segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Aniversário!!!



Hehehe, embora não seja muito fã desses lances de comemoração pelo fato de estar mais “velho”, lembrei-me hoje de um texto do Richard Bach (o autor de Fernão Capelo Gaivota, um dos livros mais lindos que já li), “Longe é um lugar que não existe”. O livro é deveras melhor, com ilustrações que enlevam qualquer criança, somado a uma mensagem que leva qualquer adulto a pensar sobre seu momento. Não tem uma conexão direta com a Cartomancia, mas leva-nos a pensar sobre o valor das palavras.


Acho que vocês já repararam que tenho pensado muito nisso.
Agradeço ao site Songs and Poems.





"- Rae! Obrigado por me convidar para a sua festa de aniversário!"
Sua casa fica a mil quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões. E uma festa para Rae é a melhor e estou ansioso para estar ao seu lado.
Começo a viagem no coração do Beija-Flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos. Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.
Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar "indo" a uma festa.
- Claro que estou indo à festa. - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da coruja:
- Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?
- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para a coruja. Parecia estranho dizer "indo" depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo para que Coruja compreendesse.
Ela voou em silêncio pôr um longo tempo.
Era um silêncio amistoso, mas Coruja disse ao me deixar em segurança na casa da águia:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de "pequena".
- Claro que ela é pequena, porque não é crescida - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:
- Pense a respeito.
- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para Águia. Parecia estranho falar agora "indo" e "pequena", depois das conversas com Beija-Flor e Coruja, mas falei assim mesmo para que Águia compreendesse.
Voamos juntos sobre as montanhas, subindo nos ventos das montanhas.
E Águia finalmente disse :
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra "aniversário".
- Claro que é aniversário. - respondi. - Vamos comemorar a hora que Rae começou e antes da qual ela não era. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto.
- Um tempo antes de Rae começar? Não acha que é mais a vida de Rae que começou antes que o tempo existisse?
- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para Gavião. Parecia estranho falar "indo", "pequena" e "aniversário", depois das conversas com Beija-Flor, Coruja e Águia, mas falei assim mesmo para que Gavião compreendesse.
O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e ele finalmente disse:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é "crescendo".
- Claro que ela está crescendo - respondi. - Rae está mais perto de ser adulta, mais longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Gavião pousou finalmente numa praia deserta.
- Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.
E Gavião alçou vôo e foi embora.
Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, Gaivota soubesse que eu estava aprendendo:
- Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que estou com ela?
Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas e pousou suavemente em seu telhado e disse:
- Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira.
E Gaivota se foi.

E agora é chegado o momento de abrir o seu presente. Presentes de lata e vidro amassam e quebram num dia, somem para sempre. Mas eu tenho um presente melhor para você.
É um anel para você usar. Cintila com uma luz especial e não pode ser tirado por ninguém, não pode ser destruído. Somente você, no mundo inteiro, pode ver o anel que lhe dou hoje, como fui o único que pude vê-lo quando era meu.
O anel lhe dá um novo poder. Usando-o, você pode alçar vôo nas asas de todos os pássaros que voam.
Pode ver através dos olhos dourados deles, pode tocar o vento que passa pôr suas penas macias, pode conhecer a alegria de se elevar muito acima do mundo e suas preocupações. Pode permanecer no céu pôr tanto tempo quanto quiser, através da noite, pelo descer do sol; e quando sentir vontade de outra vez descer, suas perguntas terão respostas, suas preocupações terão acabado.
Como tudo o que não pode ser tocado com a mão nem visto com o olho, seu presente se torna mais forte à medida que o usa.
A princípio, pode usá-lo apenas quando está fora de casa, contemplando o pássaro com quem você voa.
Mais tarde, porém, se usá-lo bem, vai funcionar com pássaros que não pode ver, até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens.
E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.
Rae, este é o último dia especial de comemoração a cada ano que estarei com você, tendo aprendido com os nossos amigos, os pássaros.
Não posso ir ao seu encontro porque já estou com você.
Você não é pequena porque já é crescida, brincando entre suas vidas como todos fazemos, pelo prazer de viver.
Você não tem aniversário porque sempre viveu; nunca jamais haverá de morrer. Não é a filha das pessoas a quem chama de mãe e pai, mas a companheira de aventuras delas na jornada maravilhosa para compreender as coisas que são.
Cada presente de um amigo é um desejo de felicidade.
É o caso do anel.
Voe livre e feliz além de aniversários e através do sempre. Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.

Abraços, meus queridos. O aniversário é meu, a felicidade é para todos nós.

sábado, 22 de agosto de 2009

É mágoa.

É mágoa

Já vou dizendo de antemão

Se eu encontrar com você

Tô com três pedras na mão...



Ana Carolina.



Título: Disappointment (desapontamento, mágoa)
Astrologia: Marte em Escorpião
Na Árvore da Vida: Geburah em Briah
Descrição (Thoth Tarot): Os Lótus têm suas pétalas rasgadas pelo vento impetuoso, o mar é árido e estagnado, um mar morto. A água não flui para as taças... Estas taças são organizadas sob a forma de um pentagrama invertido.
Interpretação: "... perturbação, justamente quando o esperado é um momento de tranquilidade... o prazer antecipado é frustrado... O triunfo da matéria sobre o espírito. De LXXVIII: "... a decepção, tristeza e perda naquelas coisas de que se espera o prazer. Tristeza, traição, engano, má vontade, difamação, caridade e bondade mal retribuídas; todos os tipos de ansiedades e problemas a partir de fontes insuspeitas e inesperadas... uma desilusão amorosa, casamento desfeito, indelicadeza de um amigo, perda de amizade".
Segundo a Wikipédia, mágoa “tem origem no latim macula, representa um sentimento de desgosto, pesar, sensação de amargura, tristeza, ressentimento. É um descontentamento que, embora frequentemente brando, pode deixar resquícios que podem durar um bom tempo. Por vezes é possível percebê-lo no semblante, nas palavras e nos gestos de uma pessoa.”


Esta semana me deparei com esse sentimento extremamente desagradável. Decepcionar-se com uma pessoa, coisa, situação ou acontecimento faz parte do arcabouço de experiências que teremos durante toda a nossa vida, bem sei que é verdade; quantas pessoas buscam um conforto, um alento nas cartas, após uma decepção? Contudo, por vezes as razões não bastam para que compreendamos a ação de outrem em detrimento de nossa pessoa. Por vezes, e melhor dizendo, na maioria das vezes, essa situação advém de alguém que muito consideramos.
É nesse ponto que surge a mágoa.
Vejo a mágoa, recorrendo ao dicionário, realmente como mácula. Sujeirinha incômoda que salta aos olhos quando nos deparamos com o vetor desse sentimento. Pior ainda quando somos obrigados a conviver com ele! O Grupo Espírita Renascer propõe três questões para reconhecermos a mágoa:
Faça a si mesmo três perguntas:
a. Você assume que ocorreu afronta em termos muito pessoais?
b. Você culpa o autor da afronta por como você se sente?
c. Você criou ou tem uma história sobre a afronta?

Respondeu sim às três? Reconheça-se magoado - assim como eu me reconheci, a despeito da minha vontade.
Não estou disposto hoje a propor soluções para a mágoa. Ela tem seu próprio tempo de se revelar ridícula. Mas, como sentimento, hoje está fazendo todo o sentido para mim.
Até o próximo post, quando esse sentimento tiver perdido sua pseudoimportância.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Os Cavaleiros Literatos


Olá pessoal. Na Men’s Health desse mês de agosto, encontrei uma matéria muito bacana e não poderia deixar de comentá-la. “Não vai ter para ninguém” foi escrita por Dagomir Marquezi e fala de quatro grandes conquistadores: Don Juan, Romeu Montague (ou Montéquio), Cyrano de Bergerac e Giacomo Casanova. O objetivo da matéria era apresentar a arte de seduzir desses quatro mestres… Como não posso ver quaternidades que já tento relacioná-las com a Cartomancia, dessa vez vi nesses quatro exemplos os quatro Cavaleiros.

O Cavaleiro está presente em três baralhos que conheço: no Petit Lenormand é a carta 01; no Tarot e no Baralho Espanhol, temos quatro – um para cada naipe. A idéia de Cavaleiro nos remete à impetuosidade, à liberdade, à alegria de viver, ao direcionamento, à volatilidade, à jovialidade... características do elemento Fogo. Em alguns baralhos, sua dimensão instável e irrequieta é relacionada ao elemento Ar – mas carecem da reflexão e frieza que a mente possui e representa.
Para os baralhos que possuem Cavaleiros para cada naipe, teríamos:
Don Juan

Cavaleiro de Paus


Don Juan de Marco é um personagem lendário que seduzia sem nenhum pudor suas vitimas, encarando quase que como uma ciência – empírica, evidentemente – a sedução do gênero feminino. Sua história possui diferentes versões, sendo inclusive tema de uma composição de Mozart. Eu inclusive estou lendo um romance baseado no lendário personagem, este escrito na década de ’30, para me ambientar com a complexidade da psique desse homem-mito.
Segundo a lenda, Don Juan, após diversos sucessos amorosos, é arrastado para o Inferno pelo fantasma do pai de uma das moças que outrora desgraçara. Contudo, ao invés de ser ver danado pelas chamas, vejo que tornou-se Cavaleiro delas. Entre as chamas, o Cavaleiro de Paus nos abre a possibilidade de servirmos a nossos próprios desejos. Se isso é adequado ou não, moral ou não, “certo” ou “errado”, cabe à nossa consciência decidir. O importante é perceber que o calor emanado por este personagem não passa incólume, não deixa nada nem ninguém sem a marca de sua passagem. Seu objetivo é sexual, não sentimental – Fogo sobre Fogo sem marcas de Água. Não mede esforços para satisfazer seus desejos, o que satisfaz (ao menos sexualmente) suas parceiras também. Mas nada além disso.

Romeo Montague (Montéquio)

Cavaleiro de Copas

Não há quem diga que este não é o amante por excelência. Romeu & Julieta é, se não o mais sublime, o mais conhecido de todos os textos de William Shakespeare, se não a história de amor mais comentada de todos os tempos. Seu amor é único, intransferível, indissociável do objeto do seu desejo. Como Cavaleiro de Copas, o olhar de Julieta foi um raio de sol que, atravessando o cálice do seu coração, refletiu de maneira prismática todas as formas que o amor pode assumir. Através do amor de uma única mulher, Romeu conheceu o amor de todas as mulheres do mundo.
Respeitando sua atribuição ao Fogo sobre Água, sua morte dá-se por veneno, pois não suporta a idéia de viver sem sua contraparte. Mas torna-se eterno por seu gesto, eterniza a si e ao seu amor. O amor de um Cavaleiro de Copas jamais deveria ser posto em segundo plano, pois ele vive em função deste amor.

Cyrano de Bergerac

Cavaleiro de Espadas




Este Cavaleiro ama em silêncio. Não por timidez, mas por falta de parâmetros que lhe mostrem como agir, como se portar quando as palavras perdem o sentido. Carece da aprovação de sua amada, carece de seu posicionamento – por vezes, até mesmo de sua iniciativa.
O Cyrano a que nos referimos aqui é o personagem da peça de Edmond Rostand, de 1897. Sua coragem, já que é Fogo, é invejável; mas sua aparência física (segundo a descrição, era incrivelmente narigudo) impede que declare seu amor para sua amada Roxanne, pois em seus parâmetros lógicos (posto que também é Ar) não consegue conceber que tal beleza pudesse se apaixonar por ele. Sendo assim, escreve poemas, que cede a Christian, seu amigo, que através de tais poemas a conquista.
Cyrano descobre tarde demais que poderia tê-la conquistado com seus poemas – na hora de sua morte, adormece para o sono eterno no colo de Roxanne, que havia descoberto que os poemas que a embalaram foram de sua autoria.


Giacomo Casanova

Cavaleiro de Ouros

Para este caso, eu realmente tive que refletir se era aplicável o personagem ao Arcano Menor que lhe destinei. Pois, normalmente, o Cavaleiro de Ouros representa um homem simples, quase simplório – o que, definitivamente, não corresponde à refinada figura de Casanova (não tem como eu pensar nesse personagem sem me lembrar da interpretação de Heath Ledger... Um ator que nos deixou saudade, além de grandes interpretações).
Contudo, o naipe de Ouros não representa apenas o prático, o simplório, o rústico; aqui também temos a área das sensações físicas – o prazer de uma boa mesa, uma música agradável, o amor… dentro da dimensão das sensações corporais e das respostas que o corpo oferece a elas.
O fato de ter escrito suas memórias também nos serve de parâmetro para o naipe de Ouros. A sedimentação de um conhecimento acumulado não pelos livros, mas pela experiência sensorial das aventuras que podem ser vividas por um (corajoso) homem.
Em uma consulta, tanto veremos este homem ambíguo como um amante dos prazeres sensoriais, do envolvimento afetivo sem palavras, como a clássica representação do homem que não se apraz com tais envolvimentos, sendo prático e objetivo em suas conquistas.


Outros baralhos

Como já disse anteriormente, não tenho prática com o Baralho Espanhol (ainda :)). Mas é interessante ver que, não possuindo figuras femininas, as figuras masculinas do baralho passam a ser ambíguas – representando muito mais qualidades psicológicas do que atributos físicos. Realmente este baralho precisa ser melhor estudado aqui no Brasil – a COPAG possui uma edição muito legal desse baralho, mas creio que deva ser utilizada para o Truco, não pra divinação. De qualquer forma, manteria a relação entre os personagens e os naipes.
No baralho Petit Lenormand, por sua vez, o Cavaleiro é a carta 01 e tem por correspondente no baralho comum o nove de Copas. Representa notícias, envolvimento, comprometimento, ação, sexualidade. Claro está que por vezes misturamos os conceitos de cavaleiro e cavalheiro, dando uma pincelada de refinamento a este homem. Mas seu movimento não permite que se dê à salamaleques por tempo em demasia; outros lugares há para se conhecer, outras pessoas há que se desvendar.
Os quatro nomes supra relacionados poderiam ser facetas, aspectos da relação entre a carta 01 e os quatro Valetes, que representam homens jovens: sugiro Valete de Copas (24) para Romeu, Valete de Paus (11) para Don Juan, Valete de Espadas (13) para Cyrano e Valete de Ouros (10) para Casanova.

Espero que gostem. Abraços e até o próximo post.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Novo trabalho da Kat Black; The 78 Friends Tarot






Olá pessoal. Navegando pelo cybersea, encontrei o mais novo trabalho da Kat Black (eu já havia escrito a respeito aqui). Nesse trabalho, além do Touchstone Tarot, novo baralho desenvolvido por ela, nos mesmos moldes do Golden Tarot - recortes de pinturas do medievo e do proto-renascimento - temos o 78 Friends Tarot. Nesse espaço, cartomantes do mundo todo podem discutir acerca de leituras feitas para si e para outrem, com o Touchstone, no clássico jogo de três cartas (Passado, Presente e Futuro).


Achei interessantíssimo, já me cadastrei no site - que possui um estilo de site de relacionamentos: podemos fazer e convidar amigos para participar da conversa cartomântica em curso, escolhermos uma imagem nossa para postagens e o que eu achei mais bacana, podemos escolher também uma Significadora (ou Carta Testemunha) para nós. Já escolhi as minhas imagens e já estou postando!

Sugiro aos leitores deste blog que façam o mesmo, é muito bacana. A única dificuldade é trabalhar as leituras em inglês... ^^ Mas é um ótimo desafio para a aprendizagem de línguas!





Abraços a todos e boa leitura!

sábado, 1 de agosto de 2009

O Golden Tarot, de Kat Black - Um outro nível de leitura das cartas


Continuando a importação de textos do meu antigo blog, gostaria de apresentar um Tarot muito bonito, o Golden Tarot, de Kat Black, editado pela U.S. Games Systems. Eu não possuo o baralho, comprei o livreto que o acompanha em um sebo. Esse Tarot foi desenvolvido através de colagens digitais - recortes trabalhados no editor de imagens. Aproveitando, Kat Black é webmaster, escritora e artista.Foram produzidos dois baralhos (links da Taroteca aqui, para a primeira versão, e aqui, para a segunda versão). Recomendo que analisem essas cartas tendo em mente o Rider Waite, pois este foi o primeiro baralho da autora, que ela considera inclusive "fácil de ler". Como ela diz nos agradecimentos, ela fez essa releitura do Rider Waite para ela, e agradece-nos por sentirmos interesse em seu trabalho. Particularmente, achei muito interessante o trabalho dela em relação à soma das cartas no jogo. Além de analisarmos as cartas individualmente num primeiro momento, e em conjunto, num segundo, podemos analisar também as cartas em relação à quantidade de cartas de mesmo número e mesmo naipe, que adicionam ao contexto total toda uma diferença. Esse sitema tem relação com o método desenvolvido por Etteilla e posteriormente por Papus. A quem tem o Tarot Adivinhatório, não será de todo desconhecido esse material, embora eu ache as considerações da Kat Black mais pertinentes e aplicáveis. O post original foi escrito em janeiro de 2007; tive esses dois anos para apurá-lo e ter certeza de que funciona a contento. Acho muito interessante a relação desse material com o Petit Lenormand, vale um teste!!!


Os Naipes


Mais de quatro cartas de Paus indicam possivelmente um novo emprego, trabalho ou negócio, uma nova empreitada, o início de um novo e criativo projeto, ou o início de alguma outra iniciativa na vida.
Mais de quatro cartas de Copas indicam tendência de viver num mundo de idéias, sentimentos e sonhos, indicando poucos fins. Encorajaremos o consulente, nesse caso, a ser prático e estabelecer ordem em sua vida. Num aspecto mais positivo, indica que o consulente é emocionalmente atento, intuitivo e tem um profundo senso de espiritualidade.
Mais de quatro cartas de Espadas podem indicar um mau agouro. Espadas é o naipe da guerra e da luta, e um grande número delas em um único jogo pode indicar que uma disputa ou confronto maior se aproximam ou está sendo tramado.
Mais de quatro Moedas podem indicar que o materialismo é dominante na vida do consulente, embora possivelmente mostre uma pessoa que não está dando o devido valor a seu lado espiritual.


As Cartas


Três Ases indicam dinheiro e sucesso. Quatro Ases indicam que existem forças positivas atuando no momento do consulente e na consulta.
Três Dois indicam a necessidade de revisão, estruturação ou reorganização. Quatro Dois indicam diálogo, discussão ou consulta.
Três Três indicam mentiras e decepção. Quatro Três indicam que uma resolução ocorrerá brevemente, ou que uma decisão é fundamental para o progresso.
Três Quatros indicam trabalho árduo. Quatro Quatros indicam, todavia, repouso e relaxamento. Um tempo para paz, quietude, reflexão e solitude.
Três Cincos indicam disputa, confronto ou discórdia no ar. Quatro Cincos, contudo, indicam regularidade e rotina.
Três Seis indicam ganho material. Quatro Seis indicam prazer.
Três Setes indicam um acordo que será feito em breve, um contrato ou uma aliança formada. Quatro Setes indicam desapontamento pessoal.
Três Oitos indicam atividade e por vezes viagem. Quatro Oitos indicam que importantes novidades chegarão em breve, ou que toda a informação necessária será encontrada rapidamente.
Três Noves indicam que uma importante mensagem chegará brevemente. Quatro Noves indicam que uma importante responsabilidade será colocada sobre os ombros do consulente.
Três Dez indicam comércio, compra, venda… Será interessante num futuro próximo. Quatro Dez indicam preocupação e stress devido a fatores materiais. Uma responsabilidade poderá ser colocada sobre os ombros do consulente – como com quatro Noves – mas desta vez o consulente tem que pesar muito bem os prós e contras antes de aceitar.
Três Valetes indicam a companhia de pessoas jovens. Quatro Valetes indicam idéias novas e frescas, uma mudança de planos e metas.
Três Cavaleiros indicam inesperadas novidades ou a questão terá uma finalização inesperada. Quatro Cavaleiros indicam a necessidade de ação rápida por parte do consulente. Há uma energia de urgência sobre a questão.
Três Rainhas indicam decepção por conta de uma mulher ou por mulheres. Quatro Rainhas indicam um provável debate prolongado.
Três Reis indicam que uma grande honra ou prêmio se aproxima. Quatro Reis indicam encontro com alguém de grande importância ou status.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Carta Diagnóstico ou: Quando não se deve proceder com a consulta



Uma das técnicas que venho desenvolvendo em minha prática na cartomancia, e que tem obtido resultados excelentes não só para mim, como para meus alunos, é a Carta Diagnóstico. Apesar de podermos jogar sem nenhum tipo de "licença" ou ritual, já que o processo interpretativo ocorre de acordo com o cartomante e o seu conforto na situação de leitura, eu, particularmente, "peço licença" para abrir o jogo, e essa licença é dada pela Carta Diagnóstico. Com ela, eu sei se posso abrir o jogo e qual é o principal assunto que será tratado na leitura. É um índice, um sumário, um começo. 
Certa vez, eu resolvi abrir o Thoth Tarot, buscando uma orientação. Respirei fundo como de costume, esvaziei a mente, buscando concentração e centramento, de forma a alcançar a clareza para enxergar a situação sem deixar que as esperanças ou o medo me influenciassem. Afinal, jogar Tarô para você mesmo é a maneira mais simples de aprender e a mais fácil de se enganar.
Chegado o momento do corte, viro o Arcano XII.
Fiquei atônito. Ué, mas eu tinha feito tudo certinho, porque o jogo não abriria?

Muitos jogos pedem uma certa quantidade de cartas ou mesmo um certo embaralhamento para abrir - são os rituais próprios de cada cartomante. Para evitar confusões ou indecisões de minha parte, elegi a escolha da Carta Diagnóstico para entender que forças estão em atuação no momento atual da consulta. Esse é o primeiro embaralhamento do jogo e quem corta é o cartomante - é ele quem mapeará as energias que estão envolvendo o momento do jogo, a si mesmo e ao consulente, percebendo também através dessa carta como proceder em relação ao consulente - que vocabulário utilizar, quais são as áreas da vida do consulente sobre as quais deve se focar mais etc.
É possível usar a técnica com qualquer baralho que se utilize, desde que se reflita sobre o significado de cada carta e se teste a técnica a partir desse primeiro mapeamento. Não é difícil supor quais cartas no Petit Lenormand não abrem jogo, por exemplo. Contudo, com a prática deste método, surgiram questionamentos específicos de cada baralho, por exemplo, no Petit Lenormand: "O jogo abre com as Nuvens? É um jogo de confusões mentais, stress, ou é a voz de Iansã?"
Para mim, não pode haver dubialidade em nenhum momento do jogo, sobretudo em seu começo. Quando saem cartas que podem responder de maneira dúbia - tanto o jogo não deve ser aberto quanto o jogo versará sobre aspectos muito densos/tensos da vida do consulente, tiro mais três cartas: 
Uma para o ambiente, pois o local pode não estar adequado para a consulta, sendo necessário efetuar alguns momentos de harmonização, acendendo incensos, aspergindo água abençoada ou perfume ou acendendo velas; 
Uma para o consulente, para saber se ele está pronto para o jogo ou movido por sentimentos menores, como a curiosidade ou o teste "se o cartomante é bom mesmo"; 
Uma para o consultante (o cartomante), porque nem sempre estamos cem por cento para iniciarmos uma leitura.
No exemplo, o Enforcado diria respeito a coisas que serão vistas de maneira equivocada (Sabendo que o jogo era para mim mesmo, seria difícil ir além das minhas vontades imediatas na leitura). Surpreso, como já disse, não me contentei e arrisquei uma segunda tentativa. 
Saíram: Ás de Espadas. Três de Discos. Cinco de Copas.
O Ás de Espadas para o ambiente mostra clareza na exposição intelectual do jogo, ou seja, as idéias que o permeavam seriam vistas de maneira clara, pois a energia estava fluindo bem no local.
O Três de Discos para o consulente mostra que a preocupação está ligada ao plano material e deve ser informada de maneira prática, direta, sem rodeios.
Entretanto, o Cinco de Copas, a terceira carta, foi que me respondeu por quais motivos eu não deveria abrir o jogo: eu estava muito envolvido emocionalmente com a questão para ter clareza, devido à mágoa envolvida no processo.
Como cliente ok, como cartomante... não.
Perguntei então se era realmente importante abrir o Tarô para essa leitura. Saiu o Oito de Copas. Nesse caso, seria um jogo por uma informação que eu estava careca de saber mas ansioso por confirmar, e que sem sombra de dúvida despertava em mim sentimentos menos nobres. 
Ok, ok. Entendi. Eu jogo depois. Por outros motivos, claro.
Usar a Carta Diagnóstico é muito bacana e muito efetivo, não importa qual cartomancia você utilize. Ela evita leituras anacrônicas, confusas, truncadas, porque impede que o jogo comece se algum dos três fatores estiver destoando: o ambiente, o consulente e o consultante (o cartomante) devem estar em perfeita sintonia para que o jogo flua com tranquilidade, respeito e sobretudo, clareza nas explanações.
Um grande abraço nada truncado e até o próximo post.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Significados do Petit Lenormand / Baralho Cigano.

Olá pessoal. Esse post foi retirado do meu blog antigo, Cartomancia - Por Emmanuel. Como esse post foi feito há alguns anos, eu perdi alguns dos links que me serviram de fonte, eximindo-os deste post, e modifiquei algumas informações que, com o tempo, verifiquei serem anacrônicas. Essa versão portanto é atualizada e ampliada em relação à anterior.
Conforme sabemos, não existe um baralho cigano, mas sim um baralho dito cigano e uma dita forma cigana de jogar (incluo uma aqui, só que com o Tarot). O baralho dito Cigano foi creditado, ainda no século XIX a uma francesa, Marie Anne Adelaide Lenormand, nascida em 27 de maio de 1772 em Alençon, França. Era uma cartomante muito popular e entre seus clientes podemos citar Napoleão, Josephine de Beauharnais, Robespierre, Louis XVIII entre outros. Uma resenha excelente sobre sua vida e seu baralho encontra-se no Clube do Tarô, de autoria de Constantino K. Riemma.
Além de cartomante, Mademoiselle Lenormand era astróloga, quiromante, numeróloga e tinha muitos outros conhecimentos como geomancia, dominomancia, cafeomancia. Ela revolucionou o conhecimento da Cartomancia, na época, utilizando flores, ervas e talismãs junto com seu jogo de cartas, como podemos observar no Grand Jeu de Mlle. Lenormand, de 54 cartas. - as 52 do baralho comum mais duas, representando o homem e a mulher mais importantes para a consulta. Segundo o Alexander, do blog Lenormando, esse baralho bebe diretamente na fonte aberta por Etteilla, a hipótese mais plausível e mais aceita até então pelos que buscam uma origem para essas cartas.
Sendo esse baralho de 54 cartas complexo e de difícil compreensão, Mlle. Lenormand criou uma segunda versão, o Petit Lenormand, de 36 cartas. E é esse último que foi adotado pelos Ciganos. Sabendo que Etteilla trabalhou com o Baralho de Piquet, de 32 cartas, somando mais uma, o consultante, e vendo nos baralhos de Lenormand tal referência, fica atestada sua referência em Etteilla.
Com seu desencarne, em 25 de junho de 1843, muita desta sabedoria desapareceu com ela. incluindo suas fontes e métodos que utilizou para desenvolver o seu próprio Somente cinqüenta anos depois, alguns manuscritos de Lenormand foram recuperados e mais tarde divulgados - ou melhor dizendo, relidos.
Nesse vídeo temos algumas atribuições às cartas Lenormand, em inglês, que correspondem ao livretinho que acompanha qualquer desses baralhos mais simples, aqui no Brasil. Esses significados, muitas vezes estão impressos nos baralhos; são oriundos de pequenos poemas que são vistos, por exemplo nas Cartas Mundi - por exemplo, na carta 24 (thanks, Alex, por essa informação). Os poemas, é importante dizer, diferem de edição para edição do baralho.
Todavia, sendo nômades e de natureza mágica, os Ciganos se apropriaram do oráculo e dele usufruiram, assim como da Quiromancia e do Tarot, desempenhando, muito bem devo dizer, tais mancias. Por isso, podemos dizer também que o fato desse oráculo não ter sido perdido foi devido ao esforço desse povo mágico e sofrido para sobreviver, tendo nas mancias um meio de troca que lhes permitia conseguir algum dinheiro.
Minha experiência particular com esse baralho me permite dizer que embora simples, de forma alguma esse oráculo é superficial. Ao contrário, suas respostas são diretas e francas, como as de um bom amigo. Mais que isso: com a devida compreensão, estudo e - claro - com o auxílio de egrégoras podemos ver além da compreensão literal das lâminas.
É importante, porém, frisarmos que esse baralho sofreu modificações com o tempo, desde sua utilização na França até sua chegada no Brasil. Devemos, inclusive, a Katja Bastos e César Bastos, com sua edição do Tarot Cigano, algumas da interpretações que perpetraram no nosso imaginário e nas publicações seguintes à essa publicação, que acresceram a esse baralho um quê de Brasil, aproximando-o de nossa realidade, mas afastando-se da tradição - vale a pena comparar a edição, de 1993, dos referidos autores, com as edições posteriores de diversas editoras, sobretudo no que concerne à atribuição de determinados Orixás à certas cartas.
A melhor edição deste baralho que encontrei, aida que com imagens simples, foi o Baralho de Ver a Sorte, Série Pingüim, da COPAG. Contudo, essa edição está esgotada e, pelo que percebi quando entrei em contato com a empresa, não há interesse em reeditá-lo. Uma pena, pois além de bonito, o baralho possui a durabilidade das cartas COPAG, garantindo uma vida útil bem bacana e possuindo um deslize entre as mãos muito bom; seu tamanho também facilita a manipulação. Minha versão favorita desse baralho, sem dúvida.

Mas voltando...
Mesmo sem uma história coesa, devidamente organizada, estamos diante de um oráculo fascinante, sem dúvida.
Segue minha interpretação das lâminas. Creio que, obviamente, não é a melhor, dado ser baseada em palavras-chave, mas foi a que abriu as portas do oráculo para mim. Baseado na apostila Tarô Cigano: Breves considerações... de Silvia Theberge. Como esse post foi retirado de um blog anterior, resolvi ampliá-lo, baseado em meus estudos da cartomancia.

01 - O Cavaleiro - 09 de Copas
Concretização, sexualidade, velocidade (acelera o tempo da previsão). Carta sob influência de Exu.
02 - O Trevo ou os Obstáculos - 06 de Ouros
Dificuldades momentâneas, atrasos. Se bem que já ouvi falar que significa sorte passageira. - para aqueles que seguem a tradição francesa, inclusive esse significado está no vídeo que postei. Mas não funcionou para mim com esse significado não.
03 - O Mar ou o Navio - 10 de Espadas
Viagem, saúde (alguns cartomantes vêem saúde na carta 05), mudança inexorável. Indica velocidade também, mas ao invés de ser uma aceleração, como o Cavaleiro, está mais próximo do sentido de "tempo certo". Carta sob influência de Yemanjá.
04 - O Equilíbrio ou a Casa - Rei de Copas
A casa, a família, o lar, em alguns casos o corpo físico. Indica homem gentil, psicólogo (se junto a 20) ou médico (junto a 30)
05 - As Árvores - 07 de Copas
Comunicação, troca, compartilhar, prosperidade. Alguns cartomantes vêem nessa carta questões de saúde. Carta sob influência de Oxóssi e dos Caboclos.
06 - As Nuvens - Rei de Paus
Confusões, instabilidade, stress, brigas. Carta sob influência de Iansã.
07 - A Serpente do Arco Íris - Rainha de Paus
Fofoca, intriga, inimizade próxima, traição, esperteza. Representa geralmente a(o) amante. Carta sob influência de Oxumaré.
08 - O Caixão ou a Vela ou a Caveira - 09 de Ouros
Morte, perda, prejuízo. Atrasos. Pode representar também uma vida passada. essa carta também representa os espíritos que ainda não conseguiram Luz para recuperar a consciência (Eguns).
09 - A Chuva ou o Ramalhete - Rainha de Espadas
Sabedoria, felicidade, sonhos realizados, lentidão (torna lenta a realização da previsão). Representa pessoas mais velhas, geralmente a avó. Carta regida por Nanã Buruquê.
10 - A Foice - Valete de Ouros
Transformações, cortes. Carta sob influência de Obaluaiê.
11 - O Chicote - Valete de Paus
Magia, poder, força de vontade. Competição. Ambição.
12 - Os Pássaros - 07 de Ouros
Alegrias, affairs, "namoricos", pequenas coisas que muito significam. Emoções leves. Neutraliza a influência da carta 07.
13 - A Criança - Valete de Espadas
Pureza, inocência, imaturidade, os filhos, o jovem mais importante da vida do consulente - os demais serão representados pelos outros três valetes (10, 11, 24). Influência dos Erês.
14 - A Raposa - 09 de Paus
Armadilhas, covardias, problemas inesperados, contudo, relaciona-se com situações, não necessariamente com pessoas - uma situação tensa, não necessariamente causada de maneira intencional por uma pessoa.
15 - O Urso - 10 de Paus
Amizades falsas, o "amigo urso", influências negativas de outros planos ("encostos"). Aqui temos a intenção de alguém em prejudicar ou oprimir o consulente.
16 - A Estrela - 06 de Copas
Sorte, karma - no sentido de sorte ou destino - , confiança, alegria, felicidade. Recompensa.
17 - A Cegonha - Rainha de Copas
Novidades, gravidez, mulher amiga, confidente, auxiliar.
18 - O Cão - 10 de Copas
Amigo fiel, Anjo da Guarda, neutraliza 15.
19 - A Torre - 06 de Espadas
Isolamento, espiritualidade, "ver de cima". Solidão ou solitude - depende da postura do consulente.
20 - O Jardim ou as Ervas - 08 de Espadas
Cura, medicina (pode indicar intervenção médica ou cirúrgica), coisas/situações a caminho devido ao esforço e postura do consulente. Resultados. Influência de Ossain.
21 - A Montanha - 08 de Paus
Justiça, o Poder Maior, Direito. Carta kármica: o que você merece lhe será dado, independentemente do que você acha que merece. Influência de Xangô. Essa carta também é interpretada como dificuldades e obstáculos que se mostram intransponíveis, ou que necessitam de um grande esforço para serem transpostos.
22 - Os Caminhos - Rainha de Ouros
Possibilidades, caminhos a serem trilhados ou desvios dos problemas. Carta sob influência de Ogum.
23 - O(s) Rato(s) - 07 de Paus
Desgastes, pequenos roubos, obssessão espiritual. Atente para essa carta pois ela pode indicar tanto indolência quanto depressão - o que pode ser exatamente a raiz do problema do consulente.
24 - O Coração - Valete de Copas
Todos os sentimentos são representados por essa carta, desde os mais puros aos mais sombrios, de acordo com as cartas que a acompanham. De qualquer forma, sempre representa emoções intensas. Emoções suaves são em 12.
25 - O Anel ou as Alianças - Ás de Paus
Alianças, sociedades, casamento. A natureza dessas alianças é dada pelas cartas que lhe cercam.
26 - O Livro - 10 de Ouros
Trabalho, estudo, negócios. Materialismo. Mistério, segredo.
27 - A Carta - 07 de Espadas
Convites, cartas, recados, sonhos, avisos. Atente para as cartas ao redor de 27; elas indicam os primeiros passos que o consulente pode dar em direção à solução do que o motivou a se consultar.
28 - O Homem - Ás de Copas
A figura masculina mais importante da vida da consulente, o próprio consulente. As demais figuras masculinas estarão representadas nos Reis (06, 04, 30, 34)
29 - A Mulher - Ás de Espadas
A figura feminina mais importante da vida do consulente, a própria consulente. Representa a energia Cigana do baralho. As demais mulheres estarão representadas pelas Rainhas (07, 09, 17, 22)
30 - Os Lírios ou os Rios - Rei de Espadas
Paz, tranquilidade, ser guiado ao caminho certo e desviado dos obstáculos suavemente. Recebe influência de Oxum. Pode indicar um homem da lei, militar, médico (junto com 04) ou advogado (junto com 21)
31 - O Sol - Ás de Ouros
Iluminação, cura, purificação, sabedoria, sucesso, prosperidade. Recebe influência de Oxalá: Oxalufan, se rodeado de cartas Yin, Oxanguian, se rodeado de cartas Yang.
32 - A Lua
Honrarias, merecimentos, intuição, inimigos ocultos, segredos e mistérios, mediunidade ou herança (material ou espiritual - atente-se para o derredor dessa carta).
33 - A Chave - 08 de Ouros
Soluções para os problemas apresentados. Fechamento ou abertura de alguma questão.
34 - Os Peixes - Rei de Ouros
Matéria, dinheiro, riqueza. Carta neutra; são as cartas que a ladeiam que lhe dão o devido significado. Pode representar o chefe ou superior imediato. O provedor de recursos.
35 - A Âncora
Fé, firmeza, resoluções, segurança. Indica muito mais uma postura do consulente do que uma situação externa.
36 - A Cruz - 06 de Paus
Vitória. Finalização proveitosa. Influência dos Pretos-Velhos.

Como efetuo o jogo

Abro o jogo com uma oração pessoal, pedindo que a Visão se abra para que eu diga apenas a Verdade que o consulente precisa ouvir, mesmo que ele tenha vindo buscar outra;em seguida, corto e retiro uma carta para saber se posso abrir o jogo e quais energias influenciarão a consulta, assim como quais são as áreas da vida do consulente que serão mais focadas. Em seguida, disponho as cartas pelo sistema da Mesa Real (vide post abaixo), que se utiliza de todas as 36 cartas. Após a leitura, caso o consulente ainda tenha dúvidas, respondo cada uma de suas perguntas com cinco cartas e, após sanar suas dúvidas, retiro uma mensagem final contatando a energia cigana.
Encerro com uma oração pessoal, dizendo "fecho este jogo mas não fecho seus caminhos. que você possa caminhar sempre para a Luz, e eu possa ver cada vez mais e melhor, para o bem de todos os envolvidos."

Até o próximo post.

Considerações sobre a Mesa Real


É difícil precisar o que é a Mesa Real. Encontram-se pelo Brasil e pelo mundo diversos métodos diferentes com esse nome, seja com o Petit Lenormand, seja com jogos de outros baralhos - como o Kipper, por exemplo. Entretanto, quando você, leitor, encontrar essa nomenclatura no blog, estou me referindo a essa forma de praticar o método, que uso há quase quinze anos - o tempo passa...
Inclusive, é esse jogo que você encontra atualmente no Baralho Para Ver a Sorte, publicado pela Copag, e que está no meu livro Conversas Cartomânticas: da escolha do baralho ao encerramento da consulta, e que analisamos pormenorizadamente na prática, no Módulo II do curso de Petit Lenormand (novas turmas em breve).
Ao invés da estrutura 4x8+4, utilizo uma sequência de 9 colunas de 4 cartas, 4 filas de 9 cartas, conforme segue:

[01][08][09][16][17][24][25][32][33]
[02][07][10][15][18][23][26][31][34]
[03][06][11][14][19][22][27][30][35]
[04][05][12][13][20][21][28][29][36]

Ou seja, após embaralhar as cartas, disponho em zigue-zague na vertical. Leio as cartas duas a duas, sendo da esquerda para direita nas fileiras de cima e da direita para a esquerda nas fileiras de baixo, assim:

[01][02][03][04][05][06][07][08][09]
[10][11][12][13][14][15][16][17][18]
[18][17][16][15][14][13][12][11][10]
[09][08][07][06][05][04][03][02][01]

A posição da Carta Testemunha é fundamental para a análise do jogo. É a partir da posição do consulente, se homem, representado pela carta 28, se mulher, pela 29, que se inferem todas as questões do jogo. Confira aqui uma entrevista que concedi ao canal Sorte Lenormand sobre o assunto.
É importante perceber onde está a consciência do problema do consulente, a partir de sua significadora - a carta [28] para o homem e a [29] para a mulher, pois É possível que o consulente esteja se atentando mais a coisas que passaram (à esquerda de sua carta), ou a coisas que poderiam acontecer (as cartas à direita de sua Testemunha) mais do que realmente é importante atentar-se no AGORA (o que rodeia sua carta, em especial).
Há cartomantes que atribuem valores às cartas, como no Tabuleiro, feito com o Tarô. Nesse caso, à Casa 1 corresponde a carta do Cavaleiro e essa casa falará das notícias, da velocidade, daquilo que vem de forma oral, da sexualidade e libido. Ou seja, ao abrir uma casa, é o significado da casa que limita o significado da carta. Particularmente, eu prefiro ler os pares. É mais dinâmico e mais coeso, pelo tempo que venho praticando. Papus tem uma proposição parecida, para uma leitura de 36 cartas, que poderia ser utilizada - entretanto, apesar de sinalizar a possibilidade, nunca a testei.

Para saber mais:

Módulo II do curso de Petit Lenormand - com Emanuel J Santos

Sobre a Mesa Real de 4x8+4: 
Karla Souza possui um curso específico de Mesa Real.
volume III do Diário Lenormand, escrito e desenvolvido por ela, lida aprofundadamente sobre o tema.

Sobre as propostas de Papus (um estudo que eu ainda não fiz):

Até o próximo post.


sábado, 18 de julho de 2009

A figura do ilustrador no processo de criação de um baralho



Olá pessoal. Hoje, gostaria de compartilhar com vocês alguns questionamentos e considerações a respeito da feitura de um baralho. Antes de qualquer outra coisa, em minha concepção pessoal, vejo o baralho como uma obra de arte; dessa forma, para que ele exista primeiro tem que haver uma intencionalidade – para que ele alcance o status de obra de arte – e uma finalidade – para que ele atenda às expectativas concernentes à sua funcionalidade, que geram como produto final uma identidade - uma resposta aos questionamentos da época ou do indivíduo que as propõe.
Partindo desse princípio, é muito importante não só sabermos os nomes dos magos responsáveis por determinadas edições de baralhos, como também algo sobre os ilustradores que traduziram a experiência do encomendante em imagens acessíveis ao público. Nem sempre tais ilustradores tinham a vivência da cartomancia, mas certamente sua visão de mundo como artista também ficou impressa nas cartas, talvez mais até que o conhecimento de quem encomendou.
Essa experiência ficou clara para mim recentemente, pois fui convidado por um amigo para ilustrar um livro infantil que ele estava produzindo. Embora ele tenha sido extremamente detalhista em suas considerações acerca do que deveria ser ilustrado, quais cenas eram mais importantes e de que maneira as queria, ao me preparar para produzir o material fui tomado por outras ideias, outras possibilidades, até mesmo pela perspectiva de usar outros materiais – inicialmente queria trabalhar com aquarela, mas com o decorrer do trabalho utilizei muito mais lápis de cor e nanquim. Ainda que pareça desconexa, essa história me levou ao insight dessa postagem. Ainda que ele tenha sido claro no que queria, foi minha técnica, minha experiência, meu traço e meu gosto pessoal (e os meus limites, também) que deram forma aos pensamentos do meu amigo sobre o seu texto.
Certamente não sou um caso isolado. Nesses anos, tenho me encontrado com alguns ilustradores e produtores de baralhos, e a experiência tem sido bem rica. Vejamos alguns baralhos e a história de seus ilustradores.
A Ordem da Aurora Dourada (Golden Dawn) incentivava seus membros a produzirem seus próprios Tarôs. Segundo Giordano Berti, 
a Ordem Hermética da Golden Dawn (A Aurora Dourada) colocou à disposição de seus adeptos o famoso Liber T, atribuído a 'H.R.U., o grande anjo encarregado da Operação do Saber Secreto'. Na realidade, esse manuscrito contendo as atribuições do Tarô foi redigido por Samuel Liddell Mathers, que tinha sido, em 1888, um dos fundadores da confraria. Existiu também um jogo da Ordem, do qual restou muito pouco hoje. Mas houve certamente outros diversos Tarôs da Golden Dawn, pois os Adeptos eram convidados a desenhar eles mesmos seus jogos, baseando-se mais claramente nas descrições contidas no Liber T do que no modelo oficial da Ordem Hermética. 
Os baralhos mais famosos dessa leva, Rider-Waite (Smith) e Thoth (Crowley-Harris), entretanto, não foram produzidos pelos magos que os idealizaram, A. E. Waite e A. Crowley, respectivamente, mas por Pamela Smith e Frieda Harris, duas ilustradoras e artistas plásticas.

A Temperança
Waite, Wang, Crowley, Berti
Clique para ampliar

É possível perceber que os baralhos acima possuem a mesma referência, embora proponham aspectos distintos em sua arte. Os baralhos da dupla Waite-Smith e de Crowley-Harris (também chamados de A Bela e a Fera - The Beauty and the Beast) são claramente inspirados no(s) Tarot(s) da Golden Dawn. 
Pamela Colman Smith (1878-1951), a artista responsável pelo Rider Waite, possuía formação esotérica, de forma que Arthur Edward Waite (1857-1942) pode orientá-la de maneira mais efetiva. O baralho possui um ar entre o medievalesco e o romântico. Surpreende o fato da artista não ter utilizado nem hachuras nem sombreados nas lâminas, mas é algo perceptível em outras obras suas - algo como a aplicação do seu estilo ao baralho.
Já Frieda Harris (1877-1962) produziu o baralho em função de sua própria técnica - diz-se que Crowley esperava uma arte mais medieval. Harris não possuía conhecimentos prévios de magia -  foi orientada por Crowley em toda a produção, chegando a refazer uma carta até oito vezes. Consta que ela experienciava as características da cartaem que estava trabalhando. Infelizmente, tanto em relação ao Rider quanto ao Thoth, falta documentação que nos permita conferir como foi o processo real de produção. 
Em relação à iconografia, vale a pena conferir sobretudo a relação entre os Arcanos Maiores de Waite e o Tarot da Golden Dawn editado por Robert Wang, assim como os Arcanos Menores deste mesmo baralho relacionados com os de Crowley.
Um caso mais recente. Tricia Newell, ilustradora do Tarot Mitológico (atualmente editado no Brasil pela Editora Madras, depois de ter sido pela Editora Arx e antes pela Editora Pensamento), foi orientada, certamente, por Juliet Sharman-Burke e Liz Greene na produção das cartas. Entretanto se observarmos o baralho Sharman-Caselli, e o Novo Tarô Mitológico, ambos ilustrados por Giovanni Caselli, percebemos claramente que o tema é o mesmo, mas a técnica se sobressai. Sugiro a observação especificamente da Imperatriz, onde fica mais gritante essa constatação.
Atualmente, é possível acompanhar artistas que desenvolvem seus baralhos em tempo real. É o caso de Ciro Marchetti, Stephanie Pui-Mun Law, Lisa Hunt, Robert Place, entre outros. Vale muito a pena uma pesquisa no Facebook.
Portanto, no estudo de um determinado baralho, não basta ter conhecimentos somente sobre quem o encomendou – pois essa parte é apenas conceitual. A produção, o fazer em si, parte de um artista que, ainda que bem orientado e vise atender unicamente às expectativas de seu encomendante, imprime de maneira indelével sua marca sobre as cartas, produzindo uma identidade para além da primeira intenção.

Deseja algum dos baralhos presentes nessa postagem? Coelestium.

Abraços a todos, até a próxima postagem.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Um ponto de partida para um novo ritmo...



Olá pessoal. Depois de muito tempo, voltei a escrever, em 2009, alguma coisa sobre Cartomancia. Veja só: estamos em 2016 e esse blog permanece sendo referência no assunto. Sim, essa é minha vida; e é muito difícil escrever sobre aquilo que faz parte de nós. Inicialmente, esse blog tinha como intenção lidar com três cartomancias específicas: o Tarô, o Petit Lenormand e as Cartas Comuns de jogar. Com o tempo e com os feedbacks que obtive, acabei mudando a perspectiva do blog, ampliando a leitura para todos os oráculos com cartas. E está sendo MUITO divertido viver essa experiência - são sete anos já - caminhando para oito - desde a construção desse espaço. A proposta inicial era crescer junto, e ela se manteve!
Eu lido com cartomancia há aproximadamente vinte anos. Fui iniciado nessa arte por minha avó, que conhecia bem o baralho comum. Entre um jogo e outro de buraco – sua grande paixão – ela foi me ensinando os primeiros passos nesse caminho, que hoje chamo de meu. Em seguida, iniciei os estudos do Tarot, de forma autodidata, com as 78 lâminas de um Jean Payen, e em 2002 fiz um curso de Baralho Cigano, seguindo com os estudos por conta própria. Continuei escrevendo esse blog... E, em 2012 ele virou livro (brevemente,teremos uma versão revisada - já são quatro anos desde o seu lançamento, que comemorou quatro anos de blog!) Mais à frente, já com o blog em andamento, iniciei os estudos do Sibilla Della Zingara, que gerou um livro também. Por fim, eu acabei escrevendo um livro sobre Cartomancia Francesa.  E tem um livro de Petit Lenormand em andamento para sair em breve.
Acho que ser cartomante é como andar de bicicleta. Muitas pessoas falam em Dom, mas acredito que o Dom em si é o Dom da profecia – um Dom que se manifesta independentemente do método utilizado para desenvolvê-lo. A Cartomancia, como disse, é como andar de bicicleta: qualquer um pode aprender, e é o gosto, o interesse, a paixão e o instinto que dirão quem será ciclista/cartomante e quem se contentará em andar de bicicleta apenas/conhecer o baralho.
Eu, acho que deu para perceber, decidi ser ciclista...
Bem, já dei o ponto de partida de um novo momento, mas falemos de ritmo agora. Segundo a Wikipedia, ritmo “vem do grego Rhytmos e designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado. O ritmo está inserido em tudo na nossa vida.” E, dentro de nossa prática psíquica, ritmo é fundamental.
De nada adianta um estudo exaustivo das lâminas, uma vivência exagerada do assunto, aberturas intermináveis para desenvolver determinado ponto ... Se o ritmo não estiver presente. Ritmo é que determina a constância de nossa prática, que garante a sedimentação dos conceitos que, respeitando a velocidade do mundo que vivemos, se multiplicam ao infinito e se despejam aos borbotões quando acessamos o Google. Isso seria impensável para cartomantes de 20, 30 anos atrás, que tinham que se valer unicamente da vivência e dos livros.
Acontece que, como já sabemos, o processo referente ao aprendizado da Ars Magica não segue esse ritmo absurdamente rápido de uma pesquisa de Internet. Não basta baixarmos duzentos textos acerca da prática, sem efetuarmos, de maneira correta, a mesma. Ou melhor: de nada adianta baixar se não lermos os textos. Assim como não se aprende a andar de bicicleta apenas vendo vídeos de ciclistas.
Bem, mas eu falei de ritmo por uma outra coisa. Não basta iniciar coisas, é preciso mantê-las, cuidar para que se desenvolvam, pois a semente cai na terra e se desenvolve, se o jardineiro, além de paciente, for cuidadoso com seu intento de vê-la florescer.
Pretendo continuar sendo cuidadoso com esse blog. Dependo, claro, do diálogo com vocês, leitores – foi um de meus amigos que me motivou a voltar, e serão vocês que manterão esse blog ativo, dialogando com os textos que aqui virem.
Obrigado a todos, e até o próximo post.