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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 19. Victor Guagliardi e a Torre.


Olá pessoal, continuamos com nossa blogagem, agora com a colaboração do Victor Guagliardi, um querido que nos levará à subir as escadas da Torre. Vamos com ele!
O Victor vive no Rio de Janeiro, é Técnico em Alimentos, Estudante de Psicologia e Cartomante. Trabalha com Baralho Comum, Baralho Petit Lenormand, e como tarólogo, com o Tarot Rider-Waite.

E-mail: vguagliardi@gmail.com
Celular: +55(21)88702201


A carta da Torre, no Baralho Cigano, possui o significado – em minha óptica, subentende-se – de contemplação e interiorização. Pode ainda variar, indo para os campos semânticos de instituições – cuidando-se para não confundir com o anel – e ainda, no Brasil mais pronunciadamente, podendo significar prisão, aprisionamento.
O objetivo desse pequeno artigo, é puxar um fio – não “O fio” – de um tecido linguístico contextualizado , de forma a desvelar uns detrás, umas origens e uns conteúdos associativos que permitam aos colegas, comigo participarem dessa rede de pensamentos, que é a “pluricartomancia”.
A carta da Torre é associada com a lâmina VI(Seis) de Espadas do “baralho comum” – apesar de não gostar desse nome, por ser demasiado Eurocêntrico/”Ocidentocêntrico”, e o Ocidente sempre querer determinar o que é comum e o que é incomum.
O VI de Espadas, em CICERO & CICERO (The New Golden Dawn Tarot Ritual, 1991), é associado a Mercúrio em Aquário (10o – 20o). O livro contém ainda a seguinte referência: “(...)Saturno , que é co-regente de Aquário (...) age como um form builder [um construtor de formas, modelos, padrões, frames] estabilizando as qualidades etéreas de Mercúrio no signo de ar (...)” (tradução livre)
Para procurar essa relação a qual estamos nos referindo, escolhi utilizar o livro Astrologia e Mitologia (GUTTMAN & JOHNSON, 1993). Retirarei algumas citações com o objetivo de leitura, sem a preocupação da formalidade acadêmica:



“Na Babilônia, o planeta Saturno era chamado Ninib, e esse Ninib, como o itálico Saturnus, era uma divindade agrícola. (...) Saturno é o mestre interior. Esse mestre pode tornar-se um tirano, um patriarca severo e obcecado por leis de restrições, ou pode tornar-se um verdadeiro mentor. (...) O conceito do mentor é tirado também da mitologia clássica. Mentor, um personagem da Odisséia de Homero, era o velho conselheiro de Telêmaco, o jovem herdeiro de Odisseu. Enquanto Telêmaco esperava em vão por seu pai ausente, Mentor guiava suas ações com sábios conselhos. “

“Essa história, que vem dos Hinos Homéricos, revela bastante sobre Mercúrio. Ele era um ladrão que mais tarde foi chamado deus dos ladrões. Por que o deus da mente e de toda a atividade literária seria um deus dos ladrões? Porque o intelecto humano, por si só, é amoral. Sua função, o pensamento racional, não está necessariamente ligada a nenhum código de ética. O mesmo processo mental que leva um indivíduo a escrever um livro sobre consertos domésticos pode ser usado por um indivíduo diferente para quebrar fechaduras ou burlar um
alarme contra ladrões — ou desviar milhões de dólares de um público inocente com a venda de títulos de dívidas (Mercúrio também era o padroeiro dos mercadores).”

Temos então, duas citações. Uma fala sobre o caráter do mito de Mentor, e outra sobre o caráter dúbio do intelecto. 

Queridos leitores, aonde colocamos alguém que possui um intelecto dúbio? A resposta é variada, porém simples. Podemos colocá-lo perante um mentor, em uma prisão, ou ainda com um construtor.

Ora, por quê um construtor? Pois é certamente necessário ao intelecto aéreo de mercúrio, que se construam limites. Limites esses que podem ser encarados de múltiplas formas, ou ainda, de uma forma Gestáltica.

Podemos ver a torre como uma prisão do intelecto, aonde os limites o aprisionam, e de certo, se você passar por uma experiência de saturno na torre, certamente poderá sentir isso. É extremamente doloroso passar um tempo sozinho, tendo que entrar em contato com o mestre interior, sem amigos. 

Porém, os mesmos limites impostos ao intelecto por Saturno construtor, permitem ao Homem a construção de arranha-céus. Ora, o arranha-céu não alcança o céu de uma forma sólida?

Uma outra forma de pensar sobre as cartas, além dos mitos clássicos, é pelos contos de fada. E é na torre que nos encontramos com Rapunzel. Marie Louise Von Franz, em “O Caminho do Sonho”, percorre o mito de uma forma muito bela, trazendo novos complexos que podemos ligar a essa lâmina:

“Como é que um homem cuja feminilidade está presa no complexo materno sente as mulheres no plano exterior? Se um homem tem um vínculo íntimo demais com a mãe, especialmente se for positivo, sua tendência será de idealizar as mulheres. (...) Os contos de fada, através do tema da princesa presa na torre, oferecem um pano de fundo arquetípico para essa situação. Num dos mais famosos, a princesa Rapunzel é aprisionada por uma feiticeira. É a figura materna por trás dos bastidores que constela o problema. Quando isso ocorre, os amantes não podem se encontrar.”

Vemos então, que A Torre também pode sofrer outros tipos de influência, no jogo. Ela pode refletir a idealização de uma figura, como Rapunzel era a princesa ideal, e estava no alto da torre. De fato, isso acontece quando o indivíduo não transcende a função de Saturno, ocorrendo um fenômeno que chamo de “pular para pegar mangas”. 


Sabemos que a mangueira é uma árvore alta. Porém, a manga é algo muito real. Ela é uma fruta, tem sabor, é natural, e saborosa. Ela é uma fruta que está no alto, mas que é extremamente possível. Desde que você suba na árvore para pegá-la. Se você não subir, você pode ainda utilizar algum objeto que chegue até em cima. O que não dá para fazer é pular. Quantas vezes nos pegamos tentando pular para pegar mangas? E temos aquela sensação de frustração, como se estivéssemos querendo pegar algo em cima de uma torre sem escada. Será que não estamos idealizando demais, caindo no feitiço da bruxa? Isso acontece facilmente, já que Urano, o regente de aquário, pode influenciar Mercúrio dessa forma, para pular etapas. 

A mesma Rapunzel na torre, pode refletir a mulher presa por seu arquétipo materno. Ela coloca os homens como inalcançáveis, só que de cima. É aquela mulher que fala: eu quero um homem que seja aqui da minha torre, que venha do céu, se vier da terra não vai conseguir me alcançar! Acontece bastante!

A Torre também está presente em nossas instituições, nos nomes das universidades. Geralmente as universidades tem nomes femininos, elas prendem seus discípulos em seus programas e currículos, como a mãe prende seu filho. O mesmo acontece com as empresas. Chega um determinado momento, que a empresa age tanto como mãe, que fica difícil ser um indivíduo dentro delas.

Porém, lembramos que as cartas contam uma história de redenção. As torres tem escadas, ou se quebram, unindo as fronteiras esquizofrênicas de nosso ser. É muito mais salutar, portanto, ver a torre como uma ponte ao céu. As torres nos ajudam a construir o intelecto voador, ligando-o aos dois extremos. Ela une as partes que, em nós, são distanciadas: nossos antepassados, com nossa individualidade. E ajudam a construir nossa individuação, à medida que oferecem fronteiras sobre quem nós somos. 


A torre é uma separação, logo a vemos em uma cidade. Da mesma forma, somos torres a partir do momento que passamos a ser nós mesmos, e não os outros. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 18. Robert M Place e o Cão.



Olá pessoal. Hoje contamos com a colaboração para nossa postagem de ninguém mais, ninguém menos que o querido Robert M Place, que já esteve por aqui nos Doze Meses com os Enamorados, abrindo a série. Esse autor e ilustrador magnífico hoje nos apresenta seu mais recente trabalho, parceria com Rachel Pollack: The Burning Serpent Oracle. 
Aguardamos ansiosos para embaralhá-lo e vê-lo em ação. Em breve.
Com a palavra, o autor. O texto original está em inglês, espero que isso não cause dificuldades. Optei por publicar conforme o original, mas caso desejem, providencio a tradução.



The Hound number 18, for the Burning Serpent Oracle
Designed by Robert M. Place with input from Rachel Pollack


In the traditional Lenormand system the Dog card symbolizes loyalty, dependency, and a trusted friend.  These are all qualities that have been associated with the dog at least since the Middle Ages.  In the Renaissance, a work of art was intended to have both body and soul.  The body was the visual composition and the beauty of the rendering. The soul was the philosophical statement that was communicated through symbols.  A dog was a common symbol for fidelity.  We can find a dog depicted on one of the oldest existing Tarot cards, the Lovers trump from the Cary-Yale Visconti Tarot, created for the duke of Milan, circa 1445. Here we see the lovers holding hands, a symbol of the marriage vow.  Above them flies a blindfolded Cupid.  Although we now romanticize that Love is blind, in the Renaissance, this blindness was seen as destructive and disruptive to the social structure. As a cure for Cupid’s flighty nature there is also a dog, standing at the couple’s feet. It appears to be an Italian greyhound. It seems that both the Tarot and the Lenormand deck use a dog to symbolize the same quality.



My wife and I have had at least two greyhounds with us for many years.  I have also had friends with Irish wolfhounds and Scottish deerhounds.  The hound on my card is an Irish wolfhound, the largest breed of hound.  I am fond of hounds and that is why I chose one for this card. But also, the hound is one of the oldest breeds of dogs.  We can find them in ancient Egyptian paintings, on Greek vases, in Roman murals, Medieval manuscripts, and Renaissance paintings, even on Tarot cards. Hounds have probably been with us since prehistoric times. And dogs may have been with us even before we were total evolved.  Paleontologists have found the remains of dogs along with human burials from thirty thousand years ago. At that time, Neanderthals and Denisovans existed along with modern humans.  It may be that humans learned to hunt in pacts by imitating their dogs.

The hound is a hunting dog, and because of this the Greeks associated them with Diana the goddess of the hunt and the moon. They are depicted as her companions. It is natural for hunting animals to be out at night because this is when prey animal are most active.  So there is a natural connection between the hound and the moon.




Robert M Place
alchemicaltarot@aol.com

domingo, 1 de dezembro de 2013

Doze Meses com os Enamorados: Giancarlo Kind Schmid.


Olá pessoal. Quem diria, um ano se passou! Tivemos dez contribuições e aprendemos mais sobre esse Arcano que inspira dúvidas, em amplo sentido. Foi um estudo coletivo muito rico, só tenho a agradecer a todos os participantes. Obrigado por acreditarem no projeto.
Fechamos com chave de ouro: Giancarlo é um Ás na leitura dos símbolos. E é esse querido que nos guia nesse fechamento de ciclo e abertura de possibilidades interpretativas. Nada tenho a acrescentar.
Deleitemo-nos.


Os Enamorados (ou Amantes)

  Giancarlo Kind Schmid

A cena clássica, repetida em inúmeros romances, onde o jovem flerta com a donzela, marca um ciclo importante literário europeu (século XII a XIV): o trovadorismo. Uma ode ao amor, especialmente o amor impossível e platônico transformando o trovador num vassalo da mulher amada, exemplo do amor cortês. Esse é o período onde surge o primeiro baralho de tarô na Europa (1392) e passa, então, a se tornar conhecido.
O arcano 06 é representado atualmente por um jovem entre duas mulheres tendo ao alto a figura resplandecente do Cupido. Em alguns textos, há o reforço da interpretação de escolha e livre arbítrio, de triângulo amoroso, até mesmo de Complexo de Édipo quando alguns autores reportam-se à ideia de que o jovem está entre a mãe e a sua namorada (ou noiva). Porém, essa visão moderna não está de acordo com as primeiras imagens do arcano. No baralho de Jacquemin Gringonneur (a pedido de Charles VI, rei da França em 1392) três casais surgem se cortejando, tendo na parte superior da lâmina Eros e Anteros (amor e ódio) disparando suas flechas, fazendo uns se apaixonar e outros se rejeitar. O baralho reproduz uma ambientação medieval com os casais num atitude de entrosamento. 


Já nos baralhos de Visconti Sforza (Itália, séc. XV) e Visconti Cary Yale (Itália, séc. XV) há apenas um casal e, no topo, sozinho, o Cupido (agora com os olhos vendados). A referência mais clara é do amor cavalheiresco, das bodas ou apenas do romance. E, há também um apontamento para a cegueira do amor e/ou da paixão. No simbolismo, a interpretação está mais de acordo com a frase: “o amor é cego”. Lembro que o Renascentismo surgia nessa época na Europa, uma explosão cultural, repleta de filosofia, invenções, artes, colocando o ser humano como centro do universo. Mais do que normal a ênfase aos sentimentos humanos e toda sua representatividade. 
                             

O humanista e poeta Francesco Petrarca (Itália, 1304-1374) ao escrever sobre os ‘Triunfos’, faz apologia especial ao do Amor, cujas ilustrações sempre destacam o Cupido num carro alegórico. No período pós-medieval e renascentista, o amor ganha destaque na forma de adoração do próprio ser humano, num tom narcísico e hedonista, com ênfase na estética, corpo e perfeição (quase) divina.
                                                           
Somente a partir do século XV surgem as primeiras representações do arcano 06 como um jovem entre outros dois personagens. A imagem analisada de forma pormenorizada em sua essência iconográfica não faz menção a um jovem entre duas mulheres e sim, entre seu pai e sua futura noiva. Devido à difícil representação artística xilográfica francesa, muitos confundiram a imagem da esquerda como a de uma mãe ou outra mulher importante na vida do personagem central. Portanto, nada de triângulos amorosos, amantes secretos, mães dominadoras, isso tudo surgiu das várias reinterpretações da imagem que fizeram perder seu sentido simbólico original. Podemos ver o Cupido apontando sua flecha para o indefeso coração do rapaz. A imagem é de jovem que apresenta sua pretendente e pede a benção ou consentimento do pai para casar-se. Nada, além disso.




Esclarecido o aspecto iconográfico, lógico que vários artistas vieram ao longo dos séculos repetindo a ideia de um rapaz dividido entre o amor de duas mulheres. Poucos foram os baralhos que se reportaram ao personagem da esquerda de quem vê como homem (como é o caso do Suíço 1JJ e Classic Tarot, até chegar ao Waite-Smith cuja ilustração está mais de acordo com o Éden com Adão e Eva representados. Da criação do Rider à edição do Thoth, o arcano ganha status de casamento alquímico e outras analogias postuladas pelas vertentes ocultistas.


Devido a esse erro de interpretação das imagens, o arcano 06 tornou-se símbolo das escolhas e dúvidas, livre arbítrio e bifurcações da vida. Claro, não podemos negar, hoje, os novos significados, longe daqueles que envolviam, diretamente, as relações amorosas diretamente os laços afetivos estabelecidos. O arcano diz respeito também às convivências e como as pessoas se interinfluenciam. De certo modo, como precisamos “colocar o coração” em tudo que realizamos ou geramos, além da dedicação carinhosa aos nossos planos e anseios, não nos esquecendo de que vivemos em sociedade e mesmo as decisões tomadas sozinho podem gerar consequências para os demais. Não há dúvida quando o amor é verdadeiro!
O arcano 06 nos ensina que ‘é preciso amar o amor’.

Bibliografia:
CARDOSO, Ciro Flamarion. Iconografia e História. Cadernos do ICHF, Niterói, no. 32, 1992.
KAPLAN, Stuart R., Encyclopedia of Tarot. 3 vols. New York: U.S. Games Systems Inc., 1978.
LOYN, H. R. (Org.). Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
MELLO, José Roberto. O cotidiano no imaginário medieval. São Paulo : Contexto, 1992.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 17. Paula Alexandra Gonçalves e a Cegonha.


Queridos, contamos agora com uma participação d'além-mar. Paula Alexandra Gonçalves nos apresenta a Cegonha.

Sou a Paula Alexandra Gonçalves, nasci e moro na cidade de Lisboa, em Portugal.

Sinto que uma força nos move, nos acompanha e essa força tem de ser partilhada…foi isso que me levou a desenvolver esta enorme vontade de conhecer, aceitar e ajudar as pessoas, através da leitura de cartas.
Escolhi a carta nº 17 – A CEGONHA, porque ela de certa forma simboliza o meu momento presente.
Posso definir este momento numa frase:
“Porque estou surpreendida comigo mesma!”
Descobri a minha intuição assim de “surpresa”, fiz um curso de baralho cigano, que não estava previsto fazer e sempre espero que algo me surpreenda mais e mais nesta fase da minha vida.


Carta nº 17 – A CEGONHA
DAMA DE COPAS
Esta carta A CEGONHA, representa surpresas e todos os imprevistos. Coisas inesperadas. Sair da rotina.
É uma carta de mudança, mas é uma mudança de surpresa, algo que não contávamos fazer.
Posso falar um pouco da cegonha como ave.
Aqui em Portugal existem muitas cegonhas e é curioso a forma como fazem os seus ninhos, nos locais mais incríveis e inesperados, portanto é já uma característica destas aves: o imprevisto e a surpresa.
É no Sul de Portugal que elas procuram viver, apesar de estarem espalhadas pelo país inteiro.

Aqui fica um pequeno vídeo, para conhecermos um pouco da vida destas curiosas aves:
Esta carta A CEGONHA conjugada com a carta nº 13 – A CRIANÇA significa gravidez. 
Então não é por acaso que a tradição diz que os bebés vêm no bico das cegonhas!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 16. Chris Wolf e A Estrela.


Olá pessoal. Todos nós, que vivemos na blogosfera, em amplo sentido no mundo virtual, temos a oportunidade de conhecermos pessoas que estão para além dos nossos limites geográficos, para além do alcance das nossas bússolas. Pessoas que nos encontram como se fôssemos manuscritos deixados em garrafas ao léu, ao gosto do vento e do movimento do mar. A distância, claro, mascara olhares e intenções que a escrita, quando esmerada, permite ao leitor passar batido, sem entender aonde é que o interlocutor quer chegar. E, por isso, é preciso cuidado e esmero na escolha daqueles com quem se mantém contato, para evitar dores de cabeça e do coração. 
A despeito de alguns revezes nesse sentido, considero ser um cara de muita sorte, pois pude fazer muito mais amigos que decepcionar-me com pessoas. Encontrei ecos de mim em outras pessoas, como pude ser eco delas mesmas através de mim. E numa sonoridade sinfônica, trocamos palavras, experiências, jogos, confortamo-nos e celebramos as vitórias uns dos outros. 
E tudo isso, virtualmente. Surpreendentemente.


Por sorte, não só de virtualidades vivem as boas amizades. E eu tive a sorte de encontrar-me pessoalmente com a querida que cá está conosco. Chris Wolf, irmãzinha, obrigado pelo aceite e por brindar-nos com um texto que, não apenas é rico em simbolismo, como a própria editoração é um capítulo à parte. 
Como escriba, não posso privar nossos leitores da beleza do seu texto, da forma como ele foi apresentado para mim. 
Portanto, pessoal, acompanhem o restante da postagem, da palavra dada à Chris, aqui.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 15. Keu Salvador e o Urso.


E hoje contamos com a reflexão mais que bem vinda de Kêu Salvador. Texto maravilhoso, deliciosamente claro e amplo.
Era para ser. E seja bem vindo.


O Urso!

A Carta 15 é, além de tudo, uma carta muito forte. Antes de concluir as definições em leituras, devemos entender um pouco sobre as características do animal, e depois, correlacioná-lo com o mundo cartomântico, para associá-lo com o extremo da lógica. Então, convido-os a embarcar comigo nesse universo de simbologias para a continuação do Blogagem Coletiva.


Características Básicas:

O urso é um animal mamífero e se caracteriza por ter um corpo bem pesado. Além disso, ele tem a cauda curta, e geralmente, suas orelhas são pequenas e arredondadas. Eles são plantígrados, ou seja, ao caminhar, a planta e o calcanhar tocam o solo, assim como nós seres humanos. Há quem associe o urso como carnívoro, mas esse conceito se perde, quando consideramos as diversas espécies de urso que existem no mundo. Os ursos têm caráter solitário, e os seus laços familiares são mais fortes entre a mãe e os seus filhotes. No finalzinho do verão, os ursos comem mais do que o normal, pois precisam hibernar no inverno, já que nessa época não encontram os alimentos que fazem parte de sua “nutrição”. 


Considerações sobre 

Devido ao seu tamanho e peso, o urso é considerado um animal perigoso. E com razão, porque o ataque de um urso pode ser fatal. Mas, devemos considerar que um urso não ataca ninguém, sem motivos. Ele é um animal extremamente territorial, e luta para defender o seu espaço ou as suas necessidades. No finalzinho do verão, ele precisa (uma necessidade fisiológica) se alimentar muito mais do que o normal, por causa da hibernação, por isso, ele derrubará qualquer barreira que o impeça de conseguir os seus alimentos.  Também, por questões territoriais, um urso jamais vai permitir que ninguém invada um espaço demarcado por ele. É confronto na certa! Então, por causa do seu ataque bruto, e sem avisos, o urso é encarado como vilão, embora eu (particularmente falando) não o considere assim.

Conceito cartomântico

Essa carta fala basicamente de EXCESSOS! Proteção, ciúmes, zelo e até inveja.  Tudo aquilo que não é pouco, e ainda vem demais. E, por ser demais, machuca, prende e fere. Intencionalmente ou não, inclusive.  Nessa carta, vemos a mãe, o pai, o marido, o irmão ou qualquer outra pessoa deliberadamente EXCESSIVA em proteger e ter pra si. Podemos ver isso claramente na Mãe Urso, que não desgruda dos filhotes, e ainda adota filhotes órfãos. Pode também representar uma pessoa, geralmente um homem forte, talvez moreninho, parrudo (como dizemos aqui em Salvador), ou seja, esse homem pode lembrar as características de um urso. Mas, pode ser uma mulher também, que lembre um urso devido as suas características físicas. Vale ressaltar que, associar as cartas a pessoas é uma das muitas possibilidades de interpretação, e cabe a cada cartomante definir a melhor forma que se adeque ao seu modo particular de leitura. O grande pulo do gato é, analisar o contexto da situação versus as cartas vizinhas. 

Relações espirituais:

Por representar proteção, zelo e cuidados ao extremo, que chega a ser prejudicial, essa carta pode estar representando uma Obsessão espiritual. Claro que, antes de entrar nesta seara, devemos procurar conscientizar o consulente dos problemas reais (visíveis) que podem existir, ao passo de que, muitos consulentes são tendenciados a achar que todo problema é espiritual. Penso que nosso papel enquanto cartomante é, além de tudo, orientar. Entretanto, não podemos desconsiderar que obsessão espiritual existe. Nessa ótica, temos o Urso na figura do espírito obsessor, que quer proteger, cuidar, amar, mas, por estar em outro plano e por não ter elevação suficiente, suga, desanima e rouba forças, sem nenhuma intenção. Se bem que, tudo isso pode ser muito bem representado também, pelo Rato (23). Mas, nosso bicho aqui é outro (risos).  Para os espíritas, o espírito obsessor. Para os umbandistas e candomblecistas, o Egum. Temos que ter muito cuidado ao “diagnosticar” essa obsessão, analisando o contexto da história e as combinações. Falo com conhecimento de causa, devido ao meu histórico familiar, onde o meu pai, que é falecido há 14 anos, sempre aparece nos jogos, associado ao urso. Nesse contexto, o urso representa a obsessão que ele tem em cuidar de nós, mesmo estando em outro plano. Desse modo, não é que o Urso seja a personificação do Egum, mas representa a Obsessão deste, ok?


Estabelecendo diferenças básicas entre Urso, Raposa e Cobra

Temos em nosso oráculo de estudo, três cartas que causam apreensão quando aparecem. Nesse quesito, não existe meio termo, ou é, ou não é. Por isso, vamos explorar um pouco desses animais, diferenciando sua forma de ataque/defesa.
O Urso age pelo instinto. Ele não escolhe vítimas! Ele sente uma necessidade, e só atacará aquele que quiser impedi-lo. Ele não ver cara nem cor de cabelo. Ataque garantido. O interesse do urso não é movido a vaidades, a sentido de traição vulgar ou qualquer tipo de desmande. Ele só ataca por necessidade, quando ela surge ou, para se defender ou defender as suas crias.
A raposa é astuciosa. Extremamente interesseira, ela escolhe muito bem a quem atingir. Sorrateira, esguia e muito inteligente, ela planta com vontade de colher. Movida única e exclusivamente pelos seus interesses, que podem ser caprichos, uma raposa faz qualquer coisa para conseguir o que quer. Dissimula, finge, chora, ri. A raposa é um mixto de falsidade movida a ambição. Se ela não vê uma oportunidade, pra ela não interessa. Então, o ataque dela é certo, só no que ela vê como oportunidade. Se não é o caso, passe despreocupado por ela, mas nunca esqueça: Um olho aberto, e o outro arregalado. Não se pode confiar em raposas. 
A cobra, diferentemente do Urso e da Raposa, sempre vai dar botes, para isso, ela só precisa estar perto. Ela sempre vai ser um risco eminente, sem escolhas. Não interessa quem você é, e o que foi fazer, mas se estiver perto de uma cobra, ela vai dá o bote. Por isso, ela é a caracterização mais comum da falsidade, ou seja, ela precisa estar próxima para ferir. 


O grande desafio na Mesa 


Há um desafio grande, em qualquer leitura, que é identificar o agente causador do “problema” ou foco central da questão analisada. Por sua vez, o consulente se armará de defesas, e o natural é que ele busque possíveis causadores, porém, muitas vezes, ele é o seu próprio algoz. Nesse contexto, o Urso pode ser a representação simbólica de tudo que o consulente é consigo mesmo, e com os demais, mas pensa que o fato gerador é externo. Ainda há, e penso que seja intrínseco ao ser humano, uma vitimação não declarada por parte de muitos consulentes, que, por ora, podem não saber lidar com sua natureza ursa, causando um clima JARDIM+URSO (tenso, demarcado e cheio de pressões) por onde quer que passem, e se sentindo rejeitados por isso. É necessário conscientizar o nosso consulente de duas questões básicas: A primeira é: - Nem tudo é espiritual. A segunda: - Analise a probabilidade de o problema estar em você. 
Visão de Cartomantes amigos:
“Em uma palavra, o urso é força. É reservado ao extremo e defende o que é seu de forma muito intensa. Sufoca, e quando tem fome vai à caça” (Flávio Cardoso)
“Instinto de preservação, protecionismo (figura do pai ou mãe). O urso pode ser até muito carinhoso, a fêmea lambe e brinca com seus filhotes, protege muito, mas ao se sentir ameaçada, pode ser mortal” (Carinah Ruiz)

“O urso sempre age por INSTINTO, ele representa o instinto maternal (e muito protetor), o instinto de defesa (quando se está triste, sem forças, desanimado e precisa se recolher num período difícil, vejo o luto aqui), é o instinto sexual entre um casal que tem química e é o instinto de sobrevivência (falsidade, inveja, ciúme, agressividade, ego, paixões enlouquecidas...). O urso ainda não se lapidou, ele age por puro instinto” (Tânia Durão)
“Vejo como uma proteção exagerada, egoísta que sufoca o outro com ciúme e excesso de cuidados” (Souzza Máarcia)
“Portanto, quando ver o Urso em uma jogada, lembre-se que seus influxos podem ser evitados. Não entre em seu território. Não invada seu espaço. Não altere sua rotina” (Emanuel J Santos)


Gostaria de agradecer ao Emanuel pela oportunidade de participar do Blogagem Coletiva, que pra mim é uma fonte inesgotável de prática e conhecimento. Espero que eu tenha conseguido passar com cuidado e clareza, o que penso, e como vivencio essa carta. 
Abraços a todos.
Kêu Salvador.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 14. Victor Magalhães e a Raposa.



Olá pessoal. Estamos caminhando para a metade de nossa blogagem coletiva, e muito já foi e está sendo construído por aqui. Tenho tido feedbacks fantásticos dos nossos trabalhos mas, reitero, aqui sou só escriba, todo o mérito é dos escritores.
E hoje temos conosco o Victor, um carinho de rapaz, um dos presentes que a Tânia Durão trouxe para a minha vida. E ele caminha suave como as patas almofadadas da Raposa.
Caminhemos com ele.



A raposa é uma das cartas mais emblemáticas do baralho Lenormand. Muitas vezes é atribuída como uma carta negativa, entretanto, é importante salientar que não existem arcanos negativos ou positivos. Eles apenas transmitem mensagens e, a carta da raposa é um alerta, portanto, nos dá uma dica para nos policiarmos em relação as nossas ações e pessoas próximas a nós. A raposa é uma carta multi facetada, pois pode assumir qualquer característica das outras cartas do baralho em relação a comportamento, porque ela se adapta. Diferentemente das cartas “negativas”, a raposa é a que devemos mais ter atenção quando se refere ao outro. Ela não é medrosa como a cobra, que ataca quando se sente ameaçada, tampouco covarde como o rato, que ataca de maneira sorrateira, na surdina e, muito menos de forma desproporcional e visível como o urso.




Ela assume todas as formas porque é sofisticada, boa atriz, sabe fingir e interpretar. É elegante e bem articulada. Passa despercebida nos ambientes e assume qualquer característica, armando sua armadilha. Pode ser rápida como o cavaleiro, equilibrada como a casa e fingir ser leal como um cachorro para conseguir o que quer. Assume todas as formas. É uma carta de alerta geral. Todavia, como não há vítimas neste mundo, é necessário ter o cuidado ao afirmar que existem pessoas armando contra o consulente. Se tiver, ele as atraiu e, o mesmo, tem o poder de interferir com o pensamento para repelir. A reforma íntima é importante neste aspecto. Precisamos ter bom senso e responsabilidade para assumirmos nossos atos, deslizes e a falta de comprometimento para com a vida e conosco.
Pode parecer meio louco, sem sentido, mas, para afastar um ser raposa, ame. Jamais cai no jogo dela. O que emitimos, sintonizamos. Desconecte-se desta energia. Medite. Pense. Ilumine-se. E todo o mal, todas as ameaças sumirão. E isso vale para o rato, urso, cobra e quaisquer situações negativas que requerem nossa atenção para solucioná-las. Mais importante do que prever, é orientar. 



Nós somos divindades em ascensão. Temos o poder de interferir em tudo. Não há determinismo, fatalismo, missão, Karma etc. A vida acontece agora. Do passado tiramos lições. O futuro é a construção do agora. Esqueça os outros, as bobagens, os dogmas. Foque em você. Cada um é um universo, portanto, o que é válido para um, não é para o outro. As regras morais não estão escritas em livros sagrados, pois já estão inscritas na alma e, somente o coração sabe distinguir o certo do errado e não convenções sociais e dogmas religiosos que limitam nossa evolução. Larguem a culpa, o rancor e o ódio. É difícil, mas, aos poucos se consegue. Ouçam mais o coração e o mal desaparecerá. 
Talvez a Raposa mais famosa do mundo.

Acredito que toda a carta deveria levar a uma reflexão. No caso, a raposa nos leva a refletir sobre o porquê de estarmos atraindo armadilhas. Onde estamos sendo inocentes? Ou, o que fizemos para atrairmos esta situação ou pessoa? Sempre que está lâmina sair em um jogo, tenha cautela e muita prudência com seus atos.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 13. Vânia Maria e a Criança.


Olá pessoal. Além de brindar-nos com textos magníficos, sempre conto com as Blogagens Coletivas para fazer novos amigos. Esse é o caso da Vânia, a autora do Newspaper Lenormand. Não me estendo em palavras, mas me estendo em agradecimentos por sua disponibilidade de estar aqui conosco. Deleitem-se.


Chamo-me Vânia, sou portuguesa, tenho 27 anos, há mais de dois anos conheci o Petit Lenormand e comecei a estudá-lo, recentemente criei a minha própria versão deste baralho, à qual chamei de Newspaper Lenormand, para conhecer melhor este baralho pode visitar a página do facebook ou o site.



Na carta n.º 13, a criança do French Cartomancy da editora Lo Scarabeo, podemos ver uma criança brincando na rua com um arco. Nos dias de hoje cada vez é menos comum ver crianças brincando na rua, numa sociedade caracterizada pelo desenvolvimento tecnológico e pelo uso da internet, o brincar na rua é algo que se tem vindo a perder e talvez a imagem de uma criança em frente a um computador fosse uma representação mais fiel da nossa realidade actual, com todas as mudanças e questionamento que isso poderia implicar no seu simbolismo. 
Jogo de Cartas da Afamada Cartomante Lenormand de Paris

De qualquer das formas é brincando que a criança cresce de forma equilibrada, que desenvolve as suas capacidades, que estabelece laços e relações com outras crianças.
A carta da criança é a representação de algo pequeno em crescimento, algo que necessita de cuidado, protecção e atenção para que possa prosperar, pode inclusive estar literalmente a falar de uma criança, um filho, alguém mais novo. Algo que não nos podemos esquecer é que é necessário educar as crianças, para que se tornem adultos conscientes e responsáveis, mas sem castrar nem limitar de forma negativa o seu potencial e desenvolvimento. 

Het Lenormand Spel

Criança não tem maldade é inocente e curiosa, está pronta para aprender e absorve tudo o que a rodeia, encanta-se com o novo, maravilhando-se com facilidade.
Criança brinca, sorri, vive a vida com leveza, com entrega, sem preocupação ou desconfiança. Para mim a criança no Petit Lenormand representa tudo isso.
Enquanto adultos nunca nos devemos esquecer da criança que um dia fomos, dessa criança que ainda temos cá dentro e que nos permite brincar com a vida, não levando tudo tão a sério, buscando aquilo que realmente gostamos e que nos traz alegria, esse é um dos conselhos que essa carta nos pode dar, o de encarar as coisas com mais leveza e confiança, aceitando o novo, vivendo o presente. 

Newspaper Lenormand

Mas como em todas as cartas, esta também sofre a influência das cartas que a rodeiam e se acompanhada, por exemplo da carta da raposa, talvez nos esteja a aconselhar a não sermos ingénuos pois poderá haver alguém com segundas intenções que nos quer passar a perna. 
No seu aspecto menos positivo esta carta poderá estar a falar de infantilidade, de uma pessoa que não se comporta de forma adulta, que é imatura, fazendo birra, amuando quando não tem o que quer, quando as coisas não correm à sua vontade.

 Escultura " Aro" do artista Ivan Cruz

Por agora termino citando o artista plástico brasileiro Ivan Cruz “A criança que não brinca não é feliz, ao adulto que quando criança não brincou, falta-lhe um pedaço no coração”.
Para quem não conhece este artista, o mesmo desenvolveu um projecto muito interessante chamado “Brincadeiras de Criança”, do qual fazem parte um conjunto de telas e esculturas que nos transportam para um mundo preenchido por crianças brincando diversos jogos de forma lúdica e saudável, convido a que conheçam este projecto quem sabe não encontram a vossa criança brincando por lá…

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 12. Katja Bastos e os Pássaros.


Bem, ter esse texto aqui no blog é uma honra para mim - como todos os demais textos de amigos que compõem a egrégora do Conversas Cartomânticas - porque, especificamente nesse caso, eu tive a honra de conhecer a pessoa por trás da metodologia desenvolvida para a leitura do Lenormand no Brasil: Katja Bastos. 
Já falei sobre minha ida ao Templo da Trybo Cósmica aqui, e também sobre o Tarot Cigano. Mas agora, temos a oportunidade de lermos o que a própria Katja escreve, orientada pela Rainha Cigana.
Deleitemo-nos. E saibamos que esse baralho que temos em mãos talvez nunca chegasse aonde chegou sem o trabalho desta mulher, orientada por sua guia espiritual.

Contatos com a autora:  trybocosmica.com.br


Carta 12 do Tarot Cigano – AS ALEGRIAS

Pássaros
Tarot Cigano da Trybo Cósmica

É o simbolismo dos pássaros cantando em uníssono;  transmitindo alegria, felicidade e contentamento.  É o Prazer de recebermos pequenas atenções ou pequenas delicadezas, quando não as estávamos esperando. É o Romantismo, o enlevo, o namoro e o fazer a corte. Muito importante para que não caiamos na rotina diária. É o fato de darmos atenção  a  esses pequenos detalhes: aos elogios e galanteios e principalmente à valorização que o outro faz a nosso respeito. Manter o ENCANTAMENTO mesmo que o mundo material não contribua para isso.  É o COLORIDO DA VIDA, que faz com que possamos sobressair da paisagem circundante e que nos conscientizemos de que sem ele, nada tem graça. É o ”Estado de Graça” com que ficamos quando estamos realmente apaixonados e somos correspondidos!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Blogagem Coletiva Petit Lenormand: 11. Beth Castro e o Chicote.


Beth Castro é uma querida. Estudamos juntos há algum tempo, e nesse tempo todo só nos divertimos achando detalhes escondidos nos meandros das cartas. Estivemos juntos no II Fórum Nacional de Tarô, e agora estamos juntos aqui no Conversas. Deleitem-se com esse texto, que me deixou reflexivo por dias.

Contatos com a autora: BH Tarô




O CHICOTE

Um chicote é uma corda entrançada ou tira de couro, terminada em ponta e presa a um cabo para fustigar animais (cavalos) e também seres humanos em certos países como forma de castigo pela violação de certas normas instituídas, adultério,  consumo de bebidas alcoólicas como é o caso de alguns países islâmicos (Irã, Arábia Saudita e outros).
O Chicote é também usado para flagelação.
O estalido produzido por uma chicotada é resultado do rompimento da barreira do som. 
O chicote também pode ser utilizado como instrumento de defesa pessoal, sendo que esta função já era realizada a pelo menos 2 mil anos atrás, pela guarda real do Tibete (onde os guardiões utilizavam uma lança e um chicote). Hoje em dia, empregam-se algumas técnicas de uso para estalar o chicote, com precisão de local e força, fazendo uso do mesmo, tanto para atingir partes do corpo do oponente, como para mantê-lo (os) afastados.
O chicote também é muito utilizado por pessoas que admiram relações sexuais sadomasoquistas, tendo em atenção que ele oferece a sensação de dominação sobre o parceiro. Contudo o chicote é um instrumento perigoso, podendo o seu uso incorreto conduzir a sérias lesões. O chicote é muito doloroso e pode causar feridas abertas e profundas, das quais podem resultar cicatrizes vitalícias.
Existem diversos tipos de chicotes, sendo os mais comuns o chicote de tiras e o chicote de tira única.
O chicote de tiras tem geralmente 9 tiras, não sendo tão perigoso nem causador de danos tão graves quanto o chicote de tira única. Este último é perigosíssimo e de difícil manejo.
Há dúvidas sobre as origens do termo, vindo, provavelmente, do francês arcaico cicot ("resto de um tronco ou de um galho cortado ou arrancado", tendo passado ao sentido de "ponta de corda de um navio"). Posteriormente, em documentos do século XVIII, ainda na língua francesa, é registrada a palavra chicotte ("trança de cabelo"). Em português, apresentou as seguintes evoluções ortográficas: chicóte, checote e, finalmente, chicote.
Em náutica chama-se chicote à extremidade de um cabo que foi trabalhado de tal forma que se não desfaça facilmente com a utilização.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

OS CASTIGOS SOFRIDOS PELOS ESCRAVOS



Os castigos eram considerados um espetáculo e eram feitos publicamente.
O sistema escravocrata constituiu um dos mais bárbaros objetos de castigo, dentre eles o açoite - chicote feito de cinco tiras de couro retorcido com nós; era utilizado para punir pequenas faltas ou acelerar o ritmo de trabalho dos escravos.



O USO DO CHICOTE PARA FLAGELAÇÃO

Na Antiguidade, Idade Média, até finais do século XIX era usado como punição em quase todo o mundo de escravos, de não cumpridores da lei, etc. Ainda é utilizado, em alguns países islâmicos para os que não cumprem alguns princípios da sharia presente no Alcorão: consumo de bebidas alcoólicas, relações extra-conjugais, etc.
O termo aplica-se como por exemplo à religiosos que incutem a si mesmos sofrimentos e chagas, de modo a imitar a paixão de Cristo. Também os chiitas usam a flagelação como mortificação, ocorrendo à autoflagelação.



A autoflagelação me fez lembrar de imediato o filme Código Da Vinci, onde Silas, personagem interpretado por Paul Bettany em nome de uma fé cega pagava e se redimia de seus pecados e culpas através do seu auto-sofrimento. A carta do deck do Mystical Lenormand retrata bem em imagem o que assistimos no filme.

Flagelação de presos, nos Estados Unidos da América,
 no princípio do século XX.

A FLAGELAÇÃO DE CRISTO



O CHICOTE NO CIRCO

Quando criança meus pais costumavam levar a mim e os meus irmãos ao circo. Era um bom programa de distração e ficávamos muito empolgados principalmente quando chegava o momento de assistirmos a entrada do domador e o leão. Ali o domador e seu chicote que batia no chão repercutindo um som que jamais esquecerei, ele usava de toda sua coragem para enfrentar uma fera que era submetida àquele chicote porque o leão sabia que se fizesse algo diferente do que foi treinado seria punido e que seria doloroso apanhar com aquele instrumento.
Encontramos hoje em reportagens pela internet inúmeros casos onde o Leão reverteu o caso e não quis se submeter tirando a vida do seu próprio domador. E o que aprendemos é que pode ser fatal o mau uso do poder. 


Ao estalar do chicote,
o leão dá um pinote,
se encolhe no picadeiro

Mas não é medo o que sente,
nem é susto:
é saudade, é tristeza...
Seu coração ficou perdido 
para sempre na floresta.

O domador se orgulha,
estala a língua, o chicote,
se sente assim como se fosse
um rei todo poderoso.

Mas o que o leão não adivinha
é que o leão de verdade
está longe, adormecido:
no palco, quem caminha
é a sombra do leão.

Roseana Murray

CASTIGAR ATIVA A REGIÃO CEREBRAL DO PRAZER.

Sempre quando vemos uma cena onde o mocinho vence o bandido logo ativamos uma zona cerebral que nos dá uma satisfação, esboçamos aquele leve sorriso no rosto, segundo Brian Knutson psicólogo da Universidade de Stanford na Califórnia (EUA) este é o primeiro estudo sobre o castigo com mapeamento cerebral e ele mostra que há um auxílio emocional para garantir a satisfação. 
A vingança é um ato irracional que segundo os cientistas traz um equilíbrio já que o ganho para quem o faz é a sensação de satisfação chegando à conclusão de que há uma região no cérebro que fica excitada e traz conforto e satisfação quando punimos ou vemos a punição de alguém por ter feito algo ilícito ou fora dos padrões normais de conduta.


Ainda falando sobre o castigo e o prazer; o chicote é o símbolo da subordinação e da dominação àqueles que usam da prática sadomasoquista e segundo a terapeuta e especialista Raquel Penteado a pessoa que gosta de ser humilhada quer se livrar de alguma culpa e essa submissão está relacionada a isso. Já o sádico projeta a própria culpa no outro para puni-lo e sente prazer com o sofrimento do outro. 
No amor esta carta pra mim revela o lado sexy, atrativo e sedutor da pessoa. A atividade sexual, a paixão do desejo, poderemos verificar também se o consulente tem desvios de comportamento sexual, traumas ou se o sexo tem maior ou menor importância no relacionamento.

ZORRO E O SEU CHICOTE - QUEM SE LEMBRA?

Quando escolhi a carta O Chicote veio logo à minha mente a lembrança dos filmes de infância e que um personagem usava como ninguém o seu Chicote, ele nada menos que o Zorro.  Don Diego de La Vega usava seu chicote e sua espada para defender o seu povo. 
Aqui o chicote usado a favor da justiça e da punição dos culpados.
Para os mais jovens abaixo uma foto de Harrison Ford interpretando Indiana Jones usando o seu chicote no filme Os Caçadores da Arca Perdida.

O CHICOTE NO BARALHO CIGANO

A Carta O Chicote tem o número 11 e em alguns decks vemos o valete de paus.
O Valete de Paus da carta simboliza um jovem imaturo, brigão, irritante, rebelde, cheio de ambição e vaidade, sua coragem o faz brigar pelo comando e domínio mostrando que ele é determinado a conseguir o que ele quer custe o que custar.  
Esta carta é neutra podendo ter seu aspecto positivo ou negativo conforme as cartas que vem ao seu lado.



O Chicote é o instrumento da punição, do uso da força e do poder pessoal em detrimento da submissão e da humilhação de outra pessoa. Mostra quem é que manda e quem domina. 
Aspectos quando perto de cartas negativas: - conflitos, disputas familiares, opressão, raiva, rivalidades, agressão, arrogância, prepotência, contrariedades, brigas, confrontos, uso da força física, uso de palavras fortes e ofensoras, torturas mentais, embate de forças para ferir, sofrimentos, impulsividade, precipitação, manipulação, ambição, uma punição por culpa, autoflagelação, perda da razão, desequilíbrio, desordem mental, forçar a barra, desentendimentos e vaidade.  Quando a carta do chicote sai devemos analisar em que posição está, pois ela nos mostra o que irá acontecer se o consulente reagir de forma impensada ou se sofrerá com a impulsividade de alguém. 
Aspectos quando perto de cartas positivas:- uso da disciplina que trará bons resultados, proteção e cautela, comportamentos com padrões de total domínio mental, saber agir de maneira firme e com propósito positivo, o uso da palavra favorecendo a situação, transformação, equilíbrio e ordem, sensatez, controle dos impulsos, ter energia para e motivação para impor as ideias com coerência e bem comum, garra, pessoa que batalha por aquilo que quer superar, é também não se deixar ficar submisso a vontade alheia quando esta lhe for prejudicar, se mostrar respeitoso e também ser respeitado pela posição que ocupa.

O CHICOTE E A MAGIA

Quando alguém nos pergunta sobre magia ou se alguém fez algo contrariando as leis do universo, o baralho nos dá uma resposta positiva se vier juntamente com a carta A Lua a de número 32, porque como a carta o chicote nos fala justamente da manipulação, aqui podemos verificar uma manipulação e uma desarmonia energética contrariando o destino, a pessoa quer forçar alguém a se submeter a um castigo devido a sua ira e sem pensar nas consequências.  A magia pode ser determinada também pela força dos nossos pensamentos, pois estes podem nos trazer o bem como também o mal, não há necessariamente que alguém tenha nos feito algo, somos frutos daquilo que pensamos e devemos, no entanto controlar nossa mente e nossos pensamentos para que eles nos conduzam  da melhor forma possível para obtermos assim melhores resultados naquilo que queremos conquistar.   
Esta carta é considerada como uma carta dupla: a carta que estiver em contato com a Vassoura é o que devemos afastar, limpar e purificar na nossa vida; e a carta que estiver em contato com o Chicote é o devemos impor, reclamar, protestar, lutar para obter os nossos direitos.
Odete Lopes

No plano espiritual esta carta pode nos mostrar uma paz interior, um carma, nos falar de um mentor e um benfeitor espiritual disposto a espantar energias intrusas que por ventura possam estar querendo atuar na vida do consulente.
Perfil: Quando alguém pergunta como é fulano e sai a carta do chicote podemos ver que se trata de uma pessoa dominadora, persistente, que defende seus próprios interesses e que por isso pode passar por cima dos interesses alheios , que corre atrás dos seus sonhos, dedicada, esforçada, se expressa bem através da palavra, empenhada em conseguir seus objetivos, ambiciosa, tem o controle da situação, obstinada, que usa do seu poder pessoal, que pode usar da sua força e esforço físico ou verbal para impor ou intimidar alguém, possuidora de uma força mental poderosa, forte espiritualmente e intuitiva.
Conselho: Não use da força, pondere as palavras pois existe um ditado que diz assim:-“ a língua é o chicote do corpo”, tenha cuidado e jeito para contornar as situações, tenha calma, tranquilidade, paciência, trabalhe o pensamento positivo, tenha jogo de cintura, saiba negociar, seja flexível, não use da manipulação, use a inteligência e disciplina para a busca de bons acordos e obterá assim melhores resultados.