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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Tarô de Paco Cao.


Olá pessoal. O Page Not Found divulgou uma notícia inusitada: Paco Cao, artista espanhol e doutor em história da arte, criou um Tarô inspirado em artistas falecidos: The Eternal Rest.

Cao ganhou renome em 1996 com o projeto Rent a body [Aluga-se um corpo] (1993/1999), através do qual convertia seu corpo em um objeto acessível por meio de uma simples transação econômica, a partir da qual o locatário usaria seu corpo para toda série de atividades ou ações. Cao, que tem doutorado em história da arte, demonstra em sua obra seu conhecimento de história, embora também some a isso uma profunda reflexão dos diversos dispositivos teóricos e conceituais. Desde seus primeiros projetos, o corpo tem sido um interesse constante para Cao, assim como os diferentes usos dele como veículo de erotismo, religião, ícone histórico etc. Seu projeto Do you look like JP? [Você se parece com JP?] (2003), consistiu em organizar um concurso para encontrar um dublê do personagem Juan de Pareja, retratado por Velázquez em 1650. A consciência da história e a tentação de inserir a ficção em suas narrativas manifestam-se em seu projeto Félix Bermeu: vida soterrada (2004/2005), que consiste em escrever e publicar uma biografia romanceada do personagem de mesmo nome, apresentado como documento histórico, porém inteiramente fabricado pelo artista. (Fonte)
Amy Winehouse

A ideia de criar um baralho inspirado em personalidades não é nova. A novidade conforme o site, é que o artista espanhol está fazendo a leitura do futuro de visitantes da sua última exposição em Londres, usando um baralho (dito) nada convencional: nas cartas as figuras místicas tradicionais foram substituídas por ídolos da música já falecidos: Michael Jackson, Whitney Houston, Amy Winehouse e Kurt Cobain, "pela forte influência que eles têm sobre outras pessoas"

O que será que Whitney tem a dizer?

"Você está fazendo graça com o projeto?", perguntou um repórter do "Huffington Post"
"Não, isso é muito sério", retrucou o artista, que diz usar o espírito de Hermes para conectar os interessados a uma das estrelas falecidas. 

Michael Jackson

O "cliente" escolhe uma das 80 cartas do baralho e se prepara para a leitura do futuro. 
Paco Cao disse ter se preparado arduamente para o projeto, estudando espiritualismo, futurologia e ocultismo.
Um daqueles casos que eu sequer comento. Só assisto.
O quê será que essas cartas, chamadas de Tarô, supostamente funcionais como oráculo inspirado pelo espírito de Hermes, podem dizer..?
Confesso que estou curioso para saber.
"Eternal Rest" vai ser apresentada na galeria (Art)Amalgamated em Nova York de 30 de outubro a 10 de novembro de 2012. Quem passear por lá, conte-me depois como foi.
Abraços a todos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Para o entendimento do Arcano 18 do Petit Lenormand.

Em outubro de 2010, escrevi um artigo sobre o filme Hachiko, que se aplica muito bem ao estudo que estamos fazendo. Portanto, reformulei-o, retirando o material referente ao Tarô e concentrando-me no Petit Lenormand.



A carta 18 do Petit Lenormand é representada por um cão, corresponde ao Dez de Copas e seu poema (Carta Mundi em inglês, tradução livre): "Companheiro, o cão brincalhão / fiel e amigável todos os dias, / ao menos enquanto está perto de você / e distante das nuvens."
Uma excelente carta para se ter como companhia de jornada.



Enquanto escrevo isso, caem ainda lágrimas sobre o teclado (espero que isso não o danifique) - dois anos se passaram e eu ainda sinto o mesmo efeito. Assistir o filme Sempre ao seu lado é reconhecer a lealdade em uma história real. Meu pai já o havia assistido e, tendo se emocionado bastante, me recomendou assistir também. Só que filmes encontram seus momentos e este não havia encontrado sua hora. 
E agora vou assistir novamente.

Hachiko (忠犬ハチ公), foi um cão da raça Akita nascido em 10 de Novembro de 1923 na cidade de Ōdate, na Prefeitura de Akita. É lembrado por sua lealdade a seu dono, que perdurou mesmo após a morte deste.




Excerto do blog "Os uivos da Loba":

Era 1924 quando um cão da raça Akita foi enviado à casa de seu futuro proprietário, o Dr. Eisaburo Ueno, um professor do Departamento Agrícola da Universidade de Tóquio. A história dá conta de que o professor ansiava por ter um Akita há anos, e que tão logo recebeu seu almejado cãozinho, deu-lhe o nome de Hachi, ao que depois passou a chamá-lo carinhosamente pelo diminutivo, Hachiko. Foi uma espécie de 'amor à primeira vista', pois, desde então, se tornariam amigos inseparáveis!



O professor Ueno morava em Shibuya, subúrbio de Tóquio, perto da estação de trem que leva o mesmo nome. Como fazia do trem seu meio de transporte diário até o local de trabalho, já era parte integrante da rotina de Hachiko acompanhar seu dono todas as manhãs. Caminhavam juntos o inteiro percurso que ia de casa à estação de Shibuya. Mas, ainda mais incrível era o fato de que Hachiko parecia ter um relógio interno, e sempre às 15 horas retornava à estação para encontrar o professor, que desembarcava do trem da tarde, para acompanhá-lo no percurso de volta a casa.
No dia 21 de maio de 1925, Hachiko, que na época tinha pouco menos de dois anos de idade, estava na estação pacientemente como de costume, e de rabinho abanando, à espera de seu dono. Só que o professor Ueno não retornaria naquela tarde de 21 de maio: sofrera um derrame fatal na Universidade que o levou ao óbito. Destarte, ainda que alheio a realidade, naquele dia o leal e fiel Akita esperou por seu dono até à madrugada.




Após a morte do professor Eisaburo Ueno, parentes e amigos passaram a tomar conta de Hachiko. Mas, tão forte e inexpugnável era o vínculo de afeto para com seu amado dono — lealdade, fidelidade e incondicional amor levados ao extremo —, que no dia seguinte à morte do professor ele retornou à estação para esperá-lo. Retornou todos os dias, manhã e tarde à mesma hora, na incansável esperança de reencontrá-lo, vê-lo despontar da estação de Shibuya. Às vezes, não retornava à casa por dias!
Foi assim por dez anos seguido  repetindo a mesma rotina, quiçá já não tão feliz, razão pela qual já era uma presença familiar e pitoresca para o povo que afluía à estação. E ainda que com o transcorrer dos anos já estivesse visivelmente debilitado em conseqüência de artrite, Hachiko não se indispunha a ir diária e religiosamente à estação. Nada nem ninguém o desencorajava de fazer sua peregrinação!
Em 8 de março de 1935, aos 11 anos e 4 meses, Hachiko é encontrado morto no mesmo lugar na estação onde por anos a fio esperou pacientemente por seu dono, onde durante dez anos se tinha mantido em vigília.




Hachiko, como não poderia deixar de ser, tornou-se um marco, um referencial de amizade talvez jamais igualável em qualquer era anterior ou futura na história. Sua descomunal lealdade e fidelidade receberam o reconhecimento de todo o Japão. Em 21 de abril de 1934, praticamente um ano antes de sua morte, uma pequena estátua de Hachiko, feita de bronze pelo famoso artista japonês Ando Teru, foi desvelada em sua honra numa cerimônia perto à entrada da estação de Shibuya, local onde morreu. Era a memória de Hachiko sendo imortalizada.




Durante a 2ª Guerra Mundial, para aplicar no desenvolvimento de material bélico, todas as estátuas foram confiscadas e derretidas, e, infelizmente, entre elas estava a de Hachiko.
Após a guerra Hachiko foi duramente esquecido. Todavia, como toda história que se preze precisa ter um final feliz, em 1948 a The Society For Recreating The Hachiko Statue, entidade organizada em prol da recriação da estátua de Hachiko, convidou Ando Tekeshi, o filho de Ando Teru para esculpir uma nova estátua. Até os dias de hoje a réplica encontra-se colocada no mesmo lugar da estátua original, em símbolo de um tributo à lealdade, confiança e inteligência da raça Akita.



Uma belíssima história, que me tocou profundamente, facilmente relacionável à carta 18 do Petit Lenormand; em um nível mais físico, representa os aliados e amigos, sendo passível inclusive de representar o Anjo da Guarda do consulente, ou um espírito amigo (como em todos os casos que transcendam a interpretação corrente, é importante respeitar e adequar a linguagem às crenças do consulente, para que ele possa assimilar a informação sem se assustar).




De qualquer forma, o cão é um observador - ele vela o sono enquanto o dono dorme, ele enxerga aquilo a que o dono não deu a devida atenção. Serve como alerta para o que ele estiver observando; apesar de não causar dano direto, o dano indireto pode ser evitado pela antecipação oriunda da visão clara.
clique para ampliar

O Fábio Coala postou uma tirinha que é exatamente a ideia que o Cão oferece. Ele não se afeta pelo dano direto, nem mesmo vindo pelo dono. Uma das questões que percebo em minhas leituras é que o potencial positivo do Cão é tão poderoso que cancela ou atenua o efeito negativo das cartas que a ladeiam. Essa é de fato uma carta afortunada - quem tem um amigo, tem (mais que) um tesouro. A fidelidade do Cão é sobretudo, ao que acredita, ao que é; em seguida, ao que atende.
Contudo, a lealdade, a fidelidade não devem ser esperadas. Devem ser vividas. Semelhante atrai semelhante. Quanto mais leais formos, mais fiéis formos, mais facilmente atrairemos esses valores para nós, com pessoas de mesma ressonância. Nunca soube de um cão que oferecesse seu amor condicionalmente.
Abraços a todos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Napoleão, cartomancia e estudos cartomânticos



Quinze de agosto de 1769. Nascia nessa data o Imperador Napoleão Bonaparte (Napoleone di Buonaparte, como córsego que era, filho de pais de ascendência nobre italiana). Lider político e militar do final da Revolução Francesa, sendo responsável por estabelecer a hegemonia francesa em diversos países europeus e sendo influente inclusive na história do Brasil - sua invasão a Portugal gerou a vinda da Família Real para o Rio de Janeiro em 1808, que mudou radicalmente os rumos da história do país. Não sei se teríamos os eventos posteriores relativos à independência e à proclamação da República com eficácia sem a presença da nobreza por aqui.
O curioso é que Napoleão, conforme consta, gostava de ter seu futuro lido, assim como sua primeira esposa, Josephine.
E sua leitora era nada mais, nada menos que Mlle. Lenormand.


São creditadas a Mlle Lenormand duas obras relativas a Napoleão: Um estudo quiromântico sobre a mão direita do imperador e o mais conhecido, o baralho com o qual consta que a sibila o atendia: Petit Lenormand. 

A obra quirofisiognômica é póstuma, dificultando corroborar sua autenticidade; no caso da segunda, sabemos ser impossível, já que o baralho foi desenvolvido muito tempo depois de Mlle Lenormand ter construído sua fama. É muito mais adequado ao período que Mlle Lenormand utilizasse um Petit Etteilla, ou mesmo a Cartomancia tradicional francesa, na qual Etteilla se baseou para construir seu método de leitura.


Mas hoje, tomaremos o Imperador como personagem da Cartomancia. Uma forma lúdica de apreendermos conceitos aplicáveis à prática.
...E se Napoleão fosse uma carta? E se o tomássemos por uma imagem arquetípica?


No Tarô, evidentemente, seria o Imperador. Podemos, inclusive, comparar uma obra de David a uma obra de Pamela Smith, pela similitude dos atributos utilizados na elaboração das respectivas imagens. E não poderia deixar de fora o Imperador do Lenormand Tarot.


No Petit Lenormand, seria o Cavaleiro. Rápido, sagaz, realizador, veloz, com pouca experiência na espera. Quem o venceu, de fato, não foram homens; foi o inverno russo... que ele não soube esperar passar.

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No Sibilla della Zingara, algumas cartas poderiam ser encadeadas em uma biografia imagética. Concentramo-nos no fim de sua vida, nesse caso.


Fica aqui a experiência de um exercício muito divertido, do qual experiências muito ricas emergem: tente contar uma história com as cartas. Busque não só significados, mas encadeamentos. Como poderiam ser lidos nas cartas os fatos já consumados? Como poderiam ter sido evitados? Na verdade, poderiam ter sido evitados? Se houveram atrasos e erros de percurso, como poderíamos adiantar os eventos? Qual teria sido o melhor caminho?
Conversaremos mais sobre isso adiante. 
Abraços a todos.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ameaça nas trilhas do Tarô

Será possível prever o futuro pela leitura das cartas do Tarô?
Carolina resolveu experimentar e…
Muitas ameaças se anunciaram para ela e seus amigos, Fátima, que não conseguia amar de verdade, e Fabrício, que não decidia com quem iria morar após a separação dos pais.
Carolina será capaz de compreender a mensagem dos misteriosos arcanos para poder evitar o perigo, ajudando seus companheiros e a si mesma?
Para saber, só mesmo mergulhando nos segredos desse universo místico, juntamente com um grupo de jovens estudantes que descobriu um baralho muito antigo e mágico.




Olá pessoal. Duvido que algum de nós que gosta de ler tenha passado incólume pela Série Vagalume. E, revendo a lista de livros para ver qual eu ainda não tinha lido, reencontrei esse título que, além de me transportar anos atrás, me motivou a ler um livro com um novo olhar. Quando eu o li, era só um moleque interessado em esoterismo que lia revistinhas de banca achando que poderia interpretar os mistérios do mundo. Hoje, sabendo que já tá bom demais eu conseguir interpretar um baralho de Tarô e olhar pro meu futuro com olhos bem mais condescendentes (porque mistérios do mundo é coisa demais para uma vida só), quis reler a obra Ameaça nas trilhas do Tarô, de Sérsi Bardari.



Na época em que eu li, eu não tinha o acesso fácil à tecnologia que tenho hoje. Hoje, quando nos interessamos por uma obra, lançamos seu nome num site de pesquisa e vemos o que temos de resumos, resenhas, opiniões. Nesse caso, específico, eu preferi o caminho antigo. Comprei o livro (tá ok, foi pela internet, nem foi o caminho antigo ipsis litteris) e o reli. Com olhos de primeira vez, mas atento aos detalhes que não seria capaz de captar outrora - eu amadureci e outros horizontes se delinearam. Talvez por isso eu goste tanto de reler livros - eles revelam até onde eu consegui ir desde que os manipulei pela primeira vez.
A história fala de Carolina, uma menina tímida, por volta dos seus quinze anos - está na oitava série - que adquire um baralho de Tarô (um Tarô de Marselha - não tínhamos na época a variabilidade de baralhos acessíveis no mercado brasileiro atual) e começa sua jornada (uma história bem familiar a muitos de nós, não?)


Carolina abre as cartas para sua amiga Fátima.
Ilustração de Bilau & Salatiel para o livro. 
Ameaça nas Trilhas do Tarô, p.32


Esse livro, como todos os demais pertencentes a essa série, é facílimo de ser encontrado em qualquer biblioteca pública ou biblioteca escolar. E valem muito a pena, por sua leitura fácil e agradável, fluida e descompromissada, escondendo grandes lições cotidianas. Para se ter por perto a qualquer momento, passagem de metrô, viagem de ônibus, espera por um táxi... intermeio de caminhos até o veículo certo poder levar você ao seu destino.
E você? Quais livros da Série Vagalume você leu? Que tal relembrar aqui?
Tive a gratíssima surpresa de encontrar o autor, Sérsi Bardari (site), para um bate-papo online. O resultado de nossa conversa você lê em seguida.



1. Você joga Tarô? Se joga, há quanto tempo?


Eu aprendi a jogar o Tarô Egípcio com uma moça que chama Nelise, que, hoje em dia, se eu não me engano, está em Brasilia. Isso foi na década de 1980. Naquela época, comecei lendo as cartas para conhecidos e depois acabei lendo por um curto período de tempo profissionalmente. Mas logo percebi que não queria continuar, pois tinha de ser algo doado, e só para pessoas que soubessem compreender o modo simbólico e voltado para o autoconhecimento.


2. Como surgiu a ideia do livro Ameaça nas trilhas do Tarô?


Eu sempre entendi as cartas como um grande auxílio de acesso a conteúdos inconscientes, para um processo analítico. Como estudioso da obra de Carl Gustav Jung, percebi no Tarô um modo de driblar a mente mente racional, como forma de acessar o lado emocional e, assim, tentar um equilíbrio em ambos (racional e emocional) de modo a atingir o self.
Daí, por conta das minhas leituras de Jung, do Tarô e das minhas concepções sobre esse jogo milenar, pensei em repartir esse conhecimento com os jovens.


3. As imagens do livro remetem diretamente ao Tarô de Marselha editado pela Editora Pensamento (falo isso por causa da imagem do verso das lâminas na página 99), mas os significados que você aplica não estão no livro do Carlos Godo, que muito pouco disserta sobre as cartas numeradas, as cartas que mais aparecem nas leituras de Carolina. Quais foram suas fontes de pesquisa sobre Tarô para compor os significados que aparecem no livro?


Sim, eu usei o Tarô me Marselha, por ser o mais conhecido. Mas, para descrever os significados dos arcanos menores, eu fiz uma interpretação a partir da carta equivalente no Tarô Egípcio. Esse Tarô é enumerado de 1 a 78 e não se utiliza dos naipes. As descrições dos arcanos menores nos manuais do Tarô Egípcio são bem mais completas. Além disso, as imagens são simbólicas e estão associadas ao alfabeto hebraico que à astrologia. Por isso, permite uma interpretação mais aprofundada.




4. O método empregado por Carolina no livro é um Arcano Maior + três Arcanos Menores. Caso você realmente jogue Tarô, é esse o método que você emprega?


Conheço alguns métodos. Um de 9 Arcanos Maiores e 16 Arcanos Menores; um de cinco arcanos Maiores; um de Três Maiores e Sete Menores. Esse de Um mais Três é um método rápido, quando se está em busca de alguma resposta mais pontual.


5. Você conseguiu criar uma personagem que, ao mesmo tempo que reflete interiormente sobre a função do oráculo em sua vida, leva os demais a refletirem sobre suas próprias crenças, usando o Tarô numa escrita suficientemente leve, dada a própria natureza de literatura infanto-juvenil. Em sua opinião, qual o papel do romance na propagação e divulgação do Tarô?


Sinceramente, eu imaginei que o livro fosse ter uma repercussão maior do que teve, especialmente por conta, além do Tarô, do suspense inserido na narrativa. Ocorre que o livro é indicado por professores nas escolas e, creio, que tenha causado algum tipo de receio por parte dos educadores. Imagino que os professores tenham indicado pouco por terem dificuldade (por conta de desconhecimento) de abordar esse assunto com os jovens. No entanto, já recebi muitas cartas e e-mails de jovens que leram o livro por conta própria e passaram a se interessar por esse importante instrumento de autoconhecimento.


Bem pessoal, é isso. Gratíssimo à contribuição do Sérsi Bardari ao Conversas Cartomânticas e, como não poderia deixar de ser, recomendo a leitura desse livro delicioso.
Abraços a todos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tarôs Egípcios no Brasil

Mago
Tarô Egípcio (Kier)


Olá pessoal. Eu ganhei, da amada Edy de Lucca, um Tarô Egípcio da Editora Kier. Meu primeiro contato com esse baralho foi em 2004, quando, na ausência de um dos meus baralhos à mão, uma amiga, a Barbara, ofereceu o seu para que eu jogasse para ela. Naquela época, eu acreditava que cada baralho possuía seu dono e que não poderíamos utilizar o baralho de outro cartomante. O grau de precisão do oráculo me levou a rever meus conceitos. Evidentemente, não emprestaria ou permitiria que qualquer um tocasse em um de meus baralhos, assim como não aceitaria jogar com qualquer baralho; mas, conforme percebi, a confiança entre os participantes é fator preponderante ao baralho utilizado. 

Por volta de 2006, conheci a obra de Patricia Fernandes, Desvendando o tarô: estudo comparado do Tarô e do Baralho Cigano (Pallas). Essa obra, muito completa, também possuía as referências ao Tarô Egípcio da Kier. Por ser comparativo, levava-me a pensar naquelas descrições, naquela iconografia e da relação com a prática do Marselha.
Reencontrei-me com esse oráculo ano passado. Agora sim, com o baralho, com o veículo de tais visões (Obrigado, Edy!). Mas, viajar por suas lâminas, indo à raiz da construção de seus axiomas, não seria tão simples. Em essência, estaria eu com um baralho de Tarô, e, como tal, jogaria da mesma forma que jogo qualquer outro baralho. Mas não; os significados básicos são os mesmos, já que é um baralho de Tarô; mas, mergulhar em sua iconografia e axiomas leva-nos a viagens diferentes, específicas. Cada baralho é um universo, mesmo. Ou talvez um inter-universo nesse Universo que é o Tarô.




Nesse baralho, temos áreas específicas da carta correspondendo a informações complementares em relação ao conceito da lâmina. Em outras palavras: a carta é fragmentada em pedacinhos que se unem como em um quebra-cabeça para formar o conceito e a previsão.

Sol
Kier
Em relação aos Arcanos Maiores, a parte central da lâmina corresponde aos desenhos que conhecemos, com as devidas adaptações para assemelharem-se à arte egípcia. Associada à parte superior, gera o conceito atributivo do Arcano. O axioma se obtém pelo signo zodiacal e planetário inscritos na parte inferior, correlacionando com o número e com a letra hebraica correspondente.

Purificação
Kier

Já em relação aos Arcanos Menores, as cartas são divididas em três partes, correspondentes aos Planos Espiritual, Mental e Físico. A parte superior possui uma letra hebraica, uma egípcia, um signo místico e os atributos de uma deidade. Na parte mediana, temos uma interpretação iconográfica dos conceitos representados pela parte inferior, onde estão o título, os símbolos místicos, astrais, alfabéticos e cabalísticos.
Percebo que nós, cartomantes, estamos ficando (mal) acostumados a desvincular o baralho do ritual. Se o excesso de zelo com a ritualística é questionável, a ausência dela também é. Cartomancia é manipulação de energia, não deveríamos nos esquecer disso. E, devido a isso, eu demorei um pouquinho para me entregar ao Tarô Egípcio – ele possui um ritual específico de consagração, que, se eu pretendia aceitar o oráculo como meu, convinha respeitar. Além disso, ele possui uma literatura específica, também – o livro A Cabala da Predición, de Francisco Iglesias Janeiro. Constantino K. Rienma traduziu e compilou o conteúdo para o Clube do Tarô (confira aqui e aqui). Falando nisso, este Tarô foi inicialmente elaborado para ilustrar o livro, e não para ser um oráculo... Para conhecer melhor a história desse baralho, sugiro a leitura do excelente texto de Eduardo Escalante, aqui
Algumas edições do baralho foram produzidas no Brasil. As versões que conheci – não possuo outra que não a da Kier – são monocromáticas, em fundo dourado, como a da Pallas. Não conheço edições que respeitem as cores da edição da Kier.
Falando nisso, as cores são um capítulo à parte. Rosa e laranja substituem o vermelho; o fundo é dourado. Azuis dividem espaço com violetas. Hachuras dão origem a texturas específicas, que contextualizam os cenários. 

O Não-Iniciado
Tarô Egípcio de Bernd A. Mertz


Outros baralhos inspirados na iconografia egípcia foram editados por aqui. Um dos meus favoritos é o baralho de Bernd A. Mertz, em preto, branco e dourado editado pela Editora Pensamento. São 22 Arcanos Maiores apenas, e a numeração das cartas acompanha o número de flores de lótus visíveis na imagem.


O Sol
Tarô do Antigo Egito


A Pensamento editou outro livro, o Tarô do Antigo Egito, este com os setenta e oito Arcanos para serem destacados do final do livro.




É interessante ressaltar que, em relação às cartas da Corte, os signos de Ar correspondem a Ouros e os de Terra a Espadas.


Não seria possível terminar esse texto sem citar o primeiro baralho editado no Brasil, o Tarô Adivinhatório. Esse baralho, cuja primeira edição foi produzida em 1949 e permaneceu sendo a única por alguns anos, possui como referência a obra de Papus, cujo Tarô é também de iconografia egípcia. Ou seja, o primeiro baralho editado no Brasil foi um Tarô Egípcio – melhor dizendo, de iconografia egípcia. Esse baralho merece um estudo especial e específico de nossa parte. 
Ainda hoje a iconografia egípcia nos atrai e nos envolve. Sabemos que o Tarô não veio do Egito Antigo, mas isso não nos impede de sonharmos com as areias de um deserto de noites frias e dias dourados como a pele de seus habitantes.
Não podemos falar dos Tarôs Egípcios sem falarmos do trabalho de Nelise Carbonare. Precursora deste baralho no Brasil, podemos conhecer seu trabalho no site TarotDoor (www.tarotdoor.com) onde cada lâmina é devidamente analisada em seus símbolos específicos assim como em suas relações como as demais cartas. Nelise publicou um texto sobre o Tarô Kier no Clube do Tarô e participou da Blogagem Coletiva, escrevendo sobre a Sacerdotisa. Confira aqui. Existe, também no Clube do Tarô, uma excelente linha cronológica com os baralhos egípcios. Confira aqui
Caso se interesse por essas obras, é possível adquiri-las pela Editora Pensamento. Em relação aos importados, confira o site da Priscilla Lhacer, Amor, o Próprio.

Referências Bibliográficas

ANÁDARA. Tarô egípcio. Visualização disponível no Google Books.
DOANE, Doris Chase & KEYES, King. O Tarô do Antigo Egito: simbolismo mágico e chaves para sua interpretação. 3 ed. São Paulo: Pensamento, 1995.
FERNANDES, Patricia. Desvendando o Tarô: estudo comparado dos tarôs e do baralho cigano. 3 ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
MERTZ, Bernd A. Tarô egípcio: caminho de iniciação. 5 ed. São Paulo: Pensamento, 2005.
Tarô adivinhatório. São Paulo: Pensamento, 2006.
Tarots egipcios: Baseados en el Simbolismo, Mitología y Leyendas Egipcias. Buenos Aires: Kier, 2001.
"Os fundametos do Tarô Kier" in Revista PLANETA. Edição 359, ano 30, n. 8, de agosto de 2002, p. 32-39.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mil e Uma Noites de Feitiçaria, Mil e Uma Noites de Cartomancia.


A princesa foi até o seu aposento, de onde trouxe uma faca com umas palavras em hebraico gravadas na lâmina. Em seguida, mandou que descêssemos o sultão, o chefe dos eunucos, o pequeno escravo e eu a um pátio secreto do palácio e lá, deixando-nos sob uma galeria, avançou para o meio do pátio, onde fez um grande círculo, dentro do qual traçou várias palavras em caracteres arábicos antigos e outros, chamados caracteres de Cleópatra.

Quando terminou de preparar o círculo da maneira pela qual desejava, deteve-se no centro, onde fez abjurações e recitou versículos do Alcorão. Sem que percebessem, o dia foi escurecendo, até que sobreveio, na aparência, a noite. Sentimo-nos dominados de extremo terror, aumentado ainda quando nos vimos de repente na frente do gênio, neto de Eblis, sob a forma de um leão de espantoso tamanho.

“50º noite” in As Mil e Uma Noites. Apresentação de Malba Tahan. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 157-158.

Quando li essa passagem, fiquei atônito e, ao mesmo tempo, extremamente grato. Diversos pontos ali apontados – a faca com caracteres hebraicos, o círculo preparado com caracteres específicos, as abjurações e a entoação de versículos de um livro sagrado – tudo isso aponta para uma estrutura de magia que bem conhecemos.
E não são as únicas citações.
As Mil e Uma Noites (Alf Lailah oua Lailah – "Mil Noites e uma Noite") é uma obra de referência para o conhecimento dos contos árabes. Formado por contos de amor e aventuras, viagens, lendas fantásticas, anedotas, lutas religiosas, parábolas, apólogos, fábulas, poemas e resolução de problemas, foi traduzido em 1704 por Antoine Galland, orientalista francês a quem devemos o acesso a essa obra, ainda que o mesmo tenha suprimido todas as partes da que considerasse menos edificantes, eliminando os episódios eróticos, contrários à moral cristã e as citações poéticas.




Foi essa a tradução escolhida para a edição da Ediouro, de 2001, em dois volumes. O professor Mamede Mustafa Jarouche produziu, por sua vez, uma edição em três volumes que resgata os aspectos “história para adultos” presentes nos manuscritos (confira a entrevista do professor aqui, e um excerto da obra aqui).

Particularmente – e sim, eu tenho um gosto sui generis por contos – eu gosto de ambas as versões.
Algo semelhante ocorreu com os contos europeus e os irmãos Grimm (quer ter uma experiência do gênero? Assista à Branca de Neve versão “contos infantis” e depois assista à Branca de Neve na Floresta Negra, de 1997). Então, não acho ruim termos duas versões. Crescemos lendo fairy tales e depois assistimos O Labirinto do Fauno, de 2006. E nos encantamos da mesma maneira. Ali estão os vilões, os mocinhos e os eventos que embalaram nosso sono e sonhos, em uma roupagem que está de acordo com a nossa idade. 
E a Arte é cheia de contos. Quando li Aradia: o Evangelho das Bruxas (Madras) pela primeira vez, o que mais me encantou, além, evidentemente, das conjurações, foi o aspecto emblemático dos contos. Ali reconhecemos o porquê de invocarmos nossa Senhora, pelos exemplos que obtemos na leitura.
Além disso, antes que a última lei contra a Bruxaria fosse revogada na Inglaterra, Gardner já havia publicado o “romance” Com o auxílio da Alta Magia (Madras). Nele, uma série de pontos posteriormente descritos tanto em livros do próprio quanto das gerações seguintes de Gardnerianos e dissidentes são citados e apontados em detalhes (aplicabilidade por sua conta e risco).
E voltamos cá às Mil e Uma Noites.
Não sei você, mas eu tenho predileção por contos, como disse anteriormente. São curtos, precisos, e pedem a leitura de sua continuação. Como Allan Poe, por exemplo – não dá para ler um conto só; quando se vê, o livro se foi todo e a ânsia por mais se estabeleceu. 
E, atualmente, com toda a interface que possuímos para acessarmos informação, creio que a comunicação pela fala tem sido a mais difícil. Entonação e digitação não combinam. Aprendemos a digitar trocentos caracteres por minuto, mas não aprendemos a nobre arte de traduzir intenções em letras e números. E nisso, a leitura é fundamental. Existem autores e obras que nos levam a rir, chorar, silenciarmos os desejos, ampliarmos nossa coragem. E a habilidade de incitar esses sentimentos é adquirida pelo exemplo previamente lido e pela prática constante. Escrever é uma arte.
Some-se a isso que o livro, como veículo material de ideias, possui um potencial simbólico que suplanta qualquer interface contemporânea. Evidentemente, daqui a uma ou duas gerações, poderemos ver o que digo cair por terra (levando-se em consideração que eu acredito em reencarnação e não sou bom o bastante para acreditar que essa é minha última).
E, n’As Mil e Uma Noites, temos esses dois aspectos correlacionados. A fala, a entonação, daquele que lê para aquele que escuta – ainda que estejam os dois papeis representados pela mesma pessoa em uma leitura silenciosa. 
Não só inspiradoras de comportamentos, mas também de imagens, as histórias d’As Mil e Uma Noites serviram de tema para uma série de ilustrações produzidas na década de 20 do século passado pelo orientalista francês Léon Carré (1878-1942), para a tradução da obra para o inglês elaborada por sir Richard Burton. 




Hoje temos acesso a um Tarô, homônimo, que nessas imagens encontrou inspiração e ilustração. Publicado e 2005 pela Lo Scarabeo, tive a honra de manipular o pertencente ao Carlos Karan, em julho; desde então, não tive outro desejo senão esse – adquirir um.
A maior reclamação que vi, referenciado pela internet, para este baralho, é a ausência de conexão entre imagem e significado a partir dos contos. Evidentemente, partimos do fato de que esse Tarô é uma adaptação de imagens pré-elaboradas com fim diverso daquele a que veio servir. Sugere-se, inclusive, que este baralho não faria sucesso justamente por essa lacuna, carecendo de um livro explicativo que ampliasse a percepção das correlações feitas para sua elaboração (temos algumas sugestões aqui). 
Estou lendo As Mil e Uma Noites justamente por isso.
Em breve, espero oferecer algumas correlações e interpretações para as cartas à partir da obra. Levando em consideração a funcionalidade original das imagens, sugiro, a quem possa, que consulte especificamente a tradução produzida por sir Richard Burton. Certamente insights brilharão diante dos seus olhos!
Existe outro Tarô dedicado às Mil e Uma Noites, produzido por Giacinto Gaudenzi (autor, entre outros, do Celtic Tarot e do Decameron Tarot, ambos Lo Scarabeo) com uma proposta mais erótica. Publicado em 1994, possui 99 cópias em preto e branco, tendo algumas, por volta de dez, sido coloridas à mão pelo artista. 
Voltando, contudo, ao que propõe esse artigo, este é um livro que não deveria faltar na biblioteca de nenhum Bruxo. Por conseguinte, este baralho também. Pois, como vemos na citação que abre o texto, existem pontos de convergência de pensamento entre a Bruxaria Moderna e a cultura islâmica que só obteríamos se lêssemos despidos de preconceitos – o que nem sempre ocorre.
Além disso, da correlação imagem – obtida no baralho/conto, obteremos uma fonte inesgotável de histórias para os pequenos: para nós, as cartas funcionarão como recurso mnemônico para elaborar a história, e, por vezes, ressignificá-la; para eles, ilustrações preciosas para seus sonhos e, caso seja o destino deles, os primeiros passos na cartomancia.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cartas encardidas e seus conselhos alvejantes

Olá pessoal. Acabei de ler o texto da Pietra sobre as cartas encardidas* em posição de aconselhamento. Fiquei pensando sobre minha própria experiência com as referidas. Afinal de contas, uma coisa é interpretar uma carta para outrem – por mais compaixão que se sinta, ali não deve haver sentimentalismo que impeça a plena compreensão do contexto pelo maior interessado, o próprio consulente. As cartas devem ser lidas como se apresentam. Mas... e quando o mesmo ocorre em relação a nós mesmos, seja em jogos particulares, seja em consultas das quais sejamos consulentes?
Não vou mentir. É um saco.


Valete de Espadas
Marseille Grimauld

Por maior que seja a imparcialidade com a qual você trata seu oráculo, quando você vê um dos cincos ali, em evidência, ou o Pajem de Espadas, ou a Torre, entre outras... Dá um gelinho sim, na espinha. Por um micromilésimo de segundo, perpassa a mente: “eu podia ter ficado sem essa...”. E é o segundo seguinte que definirá tudo na sua leitura. Ou você aceita o que viu, pestanejando, mas já planejando os próximos passos, ou olha bem para a carta com as lentes cor-de-rosa que se plasmaram imediatamente nos seus olhos e diz: “não, essa carta pode significar tantas coisas, por que seria algo ruim justo dessa vez?”


Happy Squirrel
Simpsons

Voltamos aqui à experiência lá dos Simpsons. Parece-me conveniente que, por vezes, nos enganemos, justamente nos aspectos que nos desagradariam mais. O chato é que esse não é o caso. Quando vemos e interpretamos, sim, a primeira impressão é a que fica. Quando interpretam para a gente, também.
Eu tive a experiência de jogar Tarô com uma garotinha de doze anos, mais ou menos. Ela só via desgraça. Deus me livre! Até na Imperatriz, no Sol (ela jogava só com os Maiores, não sei se ainda joga só com eles) ela conseguia ver, com precisão, o pior lado da carta. Demorou para eu entender como deveria levar a leitura. Ela tinha mais a oferecer que eu poderia perceber, a priori.
Ela me fez ver certas cartas como realmente são. Não tão boas. Evidentemente, não tão ruins como ela via. Mas para isso serve o filtro mental - a ideia do oráculo é levar o consulente a pensar, não a obedecer.
E aí, em contrapartida, acabei aprendendo um pouco mais sobre as encardidas. Elas não são desejáveis, fato; mas elas são necessárias. Necessárias como aquele "não" que você diz ao seu colega que não sabe que você parou de fumar e lhe oferece um cigarro. Evidentemente, é só um cigarro... que pode tornar-se bem mais que um maço por você ter quebrado seu juramento de não mais fumar. Acrescente à essa lista as vezes em que quebrou um regime, furou uma fila, omitiu sua opinião sincera, mentiu. 
Por melhores que fossem suas intenções, por menores que fossem os danos, você fez companhia ao incomensurável número de almas boas de comportamento ruim que fizeram residência no cortiço infernal. E isso não é bom.


Apego ao Passado
Cinco de Água/Copas
Osho Zen Tarot


E por isso as encardidas. Elas são o "não" da nossa consciência superior ao caminho mais fácil, porém, menos favorável. Elas são o "não" da nossa consciência ao investimento errôneo de nossos esforços. Elas são a consequência, no limite, de nossos atos menos nobres.
O interessante é perceber que a maior parte delas revela padrões mentais inadequados.  Medo lidera o ranking. Em segundo lugar, pesar e arrependimento. Seguem-se a eles raiva, insegurança, pesadelos, maledicência, crueldade, sadismo, masoquismo. A lista é enorme, mas não é infinita.
Existem estudos interessantíssimos sobre os aspectos sombrios dos Arcanos e evidentemente, sobre as encardidas. Tenho me dedicado a esse tema com certo vagar, porque, apesar do Diabo não ser tão feio quanto lhe pintam, nem é tão bonito quanto acreditamos que seja. E no limite entre o pessimismo e o otimismo pueril existe um oceano de possibilidades que deve ser singrado com cuidado.


Mente
Valete de Espadas
Osho Zen Tarot


Mas, na leitura, aceitar o conselho alvejante - que elimina toda mancha mental, toda a lixeira que costumamos manter quando as expectativas não correspondem ao esperado - é realmente libertador. Mesmo que dolorido.
Abraços a todos.


Cartas encardidas: cartas desagradáveis, indesejadas, complicadas de vivenciar. Quando disse isso pela primeira vez foi crise de riso geral...

sábado, 29 de outubro de 2011

(Dia do) (Simbolismo do) Livro.

26
Petit Lenormand

Olá pessoal. Vinte e nove de outubro, dia do Livro, um dos nossos parceiros mais inseparáveis na Arte. 

Conhecimento
Instant Ideas Tarot

Os livros são meios para um fim. Seja diversão, seja conhecimento, seja pesquisa, ele está ali, comunicando em páginas mudas, ainda que eloquentes. Para aqueles que não entendem seus códigos, um segredo; mas, ao contrário da linguagem falada, é mais fácil escrever que saber escrever com entonação, mais difícil ainda é ler na entonação do autor. Para além dos códigos/segredos próprios da escrita, temos uma comunicação mais sutil que se dá entre autor e leitor que leva-nos a perceber o que está ali, imiscuído entre as linhas, entrelinhas.
E, se Deus escreve certo por linhas tortas, ler Seu livro (seja ele qual for entre as opções que as religiões oferecem) é um desafio. Até que ponto ali é Deus escrevendo certo em suas linhas tortas, e até que ponto é ali o homem escrevendo torto em linhas que, dado o axioma, já eram previamente tortas?


A Sacerdotisa, Arcano II, já leu esse livro (e reitero que não sei qual das opções ela leu, escolheu e referenciou como d'Ele) e o conhece de cor. E não mais o lê: sua prévia leitura ficou marcada pela experiência e ela sobrevive, virgo inviolata, noite após noite contando-nos suas histórias por Mil e Uma Noites.

Sacerdotisa
Lover's Path

Eu sei que eu comecei a ler por causa da minha avó. Ela lia para mim uma história por noite, antes de eu dormir e dizia: "Você verá quando conseguir ler de carreirinha! Aí você vai ler o que quiser, sem precisar de mim!"

Sacerdotisa
Dream Enchantress 

Por isso, mais que segredo, eu relaciono o livro à ideia de independência. A leitura silenciosa foi uma das maiores conquistas da sociedade ocidental e, apesar de hoje não termos isso em mente com frequência, podemos ler o que quisermos - coisa que, há pouco mais, pouco menos de meio século, era, no mínimo, inviável. Seria nossa memória curta, a tecnologia célere ou o tempo evanescente demais?

Sacerdotisa
Lenormand Tarot

No Petit Lenormand, adicione-se aos significados de segredo e mistério as ideias de trabalho, estudos, ordenação, disciplina, rotina, aprendizagem. E, tá aí um motivo a mais para pensarmos na leitura: Mlle Lenormand, seja ela autora (ou não) dos manuais de cartomancia a ela creditados, foi na escrita desse livros que histórias começaram e se desenrolaram.
Escrevamos, leiamos ... que nossos diários, Livros das (nas) Sombras virem livros. Que nossas falas táteis sejam tateadas em outros contextos por outras mãos.
Como até hoje tateamos o Livro de um Deus em setenta e oito páginas... ou pelo menos me contaram assim.
Abraços a todos.

sábado, 22 de outubro de 2011

Falando em videogames... 8-bit Tarot.


Olá pessoal. Depois da postagem anterior, onde apresentei duas imagens dialogantes – pelo menos para mim, o que não é grande coisa; eu vejo Tarot em tudo! – eu decidi apresentar para vocês o 8-bit Tarot, um projeto ousado e que eu, particularmente, acho lindo. 
Quando eu digo que vejo Tarot em tudo, eu realmente não estou brincando. Músicas, textos, imagens (sempre imagens!), danças, comidas, bebidas. Tarot é meu cotidiano. E se eu sou gamer, por que não jogos, se o Tarot, antes de ser qualquer coisa, não passa de um jogo? 

Sonic the Hedgeog
SEGA Master System

E, falando em jogos, minha infância foi videogame. Amo até hoje, apesar de ter ficado nos 32 bits (no máximo; tem jogos que eu não consigo entender a mecânica participativa do jogador!). Ainda assim, minha paixão são os jogos dos games de 8 e 16 bits, dos videogames NES (8 bits), Super NES (16 bits) (Nintendo) e Master System (8 bits) e Mega Drive/Genesis (16 bits) (SEGA).
Diante dos jogos de hoje, é praticamente impossível pensar em jogos que você comandava o personagem com um ou dois botões mais o direcional. Mas é tão divertido... Pode ser preciosismo de minha parte; mas eu me divirto bem mais.
E pelo jeito eu não sou o único... 


O 8-bit Tarot é um baralho inspirado no Rider Waite, em que cada carta foi redesenhada  por Índigo Kelleigh na resolução de 88 x 152 pixels utilizando apenas as cores padrão da paleta de cores Mac OS 8 bit (acima). A técnica, e até mesmo o grafismo, remetem imediatamente à ideia dos jogos do NES – como Mario Bros. É precioso!

A caixa, com tampa, contém um baralho de 5,8 x 8,9 cm 
e uma carta adicional descrevendo o projeto.

Esse poster mostra todas as cartas (que são visíveis individualmente no site do autor)...


E aqui temos o(s) Mago(s). Juro que meus olhos brilham enquanto eu escrevo...

À esquerda: Waite-Smith; à direita: 8-bit.


O autor, Índigo Kelleigh (Indy) vive em Portland, OR. Trabalha essencialmente com desenhos feitos à mão, incorporando elementos digitais aos trabalhos. 


Sua ilustração remete-se, mesmo nos momentos mais sombrios, ao cartoon. Seus trabalhos coloridos são criados digitalmente com o auxílio do Photoshop, Illustrator ou Painter. É familiarizado com técnicas vitorianas de design e impressão. E parece ser um cara bem bacana (para criar um Tarot desses..!)
Para entrar em contato com ele, acesse o Lunar Bistro ou mande um email para indigo@lunarbistro.com.