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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Jiraya e o Tarô ou: como é bom participar de Blogagens Coletivas!

Olá pessoal. A convite da Michele Serinolli, participei da Blogagem Coletiva Métodos de Tiragem, com minha visão da Mesa Real do Petit Lenormand. Qual não foi minha grata surpresa ao visitar o blog da colega que me sucedeu, a Lucia Macedo, ao encontrar em seu blog um episódio de Jiraya dialogando com o Tarô!!!
Além da alegria de conhecer mais uma colega, ainda tive a oportunidade de rever um seriado da minha infância. Obrigado Michele, obrigado Lúcia!
O episódio você confere aqui.




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dos Enamorados. Hassan e Amir




Há algum tempo, eu assisti no cinema O Caçador de Pipas. E li o livro em seguida. E comprei o DVD. E chorei todas as vezes. Descobri recentemente que até mesmo uma HQ foi feita. Quero ler também. 




Enquanto isso, vou vendo o filme, again and again.







A história fala de fidelidade. De comprometimento. Mas também de perdão a si mesmo e perdão ao passado. De agir direito depois da experiência de ter agido errado. Tudo isso permeado por política, geografia, aproximação e estranhamento do universo muçulmano.


"Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que não ter aquilo desde o começo"


 Khaled Hosseini foi primoroso na elaboração de sua obra – aquele que consegue as lágrimas e os sorrisos de seus leitores, conseguiu alcançar o intento oculto de todo escritor – o encontro das mãos daquele que escreve com as mãos daquele que lê, tendo como intermediário as páginas do livro (ou as telas de computador).
E, como estou mergulhado dois palmos acima da cabeça no universo da cultura árabe, devido ao estudo d’As Mil e Uma Noites, resolvi assistir de novo ao filme. 
Tendo refletido sobre os Enamorados na mais recente postagem, foi inevitável relacionar o filme, que decidi assistir novamente, ao Arcano, que decidi visitar mais uma vez, hoje.



Os Sultões de Cabul são complementares, por isso mesmo diametralmente opostos em caráter e comportamento. Hassan demonstra um caráter inquebrantável. Sua pureza de coração, embora louvável, não é a maior de suas virtudes: sua coragem é admirável. Seu senso de honra é belíssimo e sua fidelidade a Amir é algo que beira o legendário. Falta-me adjetivos para orná-lo nessa apresentação. Valete de Copas.



Em contraposição, Amir é covarde. Seu pacifismo oculta sua insegurança e dubialidade. Falta-lhe comprometimento, consigo mesmo e com os outros. Falta-lhe compaixão, no sentido mais amplo da palavra.  Valete de Espadas.


Valete de Copas (espelhado), Valete de Espadas
Waite Smith


Mas, antes de julgá-lo, ou, talvez por isso mesmo, por julgá-lo, pensemos em suas motivações. Ele queria impressionar o pai, ser algo para o pai, mas culpava-se por ter sido o responsável pela morte da mãe, que faleceu ao dar-lhe a luz. E sua sensibilidade para a escrita não atraía do pai a menor atenção, que não via nisso a menor utilidade.



A etnia de Hassan, hazari, colocava-o em situação inferior à de Amir. E Asef, leitor ávido das ideias de Hitler, atormentava-o por isso. Destruía-o. Se, por volta de 1980, quando isso ocorre, houvesse o conceito de bullying (que hoje justifica o mimo e a timidez de crianças cujos pais omissos impedem seu crescimento como pessoas e interpretam suas atitudes como decorrência da omissão da escola, enfraquecendo seu caráter, ao invés de protegê-las adequadamente, estando presentes em suas vidas), eu diria que Amir sofria o bullying de Asef e seus asseclas. Mas não; nem o conceito existia, nem Amir sofria – Hassan o protegia, com seu estilingue.
Mas isso não era suficiente. Se a proteção do corpo lhe era garantida, sua alma fatigada sofria com a sua própria inapetência. Com o ataque de Asef a Hassan, Amir não pode tolerar a presença dele consigo, pois sua fidelidade expressava sua própria covardia. E, nesse espelho reverso e convexo de intencionalidades, Amir consegue afastar definitivamente Hassan de sua vida.
Ao atentar-me aos aspectos emocionais do Arcano VI, não dei o devido ênfase à questão da escolha. Escolher algo nem sempre significa preterir algo. É quase possível delinear uma iconografia que privilegie os aspectos aqui elencados: Amir, Valete de Espadas; Hassan, de Copas... ladeando um Rei de Paus, que, por ser Rei, é Fogo e, por ter ideias intensas, é Fogo também. E um pouco de cada se reflete em cada um dos seus filhos, de maneira diversa e complementar.

A luz do Fogo reflete-se na lâmina da Espada e na Água da Taça.
Marseille Grimauld

As crianças crescem... E as histórias mudam – de tema, ou de rumo. E Amir descobre que sua história é outra, mas o tema é o mesmo: fidelidade.



E o Anjo, que na infância de Amir apontava a seta, porta uma trombeta... E o chama ao Julgamento. Quem é você, Amir, depois de todos esses anos?
Encontrar Sorab não é só encontrar uma criança. É reencontrar a si mesmo refletido em outros olhos, já que os primeiros lhe foram impossíveis de mirar. É redescobrir o sentido da frase: por você, faço mil vezes.
Enamorados. Opções não; escolhas. Escolhas. Escolha de que lado você está. Da consciência, ou não. Catorze Arcanos depois, virá a conscientização... E espero que ela o encontre ciente do seu dever e dormindo tranquilo.
Pois o Anjo não deixou de lhe velar uma única noite.



Abraços a todos. 

sábado, 16 de abril de 2011

Cisne Negro: caleidoscópio cartomântico [Parte 3: Nina e a estética de Grünewald]


Olá pessoal. Encerrando a trilogia de postagens sobre o filme Cisne Negro, façamos uma comparação entre a estética do filme e a pintura de Matthias Grünewald, Crucificação.


Cisne Negro é permeado por diversas cenas do cotidiano, de dores que somos capazes de compreender. Nem todos nós somos capazes de alcançar a dimensão proposta por Natalie Portman ao afirmar que sapatilhas de ponteira são aparelhos de tortura; mas qualquer um de nós sabe o quanto um arranhão, uma cutícula arrancada, um corte de unha exagerado, um apertão de mão, é capaz de doer. Mesmo.




E é aqui que esse filme, a meu ver, supera as expectativas. As dores de Nina crescem à medida que o filme se desenrola e sua neurose se torna mais aparente. Pequenos sinais apontam para o desfecho, mas são tão sutis que dependemos de tempo para entender. Para que, no clímax, entendamos o que a protagonista sentiu, precisamos de pequenos detalhes esparsos que, somados, concedem-nos a incômoda sensação de sinestesia com tamanha dor. Tal como a tela de Grünewald.

Este óleo sobre madeira pintado entre 1512 e 1516 é, para mim, uma das pinturas mais cheias de pathos de todos os tempos. Na verdade, ela exala pathos.
A experiência da crucificação é praticamente nula para nós. Não é possível imaginar o contexto no qual ela ocorreu, por dois motivos: em primeiro lugar, pela distância temporal entre a condenação e a nossa visão de castigo (creio que uma pessoa ficaria horrorizada se visse uma imagem de alguém na cadeira elétrica;  teria muito mais ojeriza do que por uma imagem de um crucificado). E em segundo lugar, a imagem da crucificação tornou-se, desde o século XIV, aproximadamente, passível de ser representada nas igrejas como exemplo de prova de amor. O contexto da imagem modificou o sentido atribuído a ela. 





E assim, quando uma obra como Paixão de Cristo surge, é tido como de mal gosto, exagerada, non sense. A falta de contexto é tanta que as pessoas se sentem bem vendo tamanho sofrimento. Quer sofrimento? Vá assistir Jogos Mortais que é mais intenso (e de gosto bem mais duvidoso...)!
Achou o comentário de mau gosto? Pense bem: se não fosse o Cristo, conforme te ensinaram na igreja, você aguentaria ver esse filme, com a intensidade que possui?
Bem, mas voltando a Crucificação de Grünewald...
A cena como um todo, já nos é familiar, pelas diversas reproduções do texto bíblico que conhecemos. Mas atenha-se aos detalhes. Em primeiro lugar, o corpo do Cristo:




Em segundo lugar, seus pés:




Repare que as expressões são fortes. O mais interessante, quando passa o mal-estar próprio de ver tal cenas, é que elas, isoladamente, são possíveis em nossa experiência diária. Uma ferpa no dedo, um chute na quina da mesa com o dedinho do pé... Dores intensas e isoladas que são somadas num pathos difícil de conceber. Mas plausível dada a violência desse método de execução e tortura. E aí temos a sinestesia deveras incômoda de entender o que se passou. Terrível.
E onde isso se aplica ao filme Black Swan?
As pequenas sensações de Nina são sempre marcadas por sangue. Não litros, mas gotas. As mesmas gotas que você deixa na manicure quando a mão dela está pesada. Ou quando você se surpreende mordendo o lábio com mais força que deveria. Ou ainda, com um escapulir da faca que você cortava uma maçã ao meio. Talvez o escapulir de uma agulha do seu bordado...




Nove de Espadas. Sangue, suor e lágrimas, escorrendo de lâminas tão gastas pelo uso que cabe-nos pensar se ainda possuem sua função original.


Unhas. As unhas de Nina são delicadas como cabe a uma mulher tão frágil. Contudo, o efeito causado por elas não tem nada de sutil. Veja o quadro novamente. Olhe as ferpas no tórax. Agora lembre-se da coceira da Nina. Parece familiar?




Contudo, a coceira de Nina tem muito de nascimento. O incômodo epitelial se mostra coeso com o clímax, quando as penas nascem (atenha-se a sombra na parede). As penas são metáforas dos aspectos sombrios emergentes e incômodos. Tem que haver espaço para sair. Como a emergência dos primeiros dentes, ou dos primeiros pêlos, tão incômoda quanto, a Sombra rasga o espaço tênue entre o intra e o extra sensorial da personagem. 




Mas, para que nós, expectadores, possamos entender, é necessário sentir com a personagem sua dor sadomasoquista com requintes de crueldade em eventos aparentemente sem conexão, mas sempre permeados por gotas de sangue. Assim como na estética proposta por Grünewald para a Crucificação, só entendemos a dor de Nina por partilharmos em algum aspecto dos eventos que ela vivencia, dos quais temos conhecimento e memória. Já disse, antes, não entender de ballet; mas já me cortei com minhas próprias unhas em momentos de tensão e sei que isso não é nada bom.


Abraços a todos.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Bond... James Bond ... e a Cartomancia: o Tarot 007



Olá pessoal. Num daqueles acasos que fogem à explicação, ou talvez não careçam dela, li o a tradução do Alexsander do texto de James W. Revak no Clube do Tarô e acabei visitando o site em busca de maiores informações. Em um teste muito bacana, de nomear os baralhos, acabei descobrindo que James Bond já recebeu uma consulta de Tarot!


No oitavo baralho da lista, James W. Revak escreve
Tarot of the Witches (James Bond 007 Tarot), by Fergus Hall, first published 1973.
Tarot of the Witches gained instant notoriety when it appeared prominently as a prop in the James Bond film Live and Let Die.  In fact, it was marketed at that time as the James Bond 007 Tarot.



Curioso que esse é o oitavo filme do James Bond...
Em tradução livre, seria: "Tarot das Bruxas (Tarot James Bond 007), produzido por Fergus Hall, publicado pela primeira vez em 1973. 
O Tarô das Bruxas ganhou notoriedade instantânea quando apareceu destacado como adereço no filme da série James Bond Viva e deixe morrer. De fato, foi comercializado na época como o Tarot James Bond."



Conforme a WikipédiaLive and Let Die é um filme britânico de ação e espionagem de 1973, o oitavo da série James Bond e o primeiro com Roger Moore no papel do agente 007. Conhecido em Portugal por 007 - Vive e Deixa Morrer e no Brasil por Com 007 Viva e Deixe Morrer, o filme foi realizado por Guy Hamilton e produzido por Albert Broccoli e Harry Saltzman e é baseado no romance homónimo de Ian Fleming.


É impressionante a quantidade de vezes que a Sacerdotisa aparece nesse filme, assim como sua oitava menor, a Rainha de Copas. 
Ao entrar na loja Voodoo, na porta temos a Rainha de Copas e na prateleira o Mago do Rider Waite.



Quando a taróloga joga para Bond, ela mesma se representa pela Sacerdotisa - confirmando quando Bond pergunta a respeito. Bond é representado pelo Louco (e aqui temos um jogo de palavras com os leigos da Arte que viram o filme, já que o Louco/Bobo (Fool) não é visto como seu aspecto divinatório, mas apenas o potencial semântico da palavra é revelado - e não é muito bacana ser chamado de tolo...), e por último, Bond tira os Enamorados, que deixa a vidente perplexa, pensando na relação futura entre os dois.



No cartaz onde figura a Sacerdotisa de Waite ao centro, temos, à esquerda, de cima para baixo (simmmm, eu pausei o filme para poder contar isso pra vocês): A corte de Espadas - Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei, sendo que o Ás ladeia o Cavaleiro; à direita, por sua vez, a Corte de Paus, da mesma forma.



Uma das cenas mais interessantes para mim ocorre quando Bond recebe um bilhete com a Rainha de Copas invertida... Deuses! Quem desfaria um deck inteiro para mandar um bilhete! Divertido é perceber depois todo o potencial desse bilhete, quando ele compreende a traição de uma mulher perversa, ludibriosa e mentirosa.
É interessante vermos como a taróloga do filme parece ter um GPS. Ela diz em tempo real o paradeiro de Bond e a ação que ele produzirá. No momento em que perguntam-lhe sobre o futuro e a mesa nos é apresentada, vemos novamente a Sacerdotisa coroando o jogo, e ela vira... Os Enamorados. Novamente, me pergunto: estamos sob o efeito da lâmina como um todo ou apenas diante de uma exploração semântica?



Apesar de toda a manipulação das imagens, uma fala da Cartomante merece destaque, por ser aplicável na nossa prática, efetivamente: Se não fizer perguntas específicas, não me responsabilizo pela má interpretação das respostas.


Em seu atrevimento costumeiro, Bond toma das cartas e joga sobre a mesa A Carruagem, O Louco e a Sacerdotisa. Numa inversão de papéis, que beira a insolência no tratamento com um baralho consagrado, Bond abre com um golpe de mão magnífico as cartas para que a Cartomante - Solitaire, novamente uma exploração do potencial semântico da palavra, algo entre o jogo de cartas e o estado no qual ela se encontra (ou talvez tenha se perdido...) - tire uma. Adivinhe qual carta ela tira? Adivinhe?
Bond havia preparado um deck com todas as cartas iguais. Hmpf ¬¬".
Num diálogo direto com O Escorpião Rei (2002), a Cartomante perde seus poderes ao se aproximar do amor terreno, já que seria esposa de um Príncipe que já se foi desse mundo". E tal como nesse filme, o temor da Sibila se mostra sem fundamento.
Um homem de negro queima a Sacerdotisa do Rider Waite. Este mesmo homem vira a carta Morte, do mesmo baralho, indicando que a situação chegou a seu limite...


Sinceramente, eu sempre achei esse Tarot das Bruxas horroroso. Mudei meu conceito sobre ele, mas continuo achando ele feiosinho. Mas fica cá a dica de um filme para nossas Conversas Cartomânticas...
Abraços a todos. 





Excerto do site Webcine:

Título Original: Live and Let Die
Gênero: Aventura
Origem/Ano: UK/1973
Duração: 121 min
Direção: Guy Hamilton

Elenco:
Roger Moore: James Bond 
Yaphet Kotto: Kananga/Mr. Big 
Jane Seymour: Solitaire 
Clifton James: Sheriff Pepper 
Julius Harris: Tee Hee 
Geoffrey Holder: Baron Samedi 
David Hedison: Felix Leiter 
Gloria Hendry: Rosie Carver 
Bernard Lee: M 
Lois Maxwell: Miss Moneypenny
Tommy Lane: Adam
Earl Jolly Brown: Whisper
Roy Stewart: Quarrel
Lon Satton: Strutter
Arnold Williams: Cab Driver
Madeline Smith: Miss Caruso

Sinopse: Com charme, inteligência e uma segurança implacável, Roger Moore aparece como o educado, sofisticado - e letal - agente 007 em um duelo "emocionante e de alta tensão" com um vil chefão do tráfico que está determinado a eliminar Bond e conquistar o mundo!
Ao investigar os rumores deste derrame de drogas, três agentes britânicos morrem no mesmo dia e o chefe do Serviço Secreto inglês põe em campo seu melhor homem: James Bond, o Agente 007. A missão destes agentes era investigar o primeiro ministro da ilha caribenha de San Monique, Dr. Kananga, que é suspeito de fazer negócios ilegais com o chefe do narcotráfico de Harlem em Nova York, Mr Big.
Na investigação, James Bond descobre que a quadrilha de traficantes é comandada pelo poderoso Kananga, vilão que usa braço mecânico como arma. Protegido pela magia negra e crocodilos assassinos, Kananga coordena um esquema gigantesco de tráfico de heroína... e o agente 007 está em seu caminho.
Nesta missão Bond conta com a ajuda de Felix Leiter, agente da cia, e mais tarde da ajuda da mística Solitaire (Jane Seymour), cartomante e sacerdotisa particular de Kananga, uma mulher misteriosa e sensual, cujos poderes mágicos servem ao mestre do crime, que ao ler as cartas prevê o fracasso de sua missão... mas não resiste ao charme de James Bond. Mas ele não consegue invadir o reduto do criminoso e aterrissa em San Monique. No hotel encontra uma jovem negra, Rosie Carver (Gloria Hendry), seu contato da CIA, que é uma agente dupla. O tempo para impedir o golpe diminui dramaticamente e 007 encontra outros obstáculos: como Tee Hee, dono de uma garra de aço no lugar de uma das mãos, o gigantesco Barão Samedi (Geoffrey Holder), sumo sacerdote do culto voodoo, também chamado "O Homem Que Não Pode Morrer". Antes que possa explodir a mansão de Kananga junto com sua plantação camuflada de papoulas, James Bond ainda irá enfrentar lagos infestados de crocodilos, milhares de serpentes venenosas... e mulheres perigosas e sedutoras. Mas James Bond está preparado para tudo.
O arsenal de truques do agente britânico é enriquecido por uma potente lancha voadora. Este inesquecível filme da série traz ainda a música-tema interpretada por Paul McCartney e o conjunto Wings.

Prêmios: Oscar 1974 - Indicado ao prêmio de Melhor Música
Distribuição em Vídeo e DVD: Warner / Fox


sábado, 9 de abril de 2011

Cisne Negro: caleidoscópio cartomântico [Parte 2: Self-destruction]



Olá pessoal. Continuando nossas possibilidades de análise do filme Cisne Negro, analisemos agora o background no qual ele se desenrola. Em minha opinião, o self destruction de Nina.
Atenção! Esse texto contém spoilers. Se não viu o filme ainda, assista-o primeiro.


Trailer legendado aqui.

Partindo da perspectiva analisada anteriormente da relação entre Nina e a Princesa de Copas, o background no qual o filme se desenrola é diametralmente oposto ao necessário para a nutrição de uma jovem tão frágil. Como quem desperta de um sonho - a forma como se inicia o filme, por sinal - a perfeição originalmente vista se parte e se estilhaça. E, tal estilhaçar, ao meu ver, se apresenta alegorizado nos espelhos que permeiam todo o enredo.


Os espelhos são naturalmente relacionados com a Sacerdotisa. Como Arcano II, é o reflexo do I, seu duplo e seu oposto; seu complemento perfeito, em essência, que estabiliza sua tendência projetiva inicial. É a relação entre aceleração e atrito.


Explorados à exaustão e sendo os causadores de grande parte dos sustos e surpresas dadas pelo filme, por sua referência direta fui remetido ao filme Psicose. Ao contrário de grande parte dos expectadores, a minha cena favorita é a da mulher ao espelho. Juro que procurei melhores referências, mas os comentadores só citam a cena do chuveiro...


O espelho reflete a possibilidade que temos de vermos a nós mesmos. Não é real, em essência, o que se vê, já que é reflexo e refração de luz de uma forma captável por nossos sentidos; mas é o máximo que nos aproximamos disso nos mais recentes séculos. 
Mas existe uma forma alegórica de espelho, sub-reptícia, metáfora da rede de relacionamentos a que pertencemos, que dá sentido à frase somos fruto do meio em que vivemos. A herança familiar e a convivência alteram a forma como vemos o mundo.


Nina é filha de uma bailarina que, aos 28 anos, se viu forçada a abandonar o ballet devido à gravidez. As projeções desta, portanto, são que Nina siga seus passos, mas não mais que isso. É notável a cena em que, ao trazer um bolo em rosé et blanc para celebrar a obtenção do papel, num ímpeto de fúria decide jogá-lo no lixo. 


O papel que Nina obtém deve-se à aposentadoria (forçada) de Beth MacIntyre, bailarina anterior. Explosiva, impactante, destrutiva; esta é a imagem que a personagem, interpretada por Winona Rider, passa em sua curta aparição. Ídolo de Nina, que furta seus objetos pessoais. Uma forma de se aproximar dela. Uma forma de integrar sua personalidade ao estilo que possui.





Tudo isso motivado pelo implacável e mordaz diretor do espetáculo. Acostumado a relacionar sua sexualidade ao seu trabalho, motiva Nina, já naturalmente competitiva e perfeccionista, a encontrar seu lado mais selvagem, primitivo, volátil, explosivo, intenso e ígneo para interpretar o Cisne Negro. 




Diante da perspectiva de perder seu posto obtido a custa de sangue, suor, lágrimas, ossos deslocados e unhas quebradas, Nina mergulha de cabeça no que seria a maior aventura de sua vida. Talvez, a única.
Talvez.


A experiência atemporal desse mergulho não nos permite antever, no decorrer do filme, se Nina havia tido vislumbres do seu lado sombrio. Vê-se a dificuldade encontrada para o toque em seu corpo. Talvez, ou justamente por isso, sua coceira destruidora. Sua pele lacerada é o matiz rubro da necessidade de contato. Onde há dor, há, paradoxalmente, prazer, em dicotômica relação de busca do Outro, no caso, idealizado e distante, assim como necessidade de destruir esse mesmo Outro que, próximo demais, a desvia do seu foco e libera, mesmo que por instantes, um instinto aprisionado e urrante. 




Desde a mordida inicial, até o corte das unhas - uma das cenas mais impactantes, culminando no assassínio da imagem, que, facelada, libera finalmente  o alimento necessário à manifestação plena da Sombra.




Quanto mais destruída, destroçada, facelada, esfolada, arranhada e ferida, quanto mais exposta é sua dor pela ausência da plena perfeição, mais próxima ela se vê dessa mesma perfeição, elevada ao limite da existência. 
Já havíamos visto isso antes, por aqui, quando eu citei o Fight Club. No extremo, no limite representado pelos Dez yang - Paus e Espadas - somos obrigados ao Salto. Naipes projetivos nos impelem para a frente... mesmo quando o "para frente" é uma parede de tijolos.
Abraços a todos, até o próximo post.




sábado, 2 de abril de 2011

Cisne Negro: caleidoscópio cartomântico [Parte 1: Nina]



Olá pessoal. Tendo assistido (e ficado visualmente impactado) o filme Cisne Negro, proponho aqui, em postagens distintas, mas complementares, explorarmos o universo criado no filme.




Ficha técnica:
Cisne Negro (Black Swan)

Gênero: Drama e Fantasia
Duração: 107 min.
Origem: Estados Unidos
Estréia 04 de Fevereiro de 2011
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman e Andres Heinz
Distribuidora: Fox Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2010

Assista o trailer aqui.

Cisne Negro é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpreta por Mila Kunis. Dirigido por Darren Aronofsky, Cisne Negro faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.

Vale, na contextualização do filme, ver o que a atriz e o diretor têm a dizer.




A primeira coisa que aponta, como um iceberg no oceano, nos primeiros momentos do filme, é o aspecto perfeccionista e infantilizado no qual Nina (Natalie Portman) vive. Entre a Corte, inicialmente cotei a Rainha de Copas como sua máscara, mas não; é mais jovem, é Princesa. Princesa de Copas. A Princesa de Copas proposta por Crowley no seu Thoth Tarot é verde, pois sua carência de Fogo ainda não lhe permite o rubor da pele. Ela dança um nível abaixo das ondas, nem tão profunda, nem tão rasa, caminha rumo ao fundo lentamente. Um cisne coroa sua cabeça, curiosamente fazendo referência às possibilidades iconográficas propostas aqui. Junto ao golfinho (aparenta bem mais ser um marlim) e o quelônio em seus braços, apresenta seres de águas medianas, não tão profundas, apontando para sua disposição para o mundo dos sentimentos - não tão profundos. Uma ave, um réptil, um peixe - não há aqui anfíbios, ela não está propensa à versatilidade destes, plenamente adaptados à terra e à água.



E assim, Nina, a Princesa de Copas, é perfeccionista em sua arte, levando ao extremo as possibilidades do seu corpo - nem sempre o corpo acompanha o desejo do espírito, sendo um limite que apresenta todas as possibilidades plausíveis. E dentro dessas possibilidades, Nina se supera indo ao extremo de suas forças, apresentando o Cisne Branco em sua mais diáfana e perfeita possibilidade. Ela não o interpreta; ela é.
Ver Natalie Portman se portando de forma tão suave foi extremamente chocante para mim, acostumado que estava com sua personalidade marcante nos personagens que interpretou anteriormente. Ela exala força e magnetismo, naturalmente; vê-la suavizada ampliou todas as minhas possibilidades de vê-la como atriz. Contudo, a forma como ela apresenta a firmeza de propósito de Nina corresponde fielmente ao que eu espero de um título que carregue seu nome.
Num ambiente confortavelmente opressor, onde seus hormônios não poderiam se manifestar - por vezes, pensamos que sequer tinha consciência de sua existência - Nina vive no blanc et rosé de um quarto de menina, de uma vida de menina, de um sonho de menina, tão acalentado por sua mãe, que, ao tê-la, desfez-se dos seus próprios. 
O seu despertar se dá no momento em que a idealização não condiz com a realidade do gesto. Um beijo, uma mordida, um convite para a intimidade, a total inexperiência, a mentira que a confirma. Cisne Branco, quem é você frente sua atual necessidade? Até onde poderá ir em sua busca insana pelo perfeito? Como aponta Hannah Arendt em A Condição Humana, a ação perfeita esgota o agente...
Abraços a todos, até o próximo post.
Parte 2: 09 de abril.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

My Blueberry Nights

SINOPSE: Aplaudido de pé pelos críticos e pelo público que se emociona e torce pela vitória do amor, Um Beijo Roubado é um dos filmes mais bonitos do ano. Dirigido com sensibilidade e muita criatividade por WONG KAR WAI, o badalado cineasta de "Amor à Flor da Pele" e "2046 - Segredos do Amor". A vida de Jeremy (Jude Law, de O Talentoso Ripley), dono de um charmoso café, muda radicalmente quando ele recebe a visita de Elizabeth (a cantora Norah Jones), uma jovem de coração partido com quem conversa noites adentro. Em busca de um novo rumo, Elizabeth (a cantora Norah Jones), uma jovem de coração partido com quem conversa noites adentro. Em busca de um novo rumo, Elizabeth parte em viagem através dos EUA, onde faz amizades com um policial (David Strathairn, indicado ao Oscar de Melhor Ator por Boa Noite Boa Sorte) que não consegue esquecer a ex-mulher (Rachel Weisz, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por O Jardineiro Fiel) e uma sexy jogadora de cartas (Natalie Portman, a rainha Amidala de Star Wars), Jeremy, muito apaixonado, acompanha a jornada desesperadamente através de telefonemas e cartas. Com fantástica trilha sonora de Cat Power (que faz uma participação no filme), Norah Jones, Ry Cooder, Otis Redding, Cassandra Wilson, Gustavo Santaolla, entre outros.


Olá pessoal. Promessa é dívida e, depois de muito tempo e desejo, a @railamoccelin, lembrando-se de mim, conseguiu para mim o filme da Norah Jones... My Blueberry Nights.
Confesso que a ansiedade atrapalhou um pouco. Por isso, no meio do filme, parei, fui fazer outras coisas, pensar um pouco na vida... Qualquer coisa. Depois, mais calmo e menos crítico, pude sentir o prazer de assistir sem julgar, pelo usufruto do momento.



Embora eu achasse que a Norah Jones roubaria a cena o tempo todo (pelo menos para mim...), não foi isso que aconteceu. Seus (des)encontros são cômicos e apontam para uma pureza (eu ouvi Dawson's Creek?) que o "The Fall" fez com que caísse por terra (já vimos isso antes com a Britney Spears e com a Sandy...)

Sometimes we depend on other people as a mirror to define us and tell us who we are. And each reflection makes me like myself a little more.




O Jude Law, como Jeremy, me fez sorrir o tempo todo. Ter um café onde eu pudesse cozinhar e ouvir vidas...? Que bacana!
Mas não sei se me entregaria à espera por alguém de forma tão passiva...



Mas... Para mim, não há quem supere, nesse filme, a interpretação de Natalie Portman, que, de forma incisiva e cortante como um estilete,  me remeteu a um dos meus maiores medos na minha arte: a charlatanice.


Ela lê as pessoas mais que as cartas. Tá certo que estamos falando de Poker e não de Cartomancia; mas quem poderia me dizer que em Cartomancia isso não seria possível?



Trust everyone but always cut the cards.





De qualquer forma, seu olhar incisivo como um punhal me remete à minha própria postura diante das cartas: eu raramente olho meus consulentes. Não é por vergonha ou qualquer coisa do gênero; eu fico tão absorto com as cartas que não olho muito pro comportamento do consulente, a menos que o sinta desconfortável com a consulta. Talvez uma forma de me resguardar de qualquer interpretação dúbia, talvez porque a mandala à minha frente é mais importante do que qualquer outra coisa, naquele momento.

Alguns diálogos são muito sugestivos. (Fique tranquil@; não chegam a ser spoilers.)



- Where are the keys? You don't keep them anymore?
- (I) Been trying to give them back to their owners.
- Do you want yours?
- No. I don't need them anymore. What about your keys?
- I got rid of them. 




It wasn't so hard to cross that street after all. It all depends on who's waiting for you on the other side.

Bom saber que o Jude Law e Natalie Portman se recuperam em Closer... E me resta torcer que a Norah Jones se aventure novamente.