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domingo, 1 de dezembro de 2013

Doze Meses com os Enamorados: Giancarlo Kind Schmid.


Olá pessoal. Quem diria, um ano se passou! Tivemos dez contribuições e aprendemos mais sobre esse Arcano que inspira dúvidas, em amplo sentido. Foi um estudo coletivo muito rico, só tenho a agradecer a todos os participantes. Obrigado por acreditarem no projeto.
Fechamos com chave de ouro: Giancarlo é um Ás na leitura dos símbolos. E é esse querido que nos guia nesse fechamento de ciclo e abertura de possibilidades interpretativas. Nada tenho a acrescentar.
Deleitemo-nos.


Os Enamorados (ou Amantes)

  Giancarlo Kind Schmid

A cena clássica, repetida em inúmeros romances, onde o jovem flerta com a donzela, marca um ciclo importante literário europeu (século XII a XIV): o trovadorismo. Uma ode ao amor, especialmente o amor impossível e platônico transformando o trovador num vassalo da mulher amada, exemplo do amor cortês. Esse é o período onde surge o primeiro baralho de tarô na Europa (1392) e passa, então, a se tornar conhecido.
O arcano 06 é representado atualmente por um jovem entre duas mulheres tendo ao alto a figura resplandecente do Cupido. Em alguns textos, há o reforço da interpretação de escolha e livre arbítrio, de triângulo amoroso, até mesmo de Complexo de Édipo quando alguns autores reportam-se à ideia de que o jovem está entre a mãe e a sua namorada (ou noiva). Porém, essa visão moderna não está de acordo com as primeiras imagens do arcano. No baralho de Jacquemin Gringonneur (a pedido de Charles VI, rei da França em 1392) três casais surgem se cortejando, tendo na parte superior da lâmina Eros e Anteros (amor e ódio) disparando suas flechas, fazendo uns se apaixonar e outros se rejeitar. O baralho reproduz uma ambientação medieval com os casais num atitude de entrosamento. 


Já nos baralhos de Visconti Sforza (Itália, séc. XV) e Visconti Cary Yale (Itália, séc. XV) há apenas um casal e, no topo, sozinho, o Cupido (agora com os olhos vendados). A referência mais clara é do amor cavalheiresco, das bodas ou apenas do romance. E, há também um apontamento para a cegueira do amor e/ou da paixão. No simbolismo, a interpretação está mais de acordo com a frase: “o amor é cego”. Lembro que o Renascentismo surgia nessa época na Europa, uma explosão cultural, repleta de filosofia, invenções, artes, colocando o ser humano como centro do universo. Mais do que normal a ênfase aos sentimentos humanos e toda sua representatividade. 
                             

O humanista e poeta Francesco Petrarca (Itália, 1304-1374) ao escrever sobre os ‘Triunfos’, faz apologia especial ao do Amor, cujas ilustrações sempre destacam o Cupido num carro alegórico. No período pós-medieval e renascentista, o amor ganha destaque na forma de adoração do próprio ser humano, num tom narcísico e hedonista, com ênfase na estética, corpo e perfeição (quase) divina.
                                                           
Somente a partir do século XV surgem as primeiras representações do arcano 06 como um jovem entre outros dois personagens. A imagem analisada de forma pormenorizada em sua essência iconográfica não faz menção a um jovem entre duas mulheres e sim, entre seu pai e sua futura noiva. Devido à difícil representação artística xilográfica francesa, muitos confundiram a imagem da esquerda como a de uma mãe ou outra mulher importante na vida do personagem central. Portanto, nada de triângulos amorosos, amantes secretos, mães dominadoras, isso tudo surgiu das várias reinterpretações da imagem que fizeram perder seu sentido simbólico original. Podemos ver o Cupido apontando sua flecha para o indefeso coração do rapaz. A imagem é de jovem que apresenta sua pretendente e pede a benção ou consentimento do pai para casar-se. Nada, além disso.




Esclarecido o aspecto iconográfico, lógico que vários artistas vieram ao longo dos séculos repetindo a ideia de um rapaz dividido entre o amor de duas mulheres. Poucos foram os baralhos que se reportaram ao personagem da esquerda de quem vê como homem (como é o caso do Suíço 1JJ e Classic Tarot, até chegar ao Waite-Smith cuja ilustração está mais de acordo com o Éden com Adão e Eva representados. Da criação do Rider à edição do Thoth, o arcano ganha status de casamento alquímico e outras analogias postuladas pelas vertentes ocultistas.


Devido a esse erro de interpretação das imagens, o arcano 06 tornou-se símbolo das escolhas e dúvidas, livre arbítrio e bifurcações da vida. Claro, não podemos negar, hoje, os novos significados, longe daqueles que envolviam, diretamente, as relações amorosas diretamente os laços afetivos estabelecidos. O arcano diz respeito também às convivências e como as pessoas se interinfluenciam. De certo modo, como precisamos “colocar o coração” em tudo que realizamos ou geramos, além da dedicação carinhosa aos nossos planos e anseios, não nos esquecendo de que vivemos em sociedade e mesmo as decisões tomadas sozinho podem gerar consequências para os demais. Não há dúvida quando o amor é verdadeiro!
O arcano 06 nos ensina que ‘é preciso amar o amor’.

Bibliografia:
CARDOSO, Ciro Flamarion. Iconografia e História. Cadernos do ICHF, Niterói, no. 32, 1992.
KAPLAN, Stuart R., Encyclopedia of Tarot. 3 vols. New York: U.S. Games Systems Inc., 1978.
LOYN, H. R. (Org.). Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
MELLO, José Roberto. O cotidiano no imaginário medieval. São Paulo : Contexto, 1992.

domingo, 1 de setembro de 2013

Doze Meses com os Enamorados: Giordano Berti.


Queridos, conto hoje com a honra de termos no Conversas Cartomânticas a presença de Giordano Berti, um historiador da arte, um estudioso da cartomancia, e, acima de tudo isso, um querido. Extremamente atencioso, trouxe para nós a sua experiência em relação aos Enamorados. Conforme a Wikipedia,
Giordano Berti (Bolonha, 27 de fevereiro de 1959) é um historiador italiano, fundador do Instituto Graf de Bolonha - uma associação empenhada no estudo das relações entre as artes e o folclore.

Historiador e professor de História da Arte, Giordano Berti é especialista em temas relacionados à história do ocultismo, sendo considerado em nível mundial como um dos melhores eruditos em história e esoterismo a respeito do Tarô e das artes divinatórias.
Sobre o tema do Tarô, publicou numerosas obras (catálogos, libros, encenações para novos baralhos) e organizou exposições históricas, as mais importantes das quais foram com Michael Dummett, Franco Cardini, Cecilia Gatto-Trocchi e Andrea Vitali: I Tarocchi. Gioco e magia alla Corte degli Estensi (Ferrara, Castello Estense, 1987), Tarocchi: arte e magia (Roma, Castel Sant'Angelo, 1985).
Pela revista italiana de grande prestígio ‘Charta’, Berti escreveu numerosos artigos sobre diversos temas relacionados à história e cultura das cartas: grandes bibliotecas, naipes antigos, temas simbólicos na arte da gravação. Pelas revistas ‘Terzo Occhio’ e ‘II Giornale dei Misteri’, Berti escreveu artigos sobre temas simbólicos e sobre alguns artistas relacionados com o esoterismo.
Estamos em boas mãos, não?
Sigamos com ele. 

Visconti Cary-Yale
US Games

AMANTES

A iconografia do amor era popular nos tempos medievais e renascentistas. Basta recordar os esquetes mostrados em muitos manuscritos iluminados, com vários casais mais ou menos afortunados como o mitológico Piramo e Tisbe, Teseu e Ariadne, ou Dante Alighieri e Beatrice, Francesco Petrarca e Laura.
Os triunfos de Petrarca estão ligados, nomeadamente, ilustrações do triunfo do amor que é a provável inspiração para ambas as cartas dos Amantes de Filippo Maria Visconti tarô (o mais antigo baralho de Tarô existente) no Tarot de Francesco Sforza. Ambos baralhos são vinculados aos princípios que governaram Milão entre o trecento e o quattrocento.
A figura dos amantes pode ser encontrada em todos os Tarots antigos e modernos, mas são extremamente variáveis de um baralho para outro. No baralho Visconti-Sforza são dois jovens que dão as mãos diante de uma fonte. Acima, se eleva a um jovem alado e com os olhos vendados, Cupido, pronto para lançar suas flechas.
À primeira vista você pode pensar em um casamento pagão, desde que a cerimônia de dextrarum iunctio (União de mãos) não é presidida por um padre, mas por Eros, o Deus do amor. Mas este não é o caso. Não é sequer uma cena de namoro, nem representam um encontro apaixonado. O verdadeiro significado desta placa é uma "promessa de amor", e a presença de Cupido tem um significado puramente simbólico: é sabido que o humanismo italiano do século XV recuperou imagens de deuses antigos em alegorias de ensinamentos morais.
Portanto, esta carta é, sem dúvida, o nascimento do amor, ou seja, maior sentimento que podem tentar a seres humanos. "Amor que move o sol e as outras estrelas", diz o grande poeta Dante Alighieri. Claro, há muito para falar sobre os significados "transversais" desta imagem.
Referindo-se estritamente à figura, nós não podemos ajudar mas acho que de um encontro galante, uma promessa de amor, ou pelo menos para um compromisso. Também pode falar sobre uma promessa feita por duas pessoas com a insistência de um sentimento de amizade, estima e afeição. Podemos pensar também do aparecimento súbito de uma perturbação, o desejo, de uma forte atração, não necessariamente sexual.

Em resumo, a carta de amantes nos primeiros baralhos de cartas de tarô, representa o indivíduo (homem ou mulher ou até mesmo o casal) quando abandona a racionalidade para saciar o sentimento de amizade, amor e paixão, não menos importante, para o desejo erótico. Aqui estão as escolhas que podem ser certo ou errado, mas se o desejo é enviada outra razão e não instinto, pode derivar a possibilidade de uma realização interior (psíquica ou espiritual na natureza) que vai além do puramente material e tamanho contingente da existência.

[Texto original]

GLI INNAMORATI

L’iconografia degli innamorati era diffusissima in epoca medievale e rinascimentale. Basti ricordare le scenette illustrate in tanti codici miniati, con le varie coppie più o meno fortunate come i mitologici Piramo e Tisbe, Teseo e Arianna, oppure Dante Alighieri e Beatrice, Francesco Petrarca e Laura. 
Ai Trionfi di Francesco Petrarca si collegano, tra l’altro, le illustrazioni del Trionfo dell’Amore che è la probabile fonte d’ispirazione per la carta degli Amanti sia nei Tarocchi di Filippo Maria Visconti (il più antico mazzo di tarocchi esistente) sia nei Tarocchi di Francesco Sforza. Entrambi questi mazzi sono legati ai Principi che governarono Milano tra il Tre e il Quattrocento.
La figura degli Innamorati si ritrova in tutti i Tarocchi antichi e moderni ma si presenta in modo estremamente variabile da un mazzo all’altro. Nei mazzo dei Visconti -Sforza sono rappresentati due giovani che si danno la mano dinnanzi a una fontana sopra la quale si erge un giovane Cupido, alato e bendato, pronto a lanciare i suoi dardi. 
A prima vista si potrebbe pensare a un matrimonio pagano, dato che la cerimonia della dextrarum iunctio (l’unione delle mani) non è presieduta da un sacerdote ma da Eros, il dio dell’Amore. Ma non è così. Non è neppure una scena di corteggiamento, né la rappresentazione di un incontro passionale. Il vero significato di questa carta è una “promessa d’amore”, e la presenza di Cupido ha un significato puramente simbolico: è noto che la cultura umanistica italiana del Quattrocento recuperò le immagini degli antichi Dei trasformandole in allegorie di insegnamenti morali.
Dunque, questa carta significa senza dubbio la nascita dell’amore, cioè del sentimento più alto che gli esseri umani possano provare. “Amor che move il sole e l’altre stelle”, recitava il grande poeta Dante Alighieri. Naturalmente c’è molto da disquisire sui significati “trasversali” di questa immagine. 
Riferendosi rigorosamente alla figura, non possiamo fare a meno di pensare a un incontro galante, a una promessa d’amore o quantomeno a un fidanzamento. Si può anche parlare di una promessa fatta da due persone sotto la spinta di un sentimento di amicizia, di stima o di affetto. Possiamo anche pensare alla improvvisa nascita di un turbamento, al desiderio, a una forte attrazione, non necessariamente sessuale.
In sintesi, la carta degli Amanti, nei primi mazzi di Tarocchi, rappresenta l’individuo (uomo o donna, o anche la coppia) nel momento in cui abbandona la razionalità per abbandonarsi al sentimento di amicizia, alla passione amorosa e, non ultimo, al desiderio erotico. Da qui derivano scelte che possono essere giuste o sbagliate, ma se il desiderio è sottomesso aalla ragione e non all’istinto, può derivare anche la possibilità di una realizzazione interiore (di natura psichica o spirituale) che va oltre la dimensione puramente materiale e contingente dell’esistenza.

sábado, 1 de junho de 2013

Doze Meses com os Enamorados: Euclydes Cardoso Jr e os Enamorados Cabalísticos.




Olá pessoal. Hoje contamos com a inspiração de Euclydes Cardoso Jr., do TarotCabala. Ninguém melhor que ele para dissertar sobre as características cabalísticas do Sexto Arcano. Vamos com ele nesse passo, entendendo iconográfica e simbolicamente os aspectos concernentes à sagrada experiência da Escolha.
Ler esse texto é mergulhar em Cabala, Numerologia, simbologia e meditação.
Ah, e quem mais adoraria ter o TAROTCABALA em mãos? Com um Arcano Seis lindo desse tanto, não vejo a hora de ter as demais vinte e uma em mãos!


Na filosófica análise dOs Enamorados com a mística cabala, adentra um estudo mais profundo, podemos incluir a numerologia, enfim... Sendo o arcano regente do ano de 2013 (2+1+3=6), primeiramente precisamos descrever este arcano. Os Enamorados representa o casamento dos opostos e o inteiro das qualidades masculinas e femininas, e a união entre os Amantes. Esta vêm junto com o Leão e com o Escorpião (fogo & água) criando a dualidade. Com eles, existe a divisão e a separação. A mais alta união dos Amantes é o reconhecimento da individualidade, mesmo assim eles são ambíguos; cada um corresponde a contra - parte e a diferença do outro. A multiplicidade transforma a bipolaridade em ágape (a mutabilidade do amor). É o casamento alquímico entre o Imperador e a Imperatriz, o número seis é a síntese, a culminação e a integração. Os Amantes é a carta da união dos opostos e a antipatia do semelhante. O princípio ativo é espalhar e o princípio passivo é reunir e fecundar.
No Livro de Thoth, cada um dos símbolos desde arcano e sua gêmea XIV (A Arte) é em si mesmo duplo, de modo que os significados formam uma série divergente e a integração da carta só pode ser reconquistada mediante casamentos e identificações reiterados...

Na Cabala, a letra hebraica correspondente é Zayin, que significa Espada, e a estrutura da carta é portanto o Arco de Espadas abaixo do qual o Casamento Real acontece.


A Espada é primeiramente um engenho de divisão. No mundo intelectual-que é o mundo do naipe de Espadas-ela representa análise. Esta lâmina e o Atu XIV juntos compõe a máxima alquímica abrangente: solve et coagula




Na obra cabalística "Livro do Mistério Escondido", o primeiro versículo do livro de Gênesis é assim interpretado: "No princípio a substância dos céus e a substância da terra foram produzidas a substância dos céus e a substância da terra foram produzidas por Elohim".


Seis eram os membros criados que estão concordes às seis numerações do microprosopus desta forma:

1. Benignidade como seu braço direito.
2. Severidade como seu braço esquerdo.
3. Beleza como seu corpo.
4. Vitória como sua perna direita.
5. Glória como sua perna esquerda.
6. Fundações como os seus órgãos de reprodução.


O número 6, o número dOs Enamorados está entre o mais sereno e calmo de todo sistema numerológico: São tranquilos, equilibrados e caseiros. Também possuem grande afetividade, além de se mostrarem leais e sinceros. Não lhes falta criatividade e muito são bem-sucedidos nas artes cênicas, ou seja, são excelentes artistas, principalmente de teatro.


Na esfera superior, é indicador das seis letras do nome de D'us. Na esfera do intelecto, indica as seis ordens de anjos (Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Poderes e Virtudes). Na esfera celestial, indica a Lua e cinco planetas. Na esfera elemental, indica as seis qualidades elementais. Na esfera interior, os seis demônios do desastre: (Acteus, Megalesius, Ormenus, Lycus, Nicon e Mimon). Seis é o número da confusão e da junção, da união e da sedução, do vício e da virtude. Da incerteza no amor, da atração dos sexos e da beleza. Significa todos os tipos de problemas e discórdias, mas é capaz de purificação pelo conhecimento e de uma boa vida.





O número 6 é considerado o perfeito e a unificação dos opostos, isso desde o século VI a.C, por ele ser tanto a soma quanto o produto dos primeiros números: 1+2+3 é igual a 6, assim como 1x2x3. O Hexágono é o módulo de construção ideal na natureza, que pode ser encontrado, por exemplo, nos favos de uma colmeia ou num floco de neve.





O 6 é também um símbolo central no antigo livro chinês de sabedoria e oráculo, o I Ching. Linhas partidas, yin, e linhas inteiras, yang, simbolizam nele a polaridade primordial entre o Sol e a Lua, entre o céu e a terra, entre o masculino e o feminino. Com elas obtemos um total de oito grupos diferentes formados por três linhas (trigramas), que por sua vez combinam-se entre si para formar todos os hexagramas do I Ching. Eles mostram, em 64 variações, como o Céu e a Terra penetram-se mutuamente.


A estrela de seis pontas como o mágico Selo de Salomão em representação do mago Eliphas Levi. Chegamos no caminho do livre-arbítrio. Difícil saber quem terá  que decidir, o homem ou as mulheres: todos estão envolvidos; misticamente, esse é o momento importante, pois uma vez escolhido o caminho não haverá retorno. A liberdade tem o seu preço, o próprio livre-arbítrio; e o ele tem seu peso: a escolha do caminho correto. Mas pelo que devemos optar? Pelos dogmas sociais ou por nós mesmos? Onde se encontra a razão quando o desejo invade o coração?

Medite. Respire profundamente o ar retendo por oito segundos...
Solte o ar em quatro segundos.

Repita isso por três vezes para oxigenar o cérebro.

AS ESCOLHAS DEVEM SER REGIDAS PELA INTUIÇÃO E PELA INSPIRAÇÃO.

Amor, plenitude, escolha, tentação, compromisso.

- O poder  do amor e como lidar com ele...
- O que você quer dizer quando diz "amor" ?
- Busque sua plenitude.  
- Mantenha-se fiel aos seus valores.
- Harmonia Sexual, prazer.
- Relacionamentos afetivos...
- Desejos e atração. Tentação!
- Chegou o momento de fazer uma escolha.
- Saiba o que o é certo, mas saiba o que é errado.
- Deseje união à sua família e aos seus semelhantes, agradeça.     

Os símbolos ocultos para os Enamorados Cabalísticos são: Os dois caminhos; um homem entre virtude e o vício; cupido com seu arco e flecha; a deusa Vênus. As vibrações venusianas.






Caminho da Árvore da Vida: De Binah a Tiphareth 
Letra Hebraica: Zayin - Espada 
Nome Místico: Crianças da Voz; Oráculo dos Deuses Poderosos. 
Signo: Gêmeos 
Cor do Caminho: Laranja
Som: Ré Natural
Significado: Espada ou Armadura
Sentido Simples: Olfato
Título Esotérico: O Oráculo dos Deuses Poderosos






Fraternalmente.
Paz e Luz.

Euclydes Cardoso Jr
TAROTCABALA.com.br


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Numerologia Cabalística - A última fronteira - CARLOS ROSA
Tarô e Simbologia - NEI NAIFF
Simbolismo e o Significado dos Números. Ed. Pensamento. 2009: HAJO BANZHAF; 
O Tarot Cabalístico - um manual de filosofia Mística. ROBERT WANG
O Livro de Thoth - O Taro - ALEISTER CROWLEY
http://www.ocultura.org.br



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Doze Meses com Os Enamorados: Regina Guigou e a Astrologia


Olá pessoal. Hoje contamos com a presença de Regina Guigou para falar-nos um pouco sobre a relação entre o sexto Arcano e sua atribuição astrológica mais citada: Gêmeos. Utilizar Astrologia e Tarô é uma opção. Não são intrinsecamente dependentes. Mas as reflexões que obtemos entre uma ciência e outra valem, e muito, a pena. 
Sigamos com ela.

O que o arcano Os Enamorados tem a ver com o signo de Gêmeos?

Gêmeos, o terceiro signo zodiacal. Sua função é, através da curiosidade, abrir portas para o aprendizado, a versatilidade e a ESCOLHA.
Os gêmeos, Castor e Pólux, foram escolhidos para simbolizar este signo, demonstrando assim o conceito de dualidade e escolha – bem/mal, certo/errado, direita/esquerda, yin/yang. 
Seu glifo mostra que consegue unir forças contrárias, representa as opções abertas. Aqui, encontramos os pilares de Hércules. As colunas são ligadas, representando a habilidade de usar o intelecto para unir a essência à matéria. 

Os Enamorados – Arcano VI

A busca pelo complemento e pela unidade é a tônica desta carta regida pelo signo de Gêmeos. 
A carta d'Os Enamorados é predominantemente uma carta das emoções, e que muitas vezes retrata o amor abençoado, seja por um anjo, ou pelo próprio Deus. 
Ar é o elemento que rege os Amantes, e seus significados são associados com o espírito e a mente. A noção de escolha entre positivo e negativo é representado neste cartão com a simbologia de idade de um homem para decidir entre dois caminhos. Tal encruzilhada, que agora é preciso considerar todas as consequências antes de agir. Tanto uma situação simples, quanto uma decisão mais complicada nos deparamos com uma bifurcação na estrada para escolher entre dois caminhos pelo qual todas as nossas  crenças e ideais serão testados. 

Enamorados
Waite Smith

O significado dos Amantes é talvez melhor ilustrado com a imagem da carta no baralho Rider-Waite, e algumas das suas variantes. Esta imagem mostra o homem olhando para a mulher, que por sua vez, olha para a figura divina acima de ambos. O homem não pode ver o anjo, e ele deve confiar a mulher para vê-la para ele. Da mesma forma, a mente consciente (o homem) não pode acessar diretamente Poderes Superiores (o anjo), o que acredito que aqueles são. O inconsciente (a mulher) deve ser a ponte entre os planos físico e espiritual. Esta simbologia também mostra o verdadeiro poder do amor.

O ano dos Enamorados


Por ser uma carta cujo sentido é de escolha, geralmente no plano moral ou ético devemos olhar para dentro e através da inspiração acessar a sabedoria necessária para fazer a escolha corretamente. Confie no conselho de sua voz interior, não deixe perturbar pelos desejos e depois de ter feito a sua escolha não volte para trás, não se importando com o quanto de oposição poderá enfrentar oposição você poderá enfrentar, pois é no conflito e no intercâmbio com o mundo e com os outros que encontrará o equilíbrio das emoções antes de escolher.
Esta carta fala do encontro entre duas pessoas, do amor. Portanto, o ano de 2013 poderá encontrar alguém especial.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Doze meses com os Enamorados: Yubertson Miranda


Olá pessoal. Contamos hoje com o entendimento do Arcano VI pela ótica do querido Yubertson Miranda, tarólogo e numerólogo. As relações entre Tarô e numerologia são complexas e ainda estão sendo discutidas, não havendo consenso sobre seu uso ou não. Nada melhor que apreendermos seu conteúdo com quem entende do riscado.
Contatos com o Yub: seu blog Yub | Universo simbólico e Personare.


Cada número presente em determinado Arcano do Tarot representa informações a mais sobre as suas características, as quais são somadas aos símbolos presentes na carta.  Este ano de 2013, cuja soma dos algarismos 2+0+1+3 gera o 6, é regido pelo Enamorado. Na Numerologia, obviamente, o Ano Universal é simbolizado pelo próprio Número 6. 
Algumas vezes, um número na Carta de Tarot não tem grandes semelhanças com a sua dinâmica numerológica, tal como o 5 e O Papa. Outras vezes, os significados numerológicos de um número são bem similares ao que está configurado numa carta de Tarot. É o caso do 6 do Enamorado. Ambos falam da importância da negociação. Acordos são necessários. E para alcança-los, é essencial fazermos uso constante da arte de dialogar. 
 O jovem que se encontra entre uma mulher mais jovem e outra mais velha no Tarot de Marselha está ponderando sobre os pontos de vista de cada uma. Procura dar atenção para ambas, pois parte de seu corpo está apontada para uma (cabeça e um dos pés) e a outra metade (outro pé e mãos) para a outra mulher. Está configurada nesta imagem a capacidade de olhar para os vários lados de cada questão. E não tomar partido precipitadamente. Primeiro avaliar, ouvir. Depois decidir. Daí sua associação com a dúvida, a indecisão. Cada lado da moeda tem seu valor, tem seus atrativos. Qual escolher?
O Número 6 na Numerologia Pitagórica é o número do indeciso. Por quê? Porque ele não quer desagradar ninguém. Quer manter-se em paz, numa relação harmoniosa, com cada pessoa. Daí o fato de optar pela não escolha, isto é, ficar em cima do muro. O grande paradoxo é que essa opção de não decidir já é uma escolha, uma decisão. O problema é que esta acaba desagradando a ambas as partes! Se tivesse escolhido um lado, só desagradaria o outro. 
Essa tendência é explicitamente percebida quando o Enamorado sai no Templo de Afrodite (Método eficaz para a área afetiva), por exemplo. É a clássica situação do triângulo amoroso. O homem busca manter tanto a esposa quanto a amante. Não opta por nenhuma. E acaba desagradando ambas. 
Buscando uma causa ainda mais profunda para essa dinâmica da angústia da escolha que tanto o 6 quanto o Enamorado simbolizam, encontramos o perfeccionismo. A pessoa tem tanto medo de errar, porque se mostrará humana, intrinsecamente imperfeita, que prefere manter a aparência de ser perfeita. Esse perfeccionismo se encontra representado pelo anjo acima dos protagonistas. Afinal, anjos são considerados criaturas perfeitas, não é mesmo? No mínimo, numa condição superior à humana.
Quem tem o 6 em alguma posição do Mapa Numerológico sofre por não aceitar a realidade: sua, dos outros e da vida como um todo. A realidade da imperfeição. Prefere acreditar num mundo ideal, especialmente em termos afetivos. Não por acaso tanto o 6 quanto O Enamorado simbolizam o amor. Na verdade, o amor platônico. O estado de romantismo altamente exagerado. Tem a expectativa de encontrar o príncipe encantado ou a princesa encantada. 
Consequentemente, este é um ano que será fundamental reconhecermos nossa natureza humana imperfeita. Encarar a vida tal como ela é, a fim de não sofrermos com o perfeccionismo, o qual nos impede de decidir. Porque por não querermos errar, postergamos decisões. Afinal, e se optarmos por uma pessoa e a outra é que realmente seria nossa alma gêmea? Se escolhermos esse emprego e não for este o que nos trará mais satisfação e retorno financeiro? Evitamos fazer um curso, porque pode ser que outro seja o mais adequado para o nosso futuro acadêmico e profissional. Enfim, dúvidas e mais dúvidas que corroem a alma. Prefere-se ficar passivamente na cômoda posição da inércia, do não comprometimento. 
Porque um dos grandes aprendizados do Número 6 – e que é compartilhado com os atributos dO Enamorado – consiste em desenvolvermos a maturidade. Ao decidirmos, amadurecemos. Aceitamos as consequências do desagrado, dos conflitos, dos efeitos de termos optado. E nos tornamos mais maduros ao bancarmos nossa decisão. 
Lembro-me quando conheci a mulher que seria minha esposa. Eu estava num namoro bastante insatisfatório. No meu Mandala, havia O Enamorado na Casa Central. A dúvida entre manter um namoro ruim ou escolher aquela que mexeu comigo e parecia ter muitas afinidades comigo me corroía. Foi aí que aprendi essa lição do Arcano 6: entre duas opções, escolha a mais desafiante e não a que te manterá no comodismo. Será por meio dessa decisão que você amadurecerá consideravelmente, pois demandará um comprometimento de corpo e alma – o que a outra opção, a cômoda, não extraía de você.
Então, diante de cada dúvida e alternativas com as quais se deparar neste ano de 2013, opte pela que será mais desafiante e lhe exigirá maturidade, responsabilidade, comprometimento. Dessa forma, você perceberá uma das mais belas sensações que o Enamorado e o Número 6 simbolizam: a verdadeira sensação de paz, de profunda harmonia – consigo mesmo, com o outro e com a vida. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Doze Meses com os Enamorados: Kelma Mazziero.



Olá pessoal! Está chegando o ano novo astrológico! Deixamos o influxo da Lua e adentramos o influxo de Saturno. Um caminho diferente se delineia.
E, falando em delinear, hoje estamos com Kelma Mazziero delineando suportes, auxílios para a inexorabilidade da vivência desse ano. Por não termos escolha em viver, todas as escolhas decorrentes são plausíveis.
Deitem suas cartas. Façam suas apostas.
Façam suas escolhas.
Contato com a autora: Cartas na Mesa

Enamorados
Universal Fantasy

Todo ano é a mesma coisa: estudamos, pesquisamos e elaboramos artigos sobre as vibrações dos próximos 365 dias. Verdade seja dita (ou escrita): a virada de um ano não vai mudar tudo. Não acontecerá um milagre e todos os nossos problemas serão deixados no ano anterior, começando um novo ano feliz e sem obstáculos. Tudo na vida é continuidade, é cíclico, então esperar que o Universo ofereça saídas e soluções sem se mexer pode ser um erro cometido por uma mente iludida. O ano muda, mas se a gente não mudar junto, nada será diferente.
2013 será regido pela Carta dos Enamorados, ou Amantes, e com ele virão alternativas, novos caminhos, todos seguidos de uma escolha. Não significa que será um ano de dúvidas ou indecisões, isso seria levar a carta no literal (e sabemos que não funciona bem assim). Enamorados mostra caminhos, propõe alternativas, também acentua romantismo, lirismo, envolvimento. Essa carta fala de beleza, do gosto por tudo o que é belo, indica perfeccionismo, sinceridade, abre interesse por interação social e convívio entre as pessoas. Dessa forma, poderemos nos pegar perante escolhas, tentando aliar sinceridade aos nossos gestos, sentindo dificuldade de estarmos satisfeitos por conta de nosso perfeccionismo. É preciso atenção para não aumentar pequenos problemas ou não demorarmos demais em situações que não demandariam tanto critério. E, claro, não esqueçamos que espiritualmente é uma carta sensível e intuitiva, aspectos que poderão ajudar nessa jornada.
Para estarmos mais firmes, mais certos, menos hesitantes perante tantas possibilidades é possível lançar mão dos Florais. Os florais mais conhecidos, de Bach, tem uma essência perfeita para equilibrar hesitações e incertezas: Scleranthus, que oferece foco e segurança. No Sistema de Minas, o Floral Eucalyptus equilibra o “querer” e o “dever”, harmonizando a contradição interior que surge nas escolhas (quando não sabemos a distinção entre idealizar e realizar). No Sistema Floral de Saint Germain temos a essência Varus, que também equilibra o mental e o emocional, alinhando nossos sonhos com nossa vida cotidiana, ensinando a desempenhar papéis da vida real sem precisarmos destruir nossos sonhos.
Para cada momento e cada forma de viver 2013, será possível utilizar as essências florais como aliadas, em busca de equilíbrio. Como dito anteriormente, 2012 não sumirá como que por milagre, apenas terá continuidade com novas vibrações. Podemos conhecê-las para lidar com segurança perante seus desafios ou podemos simplesmente manter tudo como está e ver pouca distinção entre um e outro ano. Somos nós que fazemos toda a diferença em nossa própria vida, a cada ano que passa, e também afetamos a vida das pessoas. O Tarô pode apontar alternativas, os Florais podem harmonizar nossa alma, mas será preciso estarmos conscientes de que a pessoa que conduz nosso Carro através dessa vida (com ganhos, perdas e desafios) somos nós mesmos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Doze meses com os Enamorados: Claudia Mello.



Conosco hoje Cacau Gonçalves, minha querida Cláudia Mello, falando sobre o nosso regente do ano. Uma carta curiosa, que merece reflexões sinceras para superarmos as idiossincrasias interpretativas que vieram, ao longo do tempo, tomar conta da literatura cartomântica. E a Cláudia faz isso com maestria.
Contatos com a autora: Via Tarot

Enamorados
Old English

Ser ou não ter? Este é o Arcano 6...
As duas interpretações mais comuns da carta dos Enamorados são: as questões emocionais ligadas, normalmente, aos relacionamentos amorosos, e as decisões que precisam ser tomadas. No entanto, com algumas variações sobre esses temas, podemos refletir juntos sobre as sutilezas do Arcano 6.
Primeiramente, gostaria de recorrer ao meu amado Hajo Banzhaf, em seu livro “Manual do Tarô” e transcrever algumas das suas observações:
“O número de Deus no mundo – dois triângulos que resultam num quadrado.”
“Mensagem Marselha: Não há problemas, apenas indecisão. Suas decisões são corretas na medida em que você as mantém.”
“Mensagem Waite: Não se pode obrigar ninguém a nos amar. Você é digno de ser amado na medida em que aceitar a si mesmo.” (Segundo Banzhaf, Waite renunciou conscientemente ao tema da decisão)
“Experiência cotidiana: Decisões de todo tipo, isto é, decidir-se a favor ou contra alguma coisa. Apaixonar-se, encontrar o grande amor; nos relacionamentos/casamentos, experimentar uma nova fase de amor intenso. Conhecer alguém novo e importante. No entanto, também dedicar-se com amor a algum trabalho.”
Bem, com isso já temos ingredientes para começar a nossa reflexão.
O número 6 é, por excelência, um número de união. Entre céu e terra, entre masculino e feminino, entre extremos opostos em busca do equilíbrio. Um detalhe que talvez poucos reparem é que desta energia de união e, portanto, soma, venha a dificuldade da subtração existente na escolha. Pois é preciso abrir mão de uma coisa para se conquistar outra.
Com os Enamorados vamos ter reuniões de grupos, associações, pessoas que possuem objetivos em comum ou as mesmas metas a serem alcançadas. Também, claro, vamos ver os romances acontecerem, se manifestarem. Vamos ver a emoção sendo o foco dos fatos muito mais do que a razão.
Em termos práticos, também veremos a necessidade de trabalhar o amor próprio, a autoestima, o autocuidado. Mas eu chamo a atenção para um processo que costuma ser a maior razão de conflito nas fases de Enamorados: o amadurecimento.
Só é possível saber escolher, decidir com sabedoria, tendo maturidade. A imagem clássica dos Enamorados, ao contrário do que muitos pensam, não mostra um homem dividido entre duas mulheres... Mostra um homem dividido entre a sua mãe e a sua mulher. Este é o processo de passagem de ciclo, em que o homem deixa de ser filho e passa a ser pai, deixa de ser cuidado e passa a cuidar, deixa de ser dependente de uma mulher para ser companheiro, parceiro de uma mulher.
O grande aprendizado do Arcano 6 não é saber escolher uma coisa, é ter a sabedoria do desapego para abandonar outra. O mais comum é vermos pessoas que querem algo, mas não conseguem deixar de olhar pra trás, ficam presas naquilo que não foi escolhido e perdem a leveza do fluir, do seguir em frente. Viram estátuas de sal!
Os Enamorados vêm para mostrar a importância do desapego e o saber administrar este jogo de ganha-e-perde que a vida sempre nos apresenta em algum momento. A dúvida, normalmente, é resultante de um sentimento infantil de querer tudo, de escolher o novo sem soltar o velho. Quando a maturidade vem e compreendemos os ciclos de transformação da vida, fica mais fácil saber o que se quer e saber abrir mão do que for necessário para realizar essa conquista.
Que o Arcano 6 possa nos ensinar o SER – íntegros, plenos e completos – para que as escolhas sejam sábias e as passagens suaves...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Doze meses com os Enamorados: Robert M. Place.


Olá pessoal. Feliz ano novo, regido pelos Enamorados! E, começando nossa jornada de doze meses por doze olhares e doze formas, temos abrindo a jornada o artista plástico Robert M. Place, um dos maiores autores de e sobre Tarô da atualidade. O autor gentilmente cedeu para nós um de seus textos, que publico com orgulho pela disponibilidade, cortesia e resposta imediata. 
Autor de diversos baralhos - Alchemical, Angels, Saints, (Traduzido aqui no Brasil como Tarô dos Santos), Buddha, Vampires e o mais novo, Sevenfold Mystery, e dono de uma visão sobre as cartas que muito se afina com aquilo que aplico na minha prática, Robert M. Place é para mim uma das fontes axiais no estudo da Tarologia. Recomendadíssimo. 
Para conhecer mais sobre o seu trabalho, acesse The Alchemical Egg e Alchemical Tarot.
Caso queira adquirir qualquer dos seus baralhos ou livros, entre em contato com a Priscilla Lhacer, no Amor, o Próprio.

Lovers
Tarot of Sevenfold Mystery
Imagem cedida gentilmente pelo autor para essa publicação.

The Lovers Trump

Robert M. Place

In the Tarot's trumps the four temporal rules, the Papesse, Empress, Emperor, and Pope, are pared as two male and female couples and Love, in the form of the the Lovers card depicting the god Cupid, trumps both pairs. This theme is similar to the triumph of Love, the first triumph in Petrarch’s poem, I Trionfi, which is a likely influence on the earliest Tarots. 

Amantes
Cary-Yale Visconti

In the earliest known existing decks, the Cary-Yale Visconti Tarot and the Visconti-Sforza Tarot, the Lovers depicts a man and a woman holding hands under a winged and blindfolded Cupid. This image is based on standard Renaissance betrothal portraits. In the early Renaissance, Cupid was considered an irrational, disruptive force that needed to be tamed through the institution of marriage. In the Cary-Yale Visconti Tarot a dog was added to symbolize the fidelity accomplished by this ritual. Cupid’s irrational nature was symbolized by his blindfold, which allowed him to shoot his arrows indiscriminately without caring who he hit. As the god of lust, he represented the essential problem of the Soul of Appetite, the first level in Plato's threefold hierarchy of soul levels: Appetite, Will, and Reason.

L'Amoreux
Jean Noblet

In the Tarot of Marseilles, the traditional French deck, the allegory has broadened and a second female figure has been added. The young man on the card is depicted standing between two women as if making a choice about which one he loves. One woman with flowers in her hair represents sensuality and lust. The other with a laurel wreath in her hair represents virtue and selflessness. Above, Cupid draws his bow and prepares to strike. The piercing of his arrow symbolizes love’s wound. The youth on this card must transform his lust into a higher love for him to continue on this spiritual journey. In the earliest example of the Tarot of Marseilles the circa 1650 Jean Noblet, Cupid still wears a blindfold. In the oldest example from Marseilles, the 1672 Francois Chosen, however, he has become clear-sighted, symbolizing that love has become a conscious choice. This is a Neoplatonic influence brought about by the Renaissance philosopher, Marcello Ficino, who revolutionized the concept of love when he translated Plato’s Symposium and published it with his commentary. After Ficino's influence, the clear-sighted Cupid became the standard image for most French decks.

Frontispício do Triumpho di Fortuna por Fanti

A similar motif can be seen in the frontispiece for the Triumpho di Fortuna by Fanti. A book on fortunetelling, making use of both dice and astrology and published in Venice in 1527. In this allegory, we find a large figure of Atlas supporting a globe that is actually an elaborate wheel of Fortune with a belt displaying the signs of the zodiac and crank handles extending from the central axes. On our left, there is an angel, representing Bona Fortuna (Good Fortune), turning the handle clockwise. On our right, there is a devil, representing Mala Fortuna (Bad Fortune), turning the handle counterclockwise. This is one of numerous Renaissance illustrations that demonstrate that Fortuna’s wheel was considered to be the wheel of the cosmos.

At the top of this wheel and globe sits a pope. As in the Tarot, he represents the highest temporal ruler—he is literally on-top-of-the-world. On either side of him, sit one of two women with their names written in Latin next to their heads. On our left is Virtue and on our right, the same side as the Devil, sits Sensuality. The pope’s fate hangs on his choice of a mate.

For my Lovers trump for The Tarot of the Sevenfold Mystery I returned to the theme of choice presented in the French decks. Here Cupid’s blindfold has been dropped, as it was in later editions of the Tarot of Marseilles, indicating that the lover is making a conscious choice. The lover is an armored hero, prepared to choose virtue and continue on the journey. The two women are labeled Appetite and Will because when the hero chooses virtue over lust he will cease operating in the Soul of Appetite and move up to the Soul of Will, in the Platonic hierarchy. The dog, symbolizing fidelity, is a detail retained from the earliest hand-painted Lovers trump.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Jornada do Louco em sua Autodescoberta: Os Enamorados.




Olá pessoal. Curiosa e sincronicamente, o último passo da caminhada do Louco rumo a sua autodescoberta neste ano é justamente o Arcano regente do ano vindouro. Ou seja, temos aqui uma dica, um sussurro, um toque casual que nos lembra do que enfrentaremos nesses dias que virão.

Você confia que a Deusa Athena o afagará para sempre?

Até o momento, terminamos a aprendizagem com os quatro sábios. Será mesmo? Aqui, o Herói tem a tentação de parar, porque já está bom. Ou porque há tanto ainda a aprender com os Mestres... Ou por uma preguiça disfarçada de humildade que diz que, quando o Mestre quiser, ele dará um sinal e assim saber-se-á que a hora chegou. 
Sinto dizer. Tudo isso muito longe da verdade.
Nesse caminho ainda temos sangue e sêmen a jorrar.

Enamorados
Ancient Italian

A carta dos Enamorados está entre as cartas do Tarô com maior número de representações diferentes, e em todas o tema amor está em evidência. Mas, como enquadrar o amor no Caminho do Herói? Não temos, em português, palavras definidoras do amor como em grego. Temos adjetivantes, mas partem do mesmo amor. Do mesmo conceito.
Da mesma forma, essa carta representa escolhas. Caminhos a se seguir, ou não. Uma perspectiva para essa análise deu-se pelo fato do jovem estar entre duas mulheres. Lembra-se que eu disse que o Hierofante prepararia um caminho que seria trilhado nas duas cartas seguintes? Começamos a ver isso delinear-se aqui. Se outrora o Hierofante ocupava papel preponderante entre os dois noviços, aqui o homem é equalizado às duas mulheres. Ele não vê de forma clara suas motivações, tendo que ouvir uma e outra para fazer sua escolha, ou, em outra análise, sendo guiada por uma em direção à outra.
Portanto, nesse momento da caminhada, o Herói perde o senso de referência analítico proposto pelo Hierofante. Só pode contar com os instintos, com o pulsar do coração, com o resfolegar da respiração. Só pode contar com o fato de que está vivo.
E, estando vivo, qualquer coisa é possível.
Há quem considere, portanto, esse o primeiro passo da aventura. Na verdade, esse é o encerramento da primeira etapa, a preparação. O Herói nunca estará pronto na verdade; pronto ele só estará quando ver o sucesso, o encerramento. Estar pronto é quase como dizer que ele conhece o fim da jornada. Ele se prepara para o Desconhecido, e o Desconhecido é sempre uma surpresa.
Por isso é bom conhecer o máximo de probabilidades possível, um leque de referências, mas não se ater a elas senão como adendos à própria capacidade. Aqui, tomado de terror, o Herói descobre que ele só pode contar consigo mesmo, já que ninguém, nesse mundo ou no outro, pode fazer qualquer escolha ou tomar qualquer atitude em seu lugar sem levar toda a aventura à derrocada.
Eu não disse que a parte divertida começava agora?
Se os Enamorados saíram na posição da Separação, está na hora de você sair da sua zona de conforto. Esqueça o que você já fez, esqueça as justificativas, esqueça as desculpas. E comprometa-se com o seu futuro, o passado está perfeito e polido demais, não precisa mais dos seus préstimos. Se saiu na posição da Iniciação, o momento é agora. Pelo quê seu coração pulsa mais forte? O que tira seu ar? Como foi que você reencontrou seu motivo para viver? Responda e aja, sem pensar muito – você já pensou o suficiente. Se essa carta saiu na posição do Retorno, sim, você fez o suficiente. Mas o que resultou dessa suficiência? Está na hora de abraçar apenas o essencial. Onde está o seu coração, está o seu tesouro.
Os exercícios propostos e a bibliografia utilizada estão em um arquivo PDF. Para baixar, clique aqui. Caso queira conhecer outras versões dessa carta, clique aqui.
Abraços a todos, até o próximo passo. Espero que vocês tomem a decisão correta. Ou ao menos, enfrentem o seu Destino, de peito aberto. Ou talvez, simplesmente deem outro passo, sem a menor certeza do que virá – tudo é válido nesse momento.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dos Enamorados. Hassan e Amir




Há algum tempo, eu assisti no cinema O Caçador de Pipas. E li o livro em seguida. E comprei o DVD. E chorei todas as vezes. Descobri recentemente que até mesmo uma HQ foi feita. Quero ler também. 




Enquanto isso, vou vendo o filme, again and again.







A história fala de fidelidade. De comprometimento. Mas também de perdão a si mesmo e perdão ao passado. De agir direito depois da experiência de ter agido errado. Tudo isso permeado por política, geografia, aproximação e estranhamento do universo muçulmano.


"Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que não ter aquilo desde o começo"


 Khaled Hosseini foi primoroso na elaboração de sua obra – aquele que consegue as lágrimas e os sorrisos de seus leitores, conseguiu alcançar o intento oculto de todo escritor – o encontro das mãos daquele que escreve com as mãos daquele que lê, tendo como intermediário as páginas do livro (ou as telas de computador).
E, como estou mergulhado dois palmos acima da cabeça no universo da cultura árabe, devido ao estudo d’As Mil e Uma Noites, resolvi assistir de novo ao filme. 
Tendo refletido sobre os Enamorados na mais recente postagem, foi inevitável relacionar o filme, que decidi assistir novamente, ao Arcano, que decidi visitar mais uma vez, hoje.



Os Sultões de Cabul são complementares, por isso mesmo diametralmente opostos em caráter e comportamento. Hassan demonstra um caráter inquebrantável. Sua pureza de coração, embora louvável, não é a maior de suas virtudes: sua coragem é admirável. Seu senso de honra é belíssimo e sua fidelidade a Amir é algo que beira o legendário. Falta-me adjetivos para orná-lo nessa apresentação. Valete de Copas.



Em contraposição, Amir é covarde. Seu pacifismo oculta sua insegurança e dubialidade. Falta-lhe comprometimento, consigo mesmo e com os outros. Falta-lhe compaixão, no sentido mais amplo da palavra.  Valete de Espadas.


Valete de Copas (espelhado), Valete de Espadas
Waite Smith


Mas, antes de julgá-lo, ou, talvez por isso mesmo, por julgá-lo, pensemos em suas motivações. Ele queria impressionar o pai, ser algo para o pai, mas culpava-se por ter sido o responsável pela morte da mãe, que faleceu ao dar-lhe a luz. E sua sensibilidade para a escrita não atraía do pai a menor atenção, que não via nisso a menor utilidade.



A etnia de Hassan, hazari, colocava-o em situação inferior à de Amir. E Asef, leitor ávido das ideias de Hitler, atormentava-o por isso. Destruía-o. Se, por volta de 1980, quando isso ocorre, houvesse o conceito de bullying (que hoje justifica o mimo e a timidez de crianças cujos pais omissos impedem seu crescimento como pessoas e interpretam suas atitudes como decorrência da omissão da escola, enfraquecendo seu caráter, ao invés de protegê-las adequadamente, estando presentes em suas vidas), eu diria que Amir sofria o bullying de Asef e seus asseclas. Mas não; nem o conceito existia, nem Amir sofria – Hassan o protegia, com seu estilingue.
Mas isso não era suficiente. Se a proteção do corpo lhe era garantida, sua alma fatigada sofria com a sua própria inapetência. Com o ataque de Asef a Hassan, Amir não pode tolerar a presença dele consigo, pois sua fidelidade expressava sua própria covardia. E, nesse espelho reverso e convexo de intencionalidades, Amir consegue afastar definitivamente Hassan de sua vida.
Ao atentar-me aos aspectos emocionais do Arcano VI, não dei o devido ênfase à questão da escolha. Escolher algo nem sempre significa preterir algo. É quase possível delinear uma iconografia que privilegie os aspectos aqui elencados: Amir, Valete de Espadas; Hassan, de Copas... ladeando um Rei de Paus, que, por ser Rei, é Fogo e, por ter ideias intensas, é Fogo também. E um pouco de cada se reflete em cada um dos seus filhos, de maneira diversa e complementar.

A luz do Fogo reflete-se na lâmina da Espada e na Água da Taça.
Marseille Grimauld

As crianças crescem... E as histórias mudam – de tema, ou de rumo. E Amir descobre que sua história é outra, mas o tema é o mesmo: fidelidade.



E o Anjo, que na infância de Amir apontava a seta, porta uma trombeta... E o chama ao Julgamento. Quem é você, Amir, depois de todos esses anos?
Encontrar Sorab não é só encontrar uma criança. É reencontrar a si mesmo refletido em outros olhos, já que os primeiros lhe foram impossíveis de mirar. É redescobrir o sentido da frase: por você, faço mil vezes.
Enamorados. Opções não; escolhas. Escolhas. Escolha de que lado você está. Da consciência, ou não. Catorze Arcanos depois, virá a conscientização... E espero que ela o encontre ciente do seu dever e dormindo tranquilo.
Pois o Anjo não deixou de lhe velar uma única noite.



Abraços a todos.