias de dedicação e empenho, eis que ele já alcançou uma ótima situação financeira, de dar inveja, e de causar orgulho em seu velho pai. 
Hoje em dia, ele tem uma rede de lojas populares, que lhe traz muitos lucros. Lucros esses que permitem que ele tenha uma vida tranquila, sem preocupações financeiras.
E é agora que ele vivencia o arquétipo do rei de Ouros.
Hoje ele pode se dar ao luxo de ter um belo carro para passear, outro para trabalhar, e mais um para viajar.
Tem sua casa da maneira que sempre desejou, grande, com espaço, com segurança e conforto para a sua familia. Sim, ele já tem sua família, e hoje pode pagar bons colégios para seus filhos, sua esposa tem empregadas, e todos os finais de ano, viajam com a família para conhecerem novos lugares. Esse ano irão para Trancoso- BA, e ano que vem planejam passar o natal em New York, mas estão com medo de não se adaptar ao frio dessa época.
Mesmo tendo acumulado tantos ganhos, ele não deixa de estar à frente de seus negócios. Pois acredita que para os negócios irem bem, ele tem que estar sempre ali, atento a tudo que acontece, observando de perto, dando a sua contribuição. Como aprendeu com o seu pai, "o que engorda o boi é o olho do dono".
Hoje ele pode ostentar riqueza, e ostenta mesmo, é visto sempre em bons restaurantes, em eventos da high society, e agora esta investindo em leilões de gados, compra de imóveis, e também, na compra de mais terras no interior de Minas Gerais.
É alguém que conseguiu a admiração das pessoas, por sua história de vida, e por suas conquistas. Pode não ter sido o melhor marido e pai no quesito carinho e atenção, mas com certeza, se empenha o máximo que pode para dar conforto e bens materiais para sua família. Para ele, ser um homem de bem, e bem de vida, é o melhor presente que Deus pode ajuda-lo a ter!


Cavaleiro de Ouros
Thoth Tarot



Nota do editor: Em alguns baralhos, como o Thoth, os Reis são substituídos pelos Cavaleiros. Existem diversas possibilidades de análise dessa perspectiva; porém, em última instância, aplica-se tanto aos Reis quanto aos Cavaleiros os mesmos significados propostos.
Atenção: essa interpretação só é possível quando houver a carta do Príncipe substituindo o Cavaleiro original.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Compaixão e uma colher de xarope, por favor.



Olá pessoal. Eu tenho refletido muito sobre uma palavra em especial. Compaixão. Embora pensemos que ela soe como sinônimo de misericórdia, piedade, compaixão é outra coisa. O bacana da Língua Portuguesa é isso: nos meandros de um bom dicionário, encontramos não só novos sentidos, como novos caminhos imiscuídos em tais sentidos.
Bora lá, entender o que diferencia essas três palavras e porque compaixão é quase sinônimo de Tarô.
 Conforme o dicionário Aurélio, piedade é 
s.f. Compaixão, dó, pena, comiseração. / Teologia Virtude que leva a render a Deus a honra que lhe é devida. / Devoção, afeição e respeito pelas coisas da religião. // Piedade filial, amor respeitoso aos pais.
Misericórdia é
s.f. Piedade, compaixão, sentimento despertado pela infelicidade de outrem. / Perdão concedido unicamente por bondade; graça. / Punhal que outrora os cavaleiros traziam à cintura no lado oposto àquele em que estava a espada, e que lhes servia para matar o adversário, depois de derrubado, se ele não pedia misericórdia. // Misericórdia divina, atribuição de Deus que o leva a perdoar os pecados e faltas cometidos. // Bandeira de misericórdia, pessoa bondosa, sempre pronta a ajudar o próximo e a desculpar-lhe os defeitos e faltas. // Golpe de misericórdia, o ferimento mortal feito com o punhal chamado misericórdia; o golpe mortal dado a um moribundo. // Mãe de misericórdia, denominação dada à Virgem Maria para significar a sua imensa bondade. // Obras de misericórdia, nome dado a quatorze preceitos da Igreja, em que se recomendam diferentes modos de exercer a caridade, tais como visitar os enfermos, dar de comer a quem tem fome etc. // Estar à misericórdia de alguém, depender da piedade de alguém. // Pedir misericórdia, suplicar caridade.

Compaixão é, para além de sinônimo de piedade (grifo nosso),
s.f. Sentimento de pesar que nos causam os males alheios; comiseração, piedade, dó.



E é aí que começamos a refletir. Compaixão é uma aceitação da dor do outro como se fosse nossa. Mas... Sem ser nossa. É como se vivenciássemos o sofrimento sem, no entanto, sermos responsáveis ou correspondentes a ele.
Parece algo extremamente desagradável, algo extremamente desnecessário, mas não. É justamente o contrário. 
Existem coisas que não temos como explicar. Que, por maior que seja o nosso sofrimento, não conseguimos passar, não conseguimos fazer entender. Pode ser um limite nosso, mas pode ser um limite do interlocutor, também. Se, no primeiro caso, a responsabilidade é nossa e a ação é possível, no segundo caso é praticamente impossível resolver o caso.
A menos que o nosso interlocutor experimente a mesma coisa que nos faz sofrer, ele não irá entender. O limite é dele, é impossível transpor um limite interno sem o desejo do indivíduo de superá-los.
É aí que entra a compaixão. Compaixão é a habilidade de sentir com o outro, sem participar do evento que motiva tal sentimento. Normalmente relacionamos compaixão com a dor, mas não necessariamente estamos falando de qualquer tipo de sentimento negativo. A habilidade reside na capacidade de sentir junto.
Se a piedade e a misericórdia nos levam a entender o sofrimento do outro, a compaixão nos leva a sentir junto. O entendimento é baseado em nossa vivência, em nossa experiência, em nosso background e em nossas projeções. Como naquele caso famoso em que o rapaz num certo programa da Rede GloBBBo foi acusado de estupro, ainda que a jovem que dormiu com ele não tenha se pronunciado a respeito. O entendimento do telespectador visou a proteção da "vítima", mas não pensou se, de fato, a "vítima" teve um "algoz". O entendimento da cena motivou um julgamento que, embora mostre que o telespectador da atração está atento aos fatos que ocorrem, não está suficientemente apto para deixar que as pessoas que participam do programa tomem a frente de suas próprias decisões.  Mas não seria essa uma das prerrogativas para participar do programa?
Esses dois termos, que ainda que possam soar como sinônimos são coisas diferentes, deixam o observador à parte, seguro. Ele só observa e elabora seu julgamento, baseado em prerrogativas que não estão afinadas com o evento. São as experiências do observador sobre uma cena a qual ele não pertence. São suas ideias, são suas acepções do mundo, atuando sobre eventos aos quais ele não tem nenhuma participação. É seguro, é tranquilo. 
Não existe, num caso como esse, nenhum tipo de compaixão. Existe piedade, existe  misericórdia.... mas compaixão é outra coisa.
Compaixão é o que o leva a procurar na sua experiência aquela dor que o teu interlocutor está experienciando. Aquele sentimento que escorre por seus olhos e voz possui um registro em você, e você sabe. 
Não é difícil desenvolver a compaixão. É um desafio e tanto manter esse sentimento em ação quando as coisas não ocorrem como você deseja. Mas não é difícil. Lembra do que disse sobre termos todas as experiências do mundo dentro da gente, incluindo aquelas que execramos? Então. É disso que estou falando - temos todas as experiências do mundo dentro de nós, nada nos é indiferente, nada nos é desconhecido no campo dos sentimentos.
Saberemos exatamente como o outro se sente, se nos abrirmos para isso. Esqueçamos nosso passado, nossas prerrogativas, nossas projeções, nossas noções de certo e errado. Não é por muito tempo, é só pelo tempo suficiente para que aquilo que o outro representa nos preencha. Em algum lugar aí dentro haverá uma ressonância. Em algum ponto você sentiu ou deixou de sentir exatamente aquilo que o outro representa - e por isso ele apareceu na sua vida, para te lembrar das tuas escolhas, aquelas que levaram você a ser exatamente quem você é.
Ok, isso não é compaixão, isso é empatia. Compreender intrinsecamente como o outro se sente. Mas é a partir da empatia que desenvolvemos a compaixão. Ao desenvolvermos a habilidade de sentirmos o que o outro sente, sem participar ativamente do evento, temos aquele distanciamento confortável e necessário, próprio da piedade e da misericórdia, mas com a intenção de atuarmos exatamente no ponto que merece atenção, desprezando todos os demais - eles se resolverão por si mesmos, quando o ponto certo for curado.
Compaixão deveria ser prerrogativa de todo Cartomante. Nenhum cliente, mesmo que o mais curioso, se aproxima de nós a menos que tenha algo a resolver ou curar. E nossa habilidade, como tarólogos e cartomantes que somos, é revelar esse sofrimento e minimizar os danos causados por esse diagnóstico, através da conscientização dos indivíduos sobre suas capacidades de superação e desenvolvimento.
Eu ainda acredito que existe bad people  no mundo, eu não sou criança, eu não sou inocente. Mas eu decido olhar cada pessoa como alguém que pode ir além do que eu vejo à primeira vista.
Seja meu cliente, ou não.
Abraços a todos.

Post Scriptum: A motivação dessa postagem foi o episódio 14 da terceira temporada de Glee. Como não sei se todos os leitores assistem o seriado (mentira, sei que não...), posto aqui a música referente ao episódio e desejo que ela os toque como me tocou. Tendo sido inspirada em um episódio de seriado, a postagem não aprofunda o tema com a perspectiva que este merece. Temos outro texto sobre compaixão aqui no Conversas Cartomânticas e este, da autoria de Marcelo Bueno, em seu blog ZephyrusAlém disso, recomendo a leitura da postagem Om Mani Padme Hum, no blog do meu irmão Euclydes Cardoso Jr., TarotCabala. Confiram.
  






Life's too short to even care at all oh
I'm losing my mind losing my mind losing control
These fishes in the sea they're staring at me oh oh
Oh oh oh oh
A wet world aches for a beat of a drum
Oh

If I could find a way to see this straight
I'd run away
To some fortune that I should have found by now
I'm waiting for this cough syrup to come down, come down

Life's too short to even care at all oh
I'm coming up now coming up now out of the blue
These zombies in the park they're looking for my heart
Oh oh oh oh
A dark world aches for a splash of the sun oh oh

If I could find a way to see this straight
I'd run away
To some fortune that I should have found by now

And I run to the things they say could, restore me
Restore life the way it should be
I'm waiting for this cough syrup
To come down

Life's too short to even care at all oh
I'm losing my mind losing my mind losing it all

If I could find a way to see this straight
I'd run away
To some fortune that I should have found by now

So I run to the things they said could, restore me
Restore life the way it should be
I'm waiting for this cough syrup
To come down


One more spoon of cough syrup now, oh
One more spoon of cough syrup now, oh