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terça-feira, 7 de junho de 2016

Tomando posse do seu Esmeralda Lenormand


Olá pessoal. Acaba de chegar às minhas mãos a nova edição do Esmeralda Lenormand. Estou completamente encantado - não consigo fazer outra coisa senão embaralhar e procurar aprender o uso dessas cartas!
À medida que eu for me familiarizando e me tornando mais íntimo dessas cartas, vou postando novidades por aqui. Entretanto, já fiz algumas coisas, que não são exatamente um tutorial, mas uma forma de aproximar-se desse oráculo com segurança e amor.

As duas cartas 02

Em primeiro lugar, ao abrir seu baralho, observe a carta 02. Existem duas possibilidades – uma, associada à sorte, conforme a leitura europeia; outra, associada aos revezes, conforme a leitura brasileira. Escolha uma das duas. Separe a que não lhe agradou do baralho, ela não será utilizada.
Particularmente, eu optei pela segunda, por ser a forma com a qual trabalho há anos. Se você estiver começando agora, utilize conforme a escola, o professor ou mesmo o seu gosto pessoal, se for autodidata, indicarem. Lembre-se: ao escolher, todo o baralho passa a fazer um sentido diferenciado.
Feche seus olhos, centre-se. Embaralhe as cartas, confiante que aquilo que você deve entender será dito. Peça a autorização do seu Eu Superior para contatar a egrégora deste baralho. Entenda: ele funcionará pela técnica independentemente do seu uso, ou não, das perspectivas que o criaram; mas, conectando-se com algo maior, você se aproxima de uma experiência de sagrado que está muito além da técnica. 
Retire uma carta, para consagrar o seu baralho. Ela será sua auxiliar no processo de aprendizagem, mostrando qual é a área do Petit Lenormand que você precisa dar maior atenção. Será, por assim dizer, sua professora nesse momento de aprendizagem do Esmeralda Lenormand. 


A nova edição do Esmeralda Lenormand conta com algumas novidades: em primeiro lugar, as treze Ciganas, ou melhor, Dona Esmeralda e as 12 Ciganas. São cartas de meditação próprias para o aprofundamento na egrégora Cigana que norteou a criação desse baralho. Embaralhe-as, medite com cada uma delas, organize conforme a sua intuição. 
Eu particularmente encontrei-as como referências a doze tribos e linhagens, regentes cada uma de um segredo de magia cigana. Brevemente conversaremos mais sobre isso. 
A segunda novidade é que agora o baralho conta com dois livretos: o original, escrito por Karla Souza, e um menor, sobre a cartomancia conforme transcrita e desenvolvida no Brasil pelo casal Cesar e Katja Bastos, sob orientação da Rainha Cigana, livreto este escrito por mim,  Emanuel J Santos. Tais livretos visam dar o máximo de suporte para o iniciante e material de pesquisa para o praticante, de forma a crescermos, todos, em habilidade cartomântica também pelo estudo, com o mínimo risco de perder-se na quantidade de informações disponível na internet. 


Dessa forma, você terá como tomar posse três vezes do seu baralho. A primeira, em função da sua intuição e conexão com a egrégora que orienta a criação e manutenção deste baralho. A segunda, ao meditar com Dona Esmeralda e as 12 Ciganas, entendendo em seu coração como elas poderão ajudar você a entender melhor os segredos do caminho Cigano. E a terceira, através dos seus estudos, sabendo que os livretos que acompanham foram escritos com o máximo de clareza, objetividade, competência e respeito por você. 

Eu vou continuar embaralhando aqui. Abraços a todos. 

Ah, quer comprar um para chamar de seu? Clique aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Desafio 2016: Tarot Tzigane, de Tchalaï.


Olá pessoal. Esse é o primeiro desafio do ano de 2016, que na verdade eu tenho estudado desde o ano passado. 
Dona Yedda Paranhos, taróloga e espiritualista do Rio de Janeiro, autora de vários livros ligados ao autoconhecimento, presenteou-me com um fac-símile do seu baralho de uso pessoal - o que, por si só, já é uma dádiva - e desafiou-me a continuar seus estudos sobre esse baralho. Impossível não atender a esse pedido. 
Em 1985, em uma de suas viagens pela Europa, Dona Yedda encontrou esse que seria um dos seus baralhos do coração. Era um baralho recente - fora publicado no ano anterior. 
Haviam duas cópias. Ela trouxe uma.
E o baralho saiu de edição.

Nesse ínterim, Dona Yedda vem trabalhando com o baralho, que carinhosamente ela chama de Tchalaï, em homenagem ao autor. Em 2015, em uma de minhas visitas a ela, fui presenteado com um fac-símile. E ele é um dos meus desafios desse ano.

Embora seja chamado Tarô (mesmo na caixinha estando escrito ser esse um baralho etnológico e adivinhatório), O Tzigane não corresponde à organização tradicional contemporânea; numa releitura da estrutura em função da experiência do autor com o povo cigano, temos novos títulos e novos significados para uma estrutura semelhante ao que conhecemos por Arcanos Maiores, aqui chamados Portas dos Mistérios.




01. Ashok Chakra
02. O Khukan
03. E Phuri Dai
04. E Drabarni
05. O Vatashi Romengoro
06. Fralipé Romani
07. Thagar Lumeaki
08. O Grast
09. E Puskaria
10. Maripé Taraim
11. Aggartti
12. Samballa
13. O Niglo
14. O Bero
15. O Sap
16. O Kher
17. O Vurdon
18. Lotcholikos
19. O Kham
20. O Shon
21. O Geape Vimanaki
22. Tataghi

A graciosidade desse baralho, entretanto, é encontrada nos dezesseis Arcanos Menores. Cada naipe - aqui chamados Kumpanias -  representa uma etnia dentro do povo Cigano, associável a um dos naipes do baralho convencional:

Os Kalderach, rom da Europa Central, são associados a facas, espadas e punhais e ao elemento Ar, e suas cartas são vermelhas.
Os Mamush do norte da Itália são associados às moedas e ao elemento Terra, e suas cartas são amarelas.
Os Gypsies irlandeses são associados a panelas, tampas, portes, cestas, caixas e ao elemento Água, e sua cor é verde. 
Os Gitanos andaluzes são associados aos bastões de madeira e instrumentos musicais, assim como ao elemento Fogo e à cor azul.



Cada uma das Kumpanias é composto por quatro cartas. À guisa de Ás, temos a  Ferramenta, representação dos seus símbolos e a mantenedora da tradição; o Pai, aquele que, por manter a tradição, traz o passado consigo; a Mãe, que transmite e educa no presente; e a criança, que é o futuro de toda a Kumpania. Essas cartas, mais que significados específicos ou personalidades, trazem consigo a possibilidade de temporalizarmos as previsões - e encontrarmo-nos em diferentes idades, em função do que precisamos saber.


Tá difícil achar esse livro...


Essas 38 cartas, muito evocativas, são meu desafio para 2016. Entendê-lo e encontrá-lo dentro de mim, para que essa linguagem sirva ao seu propósito: servir ao próximo no encontro de respostas.

E você? Já encontrou o seu desafio para 2016?

Abraços a todos.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

VIDEO: Decifrando o passado - o segredo das cartas de baralho.

Olá pessoal. Eu já vi esse documentário algumas vezes, mas sempre vale ver de novo. Didático e objetivo, além de bastante lúdico. Aproveitem.



Decifrando o Passado - O Segredo das Cartas de... por BlackMessiahTDC

Abraços a todos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os baralhos astrológicos: Symbolon.



Olá pessoal. Falemos do mais divertido baralho astrológico que conheci.
Conheci esse baralho há algum tempo, no projeto do Giancarlo Schmid, Alpha Symbolon. Mais recentemente, conversando com ele, pedi-lhe que retomasse o projeto, que é fantástico, e é algo que generosamente ele tem feito em sua página no Facebook. Evidentemente que o meu desejo por esse baralho despertou de vez e eu me vi impelido a adquiri-lo. Depois de muitos percalços, finalmente pude manuseá-lo pela primeira vez [MUITO obrigado, Socorro Van Aerts!]. 
O Symbolon tem sua estrutura baseada na inter-relação dos doze padrões astrológicos puros entre si. Dentro da fórmula matemática 12+11+10+9+8+7+6+5+4+3+2+1=78, poderíamos a priori e a grosso modo, considerá-lo um Tarô, mas incorreríamos em um erro crasso - como bem sabemos, a estrutura do Tarô é formada por 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores divididos em quatro naipes, enquanto o Symbolon é formado por 78 cartas de igual valor. Contudo, não podemos deixar de considerar essa soma interessante - particularmente, quando parei para pensar para escrever esse artigo, fiquei MUITO pensativo nessa questão. Nesse momento, entretanto, atentarei para as questões estruturais do baralho, deixando as questões simbólicas para outro momento.

Esta é, para mim, uma das mais icônicas imagens do
baralho. Repare que as "peças" que o homem manipula
e estão pelo chão são, na verdade, facetas das doze
personas do primeiro arco do baralho.

As primeiras doze cartas do baralho apontam para os modelos astrológicos. Dentro da lista abaixo, a primeira carta é a carta pura do signo astrológico/planeta e as demais representam as inter-relações deste com os demais. Na verdade, entendendo bem a proposta para as doze primeiras cartas, entender as demais se torna bem mais fácil. Elas estarão representadas - atente para as vestimentas e para as cores do cenário. 

As cartas de Áries/Marte



Personagem: The Warrior
Grupo composto por 10 cartas:
Defiance, The Battle, Eros, The Stocks, Guilt, Disagreement, The Vampire, The Crusader, Prevention, The Spiteful Troublemaker.

As cartas Touro/Vênus



Personagem: The Lover
Grupo composto por 11 cartas:
The Two Faces of Eve, The Queen, Eros, The Golden Girl, Clinging, The Gilded Cage, The Marionette, Matter and Spirit, Responsibility for Creation, The Farewell, The Garden of Spirits.

As cartas de Gêmeos/Mercúrio



Personagem: The Mediator
Grupo composto por 12 cartas:
Articulation, The Actor, The Stocks, The Golden Girl, The Strategist, Vanity Fair, The Pied Piper, Master and Disciple, Afliction, Dreaming Johnny, Silence, The Inquisition.

As cartas de Câncer/Lua



Personagem: The Mother
Grupo composto por 11 cartas:
Defiance, The Two Faces of Eve, Articulation, Incompability, Caring, The Family, Abortion, Mnemosyne, The Ice Queen, Deliverance, Sleeping-Beauty Slumber.

As cartas de Leão/Sol



Personagem: The Ego
Grupo composto por 11 cartas:
Incompability, The Battle, The Queen, The Actor, The Ailing King, The Wedding, The Magician, Fortuna, The Burden, The Fall, Retreat.

As cartas de Virgem/Mercúrio



Personagem: The Servitor
Grupo composto por 10 cartas:
Caring, The Ailing King, Guilt, Clinging, The Strategist, Everyday Life in Relationship, Castigation, Fear, The Furies, Deception.

As cartas de Libra/Vênus



Personagem: The Partner
Grupo composto por 11 cartas:
The Family, The Wedding, Disagreement, The Gilded Cage, Vanity Fair, Everyday Life in Relationship, Disaster, The Symbolon,  Sadness, Separation, The King's Two Children.


As cartas de Escorpião/Plutão



Personagem: The Seducer.
Grupo composto por 11 cartas:
Abortion, The Magician, The Vampire, The Marionette, The Pied Piper, Castigation, Disaster, Black Mass, Depression, The Phoenix, The False Halo. 

As cartas de Sagitário/Júpiter



Personagem: The Preacher.
Grupo composto por 11 cartas:
Mnemosyne, Fortuna, The Crusader, Matter and Spirit, Master and Disciple, The Inquisition, The Symbolon, Black Mass, Confession, The Quantum Leap, Pythia.

As cartas de Capricórnio/Saturno



Personagem: The Master.
Grupo composto por 11 cartas:
The Ice Queen, The Burden, Prevention, Responsibility for Creation, Afliction, Fear, Sadness, Depression, Confession, Captivity, Moira.

As cartas de Aquário/Urano


Inevitável comparar essa carta com a Temperança do Waite-Smith.
Quem foi na minha palestra da Confraria Brasileira de Tarot,
sabe do que estou falando.

Personagem: The Jester.
Grupo composto por 11 cartas:
Deliverance, The Fall, The Spiteful Troublemaker, The Farewell, Dreaming Johnny, The Furies, Separation, The Phoenix, The Quantum Leap, Captivity, The Question of the Grail.

As cartas de Peixes/Netuno



Personagem: The Angel.
Grupo formado por 11 cartas:
The Absolute Fool, Sleeping Beauty-Slumber, Retreat, The Garden of Spirits, Silence, Deception, The King's Two Children, The False Halo, Pythia, Moira, The Question of the Grail.

Você pode conhecer todas as cartas neste álbum aqui. Se você quiser experimentar o Symbolon, pode tentar uma leitura aqui. Em inglês. E mais: o Giancarlo está fechando turmas em São Paulo e no Rio de Janeiro para  o primeiro curso de Symbolon do Brasil. Se você possui interesse em cartomancia e em astrologia, não pode perder! Contatos com o próprio, em sua página no Facebook.



Decidiu adquiri-lo? Não pense duas vezes: Coelestium.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Hoje é o Dia do Baralho!!!


Cartas, as paixões, os instrumentos, os meios e os fins nas mãos do Cartomante. E hoje temos um dia só para elas.
A COPAG do Brasil lança essa data como um marco na história do baralho (e consequentemente da Cartomancia) brasileira. Eu tenho a honra de participar dessa história, a cada vez que torno as cartas um livro de histórias reais, não mais metáforas, mas fatos. 
Celebremos, todos que amamos a Cartomancia, esse dia que nos traz a lembrança do quão importantes somos.



Para celebrarmos essa data, o Conversas Cartomânticas sorteará quatro Baralhos Para Ver a Sorte - um para cada ano de existência do blog. Lembrando que o novo livretinho do baralho respeita a Escola Brasileira e foi escrito por mim, uma conquista e tanto; há alguns anos, estive desesperado por um Baralho Para Ver a Sorte; hoje, todos tem a oportunidade de ter em suas coleções um dos melhores baralhos já editados. 
Para concorrer, basta deixar um comentário nessa postagem com seu nome e email. 
O sorteio será dia 20 de setembro.

Abraços a todos.Celebremos!!!

Post Scriptum: A Carolina Bamberg lançou um vídeo sobre a escolha dos baralhos, e fala do Baralho Para Ver a Sorte. Deem uma olhada!



sábado, 21 de abril de 2012

Game of Thrones Playing Cards.


Essa é uma daquelas situações em que você fica embasbacado e só. Pelo menos, foi assim que eu fiquei. 
Não faço segredo de que estou apaixonado pela série. Ainda não li os livros -um prazer a ser vivenciado sem pressa. A segunda temporada só começou, ainda tenho tempo. Creio que devo ler os livros sempre uma temporada atrasado. Assim, tenho o prazer da ansiedade pelo novo episódio sem o conhecimento de como os eventos se encadearão.
Mas... Depois de descobrir esse souvenir... Acho que falta de pressa não é um bom termo.

Representando as famílias Baratheon (Espadas), Targaryen (Copas), Lannister (Ouros) e Stark (Paus), temos, nas cartas numeradas de 2 a 10 o emblema da referida família mas, sobremaneira, a parte divertida está nos Ases, na Corte e nos Coringas.


Eu conheço alguns baralhos comemorativos, e alguns promocionais também. Mas, sinceramente, nunca vi um trabalho tão condizente com a história que motivou a produção. E aqui não estou me referindo em nada a significados adivinhatórios: estou observando a escolha dos personagens e a disposição diante das quatro estruturas possíveis. Um trabalho fantástico, que não mutila em nada os próprios personagens. Pelo contrário, propõe magníficas reflexões.


O naipe de Paus, representando o Casa Stark, tem como Rei Eddard "Ned", como Rainha Katelyn, como Valete Arya e como Ás Jon Snow. 





O naipe de Copas, representando a Casa Targaryen, com o "Rei" Viserys (quem assistiu entenderá minhas aspas, ásperas por natureza e opção), a Rainha (Khaleesi, por favor) Daenerys, tendo por Valete Sir Jorah da Casa Mormont. Seu Ás é Khal Drogo.






O naipe de Espadas, representando a Casa Baratheon, tem como Rei Robert, como Rainha Cersei, como Valete Renly e como Ás Joffrey.






O naipe de Ouros, representando a Casa Lannister, tem como Rei Tywin, como Rainha Cersei (a única personagem com o privilégio de representar duas cartas - seria isso um reflexo do seu comportamento?), como Valete Jaime e como Ás Tyrion. 




Fica um pouquinho complicado tecer considerações sem dar spoilers. Mas repare que nos naipes pretos temos os principais casais da trama representando os Reis e Rainhas. Nos naipes vermelhos, os Reis e Rainhas possuem relações de parentesco. Os Valetes são personagens axiais, com relação direta com os Reis e Rainhas. E os Ases são os pontos de transformação e ignição dos naipes - são os personagens mais singulares correlacionados às respectivas Casas.



E os Jokers são um capítulo à parte. Afinal de contas, rei morto, rei posto, e eles continuam em frente.


Como esse baralho é baseado nas Casas mais proeminentes da primeira temporada, resta-nos suspirar pela perspectiva de que, nessa temporada, as demais se apresentem e um segundo baralho seja feito. Os Greyjoy já estão dando o que falar.




Aguardemos.
Abraços a todos.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Da posse do baralho.

Depois de falar sobre o colecionismo em si, e já tendo falado sobre nossos primeiros passos, fiquei pensando sobre o que nos leva a escolher determinado baralho como nosso favorito. Não existem razões objetivas para tal, e é difícil crer que elas poderiam existir. Um baralho já é, por si só, subjetivo, para que razões objetivas pudessem nortear sua escolha.
Passando os olhos pela minha coleção particular, e conversando com amigos sobre suas coleções, verifiquei que, em sua grande parte, as coleções não são norteadas para a prática do Tarô profissional, isto é, o gosto do colecionador é soberano às necessidades de uma ferramenta de trabalho. Utiliza-se um para a consulta e atendimento e vários para aulas e estudos.
Mas, o que norteia essa escolha, insisto? O que faz com que determinado baralho seja o baralho?
Eu senti que havia encontrado meu baralho quando abri a caixa do Ancient Italian. A sensação que tive, e partilho, é que ele pode ser manipulado por qualquer pessoa. Pode até mesmo ser embaralhado. Isso não tem a menor importância. Ele não foi consagrado em um ritual. Ele já me era sagrado. Ele já chegou pleno, sem necessidades de confirmações. Tal é minha certeza, e tal é o feedback que recebo das consultas feitas à ele, que vejo que ele foi o resultado de anos de busca, iniciada com um Marseille Jean Payen. Todos os baralhos anteriores foram uma preparação. Todos os baralhos posteriores, padrões de comparação. Ele é o meu baralho. Ele é meu.


Mago
1JJ


E isso ficou muito claro para mim há alguns dias. Adquiri um 1JJ da USGames Brasil, junto de um Thoth Mini (Blue Box). O 1JJ é um baralho suíço magnífico, clássico, e interessante, sobretudo, àqueles que possuem uma linhagem pagã de natureza grego-romana: Nesse baralho, temos uma das primeiras tentativas de substituição da Papisa e do Papa, cujos títulos até hoje causam incômodos em algumas pessoas. Nesse baralho, temos a Papisa substituída por Juno e o Papa substituído por Júpiter [daí o título 1J(uno)J(upiter)]. As demais cartas possuem correspondência clara àquelas do padrão Marseille. Conheci esse baralho em 2001, nas mãos de uma cartomante que, apesar do tanto que sabe, oculta seus dotes do grande público. Angela é seu nome. Porque certamente ela fala com seus pares diretamente, sem maiores intermediações.


Juno
1JJ


Desde então, tinha o desejo de obter um baralho desses. Desejo, não necessidade; mas diante da possibilidade, quem não confunde um e outro? Encomendado, ansiosamente aguardado. Em mãos.
Abri-o. E ao abri-lo, percebi o quão belo ele era in loco, em mãos. Manipulei-o. Mas algo estava errado. Ele não era meu. Era, objetivamente, porque eu o havia comprado e pago seu valor a quem cabia receber, mas não era meu, da forma como um baralho deve ser. O baralho, como a varinha da Arte, é uma extensão de seu proprietário. Aquele baralho não era uma extensão de mim, ainda que, aparentemente, fosse – eu me dedico ao estudo dos padrões marselheses, em especial, e aquele era um marselhês! Por que, por que ele não ressoava comigo?
À noite, encontrar-me-ia com uma grande amiga, também cartomante. A tentação de levá-lo era muito grande, mas, paradoxalmente, eu sabia que aquele baralho não voltaria comigo. E justamente por isso não queria levá-lo. Poxa! Onze anos para obtê-lo! Não, não quero desfazer-me dele. Não quero! 
*pausa para birra com direito a bater os pezinhos e as mãozinhas com os olhos cerrados*
Lá fui eu, com meu Ancient Italian e o 1JJ na bolsa. O Ancient eu sabia que voltaria. O 1JJ, torcia para que voltasse.
Ela viu, seus olhos brilharam como quem acaba de descobrir que amores à primeira vista existem. Ela o tocou. Ela o manipulou, viu carta a carta. Como quem acaba de comer uma fruta exótica em um local distante de sua casa, e sabe que aquele deleite é único e precioso, tendo que ser aproveitado à exaustão – sabe-se Deus quando ter-se-á tal deleite novamente. E eu, observador que era da cena, tive a dolorosa certeza de que aquele baralho, definitivamente, não era meu.
Ainda fiz um último esforço em guardá-lo na bolsa. Mas voltar com aquele baralho seria ter a certeza de ter um objeto roubado em casa. Apesar de eu ter pago por ele, eu era apenas o intermediário entre a ferramenta e o proprietário. 
O baralho ficou com ela. E, por mais que eu quisesse sentir o coração partido em 78 pedaços, eu sabia que ele nunca tinha sido meu.


Sol
1JJ


Mas a história não acabou aqui, ao contrário; foi aqui que ela começou. Na primeira oportunidade, ela jogou para mim com o 1JJ. E eu vi, naquele baralho, nas mãos daquela cartomante, uma mestria que eu jamais teria com um 1JJ – pois meu coração já tem um dono, italiano (que desliza em minhas mãos contando histórias antigas de um tempo em que esse corpo não era senão um brilho nos olhos de minha genitora quando ela sonhava com um futuro promissor) e não quero dividi-lo com mais nenhum outro; naquele momento, e diante da desenvoltura com que as cartas conversavam com ela, espanando os cantinhos da minha alma para entrar num ano novo com uma proposta integralmente nova, limpa e plena (surpreendente para ela e para mim, já que – aparentemente, nessa vida – era a primeira vez que ela havia visto tais imagens), naquele momento eu entendi que ficar com aquele baralho seria uma atitude não só mesquinha, como avara. Seria considerar a materialidade de um baralhomais importante que o serviço à Arte. Tenho a firme convicção de que não passamos de carteiros do Divino quando lemos as cartas, mas carteiros não só leem e anunciam como também entregam encomendas. Esta era, a priori a contragosto, a posteriori com pleno deleite, dela. Da minha cartomante. Não minha.  
Um outro chegará para mim. Mas, quando ele vier, eu saberei exatamente qual é o papel que ele ocupará na minha vida e no meu trabalho. Porque este primeiro eu sei que cumprirá sua tarefa de oráculo perfeitamente. Já vem cumprindo, na verdade. 
Fica aqui meu convite, meu desafio. Encontre o baralho do seu coração. E todo o resto passará a fazer pleno sentido. E todo o resto, fazendo sentido, perderá a importância – porque o seu coração está em casa, e de lá não mais quererá sair.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Oráculos Wicca da Editora Pensamento: Material de treinamento para Covens, material de reconhecimento das práticas para Solitários



Eu não faço segredo de que sou apaixonado pelo Livro e Baralho Wicca, de Sally Morningstar. Esse livro acompanha-me desde o início do meu treinamento na Arte, e tem sido muito útil. Suas belas imagens, assaz evocativas, não só guiam a interpretação como podem ser utilizadas em rituais, na ornamentação do Altar, em meditações Solitárias ou coletivas... Consigo antever diversas aplicações. Espero que você partilhe da minha visão.
Esse oráculo é formado por 42 cartas não numeradas, com uma sentença, conforme segue:


Arádia (Herança)
O Morcego (Renascimento da consciência)
O Cálice (Fertilidade)
A Vela (Iluminação)
A Espiral (Atração) 
O Sino (Despertar)
Gaia (Cura)
O Familiar (Aliado)
A Senhora (Incorporação)
O Homem Verde (Crescimento)
Espelho (Percepção)
O Galho Prateado (Amor)
O Manto (Camuflagem)
O Sumo Sacerdote (Guardião)
Lua (Senso de oportunidade)
O Neófito (Estudo)
A Vassoura (Limpeza)
O Pentáculo (Evocação)


A Serpente (Poder)
A Varinha (Intenção)
A Estrela de Seis Pontas (Unificação)
O Gato Preto (Psiquismo)
O Athame (Comandante do poder)
A Pedra Furada (Proteção)
Nêmesis (Lições)
O Caldeirão (Útero)
A Caverna (Recolhimento)
Aranha (Padrões)
A Rainha de Elfame (Magia e beleza)
O Cordão (Iniciação)
O Corvo (o Guardião dos Segredos)
O Feitiço (Encantamento)
O Deus Cornífero (Força vital)
O Cone de Poder (Energia)
Bola de Cristal (Introvisão)
Shekinah (Transcendência)
Água Sagrada (Purificação)
A Espada (Aspiração)
O Mago (Retidão espiritual)
A Coruja (Guardiã da Sabedoria)
O Livro das Sombras (Experiência)
A Anciã (Desprendimento)


O livro que acompanha o baralho é um pequeno Livro das Sombras. Como não contamos com uma versão “oficial” do mesmo e cada aprendiz é incentivado a fazer o seu próprio, tenho nesse livro um bom resumo da literatura wiccaniana que conheço. Nele estão descritas as comemorações de Sabás e Esbás, meditações, rituais de limpeza, evocação e consagração, uma tabela de correspondência bem interessante, aplicações para cada uma das cartas. Para um praticante Solitário ou iniciante, é uma obra de custo/benefício evidente.


Força
Witche's Tarot

Além do mais, eu vejo diálogos intensos entre essa obra e o Tarô das Bruxas, de Ellen Cannon Reed. Existem diversos baralhos intitulados Tarô das Bruxas, afinal de contas, esse é um nome muito evocativo. O baralho corresponde a um Tarô convencional – 22 Arcanos Maiores, 56 Arcanos Menores, sendo numeradas de Ás a dez e mais as Cartas da Corte (Rei, Rainha, Príncipe e Princesa ) em cada um dos quatro naipes, totalizando catorze cartas por naipe. 
A obra de da autora é um marco na literatura wiccaniana, por apresentar o método de treinamento do seu Coven, correlacionado com o Tarô e com a Cabala . A relação entre Cabala e Feitiçaria nunca ficou tão clara e aplicável às nossas práticas específicas quanto na literatura produzida por Reed, creio eu. 
Recomendo a leitura dessas duas obras, caso se interesse por Cabala – ou deseje arejar a mente com práticas diferentes daquelas tidas como convencionais na Arte. Na obra de Morningstar, é algo mais subjetivo – algo como a disposição dos planetas na mandala da toalha, ou como as cartas Cone de Poder (que tem o Tetragramaton representado na imagem) e Shekinah (o Reflexo Feminino de Deus). No livro de Reed, é evidente: conforme disse anteriormente, ela utilizava em seu Coven a estrutura cabalística para o treinamento, e seu baralho possui imagens evocativas dos caminhos cabalísticos. 
Recentemente, travei contato com a obra Oráculo Wicca. Edição Lo Scarabeo, ilustrado por Nada Mesar. É um baralho bem interessante, composto por 33 cartas que correspondem a conteúdos fundamentais para o neófito entender e vivenciar a Arte dos Sábios. O oráculo é composto por:


Quatro cartas representando as quatro ferramentas dos Elementos: 
1. Athame (Ar)
2. Pentáculo (Terra)
3. Cálice (Água)
4. Varinha (Fogo)


Duas cartas dos Deuses:
5. Deusa (Aradia)
6. Deus Cornífero (Cernunos)


Oito Cartas representando os Oito Sabás:
7. Imbolc
8. Ostara
9. Beltane
10. Midsummer
11. Lammas
12. Mabon
13. Samhain
14. Yule

Dezenove cartas metafísicas:

15. O Outro Mundo
16. As Três Sábias
17. O Carvalho
18. A Espiral
19. O Gato
20. O Anel
21. A Máscara
22. O Caldeirão
23. O Corvo
24. A Borboleta
25. O Livro das Sombras
26. A Mandrágora
27. A Raposa
28. A Árvore da Vida
29. A Vassoura
30. O Lago
31. A Carruagem
32. A Égua
33. A Harpa Celta



Por minha própria formação, eu recomendo veementemente que baralhos sejam usados no treinamento dos Neófitos. Primeiro, por funcionarem como recurso mnemônico: ao ver a imagem, o Neófito relaciona imediatamente o conteúdo imagético com aquilo que simboliza na Arte, e assim a ideia vai se sedimentando em sua psique. Em outras palavras, quanto mais ele vê a imagem, mais facilmente ele apreende o sentido intrínseco do símbolo. 
Se para os Neófitos eu recomendo, para os Solitários considero indispensável. Evidentemente, eu sou cartomante, antes de Bruxo, e tenho a Cartomancia em alta conta, o que me torna pressuposto nesse sentido; por outro lado, eu tenho a experiência da eficácia dessa utilização tanto em minhas práticas solitárias quanto em grupos.
Em segundo lugar, a prática da Cartomancia é uma das formas mais efetivas de se compreender o poder da Arte em ação. Porque ler cartas é um ato de magia, cujos efeitos são imediatos (o consulente se reconhece, ou não, naquilo que é visto), de médio prazo (o feedback do consulente ao retornar para uma nova consulta) e de longo prazo (o cartomante passa a compreender padrões que norteiam seu próprio comportamento, se afetando menos pelas alterações bruscas na natureza dos eventos).  
Dessa forma, recomendo os oráculos acima para aqueles que querem conhecer na prática a Antiga Religião, vivenciando seus símbolos. São dois baralhos e um Tarô que podem mudar sua vida, efetivamente, para melhor. Permita-se mergulhar em outras searas. Escolha mudar sua vida... Perscrutando o porvir.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


MORNIGSTAR, Sally. O livro e o baralho Wicca. 5 ed. Tradução de Denise de C. Rocha Delela. São Paulo: Pensamento, 2008. Acompanhado de 42 cartas coloridas ilustradas por Danuta Mayer.
REED, Ellen Cannon. A Cabala das feiticeiras: o caminho pagão e a árvore da vida. Tradução de Márcia Frazão. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
__________. O Tarô das Bruxas. Tradução de Eudes Lucani. São Paulo: Pensamento, 2004. Acompanhado de 78 cartas ilustradas por Martin Cannon e de um quadro de disposição das cartas.
LO SCARABEO. Oráculo Wicca: busque orientação na sabedoria milenar das Bruxas. Tradução de Denise de C. Rocha Delela. São Paulo: Pensamento, 2007. Acompanhado de 33 cartas coloridas, ilustradas por Nada Mesar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Conversas Cartomânticas: Um baralho para chamar de meu.

Quatro de Paus
Albano Waite

Olá pessoal. Recebi dois comentários em postagens distintas, e, dada a natureza dos mesmos, acredito que seja melhor respondê-los juntos, e conversando com vocês. A Cacá disse: 
"Oi, Emanuel: Sempre tive muito fascínio por tarôs, tenho vários: Baralho Cigano, Tarô dos Anjos, Tarô Mitológico e outros. Gostei do teu blog e a minha dúvida é: Sendo apenas uma estudiosa do assunto, posso ler carta para outra pessoa? e qual baralho vc me indicar para que eu possa realmente ¨ler¨uma carta de verdade? Um abraço"
E o Junior disse, na postagem sobre o Guia de Tarô:
"Gostaria de saber se o livro é bom para quem começa o aprendizado"
Acho pertinente explorarmos as duas questões como se fossem uma, já que, em essência, são. Como começar, e por onde?
Nei Naiff publicou um excerto da revisão de sua trilogia (recomendadíssima, inclusive) no grupo Tarologistas, que merece ser citada aqui. 
Tarotista é a pessoa que usa o tarô para fins taromânticos — nem todo tarólogo é um tarotista, e nem todo tarotista é um tarólogo. Encontramos ótimos tarotistas usando a vidência ou que raramente estudaram o assunto; então, não podem ser tarólogos, pois sequer sabem da história (documentada) da cartomancia ou da estrutura do tarô. Há bons tarólogos que conhecem perfeitamente as cartas e sua história, mas nunca jogaram profissionalmente — digo daqueles que jamais atenderam desconhecidos, cobraram pela consulta ou que nunca tiveram a coragem de jogar sequer para a família ou amigos — estes, também, não podem ser considerados tarotistas. E ainda existem aqueles que não são nem um nem outro, são apenas estudantes ou entusiastas. Mas nada disso invalida ninguém, uma vez que tais desmembramentos existem em qualquer área: nem todo advogado pode ser juiz, nem todo médico é cirurgião, nem todo ator consegue cantar. Portanto, cada um possui um dom ou a falta de oportunidade para uma prática efetiva; em todo caso, creio que são necessárias ponderações, visto que o mercado esotérico se expandiu muito nas últimas décadas e nem todos estão aptos ao ensino ou ao atendimento (presencial ou on-line).
NAIFF, Nei. Tarô, simbolismo e ocultismo (volume 1 da trilogia dos Estudos completos do tarô), Nova Era.

Então, antes de qualquer investida nesse ramo, é bacana pensar aonde se quer chegar. Você quer ser mesmo um cartomante, ou só saciar uma curiosidade? E, se seu desejo for pelo Tarô, você deseja se tornar um tarólogo ou tarotista, ou ainda ser os dois? Evidentemente, haverão acidentes de percurso e mudanças de rota que nos direcionarão para o melhor caminho dentro da nossa experiência.
Sabendo disso, de quão grande é sua paixão para transformar a leitura de um livro acompanhado de algumas cartinhas um hobby ou, para além disso, uma profissão, fica mais fácil irmos adiante nessa proposta.
Um detalhe que é importante ressaltar, mesmo. Ser cartomante não pressupõe jogar Tarô e nem obriga o estudante a enveredar por ele. Para jogar as cartas comuns e o Petit Lenormand, não precisamos conhecer nada de Tarô - talvez, por contraponto, sua história, não mais que isso;  é importante resistir à tentativa globalizante de correlação de tudo com tudo. Nem tudo combina, relaciona, reafirma, contrapõe, simboliza, representa, explicita algo pelo puro desejo do cartomante. O que, por ser limite, abre um horizonte confortável de possibilidades. Imagine... Relacionar tudo com tudo... então tudo pode ser... tudo! E, se tudo é tudo, o que está fora de tudo? E, se eu posso jogar tudo, para quê vou comprar um baralho caro se posso fazer tudo com um baralho baratinho de lojas de conveniência?
Dadas essas ressalvas, escolha seu baralho. Que seja de uma marca boa, para que ele dure, que tenha uma impressão de qualidade, que o tamanho dele se ajuste bem às suas mãos, que ele seja iconograficamente agradável. Até aí, a escolha é puramente material. 
Depois de escolher pela perspectiva material, passe para a perspectiva interpretativa. Os significados básicos do Tarô já são encontrados em diversos manuais e textos por aí. Mas é o diálogo entre o cartomante e os detalhes de seu baralho que fazem que o oráculo seja tão efetivo. Então, procure referenciar-se adequadamente. Leia os livros que acompanham os baralhos, mas não se restrinja a eles. No caso de um Waite-Smith, por exemplo, leia o The Pictorial Key do Arthur Edward Waite. Ele se propôs a orientar a Pamela Colman Smith na elaboração das imagens, logo ele é a melhor referência inicial, não importa quantos comentadores tenha tido desde então (e foram muitos, muitos mesmo). Nesse caso, o Tarô Mitológico é uma das melhores obras iniciais, porque é um livro profundo que acompanha um baralho bonito e explicativo da iconografia proposta. Mas, reitero, é uma das melhores obras... iniciais.
Ok, ok. Já escolheu seu baralho, já leu o livro, bora jogar, não é? Não.
Olhe as imagens. Observe-as. Faça anotações. O que você leu no livro corresponde ao que você vê? Se corresponde, ótimo. Se não, por quê? Talvez te remeta a um evento ruim do seu passado. Talvez alguém tenha dito que aquela carta é encardida. Talvez o próprio livro a referencie como a "pior" carta do Tarô. E aí? Você concorda, quando olha a imagem? Ou só repete o que está no livro?
Jogue para você. Correlacione as imagens e forme frases. Deixe as frases fluirem como uma conversa. Esqueça a fórmula sistema+carta+casa=significado. Haverão momentos em que ela será necessária, mas não agora. Converse com as cartas, deixe que elas conversem com você. Três cartas na mesa: ao invés de pensar em passado/presente/futuro, olhe a história que elas descortinam e tente descrevê-la. Ela é sua previsão, e ela vai funcionar para você. 
Memorize ou anote. Você é seu melhor termômetro de acertos. Seus feedbacks vem através de fatos. 
Epicurean Tarot, verso

E, agora sim, jogue para os outros. Convide alguns amigos para um chá, um café, um pudim (não gosto de bebidas alcoolicas para jogar, creio que a conversa desanda no meio do processo e isso não é bom). 
Três cartas para cada um, vejamos que historinhas se descortinam. Existem perguntas a serem feitas? Responda. Não sabe a resposta? Avise. Anote as cartas, espere alguns dias. As decorrências apontarão para significados que não estavam explícitos no livro, mas implícitos no ritual.
Para aqueles que estão em São Paulo, a experiência da Pietra di Chiaro Luna, o Chá de Tarot, pode ser extremamente reconfortante. Existem outros como nós, dispostos a crescer conosco, compartilhar experiências e significados. E, evidente, sempre é bom fazer novos amigos. Recomendo.
Ah, não é pecado nem ausência de compaixão não jogar Tarô quando não se está a fim. Você não é obrigado a atender ninguém por prévias combinações cármicas que lhe trouxeram a esse planeta. 

Sol
Soprafino

E assim vai-se crescendo na Arte. Nosso baralho passa a ser, efetivamente, nosso, no sentido de parte de nós. Então, respondendo sua pergunta, Cacá, qualquer baralho de qualidade - e você tem uns bons! - pode ser utilizado para a leitura. O importante é o seu preparo e a certeza de que, se não ver nada nas cartas, vai dizer que não viu nada e não se sentir culpada por isso. Treino nessa hora é fundamental. Chame os amigos descompromissadamente. Jogue para eles, melhor ainda se eles também jogarem e quiserem jogar para você. Caso você queira um desenvolvimento mais rápido, existem cursos. Diversos profissionais, assim como eu, se propõem a oferecer cursos presenciais ou online. Pesquise seus perfis, currículos, entre em contato, peça referências, cronogramas. Bons professores são confiáveis.
E, Junior, não, o livro não é bom para começar o aprendizado; tenho sérias dúvidas se ele lhe auxiliaria mais que lhe atrapalharia. Uma das prerrogativas para assumir um baralho como seu é ter os seus detalhes como preciosidades, e um dos detalhes mais preciosos do Waite-Smith é a troca da Força pela Justiça, XI por VIII. Essa edição rompe com essa ideia, de forma tácita, sem explicar os motivos de utilizar uma iconografia que, se não atende aos propósitos da autora, não deveria ter sido utilizada. Além do mais, os Arcanos Menores pertencem ao Jeu de Tarot, sendo que o baralho possui as 78 cartas! Foi produzido um híbrido de maneira desnecessária e tácita. Não considero esse livro bom para começar sua caminhada não. Eu me divirto com ele porque o Jeu de Tarot é lindo. E é só.
Sugiro, entre os baralhos de destacar, as edições do Curso de Tarô do Nei Naiff (Marselha), o Tarô de Thoth do Johann Heyss (Thoth Crowley-Harris), a tradução da Ediouro do The Pictorial Key (Waite-Smith). Se você, como eu, não gostar de destacar cartas, sugiro o Tarô Mitológico, da Liz Greene e Juliett Sharman-Burke (atualmente publicado pela Madras), os baralhos da Artha Editora (Marselha e Waite). Tem uma edição do Antigo Tarô de Marselha, de Nicholas Conver (Pensamento), que também é bem legal, ainda que eu esteja acostumado com o padrão Grimauld - para o qual aponta o livro do Carlos Godo, da mesma editora.
E é isso. Tomemos posse de nossos baralhos.
Abraços a todos.