sábado, 9 de abril de 2011

Cisne Negro: caleidoscópio cartomântico [Parte 2: Self-destruction]



Olá pessoal. Continuando nossas possibilidades de análise do filme Cisne Negro, analisemos agora o background no qual ele se desenrola. Em minha opinião, o self destruction de Nina.
Atenção! Esse texto contém spoilers. Se não viu o filme ainda, assista-o primeiro.


Trailer legendado aqui.

Partindo da perspectiva analisada anteriormente da relação entre Nina e a Princesa de Copas, o background no qual o filme se desenrola é diametralmente oposto ao necessário para a nutrição de uma jovem tão frágil. Como quem desperta de um sonho - a forma como se inicia o filme, por sinal - a perfeição originalmente vista se parte e se estilhaça. E, tal estilhaçar, ao meu ver, se apresenta alegorizado nos espelhos que permeiam todo o enredo.


Os espelhos são naturalmente relacionados com a Sacerdotisa. Como Arcano II, é o reflexo do I, seu duplo e seu oposto; seu complemento perfeito, em essência, que estabiliza sua tendência projetiva inicial. É a relação entre aceleração e atrito.


Explorados à exaustão e sendo os causadores de grande parte dos sustos e surpresas dadas pelo filme, por sua referência direta fui remetido ao filme Psicose. Ao contrário de grande parte dos expectadores, a minha cena favorita é a da mulher ao espelho. Juro que procurei melhores referências, mas os comentadores só citam a cena do chuveiro...


O espelho reflete a possibilidade que temos de vermos a nós mesmos. Não é real, em essência, o que se vê, já que é reflexo e refração de luz de uma forma captável por nossos sentidos; mas é o máximo que nos aproximamos disso nos mais recentes séculos. 
Mas existe uma forma alegórica de espelho, sub-reptícia, metáfora da rede de relacionamentos a que pertencemos, que dá sentido à frase somos fruto do meio em que vivemos. A herança familiar e a convivência alteram a forma como vemos o mundo.


Nina é filha de uma bailarina que, aos 28 anos, se viu forçada a abandonar o ballet devido à gravidez. As projeções desta, portanto, são que Nina siga seus passos, mas não mais que isso. É notável a cena em que, ao trazer um bolo em rosé et blanc para celebrar a obtenção do papel, num ímpeto de fúria decide jogá-lo no lixo. 


O papel que Nina obtém deve-se à aposentadoria (forçada) de Beth MacIntyre, bailarina anterior. Explosiva, impactante, destrutiva; esta é a imagem que a personagem, interpretada por Winona Rider, passa em sua curta aparição. Ídolo de Nina, que furta seus objetos pessoais. Uma forma de se aproximar dela. Uma forma de integrar sua personalidade ao estilo que possui.





Tudo isso motivado pelo implacável e mordaz diretor do espetáculo. Acostumado a relacionar sua sexualidade ao seu trabalho, motiva Nina, já naturalmente competitiva e perfeccionista, a encontrar seu lado mais selvagem, primitivo, volátil, explosivo, intenso e ígneo para interpretar o Cisne Negro. 




Diante da perspectiva de perder seu posto obtido a custa de sangue, suor, lágrimas, ossos deslocados e unhas quebradas, Nina mergulha de cabeça no que seria a maior aventura de sua vida. Talvez, a única.
Talvez.


A experiência atemporal desse mergulho não nos permite antever, no decorrer do filme, se Nina havia tido vislumbres do seu lado sombrio. Vê-se a dificuldade encontrada para o toque em seu corpo. Talvez, ou justamente por isso, sua coceira destruidora. Sua pele lacerada é o matiz rubro da necessidade de contato. Onde há dor, há, paradoxalmente, prazer, em dicotômica relação de busca do Outro, no caso, idealizado e distante, assim como necessidade de destruir esse mesmo Outro que, próximo demais, a desvia do seu foco e libera, mesmo que por instantes, um instinto aprisionado e urrante. 




Desde a mordida inicial, até o corte das unhas - uma das cenas mais impactantes, culminando no assassínio da imagem, que, facelada, libera finalmente  o alimento necessário à manifestação plena da Sombra.




Quanto mais destruída, destroçada, facelada, esfolada, arranhada e ferida, quanto mais exposta é sua dor pela ausência da plena perfeição, mais próxima ela se vê dessa mesma perfeição, elevada ao limite da existência. 
Já havíamos visto isso antes, por aqui, quando eu citei o Fight Club. No extremo, no limite representado pelos Dez yang - Paus e Espadas - somos obrigados ao Salto. Naipes projetivos nos impelem para a frente... mesmo quando o "para frente" é uma parede de tijolos.
Abraços a todos, até o próximo post.




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Promoção COPAG / Conversas Cartomânticas



Olá pessoal. Em mais uma parceria com a COPAG do Brasil, estamos com uma nova perspectiva promocional. Sortearemos, na ordem: 
Um livro Tarô: a história e a magia...

Um estojo com dois baralhos Persian Garden...

Um estojo com dois baralhos Monet.

Para participar, deixe um comentário aqui nessa postagem, dizendo:

Eu quero ganhar um baralho da COPAG no Conversas Cartomânticas porque...

Postando em seu blog sobre a promoção, coloque o link nos comentários e ganhe mais um cupom para o sorteio. Só valem duas (ou mais, dependendo do número de blogs do usuário) participações nesse caso. 
Os dois sets serão sorteados pelo random.org, e a melhor resposta receberá o livro. Os prêmios não são cumulativos.
Aguardo vocês no dia 23 de abril, dia de São Jorge!
Abraços a todos!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Blogagem coletiva: (Meio) Ambiente e a Cartomancia - Ás de Ouros no Thoth Tarot

Olá pessoal. A convite da Rute, cá estou para enfrentar o desafio de relacionar a Cartomancia ao meio ambiente. Creio que seria interessante, dentro do espírito da postagem, falar sobre os baralhos que dissertam sobre aspectos ambientais, tendo em suas lâminas elementos dos reinos mineral, vegetal e animal.
Hoje, gostaria de falar sobre uma carta em especial, do Tarot Thoth: o Ás de Ouros. A Raiz dos Poderes da Terra.


Já passamos rapidamente por essa carta quando falamos sobre o Quarteto Fantástico. Mas, à luz dessa nova perspectiva, vale a pena ver de novo.
O naipe de Ouros, como um todo, lida com a perspectiva material. E quando falamos material, não significa somente saúde/dinheiro/recursos. O ambiente no qual vivemos também faz parte do âmbito desse naipe. Sobretudo do Ás, que sintetiza as possibilidades oriundas do naipe (sobretudo nos jogos de 42 cartas). 


Reparem na iconografia da carta proposta por Crowley e lady Harris. Ao centro, uma estrutura cristalina, lapidada de forma singular, serve de mote circular para o símbolo do naipe de Discos. Estanque enquanto forma, mas pleno de força.

Acima, abaixo e ladeando o cristal, anéis de madeira formam uma cruz. Novamente um símbolo relacionado à matéria - a cruz - com o movimento dos circulos de crescimento de uma árvore. O desenvolvimento é inexorável, mas leva certo tempo
As asas aludem ao leve movimento que causa erosão nas pedras ou mesmo promove a erupção de uma nascente de rio. Aqui, o Reino Animal é um efeito, não uma causa; uma consequência do desenvolvimento dos dois Reinos anteriores - por isso as asas ladeiam a cruz de anéis de madeira. Conforme Veet Pramad aponta, todos os Reinos Terrestres se fazem presentes aqui. O Ás representa, sinteticamente, a biosfera.


Um detalhe que percebi no desenvolvimento dessa postagem foi a moldura da carta. Raios verdes, tais como os que ladeiam o Ás de Paus; contudo, o que na Raiz dos Poderes do Fogo é reto como um relâmpago, aqui é curvo e fluido como a via láctea. A bioesfera rodeada pela energia viva do universo, como moldura, manto e possibilidade. O ponto fixo do centro da carta, em espiral se dilui nas bordas cósmicas, assim como, em contrapartida, o Cósmico se concentra em um ponto gerando matéria sólida. E nesse movimento de inspiração e expiração, de sístole e diástole, o Universo se renova e se refaz.
Acho que o mais significativo nessa carta é a total ausência de referencial humano enquanto diferente de sua natureza animalesca primeva. Na amplitude de possibilidade dessa carta, não há espaço para diferenciação da nossa experiência enquanto encarnados da mesma experiência vivida por outros animais. No fundo, mas nem tanto, todos somos TO MEGA THERION. Grandes bestas. Grandes feras.
Não que eu tenha uma visão pessimista do ser humano e considere nossa existência desnecessária ao planeta (insignificantes não somos mesmo - olha a tragédia do Japão: insignificantes seríamos, enquanto humanos, se nossa presença num determinado ambiente não tornasse uma catástrofe ambiental num desastre ecológico). Pelo contrário, acho que não seriamos criados ou evoluíriamos biologicamente se isso fosse desnecessário - no Universo cabe a Lei do Mínimo Esforço para Máximo Efeito. Estamos no movimento de diástole, de expiração, de repouso depois de toda uma Criação. E temos que nos adaptar a isso.


Em tempo, a COPAG, parceira do Conversas Cartomânticas, possui a sua linha ecológica também! A empresa se preocupa com a preservação dos recursos naturais do planeta, é certificada peloa ISO 14.000 e uma das ações que realiza é a produção de baralhos com cartão reciclado, o ECOPAG: cartão 230 g/m², onde 60% do baralho e 100% da caixinha são produzidos em cartão reciclado. Você adquire um produto personalizado e contribui para a preservação do meio ambiente.

REGRAS para quem desejar aderir:
Postar a todo o dia 7 de cada mês;
Tema, sempre livre - desde que aborde o ambiente como pano de fundo.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Da ética profissional. Reportagem da EPTV.


Olá pessoal. Depois da nossa conversa sobre as mentiras e a Cartomancia, cá estamos com uma reportagem feita pela EPTV (assista aqui). 
Como diria o Arieron, no comentário da postagem supracitada, "achologia e chutemancia (mentir com as cartas) ainda fazem parte do currículo de meia dúzia de 3 ou 4...".
É absurdo pensar que existem pessoas capazes de fazer isso. Mas não existem médicos picaretas? Não existem políticos honestos? Não existem enfermeiros incapazes? Até o Exército se deparou com um coronel fictício... 
Logo, não devemos colocar todos os profissionais de determinado ofício sob o mesmo guarda-chuva. É ofensivo, para mim, ter meu trabalho de interpretação das lâminas relacionado com trabalhos de magia que usam velas de R$120,00. A função do ritual, pós Cartomancia, é harmonizar o consulente com seus desejos, já que o ritual é a manifestação material de um desejo; a concretização do mesmo, contudo, cabe ao executor. Por isso, rituais são ensinados, não pagos para serem feitos. 
Enfim. Escolham bem os profissionais com os quais se relacionam, e não permitam abusos. Polícia existe e estelionato é crime.
Da mesma forma, que não haja entre nós quem ache que cartomancia resolve problemas, pois isso é pueril; a cartomancia apresenta a situação como está, direcionando o consulente para o que for mais adequado, de acordo com sua vontade.
Em contraponto a essa reportagem, leiam o texto do Nei Naiff sobre a regulamentação da profissão de cartomante e tarólogo, no Clube do Tarô.
Abraços a todos.


Em tempo: Participe da enquete que está no canto superior direito, e me conte o que você quer ler no Conversas Cartomânticas!

domingo, 3 de abril de 2011

Curso de Baralho Cigano Petit Lenormand. Turma de abril.



Olá pessoal. Nova turma aberta, inscrições nos telefones relacionados (DDD 35). 

Tópicos abordados:

Quais as diferenças entre o Petit Lenormand e o Baralho Cigano? 
Controvérsias sobre sua origem.
Mlle. Lenormand.
Os Ciganos e a Cartomancia.
Os Orixás e o Petit Lenormand.
A relação entre o Petit Lenormand e a Cartomancia.
Como escolher um bom baralho?
Significado das cartas: nome, iconografia, naipe e referência cartomântica.
A Carta Diagnóstico e sua função na consulta.
Métodos de consulta: Três Cartas, cinco cartas, Mesa Real.
Fechando o jogo.
A consagração do baralho.
O chá cigano.


Não poderá comparecer, mas deseja fazer o curso? Entre em contato e providenciarei o curso online para você, ou, se possível, montaremos uma turma na sua cidade!
Abraços a todos.

Três iluminações, por Luciana Onofre


Olá pessoal. Recebi a homenagem da Luciana Onofre, a qual me deixou muito feliz, com o desafio de passá-la adiante. A ideia aqui é apresentar três coisas que ao sentir/ver/experimentar tornam o dia "iluminado", indicando em seguida três blogs que realizam esse mesmo efeito ao visitá-los. Como a Lu já indicou o Arte Voadeira, meu sonho de consumo - não é Adriana? - não o indicarei novamente, ainda que seja minha primeira opção de iluminação. Sempre que vejo as aquarelas da Adriana me inspiro novamente para escrever sobre alguma coisa...

Iluminações:
1. O sol da manhã. As orações da manhã sempre ganham em contexto quando posso sentir o sol cálido de outono. A luz é a mesma, mas o calor é suportável, agradável e bem vindo.
2. Jogar Tarot. Sempre, de todas as formas, com todas as possibilidades possíveis de interpretação.
3. Dormir com cansaço físico e mente (quase) vazia. É uma delicia esvaziar a cabeça e sentir o dia se esvaindo pouco a pouco, pois não há pensamentos enevoando a mente e, se houverem, são secundários frente a experiência do sono. Ninguém merece dormir pensando no dia seguinte com apreensão!

Blogs que indico:
1. Palavras de Osho. Mensagens diárias de um místico politicamente incorreto, expostas em um design agradável e pertinente à leveza proposta a um novo dia.
2. Panelaterapia. A Tatiana tem a manha de encher a boca d'água sem dó. E mais: ensina, tintin por tintin, todos os macetes para que as nossas receitas fiquem iguaizinhas as dela. Ok, parecidas...
3. blog de Luis Pellegrini. Luis Pellegrini dispensa qualquer apresentação, e seus textos me acompanham desde meu início na Arte. Recomendadíssimo.


Abraços a todos... E obrigado, Lu!

sábado, 2 de abril de 2011

Cisne Negro: caleidoscópio cartomântico [Parte 1: Nina]



Olá pessoal. Tendo assistido (e ficado visualmente impactado) o filme Cisne Negro, proponho aqui, em postagens distintas, mas complementares, explorarmos o universo criado no filme.




Ficha técnica:
Cisne Negro (Black Swan)

Gênero: Drama e Fantasia
Duração: 107 min.
Origem: Estados Unidos
Estréia 04 de Fevereiro de 2011
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman e Andres Heinz
Distribuidora: Fox Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2010

Assista o trailer aqui.

Cisne Negro é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpreta por Mila Kunis. Dirigido por Darren Aronofsky, Cisne Negro faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.

Vale, na contextualização do filme, ver o que a atriz e o diretor têm a dizer.




A primeira coisa que aponta, como um iceberg no oceano, nos primeiros momentos do filme, é o aspecto perfeccionista e infantilizado no qual Nina (Natalie Portman) vive. Entre a Corte, inicialmente cotei a Rainha de Copas como sua máscara, mas não; é mais jovem, é Princesa. Princesa de Copas. A Princesa de Copas proposta por Crowley no seu Thoth Tarot é verde, pois sua carência de Fogo ainda não lhe permite o rubor da pele. Ela dança um nível abaixo das ondas, nem tão profunda, nem tão rasa, caminha rumo ao fundo lentamente. Um cisne coroa sua cabeça, curiosamente fazendo referência às possibilidades iconográficas propostas aqui. Junto ao golfinho (aparenta bem mais ser um marlim) e o quelônio em seus braços, apresenta seres de águas medianas, não tão profundas, apontando para sua disposição para o mundo dos sentimentos - não tão profundos. Uma ave, um réptil, um peixe - não há aqui anfíbios, ela não está propensa à versatilidade destes, plenamente adaptados à terra e à água.



E assim, Nina, a Princesa de Copas, é perfeccionista em sua arte, levando ao extremo as possibilidades do seu corpo - nem sempre o corpo acompanha o desejo do espírito, sendo um limite que apresenta todas as possibilidades plausíveis. E dentro dessas possibilidades, Nina se supera indo ao extremo de suas forças, apresentando o Cisne Branco em sua mais diáfana e perfeita possibilidade. Ela não o interpreta; ela é.
Ver Natalie Portman se portando de forma tão suave foi extremamente chocante para mim, acostumado que estava com sua personalidade marcante nos personagens que interpretou anteriormente. Ela exala força e magnetismo, naturalmente; vê-la suavizada ampliou todas as minhas possibilidades de vê-la como atriz. Contudo, a forma como ela apresenta a firmeza de propósito de Nina corresponde fielmente ao que eu espero de um título que carregue seu nome.
Num ambiente confortavelmente opressor, onde seus hormônios não poderiam se manifestar - por vezes, pensamos que sequer tinha consciência de sua existência - Nina vive no blanc et rosé de um quarto de menina, de uma vida de menina, de um sonho de menina, tão acalentado por sua mãe, que, ao tê-la, desfez-se dos seus próprios. 
O seu despertar se dá no momento em que a idealização não condiz com a realidade do gesto. Um beijo, uma mordida, um convite para a intimidade, a total inexperiência, a mentira que a confirma. Cisne Branco, quem é você frente sua atual necessidade? Até onde poderá ir em sua busca insana pelo perfeito? Como aponta Hannah Arendt em A Condição Humana, a ação perfeita esgota o agente...
Abraços a todos, até o próximo post.
Parte 2: 09 de abril.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mentiras e a Cartomancia





Olá pessoal. Primeiro de abril, dia de mentir, dia de divertir-se com a confiança dos outros... Será mesmo?




As mentiras são formas evasivas de se convencer alguém de algo que se deseja, frequentemente para prejuízo daquele que as ouve ou outrem, relacionado ao tema, ou ainda benemérito de quem as conta. Contudo, a sabedoria popular nos mostra que suas possibilidades são limitadas, ou, conforme o próprio dito, "suas pernas são curtas".


Conforme a Wikipédia, "Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos [de Abril]" (...)


(...)na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, literalmente "peixe de abril".
No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente."

Para a Cartomancia, as mentiras não são novidade. Desde, ou até mesmo, Machado de Assis deu a entender que Cartomancia e embuste seriam sinônimos. É aí que reside o nosso maior problema. Mentir já não é boa coisa. Mentir com as cartas no meio, é confusão, no mínimo, na certa.
Não há explicações ainda, precisas, do porquê da Cartomancia funcionar. Teorias temos aos montes, questionáveis como deveria ser. Contudo, e ainda bem, a cartomancia não precisa de justificativas para funcionar. Ela funciona.
Mas, se a postura adequada é manter a mente serena e livre de preconceitos, julgamentos e prerrogativas, o que acontece quando tentamos manipular as cartas? Normalmente, duas possibilidades se apresentam: 1. O baralho trunca e as respostas não vêm. 2. O baralho responde exatamente do jeito que você quer ler.
Na primeira possibilidade, é apenas um aviso de que é melhor parar. Normalmente se aplica aos casos em que a ansiedade, prima-irmã da mentira, aguarda uma resposta precisa para algo que naturalmente se encaminharia para o outro lado. A segunda possibilidade se aplica aos casos em que a primeira não consegue frear o cartomante e/ou o consulente.
Por favor, pare na primeira, se você for o cartomante.
Agora, caso seja o consulente, atente-se para alguns sinais de que a consulta é furada: 1. O Cartomante conversa muito com você antes da consulta, não para esclarecer o método do jogo, mas para colher informações sobre o seu problema; 2. o Cartomante utiliza formas evasivas de abordagem do tema, sem apresentar o panorama que as cartas oferecem para tal prognóstico; 3. O cartomante apela para o medo, para espíritos de outro mundo, seres estranhos e outras possibilidades, que pedem um trabalho ou coisa parecida. Cartomancia é diagnóstico, não é feitiçaria. 
Abraços a todos, e feliz dia de hoje! Em verdade no trabalho, mentindo (um pouquinho só) pra se divertir!

domingo, 27 de março de 2011

Um agradecimento. O Tarô Visconti-Sforza

Olá pessoal. Ganhei um presente, anteontem; apesar de querer compartilhar com vocês imediatamente, realmente precisei de um tempo para conseguir falar a respeito, pois fui pego de surpresa. A Marília fez a gentileza de me aplicar um dos maiores sustos da minha vida, dando-me de presente o Pamela Colman Smith Commemorative Set e o Visconti-Sforza Tarot Deck, ambos da US Games Systems. Do primeiro falaremos posteriormente; concentremo-nos no segundo.


Conforme a Wikipédia, "O nome "Tarô Visconti-Sforza" é usado para se referir coletivamente aos conjuntos incompletos de aproximadamente 15 baralhos, agora localizados em vários museus, bibliotecas e coleções particulares em todo o mundo. Nenhum baralho completo tem sobrevivido, mas sim, algumas coleções possuem algumas cartas, enquanto outras possuem uma única carta." O Tarot Visconti-Sforza chegou-nos parcialmente completo, a despeito dos seus quase seis séculos de existência - foi produzido em meados do século XV. A edição da US Games Systems recebe também o nome de Pierpoint Morgam-Bergano, em função do local onde se encontram o maior número de suas cartas - 35 de suas cartas estão hoje na biblioteca-museu Pierpont Morgan, em Nova York enquanto as demais estão em duas instituições na Itália
Das 78 originais, sobreviveram 74(!), sendo que as perdidas foram o Diabo, a Torre, o Cavaleiro de Ouros e o Três de Espadas. Algumas cartas também aparentam ter sido adicionadas a posteriori.


Há também uma restauração proposta pela Lo Scarabeo. Contudo, o restauro do Diabo é criticado por não corresponder à estética da obra como um todo.
Eu ganhei o primeiro. Olha a carinha da criança ao recebê-lo:



Felicidade pouca é bobagem.

Abraços a todos.


P.S.: Em função da leitura do livretinho que o acompanha, da autoria de Stuart R. Kaplan, atualizei a postagem sobre a organização do baralho de Tarot.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Blogagem Coletiva: Ano Novo Astrológico de Mercúrio


Olá pessoal. Proponho para essa blogagem um texto meu publicado no Clube do Tarô. Espero que gostem!
Abraços a todos.

Blogagem Coletiva: Os Arcanos e a linha do tempo


Instantes marcantes e Arcanos que recriam seus momentos e memórias, essa é nossa pauta agora.
Na trilha do livro da vida há um ou mais de um Arcano que registrou ou irá registrar suas experiências e vivências, nosso convite é tecer com você esse percurso, identificando esses Arcanos e a essência que eles guardam da sua linha do tempo. Afinal lidar com eles é um infinito exercício de aprendizagem e reflexão, lembrar do nosso passado mediante eles é exercitar de fato as lições que eles carregam.


Poxa... É difícil precisar os Arcanos na minha infância, já que o início foi com meu baralho comum e eles me são mais vívidos. Lembro do Valete de Copas do baralho Royal da minha avó, um baralho lindo, que, infelizmente, hoje se encontra quebrado e incompleto pelo uso (eis o problema, entre outros, das cartas de plástico).Lembro que eu assistia She-Ra só para ver o Arqueiro, que me lembrava a bendita carta! 






Eu sei que foi nessa fase que eu comecei a fazer meus castelinhos de cartas. Aproveitava que no bar do seu Joaquim, perto de casa, tinha um truco "nervoso", e que eles dispensavam muitos baralhos, para fazer meus castelinhos com os Oitos, Noves e Dez dispensados aos montes, e, de quando em vez, uma ou outra Carta da Corte para morar dentro dos castelos que eu fazia. E aí... Eu observava a carta, detalhadamente, buscando entender sua personalidade, o que a levaria a defender seu espaço... Um comecinho bem bacana de interpretação! Isso eu deveria ter uns sete anos.



Nessa época também ganhei o meu primeiro baralho, um Sete Belo (inclusive, alguém já comeu a balinha Sete Belo? É tão gostosa! E difícil de achar, igual bala de Coca Cola). Eu dormia com meu baralho debaixo do travesseiro. Pra quê urso de pelúcia?



Aos dez, com um pouco de esforço e muita persuasão, convenci a minha avó a me ensinar a dispor as cartas. Sem muita convicção, mas de forma extremamente didática como só as avós sabem fazer (principalmente as que possuem o Julgamento e a Sacerdotisa como Regentes), ela me explicou os primeiros passos na Arte. E cá o Louco se torna Mago sob responsabilidade da Sacerdotisa... e a coisa fica bonita! 



Acho que depois disso, pulei direto para o Diabo, quando recebi minha primeira consulta de Tarô. "Nunca mais quero saber disso", pensei comigo. Ledo engano, fatalmente demonstrado pela leitura de As Brumas de Avalon. Lá estava eu às voltas com meu velho Marselha, de segunda mão, mas de primeira linha. 
Foi essa também a época da minha Dedicação.
Ganhei, nessa época, de uma tia, como pagamento de uma consulta, o Tarô dos Anjos, da Monica Buonfiglio. Eu queria o Adivinhatório... Mas há uma ordem e ela faz sentido; ele viria alguns anos depois.



Nisso, fiz o Curso de Petit Lenormand, na época Tarô Cigano. Uma Aliança perfeita com ele se estabeleceu desde então, e vem se mostrando válida e perfeita até hoje.



Universidade... Fase Torre (troque o 't" por um "p", na maior parte das vezes, nos três primeiros períodos) da minha vida. Acidentes, crises, lutas e quedas. FUNDAMENTAIS.



Nessa época conheci o professor, orientador e amigo (in memorian) Dr. Ivan Antonio de Almeida. Ele havia aparecido nas minhas cartas, mais de uma vez, como o Rei de Ouros. E foi mesmo um senhor do mundo material para mim, oferecendo bibliografia e me presenteando com o Thoth Tarot.  




Outra fase interessante foi a de escrita de blogs. Encontrar pessoas que pensavam de forma semelhante, ou mesmo de forma diametralmente oposta, sobre os mesmos interesses. Todas as Estrelas são Sóis. E eu aprendi um pouco mais sobre o Ritmo das coisas.
E cá estamos. Numa linha do tempo de diversos baralhos intercambiando informações. 
Abraços a todos.
Em tempo: acaba que essa blogagem foi uma espécie de terapia biográfica... Se/me encontrar nas memórias das cartas.


domingo, 20 de março de 2011

Curso de Petit Lenormand. O Chá Cigano.

Olá pessoal. O Curso foi um sucesso! Muito bacana a interação entre as pessoas, e destas com o Petit Lenormand. Me diverti e celebrei muito!
Durante a tarde, tomamos um chá cigano, delicioso. Mas isso merece uma explicação...
Tente procurar sobre "chá cigano" no Google. Existem repetições de receitas, mas não uma receita. Então, decidi criar uma!  Mas primeiro, falemos do chá.


Segundo a Wikipédia, O chá é uma bebida preparada através da infusão de folhas, flores, raízes de chá, ou Camellia sinensis. Geralmente é preparada com água quente. Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado, que pode incluir oxidação, fermentação, e o contato com outras ervas, especiarias e frutos.
"Chá de ervas" é frequentemente utilizado para designar todas as infusões feitas a partir de diferentes partes de plantas (não necessariamente ervas - casca, folhas, flores, etc). Exemplos mais comuns: chá de camomila, chá de erva-cidreira, chá de tília, chá de menta, chá de limão, chá de flor de laranjeira, etc.
No entanto, essas infusões são tisanas e não rigorosamente chás, uma vez que o termo chá designa única e exclusivamente a bebida preparada através da infusão de folhas, flores ou raízes da planta Camellia sinensis.


O chá é uma bebida envolta em lendas. Segundo Osho


Tarô da Transformação. Disponível em OSHO.com.



As pálpebras de Bodhidharma e as origens do chá


Consciência vem através da sensibilidade. Você tem que se tornar mais sensível a tudo aquilo que você faz, de forma que mesmo uma coisa trivial como o chá... você pode pensar em coisa mais trivial do que chá? Você pode encontrar coisa mais comum do que chá? Não, não pode, e os mestres e monges Zen elevaram essa coisa tão comum ao ponto de torná-la extraordinária. Eles interligaram "isso" e "aquilo"... como se chá e Deus tivessem se tornado um só.
A menos que chá se torne divino você não será divino, pois o menor precisa ser elevado para o maior, o ordinário tem que ser elevado para o extraordinário, a terra precisa ser o paraíso. É preciso criar uma ponte, não pode haver nenhuma brecha.


O chá foi descoberto por Bodhidharma, o fundador do Zen. É uma bela história.
Ele esteve meditando por nove anos, olhando para uma parede. Nove anos, apenas encarando uma parede, continuamente, é natural que eventualmente ele começasse ter sono.
Ele lutou e lutou contra o seu sono – lembre-se, o sono metafísico, a inconsciência. Ele queria permanecer cônscio mesmo enquanto dormia. Ele queria manter a consciência permanentemente – a luz deveria brilhar dia e noite, por vinte e quatro horas. Eis o que dhyana é, o que meditação é: percepção.
Uma noite ele sentiu que seria impossível manter-se alerta; pois estava caindo de sono. Ele cortou suas pálpebras e as jogou fora! Agora não havia mais como fechar os olhos.
A história é linda. Para obter a visão interior, esse olhar para fora deve ser abandonado. Esse é um preço que deve ser pago. E que aconteceu depois? Após alguns dias, ele descobriu que aquelas pálpebras que ele havia jogado no chão, tinham começado a brotar novamente. Esse broto tornou-se o chá.
Eis porque quando você bebe chá, alguma coisa de Bodhidharma penetra em você e o mantém acordado. Bodhidharma estava meditando numa montanha chamada T’a, daí o nome, chá. Isso procede dessa montanha onde Bodhidharma meditou por nove anos.
Isto é uma parábola. Quando um Mestre Zen diz, “Beba uma xícara de chá,” ele está dizendo, “Prove um pouco de Bodhidharma. Não se importe com essas questões, se existe Deus ou não, quem criou o mundo, onde fica o paraíso e onde fica o inferno e qual é a teoria do Karma e da reencarnação.”
Quando o Mestre Zen diz, “Esqueça suas dúvidas e beba uma xícara de chá,” ele está dizendo: “Melhor ficar mais atento, não se prenda a essas coisas sem sentido. Nada disso irá lhe ajudar.



Outra interpretação dada por Osho

O chá é um símbolo Zen, o qual significa consciência, porque o chá torna você mais alerta, mais consciente. O chá foi inventado pelos budistas, e por séculos eles o têm usado como um auxílio à meditação. E o chá ajuda.
Conta-se que Bodhidharma estava meditando em certa montanha da China chamada ‘Ta’. De ‘Ta’ vem o nome ‘chá’. Essa montanha podia ser pronunciada como ‘Ta’ ou como ‘Chá’; é por isso que na Índia o chá é chamado ‘chai’ ou ‘chá’.
Bodhidharma estava meditando e ele era realmente um grande meditador. Gostava de meditar por dezoito horas, mas isso era difícil. Muitas vezes sentia-se sonolento, suas pálpebras fechavam-se repetidamente. Assim, ele cortou suas pálpebras e as jogou longe. Agora, não havia qualquer possibilidade de fechar os olhos.
A história é linda – aquelas pálpebras tornaram-se as primeiras sementes de chá, e uma planta nasceu delas. Com essa planta, Bodhidharma preparou o primeiro chá do mundo, e ficou admirado ao perceber que, se pegasse as folhas e as bebesse, podia permanecer alerta por períodos mais longos. Assim, por séculos, as pessoas que praticam Zen bebem chá, e o chá se tornou algo muito, muito sagrado.
E Osho nos faz esta sugestão: “Toda vez que você perceber que está agindo inconscientemente, pare. Não seja um robô. Não aja a partir do ego. Tome uma xícara de chá. Acorde – e então aja com consciência”.
As paradas que interrompem a rotina da pressa, a qual a nossa sociedade está submetida, são vitais para o restabelecimento da ordem interna e da clareza de visão. Nas pausas, adquirimos fôlego novo para seguir adiante, em condições de tomar decisões mais assertivas, com menos desgaste.


Outra lenda aponta para um Imperador como descobridor do chá.

Conta a lenda que a árvore do chá foi descoberta, no ano 2737 a.C., por acaso, quando o imperador chinês Shên Nung, mais conhecido como o “Curandeiro divino”, dava um passeio pelas suas propriedades.
O imperador pediu a determinada altura que os seus servidores lhe fervessem um pouco de água enquanto descansava à sombra de uma árvore. Foi precisamente dessa árvore que uma folha se soltou e caiu dentro da taça de água fervida. Sem reparar, o Imperador bebeu, sendo dessa forma que nasceu a primeira chávena de chá. Terá sido este imperador que criou a medicina natural ou ervanária, testando ele próprio uma enorme variedades de bebidas medicinais à base do chá.


Na verdade, o primeiro registro escrito sobre o uso do chá data do século III a.C. O tratado de Lu Yu, conhecido como o primeiro tratado sobre chá com caráter técnico, escrito no séc. VIII, durante a dinastia Tang, definiu o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo.


Não conheço a procedência das receitas que permeiam o espaço virtual. Mas deu para perceber algumas similitudes, que geraram a receita que repasso a vocês. Primeiro, o chá. Embora tenha encontrado receitas com chá mate, a maior parte das receitas indica o chá preto, que é o que eu utilizo, por ser mais fiel à história.


Para preparar a infusão, primeiro eu adiciono à água canela, cravo-da-índia e cardamomo. Não tenho muita medida nessa hora não, mas geralmente é um pauzinho de canela, umas 15 flores de cravo-da-índia e umas cinco sementes de cardamomo (a medida é a concha da mão, difícil precisar). Enquanto a água é aquecida, liberando a essência das especiarias (e perfumando a casa toda), pico em cubos não muito pequenos uma nectarina, duas ameixas, um pêssego, uns seis damascos secos, uma pêra, uma maçã (prefiro a argentina, para o chá). São frutas doces, relacionadas à prosperidade e à fertilidade. Vi receitas que utilizam morangos, limões (a casca), uvas, figos, caquis... 
Com a água em ponto de ebulição, desligo o fogo e adiciono uma quantidade de saquinhos de chá preto que considere suficiente; algo por volta de um saquinho para cada meio litro de água. Aguardo a infusão (dois ou três minutos é suficiente) e despejo o conteúdo sobre as frutas, já no recipiente para servir. Mais uns cinco minutos e a bebida está pronta para ser consumida.


Há quem adicione bebidas alcoolicas ao chá, como o whisky; outros há que adocem o chá com mel. Há também quem coloque as frutas para serem maceradas na xícara, individualmente, escolhendo as frutas que correspondem aos desejos de quem degustará a bebida. Eu prefiro colocar todas as frutas juntas, para obter uma homogeneidade no sabor. 
Divirtam-se com esse chá maravilhoso! Tanto para o ritual quanto para receber amigos, esse chá é uma delicia. 
Abraços a todos.