segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Descanse em paz, Rainha de Paus



Hoje, homenageio postumamente Mercedes Sosa. Grande mulher e musicista, dona de uma voz inigualável e de uma personalidade marcante e inspiradora. Não conheci sua obra em nível de poder falar com propriedade; contudo, creio que nunca mais ouvirei lullabies sem me lembrar de "Duerme negrito"...Assim como embalaste meus sonhos com tua cantiga, que os Anjos embalem sua passagem para o Outro Lado do Véu. E que você tenha conseguido cumprir o que pediu a Deus...

Ah, uma palavra sobre a escolha da carta da Corte: Como mulher já idosa, escolheria claramente uma Rainha; entre os naipes, procurei um que melhor representasse seu engajamento político e sua força inquebrantável. Espadas? Talvez. Mas entre Espadas e Paus escolhi o último porque, se Espadas joga com o intelecto, Paus joga com a inspiração instintiva. A arte de Mercedes Sosa toca até mesmo aqueles que não se interessam por seu posicionamento político, indo para além das questões intelectuais envolvidas. Inspiração ígnea, do naipe de Paus.

Biografia

(Fonte: Famosidades)


Mercedes Sosa nasceu em San Miguel, na Argentina, em 1935. De origem humilde, a cantora cresceu admirando artistas populares e as canções folclóricas do país. Em 1960 já se destacava pela sua voz potente e deu início ao "Movimento Del Nuevo Cancionero", considerado precursor dos protestos através da música. Seu talento chamou atenção da elite argentina, que não estava acostumado com o seu repertório. Ao longo de sua carreira chegou a gravar mais de 40 discos. Em 1979, devido seu engajamento político, a cantora foi exilada de sua terra natal e teve que passar uma temporada em Paris, na França, e em 1980 mudou-se para Madri, na Espanha. Mercedes até poderia entrar e sair da Argentina livremente, mas foi proibida de cantar. Três anos depois, "La Negra", como era chamada pelos fãs, pôde voltar ao seu país de origem para se apresentar. Na época, ela também veio ao Brasil divulgar o disco "Gente Humilde". Com o fim da ditadura argentina, em 1984, Mercedes Sosa comemorou o retorno da democracia com o espetáculo "Corazón Americano", ao lado do brasileiro Milton Nascimento e León Gieco. Em 1988, ela gravou o disco "Amigos Mios", com participação de Pablo Milanés, Teresa Parodi, Cherly García, Raimundo Fagner, e outros. No ano seguinte, Mercedes recebeu a medalha de Comendadora das Artes e das Letras do embaixador da França na Argentina, Pierre Décamps. Em 1992, recebeu homenagem de cidadã ilustre de Buenos Aires. Em 2000, a cantora gravou a canção "Misa Criolla" que lhe rendeu um Grammy Latino. O sucesso continuou e Mercedes seguiu com seus show até 2003, quando teve interromper a carreira por um problema cardíaco. Dois anos depois, a estrela voltou aos palcos e conseguiu três indicações ao Grammy Latino em 2009, pelo álbum "Cantora".

Algumas músicas: Misa Criolla, Duerme Negrito (minha favorita, entre as poucas que conheço), Gracias a la vida (linda...), Solo pido a Dios (muito linda!!!) Eu só peço a Deus (versão em português, com participação de Beth Carvalho - sem comentários...)

3 comentários:

  1. Em casa, amamos Mercedes Sosa. Bela lembrança fizestes à ela, que realmente merece pelo valor de sua obra de vida.
    Eu particularmente gosto muito de "Canción de las simples cosas"...Bárbaro!!!

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  2. É. Sinto não tê-la conhecido mais em vida, mas sei que a conhecerei em (outra) vida, através de seu canto, de sua voz e sua atitude.

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  3. Uma homenagem mais do que merecida! O mundo perde uma interprete como poucas.

    Uma noite de paz!

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Quando um monólogo se torna diálogo...