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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Cartomancia: Previsões para a vida material


Olá pessoal. Esse fim de semana foi singular e divisor de águas - quase uma iniciação, se não tiver, efetivamente, sido. O evento Cartomancia - Previsões para a vida material foi, para mim, muito mais que um encontro de experts em Cartomancia do Brasil e do mundo. Foi meu encontro com um ícone da Cartomancia mundial, que eu sigo desde 2003 - Robert M Place.



Em 2003, um baralho figurava na livraria da cidade e me chamava a atenção: era o Tarô dos Santos, um box incluindo baralho e livro. Eu não fazia ideia de quem era o autor, mas me corroía a ideia de descobrir qual teria sido a escolha para o Arcano XV. 
Mal sabia eu que esse livro mudaria totalmente minha forma de ver as cartas, assim como nortearia meus estudos dali por diante. 



Robert Place já esteve conosco aqui no Conversas Cartomânticas algumas vezes. Citado no artigo Análise da posição das cartas em um jogo, no qual eu resumo a metodologia da leitura de três cartas conforme ele propõe; Na abertura do Ano VI do Conversas Cartomânticas, com um artigo sobre Os Enamorados; e na Blogagem Coletiva sobre Petit Lenormand, com a carta 18, o Cão
Mantemos razoável correspondência (dificultada por eu não ser bom o suficiente em inglês, mas eu me esforço) e, quando eu soube que ele viria ao Brasil, nada mais me importava o bastante: eu conheceria uma das maiores referências para o meu trabalho e jornada.
Tudo, absolutamente tudo, valeria a pena para isso.



Foram meses construindo uma palestra, apresentada conjuntamente com Patrícia Farias, sobre a prosperidade e o Petit Lenormand. Entender não só a parte oferecida no livreto, como também o papel do cartomante, do consulente e do ambiente no momentum da consulta. Meses ansioso pela perspectiva de encontrar Robert M Place. Meses focado nessa perspectiva. 



E, finalmente, o encontro ocorreu. Eu não sabia o que dizer.
Então eu sorri. E ele sorriu de volta.

Sorrisos. Resolvendo problemas linguísticos desde a Criação.



A palestra da sexta feira foi espetacular. História e simbolismo do Tarô. E a frase mais poderosa que já ouvi a respeito, que coloca o Tarô e todo o conhecimento criado ao redor dele no devido lugar (cito de memória):


O Tarô não foi feito por Magos, ocultistas ou estudiosos.
O Tarô foi feito por artistas. 

Melhor, impossível. É possível contextualizar o Tarô com as mais diversas crenças e existem bruxos consideráveis que utilizam as cartas como foco de rituais. Mas o Tarô, o maço de cartas que recebe esse nome, ganhou tal utilização a posteriori. O Tarô é uma obra de arte. Todas as releituras esotéricas e poéticas são supérfluas quando se busca uma origem essencial. Legitimações, por vezes, démodé. 
O Tarô foi feito por artistas.



A masterclass foi ainda mais surpreendente. Composta por uma parte teórica - a construção do Alchemical Tarot - e outra prática - a leitura por três cartas - tive a honra de receber uma leitura do artista, do seu jogo dos relacionamentos.



Num primeiro momento, jogamos uns para os outros sob supervisão de Robert M Place. Era impressionante a capacidade de síntese que ele possuía diante dos meandros por vezes enevoados da interface em três cartas 



Quando partimos para o Jogo dos Relacionamentos e havia a necessidade de um voluntário, não esperei que ele terminasse a frase. Este era um clímax que ninguém tiraria de mim, mesmo se tentasse. 
Gentilmente, Place dissecou um aspecto da minha vida que, pelo acuro e assertividade, me deixou completamente boquiaberto. E, com o bom humor que lhe é peculiar, me disse "mas... não é óbvio? Está na imagem."



Não tirei fotos. Não fui preparado para isso. Entretanto, meu caderno está repleto de anotações e conexões com outras disciplinas. Essa foto acima, entretanto, mostra o espírito do evento: aquecendo uns aos outros. Trocando informações e usufruindo da oportunidade de estarmos na presença de alguém que, de fato, sabe. 



Agradecimentos especiais aos organizadores do evento, e também à Jamile e ao Acuio, que foram surpresas extremamente agradáveis (não basta serem queridos na internet, ao vivo são muito mais!)


Agradeço também a todos aqueles que adquiriram o livro Sibilla Della Zingara e também o Baralho Cigano: As Cartas de Lenormand. Agradeço a todos aqueles com quem pude conversar, e a todos aqueles para quem joguei e que também jogaram para mim. 
Encontrar-nos-emos em outros eventos!

Abraços a todos.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Cartomancia: entendendo a prosperidade no Petit Lenormand


Olá pessoal. Dia 11 de junho estaremos juntos em mais um Cartomancia. Depois de trabalharmos as questões referentes ao amor e relacionamentos, desenvolveremos, esse ano, as questões relativas à prosperidade e finanças. 
Depois do amor, as questões financeiras são a preocupação mais premente dos consulentes. Não poderia ser diferente: estão ligadas, diretamente, à noção de segurança pessoal. Nosso objetivo, como praticantes, é oferecer aos consulentes as melhores estratégias para que eles encontrem seus caminhos.
Uma das principais diferenças entre questões amorosas e questões relativas à prosperidade e às finanças é que, enquanto as primeiras dependem do outro, as demais dependem unica e exclusivamente do consulente. Podem estar ligadas ao outro, seja esse chefe, patrão, empresa, sócio; mas não dizem respeito a eles.
Na busca pela prosperidade, estamos sozinhos, e é essencial ter esse fato em mente. Esse é um dos pontos em que as escolhas pessoais são mais importantes que as questões de grupo e as ligações com os outros. 
Nesse sentido, é importante que, ao formularmos perguntas relativas a esses temas, busquemos trazer o sentido e a resposta para a realidade do consulente, de forma a esse ser protagonista da história. 
Traga o consulente para o centro da leitura. Ainda que ele aponte fatores externos e terceiros como fundamentais, não perca o foco do consulente como indivíduo. Isso fará toda a diferença no aconselhamento e trará mais segurança na interpretação.
Você é o consulente? Coloque-se na posição central. Verifique suas possibilidades, a temporalidade e as atitudes possíveis no contexto. 
O restante virá por ornamento. 


Quer mais dicas a respeito da leitura, interpretação e aproveitamento de uma consulta voltada para a prosperidade? Encontre-se comigo e com Patrícia Farias dia 11 de junho, às 14h, para um batepapo sobre como encontrar e se encontrar com a prosperidade no Petit Lenormand - esse que é meu querido, meu companheiro de jornada desde 2002. 
Até lá!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Novidades no Lenormand no Brasil.

Olá pessoal. Eu fico muito feliz quando vejo iniciativas de sucesso ligadas ao Lenormand no Brasil. É uma área em expansão, com questionamentos antigos encontrando novas respostas e com possibilidades novas arejando o cenário da tradição. Hoje, em especial, gostaria de falar sobre três iniciativas inspiradoras, que por sua qualidade e pela proposta me levam a crer que ainda temos muito a fazer, pelo muito que tais pessoas fazem.
Juntos somos mais fortes e o reconhecimento desses trabalhos são passos importantes tanto como incentivo para que os proponentes continuem seu excelente trabalho, como referenciem novos trabalhos, diálogos e entendimentos com os demais. 

KARLA SOUZA E A TRILOGIA "DIÁRIO LENORMAND"


Na verdade, ainda é cedo para dizer que é uma trilogia - eu mesmo espero mais livros da Karla! Professora reconhecida no meio virtual, Karla Souza divulga o método da distância e tem maestria no assunto. Karla é autora do Esmeralda Lenormand, um dos maiores sucessos em andamento no Brasil: um baralho calcado no tradicional, mas com um design audacioso e rico em simbolismo, sendo atraente não só para quem está escolhendo seu primeiro baralho, como para quem já tem sua coleção. E suas criações não param!
Seus livros são lúdicos, divertidos, graciosos como só uma expert no design seria capaz de fazer, não pecando em nada no conteúdo. 
No primeiro livro, Karla trabalha com os pares e trios de cartas - como associar as cartas para leitura, não só adivinhatória como reflexiva. A ideia é o exercício diário, o entendimento no cotidiano do uso das cartas, suas atribuições e suas perspectivas.
No segundo livro a interface se complexifica até a leitura dos blocos de nove cartas. Existem cartomantes que, inclusive, desenvolvem trabalhos efetivos apenas com o bloco de nove cartas; entretanto, a proposta aqui é justamente o preparo necessário para a leitura da Mesa Real no livro III.
O terceiro livro lida com a Mesa Real 4x8+4 - o método que normalmente é encontrado nos livretinhos que acompanham baralhos, mas que nem de longe chegam ao grau de acuro e competência com o qual a Karla aborda o tema. Nós trabalhamos mesas diferentes - eu utilizo a 9x4 - mas o diálogo entre os conteúdos é evidente. Na verdade, eu e a Karla nos divertimos muito em nossas trocas de conteúdo!
Além do livro, o kit acompanha um tabuleiro de treino para auxiliar no processo de aprendizagem. Notadamente com o mesmo bom gosto das edições I e II.
Para adquirir, entre em contato com a autora no site Sensoriall. Para seguir seu blog, clique nesse link.

A literatura sobre Petit Lenormand está se expandindo. É muito bacana ver os estudos de caso pessoais tornarem-se fontes de consulta, de respaldo e de questionamento entre as diferentes práticas defendidas e vividas pelos cartomantes brasileiros. E mais bacana ainda é ver uma referência como a Karla tornando acessível seu conteúdo dessa forma. 
Estamos crescendo. 

ALEXSANDER LEPLETIER E O CANAL LENORMANDO



Alexsander é um dos mais renomados cartomantes do Brasil. Desenvolve seu trabalho com Lenormand há anos, aprofundando-se nos sentidos, meios e caminhos que o simbolismo individual das cartas permite correlacionar não só com o cotidiano, mas com as demais cartas, gerando um caldeirão rico de referências que passam desde a tradição até o que há de mais vanguardista nas artes. Bater um papo com o Alex é garantia de referenciações e um circo de pulgas atrás da orelha - é impossível conversar sobre Lenormand com ele e não ficar pensando por horas sobre o que ele diz. 
Estivemos recentemente juntos no Encontro da Nova Consciência, em Campina Grande, no qual, junto com Giancarlo Kind Schmid, Tânia Durão e Frank Menezes, conversamos sobre as cartas e os relacionamentos. Estaremos novamente juntos em junho, no evento Cartas Ciganas. E seguimos conversando sobre o tema que amamos.
Siga o canal nesse link.

Os vídeos são um caminho para quem se sente mais à vontade falando que escrevendo. É possível falar sobre a carta do dia, sobre aspectos interpretativos das cartas, dialogar de forma mais dinâmica com os seguidores. Temos uma série de trabalhos nesse sentido, vale a pena dar uma pesquisada. Particularmente, o canal do Alexsander é uma interface que já vem com todo o conteúdo que ele partilha há anos em seus cursos. Recomendo.

TÂNIA DURÃO E O ENCONTRO SOBRE AS CARTAS CIGANAS


Já em sua quinta edição, o evento reúne grandes nomes da cartomancia brasileira do Brasil e do exterior. Eu tenho a honra de participar desde a segunda edição, e aprendo muito com todos assim como ofereço o que sei. É notável no evento o clima de companheirismo, partilha, envolvimento e seriedade.


Tânia Durão é terapeuta e cartomante, autora dos livros As Cartas Ciganas: Uma visão holística e Luz do Sol: Colorindo as Cartas Ciganas e do baralho Luz do Sol. Seu trabalho é sistemático, com a doçura e a firmeza em quantidades que só quem sabe o que está fazendo é capaz de oferecer com maestria. 
Ainda dá tempo de adquirir seu ingresso! A Mesa Redonda será dia 25 de junho, no Rio de Janeiro. Para adquirir seu ingresso, clique aqui, e aproveite e siga o blog aqui.

Eventos de Cartomancia com Petit Lenormand, voltados para pensarmos a teoria e a prática, ainda são raros. Reúna seus amigos, bata um papo, registre! Vamos ampliar nossa vivência pessoal, tête-a-tête com as pessoas e o oráculo!

MINHA PARTE NA HISTÓRIA


Dia 30 de abril eu estarei no Espaço Merkaba oferecendo o curso de Mesa Real (9x4). 
Neste módulo será apresentado o método de leitura completo, que aborda todos as áreas da vida do consulente. Cada aluno terá meu acompanhamento para a leitura de sua própria mesa real (pessoal).
Com o uso da Mesa Real, é possível realizar uma consulta completa, sem a necessidade de utilizar outros métodos, já que este é bem amplo.

Importante ressaltar que cada módulo é independente, portanto o aluno não tem obrigatoriedade de realizar os três módulos, exceto se desejar a formação profissionalizante.
- Valor de cada módulo: R$ 305,00 em 2x sem juros
- Valor do pacote profissionalizante (3 módulos): R$ 750,00 em 3x sem juros
- Valor especial para alunos que já realizaram este curso e desejam reciclar seus conhecimentos: R$ 250,00 cada módulo.
INFORMAÇÕES E MATRICULAS:
(11) 3567.7538 | 9.7205.5181 (WhatsApp)

cursos@espacomerkaba.com.br


E, dia 11 de junho, estarei com um time de feras no evento Cartomancia, em São Paulo. Em parceria com Patrícia Farias, falaremos sobre as relações entre Petit Lenormand e a prosperidade. A apresentação visa identificar e qualificar as cartas que melhor diagnosticam e oferecem caminhos para o bem estar financeiro do consulente no Petit Lenormand. Tendo por base a experiência de anos de atendimentos presenciais e online, ofereceremos meandros de entendimento das cartas para aconselhamento e previsão ligadas às finanças, investimentos, prosperidade e bem estar financeiro, tanto em seu caráter panorâmico, oriundo da Mesa Real, quanto do seu caráter específico, na formulação de perguntas.


Aproveite para adquirir seu convite! Contato aqui.

E você? Conhece algum trabalho bacana, ou desenvolve um trabalho bacana? Comente aqui para que eu possa referenciar nesse artigo!

Abraços a todos.

sábado, 4 de julho de 2015

Cartomancia, Cartas Ciganas: eventos inesquecíveis.


Cartomancia é o primeiro evento dessa natureza - abarcar todo o amplo escopo da Cartomancia - no Brasil. Como todo marco, teve um patrono de peso. São Toninho, aquele mesmo, aquele querido cujo lírio é bênção.



Em parceria com meu querido Giancarlo K Schmid, tratei da arte de fazer questões ao Lenormand. Mais que perguntar sobre amor, precisamos saber como perguntar sobre o amor.


Um time ESPETACULAR - em caixa alta. O amor não é tão simples quanto parece. Nem por isso deixa de ser simples. Não pôde ir ao evento? Dá para assistir aqui


Lancei sementes - não só de lótus - sobre minhas próximas incursões no terreno das Sibillas. Breve breve teremos um curso sobre o Sibilla Della Zingara, que já figurou no Conversas Cartomânticas algumas vezes. [1] [2] [3] [4] [5]



Terceira Mesa de que participo, nessa, ao invés de falar sobre a prática (na II Mesa Redonda falei sobre os naipes e na III sobre a Mesa Real), falei sobre a teoria, sobre os meandros interpretativos que me norteiam na leitura das cartas. Falei de música, literatura, quadrinhos, imagens. 

Mergulhei fundo na carta 20, e saí muito satisfeito. Antes, porém, da teoria, não poderia perder a chance de falar um pouquinho sobre a prática – acabei falando sobre os naipes na leitura de três cartas. Nem preciso dizer que me diverti à beça.


Acima, o vídeo com todo o conteúdo teórico. A parte prática não foi gravada. Os demais vídeos estão no blog Cartas Ciganas.


Excelente conteúdo teórico e prático. Acho, porém, que para além do conteúdo, o mais bacana da Mesa Redonda é que a sensação é de que estamos em roda, não em palestras. Estamos todos partilhando alguma coisa. E quantos abraços dados, quantos abraços recebidos! Que bom é ter presença física, gente, sensação de pertencimento.


Voltei, para variar, com a cabeça cheia de ideias, cheia de perspectivas, cheia de projetos. É cedo – e olha que já se passaram dias! – para eu adiantar alguma coisa. Mas tem muita coisa boa transitando em sinapses pelos meus neurônios. Muita coisa.


Deem uma olhada nas impressões do Omar Said, do Tato Cunha, da Sonia Boechat. No Facebook tem muita coisa também. Por essas e outras eu digo: eventos são o local aonde a prática individual faz sentido. Eu tenho apreendido muita coisa. E refletido. E praticado. E trarei tudo isso em breve, seja em cursos, seja em postagens.
Abraços a todos. Espero vê-los no próximo evento comigo. 
Aguardo seus abraços.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Curso de Mesa Real no Espaço Merkaba

Queridos, 
Estarei em São Paulo nos dias 30 e 31 de maio, ministrando uma aula prática sobre a Mesa Real, o segundo módulo do meu curso de Petit Lenormand.
Nesse curso, abordaremos:
1. O que é a Mesa Real.
2. Formas de utilizar a Mesa Real.
3. A abertura.
4. Combinações de pares.
5. Técnicas de interpretação das Significadoras.
6. Prazos e temas.
Pré-requisito: conhecimento das 36 cartas do Petit Lenormand. Caso você não tenha, terei o maior prazer de acompanhar sua leitura, mas será um pouco mais desafiador utilizar técnicas avançadas de interpretação. 

Será uma vivência rica, plena e - por que não? - graciosa de um dos melhores métodos de leitura que conheço e aplico há quase catorze anos.

O Espaço Merkaba fica na Rua Manaus, 332, Mooca. Estarei aguardando a todos para uma troca e uma partilha riquíssimas - sempre saio energizado de um processo como esse, e tenho o mesmo feedback dos participantes.

Não se esqueça: estaremos juntos também no Cartomancia, dia 13 de junho, também em São Paulo: nesse evento, eu e meu amigo Giancarlo Schmid dividiremos a parte prática do evento, onde poderemos explorar os Arcanos do Tarô e o Petit Lenormand para responder questões afetivas. Não tem como perder!
Na semana seguinte, dia 27 de junho, estaremos juntos na IV Mesa Redonda sobre as Cartas Ciganas, no Rio de Janeiro: falarei sobre as relações entre a carta 20 - o Jardim e as artes (música, literatura, cinema entre outras), permitindo inclusive uma reflexão sobre a possibilidade de estendermos isso para as demais trinta e cinco cartas. 
Espero você para um abraço e uma conversa, sempre cartomântica.
Abraços a todos - virtuais, por ora, aguardando um abraço real. :)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

IV Fórum de Tarô: Eu fui!

Com o objetivo de compartilhar experiências sobre a atividade do tarólogo, o fórum reunirá aqueles que anseiam conhecer melhor os caminhos do tarô em nosso país. O diferencial desse evento está na abordagem do tarólogo (profissional, estudante ou entusiasta) sobre sua prática no uso do tarô como ferramenta de trabalho ou de autoconhecimento.

Olá pessoal. Eu esperei passarem-se alguns dias para poder escrever com tranquilidade sobre o IV – e último – Fórum Nacional de Tarô. Organizado por Nei Naiff, tive a oportunidade de participar do II, no Rio de Janeiro, como ouvinte e do III, em Belo Horizonte, como expositor. Nesse IV, fechando um ciclo, tive a oportunidade de ir além de uma participação. Eu realmente me envolvi no evento. Posso dizer que fui tocado. E mais de uma vez.
Portanto, minhas primeiras impressões sobre o evento foram predominantemente pessoais, diretamente ligadas à minha prática e, mais que isso, à minha vocação como cartomante. Agora, falemos sobre como a questão profissional foi debatida nesse espaço. Se você não for cartomante, talvez esse texto lhe soe enfadonho (espero que não), mas é necessário pontuarmos a questão profissional para que você, consultante, também possa escolher bem seu cartomante. 
Em três mesas, foram discutidos aspectos da prática que dialogam muito com o que vimos no Tarolog – algo fundamental, não podemos perder o foco do aspecto profissional online. Importante frisar essa linha de raciocínio que se segue, pois dela obteremos os referenciais para a prática nos próximos anos. Aonde queremos chegar como profissionais de cartomancia?
Nos três temas abordados – Caminhos do Tarô no Brasil, Consultas online e lei trabalhista e o Tarô na internet e na televisão – pode-se notar o peso que o atendimento online tem obtido frente o atendimento presencial. Como todo terreno desconhecido, há que se buscar ferramentas para trilhá-lo com segurança, e percebi nesse ponto a reflexão que trago para nós, a partir do evento.


Alguns pontos saltaram aos olhos na primeira Mesa. Constantino, nosso querido do Clube do Tarô, dispôs sobre as formas de se aprender Tarô (grifo essa palavra porque tenho questionado muito seus efeitos no contexto de ensino que temos na área. Há que se rever em muitos aspectos, ou melhor, que se esclarecer pontos de vista sobre o processo de aprendizagem.) Pode-se ler livros sobre o assunto. Fazer cursos, presencialmente ou online. Não se pode, porém, menosprezar o peso da transmissão oral (seja a avó, a benzedeira, a cartomante favorita, tia...) que é um conhecimento EXCLUSIVO e baliza-se na experiência, não na teoria compilada. Entenda-se: não existe maior ou menos valor em uma ou em outra forma de aprendizagem, senão pela eficácia. Funciona? Sigamos.

Geraldo Spacassassi demonstrou seu maior interesse em aulas particulares que em grupos, pela atenção irrestrita dada ao aluno. Sobretudo, porque ao dar aulas particulares, o professor pode explorar a bagagem prévia do aluno em auxílio ao conteúdo estudado. Uma das coisas que o diverte é o susto que os aspirantes levam ao ver o tamanho da bibliografia a ser lida. Seu foco se dá na trilogia de Nei Naiff somado ao Tarô Mitológico, com ênfase na prática [que consolida a teoria, naturalmente]. Sente dificuldades no processo virtual pela questão da empatia e do acolhimento – o cenário virtual tem outros códigos para efetivação da empatia. 
Nadir Villardo propôs que o estudo EAD seja tão eficaz em termos de aprendizagem quando o ensino presencial, tendo como diferencial a disciplina exigida nos cursos online. Aos meus olhos, falta um pouco da presença própria dos cursos presenciais, mas é meu ponto de vista. Citando as empresas, onde o EAD tem se fortalecido substancialmente, Nadir nos mostra o quanto esta área está em franco crescimento, o que nos leva a questionar o quanto estamos atentos às mudanças do mercado. Em contraponto, Geraldo Spacassassi nos diz que a prática do EAD em empresas se mostra um sucesso pela influência da hierarquia e do poder – é necessário que sejam feitos os cursos, para o desenvolvimento do profissional na empresa; EAD de cartomancia é voltado para o desejo pessoal, e cabe ao professor seduzir o aluno com o conteúdo e angariá-lo para a prática. Esse é um ponto que acredito merecer maior atenção, e estudos de caso coesos: qual é o resultado prático do EAD de Cartomancia? Não posso negar o orgulho que tenho daqueles que fizeram cursos comigo online. Mas em geral, qual é o resultado que os profissionais obtêm? 
Luiza Papaleo, de forma brilhante, expôs o que leva os alunos a procurarem o Centro Cultural Esotérico. A busca por uma nova carreira após a aposentadoria é uma das possibilidades diretas. Em relação a isso, Simone Merino diz que não é o caso direto, já que a maior parte das pessoas busca “se encontrar” – um caso muito semelhante ao que vemos em cursos de Humanas, sobretudo Psicologia: uma busca por si mesmo no esforço de auxiliar os outros. A questão financeira fica em segundo plano, o objetivo é a aprendizagem, de fato. É possível construir uma carreira profissional com cartomancia e alcançar o autoconhecimento – uma das teclas mais tocadas neste Fórum foi de que Cartomancia é uma profissão como qualquer outra. Como tal, deve ter seu plano de carreira, a organização pessoal para o trabalho, e todas as demais coisas relativas a uma profissão, mas falaremos sobre isso adiante.
Contudo, existem alguns pontos ásperos nessa jornada: preconceitos acerca de desenvolvimento de dons, sobretudo associar o processo de desenvolvimento pessoal à religião que se professa; evidentemente, os dons se desenvolvem com a prática oracular, mas não necessariamente o desejo desse desenvolvimento se coaduna com a efetivação do mesmo. Quanto mais se pratica, mais se apura, como em qualquer outra profissão, não necessariamente as de cunho esotérico-espiritualista.
[Fiquei com O Monge e o Executivo na cabeça ao pensar nisso. Vê-se que o sucesso nessa área é algo interdisciplinar.]
Outra questão que chama muito a atenção é a questão tempo x efetividade. Qual é a carga horária que torna um curso confiável? O quão acelerados estão os alunos na busca do conhecimento... ou na busca de um diploma? Qual é o resultado esperado de um curso de Tarô?
É fundamental que o profissional dê valor ao real sentido das palavras. Acuro interpretativo, ir direto ao ponto, acertar no osso. 
Previsão e autoconhecimento caminham juntos. Indissociavelmente - pelo menos na prática.

A ética – ou falta dela – é comum a todas as profissões, não somente a cartomancia. Existe um preconceito perpetrado pelos próprios cartomantes que, tateando no escuro, julgam o que é certo e errado na profissão – na verdade, rotulando mais pessoas que atitudes. 
Particularmente, eu tenho uma série de questões cuja resposta não me é clara. Como manter uma consulta de duas, três horas? Eu, Emanuel, faço tudo o que preciso fazer dentro do que considero correto em uma hora. Isso não tem a intenção de soar maniqueísta, muito pelo contrário: se você faz um excelente trabalho e com isso demanda mais tempo, qual é o problema? Particularmente, uma hora me é o suficiente [com uma perspectiva “elástica”: algumas consultas duram mais, outras menos, em função daquilo que o consulente busca]. Acho difícil explorar um oráculo como o baralho sem me tornar redundante, depois de uma hora de consulta. Acontece, mas é raro, de o assunto render. 
Levemos em consideração, também, que eu trabalho sem anamnese. Não desejo saber o que o consulente traz consigo. Quero saber, sim, o que o baralho tem a lhe dizer. Após essa primeira leitura “no escuro”, partimos para a leitura conjunta, onde eu e o consulente conversamos sobre os prognósticos, acertando as rebarbas da interpretação e sanando possíveis dúvidas. Depois, sim, perguntas específicas. Suponho que, se eu me dispusesse a ouvir o consulente antes de iniciar o jogo, o tempo de consulta seria exponencialmente maior. As pessoas, em geral, precisam ser ouvidas – muitas vão a um cartomante para sanar essa necessidade. Contudo, minha prerrogativa para ouvir é ler primeiro, observar o cenário a partir do que as cartas apresentam. Problemas materiais – soluções materiais.

A imagem do cartomante, pelo menos por ora, está indissociavelmente ligada à do sensitivo, do médium. Não usar aspectos mediúnicos na leitura não significa que o mediúnico não tenha valor. O Tarô – ou qualquer baralho – é um suporte para que dons mediúnicos possam se manifestar com tranquilidade para o operador oferecer sua vidência. Constantino, sempre compreensivo, sempre genial, num momento em que, a passos largos e foice afiada, tenta-se cortar da prática oracular qualquer aspecto que fuja ao cânone. 
Esquece-se com certa facilidade de onde viemos. Somos marginais, por vivermos à margem, não por sermos criminosos. Perder essa marginalidade, esse reconhecimento que estamos fora do senso comum, embora tenhamos tanto referencial compartilhado, é engessar aquilo que naturalmente é fluido e selvagem. O que torna a prática tão efetiva é o quanto de afluentes chegam no mesmo rio: sem certos e errados, mas certamente com melhores ou piores caminhos. Em minha prática solitária, em meu aprendizado autodidata, tive a sorte de ler o Tarô Mitológico do avesso, o que me marcou para sempre. Leio outros livros, me referencio em outros trabalhos, mas reconheço, nas entrelinhas já escritas, o quanto esse livro, que já está em sua terceira editora e com edições a perder de vista (só eu tenho três), é influente na construção do pensamento cartomântico no Brasil.


A prova da competência é a duração no mercado. Só continua quem é bom. O mercado é que recusa o tarólogo, postula Nei Naiff. Não adianta dizer que é. É preciso provar que é. “O perigo para o tarólogo é se achar e não ser”, postula dona Yedda Paranhos. Noventa e três anos de sabedoria, mais anos de cartomancia do que eu tenho de vida. “Bom tarólogo não é aquele que tem muitos clientes. Bom tarólogo é aquele para o qual os clientes voltam.” Afinal de contas, o boca a boca continua sendo o melhor marketing. Atenção, portanto, ao que seu cartomante diz sobre si e sobre os outros – o que diz sobre os outros fala muito mais sobre ele, do que sobre os outros.
Bom ouvir a voz de quem sabe o que diz.

Se eu me sentir chamado a oferecer cursos, como devo proceder?
Conforme o Constantino, experimentar com pouca gente. É normal sentir medo nessa fase, é difícil e assustador estar diante de um conhecimento tão vasto. Sinal de espírito forte, de ausência de presunção. Luiza Papaleo diz aconselha sistematizar. Ter claros o começo, o meio e o fim do curso e, principalmente, saber que o curso resume, mas não esgota.


A segunda mesa propôs a discussão sobre as consultas online e a lei trabalhista. 
Há quem não queira assumir-se publicamente como tarólogo, por diversas razões pessoais. 
Edu Scarfon considera necessário expor a imagem pessoal, pois isso torna a pessoa mais cuidadosa com o que diz – algo muito correto num cenário em que temos que desmistificar a imagem da profissão enquanto simultaneamente a nossa imagem se mistifica. Contudo, como bem colocou a Monica Delgado, o tarólogo pode não ter a opção de colocar sua imagem, em função da política de funcionamento do site. Uma questão que deve ser revista é como que o cliente é visto nesse cenário em que a matéria bruta [como diz Nei Naiff], o tarólogo, é independente do empregador. Há a questão da falta de ética profissional do tarólogo, que, ao angariar clientes em um site passa a atendê-los fora da plataforma para obter mais lucro, desvalorizando o site e tomando para si todas as vantagens oriundas do marketing feito pelo dono do site. Assim como, na contramão dessa perspectiva, há os donos de site que, ao impedirem o cartomante de usar sua própria imagem no atendimento, impedem também que ele construa uma história. 
Contudo, mesmo sendo prejudicial para a construção de um currículo, usar o avatar pode ser libertador. Com a facilidade de encontrarmos pessoas nas redes sociais, é realmente tranquilizador não ser possível ser encontrado às duas da manhã por alguém desesperado por uma consulta. (Acreditem, isso já aconteceu comigo. A referida pessoa dizia querer se matar e coisas do tipo. Imagine acordar de susto às duas da manhã com o celular acusando chegada de mensagens e ler uma coisa despropositada dessas.)
A motivação de consultar-se em um site torna os clientes conhecedores do funcionamento da leitura. As perguntas que fazem na contratação do serviço são: esse cartomante tem retorno? Qual oráculo ele utiliza?
Monica Buonfiglio fala sobre as consultas por Skype – suas favoritas. Ela quer ver quem está do outro lado, quer ouvir sua voz, quer falar, quer mostrar-se. Tudo isso no conforto e na segurança da sua casa. De fato, essa evolução é algo fantástico: estarmos em um ponto do globo conectados com outra pessoa em qualquer outro lugar do globo. É claro, existem os problemas específicos de conexão próprios dessa interface. Mas isso é assunto para outra conversa. 
Essa mesa, em especial, me deixou cheio de questionamentos – o que é ótimo, já reparou como se reflete pouco sobre a prática enquanto ainda se gastam toneladas de neurônios para rebatermos os mesmos problemas? Vamos dar um pouquinho mais de peso para a questão profissional, para a carreira, pois a questão de missão pessoal e espiritualidade já estão sendo visitadas a contento, já há algum tempo. Os blogs e sites são espaços informativos, e podemos ir além de significados e estudos de caso – uma proposta que quem segue o Conversas Cartomânticas já vê na prática há algum tempo. 
E então, temos Christiane Carlier expondo de forma brilhante uma questão que é como a roupa nova do Imperador: esteve aí o tempo todo, ninguém percebeu. Cartomante é um profissional como qualquer outro. Qualquer outro mesmo.
Isso inclui estarmos sujeitos às mesmas leis que norteiam todos os outros trabalhos. 
Não estou em condições ainda de oferecer conteúdo sobre esse assunto – eu não sou advogado e acabo de iniciar minhas reflexões a respeito. Temos no site do Nei Naiff informações acerca da parte profissional da Cartomancia. Mas, assim como estou fazendo, sugiro que você, leitor e profissional, se oriente com um advogado sobre seus direitos e deveres como empregado ou autônomo na nossa área. Pois, como bem postulou a Chris, a primeira dignidade é buscar a lei.


A terceira mesa teve por tema o tarô na internet e na televisão.
Infelizmente, a Pietra Di Chiaro Luna não pode estar no evento, por razões pessoais. Eu, que já estava ansioso por revê-la, fiquei sentido – lembra que eventos são para reencontros? Queria muito ouvir o que ela tinha a dizer. Afortunadamente, seu lugar foi muito bem substituído por Ivana Mihanovich – uma querida que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente no evento. Sim, eventos são para encontros, também. :) Fora a ausência da Pietra, essa Mesa fechou muito bem o evento. 
É bacana perceber, como a Kelma Mazziero disse, que foi a internet que nos colocou hoje na possibilidade de vivermos um evento como o Fórum, pois é verdade! Eu confesso que um dos motivos pelos quais eu vou a eventos de Cartomancia é para abraçar de verdade quem eu já passei a admirar virtualmente. É sempre um prazer conversar um pouco, cartear, obter feedbacks, tudo isso em tão pouco tempo – o que é um dia frente os vinte anos de amizade que uniram Kelma Mazziero e Ivana Mihanovich (duas queridas, duas amadas, duas excelentes profissionais e pensadoras de nossa arte) num mesmo lugar?
O blog possui um dinamismo que o site não possui, informa Leo Chioda. O blog é um diário, é um espaço dinâmico, onde nem sempre o melhor está exposto – o que se expõe no blog é o mais recente texto, não o mais importante. Por isso, cabe-nos, como blogueiros, manter o blog sempre atualizado, sempre referencial - não só para os outros, mas para a gente mesmo. A gente se vê no que escreve ali?
Claro que nem sempre isso é possível com a aceleração do tempo que vivemos (se você chegou até aqui na leitura, dê uma olhada em quantas vezes você usou a barra de rolagem. Isso nunca aconteceria numa rede social, por exemplo. E, com essa conversa franca que estamos tendo, esse texto não seria adequado a um site. Estamos em casa, no lugar certo.)
Dessa forma, podemos colocar os textos dentro dos seguintes “pacotinhos”:
Site: textos estáveis, que referenciem a prática pessoal por muito tempo.
Blog: textos dinâmicos, estudos de caso, processos cronológicos.
Redes sociais: textos leves, diretos, específicos e curtos. Imagens, muitas imagens.
Esse também é um ponto a se estudar mais. Reveja seu espaço de apresentação do seu trabalho. Tome consciência da responsabilidade pelo que você diz. E fica aqui um puxão de orelha, com carinho sim, mas com especificidade: por favor, não fale mal dos seus clientes complicados em redes sociais. Isso é feio, muito feio. Toda dúvida merece uma resposta, e as pessoas vem ao nosso encontro em busca de respostas. A gente ajuda pessoas, resume Ivana Mihanovich. Ajuda pessoas a tomarem decisões. O que merece exposição são os estudos de caso, não pessoas com dificuldades. 
Os parceiros certos sempre se encontram, de qualquer forma, independentemente da interface.

E que encantamento em ouvir o André Mantovanni! Leve, sensível, claro em sua exposição, baseada em anos de televisão. André fala a quem precisa, a quem o assiste, trabalha sua linguagem em função disso, sem perder a seriedade daquilo que está ali, nas cartas à sua frente. Voltamos a um ponto fundamental: como é importante ter vocabulário! Em uma consulta – sobretudo a desafiadora consulta ao vivo, frente às câmeras – não se pode titubear. E, mesmo com leveza, é possível SIM abordar uma Torre, uma Morte, um Diabo. 


Da mesma forma, que honra conhecer a Cathya Gaya! Assim como o Edu, ambos deram a cara a bater, colocando toda a sua carreira e formação em um desafio que, justamente por ser o primeiro, ninguém sabia exatamente como iria acontecer. E que sucesso! Agradeço enormemente os tabus que foram quebrados por seu excelente trabalho no programa Paranormais. 
Numa pergunta muito preciosa, Kelma resumiu a questão que deveria ser nosso norte como profissionais: o que o cliente de cartomancia quer?
Felicidade. Que o cartomante resolva os problemas, ou ao menos minimize o sofrimento (convenhamos, ninguém procura um cartomante porque está feliz. Grosso modo, ou está curioso ou está com problemas). Receitas prontas. Diretrizes. É necessário atentar-se na resposta para manter o cliente como protagonista, para que ele exercite seu livre-arbítrio frente o destino que ora se apresenta. É fundamental que sejamos diretos. É muito fácil diluir-se em meio às cartas. Bom cartomante consegue sintetizar rapidamente, e a partir da síntese buscar elementos que esclareçam os pontos que o cliente apresenta. 
Lembra o que disse sobre aceitar as questões, todas elas? São as perguntas difíceis que enobrecem nosso trabalho. É assim que crescemos. A nossa participante online – pena não ter podido estar presencialmente, mas que feliz ter a Zoe de Camaris mesmo online! – falou-nos algo precioso sobre isso. É difícil sim a gente responder uma questão “solta”, pois a vida é uma só e os assuntos se interligam. Por vezes, o que está visível para o cliente é uma questão afetiva, mas o que está nas profundezas do problema são suas questões profissionais. Ter contexto nos permite dar uma resposta com muito mais acuro e profundidade. Como lidar com isso diretamente? Eu tenho um método que tem funcionado bastante, publico em breve. Afinal de contas, eu não trabalho com perguntas. Primeiro eu jogo, depois nós conversamos. Mas na hora das perguntas, quanto mais específica a pergunta, mais específica a resposta, dita a regra. Se existem exceções, eu desconheço. Nós mexemos com segredos, como bem disse a Kelma. E não é fácil lidar sozinho com segredos. Talvez por isso seja tão complicado questionar diretamente, sem haver confiança. Como bem disse a Zoe, podemos sim fazer o consulente chegar à melhor pergunta. Podemos orientá-lo não só a encontrar o melhor caminho, como também a questionar adequadamente o seu momento. Direcionamento não está ligado apenas à meta, mas como se chega lá.
E questões que acho pertinentes serem tatuadas. Existe sim espaço para todo mundo. O céu está repleto de estrelas, mas nenhuma se toca.
O mercado te escolhe.

Queridos, façamos por onde. Façamos nosso melhor.
Como puderam ver, eu deixei propositadamente um monte de lacunas. Não tenho respostas para todas; vamos pensar juntos, vamos seguir em frente com essas questões.
O caminho se constrói do que é dito, sim, mas do que é vivido, mais.
Abraços a todos, até o próximo evento.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

TAROLOG: EU FUI, E EU IREI!


Olá pessoal. Eu ainda estou ruminando a série de eventos que vivenciei no Tarolog, que foi muito intenso para mim, como cartomante e como pessoa. Mas não posso deixar de agradecer, ainda que as conversas que teremos sobre o evento possam esperar. =)

Merkaba

Foi um evento magnífico. Uma série de pontos foram esclarecidos - ou levantados - que me darão inspiração para conversarmos por muito tempo. A prática online é o mote do evento, mas falamos sobre muito mais que isso.


Todas as palestras foram enriquecedoras, mas algumas em especial me marcaram. São assuntos que conversamos por aqui e que merecem maior acuro. Ver por outros olhos me levou evidentemente a mudar meu olhar sobre as questões.


Carlos Karan foi genial ao associar as Mil e Uma Noites ao atendimento online. A narrativa - pois toda leitura oracular é, na verdade, a leitura de uma história codificada em símbolos - me fez refletir muito sobre os limites que temos. Até onde podemos ir? Até onde é confortável para nosso cliente chegar? Como guiá-lo na jornada de uma forma sensível e humana? Como, sobretudo, manter o consulente como protagonista de sua própria vida, e não um títere na mão do destino que ora se revela?


Fiz uma pergunta ao Jaime Hales, que foi exatamente ao encontro do que eu considero verdadeiro - e olha, a gente se encontrar em perspectivas de pensamento diferentes é uma dádiva sem preço. O sr. Jaime utiliza a ordem proposta por A. E. Waite [Louco zero, Força oito, Justiça onze] para propor sua análise da personalidade, embasada em cálculos numerológicos. Dessa forma, o resultado obtido na análise proposta por ele será evidentemente diferente daquele obtido por alguém que se utilize do Marseille. Ele foi tácito: essa é a forma como ele analisa, não aberta a discussões. Funciona para ele assim, e assim está bom. A mão do cartomante é sempre soberana.


Rose Ragazzon simplesmente arrebentou com seus vinte minutos de explanação. Demonstrando experiência, vivência, estudo e prática com o Zigeuner Carten, fiquei completamente embasbacado, embevecido, com a palestra dela. Sem sombra de dúvida, uma das melhores, e quem viu com certeza ficou com vontade de fazer um curso com ela. Recomendo.  


Inegável, porém, que a reflexão que fui chamado a fazer e os efeitos que ela teve sobre mim foi impactante. Ao preceder Giordano Berti - de quem sou fã há muito tempo e tenho um carinho por ser quem é - vi-me na obrigação de refletir sobre a função da historiografia na cartomancia. Afinal de contas, para quê história se é só pegar as cartinhas e ir lendo igual tá no livretinho? Vamos além, vamos tocar num ponto que será axial nas nossas reflexões daqui por diante: como é que um baralho como o Petit Lenormand funciona tão bem, mesmo nas mãos de quem acredita que ele é uma síntese do aprendizado dos Ciganos em suas caminhadas pelo mundo? Como é que o Tarô funciona nas mãos de quem acredita que ele é uma síntese da sabedoria egípcia preservada por sacerdotes? Tenho algumas pulgas que guardei para colocar atrás de nossas orelhas, em nossas conversas.


Nesse momento, o que nos importa saber é: quanto mais da história de um baralho entendermos, maior será nosso vocabulário no trato com ele. Maior será nossa habilidade de resolver nós interpretativos, e, evidentemente, maior será nosso acuro na leitura oracular.
Tive a oportunidade de conversar um bocado com o Giordano - uma honra, e uma sorte! - e dessas Conversas Cartomânticas muito, mas muito mesmo, vai emergir nesse nosso ano VI. 


Não vou me estender muito, porque eu estava esperando todo mundo postar as melhores fotos ruminando o evento para escrever. Mas temos muito a conversar!!!

Agradecimentos a Laya, idealizadora e mantenedora do evento, a Nivia Peggion e Michele Sullam, minhas meninas dos olhos; à equipe Merkaba, à equipe Amor, o Próprio e, claro, a ti, Giordano Berti. 

Conversaremos mais, pessoal. Temos muito a dizer, ainda. 



terça-feira, 28 de outubro de 2014

III Mesa Redonda de Cartas Ciganas: Eu fui... E eu irei!


Olá pessoal. Acabo de retornar do Rio, onde tive a grata oportunidade de reencontrar queridos e pensar junto questões pertinentes à teoria e prática do Petit Lenormand. Uma das vantagens de participar de eventos como esse é justamente questionar como anda a prática até o momento, e desenvolver novos olhares a partir da experiência dos meus colegas. Como num piquenique, cada um trouxe um acepipe que deglutimos à profusão. Nesse caso, gula é uma virtude! 


Equipe reunida

Ismenia falou-nos sobre a prosperidade. E uma das coisas que mais me marcou em sua fala foi sobre a relação entre Lakshimi [Senhora da Prosperidade] e Sarasvati [Senhora da Sabedoria]: se louvamos uma demais, sem dar atenção à outra, a Deusa preterida fica enciumada e temos problemas com sua área de atuação. Busquemos a sabedoria, não descuidemos de nossa prosperidade. Genial pensar no caráter holístico dessa colocação. Inevitável verificarmos a distância, na Mesa Real, entre um aspecto e outro, a partir dessa análise.


Chris Wolf falou-nos sobre as dádivas da carta 09 e todo o processo socio-histórico ligado ao uso e costume do Ramalhete. Sendo quem é - uma aromaterapeuta sem igual, cujo trabalho não só é recomendado, como referencial [conheça o Alma da Terra. É pura magia. Nada do que eu possa dizer é superior à experiência de utilizar um desses produtos feitos com tamanho acuro na escolha dos aromas e combinação de elementos], saímos mais perfumados de sua fala. E ficou uma questão subjetiva nessa palestra: como nos relacionamos com os elementos do baralho que sobreviveram à mudança dos usos e costumes?

Dalila falou-nos da Casa, a partir da sua experiência como arquiteta e o quanto sua profissão lhe levou a questionar os âmbitos dessa carta. Há limites naquilo que amamos - estamos tão imersos que não vemos horizontes com facilidade. E desta palestra, ficou-nos o questionamento: como podemos, a partir da nossa experiência, ampliar ou restringir o caminho de uma carta nas combinações possíveis? Como podemos, a partir das palavras-chave, aprofundarmo-nos no universo singular de cada uma dessas lâminas, sem perdermo-nos em suas possibilidades, deixando, assim, o oráculo no limiar da ineficácia?

Adriana falou-nos da comunicação, da vivência da carta 27. E, no processo vivencial que se seguiu - recebemos uma carta do baralho de Dona Maria Mulambo, canalizado por Sonia Boechat Salema, e deveríamos escrever uma carta para nós mesmos sobre o assunto ali descrito - eu recebi, justamente, a Carta. Curioso, não? Um universo se descortina para nós, meus queridos leitores. Me aguardem, sem medo. :)

Nunca mais veremos a carta 23 da mesma forma :)

Julia falou-nos sobre o Rato, e, particularmente, saio das palestras da Julia com um nó no cérebro. Um nó bom, que vou desfazendo com prazer enquanto entendo meandros não visitados das cartas encardidas do baralho. Ela tem a singular habilidade de, a partir de conexões claras entre os significados clássicos e a psicologia, deixar-nos com uma visão completamente diferenciada das cartas tidas como ruins. Elas não perdem seu peso, mas recuperam sua função. Deixam de ser indesejadas sine qua non e passam a ser entendidas, ainda que permaneçam indesejadas [eu, hein!].


Tato... Ah, Tato. Tato é um querido que expôs para nós parte da sua jornada pelos caminhos da espiritualidade. Foi um dos momentos mais tocantes do evento, quando participamos da vivência proposta por ele. Lágrimas e mais lágrimas, de gratidão e experiência.



Chega então a palestra de Katja Bastos. Encontrar o casal Bastos é sempre uma honra e um reconhecimento para mim. Tive a oportunidade de conversar um bocado com ambos, e muita coisa fez sentido. É maravilhoso quando nos reconhecemos nos outros. E nesse caso, que reconhecimento mais honrado e mais maravilhoso. Estar com a Katja é estar em casa.
Um dos pontos altos de sua fala foi o fato de que ela considera o oráculo um resgate. Aconselhar, oferecer luz e esclarecimento para as situações que o consulente traz, é curar partes de nós que buscaram esse mesmo alento, é perdoar a si mesmo pelas vezes em que deixou-se esvair a oportunidade de ser uma pessoa melhor.



Ao fim de sua palestra, à exemplo de Adriana, Katja ofereceu-nos uma carta e interpretou, uma a uma [confira no vídeo acima]. A mim coube a Montanha. Kaô, Kabecilê.
Nem preciso dizer o quanto que sua fala me tocou. 


Eu sou suspeitaço para falar do Alexsander. Rasgo seda de cima abaixo. Nesse caso, algodão :) Um aprofundamento numa das cartas mais belas e desejadas do baralho, com toda uma visão histórica, iconográfica e hagiográfica, desmistificando possíveis significados agregados pelo tempo, não pela imagem. Novas palavras-chave se delineiam, a partir de uma leitura acurada: se o Ramalhete é uma dádiva, o Lírio é um milagre.
Pensa rápido.


Victor trouxe-nos uma visão muito precisa e direcionada do processo de obsessão e dos contatos e conexões entre este e o outro mundo, demonstrando acuro, comprometimento e conhecimento do tema. Te cuida, Constantine! :)

Falar de Sonia Boechat, para mim, é falar de parte do meu coração que bate em outro peito. Até mesmo nossos temas, esse ano, mantiveram um diálogo tão integrado que praticamente falamos as mesmas coisas, em aspectos micro e macro. Afinal de contas, uma Mesa Real é nada mais nada menos que 12 combinações de 3 cartas, sem se repetir :) . É sempre um deleite ouvir essa Cigana de presença marcante. Qualquer tempo com ela é tempo que vale a pena. É dar sentido à jornada.
Um dos pontos altos da sua palestra foi a questão da carta oculta. À exemplo dos pitacos que vemos em diversos grupos no Facebook, vemos, sobretudo quando a interpretação da combinação de cartas à frente não agrada o leitor. Lembra quando éramos crianças e, não contentes com o resultado de um certame, pedíamos a neguinha? Pois bem, agora o tal pedido é pela tal da carta oculta. Tenha paciência, dó ou o que quer que seja. Um jogo funciona pelo limite oferecido pelo método, diluir esse limite para aproximar-se de algo palatável não faz o prognóstico melhor. 


De mãos dadas com a Sonia, atento aos limites da interpretação, falei sobre a Mesa Real, a leitura das colunas e das linhas. De forma vivencial, abri uma Mesa no chão [à maneira do ano passado, quando falei dos naipes. Estou ficando especialista nisso! Vamos pro chão, minha gente! :) ] e fomos, participantes e eu, delineando que conselhos seriam possíveis a partir das relações entre Carta Diagnóstico e Carta Testemunha na Mesa Real. Foi extremamente gratificante perceber que o que eu vivencio ecoou no coração dos participantes. E isso me tocou a ponto de reconhecer que precisamos conversar mais sobre isso por aqui.

Luqiam fechou o evento deleitando-nos com uma leitura do Urso a partir de seus hábitos e comportamento, das suas relações com os homens e com o habitat. Um universo de perspectivas adveio daí. E irão dar pano para manga por aqui. :)

Percebam o quanto esse evento é amplo. Teoria, prática, vivência, experiência. Tudo junto, misturado e suavemente concedido no tom de voz de quem está numa Conversa Cartomântica. Com esse pessoal, eu estou em casa.



Gostaria de agradecer aqui à idealizadora do evento e mantenedora desta egrégora, Tânia Durão [Finalmente tivemos tempo de cuidarmo-nos, não foi? :)] Se não fosse seus esforços, sua capacidade de estar no 220 o tempo todo, não teríamos essa sensação tão forte de pertencimento e gratidão. E, a cada evento, mensuro como estou e me preparo para oferecer mais no ano seguinte. Me aguardem!



Quero agradecer também a todos os participantes. Todos aqueles que confiaram na proposta e estiveram conosco nessa jornada. A cada evento, vamos mais longe, mais fundo, mais para dentro do oráculo, da teoria, da prática, da vivência. Aguardamos vocês no próximo, em junho!



E já temos webnário marcado! Dia 8 de novembro, teremos as informações pertinentes sobre a a agenda do Cartas Ciganas! Estamos juntos!



Abraços a todos. Até o próximo evento, a próxima viagem, o próximo estudo.