Quando eu era menor, eu acreditava. Acho que todo mundo acreditava que Eles existissem. Estranhamente, essa crença não era de todo confortante - se eles existissem, seus contrários também deveriam existir, e acho que eu era novo demais naquela época para confiar numa coisa dessas, sobretudo à noite, no escuro, sozinho no quarto, quando os ruídos ganhavam significados aterradores por demais.
Eu dormia com o rádio ligado, só para constar.
Universal Wirth
Não acreditar em algo é uma forma muito confortável de enfrentar o problema que esse mesmo algo desperta. Olhando agora, como adulto, para os meus terrores infantis, parece-me correto minha forma pueril de ter desacreditado. Afinal de contas, é mais fácil não acreditar que casais estáveis homoafetivos sejam tão hábeis quanto suas contrapartes heterossexuais para criar um indivíduo. É mais fácil acreditar que a ferida causada por um estupro se curará com o nascimento da criança. É super mais fácil acreditar que um guru qualquer de uma religião ou seita qualquer guarda as chaves do seu Paraíso ou Inferno, e ele permutará com você só pelo tempo de uma vida toda.
É mais fácil desacreditar da própria responsabilidade que aceitar seu destino, fazer suas escolhas.
Dellarocca
Enfim, voltando a falar dos Anjos, já que falar do seu sexo é lugar-comum para discussões sem sentido, eu acreditava, desacreditando (antes de dormir, principalmente). Asas perfumadas, penas macias, um abraço acalentador que me fizesse esquecer todos os problemas, como um milagre que aparentemente não mereço.
Mensageiros da Divindade, velozes como um pensamento, trespassavam seu coração com brasas ardentes de devoção, lembrando sua origem. A sua, e a deles, que também é sua. Num momentum - porque deveria parecer que nada existiu antes, nada depois faria sentido - você finalmente entende o porquê de ser quem é e de estar onde está.
Tudo se cruzaria. Ordenadas e abscissas criariam finalmente um ponto. E, como é da própria natureza do ponto, o infinito ficaria ali, contido. Um universo contendo universos e ladeado por universos.
Mas a vida não é cartesiana a esse ponto, e eu continuo não acreditando em Anjos.
Os nomes dos Anjos são construídos a partir de permutações de letras hebraicas, dando a entender que, mais que personalidades, os Anjos são ações, verbos que qualificariam a ação de Deus. Sendo assim, cada Nome é um Codinome, um código de acesso a uma faceta d'Aquele que é Senhor de Todas as Faces. Contatando a Face certa, obter-se-ia uma certa vantagem em determinado acontecimento. Ele, pessoalmente, através daquela Face, viria em auxílio daquele que o invocara.
Anjos. Deus em ação. Qualitativa e quantitativamente.
Existem outras formas de abordar o conceito. Algumas até comerciais - vide Cidade dos Anjos, com Seth (Nicholas Cage) e Supernatural, com Castiel. Perto, talvez perto demais, do que por humano chamamos de divino.
Não, eu continuo não acreditando em Anjos.
Eu não preciso acreditar. Eu brinco de pique-esconde com eles. Especialmente alguns que, mesmo escondendo suas asas, aliviam corações como se fossem capazes de fazer milagres, que fazem mesmo não se considerando capazes.
Olá pessoal. Quem me conhece sabe que eu gosto muito de surf music - aquele lance de que as coisas darão certo sem esforço, sem preocupação, em estar no momento presente, é tão Zen para mim, é tão lógico! Apesar de, na maior parte das vezes, eu me esquecer disso e viver um Nove de Paus desnecessário...
Hoje, porém, me recordei dessa possibilidade de viver o presente, pelo menos uma vez deixar o barco correr sem meu esforço em remar. Afinal de contas, acabei de chegar da Confraria, a ebulição de sentimentos tem que dar lugar a uma serenidade para que eu possa escrever a contento.
E, nesse clima, partilho com vocês uma música que é puramente o Louco. Nada de compromisso e... por que isso seria ruim? ;)
Olá pessoal. Por indicação de Narayana Donadio, estou aqui me fartando de ouvir essa música que, por sua simplicidade e carinho, enleva até o coração mais partido por um 3 de Espadas...
A Banda Mais Bonita da Cidade é formada por Uyara Torrente (vocal), Vinícius Nisi (violão, teclado e piano infantil), Rodrigo Lemos (banjolele e guitarra, e ex-integrante do grupo independente), Diego Plaça (violão e baixo) e Luís Bourscheidt (percussão e bateria).
O clipe está disponível na internet desde a última terça-feira (13) e já soma mais de 360 mil visualizações no YouTube. Com a descrição "É, a gente adora Beirut mesmo", o grupo deixa clara uma referência à Nantes, vídeo do grupo norte-americano Beirut. (Fonte)
Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor!
Cabe em três vidas inteiras
Cabe em uma penteadeira
Cabe nós dois
Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor!
Cabe em três vidas inteiras
Cabe em uma penteadeira
Cabe essa oração
Abraços a todos, com essa ternura, esse enlevo, essa doçura.
Olá pessoal. Aos Arcanos do Tarot são relacionadas tantas sensações... visuais, táteis, olfativas, gustativas, auditivas. E nessa postagem nos debruçaremos sobre essas últimas.
Por mais que nem todas as músicas sejam feitas com um deck do lado, tem algumas letras cujo contexto me remete diretamente a determinados Arcanos. As minhas referências seguem abaixo. Algumas, já postadas antes por aqui, com seus referidos artigos.
Não concorda com alguma, acha que há uma versão musical melhor de determinado Arcano? Comente aqui e vamos ampliando nossa... audiografia? Agradecimentos especiais a todas as participações do grupo Tarologistas, do Facebook, Priscilla Lhacer, Isabel Catanio, Léo Carvalho, Machado, Arierom Salik, Euclydes Cardoso Jr., Marina., Doraci Reis, Cinthia, Lilith Ananda, Fernando Augusto, Bruno Herzog, Katharina Dupont e todos aqueles que comentam nessa postagem.
XIII. Morte Room of Angel, Akira Yamaoka (nos aspectos mais fúnebres) Walk away, Ben Harper I Will Be Blessed, Ben Howard (impossível não sorrir. Impossível.)
Pessoal, fui obrigado a aderir. Realmente, não há nada pior do que ser invadido por qualquer sonoridade que nos soe inadequada. Até Bach pode ser inadequado, quando eu quero ouvir só um pouquinho de Akon ou talvez Ne-Yo. Sim, tem gente que se revolta com essa afirmação, mas, ao fim e ao cabo, quem quer ouvir... não sou eu?
Como já disse antes, o som é a forma mais invasiva de tocar alguém. Então, entrando na pilha do Vodu de Pano, digo: preserve seus ouvidos para aquilo que realmente lhe agrada. Aquilo que lhe toca no seu trabalho como Cartomante. Qual é a sua escolha?