sábado, 18 de julho de 2009

Release - O Livro Celta dos Mortos

Os celtas eram um povo europeu tribal, sobre cujas origens ainda muito se discute. Sua identidade distinta pode ter se originado na cultura da Urna da Idade do Bronze, ao norte da Europa, por volta de 1200-1700 a.C., assim chamada porque se referia ao povo que cremava seus mortos e enterrava as cinzas em urnas de argila. Uma cultura celta específica da Idade do Ferro é discernível ao redor de Hallstat, na região superior da Áustria, entre 700 e 500 a.C., seguida pela cultura mais desenvolvida de La Tène, na Suíça, por volta de 500 a.C. Esses nomes são usados por arqueólogos para determinar fases na cultura celta, mas não nos informam sobre quem realmente, eram os celtas.

O Livro Celta dos Mortos, de Caitlin Matthews disserta sobre os immramas – histórias celtas de idas ao Outro Mundo. O Outro Mundo Celta não se assemelha ao Outro Mundo cristão, onde as almas só são capazes de chegar quando desprendem-se de seus corpos. O Outro Mundo Celta pode ser alcançado por qualquer um, a qualquer momento que se aproxime de uma de suas entradas. A quem leu As Brumas de Avalon, essa conversa soará familiar…

Criado por Caitlin Mathews e ilustrado por Danuta Mayer, o baralho retrata a viagem de Maelduin, que é conhecida em duas versões: uma em prosa e outra em verso. Caitlín vale-se de ambas para explicar como o herói e seus companheiros de viagem se deparam em cada ilha com temas importantes para o seu desenvolvimento espiritual e a compreensão de eventos e fatores que moldam sua jornada. Não é uma jornada mórbida, mas uma viagem a ilhas em que há abundância de salmões, banquetes e pilares de prata erguendo-se do mar. Também há desafios, mas cada um deles é uma lição para nossas vidas hoje. Em cada ilha apresentada, um novo desafio deve ser enfrentado, e estranhos seres e guardiões são vistos pelo viajante. Cada experiência é retratada em uma carta, parte de um conjunto que forma a jornada da alma às regiões do Outro Mundo Celta.

Alem da viagem de Maelduin ao Outro Mundo e seu posterior retorno, somam-se a essas cartas a Dama Eterna e Barinthus, os Guias dessa jornada quando feita por nós, e oito presentes do Outro Mundo, que nos são dados ao final da jornada, totalizando 42 cartas.

É um baralho muito bonito, mas sua linguagem não nos é acessível de imediato – sua fidelidade ao Outro Mundo Celta por vezes dificulta a identificação imediata das lâminas, sendo necessário um processo mnemônico de relacionamento entre carta e significado, mais que intuitivo, a princípio.

O que torna esse livro recomendado é exatamente sua parte final, quando Matthews disserta sobre a morte. Sua visão enriquece, sobremaneira, através de analogias, a conceituação apresentada no Arcano XIII do Tarot e na carta 08 do Petit Lenormand, quando nos diz que o homem ocidental, ao lutar para estender o tempo de vida, esqueceu como morrer. Recomendado para pessoas que se identificam com o modo de vida celta, com a história desse povo e, principalmente, com aqueles que desejam rever e reavaliar seus conceitos sobre a morte, a pós-vida e o Outro Mundo.

6 comentários:

  1. Tenho o livro Celta dos Mortos há 7 anos e ainda me surpreendo com os ensinamentos que as jornadas ao outro mundo me dá generosamente.

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  2. irei atras desse livro para ler. gosto muito da historia celta

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  3. Oi Ariadne! É um livro e tanto, não é mesmo?
    Nathalia, procure-o sim. Mas, mais que ler, procure jogar...
    Grande beijo meninas!

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  4. Olá, Emanuel

    Tenho uma duvida a Coleção Celta pode se usada por Crianças
    ??

    eu so uma criança e me entereso mt pelo Povo Celta eu tenho o Tarô Celta. A alguem perigo eu usar esse livro?

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    1. Olá Bruno, tudo bem?
      Recomendo a leitura do texto "A Cartomancia e as Crianças" (http://migre.me/8dh5b). De qualquer forma, não existe nenhum perigo em você usar um oráculo. Eu comecei a jogar com dez anos de idade. A questão principal é se você entenderá os textos - e tenho certeza que você conseguirá.
      O que você chama de "Tarô Celta" é, em essência, um Tarô. Aprendendo adequadamente a jogá-lo, se for um baralho de 78 cartas, com 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores, você conseguirá jogar qualquer outro baralho de Tarô. Agora, se for uma edição específica denominada "Tarô", você pode ter dificuldades posteriores se seguir com esses estudos. Mas definitivamente, não há problema nenhum em jogar Tarô sabendo o que se está fazendo. Parabéns pela iniciativa, boa sorte, Bruno!

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  5. Preciso desse livro DESESPERADAMENTE e não o encontro em lugar algum, alguém pode me indicar algum lugar e conhece alguém que queira me vender?

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Quando um monólogo se torna diálogo...