segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Procurando um amor, com algumas restrições....

Conheci John Cusack em 1408 - dúbio isso; não tenho 601 anos, pelo menos eu acho... - Um filme de terror psicológico muito, muito bom. Embora esse não seja, definitivamente, o meu estilo favorito (na verdade, evito assistir a esse tipo de filmes), achei fantástica a construção textual do filme. Um filme que você assiste uma vez, compreende uma coisa, assiste a segunda e percebe que não havia dado atenção a um determinado detalhe que faz toda a diferença no final do filme, com a possibilidade de assistir uma terceira vez e ver coisas tão diferentes que parece que é realmente a primeira vez que você o assiste. Stephen King, claro. Não é porque não gosto do estilo que não sou capaz de admirar uma bela obra. Terrível, mas bela.

Enfim. Foi aí que conheci John Cusack, numa formidável interpretação da passagem do ceticismo ao total desvario. É difícil não se envolver no processo, e não pensar “…e se fosse comigo?”
Depois disso, não mais o vi, talvez porque não o tenha procurado na prateleira certa da locadora. E eis que ele me faz uma visita nesse filme, "Procura-se um amor que goste de cachorros”. Ok, ele não é o ator principal, nem é citado na sinopse - Sarah Nolan (Diane Lane) é uma professora que está em busca de um grande amor. Após inúmeras tentativas desastrosas, ela é apoiada por sua família a colocar um anúncio procurando um namorado. Mas há uma única condição ao pretendente: que ele ame cachorros tanto quanto ela. - mas sua interpretação não deixa a desejar na comédia, como não deixou no terror.
Esse é um daqueles filmes que pega um grande clichê e transforma em personagem. Sarah Nolan dedicou-se a todos, menos a si mesma, enquanto os anos passavam. Pai, irmãs, marido. Seu mundo desaba com sua separação. E ela está sozinha. (quantas mulheres assim você conhece? Criações do final do século XX...)





O fato é que, se sozinha já não se sente bem, com o “apoio moral” da sua família a situação só tende a piorar – todos querem desencalhá-la. E sua irmã tem a brilhante idéia de criar um perfil para ela no parperfeito.com. Com uma foto “alguns” anos mais jovem.
Daí desenrola-se a trama, com seus inusitados encontros com os naipes mais diversos de homens que devem se encontrar na net. Inclusive um encontro que, de tão absurdo, nos faz pensar sobre o valor de se expor como carne no açougue num site de relacionamentos.








Mas existe um cara chamado John Cusack... ops... Jake Anderson. Também desiludido com o amor, recém-separado e recém-coração-partido, passa seus dias assistindo Dr. Jivago e construindo um barco de madeira à moda antiga. Sozinho. Um amigo tenta animá-lo a ser um pegador, (Qualquer semelhança com os três primeiros atos de Romeu & Julieta [não] é mera coincidência). E ele encontra com Sarah. Um encontro fracassado que motiva novos encontros. E mais encontros. E mais encontros…



Só que Sarah está dividida entre ele, confuso, atrapalhado, desajeitado e pueril, e Bob(by) (Dermot Mulroney), dotado da “beleza máscula que faz sucesso nas telenovelas” [/cassetaeplaneta]. Com quem ela ficará? E... Por quê?




O bacana desse filme, além das situações inusitadas (esse filme ainda é uma comédia romântica) é nos lembrar, ou nos fazer inquirir, o quanto o mundo dos relacionamentos se tornou medonho para nós, que vivemos no século XXI. Até dez, quinze anos atrás, era-nos impossível nos escondermos atrás de uma criação virtual, buscando máscaras e maquillage que nos tornassem mais belos para nossos possíveis pretendentes. E, hoje, valha-me! Senhor do Photoshop!, temos caricaturas em sites de relacionamentos que são criações de algum humano, em algum lugar da Terra – literalmente, criaturas de algum Dr. Ou Dra. Frankenstein, só que [ainda bem!] no plano virtual, chegando ao cúmulo de serem chamados, no limite da lucidez, Segunda Vida.
Eu ainda prefiro os relacionamentos de carne e osso.



Escolha o seu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quando um monólogo se torna diálogo...